Processo na Justiça revela como atuava uma milícia em Seropédica que é rival do grupo de Juninho Varão, que é o paramilitar mais procurado da Baixada Fluminense.
O grupo tinha como cabeças um homem chamado Luiz Gabriel e um outro conhecido como Macabu e os falecidos Samuel Souza Correa Machado e Vitor Leal Crispim, o Vitinho.
A milícia agia impondo o pagamento de valores semanais sob o pretexto de “taxa de segurança”, prática comum entre grupos paramilitares que atuam na região.
Samuel e Luiz Gabriel exerciam a função de cobradores, sendo responsáveis por visitar semanalmente estabelecimentos comerciais para exigir o pagamento da chamada “taxa de segurança”.
Vitinho era o chefe da milícia e Macabu atuava como chefe da cobrança, além de ser o responsável pelo recrutamento de novos integrantes para o grupo criminoso.
Durante as investigações, foi apurado que os denunciados realizavam cobranças sistemáticas e rotativas em diversos pontos comerciais da região, utilizando-se de grave ameaça e intimidação, inclusive com o emprego de arma de fogo, para garantir o pagamento das quantias exigidas.
Uma das vítimas, que era dono de uma barbearia relatou que desde a inauguração do seu estabelecimento, há cerca de um ano e meio, era obrigado a pagar semanalmente a quantia de R$ 30,00 à milícia local, valor que foi recentemente reajustado para R$ 80,00.
Ele reconheceu Samuel como o miliciano que compareceu à sua loja para comunicar o aumento da cobrança.
Uma outra comerciante, dona de uma mercearia, também confirmou que era coagida a pagar R$ 20,00 semanais à milícia. Ela relatou que, no mês de junho, dois indivíduos compareceram ao seu comércio para informar sobre um reajuste no valor da taxa. A vítima reconheceu Samuel e Luiz Gabriel como os autores da cobrança.
Além dos relatos das vítimas, um indivíduopreso em flagrante por envolvimento com a mesma milícia, prestou depoimento confirmando que atuava como cobrador sob ordens de “Vitinho” e que recebia R$500,00 por semana para realizar as cobranças. Ele também identificou Macabu como o responsável pelos pagamentos e pelo recrutamento de novos membros.
No momento da abordagem policial, Samuel foi flagrado com a quantia de R$ 1.550,00 em espécie, um celular da marca Redmi e uma chave de veículo tipo canivete da marca Fiat. Já Luiz Gabriel portava um celular Motorola. Ambos alegaram estar apenas “passeando pela cidade”, mas não souberam justificar a origem dos valores e dos objetos apreendidos.
Macabu cumpriu a prisão temporária decretada, enquanto Luiz Gabriel permaneceu foragido. Ambos tiveram as prisões preventivas decretadas este mês.
FONTE: TJ-RJ