A reportagem teve acesso a um relatório mais atualizado que traz informações sobre a hierarquia do tráfico no Complexo do Chapadão, em Costa Barros, um dos principais redutos do Comando Vermelho e uma das áreas mais violentas da cidade que enfrenta uma guerra de anos com o vizinho Complexo da Pedreira e constantes embates com as forças de segurança.
O documento aponta que, além do comércio ilegal de drogas, o grupo também explora a prática dos crimes
de porte ilegal de armas de fogo, roubo de cargas, extorsão, lavagem de dinheiro e homicídios.
O Chapadão tem um dono e vários líderes.
Preso há mais de uma década, Nando Bacalhau continua sendo apontado como o“dono” do complexo de favelas.
Ele continua continua a comandar ações criminosas em suas regiões de domínio, através de seus subalternos, principalmente, daqueles que atuam como “frente”.
O relatório diz que os traficantes Pará da Xica, Feijão e 2D ou Dudu atuariam exercendo a função de “frentes” do“Morro do Chapadão”, cumprindo as ordens determinadas por Bacalha Eles comandariam os subalternos na execução dos crimes.
SL atua como “dono” da comunidade “Chapadinho”. Há alguns anos, ele recebeu o benefício judicial do indulto de saída temporária de Natal (conhecido como “saidinha”). Como não retornou ao instituto penitenciário na data prevista, passou a figurar como foragido do sistema prisional.
Dando atua exercendo a função de “frente” da comunidade “Gogó da Ema”,
WL ou Tirex é o frente das comunidades “Gogo da Ema”, “Cavalheiro”, “Loteamento” e Predinhos”, bem como liderança do braço
armado da organização através dos grupos criminosos “Tropa do Rex” ou “Bonde do Rex”.
Como exemplo de violência imposta pela quadrilha está a tortura de T.V.S, que sobreviveu por milagre.
A denúncia ressalta que a vítima era usuária de drogas e praticava roubos no interior da comunidade;
T já havia sido agredido por força dos roubos que vinha cometendo mas, apesar disso, continuava a praticá-los.
No dia em que foi morto, os traficantes cercaram e imobilizaram a vítima levando-a para o local não conhecido, no interior da comunidade onde
passaram a agredi-la brutalmente, desferindo diversos golpes na cabeça e corpo.
Após, colocaram a vítima no interior do porta-malas de um automóvel, conduzindo-a até a Rua Manhama, onde foi socorrida por parente.