O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro divulgou em seu site informações a respeito da investigação sobre a atuação do Comando Vermelho em Petrópolis, que foi alvo ontem de uma operação do Ministério Público Estadual e da Polícia Civil.
A apuração começou depois da prisão de um traficante conhecido como Kayky que confirmou que as drogas eram fornecidas por um bandido vulgo Nóia e declarou que ambos atuavam sob o comando de Macumbinha recebendo pagamentos semanais por suas atividades ilícitas.
Diante destas informações, foi deferida pelo Juízo da 2ª Vara Criminal de Petrópolis a quebra de sigilo dos dados do telefone celular de Kayky possibilitando a extração e análise dos arquivos do aparelho.
A análise dos dados, notadamente das conversas no aplicativo WhatsApp, evidenciou a existência de associação criminosa voltada para a prática do tráfico de drogas no bairro Madame Machado, coordenada pelo grupo denominado “Anotações”, composto por Kayky, “Junior”, “Primo” e outros 26 membros.
Ficou constatado que o grupo “Anotações”, sob o comando de “Primo”, coordenava a distribuição de drogas da comunidade para outros traficantes e usuários, sendo Kayky e “Junior” responsáveis pela entrega na região de Itaipava, sempre prestando contas a “Primo”.
A análise das conversas revelou a utilização de um email como chave PIX para recebimento de valores oriundos do tráfico, cuja investigação permitiu identificar que tal conta e o terminal pertenciam a Macumbinha.
O material obtido da conta de e-mail de “Macumbinha” demonstrou de forma clara e inequívoca a participação direta do acusado na associação criminosa, bem como sua liderança em diversos grupos criminosos, sempre coordenando o tráfico e o armazenamento de drogas.
Macumbinha possuía recentemente dois aparelhos celulares, iPhone 13 e Xiaomi Redmi 13C, associados a novas contas de e-mail, permitindo rastrear suas comunicações e a estrutura de comando do grupo criminoso.
A análise das mensagens extraídas dos celulares evidenciou o fluxo do tráfico de drogas, desde o transporte até a distribuição final aos traficantes locais, demonstrando amplo acesso a armas de fogo e retaliação a inimigos.
Dentre os operadores do grupo, destacam-se Nem, primo de Macumbinha, responsável pelo transporte de drogas entre Parque União e Petrópolis, e Nóia, encarregado pelo armazenamento e distribuição em Madame Machado.
A prisão de um traficante chamado Marcos VInicius confirmou as informações e sua atuação associada à facção Comando Vermelho e o monitoramento policial via grupo de WhatsApp denominado “Madame Jogo10”.
A associação conta com a colaboração de um PM , que recebe pagamentos do grupo e informa a posição das viaturas, inclusive com a instalação de GPS em veículo policial, evidenciando a complexidade e a organização da rede criminosa.
Ao todo, foram identificados 54 traficantes associados e dois colaboradores, incluindo o Policial Militar, atuantes nas localidades dominadas por “Macumbinha.
A análise conjunta das provas demonstra a existência de uma estrutura organizada, hierarquizada e coesa, composta por liderança, gerência geral, gerentes de área, pilotos e “vapores”, atuando de forma coordenada na distribuição, comercialização e controle financeiro das drogas na região de Madame Machado, Nogueira, Secretário, Araras, em Petrópolis.
Restou evidenciado, portanto, que todos os acusados integraram associação criminosa voltada ao tráfico de drogas, com divisão clara de funções, controle logístico de estoques, distribuição de drogas e arrecadação de valores.
A rede de distribuição de drogas é liderada por Macumbinha, que coordena todas as atividades ilícitas, incluindo compra, transporte, armazenamento, venda de drogas e movimentação financeira dos lucros.
A organização atua em diversas localidades de Petrópolis, nas regiões de Nogueira, Araras, Secretário e Madame Machado, mantendo uma estrutura hierarquizada e funções definidas para cada integrante.
Nucleo Madame Machado
Nóia – – ocupa a posição de “gerente geral” do núcleo de Madame Machado, atuando como braço direito de “Macumbinha” e sendo responsável pela distribuição de drogas na Região Serrana.
Ele recebe entorpecentes provenientes da comunidade do Parque União e os armazena em pontos restritos denominados “tretas”, localizados em Madame Machado, de onde são retiradas as cargas sob ordens de “Macumbinha”.
Ele é responsável por retirar as metas semanais estabelecidas por “Macumbinha” e distribuí-las aos “pilotos do tráfico”, que redistribuem as drogas para toda a região de Itaipava, incluindo os gerentes locais. Mantém o controle da contabilidade de todos os gerentes do tráfico em Madame Machado, recebendo prestações de contas – no jargão criminal, “batendo o caderno” – assegurando a organização financeira da associação criminosa.
Também comercializa sua própria carga de drogas, fato evidenciado pelos pagamentos efetuados de sua conta bancária para a conta utilizada por “Macumbinha”, registrada em nome de seu primo Nem”, evidenciando articulação financeira e operacional entre os membros da organização.
Além das funções de recebimento, armazenamento e distribuição de drogas, é responsável pelo recolhimento do dinheiro em espécie proveniente das vendas realizadas pelos gerentes e demais traficantes da região de Madame Machado.
Parte do lucro obtido com a comercialização das drogas é transferida diretamente por cada traficante para a conta indicada por “Macumbinha”, enquanto outra parte é recolhida em espécie por pessoas de confiança em cada região.
Na localidade de Madame Machado, Nóia centraliza o recolhimento dos valores, encaminhando posteriormente o montante ao acusado Flávio da Silva encarregado de efetuar depósitos em diversas contas bancárias indicadas por “Macumbinha”.
A análise dos dados extraídos do terminal evidenciou anotações detalhadas sobre cargas adquiridas, valores pagos e montantes ainda em aberto, fornecendo controle completo da contabilidade dos traficantes da região.
As informações são constantemente enviadas por “Macumbinha a Nóia assegurando a supervisão direta do líder sobre todas as transações e movimentações financeiras da associação criminosa. oram encontrados comprovantes de depósitos enviados por Nóia a Macumbinha evidenciando pagamentos efetuados para a aquisição de sua própria carga de drogas.
Sapex – atua como gerente de área da região de Madame Machado, contando com “vapores” que trabalham diretamente para ele. Realiza repasses de parte do lucro da venda de drogas em espécie a Nóia e efetua transferências via Pix diretamente para “Macumbinha”, demonstrando vínculo financeiro e hierárquico com a liderança da organização.
Conversas extraídas do terminal de Sapex evidenciam o controle detalhado sobre as vendas e valores devidos, bem como o repasse de quantias para integrantes da rede, incluindo pagamentos a “Pulguinha” e instruções recebidas de “Macumbinha” sobre a distribuição do lucro.
Sapex também mantém comunicação constante com “Macumbinha” sobre atividades da boca de fumo, enviando anotações detalhadas das vendas, reforçando seu papel central na coordenação operacional e financeira da associação criminosa em Madame Machado.
Flávio da Silva – Foi na figura dele que se estruturou o setor financeiro da localidade Madame Machado. A partir dos diálogos mantidos entre ele e Macumbinha e “evidencia-se que sua função consistia em realizar depósitos em dinheiro correspondentes à arrecadação obtida com o tráfico de drogas, em contas bancárias indicadas por “Macumbinha e Flávio.
Ele foi identificado por meio de transações bancárias, inclusive utilizando a conta de seu filho e consta na agenda de “Macumbinha como “Flávio Martins Filipe”.
Nóia, após recolher os valores provenientes da venda de drogas pelos traficantes de Madame Machado, entregava pessoalmente o dinheiro a Flávio, que então efetuava as transferências bancárias.
Além de operar como responsável financeiro, Flávio também adquiria drogas de “Macumbinha” e realizava a revenda, evidenciando sua atuação direta no tráfico. Os comprovantes de pagamento apresentados demonstram que as movimentações financeiras eram realizadas em contas de terceiros, incluindo a de seu próprio filho, com a finalidade de ocultar a origem ilícita dos valores.
Mensagens trocadas entre Flávio e “Macumbinha” mostram orientações precisas sobre depósitos e transferências em diferentes contas, com valores significativos, como R$ 20.000,00 e R$ 43.358,00, demonstrando a articulação e o controle financeiro exercido pelo acusado na organização criminosa.
Essas evidências revelam a participação ativa e consciente de Flávio na estrutura criminosa, tanto na movimentação financeira quanto na negociação e distribuição de drogas, caracterizando sua integração na associação para o tráfico.
Núcleo de Araras
Breno – é irmão de “Macumbinha”, atua como gerente da localidade Poço dos Peixes, reduto familiar, sendo responsável pelo recolhimento do dinheiro em espécie proveniente da venda de drogas não apenas em Araras, mas também nas demais localidades sob controle da organização.
Sua irmã, a acusada Leandra, exerce função similar, realizando o recolhimento dos valores em espécie, conforme evidenciado nos diálogos mantidos com “Macumbinha” entre os dias 09/11/2023 e 06/12/2023, bem como em imagens e vídeos enviados por Breno.
Além de recolher o dinheiro, Breno é responsável pela contabilidade dos valores recebidos, que posteriormente envia por meio de PIX às contas indicadas por “Macumbinha”.
Nas mensagens trocadas, verifica-se que Breno realiza pessoalmente a entrega dos valores, deslocando-se ao Parque União, local em que “Macumbinha” se encontrava homiziado.
As transferências PIX são feitas a partir da própria conta de Breno e refletem não apenas os valores do Poço dos Peixes, mas também de Santa Luzia, Vista Alegre, Madame Machado e Secretário, abrangendo todas as regiões dominadas pela organização.
As conversas demonstram a rigorosa conferência dos valores antes da entrega, com Breno anotando minuciosamente os montantes e os responsáveis por cada quantia, garantindo o correto repasse do lucro proveniente do tráfico.
Mensagens de 16/08/2023, 22/08/2023, 19/08/2023, 26/09/2023, 27/12/2023, 09/01/2024, 09/03/2024 e 13/03/2024 evidenciam a movimentação constante de dinheiro e drogas, bem como a coordenação detalhada com “Macumbinha” sobre os valores arrecadados e a logística de entrega das cargas de entorpecentes.
Vídeos e fotos encaminhados demonstram o volume do tráfico e o controle exercido por Breno sobre os valores e mercadorias, reforçando sua participação ativa e consciente na associação criminosa organizada por “Macumbinha”.
A atuação de Breno e de sua irmã, Leandra, revela a articulação familiar dentro da estrutura da organização, evidenciando a centralidade de ambos no gerenciamento financeiro e operacional do tráfico nas localidades mencionadas.
Leandra – – organiza sua rede de distribuição de forma semelhante a uma empresa familiar, utilizando irmãos e primos para desempenhar funções de maior confiança.
A acusada exerce a função de “recolhe e guarda” o dinheiro proveniente da venda de drogas, atuando não apenas na região de Araras, mas também em outras localidades controladas pela organização.
As mensagens trocadas entre ela e Macumbinha” evidenciam a prática de conferência e contabilização detalhada dos valores arrecadados, bem como a coordenação das entregas.
Em 13/11/2023, ela comunicou a falta de parte do valor que deveria ter sido recolhido, realizando a contagem minuciosa e confirmando o total junto a “Macumbinha”.
Em 20/11/2023, a acusada foi orientada sobre a logística de recolhimento do dinheiro, indicando deslocamentos estratégicos e coordenação com outros integrantes da organização para garantir a segurança e precisão na arrecadação.
Fotografias e registros enviados demonstram a contabilização do dinheiro recolhido por Leandra, evidenciando sua atuação direta e responsável no controle financeiro da organização.
A participação da acusada revela a integração familiar dentro da estrutura criminosa, reforçando seu papel de confiança e centralidade nas operações de tráfico de drogas comandadas por “Macumbinha”.
Guim – atua como gerente da região de Araras, desempenhando papel de coordenação e fiscalização sobre os pontos de venda de entorpecentes na localidade. Os traficantes das regiões de Santa Luiza e Vista Alegre realizam o pagamento de “gerência” a Guim, evidenciando seu controle e participação na organização.
Em conversa interceptada no dia 25/09/2024, às 13h47, Guim detalha o repasse financeiro recebido pela gerência de outro traficante menor, Cleiton, demonstrando que parte do valor arrecadado pelo comércio de drogas era destinada a ele, consolidando sua função de supervisor e gestor da operação local.
O acusado foi identificado e qualificado por meio dos dados cadastrais registrados em sua linha telefônica.
Além disso, encaminhou anotações referentes à gerência e movimentações de drogas, reforçando seu envolvimento direto na administração das atividades criminosas do grupo.
Portanto, Guim configura-se como peça estratégica da rede de “Macumbinha”, responsável pelo controle financeiro, supervisão de traficantes subordinados e manutenção da estrutura operacional da região de Araras.
Breno Moura – atua como traficante na localidade de Vista Alegre/Araras, sendo responsável não apenas pelo recolhimento e contabilização do dinheiro, mas também pela compra e venda de drogas.
Nas conversas interceptadas, ele envia extratos bancários com transferências de valores em nome próprio para contas indicadas por “Macumbinha”, além de registrar em anotações detalhadas os produtos adquiridos e os débitos pendentes.
A cada pagamento efetuado, “Macumbinha” atualiza seus traficantes com as devidas alterações nos valores pagos, garantindo o controle financeiro da organização. Mensagens trocadas em 17/08/2024 e 19/08/2024 mostram a coordenação das entregas de drogas, indicando intermediários responsáveis e contatos dos envolvidos, evidenciando a rede organizada e estruturada de distribuição.
No dia 01/08/2024, durante cumprimento de mandados de busca e apreensão, Breno relatou a apreensão de seu material e a detenção equivocada de seu primo, demonstrando a preocupação em proteger os interesses da organização e manter a comunicação com “Macumbinha”.
Em razão disso, Breno optou por trocar seu número de telefone, reforçando a cautela adotada diante da investigação. No dia 14/01/2025, Breno foi preso em flagrante (APF 106-00139/2025 – autos 0800366-98.2025.8.19.0042), ocasião em que confessou trabalhar diretamente para “Macumbinha”, confirmando sua participação ativa na associação criminosa e no tráfico de drogas em Vista Alegre/Araras.
Núcleo de Nogueira
Rafael Gordo – primo de Macumbinha”, exerce a função de gerente geral das localidades de Águas Lindas e Calembe, conforme demonstram as conversas entre ambos. Diferentemente de outros integrantes da organização, Gordo não utiliza transferências bancárias, realizando os pagamentos exclusivamente em dinheiro, conforme registrado em mensagem de 03/06/2024, na qual afirma não trabalhar mais com PIX devido aos riscos e estresse.
As comunicações interceptadas evidenciam também o emprego da força bélica para manter a hegemonia da associação sobre eventuais concorrentes. Em mensagens de 08/06/2024, Gordo relata situações de aproximação de terceiros querendo traficar droga de forma independente, e “Macumbinha” instrui sobre medidas violentas de retaliação contra aqueles que operarem fora da associação, garantindo a manutenção do controle territorial e financeiro.
Gordo coordena pessoalmente a distribuição de entorpecentes, orientando a atuação de pilotos e outros integrantes da rede, bem como negociações de valores semanais, como demonstrado nas mensagens de 09/06/2024 e 10/06/2024, nas quais discute pagamentos e ajustes de valores com “Macumbinha”.
O contato de Gordo consta na agenda de “Macumbinha” como “Rafael Gd Novo 1”, e o terminal utilizado está cadastrado em nome de sua companheira, M.C, com quem possui uma filha, evidenciando tentativa de blindagem do vínculo direto com a organização.
Essas informações demonstram a posição central de Gordo na estrutura criminosa, com autoridade para gerenciar localidades estratégicas, coordenar a distribuição de drogas, efetuar pagamentos e aplicar a força necessária para garantir o domínio da associação sobre o território e a rede de traficantes subordinados.
Neném – ocupa posição de destaque na rede de distribuição de drogas em Nogueira, sendo responsável pelo recebimento e guarda das drogas em locais estratégicos denominados “treta”.
Além disso, mantém a venda de entorpecentes em um bar de sua propriedade, situado em Águas Lindas, e coordena a entrega das cargas de droga aos pilotos que abastecem os traficantes da região, seguindo as ordens de “Macumbinha”.
Mensagens interceptadas entre ele e Macumbinha demonstram a organização precisa da distribuição de drogas, com indicações de quantidades específicas e a logística de transporte, inclusive com orientação sobre atravessamento das cargas por áreas de risco, garantindo o abastecimento contínuo da rede de venda.
Conversas de 16/07/2023 e 04/08/2023 mostram a atuação de Neném na separação, distribuição e até na negociação de pequenas vendas para fortalecer traficantes locais, sempre observando as regras e preços estabelecidos por “Macumbinha”.
Em 14/10/2023, Neném encaminhou vídeo a “Macumbinha”, filmando as drogas porcionadas, reforçando o controle e registro das cargas. Há, ainda, comprovantes de depósito realizados à conta indicada por “Macumbinha”, evidenciando a movimentação financeira direta vinculada à organização criminosa.
Os terminais utilizados por Neném para comunicação estão cadastrados em nome de terceiros, evidenciando tentativas de disfarce de seu vínculo direto com a rede.
A atuação dele demonstra a posição central na estrutura de distribuição de drogas, abrangendo a guarda, venda e entrega das cargas, bem como a coordenação logística junto aos pilotos, evidenciando sua participação ativa e consciente na associação criminosa organizada por “Macumbinha”.
Rossana – prima de Macumbinha, atua como traficante na região de Águas Lindas, participando ativamente da compra, armazenamento e distribuição de drogas.
As interceptações demonstram conversas sobre aquisição de carga de entorpecentes, com envio de fotografias do material, anotações de valores e comprovantes de pagamento via PIX para contas indicadas por “Macumbinha”, evidenciando a movimentação financeira direta vinculada à organização criminosa.
Ela utilizou quatro linhas telefônicas diferentes, todas cadastradas na agenda de “Macumbinha” como “Prima Agl/ Prima Novo Nana”, embora nenhuma estivesse registrada em seu nome. A identificação da acusada foi possível em razão dos inúmeros comprovantes de pagamento vinculados às contas indicadas pela organização. Além disso, ela compartilhou imagens pessoais, incluindo fotos de seu filho internado e selfies, reforçando sua participação e vínculo com a rede.
As mensagens interceptadas mostram a atuação dela na logística de armazenamento e distribuição das drogas, indicando locais seguros para guardar o material e coordenando a entrega junto a pilotos da organização.
Em 07/08/2024, ela solicita orientação sobre a destinação de parte da carga, recebendo autorização de “Macumbinha” para realizar vendas de forma autônoma, respeitando as regras da rede. Em 12/08/2024, discute a embalagem da droga, buscando alternativas para facilitar a distribuição.
Nos dias 24/08/2024 e 13/09/2024, ela envia vídeos demonstrando a porcionamento das cargas, evidenciando o controle e registro das mercadorias. A atuação de Rossana demonstra sua participação ativa, consciente e estratégica na associação criminosa, atuando na compra, armazenamento, distribuição e controle financeiro das drogas, integrando a estrutura familiar e operacional liderada por “Macumbinha
Núcleo principal
Nem – – ocupa posição estratégica na organização criminosa liderada por “MACUMBINHA”, atuando como braço direito do líder. Sua principal função consiste no transporte de entorpecentes, trazendo a droga da comunidade do Parque União, no Rio de Janeiro, até a cidade de Petrópolis, utilizando-se de sua residência próxima a de “Macumbinha” para facilitar a logística do tráfico.
Além da função de transporte, Nem fornece seus dados pessoais para que “Macumbinha” abra contas bancárias e solicite cartões destinados ao recebimento de valores oriundos da atividade criminosa, evidenciando a utilização indevida de seus instrumentos financeiros para movimentação ilícita de recursos, conforme demonstram os comprovantes de depósito e mensagens interceptadas.
As interceptações mostram que Nem organiza a entrega das drogas aos integrantes da rede, incluindo o repasse para“Nóia”, e a coordenação de cargas e mochilas, garantindo que a distribuição seja realizada de forma segura e eficiente.
Ele acompanha cada etapa do transporte, reportando-se constantemente a “Macumbinha”, comunicando horários, valores e locais de entrega, além de resolver problemas logísticos em tempo real, como atrasos ou necessidade de mudança de rota devido à presença policial.
Mensagens de novembro de 2024 demonstram o acompanhamento próximo de Nem sobre a movimentação das cargas, incluindo a organização de mochilas, comunicação com terceiros envolvidos no transporte e controle financeiro sobre os valores recebidos, evidenciando a confiança do líder na execução de suas tarefas.
A atuação de Nem revela seu papel como peça-chave na estrutura criminosa, sendo responsável pelo fluxo de entorpecentes entre o Rio de Janeiro e Petrópolis, pelo suporte financeiro necessário à manutenção das atividades ilícitas da organização e pela coordenação logística junto aos demais integrantes da rede, consolidando sua posição de confiança e relevância na hierarquia”.
Escorrega – atua como um dos operadores do tráfico na rede de distribuição. Sua função principal consiste no transporte e entrega de entorpecentes, bem como na manutenção de contato direto com outros integrantes da rede para assegurar o abastecimento das localidades sob domínio do grupo.
As interceptações e diligências investigativas revelam que “Escorrega” realiza movimentações de drogas e valores em espécie, cumprindo ordens da liderança e garantindo que as cargas cheguem corretamente aos pontos de distribuição e aos responsáveis pelo recolhimento do lucro obtido com a venda de entorpecentes.
Além disso, evidencia-se que Escorrega participa da logística de segurança e ocultação das mercadorias, atuando em sintonia com as normas e protocolos estabelecidos por “Macumbinha” para minimizar riscos de apreensão ou interferência policial. O acompanhamento das comunicações do acusado demonstra conhecimento e participação consciente nas atividades criminosas da associação, evidenciando sua posição dentro da hierarquia da organização e sua contribuição direta para a manutenção da estrutura de tráfico de drogas.
Dimas – é responsável pelo tráfico de drogas no Morro da Provisória, operando sob a liderança de “Macumbinha”.
Sua atuação abrange a supervisão direta dos traficantes subordinados, a prestação de contas dos valores arrecadados e a realização de transferências bancárias para a associação, evidenciando participação ativa na gestão financeira do tráfico.
As conversas interceptadas entre Dimas e Macumbinha demonstram a coordenação na aquisição de cargas de drogas, bem como na logística de transporte até Petrópolis, confirmando a relação de cooperação mútua.
Além disso, Dimas organiza a distribuição da droga aos seus subordinados e garante a segurança das operações, incluindo o armazenamento seguro das cargas e a utilização de armamento fornecido pela associação.
O acusado também participa da expansão da influência do grupo, adotando estratégias de coerção e extorsão contra pequenas empresas locais para assegurar receitas adicionais e consolidar o controle territorial. Através de mensagens e fotos, observa-se seu envolvimento direto na execução de ameaças e ações violentas, reforçando sua posição de confiança dentro da estrutura criminosa de “Macumbinha”.
O uso de seu terminal telefônico, registrado em nome de terceiros, bem como selfies enviadas e referências à sua companheira e filhos, permitiu sua correta identificação e qualificação.
A soma das provas indica participação consciente e contínua nas atividades ilícitas da associação, destacando-se como peça fundamental na manutenção e ampliação do tráfico na região sob seu comando.
Corrupção ativa
Róbson Esteves – – é associado ao grupo criminoso liderado por “Macumbinha”, participando ativamente das atividades de tráfico de drogas e de apoio logístico à associação.
Atua diretamente com um vereador primo de Macumbinha,, sendo intermediário em pedidos realizados pelo líder da organização, incluindo solicitações que envolvem a manipulação de agentes públicos e o uso de influência política para benefício do grupo.
As interceptações telefônicas demonstram que Robson recebeu ordens de “Macumbinha” para monitorar policiais militares e assegurar que determinados agentes fossem removidos de seus postos.
Em 28/02/2024, “Macumbinha” envia a Robson fotografia de uma policial militar lotada na P2, solicitando providências para retirá-la do posto, o que evidencia a utilização de ROBSON como elo entre a liderança do grupo e a execução de medidas de proteção à atividade criminosa.
Além disso, Robson participou de operações envolvendo a colocação de dispositivos de rastreamento (GPS) em viaturas da Polícia Militar, em 28/06/2024, como parte de estratégia do grupo para monitorar movimentações policiais.
O acusado recebeu a carga destinada ao GPS e a encaminhou para os responsáveis pelo plantio do equipamento, conforme ordens de “Macumbinha”, evidenciando sua colaboração direta em atividades de planejamento e execução de ações ilícitas.
A identificação de Robson foi possível por meio de seu terminal telefônico das fotografias tipo “selfies” enviadas e de comprovantes de Pix vinculados a sua conta bancária. Assim, sua participação se mostra consciente, contínua e essencial para a manutenção das operações criminosas da associação, reforçando sua posição de confiança dentro da estrutura liderada por “Macumbinha”.
Felipinho – – mantém estreita relação de amizade e atuação conjunta com “Macumbinha”, comandando de forma compartilhada o tráfico de drogas em determinadas regiões de Petrópolis, notadamente as localidades de Secretário e Nogueira.
Sua identidade foi confirmada por meio de diálogos, fotos enviadas por “Macumbinha” e registros da conta de email.
Ele possui histórico de envolvimento em diversos registros de ocorrência relacionados ao tráfico de drogas, incluindo participação na Operação Saturno (IP 105-02185/2017), voltada à identificação e qualificação de grupo criminoso por ele liderado.
A investigação demonstrou que os grupos de Felipinho e Macumbinha e cooperavam mutuamente, compartilhando informações, favores e divisão de pontos de venda, garantindo maior eficiência e controle sobre o comércio de entorpecentes. Essa colaboração entre os líderes criminosos fica evidente nas conversas interceptadas, nas quais a delimitação de territórios e preços das drogas é discutida, bem como a coordenação para impedir a venda de entorpecentes por terceiros não autorizados.
Por exemplo, diálogos de 03/08/2024, 07/08/2024 e 23/09/2024 demonstram que os traficantes subordinados seguiam as instruções de “Macumbinha” quanto ao respeito às áreas e produtos de Felipinho.
Além disso, Felipinho atuava financeiramente no esquema, realizando pagamentos a informantes policiais, incluindo o militar Bruno da Cruz Rosa, utilizando contas bancárias de terceiros.
Recebia de “Macumbinha” registros das conversas com Bruno para monitorar a atuação de policiais e outros informantes, demonstrando envolvimento direto na manutenção da segurança e continuidade das operações ilícitas do grupo.
Portanto, Felipinho se apresenta como líder estratégico e colaborador indispensável na rede criminosa, atuando na coordenação territorial, no controle da venda de drogas e na manutenção de canais de informação sobre a atuação policial na região.
Melão – – atua como responsável pelo tráfico de drogas na localidade do Meio da Serra Velha em Petrópolis, associado à organização criminosa liderada por “Macumbinha”.
Sua participação se evidencia pelo envio de comprovantes de Pix, pelas comunicações interceptadas e pelo envolvimento em operações coordenadas com outros membros do grupo.
Entre os dias 16/06/2024 e 20/07/2024, Melão realizou cinco transferências no valor de R$ 500,00 cada, em nome de J.M.S.D direcionadas a J.C.L , correspondentes à contraprestação paga pelo mesmo pelas informações recebidas repassadas pelo policial militar Bruno.;
Em 04/07/2024, às 17h54, “Macumbinha” solicita o Pix a “Melão”, que envia o comprovante às 19h04, demonstrando o fluxo financeiro entre o grupo criminoso e os informantes policiais.
Adicionalmente, “Melão” teve participação relevante na entrega de um GPS ao acusado Robson Esteves, no dia 28/06/2024, ação coordenada com “Macumbinha”. O GPS foi destinado a Breno, irmão de “Macumbinha”, para posterior utilização pelo policial Bruno na viatura de outros membros da corporação, evidenciando a atuação de “Melão” no suporte logístico às atividades ilícitas do grupo.
A identificação de “Melão” foi confirmada pelo terminal telefônico registrado na nuvem de “Macumbinha” como “Melão Serra Escorpião”, bem como pelos comprovantes de Pix realizados em seu nome.
As mensagens e registros apontam a atuação de “Melão” no comando de ponto de tráfico, na coordenação de entregas e repasses financeiros, e no suporte logístico às operações do grupo criminoso.
Portanto, Melão configura-se como integrante estratégico da organização liderada por “Macumbinha”, com atuação direta no tráfico de drogas, no controle de território, na coordenação logística e na manutenção de canais de informação sobre a atuação policial.
Destaca-se, a título exemplificativo, o APF 106-01083/2025, em que foi preso em flagrante Breno Moura, o qual, em seu termo de declaração, informou recolher o dinheiro proveniente do tráfico na localidade de Santa Luzia, em Araras, repassando-o a um piloto que o entregava a “Macumbinha”.
A constância dessas condutas demonstra que a atuação criminosa do grupo é sistêmica e não eventual, configurando risco concreto de continuidade das práticas delitivas caso permaneçam em liberdade.
Soma-se a isso, no APF 106-01083/2025, em que foi preso em flagrante pela prática do tráfico, o investigado Marcos Vinicius o qual confirmou, em sede policial, que vendia entorpecentes no bairro Madame Machado, sob a liderança de “Macumbinha”, esclarecendo que perdeu uma carga no valor de R$ 26.000,00. Atualmente, atua como olheiro, informando, no grupo de WhatsApp “Madamejogo10”, a posição dos policiais militares.
FONTE: Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro