Ele vem sendo citado repetidamente nas redes sociais e, em menor escala, em matérias da imprensa como um dos principais nomes do Comando Vermelho na Baixada Fluminense. Nas publicações, é apontado como o principal líder da facção em Nova Iguaçu e como um dos maiores rivais de Juninho Varão, apontado como chefe da maior milícia da região.
A reportagem foi buscar nos registros da Justiça informações oficiais sobre o criminoso e identificou seu nome: Roberto de Souza Britto, conhecido como Sérgio Bala. Segundo documentos levantados pela reportagem, ele seria responsável pelo comando do tráfico em diferentes comunidades de Nova Iguaçu, entre elas Marapicu, Grão Pará, Dom Bosco e Conjunto da Marinha.
Preso no Complexo de Gericinó, Bala exerce função central na definição das diretrizes operacionais e de retaliação do grupo criminoso. Ele” integra esse núcleo de comando, atuando de forma ativa nas deliberações que aprovam as ações criminosas da organização e influenciando diretamente na condução das respostas operacionais à repressão estatal.
Um dos processos analisados pela reportagem relaciona o nome de Sérgio Bala a um episódio de execução dentro do próprio território controlado pelo Comando Vermelho. Na condição de chefe do tráfico na região, ele é apontado como suspeito de ter determinado a morte de Ricardo Melo do Couto, conhecido como Cadinho, assassinado no Conjunto da Marinha, em 2022.
De acordo com os depoimentos reunidos no processo, Cadinho mantinha uma relação antiga com o tráfico da comunidade. Entre idas e vindas, integrava a atividade criminosa no Conjunto da Marinha, no bairro Ipiranga, desde os 15 anos de idade.
Um dos relatos prestados à Justiça afirma que a mãe de Cadinho não morava com ele e mantinha contato apenas por telefone, justamente por não concordar com a vida que o filho levava. Segundo o depoimento, Sérgio Bala era o chefe do tráfico na região.
O avô de Cadinho relatou ainda que o neto havia sido preso por tráfico de drogas e permanecido custodiado durante três anos. Depois de receber autorização para uma saída, porém, não teria retornado ao sistema prisional. Foragido, voltou para a comunidade e retomou sua atuação no tráfico, chegando, segundo o relato, a subir na hierarquia da facção.
Foi nesse período que, conforme os depoimentos, o comportamento de Cadinho teria se tornado cada vez mais violento. O avô contou que ele costumava criar conflitos e provocar animosidades durante festas, especialmente quando consumia bebidas alcoólicas. A sequência de problemas teria chegado ao conhecimento da liderança do tráfico.
Segundo o processo, a situação terminou com uma ordem de execução. Cadinho teria sido morto por determinação do chefe do tráfico local como represália pelos problemas que vinha provocando dentro da comunidade.
O caso ganhou ainda outro elemento de gravidade. Cadinho era acusado de envolvimento na morte de Leonardo da Costa, em 2023, crime que teria sido cometido sem autorização das lideranças do tráfico e estaria relacionado a um suposto envolvimento da vítima com a milícia.
Os documentos também ajudam a revelar a estrutura da organização comandada por Sérgio Bala. As investigações apontaram PPG, também conhecido como Papagaio, como o segundo homem na hierarquia da quadrilha.
Em determinado período,, Shoyo, apontado como gerente da comunidade, teria assumido o controle do tráfico local. Segundo as investigações, passou a exercer o comando, transmitindo e executando ordens em nome da facção criminosa.
A estrutura de guerra atribuída a Bala também teria um braço específico para ataques contra territórios rivais. Há alguns anos, segundo informações levantadas pela reportagem, ele teria criado o Bonde dos 300, grupo utilizado em ações ofensivas contra áreas controladas por facções adversárias.
Entre os alvos estaria o Danon, em Nova Iguaçu, território dominado pelo Terceiro Comando Puro (TCP) que voltou a ser alvo de ataques nesta semana.
A trajetória de Sérgio Bala, entretanto, não começou agora. Na década passada, ele e o irmão, Silvano, já eram conhecidos no submundo do crime como os “Irmãos Metralha”. Naquele período, os dois já eram apontados como responsáveis pelo controle de comunidades como Grão Pará, Dom Bosco, Favela do Parquinho e Conjunto da Marinha, também conhecida como Ipiranga.
Bala foi condenado à pena de 30 anos de reclusão pela prática do crime de homicídio duplamente qualificado.
Ele também é apontado como antiga liderança criminosa do Morro da Fazendinha, comunidade que compõe o Complexo do Alemão, área sob a influência da organização criminosa Comando Vermelho (CV)
Os relatos reunidos nas investigações descrevem uma estrutura baseada não apenas na exploração do tráfico de drogas, mas também na imposição do domínio territorial pela força. O grupo utilizaria armamento pesado como instrumento de intimidação, criando nas comunidades controladas um ambiente de medo e submissão às determinações da quadrilha.