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Author name: Mario Hugo Monken

Sou redator com 25 anos de experiência em investigação policial, formado em Jornalismo. Ao longo da carreira, desenvolvi um olhar apurado para apurar e contar histórias complexas, com foco em detalhes e precisão. Minha paixão pela investigação e pela escrita me permite desvendar narrativas profundas, oferecendo ao leitor informações relevantes e impactantes sobre o universo da segurança pública.

Mario Hugo Monken

Tiro fatal na Barra: Justiça aponta que rapaz morto por causa de discussão de camarote já estava contido no momento do disparo e contesta tese de legítima defesa de PM suspeito

Um relatório da Justiça indica que o homem morto na madrugada da última segunda-feira (13) dentro de um restaurante na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, já estaria contido por frequentadores do local no momento do disparo que o atingiu. A conclusão, segundo os autos, enfraquece a tese de legítima defesa apresentada pelo policial militar apontado como autor do disparo, o PM Milton Lopes dos Santos. De acordo com o processo, a vítima, identificada como Ryan Victor Araújo dos Santos, foi atingida por um disparo de arma de fogo dentro do estabelecimento. Ele chegou a ser socorrido ainda com vida por policiais militares e levado ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. As investigações iniciais apontam que o caso teve início dentro do restaurante em meio a um desentendimento por disputa de espaço em área reservada (camarote), envolvendo a vítima e outros frequentadores do local. Segundo os autos, o policial militar estava presente no ambiente e teria efetuado o disparo que atingiu Ryan durante o desenrolar da confusão. O relatório judicial descreve que, no interior do restaurante, a vítima passou a apresentar comportamento alterado, possivelmente em razão da ingestão de álcool, envolvendo-se em discussões justamente pela disputa do camarote. A situação, conforme a documentação do processo, evoluiu para agressões físicas. Ainda segundo relatos reunidos nos autos, Ryan teria sido retirado do local por seguranças, mas retornado em seguida de forma agressiva, portando uma garrafa de vidro, com a qual passou a ameaçar e investir contra outras pessoas, ampliando o tumulto no estabelecimento. Para a Justiça, no entanto, esse contexto não afasta a responsabilização do suspeito. O entendimento é de que o disparo não ocorreu em situação de surpresa ou emboscada, mas sim no curso de um conflito já em andamento, relacionado à discussão por espaço no camarote, no qual diversas pessoas tentavam conter a vítima. O juiz responsável pelo caso destacou que, no momento do disparo, a situação já estaria, ao menos em tese, sob controle parcial, com a vítima sendo contida por várias pessoas. Esse ponto, segundo a decisão, enfraquece a tese de legítima defesa apresentada pela defesa. “Isso enfraquece, pelo menos abstratamente, a tese de legítima defesa (ou de estado de necessidade, se se pensar numa brutalidade fática engendrada sem consciência pela vítima, naquele momento, segundo se diz, embriagada)”, registram os autos. Após o ocorrido, o policial militar deixou o local sem prestar socorro à vítima e só se apresentou posteriormente, acompanhado de advogado. Ele teve a prisão temporária decretada no curso das investigações.

DEZ PMs SÃO ACUSADOS DE INVADIR 13 CASAS NA MARÉ; MP RELATA MORADOR NA CAMA, BANHEIRO USADO E SOFÁ OCUPADO”

Dez policiais militares foram denunciados pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) sob acusação de violação de domicílio durante uma operação no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio. Segundo a denúncia, a ação teria resultado na invasão de ao menos 13 residências em um único dia. De acordo com os autos, os agentes estavam escalados para atuar pelo BOPE em uma operação conjunta da COE realizada nas comunidades da Nova Holanda e Parque União, no dia 10 de janeiro de 2025. Ainda segundo a acusação, durante a ação, policiais teriam entrado em imóveis sem autorização e, em muitos casos, sem a presença dos moradores. A denúncia descreve um cenário de sucessivas entradas forçadas em residências da região. Em uma das situações, os agentes teriam arrombado a porta de entrada. Em outra, teriam acessado o imóvel após a porta ter sido deixada encostada por outros policiais já presentes na área. Há ainda registros de que, em alguns casos, os PMs teriam utilizado uma chave do tipo “mixa” para abrir portas. O Ministério Público relata que moradores chegaram a ser surpreendidos dentro de suas próprias casas durante a ação, com registros inclusive por câmeras corporais. Em um dos episódios citados, um residente teria sido encontrado deitado em sua cama no momento da entrada dos policiais. A denúncia também aponta situações ainda mais inusitadas durante a operação. Em uma das residências, após a invasão, um policial teria permanecido no interior do imóvel descansando no sofá da sala, mesmo sem a presença dos moradores. Em outro caso, agentes teriam utilizado o banheiro da casa durante a ação. O conjunto de relatos, segundo o Ministério Público, indica um padrão de invasões sucessivas a domicílios durante a operação. Entre os denunciados estão policiais identificados como Pita, Britis, R. Costa, D. Hernandes, R. Martins, Guerreiro Silva e Santiago, entre outros. O MPRJ pede a condenação de todos os envolvidos. A denúncia foi apresentada por promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP), responsável por casos envolvendo atuação policial e possíveis abusos em operações no estado.

Complexo do Alemão seria abrigo de cerca de 20 líderes do CV de Alagoas, aponta relatório da Segurança

Um relatório citado em investigações da Justiça e produzido a partir de informações da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas (SSP-AL) aponta que cerca de 20 supostas lideranças da facção conhecida como CVRL-AL/RJ estariam escondidas no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A comunidade, segundo o documento, teria se tornado uma espécie de base estratégica de comando remoto do grupo criminoso. Entre os nomes citados, está o de “Nem Catenga” (também identificado como “Jovem”), apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção em Alagoas. De acordo com as informações reunidas no relatório, ele exerceria função de comando à distância, operando a partir do Complexo do Alemão, de onde manteria influência sobre decisões relacionadas às atividades criminosas atribuídas ao grupo no estado. Ainda segundo o mesmo conjunto de informações, outro nome mencionado é o de um homem identificado por diversos vulgos, entre eles “Zé Dirceu”, “Galeguinho”, “Wesley” ou “Alex”, que seria apontado como vice-liderança da organização. Conforme descrito no relatório, ele também estaria na mesma região do Rio de Janeiro e participaria, junto a outros integrantes, da tomada de decisões estratégicas da facção em Alagoas. O documento também cita outros indivíduos apontados como integrantes de liderança, entre eles “Quinzinho” (ou “Fuba”), “Malhado”, “Ninho da Cical”, “Mariano” (ou “Rato”), “Nove Nove” (ou “Rafinha”) e “Tinho”. Parte desses nomes, segundo as forças de segurança, também estaria concentrada no Complexo do Alemão. As investigações da SSP-AL indicam ainda a expansão da atuação do CVRL-AL/RJ em diversas áreas do estado, com presença e influência em comunidades da capital e região metropolitana. Entre os relatos reunidos pelas autoridades, há registros da circulação de armamentos de grosso calibre, incluindo um fuzil que teria sido enviado do Rio de Janeiro para Alagoas sob ordem de lideranças da facção. Segundo essa linha investigativa, o armamento teria chegado inicialmente ao bairro do Clima Bom, na parte alta de Maceió, área apontada como sob influência do grupo. Posteriormente, teria sido redistribuído para a região da Levada, na parte baixa da capital, também citada como área de atuação da organização. O armamento seria associado a disputas territoriais entre grupos rivais em diferentes pontos da cidade. Atualmente, conforme o relatório, o CVRL-AL/RJ é apontado como uma das facções com maior presença em regiões específicas de Alagoas, com influência em áreas da parte baixa de Maceió, incluindo Levada, Brejal, Vergel, conjuntos Virgem dos Pobres e Mutirão, além de pontos no bairro do Clima Bom, em Rio Largo e em áreas do Litoral Norte do estado. O documento também descreve o chamado “berço” da atuação da facção em Alagoas como sendo a região do Vergel do Lago e comunidades adjacentes, como Brejal, Virgem dos Pobres e Mutirão. Segundo relatos mencionados no material investigativo, moradores dessas localidades teriam procurado autoridades policiais para relatar, de forma anônima, situações de violência e a atuação do grupo na região.

RELATO CHOCANTE: MILICIANO TERIA ESPANCADO A IRMÃ E LIBERADO MORTE — absolvição vira alvo do MP”

Um caso cercado por denúncias gravíssimas, falas chocantes e suspeita de atuação de milícia na Zona Oeste do Rio de Janeiro terminou, ao menos por enquanto, com a absolvição do acusado — decisão que agora está sendo contestada pelo Ministério Público, que vê indícios de intimidação e possível erro na análise das provas. O caso ocorreu no ano passasdo. De acordo com os autos, uma testemunha-chave — ex-namorado da vítima — descreveu uma sequência de violência extrema após o fim do relacionamento com a mulher. Segundo ele, após uma discussão em que a ex teria quebrado objetos dentro da residência, ele deixou o local e foi para a casa de um amigo. O que veio depois, segundo o relato, foi uma cena de terror. Minutos depois, a mulher teria chegado acompanhada do irmão e de outros três homens, que o depoente apontou como milicianos e que estariam armados. Assim que chegaram, o irmão teria feito uma ameaça direta e brutal: “Desce daí da residência que a gente vai te colocar na mala e levar” A testemunha afirmou que tentou se explicar, dizendo que não tinha culpa pela situação. Foi nesse momento, segundo ele, que o acusado teria voltado a violência contra a própria irmã. O depoimento descreve agressões com socos, chutes e golpes com arma de fogo — incluindo coronhadas na cabeça. Mesmo após a sequência de violência, o caso teria ficado ainda mais grave. Segundo a testemunha, o acusado colocou a irmã dentro de um carro e saiu do local. Desesperado, com medo de que ela fosse morta, ele decidiu seguir o veículo de motocicleta. Durante o trajeto, ele afirma ter visto a vítima cair do carro. E foi nesse momento que, segundo o depoimento, ouviu uma das frases mais chocantes do caso: “Agora, você pode até matar ela que eu não vou me meter” A testemunha contou que ainda tentou intervir e pediu que o acusado retornasse à casa para que a mulher pegasse seus pertences. Mas, segundo ele, a violência continuou. Ao chegar ao local, o acusado teria sacado novamente a arma e desferido mais coronhadas na irmã, que teria desmaiado. Em seguida, ele fugiu com os demais homens. O depoente afirmou que acionou o pai da vítima, que chamou o SAMU para socorrê-la. Também disse que os supostos comparsas eram conhecidos pelos apelidos de CL, Pimenta e Corolla. Apesar da gravidade das acusações, o caso sofreu uma reviravolta dentro da Justiça. Em juízo, a própria vítima negou completamente a versão apresentada pela testemunha. Ela afirmou que não houve agressões e que tudo não passou de uma discussão sob efeito de álcool. Segundo seu depoimento, ela foi até a residência apenas para buscar seus pertences após o término e foi ela mesma quem ligou para o irmão pedindo ajuda. Disse ainda que ele chegou sozinho, sem armas, e que não houve qualquer ameaça ou violência. A mulher declarou que o irmão não tem qualquer envolvimento com milícia, que não havia outras pessoas no local e que não presenciou nenhuma agressão. Ela também afirmou que passou mal devido à mistura de álcool, energético e problemas de ansiedade, o que teria motivado o acionamento do SAMU. Disse que não desmaiou por agressão, mas por mal-estar, e que foi levada diretamente ao hospital. A vítima ainda declarou que nunca ouviu falar de coronhadas, de tentativa de colocá-la em carro à força ou de qualquer episódio violento, e que desconhece por que essas informações apareceram nos depoimentos de terceiros. Também afirmou que não entendeu a prisão do irmão, já que, segundo ela, ele não cometeu qualquer irregularidade, e disse que a região não possui atuação de milícia. Diante das versões conflitantes, a Justiça decidiu absolver o acusado. Na sentença, o entendimento foi de que não houve comprovação suficiente da existência de organização criminosa nem da participação do réu em milícia. A decisão destacou que os relatos mais graves se basearam em declarações extrajudiciais que não foram confirmadas em juízo, além das contradições apresentadas no processo. Mas o caso está longe de terminar. O Ministério Público recorreu e sustenta que a absolvição ignorou elementos importantes. Segundo o MPRJ, diligências policiais já indicavam que o acusado seria conhecido na região por suposta atuação em milícia, informação que teria sido confirmada por moradores, pelo pai da vítima e inicialmente pelo próprio denunciante. O órgão vai além e faz um alerta central: em áreas com possível influência de milícia, mudanças de versão em juízo podem ocorrer sob pressão e precisam ser analisadas com extremo cuidado. Para o Ministério Público, os depoimentos iniciais, somados a outros elementos de prova, indicam atuação conjunta com homens armados, sendo desnecessária a comprovação completa da estrutura da organização criminosa para caracterização do crime. Diante disso, o MPRJ pede a reversão da absolvição. O caso agora será reavaliado por instâncias superiores e expõe um cenário delicado: de um lado, relatos de violência brutal e frases que chocam; do outro, uma mudança total de versão em juízo — em um contexto onde, segundo o próprio Ministério Público, o medo pode falar mais alto que a verdade.

Justiça manda prender “Naval”, um dos cabeças da maior milícia do RJ, por execução em plena luz do dia

A Justiça do Rio partiu pra cima e decretou, no último dia 10, a prisão preventiva de um dos principais nomes ligados à maior milícia do estado, conhecido como “Naval”, investigado por um homicídio brutal em meio à guerra por território. Um comparsa também teve a prisão decretada. pelo mesmo fato. Segundo os autos, o crime — cujos detalhes como identidade da vítima, data exata e local não foram divulgados — teria ocorrido em plena luz do dia, no estacionamento de um supermercado, com o uso de armas de fogo de uso restrito. A execução, de acordo com a investigação, está inserida no cenário de disputa violenta entre milicianos por domínio de áreas, conflito que vem deixando um rastro de mortes. Naval é apontado pelas investigações como um dos principais “frentes” da organização criminosa, que passou por mudanças recentes no comando. O grupo era liderado por Zinho, atualmente preso, e teve como um de seus nomes fortes Pipito, morto em confronto com a polícia. Após isso, a liderança teria sido assumida por PL, também conhecido como Jorjão, evidenciando a reorganização interna da quadrilha. A decisão judicial destaca que há fortes indícios de autoria, sustentados por imagens de câmeras de monitoramento que teriam registrado a ação. O documento também aponta que o caso não seria isolado, indicando que os investigados possuem histórico criminal, incluindo condenações definitivas, o que reforça o risco de novos crimes. A Justiça ainda cita entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), no sentido de que a necessidade de frear a atuação de integrantes de organizações criminosas, como milícias, justifica a prisão preventiva para garantia da ordem pública. De acordo com as investigações, o grupo ligado a Naval atua principalmente em Paciência, Campo Grande, Santa Cruz, Sepetiba e Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, além de expandir sua influência para a Baixada Fluminense, como Itaguaí. O caso segue sob investigação, e novas informações podem surgir a qualquer momento.

Vídeo chocante mostra homem com braço sangrando sendo arrastado por traficantes na Maré armados com fuzis ; há suspeita de execução”

Um vídeo que circula nas redes sociais expõe uma cena de extrema violência: um homem, com o braço ensanguentado, é arrastado por uma rua enquanto é acompanhado por indivíduos armados com fuzis. As imagens são consideradas chocantes e, por esse motivo, não serão exibidas. A gravação é autêntica, mas os detalhes sobre o caso ainda não foram confirmados oficialmente. Versão que circula envolve disputa entre facções Após a divulgação do vídeo, passou a circular nas redes sociais uma versão para o ocorrido. Segundo esses relatos, traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP), que atuam no Complexo da Maré, teriam encontrado no celular do homem grupos ligados ao Comando Vermelho (CV). Ainda de acordo com essa narrativa, a descoberta teria motivado a abordagem violenta registrada nas imagens. As mesmas informações apontam que o homem poderia ser conhecido pelo apelido de “Abobrão”, mas não há confirmação oficial sobre sua identidade. Relatos falam em execução De acordo com o que vem sendo compartilhado, o homem teria tentado fugir para o Conjunto Esperança, mas acabou capturado. Há ainda menção à possibilidade de execução, além da existência de uma segunda vítima em circunstâncias semelhantes. Sem confirmação oficial até o momento Apesar da repercussão do vídeo, não há, até agora, confirmação oficial sobre a identidade da vítima, a dinâmica dos fatos ou a existência de corpos relacionados ao caso. Situações como essa, frequentemente baseadas em registros que circulam fora dos canais oficiais, podem levar tempo até serem esclarecidas pelas autoridades. Caso segue cercado de incertezas A gravidade das imagens chama atenção, mas a falta de informações oficiais mantém o episódio sob incerteza. A apuração será fundamental para esclarecer o que de fato ocorreu.

Brasil refém do crime: 90 facções dominam o país e 28 milhões vivem sob influência direta, diz CPI

Um levantamento detalhado da Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), incorporado ao relatório da CPI do Crime Organizado do Senado Federal, escancara a dimensão da presença das facções criminosas no país: ao menos 90 organizações atuavam no Brasil em 2025, espalhadas por praticamente todo o território nacional. Mais do que o número elevado de grupos, o dado que chama atenção é o alcance direto sobre a população. Segundo pesquisa do Datafolha citada no documento, pelo menos 28,5 milhões de brasileiros vivem em bairros sob influência do crime organizado, o que evidencia a capilaridade dessas organizações no cotidiano do país. De acordo com o mapeamento, a maior concentração de facções está no Nordeste, com 46 grupos identificados. Em seguida aparecem as regiões Sul (24), Sudeste (18), Norte (17) e Centro-Oeste (9). No Norte, o cenário ganha contornos ainda mais complexos com a presença de três organizações criminosas de origem venezuelana, indicando uma dimensão internacional do problema. O relatório também aponta diferentes níveis de atuação das facções: duas organizações teriam alcance nacional e internacional, 14 atuariam em nível regional e a grande maioria — 74 grupos — operaria de forma local. Ainda assim, dois desses grupos estariam presentes em 24 estados e no Distrito Federal, demonstrando alto grau de expansão territorial. O Rio Grande do Sul, segundo o levantamento, seria o único estado sem a presença simultânea dessas duas organizações. Embora o documento não cite nominalmente quais seriam essas facções de alcance nacional, a análise dos dados permite inferir que se tratam do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC), historicamente apontados por autoridades como os principais grupos criminosos do país. Estimativas indicam que o PCC teria cerca de 40 mil integrantes, enquanto o CV reuniria aproximadamente 30 mil. Outro ponto que surge no relatório é o avanço de outras organizações. Há registros de que o Terceiro Comando Puro (TCP) estaria em expansão, com alianças estabelecidas em pelo menos dez estados brasileiros, ampliando ainda mais o cenário de disputa entre facções. Os dados revelam um quadro de pulverização e crescimento do crime organizado no Brasil, com atuação que vai do nível local ao transnacional e impacto direto sobre milhões de brasileiros.

“CPI DESCREVE FACÇÕES COMO ‘PARA-ESTADO’, APONTA USO DE RELIGIÃO E FRACASSO DE POLÍTICAS NO RJ”

O relatório final da CPI do Crime Organizado do Senado Federal, divulgado nesta semana, traça um retrato duro da segurança pública no Rio de Janeiro e afirma que facções criminosas e milícias já operam, em diversas regiões, como verdadeiros “para-Estados”, exercendo controle territorial, impondo regras próprias, cobrando taxas ilegais e assumindo, na prática, funções que deveriam ser do poder público. Diante desse cenário, o documento sustenta que uma eventual intervenção federal na área de segurança pública pode se justificar como medida excepcional, ainda que essa avaliação dependa de decisão das autoridades competentes. A investigação aponta que organizações como o Comando Vermelho, o Terceiro Comando Puro atuam simultaneamente com milícias de origem paraestatal no território fluminense, criando uma configuração que, segundo a CPI, não encontra paralelo no restante do país. O Rio de Janeiro seria o único estado onde convivem, ao mesmo tempo, facções originadas no sistema prisional e grupos armados com raízes em estruturas ligadas historicamente a agentes ou ex-agentes públicos, herdeiros de antigos esquadrões da morte e grupos de extermínio. Esse cenário teria evoluído para uma dinâmica ainda mais complexa, com disputas territoriais constantes, reacomodações de poder e, em casos crescentes, a formação das chamadas “narcomilícias”, grupos que combinam controle paramilitar, exploração do tráfico de drogas e práticas sistemáticas de extorsão. Para a CPI, essa fusão de métodos revela um nível de sofisticação que exige respostas estatais de igual magnitude. O relatório também destaca que, ao longo dos anos, as políticas de enfrentamento adotadas pelo estado do Rio de Janeiro têm sido marcadas por avanços pontuais seguidos de recuos estruturais. O programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), lançado em 2008 e inicialmente celebrado como uma estratégia inovadora de retomada territorial, acabou esvaziado em meio a crises financeiras e políticas, inclusive com a prisão de governadores e ex-governadores, o que contribuiu para a perda gradual dos territórios anteriormente ocupados pelo Estado. Iniciativas posteriores, como o programa Cidade Integrada, tampouco teriam alcançado resultados duradouros. O próprio governo estadual, em documento apresentado ao Supremo Tribunal Federal no fim de 2025, reconheceu as falhas dessas experiências e a necessidade de políticas permanentes e de longo prazo para evitar que áreas retomadas voltem ao controle do crime. Para a CPI, esse ciclo de retomada e abandono evidencia uma incapacidade estrutural do estado de manter presença contínua e efetiva nos territórios mais vulneráveis. Outro ponto considerado sensível pelo relatório é a transformação do perfil das organizações criminosas. O Comando Vermelho, por exemplo, não dependeria mais exclusivamente do tráfico de drogas no varejo, tendo expandido sua atuação para atividades como extorsão, controle territorial, exploração de mercados com aparência lícita e até presença interestadual e internacional. A estratégia, segundo o documento, indica uma migração para modelos mais discretos e diversificados de obtenção de lucro ilícito. As milícias também teriam passado por mudanças relevantes. Embora mantenham vínculos históricos com agentes ou ex-agentes públicos, essas organizações hoje se apresentam de forma mais heterogênea, ampliando sua atuação para além do controle territorial e das cobranças ilegais, com conexões com outras economias ilícitas, como o jogo do bicho e o contrabando. O relatório ainda chama atenção para um elemento considerado particularmente grave: a instrumentalização de motivação religiosa por parte de grupos criminosos para impor medo e controle social. Segundo a CPI, essa prática foi identificada especialmente na atuação do Terceiro Comando Puro em determinadas regiões, onde o uso de discurso religioso teria sido empregado como ferramenta de intimidação e dominação da população local. A expansão territorial de facções também é contextualizada no documento com base em decisões judiciais recentes. No caso do avanço do Terceiro Comando Puro no Complexo de Israel, a CPI aponta que o crescimento do grupo ocorreu durante o período de vigência da ADPF 635, quando houve restrições à atuação policial em comunidades do Rio de Janeiro. Essa circunstância, segundo o relatório, foi posteriormente reconhecida por órgãos institucionais e é apresentada como um dos fatores que influenciaram a dinâmica de ocupação territorial, tema que segue em debate no âmbito do Judiciário. Embora o relatório não atribua culpa individual nem produza efeitos penais imediatos, suas conclusões desenham um cenário de alta gravidade, no qual o crime organizado não apenas confronta o Estado, mas, em diversas áreas, atua paralelamente a ele, exercendo poder, influenciando rotinas e explorando economicamente territórios inteiros. Diante desse diagnóstico, a CPI reforça a necessidade de respostas estruturais e de longo prazo — e deixa no ar uma questão que começa a ganhar força nos bastidores: se o Estado falhou em conter o avanço dessas organizações ao longo das últimas décadas, qual será o caminho para retomar, de forma duradoura, o controle sobre esses territórios.

DADOS EM CELULAR DE ASSESSOR REVELAM SUSPEITA DE PAGAMENTOS DO CRIME A DEPUTADOS DO RJ, DIZ CPI

O relatório final da CPI do Crime Organizado do Senado Federal, tornado público nesta semana, joga luz sobre um cenário que, se confirmado, expõe uma das mais graves suspeitas de infiltração criminosa já associadas ao poder legislativo do Rio de Janeiro. De acordo com o documento, há registros que sugerem que 47 dos 70 deputados estaduais da Alerj poderiam, em tese, estar vinculados ao recebimento de pagamentos mensais de organizações criminosas. A informação teria origem na análise de celulares apreendidos pela Polícia Federal durante a Operação Unha e Carne. Os aparelhos foram recolhidos na residência de Rui Bulhões, então chefe de gabinete de Rodrigo Bacellar. O ex-presidente da Alerj acabou posteriormente preso e cassado, acusado de vazamento de informações sigilosas que teriam comprometido uma operação policial — a mesma que levou à prisão do ex-deputado conhecido como “TH Joias”, investigado por suposta ligação com o Comando Vermelho. O próprio relatório ressalta que os dados ainda dependem de apuração e confirmação pelas autoridades competentes, não podendo ser tratados como prova conclusiva. Ainda assim, o teor das informações é descrito como um indicativo relevante do possível nível de influência do crime organizado dentro da estrutura política do estado. A gravidade do quadro é reforçada por declaração do ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes, que, em sessão plenária, afirmou que cerca de 30 deputados estaduais estariam, em tese, associados ao recebimento de valores ligados ao jogo do bicho. INFILTRAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE PODER Mais do que casos isolados, a CPI aponta para um modelo estruturado de atuação. Segundo o relatório, o crime organizado não atua apenas à margem do Estado — ele busca influenciar decisões, garantir proteção institucional e manter acesso direto aos centros de poder. Essa estratégia, segundo a investigação, ocorreria por múltiplas vias: A conclusão é clara: não se trata apenas de presença criminosa, mas de uma tentativa de inserção contínua dentro da máquina pública. O PAPEL DA OMISSÃO E A ENGRENAGEM DO CRIME O relatório também traz o depoimento da jornalista investigativa Cecília Olliveira, fundadora do Instituto Fogo Cruzado, que aponta um fator central para a manutenção desse cenário: a colaboração — direta ou indireta — de agentes públicos. Segundo ela, esse tipo de relação funciona como um verdadeiro “adubo do crime”, permitindo que organizações criminosas se fortaleçam e se perpetuem. A análise não se limita a casos explícitos de corrupção. Inclui também situações de omissão, em que autoridades deixam de agir diante de irregularidades, contribuindo, ainda que indiretamente, para a continuidade dessas estruturas. PRESSÃO AUMENTA, MAS RESPOSTAS AINDA NÃO VIERAM Embora o relatório não apresente responsabilizações individuais definitivas, o conteúdo amplia a pressão sobre órgãos de investigação e controle. O documento expõe um cenário em que, ao menos em tese, o crime organizado não apenas enfrenta o Estado — mas busca operar de dentro dele. E, diante da dimensão dos indícios apresentados, a pergunta que começa a circular nos bastidores é inevitável:até onde essa influência pode ter chegado — e quem será efetivamente responsabilizado?

Tribunal do tráfico”: dívida de R$ 25 mil termina em execução e esquartejamento no Rio

Um crime marcado por requintes de crueldade e métodos típicos do chamado “tribunal do tráfico” levou a Justiça do Rio de Janeiro a decretar a prisão preventiva de três homens investigados por um homicídio em que a vítima teria sido esquartejada por causa de uma dívida. De acordo com informações divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, o assassinato teria sido motivado por uma suposta dívida de R$ 25 mil. Os autos, no entanto, não revelam a identidade da vítima, nem detalham a data ou o local exato do crime. Segundo a decisão judicial, os investigados teriam armado uma emboscada para executar a vítima, que foi atraída sob o falso pretexto de um encontro para conversar com um homem conhecido como “Power Ranger”. Após o homicídio, uma imagem do cadáver teria sido compartilhada por um dos suspeitos. Os indícios de autoria reunidos no processo incluem reconhecimentos fotográficos feitos por quatro testemunhas, além de registros de ameaças atribuídas aos investigados. A apuração também aponta publicações em redes sociais que indicariam envolvimento direto no crime. Em uma delas, um dos suspeitos teria feito referência à execução ao afirmar que “galinha de casa não se corre atrás”. A Justiça destaca que o crime foi praticado com “extrema ousadia” e elevado grau de violência, em um contexto associado à atuação de organização criminosa ligada ao tráfico de drogas. A decisão também menciona a ocultação do corpo, que teria sido esquartejado, além de relatos de ameaças e demonstrações públicas de desrespeito às autoridades. A reportagem apurou que há semelhanças com o caso de Breno Barbosa Diniz, apontado como gerente do tráfico na Cidade de Deus e desaparecido há cerca de dois meses. O pai dele, policial militar, busca informações sobre o paradeiro do corpo. Informações já divulgadas indicam que Breno teria uma dívida de aproximadamente R$ 29 mil, relacionada à perda de drogas após uma ação do Batalhão de Operações Policiais Especiais. Apesar das coincidências, não há confirmação oficial de que o caso julgado pela Justiça tenha relação com o desaparecimento. Procurado, o TJ-RJ limitou-se a encaminhar a decisão já disponível publicamente, sem fornecer novos detalhes. O caso segue cercado de lacunas, mas expõe, mais uma vez, o nível de violência imposto por organizações criminosas em áreas do Rio.

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