A Justiça do Rio mandou prender oito integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) após uma ação da facção que terminou com duas execuções e moradores obrigados a remover os corpos das vítimas, em um dos pontos mais chocantes do caso.
Segundo a decisão, após os assassinatos de Pedro Lucas Magevsky Carvalho e Jonathan Ribeiro de Sant’Anna, ocorridos em 22 de maio de 2025, criminosos coagiram um caminhoneiro e um mototaxista a transportar os cadáveres até a Rua Guaraúna, em Vicente de Carvalho, numa tentativa de ocultar o local original do crime.
Para o juiz, o episódio evidencia o poder de intimidação da organização criminosa e o risco concreto às testemunhas, sendo um dos principais fundamentos para a decretação das prisões preventivas.
De acordo com as investigações, os crimes ocorreram durante a chamada “Operação Especial Caça Urso”, uma ofensiva organizada pelo TCP para atacar rivais e expandir território, marcada pelo uso de armamento pesado e diversos disparos em via pública no Morro do Juramento, na Zona Norte. O nome da operação faz alusão a Doca, também apelidado de Urso, chefe da facção criminosa Comando Vermleho.
A decisão judicial também detalha de forma clara a hierarquia da facção no Complexo da Serrinha, evidenciando uma estrutura organizada e com divisão de funções:
No topo da organização está o traficante“Salomão” ou “Lacoste”, apontado como o líder máximo do TCP na região, responsável por definir estratégias e ordenar ataques contra grupos rivais.
Na sequência aparece “Coelhão”, descrito como braço direito da liderança e responsável por coordenar diretamente as ações armadas, comandando a chamada “Tropa do Coelhão”.
Em um nível intermediário da estrutura estão Boneco da Serrinha e Bonitão s apontados como gerentes do tráfico e integrantes da cúpula da organização, com participação no planejamento das ofensivas.
Já na base operacional estão os executores: vulgos Atentado, Cocão, HG e BL , que, segundo as investigações, integrariam equipes responsáveis pela execução direta dos homicídios.
O ataque, segundo a investigação, foi realizado com uso de fuzis e múltiplos disparos em via pública, evidenciando a alta periculosidade do grupo e o risco de novos crimes.
Na decisão, o magistrado destacou a gravidade concreta dos fatos, a necessidade de garantir a ordem pública, evitar a repetição de crimes e assegurar a instrução do processo, diante do poder de intimidação da facção.
Além de decretar as prisões, a Justiça também recebeu a denúncia do Ministério Público, que acusa os oito investigados por duplo homicídio qualificado e participação em organização criminosa. Com isso, eles passam a responder formalmente ao processo e podem ser levados a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Os mandados de prisão têm validade de 20 anos, e o caso segue agora para a fase de instrução, com coleta de depoimentos e análise das provas.