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Author name: Mario Hugo Monken

Sou redator com 25 anos de experiência em investigação policial, formado em Jornalismo. Ao longo da carreira, desenvolvi um olhar apurado para apurar e contar histórias complexas, com foco em detalhes e precisão. Minha paixão pela investigação e pela escrita me permite desvendar narrativas profundas, oferecendo ao leitor informações relevantes e impactantes sobre o universo da segurança pública.

Mario Hugo Monken

CV LEVOU DRONE PARA A GUERRA: POLÍCIA REVELA MONITORAMENTO AÉREO DURANTE INVASÃO EM BELFORD ROXO

A Polícia Militar confirmou em depoimentos prestados à Justiça que traficantes do Comando Vermelho (CV) utilizaram um drone para monitorar uma operação de invasão territorial em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O equipamento foi encontrado por policiais durante uma ação desencadeada após a corporação receber informações de que criminosos da facção pretendiam invadir a comunidade de São Leopoldo, área do Terceiro Comando Puro. . Os detalhes constam de uma decisão judicial que manteve a condenação de dois acusados de associação para o tráfico e posse ilegal de arma de fogo. Os depoimentos dos policiais revelam como a informação sobre a invasão chegou à corporação, como o drone foi localizado e o que os agentes encontraram no ponto utilizado pelos criminosos para acompanhar a movimentação. Segundo os relatos registrados no processo, a inteligência policial recebeu inicialmente a informação de que traficantes do Comando Vermelho fariam uma invasão na comunidade do São Leopoldo. A equipe foi deslocada para a região e conseguiu prender quatro suspeitos armados na entrada da comunidade. Quando os policiais já deixavam o local para conduzir os presos à delegacia, receberam uma nova informação: a ação dos criminosos estaria sendo monitorada por um drone. Foi então que a equipe retornou à região. Policiais encontram grupo escondido em construção abandonada De acordo com um dos policiais ouvidos pela Justiça, os agentes chegaram a uma área de mata e encontraram quatro homens reunidos em uma construção abandonada. Ao perceberem a aproximação da viatura, os suspeitos correram em diferentes direções. Os policiais dividiram a equipe e partiram atrás deles. Um dos agentes relatou que conseguiu alcançar um dos homens enquanto outro policial perseguiu outro suspeito. Quando retornaram ao ponto onde o grupo estava reunido, encontraram duas pistolas e o drone. O equipamento estava no mesmo local onde os criminosos haviam sido vistos sentados. Um dos policiais afirmou ainda que havia um homem responsável pelo controle do drone, mas ele conseguiu fugir. A construção ficava em uma área de mata, no final de uma rua de terra, depois da qual havia apenas trilhas. Drone era usado para monitorar a movimentação Outro policial confirmou à Justiça a sequência da ocorrência. Segundo ele, a equipe recebeu informações do setor de inteligência de que traficantes do Comando Vermelho iriam invadir a comunidade do São Leopoldo. Depois da prisão dos primeiros quatro suspeitos, os policiais receberam a informação de que a atividade estava sendo monitorada por um drone. A equipe voltou à região e encontrou novamente quatro homens, que fugiram quando perceberam a presença da viatura. Dois foram alcançados pelos policiais. No local onde estavam reunidos foram encontradas duas pistolas e o aparelho utilizado para monitoramento aéreo. As armas estavam municiadas. Armas e drone foram encontrados juntos A Justiça considerou relevantes as circunstâncias da apreensão. Os acusados estavam reunidos em uma construção abandonada situada em uma área de mata, enquanto o drone era utilizado para acompanhar a movimentação no entorno. Uma das armas apreendidas apresentava numeração suprimida. A decisão também registra que os armamentos eram pistolas calibre 9mm. Para a acusação, a combinação entre armas de fogo, reunião de integrantes de uma facção em uma área de conflito territorial e utilização de tecnologia para monitoramento demonstrava que não se tratava de uma reunião ocasional. O Ministério Público sustentou que o equipamento era utilizado como parte da logística da facção para monitorar o território e antecipar a movimentação de rivais e das forças de segurança. Justiça vê estrutura de guerra territorial Ao analisar o caso, a acusação destacou a utilização do drone como elemento que demonstraria a sofisticação da atuação criminosa. Segundo a fundamentação apresentada no processo, o equipamento permitia o monitoramento territorial durante uma disputa entre facções, funcionando como uma espécie de vigilância aérea para apoiar a movimentação dos criminosos. A utilização do drone foi considerada um elemento adicional para demonstrar a existência de uma associação estável voltada ao tráfico. A acusação sustentou que os réus não estavam simplesmente reunidos no local, mas integravam uma estrutura organizada, com divisão de tarefas e utilização de armas e tecnologia para atuação em uma área de conflito entre grupos criminosos. Condenados em regime fechado Os dois acusados foram condenados pelo crime de associação para o tráfico, com a incidência da causa de aumento prevista na Lei de Drogas em razão do emprego de arma de fogo. Um deles recebeu pena de 4 anos e 8 meses de reclusão, em regime fechado, além de 1.088 dias-multa. O outro foi condenado a 5 anos e 4 meses de reclusão, também em regime fechado, além de 1.244 dias-multa. A defesa recorreu pedindo a absolvição dos dois ou, alternativamente, a retirada da causa de aumento pelo uso de arma, redução das penas e mudança do regime inicial para o semiaberto. O recurso, porém, não foi acolhido. Ao manter as condenações, a Justiça considerou que os depoimentos dos policiais eram coerentes entre si e estavam apoiados pelos demais elementos de prova, incluindo o auto de apreensão e o laudo das armas e munições. A decisão também destacou o contexto de “guerra de facções” e invasão territorial, além da utilização do drone como instrumento de monitoramento. O caso revela como a tecnologia passou a integrar a logística das disputas territoriais entre organizações criminosas na Baixada Fluminense: enquanto homens armados se preparavam para uma invasão, outro integrante utilizava um drone para acompanhar a movimentação da área e aumentar a capacidade de vigilância do grupo.

Dados de CACs foram usados para abastecer esquema de tráfico de armas para facções no Rio

Dados e certificados de registro de atiradores e colecionadores de armas (CACs) foram utilizados de forma fraudulenta para a compra de armas e munições que, segundo a investigação da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), acabaram inseridas em um esquema de abastecimento de organizações criminosas no Rio de Janeiro. A Polícia Civil concluiu a investigação sobre o grupo especializado na compra, montagem e comercialização ilegal de armas de fogo, munições e acessórios para organizações criminosas. Uma decisão da Justiça, porém, detalhou as diligências que foram consideradas essenciais para que a polícia pudesse esclarecer completamente a atuação do grupo, identificar os demais envolvidos e chegar aos destinatários finais do armamento. Entre as providências apontadas pela Justiça estão a perícia e extração dos dados de três celulares, três HDs e um tablet apreendidos com os investigados, a identificação e oitiva de outros integrantes da associação criminosa e o depoimento dos CACs cujos dados foram utilizados nas compras fraudulentas. A decisão também destaca a necessidade de descobrir quem eram os integrantes responsáveis pelo recebimento final das armas. O juiz Gustavo Gomes Kalil, do 1º Juízo das Garantias da Comarca da Capital, considerou que essas diligências eram indispensáveis para o aprofundamento da apuração e prorrogou por 30 dias a prisão temporária de dois investigados. Perícia nos celulares deveria revelar a estrutura do grupo De acordo com a decisão judicial, a análise dos três celulares, três HDs e um tablet apreendidos deveria permitir aos investigadores identificar outros coautores, mapear a estrutura da associação criminosa e descobrir o destino final do armamento comercializado. A polícia também deveria identificar e ouvir os demais integrantes do grupo. A Justiça apontou que essa medida era necessária porque os investigados poderiam, caso fossem colocados em liberdade, alertar comparsas ainda não localizados e comprometer a obtenção de provas. Outro ponto determinado na apuração era a oitiva dos CACs que tiveram seus documentos utilizados. Os investigadores deveriam esclarecer como os dados e certificados de registro dessas pessoas foram utilizados para viabilizar as compras e se os titulares dos registros tinham conhecimento das operações. Investigação identificou compra de mais de 10 mil munições A investigação durou aproximadamente cinco meses e identificou a compra clandestina de mais de 10 mil munições para fuzis e pistolas, além de dezenas de carregadores. Segundo a Polícia Civil, as aquisições movimentaram aproximadamente R$ 150 mil. O grupo também teria adquirido clandestinamente quatro fuzis e oito pistolas. A apuração contou com apoio da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (Diopi), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Operação Desarme. Busca apreendeu arsenal e impressora 3D Os elementos reunidos durante a investigação levaram a Desarme a representar pela prisão temporária dos principais investigados e pela realização de buscas. Os mandados foram cumpridos em 26 de junho de 2026. Durante a operação, os policiais apreenderam dois fuzis calibre 5,56, quatro pistolas, mais de 200 munições, peças suficientes para a montagem de mais de dez fuzis e cinco pistolas, carregadores e outros acessórios. Também foram encontradas duas granadas e uma impressora 3D que, segundo a investigação, era utilizada para fabricar componentes de armas de fogo. A operação resultou ainda na apreensão de quatro veículos roubados e clonados e aproximadamente R$ 20 mil em espécie. Cinco criminosos foram presos e um adolescente foi apreendido. Entre os presos estavam os dois principais investigados pelo tráfico de armas. Esquema envolvia compra, montagem e venda de armas Segundo a Polícia Civil, a estrutura investigada atuava em diferentes etapas do comércio ilegal de armamentos. O grupo era responsável pela aquisição clandestina de armas, munições e componentes, pela montagem dos armamentos e pela posterior comercialização do material para organizações criminosas. A quantidade de peças encontrada reforçou a suspeita de que havia capacidade para montar dezenas de armas. A impressora 3D encontrada durante as buscas também passou a integrar o conjunto de provas da investigação. Justiça determinou aprofundamento para chegar aos destinatários A decisão judicial mostra que, além da apreensão do arsenal e da identificação dos principais envolvidos, a investigação precisava avançar sobre a estrutura que recebia as armas. Por isso, foram consideradas essenciais a análise dos equipamentos eletrônicos, a identificação dos demais integrantes da associação criminosa, a localização e oitiva dos CACs utilizados nas compras fraudulentas e a identificação dos responsáveis pelo recebimento final do armamento. Segundo a investigação, esse conjunto de diligências permitiria reconstruir a cadeia completa do esquema — desde a utilização fraudulenta dos documentos para aquisição das armas até o destino do armamento que seria comercializado para organizações criminosas. Com a conclusão do inquérito, os dois principais investigados foram indiciados por associação criminosa majorada e comércio ilegal de armas de fogo, acessórios e munições. A Polícia Civil também representou pela conversão das prisões em preventivas.

Traficante do CV morto em operação da Draco era um dos investigados pela morte de PM envolvido com milícia em Jacarepaguá

O traficante Pierre Sá da Silva, conhecido como “PQD”, morto nesta terça-feira (18) após ser localizado por policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco), carregava uma acusação muito mais grave do que a de integrar a estrutura armada do Comando Vermelho. Ele era um dos investigados pela morte do policial militar Adelmo da Silva Guerini Fernandes, apontado como integrante e comandante de uma estrutura de milícia que atuava na comunidade Asa Branca, em Curicica, na Zona Oeste do Rio. Adelmo foi assassinado em 16 de outubro de 2025, na comunidade, no mesmo episódio em que também foi morto Alex Sandro da Fonseca Silva. Outras duas pessoas, Carlos Henrique da Silva e Ubirani Viana de Lima, foram alvo de tentativas de homicídio. A investigação policial que apura o caso resultou em uma ação penal própria e levou a Justiça a determinar a prisão de integrantes do grupo apontado como responsável pelos crimes. E entre os nomes que apareceram no inquérito estava justamente PQD. Justiça apontou ligação direta de PQD com grupo investigado Documentos judiciais obtidos pela reportagem mostram que o inquérito que atingiu Pierre Sá da Silva nasceu do desmembramento do IP nº 901-01091/2025, instaurado para investigar os homicídios de Adelmo e Alex Sandro e as tentativas de assassinato contra Carlos Henrique e Ubirani. O caso dos homicídios tramita na 1ª Vara Criminal da Comarca da Capital, com competência para julgamento de crimes dolosos contra a vida. Em outro inquérito, de número 901-01166/2025, a Polícia Civil pediu a prisão temporária de Jonathan Figueiredo Batista, Tauan de Melo Silva e Pierre Sá da Silva. O Ministério Público deu parecer favorável e a Justiça decretou a prisão temporária dos três por 30 dias. A decisão é contundente ao descrever a posição ocupada pelos investigados dentro da estrutura criminosa. Segundo os elementos reunidos pela investigação, os três atuariam diretamente com Ewertton da Fonseca Ramos, o “Maktão”, apontado como mandante, exercendo funções relacionadas à intimidação, extorsão e controle territorial na Asa Branca. Ou seja: para os investigadores, PQD não era apenas um traficante que circulava pela região. Ele estaria inserido em uma estrutura organizada que exercia poder armado sobre moradores e comerciantes. Cestas básicas depois dos assassinatos Um dos pontos que chamou a atenção da Justiça foi a existência de relatos de testemunhas e registros fotográficos que, segundo a investigação, vinculavam os denunciados às atividades criminosas. Entre os elementos citados está a distribuição de cestas básicas após os homicídios, interpretada pelos investigadores como uma estratégia para tentar conquistar apoio popular e fortalecer a presença do grupo na comunidade. Depoimentos de Ana Paula Severo da Silva e Liliana Nascimento Ribeiro, além de denúncias anônimas e imagens obtidas durante a investigação, foram apontados na decisão judicial como elementos que indicavam a participação dos investigados em práticas de extorsão e intimidação e sua vinculação aos crimes violentos investigados. A Justiça destacou ainda que testemunhas relataram cobranças de taxas de segurança, monitoramento de estabelecimentos comerciais e intimidação de comerciantes entre os dias 16 e 22 de outubro de 2025, período imediatamente posterior aos assassinatos. Para o Judiciário, não se tratava, portanto, de uma suspeita baseada apenas em fatos antigos ou em conjecturas. De frente de boca a homem de guerra do Comando Vermelho A investigação sobre a morte de Adelmo é apenas uma parte da trajetória criminosa atribuída a PQD. De acordo com a Draco, Pierre Sá da Silva era um dos principais líderes armados do Comando Vermelho na chamada Zona Sudoeste do Rio. O criminoso seria integrante da “Equipe Astro”, grupo apontado pelas autoridades como uma das estruturas armadas utilizadas pela facção para ações de guerra e expansão territorial. Segundo a Polícia Civil, PQD exercia a função de frente de bocas de fumo nas comunidades da Gardênia Azul e Cidade de Deus e participava diretamente da mobilização de criminosos, coordenação de ataques e planejamento de ações violentas. As investigações apontam ainda que ele teria participado de disputas territoriais em Curicica, Camorim e Asa Branca. O nome de PQD também apareceu em investigações relacionadas às sucessivas tentativas de invasão de Rio das Pedras, uma das áreas mais estratégicas da Zona Oeste. A imagem construída pela investigação é, portanto, a de um criminoso que teria acumulado funções dentro da organização: liderança armada, coordenação de ataques, controle territorial e atuação na linha de frente do tráfico. A guerra que chegou à Asa Branca O assassinato de Adelmo ocorreu justamente em meio a uma disputa pelo controle territorial da Asa Branca. A comunidade havia se transformado em uma área estratégica em meio ao avanço de grupos criminosos e às disputas entre estruturas de tráfico e milícia. Adelmo, policial militar apontado como ligado ao comando de uma milícia que atuava na região, acabou morto junto com Alex Sandro. A investigação passou então a buscar não apenas os executores, mas também quem teria ordenado e organizado a ação. Foi nesse contexto que surgiu o nome de Ewertton da Fonseca Ramos, o Maktão, apontado como mandante, e dos demais integrantes que, segundo a investigação, davam suporte operacional à estrutura. Entre eles estava PQD. A própria decisão judicial registra que os crimes investigados envolveram dois homicídios consumados, duas tentativas de homicídio, extorsões, intimidação e associação criminosa, dentro de uma estrutura organizada. Capturado pela Draco com pistola Nesta terça-feira (18), a Draco localizou PQD na Gardênia Azul, considerada pela investigação seu principal reduto e um dos locais utilizados para planejamento e coordenação das atividades criminosas. Segundo a Polícia Civil, durante a abordagem, o traficante atacou os policiais. Ele foi baleado e socorrido para uma unidade de saúde. Uma pistola foi apreendida com ele. Ainda durante a operação, outro integrante do grupo de PQD, que possuía mandado de prisão por roubo, também foi capturado. A ação integra a Operação Contenção, ofensiva do Governo do Estado contra a expansão territorial do Comando Vermelho. Segundo os dados divulgados pelas forças de segurança, a operação já resultou em mais de 375 prisões e 138 criminosos mortos em confrontos, além da apreensão de aproximadamente

NOVO COMPLEXO DO CV”: FACÇÃO QUER EXPULSAR MILÍCIA, DOMINAR VILA KENNEDY, CATIRI E JARDIM BANGU E CERCAR O COMPLEXO DE GERICINÓ

A disputa pelo controle da Vila Kennedy, Catiri e Jardim Bangu não aparece na investigação da 34ª Delegacia de Polícia como uma simples guerra entre grupos rivais pelo domínio de uma comunidade. Segundo os elementos reunidos no inquérito, trata-se de um movimento territorial mais amplo, com o Comando Vermelho (CV) buscando avançar sobre áreas da Zona Oeste, expulsar grupos paramilitares e transformar o tráfico de drogas na principal atividade econômica de regiões que até então estavam sob influência de outros criminosos. O inquérito policial foi instaurado pela 34ª DP para investigar integrantes envolvidos no tráfico de entorpecentes nas comunidades do Complexo da Penha, Vila Kennedy e Catiri. Durante as diligências, porém, os investigadores identificaram aquilo que consideraram um movimento estratégico de aproximação entre integrantes do Comando Vermelho e do grupo Amigos dos Amigos (ADA). Segundo a investigação, essa cooperação estaria relacionada justamente à expansão e consolidação do domínio territorial nas regiões da Vila Kennedy, Jardim Bangu e Catiri. O objetivo atribuído ao Comando Vermelho é descrito de maneira ainda mais ambiciosa em um relatório policial intitulado “Formação de um novo Complexo de Favelas”. O projeto de expansão territorial De acordo com o relatório citado na denúncia, a estratégia do Comando Vermelho seria assumir o controle econômico e territorial das comunidades do Jardim Bangu e Catiri, em Bangu, e da Carobinha, em Campo Grande. Para isso, a facção teria como uma de suas principais metas a expulsão dos grupos paramilitares que atuam na região. A lógica identificada pelos investigadores seria transformar áreas atualmente marcadas pela disputa entre tráfico e milícia em um corredor territorial sob influência do Comando Vermelho, consolidando o comércio de drogas como atividade predominante. A investigação aponta que a expansão não teria apenas uma finalidade econômica. O controle dessas áreas também teria importância estratégica por causa da proximidade com o Complexo Penitenciário de Gericinó. Segundo a denúncia, o Comando Vermelho buscaria cercar o complexo penitenciário, criando condições mais favoráveis para eventuais fugas de lideranças da facção e ampliando o controle sobre as rotas e atividades criminosas no entorno. Nesse cenário, o domínio do transporte alternativo em Bangu e adjacências também aparece como peça importante do projeto de expansão. A investigação, portanto, descreve uma disputa que envolve simultaneamente território, tráfico de drogas, transporte alternativo, circulação de criminosos e proximidade com o sistema penitenciário. Catiri vira o principal campo de batalha Foi nesse contexto que o Catiri passou a ocupar uma posição central na guerra territorial. Durante os meses de março e abril de 2025, mídias abertas registraram conflitos armados entre integrantes do Comando Vermelho e grupos de milicianos pela disputa do território. A região passou a registrar mortes violentas e sucessivos confrontos armados. Segundo a investigação, um dos principais instrumentos utilizados pelo Comando Vermelho nessa ofensiva seria o grupo denominado Bonde dos Crias. O grupo é descrito na denúncia como um braço armado do Comando Vermelho, responsável por realizar incursões violentas e sistemáticas contra áreas controladas por grupos rivais. Os criminosos, segundo a acusação, utilizavam inclusive indumentárias semelhantes às empregadas por forças de segurança pública, uma estratégia que, conforme a investigação, serviria para produzir dissimulação, intimidar moradores e provocar desinformação durante as incursões. A utilização desse tipo de vestimenta acrescentaria um componente de guerra psicológica à disputa, dificultando para moradores identificar imediatamente quem eram os criminosos que circulavam armados pelo território. Vila Kennedy como base para atacar o Catiri As investigações avançaram até chegar à conclusão de que parte dos criminosos envolvidos nas ofensivas contra a milícia do Catiri estaria ligada à Vila Kennedy. Segundo a denúncia, criminosos que atuavam na Vila Kennedy, comandados por lideranças do Comando Vermelho e com integrantes homiziados na região da Penha, estariam determinando e organizando incursões armadas contra os milicianos que controlavam o Catiri. Isso colocaria a Vila Kennedy no centro de uma estrutura de expansão territorial muito maior. A comunidade não seria apenas uma área de atuação do tráfico, mas também uma espécie de base operacional para a mobilização de homens, armas e logística destinados às ofensivas contra territórios rivais. É justamente nesse ponto que a investigação passa a conectar os diferentes núcleos criminosos identificados pela polícia: as lideranças, os gerentes, os recrutadores e os chamados homens de guerra. A Operação Bonde dos Crias Depois de meses de investigação, a Polícia Civil decidiu deflagrar uma ofensiva contra essa estrutura. Em 12 de junho de 2025, foi realizada a Operação Bonde dos Crias, em uma ação que contou com a participação conjunta de diversas delegacias de polícia. A operação foi desencadeada depois que as investigações apontaram, segundo a denúncia, que criminosos ligados à Vila Kennedy e à Penha estavam articulando as incursões armadas contra a milícia do Catiri. Durante a operação foram cumpridos mandados de prisão, apreendidos entorpecentes e veículos considerados suspeitos e desativada uma central clandestina de internet. A ofensiva policial atingiu, portanto, não apenas a estrutura diretamente relacionada ao comércio de drogas, mas também mecanismos de apoio utilizados pela organizaçã Uma disputa que ultrapassa os limites de uma comunidade O que emerge da investigação é uma disputa territorial que ultrapassa os limites da Vila Kennedy e do Catiri. De um lado, grupos paramilitares que já controlavam determinadas áreas da Zona Oeste. Do outro, uma ofensiva do Comando Vermelho que, segundo os investigadores, pretendia romper esse cinturão de domínio, assumir o controle de novas comunidades e criar uma extensa área territorial contínua sob influência da facção. A expressão “Formação de um novo Complexo de Favelas”, utilizada no relatório policial, resume a dimensão atribuída à estratégia. O projeto descrito pela investigação conectaria Vila Kennedy, Catiri, Jardim Bangu e Carobinha, com a possibilidade de ampliação da influência criminosa para outras áreas de Bangu e Campo Grande. E havia ainda um componente considerado estratégico pelos investigadores: Gericinó. Ao tentar ampliar seu domínio no entorno, o Comando Vermelho poderia, segundo a denúncia, aproximar suas áreas de influência do complexo penitenciário onde estão encarceradas lideranças criminosas. A investigação sustenta que esse domínio territorial teria potencial para facilitar rotas de fuga, movimentação de criminosos, logística de armas

“EXÉRCITO DO CV”: Doca, Gadernal e Pezão no comando de uma máquina de guerra que usa drones, fuzis e homens de guerra para dominar a Vila Kennedy e avançar sobre o Catiri

Uma investigação da Polícia Civil revela uma estrutura hierárquica do Comando Vermelho (CV) que, segundo a denúncia, atuava para manter o domínio da facção sobre a Vila Kennedy e, ao mesmo tempo, ampliar seu território para o Catiri, Jardim Bangu e áreas adjacentes, na Zona Oeste do Rio. O esquema descrito pelos investigadores reunia lideranças regionais, comando territorial, gerentes do tráfico, responsáveis pelas finanças, recrutadores, homens de guerra e soldados encarregados de executar incursões armadas. No topo dessa estrutura regional, segundo a denúncia, estavam Edgar Alves de Andrade, vulgo Doca, e Carlos da Costa Neves, vulgo Gadernal, identificados como líderes do Comando Vermelho com atuação nas comunidades do Complexo da Penha, Vila Kennedy e Catiri. Gadernal, segundo a acusação, atuava sob as ordens de Doca e era responsável por coordenar as ações de expansão territorial na região denominada Catiri, além de organizar o deslocamento de indivíduos da Vila da Penha para a Vila Kennedy. Logo abaixo dessa liderança regional aparece Marcelo Cardoso, vulgo Pezão, apontado na denúncia como o “dono” da comunidade Vila Kennedy. Segundo a acusação, Pezão encontrava-se recolhido ao sistema penitenciário, mas, mesmo preso, mantinha amplo e total domínio dos atos ilícitos praticados pelos integrantes da associação criminosa. De dentro do cárcere, ele dirigiria as atividades dos comparsas responsáveis pela exploração do tráfico de drogas naquela localidade. A investigação descreve, portanto, uma estrutura na qual a liderança poderia ser exercida mesmo a partir do sistema penitenciário, mantendo sob comando as atividades criminosas desenvolvidas nas ruas. Sombrão: o homem que controlava a Vila Kennedy Na estrutura territorial da Vila Kennedy aparece Jorge Alexandre Cândido Maria, vulgo Sombrão, apontado na denúncia como o “dono da Vila Kennedy”. Em outro trecho da investigação, Sombrão é identificado como lugar-tenente de Pezão, seu subordinado direto e responsável por atuar como o longa manus do chefe. Segundo a acusação, Sombrão era o “frente” da Vila Kennedy e controlava o funcionamento criminoso dos demais integrantes da associação. A investigação atribui a ele uma atuação que ia muito além da simples participação no tráfico. Sombrão seria responsável por oferecer apoio logístico à associação e fornecer abrigo a integrantes do tráfico. Segundo a denúncia, foi também Sombrão quem integrou Caio Felipe Ferreira da Cruz, vulgo Reizin, como soldado do tráfico do Comando Vermelho. Além disso, teria sido Sombrão quem autorizou Gadernal a ceder o controle do transporte alternativo de Bangu e adjacências para Rafael Luz Souza, vulgo Pulgão. Sombrão possuía ainda mandado de prisão em aberto, segundo a denúncia, após ter sido libertado por progressão de regime, retirado a tornozeleira eletrônica e não justificado sua conduta às autoridades competentes. Branco: o “dono dos drones” e os olhos da facção no território Logo depois de Sombrão aparece Alexsandro Teixeira Torres, vulgo Branco, apontado pela investigação como uma das peças estratégicas do aparato operacional utilizado pelo Comando Vermelho na guerra territorial. Branco, segundo a denúncia, era responsável por oferecer apoio aéreo aos traficantes locais e aos integrantes do Bonde dos Crias, utilizando drones para monitorar as regiões onde seriam realizadas as missões. Os equipamentos permitiam acompanhar a movimentação das áreas que seriam alvo das incursões e fornecer informações aos criminosos antes e durante as operações. As informações obtidas pelos drones eram repassadas aos demais integrantes da associação por meio dos grupos de WhatsApp utilizados para organizar as ações. A investigação ganhou novos elementos a partir da decisão judicial proferida no processo nº 0049046-76.2025.8.19.0001, que autorizou o afastamento do sigilo de dados telemáticos e das comunicações telefônicas armazenados no aparelho celular apreendido no IP 034-06345/2025. Posteriormente, segundo a denúncia, verificou-se que o aparelho pertencia ao menor Abraão de Paula Gomes da Silva, vulgo B2. A análise das mensagens enviadas aos grupos de WhatsApp permitiu, segundo os investigadores, identificar Branco como o “dono dos drones”. Sua atuação, conforme descrita na denúncia, não se limitava à operação dos equipamentos. Branco seria responsável por coordenar ataques e facilitar as movimentações dos criminosos, utilizando os drones para monitorar as áreas, indicar os alvos, apontar as rotas de acesso e acompanhar a movimentação dos milicianos. Com essas informações, segundo a acusação, Branco auxiliava os membros do Comando Vermelho, os chamados “soldados do tráfico” e os integrantes do Bonde dos Crias a evitar o cerco das forças de segurança pública, contribuindo diretamente para a efetividade das investidas criminosas. A denúncia aponta ainda indícios de que Branco seria responsável pelo lançamento de granadas por meio de drones na região do Catiri. Embora os ataques tivessem como alvo os milicianos, segundo a investigação, os artefatos acabavam por vezes atingindo residências que não possuíam qualquer relação com a guerra entre os criminosos. Os relatos constariam do RO 034-11771/2025. Também há registro, segundo a denúncia, de lançamento de drones na direção das forças policiais que atuavam no Catiri, conforme o RO 034-14663/2025. Chel da Congo e RD: recrutamento e formação do Bonde dos Crias Depois do núcleo de comando territorial, a investigação aponta Gabriel Pinagé do Carmo Maria, vulgo Chel da Congo ou Iluminado, e Rodney Lima de Freitas, vulgo RD, como responsáveis por uma das principais engrenagens da expansão territorial. Segundo a denúncia, os dois tinham a missão de recrutar jovens na Vila Kennedy e no Catiri para formar o grupo denominado Bonde dos Crias. O objetivo seria realizar incursões armadas para expulsar milicianos e consolidar o domínio do tráfico nas regiões do Catiri, Jardim Bangu e adjacências. RD é apontado como ex-integrante de grupos de milicianos que ingressou no tráfico de drogas do Comando Vermelho. Segundo a investigação, atualmente ele lidera a chamada Tropa do RD, formada por traficantes provenientes de diversas comunidades da Zona Oeste, e também uma célula denominada GAT dos Crias. RD ainda forneceria apoio logístico ao Bonde dos Crias. Para colocar as ações criminosas em prática, segundo a denúncia, RD recebia as missões dos líderes Doca e Gadernal e as repassava a Chel da Congo. Chel da Congo, por sua vez, atuaria recrutando e coordenando os chamados “soldados do tráfico” por meio de grupos de WhatsApp, especialmente os grupos “ATAQUE”, “ATAQUE RESULTADO” e

COVARDIA NA TAQUARA: Entregador de aplicativo matou cachorrinha com chute no pescoço a troco de nada

Na noite desta segunda-feira, um homem, que é entregador de aplicativo, matou uma cadelinha comunitária, que se chamava Pretinha, com um chute brutal em seu pescoço e agrediu o dono de um bar local, que é idoso e deficiente, na Estrada de São Gonçalo, ao lado da Praça Waldir Vieira, na Taquara. Segundo informações de moradores, a cadelinha apenas correu atrás da moto do entregador, como sempre fazia com outros motoqueiros por ser de rua. Em vez de apenas deixar passar como todos fazem, ele deu um chute nela com tanta força que acabou quebrando o pescoço dela. Ela não resisitu e faleceu na hora. O dono de um bar local presenciou o momento da agressão contra a cadela e tentou intervir na situação. Por conta disso, ele também foi agredido pelo homem. A vítima é um senhor de idade e com deficiência. O momento exato do fato contou com diversas pessoas que presenciaram a agressão. Eles contiveram o agressor no local e acionaram rapidamente a polícia. Ele foi levado para a 32° DP (Taquara), juntamente com testemunhas, onde vai permanecer preso pelo crime. O dono do bar também compareceu para prestar queixa. ​De acordo com relatos, providências cabíveis serão tomadas sobre o caso, já que maus-tratos a animais (Lei Sansão) e agressão a idoso/PCD são crimes graves. Câmeras de Segurança locais também serão verificadas e analisadas para ver se flagrou o momento dos ocorridos. ⚠️ Isso é uma grande covardia e não pode, de forma alguma, passar impune. Ficaremos atentos as atualizações e cobraremos justiça pela pretinha e pelo idoso agredido. NOTA DE ESCLARECIMENTO — FINA PASTA PIZZARIA Diante da publicação envolvendo um entregador que presta serviços de forma independente para a Fina Pasta, viemos esclarecer publicamente os fatos para evitar qualquer interpretação equivocada que possa associar nossa empresa ao ocorrido. O episódio mencionado aconteceu fora do horário de trabalho, em momento no qual o referido entregador não estava realizando qualquer serviço para a Fina Pasta, não estava efetuando entrega em nosso nome e não utilizava material, identificação ou qualquer recurso da empresa. Portanto, conforme as circunstâncias do ocorrido, o fato não aconteceu durante uma atividade a serviço da Fina Pasta e não possui relação com uma entrega ou operação da nossa empresa naquele momento. Gostaríamos, entretanto, de deixar algo muito claro: a Fina Pasta ama e respeita os animais e jamais compactuará com qualquer forma de violência, crueldade ou maus-tratos. Condutas dessa natureza não representam os valores da nossa empresa. Manifestamos nossa solidariedade diante do ocorrido e permanecemos à disposição para colaborar com os esclarecimentos necessários, sempre dentro da legalidade e com respeito a todas as partes envolvidas. Pedimos também que não sejam feitas associações ou julgamentos que atribuam à Fina Pasta uma conduta que não praticou e com a qual não compactua. A Fina Pasta acredita em respeito, responsabilidade, transparência e, acima de tudo, amor pelos animais.

Peixão (TCP) faz ataques de drones no Quitungo e CV conseguiu derrubar um deles. Gari teria ficado ferido. VIDEOS

O bando do traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, fez vários ataques com drones atirando granadas na comunidade do Quitungo, em Brás de Pina, nesta segunda-feira. Um gari teria ficado ferido por estilhaços e carros de moradores foram destruídos.. Os bandidos do Comando Vermelho fizeram disparos em direção aos equipamentos e teriam conseguido derrubar um deles. Eles comemoraram e mandaram o TCP tentar lançar outro. https://www.facebook.com/share/r/19BMRfFTKE

“Execução na guerra pelo mototáxi: depois de três anos, traficante do CV vai a júri acusado de matar trabalhador na Praça Seca

A Justiça pronunciou Rafael Jesus dos Santos, conhecido como “Pezão”, e determinou que ele seja levado a júri popular pela morte de José André de Souza, executado a tiros na manhã de 28 de abril de 2023, na Rua da Chácara, na Praça Seca, Zona Oeste do Rio. Segundo a acusação, o homicídio ocorreu em meio à guerra entre grupos criminosos pelo controle territorial e econômico da comunidade da Chacrinha, tendo como um dos principais pontos de disputa a exploração do serviço de mototáxi. A denúncia sustenta que Rafael, que era envolvido com o Comando Vermelho agiu junto com dois comparsas que já morreram e que o assassinato teve motivação torpe, relacionada à disputa entre facções criminosas rivais. A investigação aponta que, naquele período, havia uma determinação para que mototaxistas deixassem de circular na região, enquanto grupos criminosos disputavam o controle do ponto e a cobrança de valores dos trabalhadores. A própria família de José André afirmou que ele trabalhava como mototaxista na Praça Seca e que a atividade estava no centro das tensões criminosas na comunidade. A Justiça entendeu que existem elementos suficientes para que Rafael seja submetido ao Tribunal do Júri por homicídio qualificado por motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele permanece preso preventivamente. Guerra pelo controle do mototáxi O ponto central da acusação é a disputa pelo controle dos mototaxistas. Segundo depoimentos reunidos no processo, a região vivia uma guerra entre milícia e tráfico de drogas, e os trabalhadores que atuavam com motocicletas eram diretamente atingidos pelas mudanças de domínio territorial. Um dos irmãos de José André contou em juízo que o irmão trabalhava como mototaxista e que, na época, havia uma determinação para que os profissionais parassem de circular pela comunidade. De acordo com o depoimento, os mototaxistas sabiam que precisavam pagar uma tarifa aos criminosos que controlavam a região — fosse o tráfico, fosse a milícia. O irmão afirmou ainda que José André já havia deixado de trabalhar como mototaxista e estava trabalhando na oficina da família e com compra e venda de veículos. Mesmo assim, acabou sendo executado. A acusação sustenta que a disputa envolvendo os mototaxistas fazia parte do contexto que levou à morte. Outro mototaxista foi morto um dia antes A violência contra os trabalhadores do transporte teria começado antes do assassinato de José André. Segundo os depoimentos, Fábio Ferreira Resende, outro mototaxista que trabalhava na Praça Seca, foi morto a tiros um dia antes. A morte de Fábio aparece no processo como elemento importante para compreender o ambiente de tensão existente na comunidade. Familiares contaram que havia uma determinação para que os mototaxistas deixassem de trabalhar na região. Fábio também teria sido apontado, sem comprovação, como integrante da milícia. Os familiares negam que ele tivesse qualquer envolvimento com grupos criminosos. O irmão de José André afirmou que o assassinato de Fábio provocou preocupação entre os trabalhadores e chegou a aconselhar José André a abandonar o mototáxi. Segundo ele, José André respondeu que já havia parado de trabalhar com a atividade. No dia seguinte, porém, acabou morto. Ataque aconteceu quando vítima ia buscar o carro Na manhã de 28 de abril, José André estava com os irmãos em uma oficina da família. Segundo os depoimentos, ele havia conversado sobre o assassinato de Fábio e estava prestes a sair para comprar pão quando percebeu que precisava buscar sua carteira dentro de seu próprio carro, um VW Voyage. José André atravessou a rua e caminhou até o veículo. Foi nesse momento que começou o ataque. Um dos irmãos relatou ter ouvido o primeiro disparo e, logo depois, vários outros tiros. Ao sair para verificar o que estava acontecendo, teria visto um dos criminosos atirando contra José André. A vítima tentou se abaixar e fugir, mas foi atingida. A perícia identificou três disparos transfixantes, com lesões no pulmão e no coração. José André ainda foi socorrido pelos próprios irmãos e levado ao Hospital Estadual Carlos Chagas, mas morreu pouco depois. Irmãos dizem ter reconhecido Rafael Os depoimentos dos irmãos da vítima são considerados elementos importantes na acusação. A.J.S afirmou que estava na oficina quando ouviu uma sequência de disparos. Ao sair do banheiro, encontrou o irmão ferido. Ele declarou ter visto os criminosos e reconhecido Rafael Jesus dos Santos, o “Pezão”, entre os homens que participaram do ataque. Segundo A, Rafael efetuava disparos junto com outros criminosos e depois fugiu por um beco. O irmão afirmou ainda que reconheceu Rafael com certeza porque já o conhecia da comunidade. Segundo seu relato, Rafael havia chegado à região ainda jovem, vindo da Bahia, e inicialmente trabalhava com o pai. Posteriormente, teria ingressado no tráfico de drogas. Antônio declarou que via Rafael frequentemente armado e que ele circulava pela comunidade participando de confrontos. “Fuzilaria” após os primeiros disparos P.H.A.S outro irmão da vítima, também afirmou ter presenciado a execução. Segundo ele, José André foi inicialmente atingido por disparos quando estava próximo ao Voyage. P correu para socorrer o irmão. Foi então que, segundo seu depoimento, começou uma nova sequência de tiros. O irmão afirmou que Rafael e outro criminoso identificado como “Elitinho”, também já morto, passaram a disparar contra eles. Pedro contou que abraçou o irmão ferido e os dois se protegeram atrás de um poste. Os tiros continuaram. Segundo o depoimento, os dois chegaram a fingir que estavam mortos para que os criminosos interrompessem o ataque. Os executores teriam então passado correndo pelo local durante a fuga. Pedro afirmou ter visto Rafael armado e descreveu as roupas usadas pelos envolvidos naquele dia. Família diz ter sido expulsa da comunidade Depois do assassinato, segundo os depoimentos, a situação da família de José André teria se transformado completamente. P afirmou que criminosos passaram a ameaçar os familiares e que casas da família foram tomadas pelo tráfico. Ele relatou ter perdido a própria residência e a oficina mecânica. Segundo o depoente, chegou a passar sete dias vivendo debaixo de um viaduto de Madureira com oito crianças. Outro irmão, Antônio, deixou o Brasil e passou

Policiais militares acusados de duplo homicídio em guerra entre milícia e TCP em Itaboraí vão a júri popular

A Justiça de Itaboraí decidiu levar a júri popular os policiais militares Rogério Cunha do Nascimento, conhecido como “Nascimento”, e Antônio Cláudio Quintanilha Medeiros, o “SD Quintanilha”, acusados de participação no assassinato de Cristiano Caldeira Souza, o “Piolho”, e Diego Siqueira da Silva Ferraz, o “DG”. Segundo a denúncia do Ministério Público, os crimes ocorreram em junho de 2025 e teriam sido praticados no contexto da sangrenta disputa territorial entre grupos milicianos e integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) na região do Retiro São Joaquim, em Itaboraí. Na decisão de pronúncia, o juiz concluiu que existem indícios suficientes para que os dois réus sejam julgados pelo Tribunal do Júri pelos homicídios duplamente qualificados. O magistrado também manteve a prisão preventiva dos acusados, destacando a gravidade dos fatos e a suposta ligação do caso com a atuação de grupos criminosos organizados. De acordo com a investigação da Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo, Cristiano e Diego foram atraídos para uma reunião sob a falsa promessa de alinhamento entre integrantes de organizações criminosas. A acusação sustenta que o encontro era, na verdade, uma emboscada planejada para eliminar rivais em meio à disputa pelo controle de territórios estratégicos para atividades ilícitas. O Ministério Público afirma que as execuções ocorreram na Rua Visconde de Itaboraí, no bairro Retiro São Joaquim. As vítimas foram atingidas por diversos disparos de arma de fogo e morreram no local. A motivação apontada na denúncia é considerada torpe por estar relacionada à expansão de domínio territorial e econômico de grupos criminosos na região. A investigação ganhou força após peritos encontrarem, além dos vestígios relacionados às vítimas, uma terceira mancha de sangue na cena do crime, indicando que outra pessoa teria sido ferida durante a ação. Poucas horas depois, os investigadores identificaram que Rogério Cunha deu entrada em um hospital da região com um ferimento provocado por disparo de arma de fogo. Inicialmente, Rogério registrou uma ocorrência afirmando ter sido vítima de uma tentativa de assalto na BR-493. No entanto, diligências realizadas pela Polícia Rodoviária Federal e a análise de imagens de monitoramento apontaram inconsistências na versão apresentada. Durante o processo, o próprio policial admitiu que mentiu sobre o local onde foi baleado, alegando que pretendia ocultar sua presença na área dominada pelo tráfico. Segundo os autos, imagens de câmeras de segurança registraram a circulação do GM Prisma utilizado por Rogério nas proximidades do local das execuções. Os investigadores também identificaram a presença de um Toyota Corolla atribuído a Antônio Cláudio Quintanilha Medeiros, veículo que teria sido visto deixando a região logo após os disparos. Ao analisar o caso, o juiz destacou que não existem testemunhas oculares da execução, mas ressaltou que o conjunto de provas reunidas pela investigação — incluindo laudos periciais, rastreamento de veículos, imagens de monitoramento, depoimentos de policiais e informações de inteligência — forma um quadro suficiente para que os jurados decidam sobre a responsabilidade dos acusados. A decisão também manteve as qualificadoras de motivo torpe e dissimulação. Para a Justiça, há elementos que sustentam a tese de que as vítimas foram atraídas para uma reunião falsa e executadas sem chance de reação, em uma ação típica de emboscada. Outro ponto relevante destacado pelo magistrado foi o contexto criminal em que os homicídios ocorreram. A sentença menciona informações de inteligência que apontam a existência de uma disputa entre milicianos e integrantes do TCP pelo controle de áreas como Retiro São Joaquim, Joaquim de Oliveira e Vale do Sol. A investigação sustenta que os assassinatos teriam sido praticados justamente para eliminar adversários e fortalecer a influência de um dos grupos na região. Além dos homicídios, Rogério Cunha também responderá perante o Tribunal do Júri pelos crimes de comunicação falsa de crime e fraude processual, em razão da suposta tentativa de criar uma versão fictícia para justificar o ferimento sofrido na noite das mortes. Com a decisão de pronúncia, Rogério Cunha do Nascimento e Antônio Cláudio Quintanilha Medeiros serão submetidos ao julgamento pelo Tribunal do Júri, que decidirá se os policiais são culpados ou inocentes pelas mortes de Cristiano Caldeira Souza e Diego Siqueira da Silva Ferraz, em um dos casos mais emblemáticos da guerra entre milícia e TCP em Itaboraí.

Doca e Gadernal são suspeitos de executar homem apontado como ligado à milícia em ataque que deixou duas mulheres baleadas dentro de igreja em Santa Cruz

A Polícia Civil investiga a participação dos traficantes Doca e Gadernal. líderes do Comando Vermelho,. na morte de Cleyton Ferreira Andrade de Souza, homem apontado como ligado à milícia, assassinado a tiros em 6 de janeiro de 2025, na região da Estrada Santa Veridiana, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio. O ataque teve uma circunstância especialmente grave: duas mulheres que estavam dentro de uma igreja foram atingidas pelos disparos. Ambos figuram no processo que tramita na Justiça; Cleyton, de 28 anos, acabou socorrido e levado para a UPA do Cesarão, mas não resistiu aos ferimentos provocados pelos tiros. As outras duas vítimas foram encaminhadas para o Hospital Municipal Pedro II. A investigação aponta que o homicídio teria ocorrido durante uma perseguição envolvendo duas motocicletas. O relato de uma das mulheres atingidas forneceu aos investigadores uma das principais informações sobre a dinâmica do ataque. Segundo o depoimento prestado por um cabo do 27º BPM, uma das vítimas contou que estava dentro da igreja quando percebeu a passagem de duas motocicletas pela Estrada Santa Veridiana. De acordo com o relato, Cleyton estaria na motocicleta que seguia à frente e teria sido alvejado pelos ocupantes da segunda motocicleta. A motocicleta que vinha atrás era ocupada por dois homens. Conforme a testemunha, os disparos partiram daquele veículo. A sequência de tiros, entretanto, não atingiu apenas o alvo da ação. Sandra Helena de Freitas Damasceno foi baleada de raspão na região abdominal, enquanto Maria Celma Gomes Queiroz também foi atingida. As duas estavam na igreja no momento do ataque. A ocorrência inicialmente foi registrada como uma lesão corporal provocada por disparos de arma de fogo em via pública. Os policiais foram acionados pelo sistema Maré Zero às 20h16. Quando chegaram à Estrada Santa Veridiana, porém, não encontraram mais vítimas, suspeitos ou qualquer movimentação que permitisse identificar imediatamente o que havia ocorrido. A rua estava deserta. Diante disso, os policiais decidiram seguir para o Hospital Pedro II para verificar se algum ferido havia dado entrada. Policiais descobrem terceira vítima No hospital, os agentes encontraram Sandra e Maria Celma recebendo atendimento. Sandra já havia sido medicada e recebeu alta. Ela foi conduzida pelos policiais à 36ª DP, onde os agentes descobriram que havia uma terceira pessoa ferida no mesmo episódio. Tratava-se de um homem pardo, de 28 anos, que havia sido levado para a UPA do Cesarão na tentativa de receber atendimento médico. Os policiais foram até a unidade e encontraram Cleyton. Ele, porém, não havia resistido aos ferimentos causados pelos disparos. A equipe policial entrou em contato com a permanência da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) para comunicar a morte e permitir a adoção das providências necessárias. Foi nesse momento que o episódio passou a ser tratado como homicídio. Investigação aponta ligação da vítima com a milícia Um dos elementos que dá maior peso à investigação é a informação de que Cleyton era apontado como ligado à milícia que atua na região. A partir dessa circunstância, a polícia passou a trabalhar também com a possibilidade de que o ataque estivesse relacionado à disputa entre grupos criminosos armados que atuam na Zona Oeste. Doca e Gadernal aparecem como suspeitos da execução, e a investigação busca esclarecer a participação de cada um deles na ação. A hipótese ganha relevância diante da própria dinâmica relatada pela testemunha: uma motocicleta seguindo outra e os ocupantes do segundo veículo efetuando os disparos contra o homem que estava à frente. O fato de os tiros terem sido efetuados em uma região controlada por milicianos também passou a ser considerado nas diligências destinadas a esclarecer a motivação do assassinato. Cena do crime desapareceu Um dos maiores problemas enfrentados pelos investigadores foi justamente a impossibilidade de realizar uma perícia adequada no local onde os disparos ocorreram. O registro policial é explícito ao informar que o local do fato estava desfeito e não havia sido preservado. Também não houve perícia de local. A situação foi agravada pelas fortes chuvas que atingiram a região naquele dia, prejudicando ainda mais a possibilidade de encontrar cápsulas, marcas de disparos, sangue, impressões ou outros vestígios capazes de ajudar na reconstrução do homicídio. Não houve apreensão de materiais relacionados diretamente ao crime e também não foram recolhidas impressões digitais. Área de milícia impediu diligência imediata Outro fator considerado pela polícia foi a característica da região. O documento classifica o endereço como área de milícia armada. Segundo o registro, uma diligência inopinada poderia colocar em risco não apenas os policiais, mas também moradores, transeuntes e outros agentes públicos. Com isso, os investigadores não puderam simplesmente retornar ao local imediatamente para realizar uma varredura completa. A própria dinâmica territorial imposta por grupos criminosos acabou se tornando um obstáculo para a investigação de um homicídio ocorrido naquela área. O resultado foi uma situação particularmente complicada: a vítima morreu, duas mulheres foram atingidas, mas a principal cena do crime não pôde ser preservada nem periciada. Relato das testemunhas é peça importante O depoimento do cabo Vagner da Silva de Souza é um dos elementos utilizados para reconstruir os acontecimentos. O policial relatou que, quando chegou ao endereço indicado, não encontrou ninguém. A rua estava vazia. Posteriormente, no Hospital Pedro II, os agentes conseguiram ouvir Sandra, que contou ter presenciado a passagem das duas motocicletas. O relato estabeleceu a sequência básica investigada: uma motocicleta seguia à frente, outra vinha atrás com dois ocupantes e os tiros teriam sido disparados da segunda motocicleta contra quem estava no primeiro veículo. As mulheres que estavam dentro da igreja acabaram atingidas pelos disparos. A investigação precisa agora estabelecer se Cleyton era efetivamente o alvo exclusivo da ação, se o ataque foi motivado por sua suposta ligação com a milícia e qual teria sido a participação de Doca e Gadernal. Duas mulheres foram vítimas de uma guerra que não era delas O caso também expõe o risco para moradores e pessoas que circulam em regiões dominadas por grupos criminosos. Sandra e Maria Celma não seriam os alvos da ação, mas acabaram baleadas simplesmente por estarem dentro

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