A prisão de Thiago Américo do Livramento, o Cocão, nesta semana, após retornar de Dubai, colocou novamente em evidência um dos integrantes apontados pela investigação como peça da engrenagem responsável pela receptação e conversão em dinheiro de celulares roubados e furtados para uma organização criminosa ligada ao Terceiro Comando Puro (TCP).
De acordo com o levantamento policial, Cocão não atuaria apenas na obtenção dos aparelhos. Ele aparece identificado no núcleo de receptação e conversão final de ativos, etapa que vinha depois dos furtos e roubos e das fraudes praticadas com os celulares das vítimas.
A dinâmica descrita na investigação funcionava em etapas. Integrantes do grupo de execução seriam responsáveis por furtar e roubar celulares, principalmente na Zona Sul do Rio. Os aparelhos seguiriam posteriormente para outros integrantes responsáveis pelo processamento dos dispositivos e pela extração de valores através de fraudes bancárias.
Somente depois de esgotada essa etapa, os telefones chegariam ao núcleo de receptação. É nesse ponto que aparece Cocão.
Segundo a investigação, os celulares poderiam ser revendidos inteiros ou desmontados para comercialização das peças, transformando novamente em dinheiro os aparelhos obtidos através dos crimes. O dinheiro resultante alimentaria o funcionamento da organização.
DE FURTOS A UMA ESTRUTURA ORGANIZADA
O levantamento policial aponta que a quadrilha possuía integrantes com funções distintas.
Antônio Luiz Lima da Silva, por exemplo, é apontado como integrante do grupo de execução, com atuação direta em furtos e roubos de aparelhos celulares na Zona Sul, sob a gerência de Bananinha.
Os registros mostram uma sequência de ocorrências envolvendo furtos de celulares e de transeuntes desde 2022 e 2023. Em outubro de 2023, Antônio aparece ainda em uma ocorrência de tentativa de homicídio contra autoridade ou agente de segurança.
Já em novembro de 2025, ele passou a figurar em registro relacionado a lavagem de capitais e associação criminosa, segundo o levantamento.
Outro integrante identificado é Richard Vitorino da Silva, apontado como roubador. Segundo a investigação, ele atuava na linha de frente, realizando assaltos para obtenção de celulares e outros objetos de valor, inclusive peças de ouro.
COCÃO E A ETAPA FINAL
O histórico atribuído a Cocão mostra uma trajetória que, segundo a investigação, evoluiu dos crimes de rua para uma função mais específica dentro da estrutura.
Em 2020, ainda adolescente, aparecem registros de roubos a transeuntes. Em 2023, há ocorrências relacionadas a jogos de azar e posteriormente a furto de celulares.
Entre 2024 e 2025, Cocão aparece relacionado a registros de receptação, inclusive receptação qualificada, indicando, de acordo com o levantamento, uma atuação voltada ao escoamento sistemático de produtos provenientes de crimes.
Em abril de 2025, surge ainda em investigação por associação criminosa armada. Em novembro do mesmo ano, aparece relacionado a lavagem de capitais e associação criminosa.
É nesse contexto que a prisão após a viagem a Dubai ganha relevância: segundo a investigação, Cocão seria justamente um dos responsáveis pela última etapa da cadeia criminosa, recebendo os aparelhos depois de roubados ou furtados e ajudando a transformá-los novamente em dinheiro.
A prisão, portanto, não representa apenas a captura de um suspeito de receptação, mas atinge um integrante apontado pela investigação como responsável por uma etapa essencial para manter funcionando o ciclo financeiro da quadrilha: roubar, explorar financeiramente o celular da vítima e, depois, revender o próprio aparelho.