Ameaças de demissão, conflitos envolvendo direitos trabalhistas e até cobranças relacionadas a um antigo acidente com carro da empresa estão entre as possíveis motivações apontadas por testemunhas para o desaparecimento do vigilante Maximiliano Pina Julio, em Niterói. O caso ganhou contornos ainda mais assustadores após a vítima aparecer ensanguentada em uma chamada de vídeo para a namorada, afirmando ter sido baleada pelo próprio patrão momentos antes de desaparecer sem deixar rastros.
A Justiça do Rio aceitou a denúncia do Ministério Público e decretou a prisão preventiva de Bruno Cordeiro Gomes de Souza e Marcelo São Paio de Figueiredo, investigados por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e fraude processual.
Segundo testemunhas ouvidas pela polícia, Maximiliano vivia um ambiente de tensão no trabalho meses antes do desaparecimento. Um dos relatos aponta que ele vinha sofrendo pressão após ter batido um carro da empresa cerca de dois anos atrás. Ainda segundo o depoimento, Marcelo, apontado como fiscal do contrato da empresa de segurança, estaria ameaçando demiti-lo e utilizar parte do FGTS da vítima para cobrir os prejuízos do veículo.
Outra testemunha relatou que existiam conflitos relacionados à supressão de direitos trabalhistas dos funcionários quando os serviços ainda eram prestados por outra empresa ligada ao mesmo grupo. Segundo o depoimento, o clima interno era marcado por desentendimentos e ordens consideradas abusivas.
As suspeitas cresceram ainda mais após a revelação de uma conversa considerada extremamente perturbadora pelos investigadores.
Na manhã de 21 de fevereiro de 2026, por volta das 7h05, a namorada de Maximiliano recebeu uma chamada de vídeo pelo WhatsApp. Segundo o relato prestado à polícia, o vigilante aparecia caído no chão, coberto de sangue e gritando por socorro.
Durante os 57 segundos da ligação, ele repetia várias vezes que havia sido baleado pelo próprio patrão, identificado como Marcelo.
A testemunha afirmou que Maximiliano tentava se levantar apoiado em uma mesa enquanto segurava o celular. Havia sangue na camisa, nas mãos e também espalhado pelo chão ao redor dele.
A ligação caiu abruptamente e, desde então, ele nunca mais foi visto.
Desesperada, a namorada foi até o local onde o vigilante trabalhava, na unidade da PESAGRO, no Horto do Fonseca, em Niterói. Lá, descobriu que Maximiliano sequer havia assumido o plantão naquele dia. A motocicleta usada por ele também não estava mais no estacionamento da empresa.
Policiais militares e bombeiros realizaram buscas na área, mas não encontraram vestígios aparentes de sangue, sinais de luta corporal ou qualquer pista concreta do paradeiro da vítima.
As investigações avançaram após análise de imagens de câmeras de segurança obtidas pela Delegacia de Homicídios.
Segundo os autos, as gravações mostrariam um dos acusados circulando pela área pouco antes do desaparecimento. Em outro momento, um homem apontado como sendo Maximiliano aparece chegando de motocicleta ao local de trabalho.
Pouco depois, as câmeras registrariam a moto da vítima sendo levada e escondida em outro endereço.
Outro trecho das imagens mostra dois homens carregando um objeto não identificado para dentro de um veículo preto ligado à empresa investigada.
Uma testemunha também afirmou que, dias após o desaparecimento, encontrou a sala de segurança do local completamente diferente do habitual. Segundo o relato, móveis haviam sido reposicionados, havia marcas recentes de cimento no chão e um forte cheiro de produto no ambiente, indicando uma possível limpeza ou alteração às pressas.
Para o Ministério Público, os depoimentos, as imagens e o comportamento dos investigados formam um conjunto robusto de indícios sobre a prática dos crimes.
Na decisão que decretou as prisões preventivas, a Justiça destacou a gravidade concreta do caso, o risco de intimidação de testemunhas e a necessidade de preservar a instrução criminal.
Apesar das prisões decretadas, o paradeiro do corpo de Maximiliano continua desconhecido, aumentando ainda mais o mistério e a repercussão de um caso que mistura desaparecimento, denúncias graves e uma ligação de vídeo que pode ter registrado os últimos momentos da vítima.