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Author name: Mario Hugo Monken

Sou redator com 25 anos de experiência em investigação policial, formado em Jornalismo. Ao longo da carreira, desenvolvi um olhar apurado para apurar e contar histórias complexas, com foco em detalhes e precisão. Minha paixão pela investigação e pela escrita me permite desvendar narrativas profundas, oferecendo ao leitor informações relevantes e impactantes sobre o universo da segurança pública.

Mario Hugo Monken

CÂMERA VIRADA PARA CIMA: denúncia detalha nova forma de ocultação em ação de PMs na Maré

A denúncia contra 10 policiais militares acusados de invadir 13 casas no Complexo da Maré detalha duas formas de suposta ocultação durante a operação: segundo os autos, agentes teriam direcionado câmeras corporais para cima — ou para o lado oposto da equipe — e, em outros momentos, coberto as lentes, gerando imagens de “tela preta”. O caso, antecipado pela reportagem e posteriormente repercutido por outros veículos, aponta que os policiais são acusados de abuso de poder e violação de dever funcional, além de não cumprirem a missão que lhes foi atribuída pela Apol do 22º BPM. De acordo com o processo, os agentes também teriam desobedecido ordem superior relacionada à Instrução Normativa nº 0168, que estabelece os procedimentos para uso da Câmera Operacional Portátil (COP), conforme previsto no boletim da PM nº 182, de 30 de setembro de 2022. Segundo a denúncia, durante a ocorrência, os policiais teriam obstruído indevidamente os equipamentos, comprometendo o registro das imagens. Os autos descrevem que, em ao menos um caso, um dos PMs voltou a lente da câmera para cima ou para direção oposta à guarnição, impedindo que a ação fosse devidamente registrada. Já em outras situações, policiais cobriram as lentes das COPs, fazendo com que os equipamentos registrassem apenas imagens de “tela preta”. De acordo com a acusação, as práticas teriam sido adotadas com o objetivo de impedir a captação das ações realizadas durante a operação. Para o Ministério Público, as condutas indicam tentativa de ocultação deliberada da atuação policial, em desacordo com as normas que regulamentam o uso das câmeras corporais. O processo segue em tramitação, e a reportagem não localizou a defesa dos policiais citados.

VAMOS EXPLODIR TUDO’: Justiça revela terror de jovem feita refém com granada na Ilha”

Sob ameaça de ser explodida dentro do próprio quarto, uma jovem viveu momentos de desespero ao ser mantida refém por traficantes armados no Morro do Barbante, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio. Segundo os autos do processo, a vítima chegou a pedir socorro enquanto os criminosos afirmavam estar com armamento pesado, incluindo fuzis, e ameaçavam “explodir tudo” caso fossem confrontados. A jovem foi mantida sob poder de quatro homens armados, dentro de um quarto, por cerca de meia hora. Durante esse período, conforme a documentação judicial, foi submetida a grave ameaça com armamento de alto poder letal, incluindo a possibilidade de detonação de uma granada no interior do cômodo. O episódio ocorreu no ano passado, durante uma operação do BOPE contra traficantes ligados ao Comando Vermelho na comunidade. Na ocasião, houve confronto armado, e parte dos suspeitos fugiu da ação policial. De acordo com o processo, durante a fuga, quatro homens invadiram a residência de um morador. Policiais que realizavam a perseguição entraram no imóvel e, ao se aproximarem de uma porta fechada, foram surpreendidos por ameaças diretas feitas pelos suspeitos. Do outro lado da porta, os acusados afirmavam estar fortemente armados com fuzis e explosivos e advertiam que, caso a entrada fosse forçada, detonariam o material — colocando em risco tanto os policiais quanto a jovem, mantida no local como refém. Diante da situação de alto risco, foi iniciada uma negociação que se estendeu por cerca de 30 minutos. Segundo os autos, os suspeitos condicionaram a rendição à garantia de que não sofreriam agressões. A decisão judicial destaca que a restrição da liberdade da vítima teve como único objetivo utilizá-la como escudo humano, uma vez que os acusados temiam ser atingidos pelos policiais do BOPE. A resolução do impasse contou com a atuação de uma moradora conhecida como “Tia Maria”, que intermediou a situação. Ela entrou no quarto, recolheu os armamentos e os entregou à equipe policial, permitindo o fim da ocorrência sem ferimentos à vítima. Após a rendição, os quatro homens foram presos e encaminhados à delegacia. Com eles, foram apreendidos: Ao final do processo, os quatro acusados foram condenados a 7 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão, além do pagamento de 1.362 dias-multa.

Policial civil e falsos agentes formavam milícia para extorquir comerciantes em Búzios — detalhes de uma cobrança sob mira de réplica de fuzil vêm à tona

Uma operação criminosa com características típicas de milícia atuou livremente em Búzios, na Região dos Lagos, explorando comerciantes sob ameaça e com participação direta de um agente da lei. O caso, que começou a ser desvendado ainda em dezembro de 2025, ganha agora contornos muito mais graves com a revelação de novos detalhes da investigação. Os criminosos se passavam por policiais civis para extorquir empresários locais, utilizando armamento, distintivos e até viatura disfarçada para dar aparência de legalidade às ações. O grupo exigia dinheiro sob ameaça de apreensão de bens — uma prática clássica de milícias que atuam como um “Estado paralelo”. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu na manhã de 5 de dezembro de 2025. Um empresário do ramo de construção foi surpreendido ao ser informado de que uma suposta equipe da Polícia Civil estava em seu terreno, na Estrada de Tucuns, onde mantinha máquinas e caminhões. Ao chegar ao local, encontrou três homens dentro da propriedade. Um deles, identificado como policial civil, ostentava distintivo oficial e comandava a ação. Outro portava uma pistola na cintura. O terceiro permanecia no interior de um Renault Kwid. A abordagem foi violenta. O empresário foi rendido sob a mira de um fuzil — posteriormente identificado como uma réplica — em uma clara demonstração de intimidação. Em seguida, o suposto agente da lei passou a questionar a documentação dos veículos. Mesmo com os documentos apresentados, o grupo encontrou um pretexto: dois caminhões estavam com o licenciamento vencido. Foi o suficiente para a chantagem. A exigência veio de forma direta: R$ 10 mil para “resolver a situação”. Caso contrário, os veículos seriam apreendidos — e, segundo a ameaça, dificilmente recuperados. Pressionado e temendo prejuízos ainda maiores, o empresário iniciou os pagamentos via PIX. Foram transferidos R$ 4 mil — parte por ele, parte por familiares — enquanto tentava completar o valor exigido. A operação total só não foi concluída porque a transferência maior entrou em análise bancária. Mesmo assim, os criminosos não foram embora de imediato. Permaneceram nas proximidades aguardando o restante do dinheiro, deixando claro que a extorsão ainda estava em andamento. Foi nesse momento que o esquema começou a ruir. Por volta das 10h, a polícia recebeu denúncias de que homens estavam se passando por policiais civis em Búzios, utilizando um Renault Kwid branco para extorquir comerciantes. O monitoramento confirmou que o veículo circulava pela cidade desde cedo e seguia em direção a Cabo Frio. A interceptação aconteceu na Estrada Velha Cabo Frio/Búzios. Durante a abordagem, um dos suspeitos voltou a se apresentar como policial civil e afirmou estar armado. Ao desembarcar, outro integrante foi flagrado com uma pistola na cintura. A situação rapidamente escalou quando um dos criminosos tentou tomar a arma de um policial, entrando em confronto físico. Um disparo foi efetuado para conter a agressão, atingindo o suspeito. Na revista do veículo, veio a confirmação do nível de organização do grupo: Com o policial envolvido, foram apreendidos distintivo e carteira funcional da Polícia Civil, evidenciando que o esquema contava com suporte interno para dar credibilidade às ações criminosas. As anotações encontradas reforçam que não se tratava de um caso isolado. O grupo operava de forma estruturada entre Búzios e Cabo Frio, com alvos previamente definidos — um verdadeiro roteiro de extorsões. Um dos presos confessou ter recebido R$ 4 mil da vítima. Posteriormente, o empresário compareceu à delegacia e reconheceu, sem qualquer dúvida, tanto o veículo quanto os autores do crime. O caso, que inicialmente parecia mais um episódio pontual de falsos policiais, agora se revela como algo muito mais profundo: uma engrenagem criminosa com método, planejamento e participação de quem deveria combater o crime. E o mais grave: tudo isso começou a ser descoberto em dezembro — mas só agora a dimensão real do esquema vem à tona.

Apagão nas câmeras? Defesa questiona ação da PM e levanta dúvidas sobre prisão por tráfico no RJ”

A prisão de um homem condenado por tráfico na Gardênia Azul, em Jacarepaguá, voltou ao centro do debate após a defesa apontar uma série de supostas irregularidades na ação policial — com destaque para a ausência de imagens das câmeras corporais dos PMs, que, segundo os próprios agentes, não teriam funcionado no momento da ocorrência. O caso, que já resultou em uma condenação de cinco anos e dez meses de prisão, agora é alvo de recurso. Os advogados pedem a soltura do réu até o julgamento da apelação, sustentando que houve falhas graves na condução da abordagem. De acordo com o Auto de Prisão em Flagrante, a ação ocorreu no dia 29 de setembro de 2025, durante uma operação de grande porte na comunidade. Policiais do Batalhão de Ações com Cães (BAC) teriam sido levados por um cão farejador até uma residência no Beco do Arquiteto, onde o suspeito estaria. Na versão apresentada pelos agentes, o próprio acusado teria autorizado a entrada no imóvel e admitido informalmente a posse de drogas — mais de 500 gramas de maconha, além de haxixe e cocaína. A defesa, no entanto, contesta essa narrativa. Segundo os advogados, uma moradora do imóvel afirmou que o portão e a janela foram arrombados, indicando uma possível entrada forçada, e declarou ainda que o acusado não residia no local, sendo apenas um visitante. Outro ponto central levantado pela defesa diz respeito às câmeras corporais. Em juízo, os policiais informaram que não utilizavam os equipamentos no momento da incursão porque o sistema estaria “fora do ar” devido à falta de sinal na região. A explicação é questionada pelos advogados. Eles argumentam que o modelo de câmera utilizado — Motorola V700 — possui armazenamento interno e capacidade de gravação independente de conexão com internet, o que, em tese, permitiria o registro das imagens mesmo sem sinal. Diante disso, a ausência de gravações passou a ser apontada como um fator que fragiliza a comprovação da dinâmica da ocorrência, especialmente diante das versões divergentes sobre a entrada no imóvel. Apesar das controvérsias, o homem foi absolvido da acusação de associação para o tráfico por falta de provas, mas acabou condenado por tráfico de drogas, com pena fixada em regime inicial fechado. A defesa também questiona a manutenção da prisão preventiva, alegando que a decisão se baseou em fundamentos genéricos e desconsiderou o período já cumprido — 194 dias — além do fato de que o recurso de apelação foi recebido. No recurso, os advogados pedem não apenas a liberdade provisória, mas também a revisão da pena, com aplicação de redutores legais. O caso agora segue sob análise da Justiça, em meio a questionamentos sobre a legalidade da ação policial e a ausência de registros por câmeras corporais — ponto que, cada vez mais, tem sido considerado essencial para dar transparência a operações desse tipo.

Madrugada de terror: entregador é sequestrado por traficantes após ter sua moto roubada, levado para cativeiro e passa horas sem saber se sairia vivo no Recreio

Um entregador por aplicativo viveu uma madrugada de terror no Recreio dos Bandeirantes, sem saber se sairia vivo. Após ter a moto roubada, ele foi sequestrado por criminosos armados e levado para dentro da comunidade do Terreirão, onde passou horas sob o poder do tráfico até ser libertado apenas na manhã seguinte. O caso aconteceu no dia 10 de abril. Segundo as investigações, a vítima realizava uma entrega quando foi surpreendida por três homens armados com fuzis. Rendida sem qualquer chance de reação, teve a motocicleta e o celular levados e, em seguida, foi obrigada a acompanhar os criminosos para o interior da comunidade. A partir daquele momento, começou uma longa noite de medo. De acordo com o relato prestado à polícia, o entregador foi mantido em cárcere privado durante toda a madrugada, sendo conduzido por diferentes pontos da comunidade. Em um primeiro momento, teria sido levado para uma área conhecida como “8”. Depois, sob ameaça constante e com uma camisa cobrindo a cabeça, foi forçado a caminhar até outro ponto, identificado como “6”. Neste local, acabou trancado em um cômodo pequeno, sujo, com um colchão velho jogado no chão — cenário que, segundo ele, marcou as horas de incerteza enquanto aguardava o que poderia acontecer a qualquer momento. Durante o período em que esteve sob domínio dos criminosos, a vítima relatou ter ouvido conversas entre os integrantes do grupo, incluindo um homem com cabelos longos presos em rabo de cavalo, um dos detalhes que ajudaram na identificação posterior. O pesadelo só terminou na manhã do dia seguinte, quando o entregador foi liberado pelos traficantes e expulso da comunidade. Em estado de choque, ele conseguiu encontrar uma viatura da Polícia Militar e foi encaminhado à delegacia, onde o caso foi registrado e as investigações tiveram início. Horas depois, surgiu um desdobramento importante: a motocicleta roubada foi localizada por policiais militares durante a madrugada, na posse de um suspeito, e recuperada no bairro de Vargem Grande. Submetido a reconhecimento fotográfico, o entregador não teve dúvidas e apontou um dos suspeitos como participante direto do crime. Diante dos elementos reunidos, o Ministério Público do Rio de Janeiro solicitou a prisão do investigado. Segundo a apuração, os envolvidos seriam ligados à facção criminosa Comando Vermelho, que exerce influência na região. O caso escancara, mais uma vez, o risco enfrentado por trabalhadores que entram em áreas dominadas pelo tráfico e acabam submetidos à violência e ao controle imposto por grupos armados.

Marcado para morrer: homem foi atraído por ex, caiu em emboscada e sofreu horas de tortura no Caramujo (CV), em Niterói. Era acusado de ser informante da polícia

Um encontro marcado para “acertar o relacionamento” terminou em uma noite de terror em Niterói. Um homem foi atraído pela ex-companheira para uma pizzaria, mas, segundo as investigações, tudo não passava de uma armadilha para entregá-lo a traficantes do Complexo do Caramujo, que o acusavam de ser informante da polícia. O caso aconteceu na noite de 14 de janeiro de 2026. Ao chegar ao local combinado, a vítima foi surpreendida por diversos homens armados, que a cercaram, revistaram e a levaram sob grave ameaça até o interior da comunidade. De acordo com a denúncia, o homem foi mantido sob o poder dos criminosos por horas, sendo submetido a uma sequência de agressões físicas — com socos, tapas e até golpes com arma de fogo — além de intenso terror psicológico. Durante todo o tempo, ele teria sido acusado de colaborar com a polícia, ameaçado de morte e pressionado sob violência constante. A vítima só foi liberada por volta das 4h30 da madrugada, após ser expulsa da comunidade sob ameaças. O Ministério Público denunciou cinco suspeitos de participação no crime. Entre eles, está um homem apontado como liderança do tráfico local, que teria coordenado toda a ação e foi reconhecido pela vítima. Os demais denunciados são descritos como integrantes do grupo armado, responsáveis por agressões, vigilância e intimidação. Segundo as investigações, um dos acusados participou diretamente das agressões físicas, enquanto outros atuaram na condução da vítima, na revista e na coação armada durante todo o período em que ela permaneceu sob domínio do grupo. O laudo de exame de corpo de delito confirmou que a vítima sofreu lesões provocadas por ação contundente, reforçando os relatos de violência. Para o Ministério Público, o caso evidencia o cenário de controle imposto por traficantes na região. Segundo a acusação, o grupo exerce poder paralelo no Complexo do Caramujo, impondo regras próprias, aplicando punições e expulsando moradores, em uma dinâmica que, na prática, desafia a autoridade do Estado.

Fraude em CAC é ligada a esquema que abasteceria traficantes do Salgueiro (CV) com fuzis, aponta investigação”

Uma investigação sobre fraudes no Fundo Nacional de Saúde revelou um suposto esquema de obtenção ilegal de registros de CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) que estaria sendo utilizado para abastecer traficantes do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, com armamento pesado. De acordo com as apurações, o investigado que teria fraudado o processo para obter o certificado também é apontado por envolvimento com o tráfico de drogas na região. A suspeita das autoridades é de que o registro irregular funcionava como facilitador para a compra e circulação de armas, incluindo fuzis. Diante dos indícios, a investigação foi desmembrada. A parte relacionada à fraude na emissão de certificados de CAC — por envolver possível afronta a interesses da União e do Exército Brasileiro — segue sob responsabilidade da Justiça Federal. Já a apuração sobre a ligação do suspeito com o tráfico no Complexo do Salgueiro foi encaminhada à Justiça Estadual. Segundo elementos reunidos pela polícia, há indícios de que o investigado mantinha contato direto com lideranças do tráfico na comunidade, considerada uma das principais áreas de atuação do Comando Vermelho em São Gonçalo. Entre os nomes citados está o de um traficante conhecido como “Jogador”, apontado como figura de destaque na região. Material obtido na investigação indicaria que o suspeito teria negociado armas com ele, incluindo armamento de alto poder, como fuzis. As apurações também identificaram contatos com outro criminoso, conhecido como “B”, com quem teriam sido discutidos temas como tráfico de drogas, homicídios e comércio ilegal de armas. Diante do avanço do caso, o Ministério Público Estadual solicitou a prisão temporária dos envolvidos. A Justiça, no entanto, entendeu que ainda é necessário aprofundar as investigações, destacando a importância de individualizar de forma detalhada a conduta de cada suspeito. O caso expõe, segundo a linha investigativa, uma possível conexão entre fraudes documentais e o fortalecimento do poder bélico de organizações criminosas que atuam na Região Metropolitana do Rio.

“ELO DO CRIME: investigação aponta traficante do CV do Mato Grosso que estava escondido na Rocinha com apoio da cúpula”

Uma investigação revela a existência de uma conexão direta entre traficantes do Comando Vermelho no Mato Grosso e integrantes da facção que atuam na Favela da Rocinha, na Zona Sul do Rio — ampliando o alcance interestadual da organização criminosa. Segundo a apuração, antes de ser preso ano passado, o apontado como chefe do CV no Mato Grosso, conhecido como “Tega”, se escondia na comunidade carioca, operando sob a proteção de lideranças locais. As informações indicam que o investigado mantinha vínculos com nomes de alta hierarquia da Rocinha, como Rogério 157 e Johnny Bravo, reforçando a suspeita de integração entre núcleos da facção em diferentes estados. De acordo com a investigação, Tega manteve ativa uma rede de tráfico de drogas e armas entre o Mato Grosso e o Rio de Janeiro, utilizando a estrutura da Rocinha como base de apoio e articulação. Um dos pontos que mais chama atenção foi o uso da própria residência na comunidade como espécie de “abrigo operacional”. Segundo os investigadores, o imóvel era disponibilizado para outros integrantes da organização “em caso de necessidade”, o que levanta a suspeita de que o local funcionasse como esconderijo para foragidos ligados ao grupo criminoso. A atuação do investigado também se estendia ao ambiente digital. Ele utilizava redes sociais com referências explícitas à facção — como a identificação “Rocinha 157” — ao mesmo tempo em que movimentaria valores por meio de contas bancárias em nome de familiares, prática que, segundo a apuração, indica tentativa de ocultação e dissimulação de patrimônio. Apesar de não possuir renda lícita compatível, Tega mantinha bens de alto valor, incluindo um veículo modelo Toyota Corolla Altis, o que, de acordo com os investigadores, reforça os indícios de enriquecimento proveniente da atividade criminosa. Interceptações telefônicas também revelariam o grau de organização do grupo. Em áudios analisados, o investigado afirmou ter “ritmado” áreas estratégicas de Cuiabá, estruturando pontos de venda e sistemas de arrecadação de dinheiro ilícito. Ainda segundo a investigação, ele também atuava oferecendo suporte logístico a criminosos vindos do Mato Grosso, garantindo abrigo e proteção dentro de território dominado pela facção no Rio de Janeiro. Embora os fatos ainda estejam sob análise das autoridades competentes, o material reunido aponta para um modelo de atuação que vai além da criminalidade local, indicando uma engrenagem interestadual estruturada, com base territorial, logística e financeira articuladas entre diferentes regiões do país. Tega é apontado como herdeiro de um dos maiores líderes do CV no Estado., vulgo  WT.

“EU PAGO TODO MUNDO”: CHEFÃO DO TCP FOI FLAGRADO EM ESCUTA DIZENDO CONTROLAR POLICIAIS EM CAXIAS

Uma interceptação telefônica obtida no âmbito de uma investigação policial revelou o nível de poder e ousadia atribuído ao traficante conhecido como Flamengo, apontado como um dos chefes do Terceiro Comando Puro (TCP) em Duque de Caxias. Na gravação, ele afirma, em tom explícito, que pagaria propina a policiais militares que atuam na região. “Eu tenho a porra do batalhão todo na minha mão. Os polícia da área eu conheço tudo, eu pago todo mundo. Tu acha que essa porra tem tráfico de drogas porque? Eu pago é todo mundo, porra”. A escuta foi realizada anos atrás, durante uma investigação sobre a atuação do TCP em condomínios residenciais da região, e é tratada pelas autoridades como um indício do possível nível de infiltração criminosa e controle territorial sustentado por corrupção e intimidação. Na mesma interceptação, Flamengo aparece fazendo ameaças diretas a um síndico de condomínio, exigindo o repasse de dinheiro ao grupo criminoso. “Ou tu dá a porra do nosso dinheiro nessa porra ou tu vai morrer fdp”. Segundo as investigações, os condomínios Volterra, Rotonda, Parma, Pádua e Bolzano eram anteriormente dominados por um miliciano conhecido como Baby. Esse cenário mudou no final de 2022, após uma operação que prendeu diversos integrantes da milícia. Com o enfraquecimento do grupo, traficantes ligados ao TCP, oriundos da comunidade do Barro 3 e sob liderança de Flamengo, teriam avançado sobre a região e assumido o controle. De acordo com a apuração, o grupo passou a atuar como uma espécie de “empresa do crime”. Além do tráfico de drogas, passou a controlar serviços dentro dos condomínios, como venda de gás, distribuição de água, fornecimento de internet, TV a cabo, iluminação e até a cobrança de taxas de condomínio. Parte desses valores, segundo a investigação, seria destinada à organização criminosa. Para manter o domínio, os criminosos teriam adotado práticas violentas e sistemáticas. Entre elas, roubos de carga, extorsões, tortura de moradores, expulsão de residentes e assassinatos de pessoas que contrariavam seus interesses. Ainda segundo os elementos reunidos, Flamengo teria consolidado seu poder expulsando síndicos, retirando moradores e eliminando desafetos. Pessoas de sua confiança teriam sido colocadas na administração dos condomínios, ampliando o controle financeiro da organização. O grupo também teria expandido sua atuação para os morros do Sossego e do Cacareco, reforçando o domínio territorial. A disputa pelo controle da região provocou confrontos entre traficantes e milicianos. Em setembro de 2023, episódios de violência resultaram na queima de ônibus e veículos, afetando diretamente a população local. Relatos de moradores que afirmaram ter sido vítimas de tortura foram levados às autoridades policiais, que já conduziam outras investigações sobre a organização criminosa. Após um trabalho considerado minucioso, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, com o objetivo de responsabilizar os envolvidos. Embora as acusações ainda dependam de julgamento, o material reunido descreve um cenário em que, segundo a investigação, o crime organizado não apenas atua na região, mas exerce controle direto sobre a rotina e a vida cotidiana dos moradores.

Cinco mortos: Justiça decreta prisão por ‘tribunal do tráfico’ do CV em São Gonçalo com corpos incendiados em retaliação a arrastão”

A Justiça do Rio decretou, no último dia 25 de março, a prisão preventiva de cinco traficantes ligados ao Comando Vermelho — conhecidos pelos vulgos Du Pente, Cabeça, Ben Ben, Pretinha e Jimmy — apontados em investigações como responsáveis por uma sequência de execuções brutais que deixou ao menos cinco homens mortos e desaparecidos na Região Metropolitana. De acordo com os autos, os corpos das vítimas ainda não foram localizados e teriam sido incendiados numa tentativa de ocultação dos crimes. As investigações indicam que as mortes teriam sido uma retaliação direta do tráfico após as vítimas participarem de um arrastão na rodovia RJ-104, em São Gonçalo — ação que, segundo apurado, não teria sido autorizada pela facção criminosa que domina a região. O caso é investigado no inquérito nº 951-00424/2025, conduzido pela Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DH-NSG), que apura o desaparecimento e as mortes de Davi Mendonça Schinke, João Pedro Ramos Freitas, Thalis da Silva Ferreira Moura e Kaio Luiz da Silva Oliveira, entre os dias 14 e 18 de outubro de 2025, nas comunidades Nova Grécia e Palmeira, áreas sob domínio do Comando Vermelho. Segundo os autos, tudo começou com uma denúncia anônima feita ao Disque-Denúncia, indicando que o corpo de Davi Mendonça estaria na localidade conhecida como “Pedra do Urubu”, na Comunidade da Palmeira, após ter sido executado por traficantes. Com o avanço das investigações, foi constatado que Davi estava desaparecido desde o dia 16 de outubro. Em depoimento, os pais afirmaram que o filho teria sido morto por integrantes do Comando Vermelho como forma de punição pelos roubos ocorridos na RJ-104, nas proximidades da Comunidade Nova Grécia. A apuração revelou ainda o desaparecimento de outros três homens — João Pedro, Thalis e Kaio — que, segundo os autos, também teriam participado do arrastão ocorrido no dia 13 de outubro, sem autorização da liderança do tráfico local. Como resposta, as vítimas teriam sido sequestradas por criminosos da facção. Parte delas teria sido levada para um ponto conhecido como “Campanário”, no alto da Comunidade Nova Grécia. Já Davi e Kaio teriam sido levados para a Comunidade da Palmeira, em Niterói, onde, segundo as investigações, foram executados. Testemunhas afirmaram que as mortes teriam sido ordenadas pelo traficante conhecido como “Cabeça”, identificado, segundo informações do Portal de Segurança do Estado, como alguém com 46 anotações criminais. Ainda conforme os relatos, a execução teria sido realizada pelo traficante “Du Pente”, apontado como “frente” do tráfico na Comunidade da Palmeira. Ele foi reconhecido por testemunhas por meio de mosaico fotográfico. As investigações também indicam que “Ben Ben” e “Pretinha” — esta última apontada como ex-liderança da Comunidade Nova Grécia — teriam participado diretamente da ação, auxiliando na identificação das vítimas e, em um dos casos, mantendo uma delas amarrada até a chegada dos executores. Uma testemunha identificada como Dayana também reconheceu “Ben Ben” e “Pretinha” em procedimento policial. Já o traficante conhecido como “Jimmy” foi apontado como o responsável pelo tráfico na Comunidade Nova Grécia, área onde parte das vítimas desapareceu. Na decisão, a Justiça destacou que os autos revelam uma atuação “extremamente violenta, organizada e reiterada”, com execução de múltiplas vítimas em um contexto de domínio territorial armado, além da tentativa de ocultação de cadáveres por meio de incêndio. Segundo o entendimento judicial, a liberdade dos acusados representaria risco à ordem pública, diante da gravidade dos fatos, da repercussão social e da periculosidade dos investigados. A decisão também aponta que a soltura poderia intimidar testemunhas e comprometer o andamento do processo. O clima de medo, inclusive, já aparece no próprio processo. De acordo com os autos, uma das testemunhas afirmou estar com receio de prestar informações mais detalhadas por viver em área dominada pelo mesmo grupo criminoso, chegando a omitir parte do que sabia por medo de represálias. O caso expõe, segundo a própria investigação, um cenário de violência extrema, com execuções, desaparecimentos e possíveis queimas de corpos, em meio ao controle rígido imposto pelo tráfico sobre territórios da Região Metropolitana do Rio.

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