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Author name: Mario Hugo Monken

Sou redator com 25 anos de experiência em investigação policial, formado em Jornalismo. Ao longo da carreira, desenvolvi um olhar apurado para apurar e contar histórias complexas, com foco em detalhes e precisão. Minha paixão pela investigação e pela escrita me permite desvendar narrativas profundas, oferecendo ao leitor informações relevantes e impactantes sobre o universo da segurança pública.

Mario Hugo Monken

CATIVEIRO, SEQUESTROS E SENHAS BANCÁRIAS: DENÚNCIA EXPÕE A ENGENHARIA DE MAIS CRIMES COMETIDOS PELO CV

Uma investigação da Delegacia Antissequestro (DAS) revelou detalhes de uma estrutura criminosa ligada ao Comando Vermelho que, segundo o Ministério Público, teria se especializado em sequestros e extorsões mediante privação da liberdade de vítimas, utilizando um imóvel no Rio Comprido como cativeiro e contando com diferentes integrantes para executar as ações. Os detalhes estão em uma denúncia apresentada pelo Ministério Público contra 16 investigados, em processo que tramita na Justiça de Duque de Caxias. A acusação descreve uma estrutura com atuação nas comunidades Paula Ramos e Turano, no Rio Comprido, e aponta que um imóvel localizado na Rua Santa Alexandrina, nº 1568, teria sido utilizado reiteradamente como cativeiro em diferentes crimes de extorsão mediante sequestro. A investigação ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (14/08), com a deflagração da segunda fase da Operação Argus, realizada pela 59ª DP (Duque de Caxias) e pela Delegacia Antissequestro. A operação busca justamente aprofundar as investigações contra uma organização suspeita de envolvimento em cárcere privado, extorsão e lavagem de dinheiro. Mas é a investigação judicial que revela como os crimes teriam sido praticados. Sequestro de Altamiro terminou com resgate no mesmo dia Um dos principais episódios descritos na denúncia aconteceu em 27 de abril de 2026. Segundo o Ministério Público, por volta das 8h30, no Jardim Olavo Bilac, em Duque de Caxias, integrantes do grupo, agindo em conjunto e com divisão de tarefas, teriam sequestrado Altamiro da Costa Nunes. A vítima teria sido retirada do local e levada para o imóvel da Rua Santa Alexandrina, no Rio Comprido, apontado pela investigação como cativeiro. Altamiro permaneceu privado da liberdade no imóvel até ser localizado e resgatado por policiais da Delegacia Antissequestro ainda naquele mesmo dia. A acusação sustenta que o episódio não deve ser analisado isoladamente. Para o Ministério Público, o sequestro de Altamiro faria parte de uma sequência de crimes atribuída à mesma estrutura, envolvendo também as vítimas Segundo a denúncia, os episódios apresentavam elementos em comum: utilização do mesmo cativeiro, meios logísticos semelhantes e participação de parte dos mesmos executores. Caso de Etson aparece como uma das conexões da investigação A denúncia utiliza o episódio envolvendo uma das vítimas para sustentar a existência de uma estrutura criminosa que já vinha atuando antes do sequestro de Altamiro. Embora a decisão judicial apresentada no processo não reproduza integralmente todos os detalhes do sequestro de Etson, ela registra um elemento considerado relevante pela investigação. Érick Ribeiro de Azeredo Geraldo teria sido reconhecido por Etson como um dos envolvidos naquele episódio anterior. Segundo os elementos apresentados ao Judiciário, Érick seria ainda o homem que, utilizando uma identidade falsa, teria participado da locação do imóvel que posteriormente passou a ser utilizado como cativeiro. Essa informação foi utilizada pelo Ministério Público para estabelecer uma conexão entre o crime anterior, o imóvel do Rio Comprido e o sequestro de Altamiro. A Justiça considerou esse elemento relevante juntamente com a perícia realizada no veículo usado no arrebatamento da vítima. Sequestro de Luciana também aparece no contexto Outro episódio citado na investigação envolve o sequestro de uma mulher chamada Luciana Segundo a denúncia, o caso de Luciana também estaria relacionado à mesma estrutura criminosa. O Ministério Público apontou que parte dos investigados aparecia relacionada a esse episódio, inclusive por meio do recebimento de valores provenientes do sequestro. A Justiça, porém, fez uma distinção importante. Embora o caso de Luciana tenha sido considerado relevante para o contexto geral da investigação, a magistrada entendeu que a simples participação ou recebimento de valores relacionados àquele episódio não era suficiente para demonstrar que determinados investigados também haviam participado do sequestro de Altamiro. Por esse motivo, a denúncia foi rejeitada em relação a vários dos acusados. Ou seja, a decisão judicial reconheceu a existência de elementos indicando uma possível conexão entre os diferentes episódios, mas exigiu provas concretas para vincular individualmente cada investigado ao crime de Altamiro. Carro usado no sequestro acabou entregando suspeitos Um dos elementos mais importantes da investigação foi encontrado no Fiat Siena utilizado para o arrebatamento de Altamiro. Laudos papiloscópicos identificaram impressões digitais compatíveis com os dados de Érick Ribeiro de Azeredo Geraldo, Alex de Oliveira Nascimento, Anderson Viana, Caio Chaves Oliveira Vilas Boas e Luiz Henrique de Souza Rangel Gomes em vestígios recolhidos no veículo. No caso de Juarez Italo Paiva Neto, a perícia encontrou impressão digital compatível em vestígio localizado dentro do imóvel apontado como cativeiro. Assim, segundo a decisão judicial, cinco investigados foram tecnicamente vinculados ao veículo usado na ação e um deles ao próprio imóvel onde a vítima teria sido mantida. Esses elementos foram considerados suficientes, nessa fase do processo, para que a Justiça recebesse a denúncia contra os seis. Érick tinha ligação com o cativeiro e com outro sequestro A situação de Érick chamou particularmente a atenção da investigação. Além da impressão papilar encontrada no veículo usado no sequestro de Altamiro, ele teria sido reconhecido anteriormente por Etson. A investigação apontou ainda que Érick teria utilizado identidade falsa para participar da locação do imóvel da Rua Santa Alexandrina. O imóvel acabou se tornando um dos principais elementos físicos da investigação, por ser apontado como o local utilizado para manter vítimas em cárcere. A combinação desses elementos — reconhecimento anterior, suposta participação na locação do imóvel e vestígio papiloscópico no carro usado no novo sequestro — foi considerada suficiente pela Justiça para sustentar, nesta fase, os indícios de autoria. Justiça não aceitou denúncia contra todos os 16 Apesar de o Ministério Público ter denunciado 16 pessoas, a Justiça não recebeu integralmente a acusação. A denúncia foi rejeitada em relação a Márcio Gomes de Medeiros Roque, Alexandre Felicio Nascimento, Cauã Victor Ribeiro de Azeredo, Anderson Luiz da Silva, Marlon da Silva Duarte, Maria Luiza Gomes de Souza do Nascimento, Stefania da Silva Bastos, Kayk da Silva Barreto, William França de Sousa e Carlos Daniel de Carvalho Sousa. No caso de Márcio, por exemplo, a acusação se baseava essencialmente na suposta liderança exercida na comunidade, na alegada ligação com o tráfico de drogas e na apreensão de um rádio comunicador. Para a

NINGUÉM ESTÁ A SALVO: A GUERRA ENTRE FACÇÕES QUE TRANSFORMOU INOCENTES EM ALVOS NO RIO

No meio das guerras travadas pelas facções criminosas no Rio de Janeiro, existe uma população que não escolheu nenhum dos lados, mas acaba pagando um preço cada vez mais alto. Moradores, trabalhadores, idosos e crianças são atingidos por tiros, granadas e confrontos que transformam comunidades e ruas da cidade em cenários de guerra. Inocentes perdem a vida ou ficam feridos simplesmente por estarem no lugar errado, na hora errada. Uma das vítimas mais recentes foi Leda Maria da Conceição Antônio, de 75 anos, conhecida como Tia Lêda. Em 20 de julho de 2026, ela foi morta a tiros dentro de uma padaria na comunidade Furquim Mendes, no Jardim América, Zona Norte do Rio. Segundo as investigações, ela acabou atingida durante um ataque de traficantes do Terceiro Comando Puro contra criminosos rivais do Comando Vermelho. Um entregador de aplicativo também foi baleado durante a ação e precisou ser socorrido para o Hospital Estadual Getúlio Vargas. Dias antes, outro idoso havia sido vítima da violência. João José da Silva, de 80 anos, conhecido como Badu, morreu após ser atingido por uma bala perdida dentro do próprio bar, na comunidade Chácara do Céu, na Tijuca. Na ocasião, criminosos do Comando Vermelho atacaram a região, dominada pelo Terceiro Comando Puro. E a violência voltou a atingir a mesma comunidade nesta semana. Uma menina de apenas 11 anos e a própria mãe ficaram feridas depois que uma granada foi lançada por um drone. Facções controlam até o direito de ir e vir A guerra entre as organizações criminosas não se limita aos confrontos armados. Ela também impõe uma espécie de fronteira invisível sobre milhares de moradores e trabalhadores. Pessoas podem ser impedidas de circular simplesmente porque moram em uma área dominada por uma facção rival. Quem atravessa essas fronteiras corre o risco de ser abordado, interrogado, revistado e até desaparecer. Em Rio das Pedras, em Jacarepaguá, diversos jovens que foram à região a trabalho ou para encontrar alguém acabaram desaparecendo. Criminosos costumam perguntar onde essas pessoas moram e verificar seus celulares em busca de qualquer indício de ligação com territórios ou integrantes de grupos rivais. O domínio territorial também já chegou ao transporte por aplicativo. Nesta semana, um áudio ao qual tivemos acesso revelou o alerta feito por um motorista de aplicativo: trabalhadores de áreas dominadas pelo TCP, como o Complexo da Maré e o Dendê, deveriam evitar fazer corridas para o Complexo da Penha, território controlado pelo Comando Vermelho. No áudio, o motorista afirmou ter presenciado dois colegas de profissão sendo espancados por criminosos. Policiais também viram alvos Os criminosos também colocam policiais na mira. Agentes são mortos durante o serviço, atacados nas ruas e até assassinados durante períodos de folga. Recentemente, um policial civil foi morto durante uma operação na Favela do Muquiço, em Guadalupe. Um policial militar também morreu após ser atacado na Avenida Brasil. Até operações policiais deixam inocentes no fogo cruzado A violência contra a população, porém, não ocorre apenas durante confrontos entre facções. As próprias operações policiais realizadas contra criminosos também podem colocar moradores e trabalhadores em meio ao fogo cruzado. Nesta semana, uma passageira foi baleada dentro de um ônibus durante um confronto entre policiais militares e criminosos em Vila Kosmos, na Zona Norte do Rio. Na Favela do Metrô, na Mangueira, um menino de apenas seis anos foi atingido no olho por estilhaços durante uma ação policial. A esses episódios somam ações dos criminosos que fecham ruas com barricadas, provocam fechamento de postos de saúde e escolas, a chegada de serviços públicos nas comunidades, São episódios diferentes, envolvendo circunstâncias diferentes, mas que revelam uma mesma realidade: para quem vive ou trabalha nas áreas afetadas pela guerra do crime organizado, o risco pode surgir a qualquer momento, independentemente de estar envolvido com o tráfico ou de ter escolhido qualquer um dos lados. Enquanto as facções disputam territórios e impõem suas próprias regras, a população fica encurralada no fogo cruzado — sem controle sobre quando os tiros começam, de onde vêm e quem será a próxima vítima.

Aliança entre traficantes do Rio e do Rio Grande do Norte fortalece guerra do CV-RN contra o Sindicato do Crime

A aliança entre lideranças do Comando Vermelho do Rio Grande do Norte (CV-RN) e traficantes do Comando Vermelho do Rio de Janeiro (CV-RJ) vem criando uma conexão criminosa que ultrapassa as fronteiras dos dois estados. No centro dessa articulação está o traficante Ruan Tales Silva de Oliveira, o “Chaves”, apontado como uma das principais lideranças do CV-RN e responsável por uma estrutura que mantém relações com criminosos instalados nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio. Segundo informações levantadas, a relação envolve apoio entre integrantes das duas estruturas, abrigo para criminosos procurados, articulação entre lideranças e, principalmente, o suposto fornecimento de fuzis para a guerra travada pelo CV-RN contra o Sindicato do Crime (SDC) no Rio Grande do Norte. Um dos principais nomes dessa conexão seria o traficante conhecido como “Pezão” ou “44”, liderança do Comando Vermelho no Complexo do Alemão. Ele teria uma relação próxima com Chaves e, segundo as informações, seria responsável pelo fornecimento de armamento para integrantes do CV-RN, especialmente para a chamada Tropa do Chaves. A conexão também funciona no sentido inverso. Lideranças do CV-RN utilizam comunidades dominadas pelo Comando Vermelho no Rio de Janeiro como esconderijo, principalmente diante da pressão exercida pelo Sindicato do Crime no Rio Grande do Norte. É o caso do traficante conhecido como “2T”, apontado como antigo chefe do bairro Cidade Nova, em Natal. Atualmente, ele estaria escondido no Complexo da Penha, uma das principais áreas de domínio do Comando Vermelho no Rio. Outro exemplo é o traficante conhecido como “Preá”, apontado como uma das lideranças do CV-RN em Bom Jesus (RN). Em julho, ele teria sido alvo de uma tentativa de execução promovida por rivais do Sindicato do Crime dentro da própria residência onde estava escondido, em Extremoz. Depois do atentado, teria fugido para o Rio de Janeiro. Chaves reúne aliados no Rio A força dessa articulação ficou novamente evidenciada na noite do dia 8 de agosto, quando Chaves teria comemorado seu aniversário na região da Fazendinha, no Complexo do Alemão. A presença de integrantes ligados ao CV-RN no Rio reforça a existência de uma rede de relacionamento entre criminosos potiguares e lideranças do Comando Vermelho instaladas na capital fluminense. Chaves é apontado como uma das principais lideranças do CV-RN e sua estrutura teria papel relevante na guerra travada contra o Sindicato do Crime. Segundo as informações levantadas, integrantes ligados à sua tropa possuem atuação ou conexões em municípios como Grossos, Parelhas e Natal, além de outras cidades do Rio Grande do Norte. A conexão com o Rio, porém, amplia a dimensão dessa disputa. Rio se transforma em ponto estratégico para o CV-RN A relação entre as duas estruturas criminosas não se limita a uma aproximação entre integrantes de facções que utilizam a mesma sigla. Segundo as informações levantadas, o Rio de Janeiro passou a exercer papel estratégico para integrantes do CV-RN, servindo como local de abrigo para lideranças ameaçadas, ponto de encontro entre criminosos e possível origem de armamentos destinados à guerra no Rio Grande do Norte. A presença de integrantes do CV-RN em áreas controladas pelo Comando Vermelho no Rio também demonstra como as alianças entre organizações criminosas passaram a funcionar em uma escala interestadual. Execução em Natal pode ter relação com a Tropa do Chaves Em meio a esse cenário, um homicídio ocorrido no Conjunto Santa Clara, no bairro Planalto, em Natal, é apontado como possível ação de integrantes da Tropa do Chaves. Segundo as informações, dois homens chegaram de motocicleta à frente da casa da vítima e perguntaram sua identificação. Depois que o homem confirmou ser quem os criminosos procuravam, foi atingido por diversos disparos. A principal suspeita é de que os executores tenham ligação com a estrutura de Chaves, que atua no contexto da guerra entre o CV-RN e o Sindicato do Crime. O assassinato, porém, é apenas um dos episódios que chamam atenção para a atuação da Tropa do Chaves. O aspecto mais relevante é a estrutura de alianças que conecta criminosos do Rio Grande do Norte a integrantes do Comando Vermelho no Rio de Janeiro, envolvendo lideranças, abrigo, circulação de criminosos e, segundo as informações levantadas, fornecimento de armamento para uma guerra que já provocou uma longa disputa pelo controle de territórios potiguares. Obs.: Chaves teria realizado a comemoração de aniversário dois dias antes da data exata de seu nascimento.

Ameaçado por Peixão (TCP) e endividado com traficantes, homem foi forçado a ir a Manaus buscar quase 20 kg de maconha para trazer para o sul do país. Acabou parado no aeroporto do DF

Usuário de drogas e endividado com traficantes, um homem chamado Felioe afirmou à Justiça que passou a ser ameaçado pelo traficante carioca Peixão e que, diante das pressões, acabou obrigado a cumprir uma missão para quitar a dívida: buscar uma grande quantidade de maconha em Manaus, no Amazonas, e transportá-la para a região Sul do país. A história terminou no Aeroporto Internacional de Brasília, onde Felipe foi preso com 19 tabletes de maconha, totalizando 19,305 quilos. Segundo a versão apresentada pela defesa no processo, Felipe teria sido colocado sob forte pressão por causa de uma dívida com traficantes. Ele alegou que recebeu ameaças de Peixão e que temia sofrer represálias caso não cumprisse a determinação de transportar a droga. A defesa utilizou justamente esse contexto para tentar demonstrar que Felipe não teria agido por livre vontade. USUÁRIO, DÍVIDA E AMEAÇAS De acordo com a versão apresentada no processo, Felipe era usuário de drogas e acabou contraindo uma dívida com traficantes. A situação teria se agravado quando, segundo seu relato, passou a receber ameaças de Peixão. Pressionado pelo débito e temendo pelas consequências caso se recusasse a colaborar, teria sido encarregado de buscar a droga em Manaus. A missão era transportar o entorpecente posteriormente para a região Sul. A defesa sustentou que as ameaças foram tão graves que Felipe teria agido sob uma situação de coação moral irresistível, argumento utilizado para pedir sua absolvição. QUASE 20 QUILOS DE MACONHA No dia 13 de novembro de 2025, por volta das 8h, a viagem terminou em Brasília. Felipe foi abordado no Aeroporto Internacional de Brasília transportando 19 tabletes de maconha, acondicionados em papel de seda e plástico filme. A perícia confirmou que a substância era maconha, com peso total de 19,305 quilos. Durante o processo, o próprio acusado confirmou que fazia o transporte da droga. A defesa, entretanto, insistiu que ele havia sido colocado naquela situação por causa da dívida e das ameaças que, segundo seu relato, teria recebido de Peixão. O próprio depoimento de Felipe também reforça a conexão da operação com o Rio de Janeiro. Segundo ele, as pessoas que fizeram contato com ele em Manaus para que pegasse a droga eram do Rio. Felipe afirmou que não sabia os nomes dos envolvidos, mas contou que, ao chegar a Manaus, recebeu uma ligação, foi buscado no aeroporto e levado para uma casa. No local, recebeu uma mala que já estava com a droga que deveria transportar para Florianópolis. A declaração é relevante porque, segundo o próprio acusado, a articulação para que ele buscasse o entorpecente em Manaus partiu de pessoas que tinham ligação com o Rio de Janeiro. Ele também relatou que não recebeu os nomes dos envolvidos porque, segundo sua versão, eles não confiavam nele o suficiente para revelar suas identidades. O acusado afirmou ainda que receberia R$ 1 mil pelo transporte e que consumiu grande quantidade de cocaína durante a passagem por Manaus. AMEAÇA NÃO CONVENCEU A JUSTIÇA A Justiça não aceitou a tese de que Felipe teria agido sob coação irresistível. O juiz considerou comprovadas a materialidade e a autoria do crime e rejeitou a alegação apresentada pela defesa. Assim, o caso acabou revelando uma história em que, segundo o próprio acusado, uma dívida relacionada ao consumo de drogas teria evoluído para ameaças de Peixão e o obrigou a entrar em uma operação para buscar quase 20 quilos de maconha em Manaus.

Quase extinta no Rio, ADA ressurge em guerras, se alia ao CV e mantém império no interior

Quase extinta na capital fluminense, onde sua atuação ficou restrita a poucos redutos na Zona Oeste, a facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA) ainda representa uma preocupação para as forças de segurança. Mesmo enfraquecida territorialmente, a organização continua aparecendo em investigações sobre disputas armadas, alianças com outras quadrilhas e tentativas de retomada de áreas dominadas por milicianos. Nos últimos tempos, investigações apontaram uma aproximação entre integrantes da ADA e o Comando Vermelho (CV), inclusive em conflitos pela expansão territorial na Zona Oeste. Um dos exemplos é a disputa pela região da Carobinha, em Campo Grande, onde criminosos ligados às duas facções teriam se mobilizado contra áreas controladas por milicianos. Nesse cenário, o retorno de uma das figuras históricas do grupo chamou atenção das autoridades. Depois de passar mais de duas décadas preso, Celsinho da Vila Vintém voltou a ocupar espaço nas investigações sobre o crime organizado no Rio de Janeiro. Durante o período em liberdade, Celsinho chegou a afirmar que havia abandonado a criminalidade e apareceu em vídeos nas redes sociais criando porcos. Posteriormente, porém, voltou a ser preso após ser apontado pelas autoridades como integrante de uma nova articulação criminosa. Segundo denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Celsinho teria retomado a aliança com o Comando Vermelho — facção da qual havia se afastado no passado — com o objetivo de recuperar comunidades que haviam passado para o domínio de grupos paramilitares. As investigações apontaram que ele teria negociado diretamente com integrantes de uma milícia e participado de uma articulação para a retomada de territórios. Entre as áreas citadas está a Vila Sapê, em Curicica, cujo controle teria sido negociado com criminosos ligados ao grupo paramilitar. A articulação faria parte de um pacto envolvendo integrantes do Comando Vermelho, uma milícia local e membros da ADA para recuperar territórios perdidos para grupos paramilitares, sobretudo na região de Santa Cruz. Celsinho também teria determinado a ocupação da Comunidade Dois Irmãos, em Curicica. No dia 17 do mesmo mês, traficantes teriam seguido para a Gardênia Azul com o objetivo de reforçar a ofensiva e consolidar a tomada do território. Segundo as apurações, a mobilização foi articulada depois que Celsinho solicitou apoio a Edgar Alves de Andrade, com quem chegou a conversar por videoconferência. O suporte teria sido organizado antes da formalização do acordo entre Celsinho e integrantes da milícia local, negociação que teria sido intermediada por André Costa Barro, conhecido como Boto. ADA também aparece em guerras na Zona Oeste A atuação do ADA não se limita às articulações envolvendo Celsinho. Em abril, uma operação policial teve como alvo integrantes da facção que atuavam na comunidade do Jardim Novo, em Realengo. As investigações reforçaram a existência de uma aproximação entre criminosos ligados ao ADA e integrantes do Comando Vermelho, transformando a região em um ponto estratégico para a expansão territorial das duas organizações na Zona Oeste. A localização do Jardim Novo ajuda a explicar o interesse dos criminosos. A comunidade faz divisa com a Taquara e fica próxima à Cidade de Deus, uma das principais áreas de influência do Comando Vermelho. As investigações também apontaram que o homem identificado pelo vulgo Índio, apontado como chefe do tráfico no Complexo do Jardim Novo, seria responsável por parte significativa dos roubos de veículos e cargas praticados na região. Além dos crimes patrimoniais, os criminosos são acusados de impor uma rotina de violência aos moradores. As investigações apontam cobranças ilegais de comerciantes e o controle coercitivo de serviços como gás, água e internet. Armados com fuzis e outras armas de alto poder de fogo, os integrantes do grupo utilizariam a violência e a intimidação para manter o controle da comunidade. Enquanto isso, integrantes do ADA também travam uma disputa territorial com o Terceiro Comando Puro (TCP) pelo controle de comunidades como Batan e Conjunto Fumacê, em Realengo. Facção perdeu espaço na capital, mas mantém força no interior A situação do ADA na capital, portanto, contrasta com sua presença no interior do estado. Embora tenha perdido grande parte dos territórios que controlava no passado e hoje esteja restrito a poucos redutos no Rio, o grupo mantém uma estrutura criminosa relevante no Norte Fluminense. Em Campos dos Goytacazes, a facção controla ou mantém influência sobre diferentes territórios e disputa áreas com o Terceiro Comando Puro. Em Macaé, o ADA também mantém presença e rivaliza diretamente com o Comando Vermelho em uma disputa que envolve o controle de comunidades e pontos estratégicos para as atividades criminosas. O cenário mostra que, apesar do enfraquecimento do ADA na capital, a facção está longe de desaparecer. O grupo passou a depender cada vez mais de alianças, articulações e disputas locais para preservar sua influência, enquanto mantém no Norte Fluminense uma de suas principais áreas de resistência territorial.

Investigação revela detalhes inéditos de escândalo de corrupção envolvendo PMs (incluindo um do BOPE) e o traficante Doca, chefão do CV

MARIO HUGO MONKEN Uma investigação da Polícia Federal que já havia revelado a existência de uma suposta rede de corrupção e vazamento de informações em benefício do Comando Vermelho ganhou novos contornos com a denúncia apresentada pelo Ministério Público na Justiça Militar. Os documentos agora detalham como dois policiais militares teriam atuado em favor da facção, quanto teria sido pago a um deles e até que tipo de informação teria sido negociada com criminosos. Os detalhes da suposta negociação ainda não haviam sido divulgados dessa forma. A denúncia tramita na Auditoria da Justiça Militar, na Ação Penal Militar nº 0131935-87.2025.8.19.0001, e tem como réus presos o 1º sargento PM conhecido como “Fred do BOPE”, e o cabo PM Luciano. Segundo o Ministério Público, os dois teriam desempenhado funções distintas dentro de um esquema que, de acordo com a acusação, mantinha conexões com integrantes do Comando Vermelho. Fred é acusado de ter recebido ou aceitado a promessa de receber mais de R$ 10 mil em troca de informações e, posteriormente, de ter recebido R$ 2 mil em outra ocasião. Luciano, por sua vez, é acusado de integrar a organização criminosa e de utilizar seu acesso ao sistema de Justiça para obter e transmitir informações consideradas sensíveis à facção. ‘Arrego Fred’: a contabilidade do tráfico Um dos elementos mais contundentes descritos na denúncia está relacionado à contabilidade encontrada nas mensagens extraídas de contas utilizadas por integrantes do Comando Vermelho. De acordo com o Ministério Público, a investigação teve origem, entre outros elementos, na quebra de sigilo telemático de uma conta do iCloud atribuída a Edgar Alves de Andrade, o Doca, apontado como liderança do Comando Vermelho. Durante a análise do material, os investigadores encontraram conversas entre Doca e Elbert Luiz dos Santos, o Pinduca. Em uma dessas conversas, segundo a acusação, Pinduca teria informado a Doca sobre o pagamento de um saldo devedor de R$ 10 mil a “Fred”, relacionado ao vazamento de informações. Mas a investigação teria encontrado uma segunda referência ainda mais direta. Em 22 de março de 2025, Pinduca teria enviado a Doca uma fotografia de um caderno utilizado para a contabilidade da organização criminosa. Na imagem, segundo a denúncia, aparecia a anotação: “ARREGO FRED 2.000,00”. Para o Ministério Público, a anotação seria uma confirmação do pagamento de R$ 2 mil ao policial em razão das informações fornecidas à facção. Sargento trabalhava no BOPE A acusação sustenta que Fred estava lotado no Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) e exercia a função de sargenteante. É justamente essa posição que dá dimensão ao suposto esquema descrito pelos investigadores. Segundo a denúncia, o policial teria aceitado vantagens indevidas para informar criminosos sobre operações realizadas pelo BOPE. A acusação afirma que, dessa maneira, informações obtidas por um integrante de uma unidade especializada da Polícia Militar acabariam chegando à estrutura do Comando Vermelho. O Ministério Público atribui a Rodolfo duas condutas de corrupção passiva, ambas relacionadas à aceitação de vantagens indevidas em razão da função. Em uma delas, o valor mencionado é superior a R$ 10 mil. Na outra, o valor apontado é de R$ 2 mil. Um outro trecho da investigação revela que Doca teria ordenado a seus subordinados, os gerentes do tráfico de drogas, vulgos Pinduca e Gardenal, que separassem uma quantidade específica de entorpecentes e armamentos de baixa qualidade para serem entregues voluntariamente à equipe de Fred Com isso, seria forjado um auto de apreensão positivo e, assim, tal agente público permaneceria em unidade de elite, a fim de servir com maior eficácia aos interesses da organização criminosa, inclusive informando sobre operações que seriam realizadas em comunidades dominadas pelo “Comando Vermelho”, sobretudo no Complexo do Alemão. Outro policial teria usado acesso ao Judiciário em favor do CV O segundo caso apresenta uma particularidade ainda mais sensível. Luciano era policial militar lotado no 5º Batalhão da PM, mas estava à disposição do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Segundo o Ministério Público, essa condição teria permitido que ele tivesse acesso a rotinas internas do Poder Judiciário, que posteriormente seriam utilizadas em benefício da organização criminosa. A denúncia afirma que o cabo teria desempenhado uma espécie de função estratégica para a facção dentro do sistema de Justiça. Entre suas atribuições no esquema, segundo a acusação, estariam o monitoramento de decisões judiciais, contato com advogados e autoridades e obtenção de informações sobre procedimentos criminais de interesse do Comando Vermelho. Conversa com integrante da cúpula do CV A investigação aponta ainda uma situação particularmente grave. Nos dias 17 e 19 de abril de 2025, segundo o Ministério Público, Luciano manteve contato com Manoel Cinquine Pereira, conhecido como “Paulista”, apontado na denúncia como integrante da cúpula do Comando Vermelho. Nas mensagens, o policial teria informado sobre o “andamento final do caveira”, expressão interpretada pelos investigadores como referência ao BOPE. Em seguida, teria escrito: “vi a prévia da denúncia do caveira” e “Irmão pode atender?” Na sequência, segundo os autos, houve uma ligação telefônica de 18 minutos e 24 segundos. Para o Ministério Público, a conversa demonstra que o policial não estaria apenas transmitindo informações genéricas, mas teria acesso a dados relacionados a um procedimento criminal envolvendo um integrante do BOPE. ‘Coisas importantes’ e mensagens de visualização única O material apreendido também teria revelado, segundo a denúncia, um padrão de comunicação entre Luciano e integrantes do Comando Vermelho. O Ministério Público afirma que o policial encaminhava informações a Paulista por mensagens de visualização única e que chegou a classificar determinados conteúdos como “coisas importantes”. Na avaliação da acusação, isso reforçaria a hipótese de que Luciano exerceria deliberadamente a função de informante da organização criminosa. A investigação sustenta ainda que ele se apresentaria como alguém capaz de antecipar decisões e movimentações do sistema de Justiça, utilizando sua proximidade institucional para favorecer os interesses da facção. Investigação nasceu da Operação Buzz Bomb O caso não surgiu isoladamente. Os elementos que deram origem à investigação fazem parte de um desdobramento da Operação Buzz Bomb, que investigava a atuação de civis e agentes públicos ligados à estrutura do

Do mapeamento ao bombardeio: drones viram armas na guerra entre facções em Vargem Grande.

Somente neste bairro, polícia fez apreensão e ouviu suspeito confessar que usa os equipamentos para atacar rivais Duas operações policiais realizadas em julho e agosto de 2026 reforçaram a ideia de uma nova dimensão da disputa territorial entre facções criminosas em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio: o uso de drones como ferramenta de guerra. Os casos mostram que os equipamentos vêm sendo empregados não apenas para vigilância e reconhecimento do terreno, mas também em ações ofensivas com explosivos. Somente neste bairro, polícia fez apreensão e ouviu suspeito confessar que usa os equipamentos para atacar rivais Os episódios ocorreram na comunidade Pombo Sem Asa e apresentam elementos que apontam para uma crescente utilização da tecnologia por criminosos envolvidos na disputa pelo controle da região. IMPORTANTE: Em outros locais do Rio, foram registrados vários ataques de granadas atiradas por drones mas em nenhum deles a polícia prendeu suspeitos nem apreendeu equipamentos muto menos ouviu depoimentos de suspeitos admitindo o uso dos aparelhos para atacar redutos rivais. Em julho, drone era usado para mapear território para invasão do TCP O primeiro caso veio à tona a partir de uma denúncia apresentada pelo Ministério Público em um processo relacionado a uma operação realizada em 10 de julho de 2026, durante um intenso confronto na comunidade Pombo Sem Asa. Segundo a denúncia, integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) tentavam retomar o controle da comunidade, então ocupada pelo Comando Vermelho (CV). A ação envolveu homens armados, que teriam utilizado tecnologia para auxiliar a ofensiva. Um dos denunciados admitiu aos policiais que atuava como operador de drone, realizando o mapeamento do terreno para orientar os traficantes que participavam da invasão. A função era considerada estratégica pela própria acusação. De acordo com o Ministério Público, o equipamento era utilizado para obter informações sobre o território e favorecer a movimentação dos criminosos durante a tentativa de retomada da comunidade. A dimensão militar da ação ficou ainda mais evidente com o arsenal encontrado pelos policiais em um terreno abandonado: um fuzil calibre 5,56 mm, uma pistola 9 mm com numeração suprimida, cinco granadas, além de um lançador de granada adaptado para drone e um carregador de drone. O Ministério Público classificou o episódio como um cenário de “guerra urbana” entre TCP e CV e destacou que o operador de drone exercia uma função técnica e estratégica dentro da organização criminosa. Ou seja, em julho, o drone aparece como uma ferramenta de inteligência, reconhecimento e preparação da ofensiva territorial. Um mês depois, drone passa do reconhecimento ao ataque Em agosto, uma nova operação policial em Vargem Grande revelou uma utilização ainda mais agressiva da tecnologia. Na madrugada do dia 12 de agosto, policiais militares realizaram uma operação na comunidade Pombo Sem Asa após identificarem o uso de um drone para transportar explosivos e realizar ataques contra a comunidade e forças de segurança. Segundo as informações divulgadas sobre a operação, dois criminosos foram presos e os policiais conseguiram rastrear o drone até uma cobertura alugada, apontada como ponto de controle do equipamento. Um dos momentos mais graves da ação ocorreu quando um blindado da Polícia Militar foi alvo de explosões provocadas pelos criminosos. Além das prisões, o drone utilizado na ação e materiais explosivos foram apreendidos. O caso passou a ser investigado pela 42ª Delegacia de Polícia, que busca identificar outros integrantes do grupo responsável pela utilização do equipamento. Dois episódios, uma mesma guerra Os dois casos, embora tenham ocorrido em momentos distintos, revelam uma evolução preocupante no emprego dos drones por criminosos em Vargem Grande. Em julho, o equipamento era utilizado para observar e mapear o território que seria alvo de uma invasão do TCP. Em agosto, um drone foi empregado para transportar explosivos e realizar ataques. A sequência chama atenção porque demonstra que a tecnologia passou a integrar diferentes etapas das ações criminosas: da coleta de informações sobre o território até operações ofensivas. O primeiro episódio também mostra que os drones já estavam incorporados ao aparato de guerra empregado na disputa entre TCP e CV. O segundo indica que a tecnologia passou a ser utilizada diretamente contra forças de segurança, aumentando o alcance dos ataques e permitindo que explosivos fossem transportados por via aérea. Os casos ainda têm outro ponto em comum: a comunidade Pombo Sem Asa, em Vargem Grande, cenário de confrontos e disputa territorial. A utilização de drones, portanto, deixa de aparecer como um recurso pontual e passa a fazer parte do próprio cenário de guerra entre grupos criminosos na região. As investigações deverão esclarecer se os episódios estão relacionados à mesma estrutura criminosa e qual é a extensão da utilização desses equipamentos pelas facções que disputam o território.

Do assalto à mão armada na Dutra ao roubo a estudante que chocou a Baixada: criminoso é preso novamente

Preso nesta terça-feira (11) pela Polícia Civil por suspeita de roubar o celular de uma adolescente em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Alison da Cruz Santana Aleixo já tinha um histórico de envolvimento em outro roubo praticado com violência e grave ameaça. Em junho de 2023, Alison foi preso em flagrante minutos depois de um assalto ocorrido na Rodovia Presidente Dutra, em São João de Meriti. Segundo a decisão judicial que analisou o caso, o crime aconteceu no dia 16 de junho daquele ano, por volta das 20h20, na altura do Shopping Vida, no sentido São Paulo. Na ocasião, ele e um comparsa, segundo a denúncia, abordaram o proprietário de uma motocicleta e subtraíram o veículo mediante grave ameaça com emprego de arma de fogo. A vítima também teve o celular e outros pertences levados. Ou seja, o episódio de 2023 já apresentava uma dinâmica de violência semelhante à que voltou a aparecer no caso que viralizou agora: a vítima foi abordada e teve seus bens tomados mediante ameaça. Preso minutos depois O roubo de 2023 teve uma particularidade: Alison acabou capturado poucos minutos depois. Policiais militares que patrulhavam a região de Vila Rosali avistaram dois motociclistas e iniciaram uma perseguição. Um deles conseguiu fugir, mas Alison caiu da motocicleta e foi preso nas proximidades do 21º Batalhão de Polícia Militar. De acordo com os autos, durante a abordagem ele informou aos policiais que havia participado do roubo da motocicleta na Dutra. Levado para a delegacia, foi reconhecido pelo proprietário do veículo, que afirmou não ter dúvidas de que Alison era um dos autores do assalto. A vítima também relatou que uma pistola havia sido utilizada na ação. A prisão em flagrante foi posteriormente convertida em preventiva. Alison passou a responder por roubo majorado. Ele admitiu participação no roubo Durante o processo, Alison admitiu perante a Justiça que participou do roubo da motocicleta, embora tenha negado que estivesse armado. Em seu interrogatório, afirmou que estava acompanhado de um homem conhecido como “Cebola” e que o comparsa teria retirado o celular e o capacete da vítima. Alison sustentou que apenas pegou a motocicleta e que não teria mostrado uma arma à vítima. Também declarou que foi preso aproximadamente 15 minutos depois do crime. A versão apresentada pela defesa, porém, não afastou a acusação. A Justiça considerou que o conjunto de provas era suficiente, destacando o reconhecimento feito pela vítima, os depoimentos dos policiais e a própria confissão parcial de Alison. Três anos depois, novo roubo violento Agora, em 2026, Alison voltou ao radar da polícia após o roubo que ganhou grande repercussão nas redes sociais. Segundo a investigação da 59ª DP, ele abordou violentamente uma adolescente em Duque de Caxias e tomou seu celular. Imagens da ação mostram a jovem sendo pressionada durante o crime e implorando para que o aparelho não fosse levado. A polícia iniciou as buscas depois que as imagens começaram a circular. Durante a investigação, chegou a aparecer nas redes sociais a fotografia de um homem inocente apontado equivocadamente como autor do crime. Os investigadores constataram que as imagens haviam sido manipuladas por inteligência artificial e prosseguiram na busca pelo verdadeiro suspeito. Com o avanço das diligências e o cerco policial se fechando, Alison acabou se apresentando na delegacia acompanhado por familiares. Ele foi preso por roubo majorado. Antes da prisão, um ajudante de caminhão foi injustamente apontado como autor do assalto após uma imagem produzida com inteligência artificial circular nas redes sociais. Ele procurou a delegacia e comprovou que estava trabalhando no momento do crime. A Polícia Civil alertou para os riscos da manipulação de imagens por IA, que pode levar inocentes a serem confundidos com criminosos.  O novo caso, portanto, coloca novamente diante das autoridades um suspeito que já havia sido preso por um roubo cometido com grave ameaça e emprego de arma de fogo em 2023 e que agora volta a ser investigado por outro assalto marcado pela violência contra uma vítima.

Comando Vermelho amplia território e infiltração chega a Ubatuba (SP), aponta investigação

Uma investigação da Polícia Civil de São Paulo aponta para a infiltração do Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do Rio de Janeiro, na região norte de Ubatuba, no litoral paulista, especialmente no bairro de Camburi, localizado próximo à divisa com o Estado do Rio de Janeiro. Segundo os documentos que integram a investigação, a facção carioca teria estabelecido conexões na região e passado a atuar em meio à disputa pelo controle de pontos de venda de drogas. A apuração identificou um grupo de pessoas que, segundo os investigadores, estaria associado à organização criminosa. Os nomes dos envolvidos não serão divulgados nesta reportagem. Duplo homicídio teria relação com disputa pelo tráfico Um dos episódios investigados pelas autoridades é um duplo homicídio ocorrido em 10 de dezembro de 2025, antes da operação que posteriormente seria realizada em Camburi. De acordo com o relatório policial, os assassinatos estariam relacionados justamente à disputa pelo controle de pontos de drogas na região. A investigação aponta que uma das pessoas investigadas teria recorrido a integrantes do Comando Vermelho para realizar uma emboscada contra dois integrantes de uma facção rival. O ataque teria sido executado com o uso de uma Fiat Fiorino branca, que acabou atingida por disparos e posteriormente apreendida. O episódio é apontado nos autos como um dos elementos que ajudaram a polícia a identificar a atuação de integrantes ligados à facção carioca em Ubatuba. A partir dessas informações, os investigadores passaram a reunir elementos sobre a presença do grupo criminoso na região e sobre possíveis vínculos entre os envolvidos. Facção carioca teria avançado para o litoral paulista A investigação chama atenção porque revela uma possível expansão da atuação de uma organização criminosa originária do Rio de Janeiro para uma área estratégica do litoral de São Paulo. Camburi fica no extremo norte de Ubatuba, próximo à divisa entre os dois estados, uma localização que, segundo os elementos reunidos no procedimento, teria importância na movimentação de criminosos e na disputa por mercados locais de drogas. O relatório policial descreve a existência de integrantes que manteriam atuação coordenada na região e aponta para uma estrutura que não estaria restrita a episódios isolados de tráfico. A hipótese investigativa é de que integrantes ligados ao Comando Vermelho teriam sido acionados para participar de ações criminosas em território paulista, inclusive em conflitos contra grupos rivais. Operação foi realizada para atingir grupo investigado Com base nas informações reunidas durante a investigação, a Polícia Civil representou pela realização de buscas em diferentes endereços relacionados aos investigados. Entre os locais indicados estavam imóveis residenciais, um quiosque e um camping. O Ministério Público se manifestou favoravelmente às medidas e a Justiça autorizou as buscas. Foi durante o cumprimento dessas diligências, entretanto, que surgiram as principais controvérsias que hoje são discutidas no processo. A defesa de um dos acusados sustenta que a operação teria extrapolado os limites da autorização judicial e questiona a forma como determinados locais e veículos foram abordados. Confusão envolvendo duas Fiorinos Um dos principais pontos de discussão é justamente o veículo utilizado no homicídio. Segundo a defesa, a Fiorino branca relacionada ao ataque de dezembro de 2025 já havia sido apreendida. O veículo encontrado posteriormente durante a operação seria outro, também uma Fiorino branca, mas com características distintas. A defesa sustenta que teria ocorrido uma confusão entre os dois veículos e que essa semelhança acabou contribuindo para que a segunda Fiorino fosse incluída na diligência. Também é questionada a existência de autorização específica para uma busca veicular. Camping não constaria da ordem judicial, diz defesa Outro ponto controverso envolve o endereço onde parte da operação ocorreu. A defesa afirma que os policiais ingressaram no Camping Jambalaia, embora esse endereço não constasse da decisão judicial que autorizou as buscas. O camping mencionado na ordem seria outro estabelecimento, relacionado a um dos investigados. A versão apresentada pelo Ministério Público, entretanto, descreve que policiais teriam avistado uma das pessoas investigadas no camping e que ela teria fugido em direção ao matagal. A defesa contesta essa narrativa e afirma que o local onde a abordagem ocorreu não estava entre os endereços autorizados. Depoimentos apresentam divergências Os depoimentos prestados em juízo também passaram a ser utilizados pela defesa para questionar a legalidade da operação. Um policial militar afirmou que o briefing anterior à ação foi superficial e que não chegou a ver o mandado judicial. Outro agente declarou que as equipes ingressaram simultaneamente no local e admitiu não conseguir afirmar se o endereço do camping constava da ordem. Também houve divergência quanto à suposta fuga de uma das investigadas. Um dos policiais afirmou que não conseguiu identificar a pessoa que correu. Segundo o depoimento, não foi possível observar características físicas, roupas ou outros elementos que permitissem confirmar sua identidade. Testemunha apresenta versão diferente sobre droga A apreensão de drogas também é contestada. Uma testemunha que estava hospedada no camping afirmou em juízo que a Fiorino teria sido inicialmente revistada pelos policiais e que nada havia sido encontrado. Segundo o relato, posteriormente um policial teria ido até uma viatura, retirado de seu porta-malas um tablete de aproximadamente um quilo e entrado atrás de uma barraca. Quando retornou, ainda segundo a testemunha, carregava o objeto. O cão farejador teria sido acionado somente posteriormente. A versão da testemunha é considerada pela defesa um dos principais elementos para contestar a narrativa apresentada pelos policiais. Investigação e operação agora são questionadas judicialmente Apesar das controvérsias sobre a execução da operação, a investigação policial que deu origem às medidas apresenta como um de seus principais elementos a suspeita de atuação do Comando Vermelho em Ubatuba e de participação de integrantes ligados à facção em conflitos pelo controle do tráfico local. O duplo homicídio de dezembro de 2025 aparece nesse contexto como um dos episódios investigados e teria sido relacionado à disputa entre grupos criminosos rivais. A defesa, por outro lado, concentra seus argumentos nas circunstâncias da operação realizada posteriormente e sustenta que parte das provas teria sido obtida mediante ingresso em endereço não autorizado, buscas sem fundamentação específica e

TCP SOB PRESSÃO: facção perde territórios para o CV, contra-ataca e tenta reconstruir seu mapa de poder no Rio

O Terceiro Comando Puro (TCP) atravessa um dos períodos mais turbulentos de sua história recente no Rio de Janeiro. Desde 2025, a facção perdeu territórios importantes para o Comando Vermelho (CV), passou a enfrentar novas ofensivas em áreas consideradas estratégicas e, paralelamente, iniciou uma série de contra-ataques para recuperar espaços e impedir o avanço rival. O resultado é um cenário de disputas territoriais simultâneas, com confrontos em diferentes regiões da capital e também em Niterói, enquanto o grupo mantém sob seu domínio alguns de seus principais complexos. 1. 2025: o ano em que o TCP começou a perder terreno Depois de anos de confrontos, o TCP perdeu para o Comando Vermelho o controle do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, na Zona Norte. A derrota não foi isolada. A facção também deixou de controlar os morros do Fubá e do Campinho, que passaram para o domínio do CV. As perdas atingiram áreas importantes do mapa criminal da cidade e aumentaram a pressão sobre o TCP, que passou a adotar uma postura mais ofensiva em outras regiões para tentar recuperar espaço. 2. Juramento virou uma das principais frentes de batalha Uma das disputas mais persistentes ocorre no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho. O TCP vem tentando tomar a comunidade do CV e, segundo relatos, chegou a conseguir entrar no território em algumas ocasiões. O problema, porém, seria a dificuldade de manter homens no local de forma permanente. A disputa transformou o Juramento em uma das principais frentes de confronto entre as duas facções. À frente de parte dessa ofensiva está Walace de Brito Trindade, o Lacoste, apontado como chefe do Complexo da Serrinha, em Madureira. 3. Cordovil e Brás de Pina: uma guerra marcada por avanços e recuos Outra frente de conflito surgiu recentemente em Cordovil e Brás de Pina. O TCP conseguiu tomar do CV os morros do Dourado e da Tinta, mas posteriormente perdeu as áreas e voltou a recuperá-las. A disputa, entretanto, permanece aberta. Os confrontos nessa região ganharam um componente particularmente perigoso: o uso de drones para lançar granadas, com episódios que já deixaram moradores inocentes feridos. A escalada colocou essas comunidades entre os principais pontos de tensão da guerra entre as duas facções. 4. Jardim América também entrou no mapa da guerra O TCP também passou a enfrentar o CV no Jardim América, ampliando o número de frentes de confronto simultâneas. A multiplicação das disputas mostra que a guerra deixou de estar concentrada em poucos territórios e passou a envolver diferentes áreas da Zona Norte e da Zona Oeste. 5. Tijuca: territórios do TCP estão sob pressão Se existe uma região especialmente problemática para o TCP atualmente, é a Tijuca. Os morros da Casa Branca, Cruz e Chácara do Céu vêm sendo alvos constantes de ataques do CV. A violência chegou diretamente aos moradores. Nos morros Cruz e Chácara do Céu, mãe e filha foram feridas por granadas lançadas de drones durante os confrontos. Em meio aos ataques, criminosos ligados ao TCP também conseguiram matar um rival, apreender um fuzil atribuído ao CV e divulgar imagens nas redes sociais em tom de provocação. A violência foi tanta que os bandidos exibiram um video do suposto inimigo morto com o rosto completamente desfigurado e qie teria tido o corpo queimado. 6. Costa Barros e Barros Filho: outra área de risco O avanço do CV também atingiu territórios ligados ao TCP em Costa Barros e Barros Filho. A facção chegou a perder o controle do Morro do Chaves e do Bairro 13, no Complexo da Pedreira. A região se tornou mais um ponto de pressão sobre o grupo, que precisa administrar simultaneamente territórios ameaçados e novas tentativas de expansão. Operações policiais têm provocado resistência na região com traficantes espalhando caos pelas ruas. 7. Niterói: TCP tenta recuperar áreas perdidas A guerra não está restrita à capital. Em Niterói, o TCP se envolveu em uma intensa disputa pelo controle do Fonsequistão, região que esteve sob domínio da facção durante anos. O grupo conseguiu recuperar algumas áreas, mas a disputa demonstra que o cenário de instabilidade territorial também se espalhou para outros municípios da Região Metropolitana. Na Baixada, o TCP teria sido alijado de São João de Meriti e enfrentou golpes que resultaram em perdas e disputas por territórios com o CV em Belford Roxo. 8. Vargem Grande: uma derrota provocada por uma mudança de lado Outra perda recente ocorreu em Vargem Grande, na Zona Sudoeste do Rio. Uma mudança brusca no equilíbrio entre os grupos criminosos provocou a perda dos redutos que estavam sob influência do TCP, que acabaram passando para o CV. O episódio representa mais uma redução da presença territorial da facção na capital. 9. Aliança com milicianos amplia o campo de batalha Pressionado pelo avanço do CV, o TCP também passou a estabelecer alianças com grupos de milícia. Essa aproximação colocou a facção em disputas pelo controle de áreas da Zona Oeste, especialmente em regiões como Rio das Pedras e Curicica, em Jacarepaguá. O fenômeno tornou o mapa criminal ainda mais complexo, com alianças circunstanciais e inimigos que podem variar de acordo com o território. 10. Peixão: uma das principais lideranças do TCP Entre as principais figuras do TCP está Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como liderança do Complexo de Israel. Depois de passar um período escondido na Bolívia, Peixão retornou ao Rio de Janeiro. Pouco depois, a região sob sua influência passou a ser palco de uma nova frente de guerra contra o CV, especialmente em Cordovil. 11. Lacoste e a pressão sobre o Juramento Outra liderança de destaque é Walace de Brito Trindade, o Lacoste, apontado como comandante do Complexo da Serrinha, em Madureira. Seu nome aparece associado às ofensivas contra o CV no Juramento, uma das áreas onde o TCP tenta ampliar novamente sua presença territorial. 12. Apesar das perdas, TCP ainda controla grandes complexos O avanço do CV não significa que o TCP esteja próximo de desaparecer do mapa criminal do Rio. A facção ainda mantém o

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