Uma revelação contida em decisão judicial escancarou uma conexão explosiva entre integrantes do Comando Vermelho e um dos principais alvos das investigações contra a contravenção no Rio de Janeiro: um homem apontado como operador financeiro da facção foi preso justamente durante uma operação contra o grupo do bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o “Adilsinho”.
O investigado aparece nos autos como responsável por movimentações financeiras clandestinas em benefício da cúpula do Comando Vermelho, incluindo operações ilegais de câmbio em dólares destinadas ao traficante Luciano Martiniano da Silva, o “Pezão”, atual chefe da facção no Complexo do Alemão.
Segundo a investigação, Igor integrava o chamado núcleo financeiro da organização criminosa e teria atuado diretamente na ocultação e dissimulação de recursos oriundos do tráfico de drogas, comércio ilegal de armas e outras atividades do CV.
O detalhe que chamou atenção dos investigadores — e que até então não havia sido divulgado — é que o operador financeiro do Comando Vermelho acabou preso em março de 2025 numa operação policial voltada justamente contra as atividades ilícitas atribuídas ao grupo do mafioso do jogo do bicho “Adilsinho”.
A informação cria um elo inédito entre um personagem apontado como lavador de dinheiro do Comando Vermelho e uma investigação ligada à estrutura financeira da contravenção carioca.
Dólares para o CV e ligação com esquema investigado na contravenção
Os autos apontam que, em abril de 2024, Igor teria realizado uma operação clandestina de câmbio no valor de US$ 60 mil para beneficiar diretamente “Pezão”, uma das lideranças máximas do CV no Rio.
As tratativas, segundo a investigação, envolveram ainda outros integrantes do grupo, incluindo operadores políticos e logísticos ligados à facção.
Mesmo com esse histórico descrito pelos investigadores, Igor acabou aparecendo posteriormente no radar da operação contra “Adilsinho”, acusado de integrar organização criminosa ligada a esquemas financeiros ilícitos.
O operador foi preso durante a ofensiva policial, mas acabou libertado meses depois, respondendo atualmente em liberdade.