Leia agora os detalhes do homicídio de Maya Costa Cypriano, de apenas 1 ano e 9 meses, ocorrido nesta semana na comunidade do Quiririm, em Vila Valqueire, Zona Oeste do Rio. O padrasto da criança foi preso como principal suspeito do crime. A menina era filha da namorada dele. Confissão do suspeito Em depoimento, o acusado admitiu que estava sozinho com a criança momentos antes do ocorrido e confessou as agressões. Ele relatou que Maya tinha o hábito de chorar com frequência, o que o irritava. Disse que, no dia da morte, acordou com a menina chorando alto e tentou acalmá-la. Colocou a criança sentada na cama, mas, ao perceber a ausência da mãe, Maya entrou em desespero e passou a chorar de forma incontrolável. Segundo seu relato, sem saber o que fazer, colocou a menina no berço e desferiu dois socos violentos na região abdominal, fazendo com que o choro cessasse. Após isso, a criança dormiu por cerca de 30 minutos. Ao acordar, Maya já apresentava sinais graves: estava suando frio, gelada, defecando bastante, aparentando desmaiar. Nesse momento, o suspeito disse que entrou em desespero, mas, ainda assim, limitou-se a gravar um vídeo e enviar para a mãe da criança. Ele afirmou que, mesmo percebendo a gravidade da situação, não prestou socorro imediato e chegou a dizer que não iria limpar a criança. Após enviar o vídeo, recebeu a resposta da mãe: “Estou chegando”. O acusado declarou que omitiu os fatos inicialmente por estar nervoso e assustado. Apesar de confessar o homicídio, negou ter agredido anteriormente ou praticado violência sexual contra a vítima. Dinâmica do ocorrido Segundo os autos, após as agressões, a criança acordou em estado crítico. O suspeito enviou um vídeo à mãe mostrando a situação, mas não tomou providências imediatas. Somente após a chegada da genitora é que a criança foi levada à UPA de Campinho. A mãe saiu de casa desesperada, descendo a escadaria com a filha no colo, gritando por socorro, quando encontrou um motoboy, que a ajudou no deslocamento até a unidade de saúde. Ela relatou que chegou à UPA gritando “Me ajuda, me ajuda, minha filha”, quando um homem desconhecido pegou a criança em seus braços e correu para a emergência. Atendimento médico Um médico que atendeu Maya relatou que a criança foi levada diretamente para a sala vermelha. Ao iniciar o atendimento, constatou que ela estava sem respiração espontânea, sem batimentos cardíacos, com pupilas midriáticas. Mesmo diante do quadro, foram iniciadas manobras de reanimação cardiopulmonar, com acesso jugular periférico, administração de adrenalina a cada cinco minutos (duas vezes), entubação orotraqueal e ventilação com bolsa-válvula-máscara com oxigênio a 100%. Após 40 minutos de tentativas, o óbito foi declarado. Constatação de agressões e violência sexual Após a morte, foi realizada inspeção no corpo da criança. Ao retirar suas roupas, o médico identificou equimoses na região abdominal. Durante o exame da região genital, foi observado que o ânus apresentava abertura e dilatação fora do normal, com apagamento das pregas anais, embora não houvesse sangue, cortes ou fissuras perianais. Diante da situação, foi acionada a assistente social da unidade, que comunicou o caso à polícia e ao IML. O laudo de necropsia confirmou lesões graves, apontando laceração de fígado com área de contusão hepática, laceração completa do pâncreas e estabelecendo como causa da morte o hemoperitônio (hemorragia interna). Versão da mãe A mãe relatou que a filha acordou com o corpo mole, tossindo, sem febre, estava tomando o medicamento Alegra, queria dormir novamente, apresentava fezes amolecidas e parecia desfalecer. Disse que, ao perceber o agravamento, ficou desesperada e decidiu levá-la à UPA. Ela também afirmou que já havia procurado atendimento anteriormente na mesma unidade, mas que não foram realizados exames como sangue ou raio-X, nem procedimentos mais aprofundados. Relatou que foi impedida de entrar na sala de atendimento e aguardou no corredor. Posteriormente, a assistente social informou que a criança havia falecido, momento em que entrou em desespero. Omissões e contradições A mãe admitiu que, após a morte, foi levada à delegacia e mentiu, omitindo diversos fatos. Disse que, ao ser informada da possibilidade de estupro, decidiu mentir para tentar descobrir a verdade pelo companheiro. Ela apagou mensagens trocadas com o suspeito, incluindo um vídeo em que Maya ainda aparecia viva, mas em estado grave, com a barriga muito vermelha e aparentando desmaiar. Em outro vídeo, a criança aparecia se defecando. O suspeito também apagou conteúdos de seu celular. Relatos sobre comportamento do suspeito A mãe afirmou que Maya era muito apegada a ela e não gostava do padrasto, tendo medo dele, embora acreditasse que fosse “coisa de criança”. Disse que já houve episódios em que a menina ficou sozinha com o homem e apareceu machucada, mas ele alegava quedas. Em uma ocasião, Maya apareceu com diversas marcas roxas, que foram atribuídas a uma possível dengue, apesar de não apresentar outros sintomas. Segundo a mãe, o suspeito dizia que queria mais o respeito da criança do que o amor. Ele teria tido uma criação difícil e é filho de um homem preso por homicídio. Ela também relatou que o companheiro via a criança como um incômodo, pois queria ficar com ela (mãe), mas Maya era muito grudada. O acusado desejava ter um filho com a mãe da menina, mas ela utilizava método contraceptivo, o que o deixava irritado. O fato de Maya ser filha de outro homem também o incomodava. Dias anteriores ao crime A mãe contou que, no dia anterior, Maya estava normal e foi à creche. Depois, ficou na casa de uma amiga da mãe. Nesse dia, o suspeito buscou a criança, que chorou muito ao vê-lo e não queria ir com ele, mas acabou indo. Durante a noite, a mãe ouviu a criança tossir, mas considerou normal. No dia da morte, o suspeito ligou dizendo que a menina estava passando mal e pediu que ela voltasse para casa, afirmando que a criança estava se defecando e que não iria limpá-la. Contradições do suspeito O homem inicialmente afirmou que a mãe estava