A comunidade do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, voltou a ser palco de violência extrema na tarde de hoje, com a morte de um casal que foi até o local buscar uma encomenda para um chá de bebê e acabou surpreendido por um suposto tiroteio entre facções rivais. A mulher estava grávida. O alvo dos disparos, segundo relatos, seriam milicianos. O homem morto seria ligado a um grupo paramilitar.
A região, no entanto, já carrega um histórico de confrontos violentos entre grupos criminosos, que ao longo dos anos deixaram um rastro de mortes.
O Ministério Público colheu o depoimento de um morador do Terreirão que revelou que há uma disputa territorial antiga entre milícia e tráfico. Segundo ele, diferentes milícias atuavam na área e, por um período, mantinham aliança com traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP).
Esse acordo, porém, foi rompido. Cada grupo seguiu por conta própria — e a partir daí, a guerra começou.
O morador relatou que vivenciou de perto essa violência: perdeu amigos, foi baleado na perna, no braço e no peito, e disse que sua mãe e seu irmão também foram atingidos em meio aos confrontos.
Ele afirmou ainda que traficantes passaram a matar pessoas sem qualquer envolvimento com o crime. Segundo o relato, “a facção é covarde e só mata trabalhador”.
De acordo com o depoimento, três inocentes que trabalhavam como barbeiros teriam sido executados. Em outro episódio, duas pessoas foram mortas e uma terceira baleada — e o próprio morador disse ter chegado ao local e visto os corpos.
Ele também contou que um primo foi assassinado e outro, que não tinha envolvimento com o crime — sendo apenas usuário — acabou baleado.
Segundo o morador, todas essas mortes têm relação direta com a quebra do acordo entre o TCP e a milícia, embora o Comando Vermelho também tenha presença na comunidade.
Um inquérito de 2024 apontou que o TCP atuava tanto no Terreirão quanto na região do Posto 12, no Recreio, onde há registros de uma intensa guerra contra o Comando Vermelho, com diversas mortes contabilizadas.