Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

Author name: Mario Hugo Monken

Sou redator com 25 anos de experiência em investigação policial, formado em Jornalismo. Ao longo da carreira, desenvolvi um olhar apurado para apurar e contar histórias complexas, com foco em detalhes e precisão. Minha paixão pela investigação e pela escrita me permite desvendar narrativas profundas, oferecendo ao leitor informações relevantes e impactantes sobre o universo da segurança pública.

Mario Hugo Monken

Após declarar guerra ao TCP nas redes sociais, Tropa do BX (CV) fez dois ataques em Caxias e matou três rivais

Após o traficante Bochecha Rosa ou BX do Corte 8 usar suas redes sociais para fazer ameaças e declarar guerra aos rivais do Terceiro Comando Puro em Duque de Caxias, sua quadrilha fez dois ataques aos oponentes e matou três. O traficante do Terceiro Comando Puro, conhecido como “Neinha” ou “Benzemar”, foi morto na noite de ontem após uma ação de criminosos da Tropa do BX (CV) e da Tropa do Rato (CV) na comunidade do Barro Vermelho (TCP).Segundo informações, “Neinha” atuava há bastante tempo no tráfico da região do Complexo do Pantanal e Barro 3, sendo apontado como um dos responsáveis pelas cobranças na área.Hoje, um ataque atribuído a criminosos do Comando Vermelho, ligados à Tropa do BX, ocorreu durante a tarde na região do Bar do Amarildo, no Complexo do Pantanal (TCP, em Duque de Caxias.Segundo relatos, a ação deixou dois integrantes do Terceiro Comando Puro mortos. Entre as vítimas estaria um homem conhecido pelo vulgo de “Peixinho”.

ORDEM DO CV: CHEFES DE FAVELAS SÃO OBRIGADOS A SE ESCONDER NA PENHA, ALEMÃO E ROCINHA PARA FUGIR DA POLÍCIA

Uma determinação do Comando Vermelho expôs uma estratégia da facção para proteger suas principais lideranças e, ao mesmo tempo, reforçou o papel dos grandes complexos de favelas como centros de poder da organização criminosa no Rio de Janeiro. Segundo depoimento prestado em Juízo pelo delegado da Polícia Civil Moyses Santana, o Comando Vermelho determinou que chefes de comunidades não permanecessem mais homiziados nos próprios territórios que comandavam. A orientação era que essas lideranças se escondessem nos grandes complexos controlados pela facção, como Complexo da Penha, Complexo do Alemão e Rocinha. A razão para a escolha desses territórios também foi descrita pelo delegado: os grandes complexos possuem barricadas e forte poderio bélico, criando uma espécie de cinturão de proteção para os criminosos procurados. Mas a estratégia ia além de simplesmente esconder os chefes. Segundo o depoimento, mesmo quando permaneciam homiziados nesses grandes complexos, os criminosos continuavam exercendo responsabilidades dentro das próprias áreas para as quais haviam sido designados e também assumiam funções no território onde estavam abrigados. É exatamente nesse ponto que o Complexo da Penha aparece como uma peça central da estrutura do Comando Vermelho. CHEFES DE OUTRAS FAVELAS SE ESCONDIAM NA PENHA Um dos exemplos apresentados pelo delegado é Daniel Afonso, apontado como liderança do tráfico de uma comunidade — o próprio depoente ressalvou não se recordar exatamente de qual seria a favela — e que permanecia escondido no Complexo da Penha. A dinâmica descrita é reveladora: Daniel continuava sendo uma liderança de sua comunidade de origem, mas utilizava a Penha como área de homizio e proteção. Segundo Moyses Santana, essa era justamente a nova orientação do Comando Vermelho: os chefes não deveriam permanecer escondidos nas comunidades que comandavam, mas nos grandes complexos da facção. Penha, Alemão e Rocinha aparecem, assim, não apenas como territórios de domínio do CV, mas como áreas capazes de oferecer às lideranças criminosas proteção baseada em geografia, barricadas, efetivo armado e poderio bélico. QUEM SE ESCONDE NA PENHA TAMBÉM PASSA A TER FUNÇÃO NO COMPLEXO O delegado explicou ainda que os chefes homiziados nos grandes complexos não ficavam simplesmente escondidos. Eles também assumiam responsabilidades locais. No caso da Penha, essas funções eram exercidas juntamente com Edgard Alves, o Doca, e Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala, apontados no depoimento como os principais chefes do complexo. Segundo Moyses Santana, Pedro Bala e Edgard dividiam a liderança do Complexo da Penha. Abaixo deles existia uma estrutura operacional formada por diversos criminosos, sendo apontado como principal braço operacional o acusado conhecido como Gadernal. A descrição feita pelo delegado revela, portanto, uma estrutura hierárquica que não se limitava a uma única favela. O Comando Vermelho mantinha chefes responsáveis por comunidades específicas, mas utilizava grandes complexos como áreas estratégicas de proteção, concentração de poder e, também, atuação criminosa. PENHA TINHA DOIS GRANDES CHEFES Dentro dessa estrutura, Doca e Pedro Bala aparecem como os principais nomes do comando do Complexo da Penha. O delegado afirmou em Juízo que os dois exerciam conjuntamente o controle da região e que, abaixo deles, havia diversos braços operacionais. Um desses nomes era Gadernal, identificado como um dos principais operadores da estrutura. A investigação, portanto, descreve uma cadeia de comando que ia dos principais chefes do complexo até os responsáveis por setores específicos e pela operação cotidiana do tráfico. “MACARRÃO” TINHA GERÊNCIA DENTRO DA PENHA Outro acusado citado pelo delegado é Carlos Alexandre Pinto, o Alex Macarrão. Segundo Moyses Santana, ele não possuía a mesma estrutura de Daniel Afonso, que seria responsável pela chefia de uma comunidade inteira. Ainda assim, Carlos Alexandre exerceria uma função de gerência dentro do próprio Complexo da Penha, em uma localidade denominada Macarrão. A diferença entre os dois casos ajuda a demonstrar a divisão de funções existente na organização: enquanto alguns criminosos ocupavam posições de liderança sobre comunidades inteiras, outros exerciam gerências e funções operacionais dentro de áreas específicas dos grandes complexos. OUTRO CHEFE, ESCONDIDO NA ESTRUTURA DA FACÇÃO O depoimento também aponta Thiago Barbosa, conhecido como Th do Rasta, como chefe do tráfico da Comunidade do Rasta, em Duque de Caxias. Segundo o delegado, Thiago era uma grande liderança do tráfico naquela localidade e estaria relacionado a diversos roubos de veículos e de cargas. O criminoso também possuía mandados de prisão pendentes e anotações criminais, sendo descrito pelo delegado como alguém procurado havia algum tempo. O caso de Thiago se encaixa na mesma lógica de descentralização territorial descrita na investigação: a facção mantém lideranças responsáveis por comunidades específicas, ao mesmo tempo em que utiliza grandes complexos como áreas de proteção para integrantes de maior importância. OPERADOR FINANCEIRO DE DOCA Outro nome de destaque é Nicolas Soares. De acordo com Moyses Santana, Nicolas exercia inicialmente a função de soldado no Complexo da Penha, mas as investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes avançaram até apontá-lo como operador financeiro do Comando Vermelho. Segundo o delegado, Nicolas seria um braço financeiro de Edgard Alves, o Doca, responsável por diversas transações relacionadas à aquisição de armas de fogo e drogas. Após sua prisão, a importância do criminoso para a organização teria ficado ainda mais evidente, sendo descrito pelo investigador como um homem de extrema confiança de Doca. SOLDADO DE CONFIANÇA PARTICIPAVA DA SEGURANÇA DE DOCA Fagner Cândido, o Bafo, também aparece na estrutura descrita pelo delegado. Moyses Santana afirmou que Fagner era soldado do tráfico, mas possuía grande valor para a facção por sua proximidade com Edgard. Segundo o depoimento, Fagner inclusive participava do rodízio de segurança da casa de Doca. O delegado também afirmou que Fagner foi preso junto com Daniel durante o cumprimento de um mandado, portando fuzis. A defesa, entretanto, apresentou versão diferente sobre esse ponto, sustentando que Fagner foi preso dentro de casa, sem ilícitos, e que existem fotografias dele nos autos, mas não portando arma. “PLANTÃO DO PAI URSO”: A SEGURANÇA DO CHEFE A investigação identificou ainda um grupo de WhatsApp denominado “Plantão do Pai Urso (Edgar)”, criado especificamente para administrar a segurança de Edgard Alves. Segundo o delegado, vários dos acusados mencionados na investigação faziam parte

STJ ESCANCARA PODER DE MARCINHO VP: RELATÓRIO REVELA SUPOSTAS ORDENS PARA MORTES, ATAQUES E GUERRAS QUE TERIAM SIDO DADAS DE DENTRO DA PRISÃO

O relatório do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que justificou a decisão de 17 de abril de manter o traficante Marcinho VP em presídio federal fora do Estado do RJ traz uma sequência de crimes do qual o bandido é suspeito de envolvimento ao longo de vários anos, mesmo estando preso. Segundo o documento, a permanência de “Marcinho VP” em estabelecimento penal federal de segurança máxima se dá em atendimento ao interesse da segurança pública, eis que capitaneada por fatos concretos e atuais revelados pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Polícia Civil. Marcinho VP ocupa, ainda hoje, posição de liderança na facção criminosa denominada “Comando Vermelho”, com atuação no domínio do tráfico de drogas do Complexo do Alemão, Complexo da Penha e no Município de São João de Meriti. Destaque-se a autuação do paciente em crimes de violência extremada, dentre eles, rebeliões em unidades prisionais com mortes e incursões abertas em guerras expansionistas geradoras do caos na segurança pública. De acordo com o STJ, ele apresenta histórico penal desfavorável, contando com atos de indisciplina e com influência em outros internos, pertencentes ao Comando Vermelho. Segundo atestado, o paciente ‘Marcinho VP’, membro do Comando Vermelho, é reconhecido como ‘Comandante do tráfico’, um dos responsáveis ‘pela ordem de uma série de ações criminosas ocorridas no Rio de Janeiro em Dezembro de 2006, tendo como alvos Delegacias, Cabines e Viaturas da PMERJ, quartel do Corpo de Bombeiros, assim como depredações a prédios públicos e queima de coletivos, onde resultou na morte de 19 pessoas. Segundo a polícia do Rio, a ordem para os ataques teria partido por via celular, de dentro do presídio de segurança máxima Bangu 1, mais especificamente da cela de Marcinho VP, considerado principal chefe do CV em Bangu I’. A periculosidade do paciente também é extraída pelo fato de ter respondido a inúmeros procedimentos disciplinares por insubordinação, indisciplina, subversão à ordem, evasão, com referência, ainda, a fatos específicos, tais como o de ter sido ‘apontado pela polícia do Rio como um dos mentores da construção de um túnel subterrâneo de 80 metros de extensão que daria fuga em massa aos presos dos complexos penitenciários de Bangu 1 e Bangu III (zona oeste)’, O documento revela que foram interceptadas conversas que confirmaram ter partido dele a ordem para prática de homicídio de oito jovens, vizinhos da Favela de Vigário Geral; vítimas estas que foram torturadas e mortas, ‘para vingar a morte dos moradores de Vigário Geral’. Ademais, foi referenciado seu envolvimento com criminosos também de altíssima periculosidade, eis que, ‘comandou, juntamente com (My Thor), Elias Maluco e (Fernandinho Beira Mar) a rebelião em Bangu I, que resultou na destruição do presídio e na morte de 04 (quatro) detentos, entre eles o (Uê), considerado líder da ADA, cuja autoria foi a ele atribuída’. Na época, houve a suspeiþa que a ebelião teve ajuda de um agente penitenciário que forneceu armamentos e chaves e teria recebido R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais). Mas o policial foi absolvido O relatório comenta ainda sobre sua suposta responsabilidade pela morte da diretora do presídio de Bangu I, Sidneya dos Santos de Jesus, pois, à época, ao que consta, “Marcinho VP” teria se revoltado porque a diretora vinha endurecendo as medidas de segurança, o que desagradou também aos demais presos. Também foi apresentada fundamentação idônea no sentido de que o paciente já foi ‘condenado a 36 anos de prisão por participação em dois homicídios, cometidos em 1996, ambos duplamente qualificados por motivo torpe e meio cruel. Ele teria sido o mentor intelectual do esquartejamento de André Luiz dos Santos Jorge e Rubem Ferreira de Andrade, integrantes de quadrilha rival que disputava o controle do tráfico no Complexo do Alemão’ e ‘em 2003, através de (Disque Denúncia), a Secretaria de Segurança Pública do Rio descobriu que (Marcinho VP) recebia boa parte do faturamento do tráfico que é avaliado em 1 milhão de reais, levados a Bangu I por suas duas irmãs e pela sua esposa (Márcia). O dinheiro era destinado ao pagamento de alguns agentes que lhe davam proteção e concessão de regalias, como telefone celular, drogas entre outros objetos proibidos’. De acordo com o relatório, a transferência de Marcinho VP para o sistema federal (Penitenciária Federal de Catanduvas) com os demais integrantes das facções criminosas do Complexo Bangu, ocorreu em virtude de levantamento de ‘dados indicativos de que as lideranças estariam mobilizando seus comparsas extramuros com o objetivo de reiniciar as ações perpetradas, com reflexo nas penitenciárias, possivelmente com início de uma rebelião em cadeias destinadas a custódia de presos ligados ao Comando Vermelho’. É um dos suspeitos de ter assassinado em Bangu III o interno Márcio Amaro de Oliveira (também chamado de (Marcinho VP), que fora encontrado no lixo, após morte por asfixia mecânica (estrangulamento). Marcinho VP foi o personagem do documentário (Abusado) de Caco Barcelos e foi morto em represália por ter revelado muitos segredos do Comando Vermelho ao repórter, fornecendo detalhes sobre o esquema do tráfico de drogas). Além do histórico gravíssimo de criminalidade e subversão que recai sobre o paciente ‘Marcinho VP’, o ofício da Diretoria do Sistema Penitenciário Federal indica fatos atuais no sentido de que ‘o poder de domínio do reeducando’ perdura até hoje, visto que há ‘notícias recentes de que o preso negociou uma trégua temporária com sua principal facção rival com o objetivo de unirem forças para o enfrentamento ao Estado brasileiro’. Logo, a periculosidade do paciente, o histórico envolvendo a prática de crimes de extrema gravidade, os persistentes atos de indisciplina no sistema prisional, a perenidade de execução de ações de liderança em facções criminosas (Comando Desde sua inclusão no SPF, o interno em questão manteve sua posição de controle e influência sobre outros presos, uma vez que tem grande poder aquisitivo, voz de comando e respeito de outras lideranças de seu grupo criminoso. Tem registros de indisciplina e inclusão no Regime Disciplinar Diferenciado – RDD, além de tentar constantemente burlar os procedimentos de segurança das unidades penais federais em que esteve preso com comunicações ostensivas

Veja argumentos do MP Eleitoral para pedir a impugnação de candidaturas suspeitas de ligação com organizações criminosas no RJ como neto de bicheiro e filho de deputada acusada de envolvimento com milícia

O Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação da candidatura de João Drumond à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) após identificar, em provas compartilhadas pelo GAECO/MPF, elementos que, segundo a Procuradoria, podem indicar a utilização da candidatura para alcançar representação dos interesses do jogo do bicho dentro do Legislativo fluminense. As novas provas foram obtidas durante uma investigação criminal e encaminhadas à Procuradoria Regional Eleitoral após autorização judicial para o compartilhamento do material. Segundo o GAECO/MPF, a investigação apura crimes de violação de sigilo funcional e obstrução de investigação envolvendo uma organização criminosa com integrantes relacionados a contraventores do jogo do bicho. O material aponta, de acordo com o Ministério Público, relações de proximidade entre Vinícius Pereira Drumond e Jader Areas, apontado como liderança da organização criminosa investigada na chamada Operação Trampo. Também aparecem nas investigações outros suspeitos de integrar a organização, entre eles Jomar Duarte Bittencourt Junior. Foi justamente em material telemático relacionado a Jomar, segundo o GAECO/MPF, que foram encontradas provas sobre o envolvimento dele na candidatura de João Drumond à Alerj. Para a Procuradoria, esse elemento é particularmente relevante porque o caso deixa de envolver apenas o parentesco do candidato com integrantes da família Drumond ligados à contravenção. João Drumond é neto de Luiz Pacheco Drumond, o Luizinho Drumond, apontado no relatório de inteligência como um dos mais poderosos contraventores do Rio de Janeiro, e sobrinho de Vinícius Pereira Drumond, citado em investigações relacionadas ao jogo do bicho e a outros crimes. O relatório de inteligência utilizado pelo Ministério Público afirma ser possível inferir uma ligação, ainda que indireta, de João Drumond com o jogo do bicho no Rio justamente em razão desses vínculos familiares. O documento também cita Vinícius Drumond como alvo de investigações sobre contravenção, agiotagem, lavagem de dinheiro, corrupção e possível envolvimento no assassinato do advogado Rodrigo Marinho Crespo, morto no Centro do Rio em 2024. Segundo o relatório, Vinícius teria herdado influência sobre a escola de samba Imperatriz Leopoldinense e pontos ligados à contravenção em áreas como Ramos, Manguinhos, Maré, Bonsucesso, Complexo do Alemão, Penha, Parada de Lucas e Vigário Geral. O relatório também menciona a participação de João Drumond em atividades de uma ONG localizada no Complexo do Alemão, região que, segundo o documento, seria dominada pelo Comando Vermelho. Com o compartilhamento das provas obtidas pelo GAECO/MPF, a Procuradoria Regional Eleitoral afirma que o quadro apresentado no pedido inicial de impugnação foi “sobremodo robustecido”. O Ministério Público destaca principalmente os elementos que, segundo o órgão, apontam para a participação de pessoas investigadas na própria candidatura de João Drumond. Na avaliação da Procuradoria, os novos elementos, somados ao contexto familiar já apresentado, podem indicar que a candidatura teria sido utilizada para buscar representação dos interesses do jogo do bicho na Alerj. Por isso, o MPE pediu que toda a documentação compartilhada pelo GAECO/MPF seja incorporada ao processo e considerada na análise da impugnação. A acusação apresentada pelo Ministério Público ainda será analisada pela Justiça Eleitoral, que decidirá sobre a situação da candidatura. Outra candidatura que o MPE pediu impugnação foi a de Júnior da Lucinha, sob argumentação que ela seria resultado da tentativa de preservação de uma estrutura política construída em território apontado como área de atuação de organização criminosa. O órgão sustenta que a candidatura representa um projeto político independente, mas uma estratégia de sucessão eleitoral para preservar o espólio político e territorial da família Barros, estrutura que, segundo a acusação, estaria vinculada às mesmas redes de influência investigadas por constituição de milícia privada. Atual vereador e filho da deputada estadual Lucinha, o candidato teria assumido, de acordo com o MPE, o papel de substituto político da mãe depois que ela foi impedida de disputar a reeleição. Para a Procuradoria, a candidatura seria uma forma de manter o projeto político familiar mesmo diante das acusações criminais que atingem Lucinha. Lucinha é ré em ação penal que tramita no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, decorrente das investigações da Operação Dinastia II. Segundo a denúncia do Ministério Público, ela é acusada de constituição de milícia privada e apontada como integrante do núcleo político da organização criminosa conhecida como Bonde do Zinho, Tropa do Z ou Família Braga, grupo liderado por Zinho e com atuação predominante na Zona Oeste do Rio. A acusação sustenta que Lucinha teria utilizado sua condição de agente pública para defender interesses da organização criminosa, interferindo politicamente para favorecer o grupo, dificultar ações do Estado e proteger seus integrantes. O caso chegou a provocar o afastamento cautelar da deputada do cargo parlamentar por decisão judicial, medida posteriormente revertida pela Assembleia Legislativa. Para o MPE, é nesse contexto que surge a candidatura de “Júnior da Lucinha”. Segundo os Relatórios Técnico e de Inteligência anexados ao processo, existe uma forte coincidência entre a votação obtida por Lucinha nas eleições de 2022 e a votação de seu filho nas eleições municipais de 2024. De acordo com a análise apresentada pela Procuradoria, cerca de 89,9% dos votos de Lucinha no município do Rio de Janeiro ficaram concentrados em zonas eleitorais de Santa Cruz e Campo Grande. Nas eleições seguintes, “Júnior da Lucinha” teria reproduzido praticamente o mesmo padrão, com 89,1% de sua votação concentrada nas mesmas regiões. O relatório do TRE-RJ classificou como “extremamente atípico” o desempenho da família Barros em 36 locais de votação reunidos em um mesmo agrupamento geográfico. Segundo o documento, esses locais estariam situados em áreas apontadas como território de atuação do Bonde do Zinho. Um dos exemplos citados é uma escola municipal onde a família Barros teria alcançado 48,1% dos votos nominais, índice 10,7 vezes superior ao obtido pelo segundo colocado. Outro dado destacado pela investigação é que as nove zonas eleitorais nas quais Lucinha obteve suas maiores votações são exatamente as mesmas em que seu filho concentrou os maiores resultados, circunstância interpretada pelo MPE como indício de manutenção da estrutura político-eleitoral anteriormente construída pela deputada. O relatório também aponta a atuação de Leonardo, irmão de um miliciano identificado pelo apelido de “Teco”, condenado a

Chefão do CV usa redes sociais para declarar guerra a rivais do TCP. “Para que haja paz é preciso ter a guerra”

Apontado como principal liderança do Comando Vermelho em Duque de Caxias, o traficante Bochecha Rosa (BX), que controla a Favela do Corte 8, fez uma publicação no seu perfil do Instagram sobre alguns acontecimentos em favelas dominadas pelo TCP em Duque de Caixas, se referindo a Gramado e Pantanal. Ele deixou claro que vai começar a guerra pra tomar essa região. Após a publicação, moradores dessas áreas teriam mandado mensagens para o criminoso pedindo ao BX para tomar essa área que é dominada pelo traficante Corinthians. Veja as postagens: Anos atrás, os traficantes Corinthians e Flamengo deram um golpe na quadrilha do traficante Fernandinho Beira-Mar e tomaram áreas dele em Duque de Caxias. Os comentários sobre possível guerra na região já circulam há alguns dias nas redes sociais.

Munição para a milícia seria retirada na Vila Kennedy, área dominada pelo CV, segundo investigação

Uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) sobre uma milícia que atuava nos bairros Xavantes e Babi, em Belford Roxo, revela um episódio que chama atenção pela possível conexão entre grupos criminosos de territórios distintos: uma carga de 80 caixas de munição calibre 9mm teria sido disponibilizada para retirada na Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, área de atuação do Comando Vermelho (CV). A informação aparece nas mensagens recuperadas do celular de Gustavo Sena de Castilho, o “Pulga”, durante a investigação que resultou na Operação Dazazé. Segundo a denúncia, o aparelho continha comunicações que detalhavam o funcionamento da milícia, sua divisão de tarefas e a atuação de seus integrantes. Entre os investigados está Joaquim Ilson Oliveira Costa, o “Ilsinho”, apontado pelo Ministério Público como integrante da organização criminosa. De acordo com a investigação, ele teria exercido diferentes funções de apoio ao grupo, entre elas a comunicação de roubos ocorridos na região, o transporte de integrantes, a ocultação de veículos roubados ou adulterados e a intermediação para aquisição de munições. Foi justamente essa última atividade que levou a investigação até a Vila Kennedy. Conforme os elementos extraídos do aparelho celular, em 27 de setembro de 2024, Ilsinho teria encaminhado a Pulga uma fotografia de caixas de munição calibre 9mm acompanhada de uma mensagem informando que 80 caixas estavam disponíveis para retirada na Vila Kennedy. O episódio ganha relevância porque a Vila Kennedy é uma área historicamente associada à atuação do Comando Vermelho. A informação, portanto, levanta uma suspeita sobre a existência de uma conexão ou de algum tipo de canal de fornecimento de munições entre integrantes da milícia investigada em Belford Roxo e criminosos que atuam em território do CV. A investigação, por si só, não estabelece que a facção tenha fornecido as munições à milícia nem identifica, no trecho analisado, quem seria o responsável pela disponibilização da carga. O que consta é que a munição foi anunciada para retirada naquele território e que o contato atribuído a Ilsinho aparece relacionado à negociação. A circunstância, contudo, passou a integrar o conjunto de elementos usados pelo Ministério Público para sustentar a participação dele na estrutura criminosa. A linha telefônica utilizada nas conversas estava registrada no celular apreendido sob o nome “Ilsinho” e, segundo a denúncia, encontrava-se vinculada à chave PIX atribuída ao investigado. A atuação de Ilsinho, segundo o Ministério Público, não teria se limitado à questão das munições. Em 26 de março de 2024, ele teria avisado Pulga sobre dois homens que estariam praticando roubos na região em uma motocicleta e portando uma arma de fogo, informação que serviria para que integrantes da milícia os abordassem posteriormente. Dois dias depois do episódio envolvendo a munição, em 29 de setembro de 2024, Ilsinho teria sido acionado para buscar o corréu Lucas da Silva Santos no bairro Babi e levá-lo até Xavantes. Depois que Lucas se envolveu em um acidente com uma motocicleta apontada como produto de crime, Ilsinho teria comparecido ao local. No dia seguinte, ainda segundo a investigação, encaminhou um vídeo mostrando que havia retirado a motocicleta, evitando que o veículo fosse apreendido pela polícia. Os elementos foram obtidos no âmbito do Procedimento Investigatório Criminal nº 02.22.0006.0031349/2024-49, conduzido pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (GAECO), e posteriormente utilizados para fundamentar a prisão preventiva dos investigados. A investigação descreve uma estrutura organizada de milícia privada em Belford Roxo, com atuação especialmente nos bairros Xavantes e Babi. Segundo o Ministério Público, o grupo teria divisão de tarefas, cobrança de “taxas de segurança” de moradores e comerciantes mediante ameaças, corrupção de agentes públicos, utilização de armas de fogo e planejamento de ações violentas contra desafetos. Dentro dessa estrutura, Ilsinho é apontado como alguém que desempenhava funções operacionais de apoio aos demais integrantes. Além da suposta intermediação de munições, teria funcionado como uma espécie de apoio logístico do grupo, transportando criminosos, repassando informações sobre ocorrências, comunicando a presença de suspeitos na região e retirando veículos que poderiam ser apreendidos pela polícia. A decisão judicial que manteve a prisão preventiva destacou que a acusação não estava baseada apenas em afirmações genéricas. O magistrado considerou especialmente as mensagens, fotografias e vídeos recuperados do celular de Pulga, entendendo que esses elementos forneciam indícios concretos da participação de Ilsinho na organização.

Traficante preso em Niterói já fazia ponte internacional do tráfico desde 2017 e chegou a viajar ao Paraguai para comprar maconha

Carlos Alberto de Lima da Silva, o “Cascão”, já era identificado pela polícia, anos antes da prisão desta quarta-feira (19), como um dos responsáveis pela articulação internacional do tráfico de drogas. Investigações que remontam a 2017 apontam que ele atuava como gerente-geral do tráfico na comunidade Nova Brasília, em Niterói, e que chegou a viajar pessoalmente ao Paraguai para buscar carregamentos de maconha destinados à facção. Preso nesta quarta-feira (19) por policiais civis da 76ª DP (Niterói), durante a Operação Fronteira Quebrada, Cascão é apontado como integrante da estrutura do Comando Vermelho responsável pela coordenação do abastecimento de drogas e armas para comunidades da Região Metropolitana e do interior do Rio. Ele foi localizado no Fonseca, em Niterói, enquanto visitava a namorada. A investigação atual mostra que a atuação do criminoso não começou recentemente. Documentos de uma investigação anterior já descreviam Carlos Alberto, à época, como gerente-geral do tráfico na Nova Brasília, subordinado a “Pão com Ovo” e responsável diretamente pela compra de entorpecentes e armamentos, incluindo fuzis calibre 7,62 mm. Mais do que exercer uma função de gerenciamento dentro da comunidade, Cascão já era apontado naquele período como responsável por operações de tráfico com conexão internacional, especialmente no Paraguai. Celular colocou Cascão no Paraguai Um dos episódios mais contundentes registrados na investigação ocorreu quando Cascão teria ido pessoalmente ao Paraguai para adquirir um carregamento de maconha para a organização criminosa. A informação inicialmente surgiu a partir das declarações do delator Fernando Cesar, que apontou Carlos Alberto como um dos responsáveis pelo comando da venda direta de drogas na Nova Brasília, sob as ordens de “Pão com Ovo”. Segundo o relato, Cascão teria viajado ao Paraguai justamente para negociar e buscar a carga de maconha. A versão, porém, não ficou restrita ao depoimento do colaborador. O deslocamento internacional foi posteriormente confrontado com dados de telefonia. O geoposicionamento da antena ERB que atendia o celular utilizado por Cascão indicou que ele efetivamente estava no Paraguai na data apontada pela investigação. Em depoimento prestado em juízo, o delegado Luiz Henrique Pereira confirmou a informação e explicou que o deslocamento mencionado pela testemunha foi corroborado pelo posicionamento da antena de telefonia. Os agentes Bernardo Mendonça e Alexandre Davi também confirmaram judicialmente os elementos reunidos durante a investigação. Conversas da própria família também foram interceptadas As investigações reuniram ainda interceptações telefônicas que reforçaram a ligação de Cascão com o comércio de drogas. Uma das conversas ocorreu entre o criminoso e sua própria avó. Em outro diálogo, Cascão conversou diretamente com um integrante da organização sobre assuntos relacionados à maconha e ao tráfico de drogas. O conjunto de provas levou os investigadores a apontarem que ele não exercia apenas uma função periférica na organização. Segundo a investigação, sua atuação estava diretamente ligada à estrutura responsável pela aquisição, transporte e distribuição dos entorpecentes. Naquele período, Cascão era descrito como gerente-geral do tráfico na Nova Brasília, posição que o colocava no centro da logística de abastecimento da comunidade. Prisão no Paraguai em 2019 A conexão internacional apontada nas investigações acabou levando o criminoso a ser preso no próprio Paraguai. Em 2019, Carlos Alberto foi capturado em Presidente Franco, no país vizinho, em uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro que apurava justamente sua participação na estrutura responsável pelo fornecimento de drogas e armas para comunidades de Niterói. Na ocasião, ele chegou a ser apontado como possível substituto do traficante conhecido como “Marcelo Piloto”. O histórico, portanto, revela uma trajetória que vai muito além da atuação local. Anos antes de ser preso novamente em Niterói, Cascão já aparecia nas investigações como um elo entre os fornecedores internacionais e a estrutura do tráfico instalada nas comunidades fluminenses. De gerente da Nova Brasília a operador da logística da facção Após deixar o sistema prisional, em dezembro do ano passado, segundo as investigações mais recentes, Cascão teria retomado suas atividades criminosas em Niterói. Desta vez, passou a exercer funções financeiras e logísticas dentro da organização, utilizando suas ligações com comunidades como Nova Brasília, no Fonseca, e Morro do Castro, em São Gonçalo, para coordenar a aquisição e o abastecimento de drogas e armamentos destinados a territórios controlados pela facção. As diligências da 76ª DP apontaram ainda que o criminoso participava do gerenciamento da preparação e da embalagem dos entorpecentes e da definição de diretrizes relacionadas à segurança armada das comunidades. A Operação Fronteira Quebrada é resultado de quatro meses de investigação, com utilização de técnicas de inteligência, monitoramento e cruzamento de dados. O objetivo é desmontar a estrutura do narcotráfico que exerce domínio territorial sobre o Morro do Estado, Chácara, Arroz e comunidades vizinhas, em Niterói. As investigações continuam para identificar outros integrantes da organização criminosa e esclarecer toda a cadeia responsável pela movimentação de drogas e armamentos.

Celular de gerente do CV preso em operação na Mangueirinha revela estrutura do tráfico e leva à denúncia de 85, incluindo Doca

Uma operação policial realizada em agosto do ano passado na Mangueirinha, em Duque de Caxias, teve um desdobramento que ultrapassou em muito o resultado imediato da ação. O celular apreendido com um gerente do tráfico preso durante a operação teve os dados extraídos e revelou informações que deram origem a uma investigação contra a estrutura do Comando Vermelho na região e resultaram na denúncia de 85 traficantes, entre eles Edgar Alves de Andrade, o Doca e Bochecha Rosa, que é o chefão local. O aparelho pertencia a Leonardo da Silva Raimundo, conhecido como Toreto, apontado como gerente do tráfico na região da Corte Oito. A partir da análise do telefone, a Polícia Civil identificou a atuação de integrantes da facção de forma coordenada, com divisão de tarefas para a venda de drogas e utilização de grupos de WhatsApp para organização e monitoramento da comunidade. A investigação resultante da extração dos dados foi registrada no inquérito policial nº 964-00015/2025, que deu origem à ação penal nº 0002958-80.2026.8.19.0021, na qual 84 pessoas foram denunciadas. Entre os denunciados está Doca, apontado como liderança do Comando Vermelho. O telefone, portanto, acabou se transformando em uma das principais peças da investigação que levou a Justiça a receber uma ação penal contra dezenas de integrantes da organização criminosa. A operação que deu origem à investigação A operação ocorreu em 22 de agosto de 2025, por volta das 9h, e reuniu equipes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC) e da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA). Os policiais realizaram uma grande ação nas comunidades de Corte Oito e Mangueirinha, em Duque de Caxias, apontadas como áreas dominadas pelo Comando Vermelho. Durante o cerco, moradores indicaram aos agentes o paradeiro de um gerente do tráfico conhecido como Toreto. Leonardo estava armado dentro de uma casa de dois andares, próxima a uma torre de comunicação, na comunidade do Sapo. Quando uma equipe se aproximou do imóvel, os policiais foram recebidos a tiros vindos de uma área de mata. Houve confronto. O policial civil Anderson Ribeiro da Silva foi atingido no peito. O disparo, porém, foi contido pelo colete balístico. O agente sofreu hematoma e lesão, posteriormente comprovados por laudo pericial. Mesmo depois de um dos policiais ser baleado, as equipes mantiveram o cerco à residência. Após receber ordem de rendição, Leonardo abriu a porta e se entregou. Ele foi imediatamente algemado. No interior da casa, os policiais encontraram um fuzil calibre 7,62 municiado e uma mochila contendo grande quantidade de drogas. Leonardo indicou ainda aos agentes a localização de outro fuzil, escondido em um buraco na mata próxima. No ponto indicado foram encontrados um fuzil calibre 5,56, carregadores de fuzil e pistola, munições e mais entorpecentes. Ao todo, a operação resultou na apreensão de dois fuzis, cinco carregadores e 204 munições. Também foram apreendidos cerca de 1,6 quilo de drogas, entre haxixe e maconha, distribuídos em milhares de unidades prontas para a venda. Parte do material trazia inscrições relacionadas ao Comando Vermelho, como “CORTE8 LAGOINHA RUA 5 BANANAL ICE CV 10/25” e “FLOR CV 10”. Os policiais apreenderam ainda uma capa de colete com placas balísticas e o celular que posteriormente seria submetido à extração de dados e daria origem à investigação contra os 84 denunciados. O gerente do tráfico Em interrogatório, Leonardo confessou ser gerente da “boca de fumo JL”, localizada próxima a uma padaria. Segundo ele, trabalhava no ponto de venda de segunda a sexta-feira e recebia R$ 20 por cada 110 canudos de cocaína vendidos. Ele admitiu integrar o Comando Vermelho e afirmou ter efetuado disparos contra os policiais durante a operação. Segundo seu depoimento, o fuzil que utilizava apresentou uma pane mecânica, impedindo que continuasse atirando. Ele então procurou refúgio dentro da residência onde acabou preso. Leonardo também declarou que a reposição de drogas era realizada semanalmente por mototaxistas da própria comunidade. O auto de apreensão registrou 332,88 gramas de haxixe, divididos em 1.500 unidades; 179,30 gramas de haxixe, distribuídos em 793 unidades; e 1.159,70 gramas de maconha, divididos em 2.450 unidades. A prisão de Toreto, entretanto, seria apenas o primeiro capítulo. A partir do conteúdo armazenado no celular apreendido com ele, os investigadores passaram a identificar outros integrantes da organização criminosa, suas funções e a utilização de grupos de WhatsApp para a organização e o monitoramento da comunidade.

Miliciano preso hoje é suspeito de matar antigo aliado e ser personagem de uma histórica e sangrenta guerra em Jacarepaguá. LEIA DETALHES

Policiais da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) prenderam nesta terça-feira (18/08) Lucian Guimarães Ferreira, o Play do Jordão, apontado como uma das antigas lideranças da milícia que atua na região de Jacarepaguá. A prisão ocorreu em um condomínio na Barra da Tijuca e está relacionada à investigação sobre a morte de Leonardo Pacheco Lima, o Léo Problema, assassinado em 11 de março deste ano. Durante a operação, os agentes apreenderam uma escopeta, um revólver, uma pistola e diversas munições. Por causa do armamento, Play também foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo. A investigação sobre o assassinato de Léo Problema prossegue para esclarecer a dinâmica do crime e identificar outros possíveis envolvidos. Segundo a Polícia Civil, Play e Léo Problema eram amigos e teriam se conhecido em 2016, quando estavam presos no Bangu 6. Depois, passaram a atuar juntos em diferentes áreas de Jacarepaguá. Os dois teriam dividido o controle de regiões como Boiúna, Jordão, Tanque e Taquara, explorando fontes de renda ilegais, entre elas gatonet, gás e água. Com o avanço do Comando Vermelho, porém, algumas áreas foram perdidas para a facção. A investigação trabalha com a hipótese de que a relação entre os dois acabou sendo superada pela disputa pelo poder e pelo dinheiro. Play é suspeito de ter participado da morte de Léo Problema para ficar com o controle das áreas que anteriormente eram divididas entre os dois. A trajetória dessa dupla está diretamente ligada à guerra que durante anos envolveu a milícia da Taquara, outros grupos paramilitares de Jacarepaguá e o Comando Vermelho. A queda de Nem e Damião da Malvina Antes da ascensão de Play e Léo, a região da Taquara era controlada pelos irmãos Nem e Damião da Malvina. Os dois haviam sido aliados do grupo de Ecko, morto em 2021. Nem acabou preso em 2022 e, a partir daí, Damião passou a exercer o comando de várias comunidades da região. Entre as áreas que estavam sob influência do grupo estavam Malvinas, Caramarú, Invasão, Nova Aurora, Tancredo e Lote Mil. Damião também foi preso em 2023. Durante o período em que permaneceu atrás das grades, o comando passou para seu filho, João da Malvina. Depois de deixar a prisão, Damião voltou a exercer influência sobre a estrutura. Foi justamente nesse período de enfraquecimento da antiga liderança que Play do Jordão e Léo Problema começaram a ganhar espaço. Os dois teriam passado a atuar contra o grupo dos irmãos Juvino, Damião e Nem, avançando sobre as áreas que eles controlavam. Damião acabou assassinado. Segundo a investigação, Léo Problema e Play do Jordão teriam participado da articulação para matar Damião, abrindo caminho para que os dois assumissem as comunidades anteriormente controladas pelos irmãos. O episódio marcou a ruptura da antiga estrutura da milícia da Taquara e a ascensão de uma nova composição, da qual também faziam parte nomes como Acrísio, Tota e Betinho. Horácio, o arsenal e a expansão de Play e Léo Antes de se tornar uma das principais lideranças da Taquara, Léo Problema já tinha uma ligação antiga com a estrutura criminosa da região. Ele havia trabalhado como segurança do miliciano Horácio, que controlava áreas da Praça Seca e de Jacarepaguá. Horácio foi assassinado em Búzios, em 2023. Depois da morte dele, Play e Léo teriam ampliado sua atuação sobre áreas que estavam nas mãos de outros grupos paramilitares. Um dos pontos mais importantes dessa expansão foi o arsenal de armas. Segundo informações que circulavam entre investigadores e nos bastidores da criminalidade, a nova estrutura teria conseguido ficar com mais de 40 fuzis que pertenciam ao grupo de Horácio, além de outras armas que estavam em poder da antiga milícia de Damião. O domínio desse arsenal aumentou o poder de fogo do grupo justamente quando começavam novas disputas territoriais na Zona Oeste. Léo Problema também passou a ser relacionado a outros episódios violentos. Ele era apontado como suspeito de envolvimento na morte do miliciano conhecido como Cientista, assassinado em Jacarepaguá em 2024. A sequência de mortes, prisões e mudanças de comando abriu espaço para uma nova configuração da milícia na Taquara. Acrísio, Tota e Betinho entram na disputa Com a queda da antiga estrutura de Nem e Damião, Acrísio e Tota, ligados à milícia da Cabeça de Porco, passaram a atuar ao lado de Play e Léo. Outro nome que ganhou espaço foi Betinho. Segundo informações que circulavam sobre a reorganização dos grupos, Betinho teria participado da tomada da Vila Sapê, em uma disputa que envolveu o miliciano conhecido como Boto. A partir daí, Play, Léo, Betinho, Acrísio e Tota passaram a formar uma nova composição paramilitar na região da Taquara. A estrutura tinha como uma de suas bases a Cabeça de Porco e passou a disputar áreas que anteriormente estavam sob o controle dos irmãos Malvina. A expansão, porém, encontrou um obstáculo cada vez maior: o Comando Vermelho. A guerra com o Comando Vermelho A disputa pelo território da Taquara deixou de ser apenas uma briga entre grupos de milicianos. O Comando Vermelho passou a avançar sobre comunidades que estavam nas mãos de paramilitares. Entre os grupos ligados ao tráfico que passaram a pressionar a região estava a Tropa de Madureira, apontado como uma das lideranças do CV na área. O grupo ligado a Play e Léo tinha como objetivo ampliar seu território justamente em regiões que estavam sob domínio do tráfico. A Boiúna, por exemplo, era uma área de interesse na disputa com o grupo ligado a Madureira. No Jordão, havia a presença do tráfico ligado ao CV, enquanto comunidades como Santa Maria e Teixeiras também apareciam no mapa das áreas controladas pela facção. Play passou a fazer incursões no Jordão, o que provocou ataques e reações do Comando Vermelho. A guerra se espalhou por outras áreas de Jacarepaguá. Em 2025, a milícia ligada a Play e Léo passou a contar com apoio de grupos de Catiri e Santa Cruz, enquanto o grupo de André Boto e Capitão América, ligado a Rio das Pedras,

Relatório aponta que PM suspeito de atirar e matar jovem durante operação do BOPE no Catete teria dito: “Sai, filho da puta”. Ação provocou discordância entre policiais. LEIA BASTIDORES

Relatório da Justiça destrincha bastidores de uma equivocada operação do BOPE em 7 de junho do ano passado que terminou com a morte de um jovem inocente e deixou cinco pessoas baleadas no Morro do Santo Amaro, no Catete, na Zona Sul carioca. O documento mostra como um rapaz chamado Herus Guimarães Mendes, então com 23 anos, acabou morto. Segundo a Justiça, o jovem foi atingido por disparos porque fez menção de correr, desatendendo a ordem dada por um dos PMs, segundos antes, conforme demonstram as imagens captadas pela câmera corporal. Após ver o rapaz caído, o PM que efetuou os disparos chegou a afirmar: “Sai filho da puta”, de acordo com o que consta no relatório. Quando foi atingido, Herus encontrava-se de costas para o PM, completamente desarmado, em movimentação indicativa de sua intenção de buscar abrigo e proteção em relação à ação policial O relatório aponta que o PM estava no topo de uma escadaria onde pôde visualizar Herus encostado a um poste de iluminação, quando, então, sob a mira de seu fuzil, determinou que o rapaz seguisse, dizendo “vem, vem”. Ocorre que a vítima hesitou por alguns instantes e, então, fez menção de correr (sem esboçar, vale dizer, nenhuma ação que pudesse colocar em risco o policial ou seus colegas de farda). Não obstante não ter havido nenhum sinal que pudesse sugerir agressão atual ou iminente por parte da vítima, o PM de maneira inteiramente injustificada, efetuou disparos de arma de fogo contra Herus, vindo a causar-lhe o resultado morte. “A peça técnica, demonstra que “a convergência dos elementos dinâmicos e dos achados médico-legais” e “a análise técnica integrada da dinâmica dos fatos e dos achados necroscópicos permite concluir, com elevado grau de certeza pericial” que “a movimentação corporal de Herus Guimarães Mendes era inequivocamente compatível com a busca por abrigo e proteção, e não com qualquer ato de agressão ou ameaça”, diz o relatório. O documento aponta que o oficial de operações do BOPE omitiu- se de maneira penalmente relevante, faltando aos deveres acima referidos, ao deixar de comunicar aos seus superiores que se realizava uma festa junina no local no momento da operação. Na ocasião, conforme a Ordem de Operações nº 072/2025 do BOPE, foi determinada a realização de operação policial dos tipos A Rep I (vasculhamento) e A Rep II (busca e captura), na localidade a ser desempenhada pela Equipe ALFA de Operações Especiais, Para justificar a operação, havia a notícia de que “a ação de indivíduos fortemente armados integrantes da organização criminosa Comando Vermelho, responsável por diversas práticas criminosas na comunidade Santo Amaro e que vem causando comprometimento à segurança e ordem públicas trazendo crescimento exacerbado nos indicadores de criminalidade de roubo de cargas, roubo de veículo e letalidade violenta da AISPDurante o dia anterior (06/06/2025), um dos PMs contactou várias vezes o Subcomandante da unidade, solicitando autorização para realizar a operação. A ação só foi concedida somente por volta das 23:00h, ao que o PM chegou a se insurgir, sob o argumento de que a equipe já estaria descansando. Ainda assim, o subcomandante manteve a autorização, afirmando que o descanso da equipe não seria motivo para o adiamento de uma operação que já havia sido devidamente autorizada. Neste cenário, por volta da 01:00h da madrugada do dia 07 de junho, a Equipe de Busca do Serviço Reservado (P2) do BOPE, foi acionada proceder ao reconhecimento aéreo, com o drone da corporação, da comunidade do Santo Amaro. Em um primeiro sobrevoo, não foram visualizados criminosos ostensivamente armados ou praticando a mercancia ilícita de material entorpecente.Porém, foi constatada a realização de uma festa junina com grande aglomeração de pessoas. Registre-se que este primeiro voo foi interrompido devido às condições meteorológicas, tendo sido retomado por volta das 02h30min, quando, então, foi possível visualizar a presença de criminosos armados do outro lado da comunidade, em uma escadaria localizada na Rua Pedro Américo, além da própria festa junina. O cenário foi comunicado a um dos PMs que, não obstante, deixou de informar seus superiores hierárquicos e decidiu pela manutenção da operação policial, mesmo diante da aglomeração de pessoas causada pela festa junina em andamento, em clara violação de seu dever objetivo de cuidado, proteção ou vigilância, quando podia e devia ter agido de modo a garantir a incolumidade das pessoas presentes no evento e, em última instância, de seus próprios comandados. Vale ressaltar que a orientação dada pelo PM aos seus comandados de que não ingressassem na mas que circulassem apenas pelas vias próximas à toda evidência, se mostrava claramente insuficiente para mitigar o altíssimo risco de danos colaterais durante a ação policial. De fato, em diálogo captado pela câmera corporal vê- se que o PM tinha plena ciência da perigosa proximidade dos traficantes : …Posso te falar uma parada… olha só… presta atenção! Tem uma caixa de som no meio da rua… que está dividindo… atrás da caixa de som, está vazio e lá atrás é onde o bonde… então, se tu entrar… em vez de entrar pela rua que a gente entrou, entrar pelo que o Daniel foi, entrou e até o final, tu sai lá no miolo da favela, tu sai atrás da festa, que é onde o bonde… […] … Tu entendeu, o beco da direita… … … tu vai descer reto nele, tu vai entrar à esquerda, tu vai sair atrás da festa… a festa vai estar atrás de tu e o bonde vai tá ali, né… … Tu tá entendendo o que eu tô falando? … (…) … sim, mas tu tá entendendo que tu vai sair atrás da festa e o bonde vai estar atrás… Já durante o deslocamento, o PM reforçou sua posição: Por volta das 03h10min, um tenente comentou já foi informado de alguns meliantes estão em uma laje após o local da festa. Um minuto depois, o tenente recebe ligação onde foi informado que tem muita gente na rua, crianças, e que o ideal seria realizar a operação às 05h30min ou 6h, pois tem muita criança

CATEGORIA:

copyright © 2025 Fatos Policiais. todos os direitos reservados

Rolar para cima