A Polícia Militar decidiu submeter a conselho de disciplina, que pode decidir pela expulsão, de um sargento que foi preso com um carro que havia sido flagrado em um comboio de milicianos no Catiri, em Bangu, no final de julho.
No dia 30 de julho de 2025, por volta das 12h, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), atuando em conjunto com a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (DRACO-IE), realizaram a abordagem de um automóvel da marca Toyota, modelo Corolla Cross, de cor branca, que trafegava pela Avenida Brasil, na altura do número 23.800, sentido Campo Grande, bairro de Guadalupe, Zona Norte do Rio de Janeiro/RJ.
A abordagem foi motivada por informações repassadas pelos setores de inteligência da PRF e da DRACO, que identificaram o referido veículo como supostamente clonado e vinculado a atividades ilícitas. Durante a inspeção, confirmou-se que o automóvel ostentava a placa RTT-0F15, com indícios de adulteração, sendoposteriormente constatado que a verdadeira identificação do veículo correspondia à placa SRD-5D26, constando como roubado na cidade do Rio de Janeiro em 9 de maio de 2025.
No interior do veículo encontrava-se como único ocupante o sargento Félix, então lotadona UPP do Jacarezinho, que, ao ser indagado sobre a posse e destino do automóvel e dos objetos transportados, afirmou que estaria realizando o transporte de armamento da comunidade da Maré com destino à região do Catiri, situada no bairro de Bangu, Zona Oeste da cidade.
Durante a revista veicular, os agentes localizaram e apreenderam o seguinte material bélico:
- 01 (uma) pistola calibre 9mm, marca SARSILMAZ, com numeração suprimida;
- 01 (uma) pistola calibre 9mm, modelo PX4 Storm, marca Beretta, com numeração suprimida;
- 01 (uma) pistola calibre .40, modelo TH40, marca Taurus, com numeração suprimida;
- 01 (uma) submetralhadora calibre .380, modelo MINI UZI, fabricante IWI, com numeração suprimida;
- 01 (uma) pistola Beretta modelo APX, calibre 9mm, no de série AAA013696B, pertencente ao patrimônio da Secretaria de Estado de Polícia Militar do Rio de Janeiro (SEPM);
- 09 (nove) carregadores de arma de fogo;
- 62 (sessenta e duas) munições calibre 9mm; e,
- 42 (quarenta e duas) munições calibre .40.
Diante da materialidade e da gravidade do fato, o policial militar foi conduzido pelos agentes da PRF à sede da DRACO, onde se deram os trâmites legais e a lavratura do Auto de Prisão em Flagrante (APF no 009186-1405/2025), tendo o acusado sido autuado em flagrante delito pela suposta prática dos crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, nos termos do art. 16, caput, da Lei no 10.826/2003 (Estatuto do De-sarmamento); adulteração de sinal identificador de veículo automotor, tipificada no art. 311, §2o, inciso II, do Código Penal; e associação criminosa, conforme previsão do art. 288 do mesmo diploma legal.
Importa registrar que, conforme amplamente noticiado pelos veículos de imprensa locais, o veículo conduzido pelo militar integrou um comboio de aproximadamente sete automóveis, que circularam na comunidade do Catiri, em Bangu, durante o fim de semana que antecedeu a prisão, portando armamento pesado e com forte indício de vinculação a grupo miliciano atuante na região. Imagens captadas por drone, compartilhadas com órgãos de segurança, identificaram o Corolla Cross branco conduzido pelo acusado como um dosveículos do comboio. A ação teria motivado, inclusive, confronto com grupo rival vinculado ao tráfico de entorpecentes, resultando, inclusive, em ao menos um civil ferido.