A Justiça do Rio decidiu no último dia 2 de março levar a júri popular Fernandinho Avelino, membro da família suspeita de diversos homicídios no interior fluminesne nas últimas décadas. Fernandinho é acusado do assassinato de um empresário em 12 de janeiro de 2024. A vítima foi Thiago Amorim Navarro Os dados obtidos com a quebra de sigilo demonstram que, dois dias antes do crime, existem dois registros de ligações telefônicas entre os terminais utilizados pela vítima Thiago e Fernandinho sendo que no dia dos fatos há uma ligação telefônica entre os doistendo a vítima, provavelmente, avisado a Avelino que estava se deslocando para sua residência, No dia do homicídio, Thiago recebeu uma ligação telefônica e os dados de seu aparelho comprovam que ele estava na estrada (BR-393 nas proximidades do distrito de Andrade Pinto) e se deslocava até Vassouras para encontrar-se com Fernando. Apurou-se que Thiago chegou à residência de Fernando por volta de 11h, Uma testemunha narrou que Thiago lhe disse que vindo buscar com Fernando uma declaração, pois em 2021, ele havia dado um cheque para o acusado no valor de R$3.000,00, mas que como não houve fundos ele pagou Fernando posteriormente o total do cheque, mas precisava do mesmo para dar baixa no banco, porém como Fernando não tinha mais o cheque ficou de assinar uma declaração do mesmo para Thiago Narrou que por volta de 12h06min foi a última vez que falou com Thiago que este disse que após resolver as coisas com Fernando, ia passar no correio e depois ele iria a cidade de Juiz de Fora pegar seu carro que tinha ficado pronto e entregaria o que estava com ele (…)” A investigação revelou que os dados telefônicos de Fernando indicaram o seu deslocamento sentido Massambará e, posteriormente, para o local do crime. O relatório destacou que o Azimute do telefone de Fernando se altera em direção ao local do encontro do cadáver de Thiago, onde ele permaneceu até as 13h30min. Assim, pelos dados obtidos com a quebra de sigilo, resta inequívoco que o indiciado Fernando Avelino efetivamente esteve no local do crime (ao menos da destruição de cadáver), e que, em seguida, voltou à sua residência e desativou o aparelho da vítima Thiago. E mais, pela lógica da trama, ficou clara a participação de terceira pessoa no evento, já que o corpo da vítima se encontrava no interior de seu próprio veículo, ambos em chamas. Logo, certo é que a presença de outro elemento se fez necessária para retirar o indiciado Fernando do local do crime por meio de outro transporte. A família Avelino é alvo hoje de uma operação do Ministério Público Estadual do Rio A Promotoria obteve na Justiça mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quarta-feira (01/04) contra 21 pessoas ligadas aos clãs da Família Avelino, investigada pela prática de diversos crimes. Entre os alvos estão integrantes da família, cinco policiais militares, um advogado e suspeitos de atuar como pistoleiros do grupo. A ação é realizada com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil (SSINTE). Estão sendo cumpridos mandados em 29 endereços ligados aos investigados, nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Pará, com o apoio dos GAECOs locais. No Rio, os agentes cumprem mandados na Capital e nos municípios de Paty do Alferes, Vassouras, Paraíba do Sul e Três Rios. As investigações são conduzidas em Procedimento Investigatório Criminal (PIC) próprio do GAECO/MPRJ e demonstram a existência de conduta criminosa sistemática e reiterada por parte dos integrantes do clã, com forte influência em diversos municípios do Sul Fluminense e características de milícia privada. Isso inclui a prática de assassinatos já denunciados pelo Ministério Público, suspeitas de dezenas de outras execuções, múltiplas tentativas de homicídio, controle territorial, corrupção de agentes públicos, estrutura hierárquica com clara divisão de funções, obstrução sistemática da Justiça, entre outros. Com histórico de violência e poder que remonta à década de 1930, com quatro gerações documentadas praticando homicídios, as apurações mostram que a família e seus associados empregam uma série de mecanismos para escapar da persecução penal, incluindo intimidação de testemunhas, ameaças extensivas a familiares e eliminação de adversários. O objetivo é criar um clima de medo que resguarde a chamada “lei do silêncio”. Atento ao histórico de criminalidade violenta, à intimidação de autoridades e às obstruções sistemáticas, o GAECO/MPRJ passou a concentrar todas as investigações criminais contra o clã. A família Avelino é temida no interior e por vezes usavam o nome do clã para praticar extorsões. Em 2022, um homem foi procurado por um elemento que dizia ser o marido de “uma mulher chamada Vanessa” e que o acusou de haver subtraído a quantia de R$ da “suposta esposa”. O suspeito passou a intimidar a vítima, dizendo ser da família “Avelino” e afirmando que iria matar o rapaz, caso ele não pagasse ao menos metade do valor. Amedrontado, a vítima se dirigiu a um endereço indicado e entregou para o elemento um automóvel FORD Fiesta, u aparelho de telefonia celular, um tanquinho de lavar roupas e a quantia de R$ 3.000 sendo ainda obrigado a assinar para o suspeito um recibo com mais valores. Não satisfeito, o elemento passou a ligar novamente para a vítima exigindo mais dinheiro, sendo certo que passou a perseguir a vítima, se fazendo presentes nos lugares que o alvo costumava frequentar Na delegacia, o suspeito afirmou que teria feito empréstimos à vítima buscando justificar a movimentação de dinheiro de um para o outro