Uma investigação da Polícia Civil da Paraíba revela que traficantes daquele estado liderados por uma mulher conhecida como Coroa buscaram apoio na Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio, para enfrentar a facção rival Okaida na cidade de Itabaiana.
Segundo a apuração, Coroa solicitou suporte bélico e logístico no Rio de Janeiro para consolidar a hegemonia do CV na região.
A polícia levantou que, por intermédio do traficante Fatoka, que também é da Paraíba e está escondido na Rocinha, foram enviados armamento, munições e fardamentos camuflados para assegurar que a “Família Coroa” tivesse capacidade de resistência contra a Okaida.
Segundo o relatório, enquanto traficantes do CV da Paraíba buscam abrigo na Favela da Rocinha (RJ) para angariar apoio do Comando Vermelho nacional, bem como retirou seus integrantes, provisoriamente de Itabaiana, permanecendo apenas guerrilheiros oriundos de Juripiranga e outras cidades paraibanas onde o CV controla o tráfico, a Nova Okaida, continua deslocando “soldados” da região metropolitana (principalmente Cabedelo) para Itabaiana.
Entenda a guerra
A análise de inteligência apontou que o equilíbrio de forças em Itabaiana foi rompido pela decisão unilateral de Coroa de romper com a Nova Okaida (OKD)
Ao associar-se ao narcoterrorista “Fatoka no Rio de Janeiro, a “Família Coroa” importou a doutrina do Comando Vermelho , que prioriza o confronto direto com as forças de segurança e o uso de táticas de terror para consolidar o domínio territorial. A migração foi motivada pela busca de maior aporte bélico e financeiro, visando sobrepujar a hegemonia que a Okaida exercia na região.
O “racha” gerou uma fragmentação imediata dos bairros de Itabaiana. Locais que antes eram zonas de comércio pacificado pela Okaida tornaram-se “zonas de guerra”. A perda da hegemonia da Okaida é visível na necessidade de remanejamento de “soldados” de outras cidades para evitar o avanço do CV.
investigação identificou que a disputa não se limita aos pontos de venda de entorpecentes, mas ao controle social das comunidades, onde o morador é coagido a escolher um lado, sob pena de ser expulso ou executado, conforme verificado no homicídio do dia 18/02.
Como forma de demarcação tática e demonstração de lealdade, membros da nova célula do CV em Itabaiana e Juripiranga adotaram o uso de cabelos tingidos de vermelho . Esse sinal distintivo facilita a identificação visual entre comparsas durante incursões armadas e serve como propaganda visual para aterrorizar faccionados da Okaida.
Paralelamente, a pichação sistemática de muros na Suburbana com siglas alusivas ao CV e ameaças à Okaida funciona como um “marco de posse”, desafiando abertamente o poder estatal e a facção rival.
A transição foi acompanhada de uma ofensiva nas redes sociais. A inteligência monitorou a expedição de “decretos” (sentenças de morte) em perfis vinculados à Okaida contra os dissidentes. A extração de dados do dispositivo de um dos bandidos” confirmou que as ordens de execução circulam em grupos de mensagens antes de serem postadas em plataformas públicas como o Instagram.
Essa guerra digital serve para desestabilizar o emocional dos dissidentes e reafirmar a autoridade das lideranças que permaneceram na OKD, transformando o ambiente virtual em uma extensão do campo de batalha físico.