Uma denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro revela que a milícia que atua na região de Itatiquara, em Araruama, teria atraído um dos próprios integrantes para uma emboscada antes de executá-lo a tiros em plena via pública. A investigação também aponta que outros assassinatos podem estar ligados ao grupo, incluindo um possível caso de “queima de arquivo”.
De acordo com a denúncia recebida pela Justiça, a vítima, Elizeu de Almeida Campina, conhecido como “Zeu” ou “Zeus”, foi morta no dia 29 de março de 2025 após ser enganada pelos próprios comparsas.
Segundo o Ministério Público, minutos antes do crime, Eliomar Souza da Silva Cordeiro, o “Bimba”, telefonou para Elizeu e o convidou para uma suposta reunião destinada a esclarecer um boato. Convencido de que retornaria rapidamente para casa, Elizeu pegou emprestada a motocicleta da companheira e foi até o local combinado.
Ao chegar, acabou surpreendido pelos executores.
Ainda conforme a denúncia, os criminosos iniciaram uma conversa aparentemente amistosa antes de efetuarem diversos disparos de arma de fogo contra a vítima. O Ministério Público afirma que os autores estavam em superioridade numérica e utilizaram armamento de uso restrito, incluindo munições calibre 9 mm, impossibilitando qualquer reação da vítima.
Para os investigadores, a execução ocorreu em razão de conflitos internos da própria organização paramilitar.
A denúncia sustenta que todos os envolvidos, inclusive a vítima, integravam a chamada “milícia de Itatiquara”, grupo que, segundo o Ministério Público, era liderado pelo ex-policial militar e ex-vereador conhecido como “Egger”.
De acordo com a acusação, a organização criminosa atuava sob o pretexto de oferecer segurança aos moradores, mas seria responsável por uma série de crimes, entre eles homicídios, extorsões, esbulhos possessórios, porte ilegal de armas, adulteração de veículos e coação de testemunhas.
As investigações também indicam que a violência interna da organização pode ter feito novas vítimas.
A decisão judicial destaca que um dos denunciados, Carlos Eduardo Dias de Oliveira dos Santos, o “Cadu”, morreu durante o andamento do processo, levando à extinção de sua punibilidade.
Já em relação a Eliomar Souza da Silva Cordeiro, o “Bimba”, apontado como responsável por atrair Elizeu para a emboscada, o magistrado registra que ele está desaparecido e há indícios de que também tenha sido assassinado em um contexto de “queima de arquivo” relacionado à atuação da milícia. Até o momento, porém, sua morte ainda não foi oficialmente confirmada.
Ao receber a denúncia, a Justiça também decretou a prisão preventiva dos demais acusados,, conhecidos pelos apelidos de “Egger”, “Dudu”, “Bimba” e “Jailton Caçador”.
Na decisão, o magistrado. O juiz ressaltou que há indícios de participação dos réus em organização criminosa e destacou a extrema violência empregada no homicídio, considerado premeditado e praticado mediante emboscada.
A decisão ainda autorizou o compartilhamento das provas com outros processos que investigam o funcionamento da milícia em Araruama e uma tentativa de homicídio atribuída ao mesmo grupo. Para o magistrado, as informações podem ajudar a esclarecer a estrutura da organização, seu modo de atuação e a possível participação de seus integrantes em outros crimes violentos registrados na região.