A milícia chefiada por Juninho Varão hoje começou a sse expandir a partir de 2020 quando policiais civis foram informados, por moradores e comerciantes de cidades da Baixada Fluminense, como Seropédica e Nova Iguaçu, estava, extorquidos pelos milicianos da área.
De acordo com populares, na época, um determinado grupo de milicianos teria espraiado seus domínios por diversos bairros do município de Seropédica, ostentando ostensivamente armas de fogo, ameaçando e extorquindo a população local, cobrando taxas abusivas sobre serviços essenciais como água, luz, gás, TV a cabo, transporte e segurança, além de estarem invadindo terrenos e casas pertencentes de terceiros, a fim de realizar e comercializar construções ilegais
Na ocasião, o grupo ainda era chefiado por Tandera e seu irmão Delsinho seria o seu “braço direito”, o segundo homem na cadeia hierárquica da organização.
Com o passar do tempo, a quadrilha foi se avolumando em tamanho, complexidade e estrutura, passando a contar com dezenas de “funcionários” e “colaboradores”, os quais atuam de maneira escalonada, em diferentes níveis hierárquicos e com diferentes funções, mas todos unidos pelo propósito de trabalhar em prol da organização criminosa.
A organização criminosa passou a ser responsável por diversos crimes ocorridos na região, como homicídios, sequestros, agiotagem, extorsões a moradores, comerciantes, motoristas de van e mototaxistas, esbulho possessório de residências e terrenos, monopólio sobre atividades comerciais inclusive lícitas objetivando lavagem de capital, roubos de cargas, roubos e clonagem de veículos, “grilagem de terras”, construção irregular e venda de empreendimentos imobiliários ilegais, ameaças, entre outros.
Ainda líder do grupo, Tandera passou a imiscuir-se na política dos municípios de sua área de influência, patrocinando e apoiando candidaturas locais, tudo isso mirando a obtenção de vitórias em futuras licitações e contratos administrativos, além do controle de Secretarias de governo
O plano era o seguinte: os milicianos apoiavam e auxiliavam candidatos em suas campanhas, sendo que, em troca, acaso eleitos, tais políticos deveriam agraciar a organização criminosa com cargos públicos e contratos administrativos recebidos em decorrência de licitações fraudulentas.
Varão, Tandera e outros milicianos participaram de encontros com políticos das regiões por ele dominadas (pré-candidatos às eleições em 2020).
A reunião tinha por objetivo a formação de uma “coalizão” para as eleições de 2020.
Em troca do apoio dos criminosos, os autoproclamados pré-candidatos expressamente prometeram vantagens espúrias, que seriam materializadas por meio da entrega de cargos públicos aos milicianos e de contratos administrativos obtidos por meio de licitações fraudulentas.
Ao longo da reunião, os milicianos articularam um audacioso plano de tomada de poder político nos municípios onde há influência de sua organização criminosa.
Conforme abertamente debatido no inusitado “rendez-vous”, o plano era infiltrar-se nas Prefeituras locais, o que faria por meio do controle de determinadas Secretarias de Governo, bem como por meio da obtenção de contratos administrativos celebrados por meio de licitações fraudulentas. estrutura da organização criminosa.
Não satisfeito com a criminalidade violenta, o bando planejou imiscuir-se também com crimes do “colarinho branco”, o que demonstra claramente sua intenção de escalar a organização para outro nível.
Varão acabou assumindo o controle de regiões que outrora pertenciam a Tandera organizando, a partir de agosto de 2022, em torno de sua própria figura, uma nova quadrilha. Ele deu um golpe em Tandera se aproveitando do enfraquecimento deste.
O bando investia em joias. Foram verificadas as compras de um anel feminino no valor de 2.900,00 (dois mil e novecentos reais), um cordão no valor de R$ 2.400,00, um bracelete em formato de cinto no valor de R$ 21.000,00 (vinte e um mil reais), um escapulário no valor de R$ 9.000,00, um bracelete de ouro, no valor de R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais), um cordão de ouro no valor de R$ 13.760,00 e um cordão de ouro no valor de por R$ 13.015,00, tudo para afastar cada vez mais os valores ilícitos de sua origem criminosa
Um dos integrantes do bando movimentou em menos de um ano R$ 1.394.405,00. Um outro em quatro anos fez circular R$ 1.553.025,93
Integrantes do bando tiveram vídeos captados pela polícia manuseando fuzis Fal, calibre 7.62mm, os quais estão sendo desembalados e montados. Em uma gravação, se viu menos 4 (quatro) fuzis novos , possivelmente recém adquiridos na época pela ORCRIM01958/2020.
O bando teria arrecadado R$ 49.400,00 relativamente a extorsões a areais na Baixada.
A quadrilha era muito violenta. Foram descobertos vídeos contendo a gravação da execução, por decapitação, de ao menos seis vítimas.
Em um deles, o assassino serra o pescoço de uma das vítimas, enquanto ela ainda estava viva. Em outro vídeo, vê-se um rapaz, com a orelha decepada, implorando pela própria vida, alegando ser morador e pedindo clemência. Após alguns segundo, o rapaz é executado com um tiro, seguindo-se então a decapitação.
As imagens revelam a crueldade dos bandidos a ponto de o criminoso ter tirado uma selfie com os cadáveres decapitados dos jovens que acabara de assassinar, nitidamente orgulhoso do que fizera:
Foram identificados ainda vídeos de execuções de dois rapazes não identificados, possivelmente moradores das comunidades dominadas pela milícia, ocorridas em março de 2020.
Em determinado momento, o miliciano pergunta aos rapazes quantas vezes eles teriam roubado, ambos confessando que teriam roubado Após, o criminoso pergunta “quem quer morrer primeiro”.
Após concretizarem as execuções, os milicianos ainda filmaram os cadáveres dos rapazes,
fazendo comentários jocosos, às gargalhadas. Em determinado momento, um deles pisou na cabeça de uma das vítimas, a fim de mostrar a marca do disparo na cabeça do rapaz. Em razão disso, foi possível identificar o calçado bastante característico, da marca Dolce Gabbana, utilizado pelo miliciano
Havia um outro vídeo que um miliciano apareceu executando dois indivíduos com uma faca. No vídeo, vê-se que o crime foi cometido de maneira extremamente cruel, com o intuído de torturar as vítimas, uma vez que o bandido perfura seus corpos por repetidas vezes, sendo certo que as vítimas estavam amarradas, completamente incapazes de se defender. Chama atenção ainda que as execuções tenha sido registradas em vídeo, o que parecia comprazer o miliciano:
A milícia tinha estratégias, Seus integrantes não podiam focar andando em “carro cabra”, que são os “carros ruins”, com documentos e placas clonadas.
Os chefes diziam que todos aqueles que não têm mandado de prisão deveriam devolver suas armas. Todos deveriam ter o contato do advogado e que, acaso fossem presos, somente deveriam falar na presença do advogado, sob pena de “sofrer as consequências”.
“Mano, tu tá indo desenrolar. Depois tu vai colocar um responsável de pegar e te entregar, entendeu? Vai só desenrolar, depois bota um responsável de pegar e te entregar. Não vai você mesmo pegar não, entendeu? Esquece isso. Isso é burrice! Vai botar um moleque limpão, sem mandado, sem nada para ir pegar os valores. Aí pega uma merreca, pega outra, entendeu? Não ficar com muito dinheiro no bolso. Tem que ter um limite de valores? Carro bom, moto boa, nada errado! Entendeu? Porque pode tomar um bote aí e ficar fodido! Deu para entender?”
Alerta ainda para o fato de que equipamentos como fardas, boots e coldres estariam ensejando prisão e que todos deveriam ter cautela quanto a tais materiais. E finaliza: “escreveu não leu pau comeu”.
Foram também identificadas fotografias de explosivos caseiros utilizados, dado a evidenciar a extremada gravidade dos atos cometidos pelo bando. Conforme pontuado, a malta frequentemente adquiria, possuía, portava, tinha em depósito e transportava armas de fogo de uso permitido, restrito, assim como artefatos explosivos.
O arsenal era utilizado para gerar intimidação na população, servindo de instrumento para o achaque. Da mesma forma, frequentes são os episódios de guerras entre milicianos rivais e ainda entre milicianos e traficantes, o que fazem em razão de disputas territoriais.
Foi verificado que Juninho Varão figurava como sócio de uma empresa de banda larga , provavelmente utilizada para lavagem de dinheiro da organização criminosa.
A empresa presta serviços de baixíssima qualidade, açambarcando, ao que parece, o fornecimento de internet na região do Cabuçu, ou seja, trata-se de empresa criada para conferir ares de legalidade ao serviço de “gatonet” imposto aos moradores da região, os quais, privados da possibilidade de contratar com as demais empresas, veem-se obrigados a contratar com a “empresa da milícia”.