Um miliciano envolvido nos homicídios de dois adolescentes em 2020 em Nova Iguaçu foi até a casa da mãe de uma das vítimas onde além de ordenar que ela parasse de “fazer barulho”, disse que “teria comido o corpo do seu filho.
A mãe do outro disse que parou de procurar pelo corpo de seu filho por medo de sofrer represálias da milícia que domina o local e não age às escondidas.
Houve diversas tentativas da Justiça de intimação da mãe de um deles para comparecimento à audiência de instrução e julgamento dos envolvidos, mas não foi encontrada em nenhum dos endereços indicados pelo Ministério Público.
As vítimas Marlon Douglas Alves e Pedro Lucas Lemos Salsa foram mortos a tiros pelos paramilitares.
No dia dos fatos, o grupo de milicianos, ocupando um veículo GM/Prisma, cor prata, e um veículo Renault/Duster, cor branca, ordenou que as vítimas adentrassem no porta-malas do veículo Prisma e os conduziu até o local conhecido como Graxa, onde os adolescentes foram torturados e mortos.
Consta, ainda, que os homicídios foram praticados por motivo torpe, pois, além de terem os adolescentes se envolvido com o tráfico de drogas
Pedro ainda encontrava-se praticando atos infracionais na localidade, bem como que foram praticados mediante emboscada, pois um elemento, enquanto amigo das vítimas e previamente acordado com Jackson, atraiu os adolescentes para a rua, onde foram sequestrados.
Na sequência, os criminosos ocultaram os cadáveres dos adolescentes, colocando-os em local incerto e não sabido.
Poucos dias após a prática dos homicídios, os milicianos buscando favorecer interesses próprios consistentes em livrar-se do risco de serem incriminados, dirigiram-se à residência da mãe da vítima Pedro, onde, mediante grave ameaça, disseram “para de fazer barulho” e “você deveria ter medo da gente”, incutindo, assim, medo na vítima para que ela desistisse e desacreditasse o registro policial
O caso voltou a tona na Justiça este ano pela decisão de transferir o julgamento dos envolvidos para a capital por conta do risco de imparcialidade dos jurados. Alegou-se que o um dos suspeitos integra violenta milícia privada, com atuação voltada para a prática de crimes de extorsão, homicídios, ameaças, causando grande temor nos moradores de Nova Iguaçu e de toda a Baixada Fluminense.
FONTE: TJ-RJ