Leia como foi a prisão de quatro milicianos ocorrida nesta semana em Curicica, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.
Na ocasião, o setor de inteligência da Polícia Civil recebeu informações sobre a existência de uma base operacional de milicianos localizada na Rua Willian Hanna, na Comunidade Dois Irmãos.
O local estava sendo guardado por indivíduos armados, conhecidos como narcomilicianos. O imóvel em questão era utilizado como um paiol de armas pela milícia, o que explicaria a presença de pessoas armadas, responsáveis pela contenção da área.
Ao chegar ao local, foi avistado um indivíduo armado, aparentando nervosismo, que dava cabeçadas na janela, e foi informado de que outro suspeito também havia entrado no prédio portando uma arma de fogo.
Em seguida, as equipes policiais adentraram o imóvel, composto por um terreno com várias quitinetes dispostas em dois andares. Ao alcançar o segundo andar, uma das equipes iniciou buscas no local, momento em que um policial correu para se abrigar após um disparo de arma de fogo ser efetuado contra ele. O policial reagiu à agressão injusta e recuou pelas escadas, procurando cobertura.
Seu colega, por sua vez, posicionou-se atrás de uma geladeira, utilizando-a como escudo, mantendo-se em posição de pronto-fogo, caso o agressor saísse da quitinete armado.
Gritou que era policial e ordenou a rendição do suspeito, que acatou a ordem, saindo com as mãos na cabeça e sendo imediatamente preso. Dentro da quitinete, foram apreendidos quatro fuzis, vários carregadores, rádios comunicadores e outros materiais bélicos relacionados à milícia.
O agente visualizou dois indivíduos já rendidos pelas equipes que haviam ingressado anteriormente no imóvel. Um desses indivíduos foi identificado como Wellington de Oliveira Francisco, vulgo “Agitado”, primo e braço-direito de um miliciano conhecido como “Shrek”, atual líder da comunidade. Ele estava portando um rádio transmissor, o que motivou sua prisão.
O outro indivíduo rendido foi identificado como Phablo Vieira Botelho, vulgo “Tonelada”, suposto membro da milícia de Curicica, que, segundo informações, não residia na comunidade, mas habitava a base da milícia.
De acordo com as equipes, “Tonelada” tentava sair do imóvel e foi surpreendido ainda no corredor do segundo andar. Através do rádio comunicador utilizado pelos criminosos, foi possível ouvir que os policiais civis haviam prendido Wellington e “Tonelada” nas proximidades da residência de um criminoso conhecido como “Nem”.
Os criminosos passaram a ordenar, via rádio, o envio de “formiguinhas” para monitorar os policiais, momento em que um casal foi abordado. Durante o monitoramento do rádio dos criminosos, foi captada uma tentativa de resgate dos presos, o que motivou a solicitação de apoio urgente via CECOPOL.
As equipes da 10ª DP e da CORE (SOTE e SAP) prontamente atenderam à solicitação. A equipe recebeu informações sobre o deslocamento de um miliciano conhecido como “Da 12”, identificado como Gilmar Luiz dos Santos.
Ele estava se dirigindo a uma padaria e já havia sido abordado anteriormente por policiais da CORE. “Da 12” é apontado como o número 2 da milícia da região e subordinado direto de “Shrek”. Ele foi visto com farda, colete, balaclava e chapéu australiano em uma fotografia registrada na comunidade.
Ao ser abordado pelos policiais da CORE, Gilmar parecia estar fotografando a equipe, o que motivou sua condução à delegacia para efetivar sua prisão, devido à sua ligação com a organização criminosa.
A Comunidade Dois Irmãos tem sido dominada por narcomilicianos há anos.
No caso em tela, dos elementos trazidos pelo APF, percebe-se que a conduta delituosa extrapolou o ínsito ao tipo penal em questão, o que demanda uma reprimenda mais veemente.
Isso porque os custodiados seriam integrantes de grupo miliciano que pratica diversos crimes, tais como homicídios, desaparecimento de vítimas e extorsões a comerciantes. Ademais, Renato teria trocado tiros contra a guarnição policial em local público.
No local foram apreendidos 04 fuzis (T4, AR, Colt 7.62 e Colt s/ descrição), sendo dois com numeração suprimida; 109 munições calibre 7.62 e 62 munições calibre 5.56, todas nos respectivos carregadores; bem como rádios comunicadores e um telefone celular Samsung de cor preta.
Com Wellington, foi apreendido um rádio comunicador ligado na frequência da milícia. Inclusive, há relato policial no sentido de que teria ouvido, por meio do referido rádio, mensagens de milicianos alertando sobre a prisão de Wellington. Ademais, seria conhecido no meio policial como integrante do grupo miliciano. Outrossim, nesta audiência, o custodiado informou endereço diverso do local onde foi preso, de modo que resta fragilizado o argumento defensivo de que seria apenas morador.
. Por seu turno, Phablo foi surpreendido no corredor do segundo andar do imóvel, tentando sair do local. De acordo com o setor de inteligência, ele é membro da milícia de Curicica e reside na base operacional da organização criminosa devido à falta de residência própria, o que indica um vínculo funcional e estável com o grupo criminoso.
Outrossim, quanto a Gilmar, sua abordagem ocorreu em via pública, após ser visto em atitude suspeita, aparentemente fotografando policiais civis durante uma operação, possivelmente com a intenção de repassar informações internamente. Ele é apontado como o “número 2” da milícia, subordinado diretamente a “Shrek”, e já foi fotografado anteriormente usando farda, colete, balaclava e chapéu tático. No momento da abordagem, estava portando um celular.