Segundo informações obtidas pela reportagem, o ataque promovido pelo Comando Vermelho contra o Complexo da Serrinha, em Madureira, na madrugada desta segunda-feira, teria mobilizado um verdadeiro aparato de guerra da facção. Traficantes das comunidades do Juramento, Faz Quem Quer, Congonha, Cajueiro, Ipase e Campinho, além dos chamados bondes do Gão, Gravetinho, Cinquenta e Zero, teriam participado da incursão.
A ofensiva teria deixado pelo menos um rival morto e resultado no roubo de quatro fuzis e de cargas de drogas. Os invasores teriam avançado pelas localidades da Fazenda e do Fungá, dentro da área de influência da Serrinha.
O ataque seria uma resposta direta ao baque sofrido pelo Comando Vermelho dias antes, quando o Terceiro Comando Puro (TCP) promoveu uma ofensiva contra Faz Quem Quer, Congonha e Cajueiro. A ação terminou com pelo menos três mortos e elevou ainda mais a temperatura de uma guerra que já vinha se arrastando pela região.
VEJA A COMEMORAÇÃO DOS BANDIDOS: https://x.com/CAOSNORJ021/status/2097024092297642014/video/1
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O traficante morto durante o ataque do CV Destaria tentando entrar com uma carga de drogas no Complexo da Serrinha quando foi interceptado por traficantes do Comando Vermelho, próximo à divisa com o Morro do Juramento. Segundo informações, os traficantes do CV roubaram a carga e executaram o rival. E ainda debocharam.

GUERRA LONGE DE ACABAR
E, segundo os relatos obtidos pela reportagem, a batalha está longe de terminar.
A expectativa entre pessoas que acompanham a movimentação do tráfico é de agravamento do conflito após o chefão da Serrinha, conhecido como Lacoste, ter arrendado o controle da comunidade para o traficante Coelhão. A mudança de comando poderia representar uma nova fase de expansão territorial, já que Coelhão seria apontado como um criminoso de perfil extremamente ofensivo, disposto a ampliar os ataques contra áreas controladas pelo Comando Vermelho e, paralelamente, intensificar os roubos na região.
A estrutura de guerra de Coelhão contaria ainda com traficantes experientes e oriundos de outras facções. Entre eles estariam dois homens que teriam vindo da ADA (Amigos dos Amigos), mas que seriam crias justamente de comunidades que hoje aparecem no radar dos confrontos: Savinho, apontado como oriundo do Juramento, e Messi do Urubu. Outro nome citado é o de Cocão, que teria ligação com a Congonha.
A brutalidade da disputa ficou ainda mais evidente na última guerra registrada no fim de semana. Uma fonte revelou à reportagem que um dos traficantes do Comando Vermelho mortos no confronto teria sido decapitado e que sua cabeça teria sido levada para a Serrinha. A informação, por sua extrema gravidade, é tratada pela reportagem como relato de fonte e ainda depende de confirmação independente.
A Serrinha também estaria servindo atualmente como área de abrigo para o traficante Scooby, apontado como antigo dono das bocas de fumo do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, território que foi tomado pelo Comando Vermelho no ano passado.
Segundo os relatos, Scooby estaria em litígio com o TCP e não poderia mais permanecer na Maré nem no São Carlos. Ele teria encontrado na Serrinha um novo espaço para se manter e, recentemente, teria assumido o controle do Morro do Cruz, no Andaraí, após a suposta morte do traficante Andril.
A versão que circula no meio criminoso, porém, é diferente da explicação oficial de que Andril teria morrido de infarto. Segundo essa narrativa, ele teria sido assassinado na Maré.
A aproximação entre Lacoste e Scooby, por sua vez, não seria casual. Por trás dela estaria uma disputa estratégica pelo controle do Morro do Juramento, uma das áreas que a Serrinha teria interesse em invadir.
Lacoste e o traficante Bamba, apontado como dono do Para Pedro, em Colégio, estariam em rota de colisão justamente por causa do Juramento. A Serrinha teria manifestado interesse em avançar sobre a comunidade, enquanto Bamba teria deixado claro que considerava o território como sua área de expansão.
Como Bamba e Scooby seriam próximos, Lacoste teria buscado uma aproximação com o ex-chefe dos Macacos para tentar neutralizar a aliança e fortalecer sua posição na disputa pelo Juramento.
Bamba também teria ampliado sua rede de alianças. Segundo as informações recebidas pela reportagem, ele teria feito um acordo com o traficante conhecido como 3.500, apontado como dono do Conjunto Amarelinho, em Irajá. Com o pacto, 3.500 teria passado a controlar metade do Para Pedro, comunidade que também é conhecida como Para Paz.
O cenário desenhado pelos relatos é de uma disputa que ultrapassa os limites da Serrinha e envolve uma complexa rede de alianças, vinganças e interesses territoriais. A cada nova ofensiva, o conflito incorpora novos grupos, criminosos e comunidades, aumentando o risco de que a guerra se espalhe ainda mais pela Zona Norte do Rio.