Meses antes de ser denunciado por suspeita de ordenar ataque que deixou cinco feridos durante uma festa junina no Morro do Santo Amaro, no Catete, Zona Sul do Rio, o traficante My Thor teve rejeitada pela Justiça uma denúncia que o apontava como mandante de um homicídio cometido em 2020, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, no dia 15 de dezembro de 2020, por volta das 17h, na Rua Virgílio de Azambuja Monteiro, nº 113, no Centro de São João de Meriti, ao menos quatro criminosos ainda não identificados capturaram Marcos Antônio da Silva Napoleão, o agrediram brutalmente e efetuaram disparos de arma de fogo, provocando lesões que causaram sua morte.
Segundo a acusação, My Thor, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho na região, teria determinado que integrantes da facção executassem a vítima. O homicídio, ainda conforme a denúncia, teria sido motivado pela suspeita de que Marcos havia cometido estupro contra a própria enteada.
O Ministério Público sustentou que o crime foi praticado por motivo torpe, mediante tortura e com recurso que impossibilitou qualquer chance de defesa da vítima, que teria sido rendida por pelo menos quatro traficantes armados antes de ser espancada e executada.
Após o assassinato, os executores também teriam destruído e ocultado o cadáver por determinação de My Thor. Conforme a denúncia, o corpo de Marcos foi queimado, prática que, segundo a investigação, seria recorrente na organização criminosa para dificultar a produção de provas e a persecução penal.
A acusação ainda afirma que a área para onde a vítima foi levada é conhecida por ser utilizada pelo Comando Vermelho como um cemitério clandestino, onde corpos seriam cremados após execuções para impedir a atuação das autoridades.
Apesar das acusações, a Justiça rejeitou a denúncia. Na decisão, o magistrado entendeu que não havia indícios suficientes de que My Thor tivesse concorrido para o crime, seja por participação direta, seja por exercer domínio funcional sobre os executores apenas por ser apontado como chefe da comunidade.
Nova denúncia
Agora, My Thor voltou a ser denunciado, desta vez por cinco tentativas de homicídio durante a festa junina realizada no Morro do Santo Amaro, no Catete.
A ação penal foi recebida pela 4ª Vara Criminal da Comarca da Capital, que também decretou a prisão preventiva do acusado.
Segundo a denúncia, o traficante, apontado como chefe do tráfico de drogas na comunidade, ordenou que criminosos atirassem contra policiais militares que participavam de uma operação do Batalhão de Operações Especiais (Bope), realizada em 7 de junho de 2025 para combater o tráfico de drogas na região, dominada pelo Comando Vermelho.
Ainda de acordo com o Ministério Público, para impedir o avanço dos policiais, os traficantes efetuaram disparos na direção da Rua Luiz Onofre Alves, onde acontecia a festa junina, que reunia grande número de moradores, incluindo crianças. Cinco pessoas que participavam do evento foram baleadas.
Na mesma operação, o morador Herus Guimarães Mendes da Conceição, de 23 anos, foi atingido por disparos e morreu. Em dezembro de 2025, o Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP) do Ministério Público denunciou dois policiais militares por homicídio qualificado no caso.