Uma denúncia explosiva recebida pela Auditoria da Justiça Militar expõe acusações gravíssimas contra policiais militares no Rio de Janeiro: dois PMs são suspeitos de ameaçar homens baleados, condicionando o socorro médico à confissão de crime e à entrega de uma arma que, segundo os próprios autos, pode nunca ter existido.
O caso aconteceu em 13 de junho de 2023, na Rua Salgueiro, no bairro Vilar dos Teles, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. De acordo com a denúncia, equipes do Grupamento de Ações Táticas (GAT) realizavam uma operação na comunidade Vila Ruth quando houve um confronto armado.
Após o tiroteio, dois homens foram encontrados caídos, feridos, em uma laje, já rendidos e sob custódia policial. Um deles apresentava um ferimento de raspão nas costas; o outro havia sido atingido na região escapular.
É nesse momento que, segundo os autos, a ocorrência ganha contornos ainda mais graves.
Um dos policiais teria se aproveitado da vulnerabilidade de uma das vítimas — ferida, sangrando e em estado de desespero — para fazer uma ameaça direta: sem confissão de porte ilegal de arma e sem indicação da localização do suposto armamento descartado na fuga, não haveria socorro.
A denúncia aponta que o homem foi submetido a intenso sofrimento psicológico sob a pressão de morrer sem atendimento médico.
Horas depois, já na 64ª Delegacia de Polícia, o mesmo policial — acompanhado de outro agente — teria reforçado a ilegalidade. Ambos são acusados de prestar depoimentos falsos, afirmando que os feridos estavam com drogas, radiotransmissor e uma pistola no momento da abordagem.
A investigação, no entanto, sustenta o oposto: os homens não portavam qualquer desses materiais.
Apesar da gravidade das acusações, não há até o momento qualquer punição judicial aplicada aos policiais envolvidos.
Outro caso: invasão de domicílio e agressão em Petrópolis
Em outro episódio que também acendeu alerta na Justiça Militar, três policiais militares foram denunciados por invadir a casa de um morador em Petrópolis, na Região Serrana, sem mandado judicial e sem consentimento.
O caso ocorreu em 5 de julho de 2024, na comunidade do Neylor.
Segundo os autos, os agentes entraram à força na residência de um homem identificado como T.F.F., ignorando sua negativa expressa. Dentro da casa, ele teria sido brutalmente agredido com socos no rosto e um golpe conhecido como “mata-leão”, sofrendo lesões corporais.
Desta vez, há um elemento ainda mais contundente: a ação foi registrada pelas câmeras corporais dos próprios policiais, o que reforçou a aceitação da denúncia pela Justiça.
Mesmo assim, até agora, também não houve qualquer punição judicial contra os envolvidos.
Os dois casos, agora sob análise da Justiça Militar, escancaram denúncias de abuso de poder, violência e possível manipulação de provas por agentes do Estado — acusações que, se confirmadas, atingem diretamente a credibilidade das forças de segurança.