Em junho de 2024, Washington Gabriel de Oliveira Rosa, o Bibi, um dos alvos da operação deflagrada nesta terça-feira pelo Ministério Público do Rio de Janeiro contra a milícia de Queimados, já havia sido preso em flagrante após ser apontado pela polícia como integrante de um grupo armado envolvido em um ataque a tiros que terminou com um homem morto e outro baleado no Centro do município.
Segundo o auto de prisão em flagrante, policiais militares do 24º BPM foram acionados após receberem informações sobre disparos de arma de fogo na Avenida Doutor Pedro Jorge. Durante as buscas, os agentes localizaram um Nissan Versa preto, apontado como o veículo utilizado pelos criminosos, e realizaram a abordagem.
No carro estavam Bibi e outros três comparrsas. Durante a revista, os policiais encontraram um verdadeiro arsenal: um fuzil calibre 5,56 com numeração raspada, cinco carregadores abastecidos com 135 munições, três pistolas calibre 9 mm também com numeração suprimida, 14 carregadores contendo 149 munições, um simulacro de arma de fogo, um colete balístico, outros três coletes, uma balaclava, cinco porta-carregadores, três coldres, quatro camisas semelhantes às utilizadas por policiais, dois uniformes pretos e quatro telefones celulares.
Os agentes também constataram que o Nissan Versa utilizado pelo grupo possuía placa falsa e era produto de furto.
De acordo com a investigação da Polícia Civil, imagens de câmeras de segurança e vídeos obtidos nas redes sociais mostraram que o veículo ocupado pelos quatro suspeitos foi utilizado minutos antes para atacar ocupantes de um Citroën C3 prata, estacionado na Avenida Doutor Pedro Jorge. As gravações, segundo a autoridade policial, registraram o momento em que o Versa se aproxima por trás do carro das vítimas e seus ocupantes efetuam diversos disparos de arma de fogo.
No atentado, um homem morreu e outro ficou gravemente ferido, sendo posteriormente identificado como Wesley Santos Martins, que permaneceu internado sob custódia policial por também responder por porte ilegal de arma de fogo e constituição de milícia privada.
Ao analisar o caso, o juiz Pedro Ivo Martins Caruso D’Ippolito destacou que os elementos reunidos no inquérito indicavam que os quatro presos integrariam um grupo miliciano responsável por homicídios, desaparecimentos forçados, extorsões contra comerciantes e outros crimes violentos em Queimados.
Na decisão, o magistrado ressaltou ainda que, além do arsenal apreendido, a polícia atribuía ao grupo a execução do homicídio ocorrido pouco antes da abordagem. Segundo o juiz, a forma de atuação dos investigados demonstrava “elevada audácia e destemor”, revelando periculosidade concreta e risco de reiteração criminosa.
A operação de hoje
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) denunciou 21 pessoas por integrarem uma milícia que atuava em Queimados, na Baixada Fluminense, e requereu a prisão preventiva de 20 delas, medida deferida pela Justiça. Nesta quarta-feira (01/07), a Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), com o apoio da Corregedoria da Polícia Militar, cumpre os 20 mandados de prisão, sendo cinco no sistema penitenciário, em razão de os denunciados já se encontrarem presos, e 15 em endereços localizados nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados. Até o momento, nove mandados já foram cumpridos: cinco no sistema penitenciário e quatro nas ruas.
A investigação direta do GAECO/MPRJ apontou que, em 2024, o grupo extorquiu vários comerciantes e mototaxistas, ameaçando as vítimas e cobrando semanalmente taxas de segurança. De acordo com a denúncia recebida pela Justiça, as informações foram obtidas a partir da análise do telefone celular apreendido com Washington Gabriel de Oliveira Rosa, conhecido como Bibi, preso logo após um confronto entre duas milícias que disputavam o controle da região. As mensagens revelaram que, além de planejar ataques contra grupos rivais, o grupo monitorava policiais militares.
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Esta é a terceira fase da Operação Hunter. A primeira foi deflagrada em julho de 2019, e a segunda, em janeiro de 2024. O nome Hunter faz alusão, em inglês, ao objetivo da operação: dar continuidade às ações de combate ao grupo de milicianos que se autointitula “caçadores de ganso”. “Ganso” é um termo informal utilizado por criminosos para se referir a criminosos e integrantes de grupos rivais.
Os mandados foram expedidos pelo Juízo da 1ª Vara Criminal Especializada em Organização Criminosa