CATIVEIRO, SEQUESTROS E SENHAS BANCÁRIAS: DENÚNCIA EXPÕE A ENGENHARIA DE MAIS CRIMES COMETIDOS PELO CV
Uma investigação da Delegacia Antissequestro (DAS) revelou detalhes de uma estrutura criminosa ligada ao Comando Vermelho que, segundo o Ministério Público, teria se especializado em sequestros e extorsões mediante privação da liberdade de vítimas, utilizando um imóvel no Rio Comprido como cativeiro e contando com diferentes integrantes para executar as ações. Os detalhes estão em uma denúncia apresentada pelo Ministério Público contra 16 investigados, em processo que tramita na Justiça de Duque de Caxias. A acusação descreve uma estrutura com atuação nas comunidades Paula Ramos e Turano, no Rio Comprido, e aponta que um imóvel localizado na Rua Santa Alexandrina, nº 1568, teria sido utilizado reiteradamente como cativeiro em diferentes crimes de extorsão mediante sequestro. A investigação ganhou novo capítulo nesta sexta-feira (14/08), com a deflagração da segunda fase da Operação Argus, realizada pela 59ª DP (Duque de Caxias) e pela Delegacia Antissequestro. A operação busca justamente aprofundar as investigações contra uma organização suspeita de envolvimento em cárcere privado, extorsão e lavagem de dinheiro. Mas é a investigação judicial que revela como os crimes teriam sido praticados. Sequestro de Altamiro terminou com resgate no mesmo dia Um dos principais episódios descritos na denúncia aconteceu em 27 de abril de 2026. Segundo o Ministério Público, por volta das 8h30, no Jardim Olavo Bilac, em Duque de Caxias, integrantes do grupo, agindo em conjunto e com divisão de tarefas, teriam sequestrado Altamiro da Costa Nunes. A vítima teria sido retirada do local e levada para o imóvel da Rua Santa Alexandrina, no Rio Comprido, apontado pela investigação como cativeiro. Altamiro permaneceu privado da liberdade no imóvel até ser localizado e resgatado por policiais da Delegacia Antissequestro ainda naquele mesmo dia. A acusação sustenta que o episódio não deve ser analisado isoladamente. Para o Ministério Público, o sequestro de Altamiro faria parte de uma sequência de crimes atribuída à mesma estrutura, envolvendo também as vítimas Segundo a denúncia, os episódios apresentavam elementos em comum: utilização do mesmo cativeiro, meios logísticos semelhantes e participação de parte dos mesmos executores. Caso de Etson aparece como uma das conexões da investigação A denúncia utiliza o episódio envolvendo uma das vítimas para sustentar a existência de uma estrutura criminosa que já vinha atuando antes do sequestro de Altamiro. Embora a decisão judicial apresentada no processo não reproduza integralmente todos os detalhes do sequestro de Etson, ela registra um elemento considerado relevante pela investigação. Érick Ribeiro de Azeredo Geraldo teria sido reconhecido por Etson como um dos envolvidos naquele episódio anterior. Segundo os elementos apresentados ao Judiciário, Érick seria ainda o homem que, utilizando uma identidade falsa, teria participado da locação do imóvel que posteriormente passou a ser utilizado como cativeiro. Essa informação foi utilizada pelo Ministério Público para estabelecer uma conexão entre o crime anterior, o imóvel do Rio Comprido e o sequestro de Altamiro. A Justiça considerou esse elemento relevante juntamente com a perícia realizada no veículo usado no arrebatamento da vítima. Sequestro de Luciana também aparece no contexto Outro episódio citado na investigação envolve o sequestro de uma mulher chamada Luciana Segundo a denúncia, o caso de Luciana também estaria relacionado à mesma estrutura criminosa. O Ministério Público apontou que parte dos investigados aparecia relacionada a esse episódio, inclusive por meio do recebimento de valores provenientes do sequestro. A Justiça, porém, fez uma distinção importante. Embora o caso de Luciana tenha sido considerado relevante para o contexto geral da investigação, a magistrada entendeu que a simples participação ou recebimento de valores relacionados àquele episódio não era suficiente para demonstrar que determinados investigados também haviam participado do sequestro de Altamiro. Por esse motivo, a denúncia foi rejeitada em relação a vários dos acusados. Ou seja, a decisão judicial reconheceu a existência de elementos indicando uma possível conexão entre os diferentes episódios, mas exigiu provas concretas para vincular individualmente cada investigado ao crime de Altamiro. Carro usado no sequestro acabou entregando suspeitos Um dos elementos mais importantes da investigação foi encontrado no Fiat Siena utilizado para o arrebatamento de Altamiro. Laudos papiloscópicos identificaram impressões digitais compatíveis com os dados de Érick Ribeiro de Azeredo Geraldo, Alex de Oliveira Nascimento, Anderson Viana, Caio Chaves Oliveira Vilas Boas e Luiz Henrique de Souza Rangel Gomes em vestígios recolhidos no veículo. No caso de Juarez Italo Paiva Neto, a perícia encontrou impressão digital compatível em vestígio localizado dentro do imóvel apontado como cativeiro. Assim, segundo a decisão judicial, cinco investigados foram tecnicamente vinculados ao veículo usado na ação e um deles ao próprio imóvel onde a vítima teria sido mantida. Esses elementos foram considerados suficientes, nessa fase do processo, para que a Justiça recebesse a denúncia contra os seis. Érick tinha ligação com o cativeiro e com outro sequestro A situação de Érick chamou particularmente a atenção da investigação. Além da impressão papilar encontrada no veículo usado no sequestro de Altamiro, ele teria sido reconhecido anteriormente por Etson. A investigação apontou ainda que Érick teria utilizado identidade falsa para participar da locação do imóvel da Rua Santa Alexandrina. O imóvel acabou se tornando um dos principais elementos físicos da investigação, por ser apontado como o local utilizado para manter vítimas em cárcere. A combinação desses elementos — reconhecimento anterior, suposta participação na locação do imóvel e vestígio papiloscópico no carro usado no novo sequestro — foi considerada suficiente pela Justiça para sustentar, nesta fase, os indícios de autoria. Justiça não aceitou denúncia contra todos os 16 Apesar de o Ministério Público ter denunciado 16 pessoas, a Justiça não recebeu integralmente a acusação. A denúncia foi rejeitada em relação a Márcio Gomes de Medeiros Roque, Alexandre Felicio Nascimento, Cauã Victor Ribeiro de Azeredo, Anderson Luiz da Silva, Marlon da Silva Duarte, Maria Luiza Gomes de Souza do Nascimento, Stefania da Silva Bastos, Kayk da Silva Barreto, William França de Sousa e Carlos Daniel de Carvalho Sousa. No caso de Márcio, por exemplo, a acusação se baseava essencialmente na suposta liderança exercida na comunidade, na alegada ligação com o tráfico de drogas e na apreensão de um rádio comunicador. Para a








