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Bebê morta no RJ: padrasto confessa agressões, laudo aponta violência sexual e socorro foi marcado por desespero

Leia agora os detalhes do homicídio de Maya Costa Cypriano, de apenas 1 ano e 9 meses, ocorrido nesta semana na comunidade do Quiririm, em Vila Valqueire, Zona Oeste do Rio. O padrasto da criança foi preso como principal suspeito do crime. A menina era filha da namorada dele. Confissão do suspeito Em depoimento, o acusado admitiu que estava sozinho com a criança momentos antes do ocorrido e confessou as agressões. Ele relatou que Maya tinha o hábito de chorar com frequência, o que o irritava. Disse que, no dia da morte, acordou com a menina chorando alto e tentou acalmá-la. Colocou a criança sentada na cama, mas, ao perceber a ausência da mãe, Maya entrou em desespero e passou a chorar de forma incontrolável. Segundo seu relato, sem saber o que fazer, colocou a menina no berço e desferiu dois socos violentos na região abdominal, fazendo com que o choro cessasse. Após isso, a criança dormiu por cerca de 30 minutos. Ao acordar, Maya já apresentava sinais graves: estava suando frio, gelada, defecando bastante, aparentando desmaiar. Nesse momento, o suspeito disse que entrou em desespero, mas, ainda assim, limitou-se a gravar um vídeo e enviar para a mãe da criança. Ele afirmou que, mesmo percebendo a gravidade da situação, não prestou socorro imediato e chegou a dizer que não iria limpar a criança. Após enviar o vídeo, recebeu a resposta da mãe: “Estou chegando”. O acusado declarou que omitiu os fatos inicialmente por estar nervoso e assustado. Apesar de confessar o homicídio, negou ter agredido anteriormente ou praticado violência sexual contra a vítima. Dinâmica do ocorrido Segundo os autos, após as agressões, a criança acordou em estado crítico. O suspeito enviou um vídeo à mãe mostrando a situação, mas não tomou providências imediatas. Somente após a chegada da genitora é que a criança foi levada à UPA de Campinho. A mãe saiu de casa desesperada, descendo a escadaria com a filha no colo, gritando por socorro, quando encontrou um motoboy, que a ajudou no deslocamento até a unidade de saúde. Ela relatou que chegou à UPA gritando “Me ajuda, me ajuda, minha filha”, quando um homem desconhecido pegou a criança em seus braços e correu para a emergência. Atendimento médico Um médico que atendeu Maya relatou que a criança foi levada diretamente para a sala vermelha. Ao iniciar o atendimento, constatou que ela estava sem respiração espontânea, sem batimentos cardíacos, com pupilas midriáticas. Mesmo diante do quadro, foram iniciadas manobras de reanimação cardiopulmonar, com acesso jugular periférico, administração de adrenalina a cada cinco minutos (duas vezes), entubação orotraqueal e ventilação com bolsa-válvula-máscara com oxigênio a 100%. Após 40 minutos de tentativas, o óbito foi declarado. Constatação de agressões e violência sexual Após a morte, foi realizada inspeção no corpo da criança. Ao retirar suas roupas, o médico identificou equimoses na região abdominal. Durante o exame da região genital, foi observado que o ânus apresentava abertura e dilatação fora do normal, com apagamento das pregas anais, embora não houvesse sangue, cortes ou fissuras perianais. Diante da situação, foi acionada a assistente social da unidade, que comunicou o caso à polícia e ao IML. O laudo de necropsia confirmou lesões graves, apontando laceração de fígado com área de contusão hepática, laceração completa do pâncreas e estabelecendo como causa da morte o hemoperitônio (hemorragia interna). Versão da mãe A mãe relatou que a filha acordou com o corpo mole, tossindo, sem febre, estava tomando o medicamento Alegra, queria dormir novamente, apresentava fezes amolecidas e parecia desfalecer. Disse que, ao perceber o agravamento, ficou desesperada e decidiu levá-la à UPA. Ela também afirmou que já havia procurado atendimento anteriormente na mesma unidade, mas que não foram realizados exames como sangue ou raio-X, nem procedimentos mais aprofundados. Relatou que foi impedida de entrar na sala de atendimento e aguardou no corredor. Posteriormente, a assistente social informou que a criança havia falecido, momento em que entrou em desespero. Omissões e contradições A mãe admitiu que, após a morte, foi levada à delegacia e mentiu, omitindo diversos fatos. Disse que, ao ser informada da possibilidade de estupro, decidiu mentir para tentar descobrir a verdade pelo companheiro. Ela apagou mensagens trocadas com o suspeito, incluindo um vídeo em que Maya ainda aparecia viva, mas em estado grave, com a barriga muito vermelha e aparentando desmaiar. Em outro vídeo, a criança aparecia se defecando. O suspeito também apagou conteúdos de seu celular. Relatos sobre comportamento do suspeito A mãe afirmou que Maya era muito apegada a ela e não gostava do padrasto, tendo medo dele, embora acreditasse que fosse “coisa de criança”. Disse que já houve episódios em que a menina ficou sozinha com o homem e apareceu machucada, mas ele alegava quedas. Em uma ocasião, Maya apareceu com diversas marcas roxas, que foram atribuídas a uma possível dengue, apesar de não apresentar outros sintomas. Segundo a mãe, o suspeito dizia que queria mais o respeito da criança do que o amor. Ele teria tido uma criação difícil e é filho de um homem preso por homicídio. Ela também relatou que o companheiro via a criança como um incômodo, pois queria ficar com ela (mãe), mas Maya era muito grudada. O acusado desejava ter um filho com a mãe da menina, mas ela utilizava método contraceptivo, o que o deixava irritado. O fato de Maya ser filha de outro homem também o incomodava. Dias anteriores ao crime A mãe contou que, no dia anterior, Maya estava normal e foi à creche. Depois, ficou na casa de uma amiga da mãe. Nesse dia, o suspeito buscou a criança, que chorou muito ao vê-lo e não queria ir com ele, mas acabou indo. Durante a noite, a mãe ouviu a criança tossir, mas considerou normal. No dia da morte, o suspeito ligou dizendo que a menina estava passando mal e pediu que ela voltasse para casa, afirmando que a criança estava se defecando e que não iria limpá-la. Contradições do suspeito O homem inicialmente afirmou que a mãe estava

Sob domínio do crime: narcomilícia ligada ao CV explora comerciantes que vendem gás em São Gonçalo

São Gonçalo já registra a atuação de grupos de narcomilícia, que unem práticas típicas do tráfico de drogas com a lógica de exploração econômica das milícias. A constatação veio à tona após a prisão de um homem suspeito de extorquir comerciantes na comunidade da Coruja. De acordo com as investigações, o suspeito atuava junto a comparsas na cobrança de taxas mensais impostas a comerciantes de gás, que eram obrigados a pagar para continuar exercendo suas atividades na região. No momento da prisão, ocorrida em dezembro, policiais encontraram com o homem R$ 8.500 em espécie. Segundo ele próprio confessou, o valor havia sido arrecadado no mesmo dia junto a cerca de 15 comerciantes. Ainda de acordo com o depoimento, o dinheiro seria destinado a uma narcomilícia ligada à facção criminosa Comando Vermelho. Um veículo utilizado na prática das extorsões também foi apreendido durante a ação. A defesa do suspeito chegou a ingressar com um pedido de habeas corpus para tentar revogar a prisão, mas a solicitação foi negada pela Justiça. O caso segue em andamento, com audiência marcada para o dia 19 de maio.

Apagão de provas: câmeras da PMERJ falham ou não são usadas, imagens somem e casos chegam à Justiça sem registro”

Após mortes recentes em operações policiais — como a de uma médica em Cascadura e de um morador no Morro dos Prazeres — vieram à tona não apenas questionamentos sobre a atuação da PMERJ, mas também falhas recorrentes da própria corporação no fornecimento e na gestão das imagens captadas por câmeras corporais. Em diversos casos analisados pela Justiça, o problema não se limita ao uso inadequado dos equipamentos pelos agentes, mas envolve a ausência de registros, dificuldades no acesso às gravações e até o apagamento automático dos arquivos, o que compromete a transparência das ações policiais e a produção de provas. A polêmica ganhou força porque, embora as câmeras corporais sejam tratadas como ferramentas essenciais para dar mais segurança jurídica às abordagens, há uma série de falhas estruturais e operacionais. Há registros de policiais que não utilizam os equipamentos por falta de unidades disponíveis nos batalhões, de agentes que realizam operações sem portar as câmeras e de situações em que as imagens simplesmente não são apresentadas — seja por problemas técnicos, seja pelo limite de armazenamento de 60 dias, após o qual o conteúdo é automaticamente apagado. Apesar disso, o entendimento predominante da Justiça é de que a ausência das imagens não impede, por si só, uma condenação. As gravações são consideradas elementos adicionais, e não indispensáveis para a formação da convicção do juiz. Falta de equipamentos nos batalhões Em uma ocorrência registrada no ano passado na comunidade Faz Quem Quer, em Rocha Miranda, um suspeito foi preso com drogas, rádios e armas e alegou ter sido agredido por policiais militares. O laudo pericial apontou lesões compatíveis com soco no rosto, reforçando a versão apresentada. Os PMs afirmaram que não utilizavam câmeras corporais porque o batalhão não possuía equipamentos suficientes para todos os agentes envolvidos na operação. O suspeito acabou condenado, mas a defesa recorreu com base na ausência de imagens, conseguindo a redução da pena. Imagens não entregues e apagadas Em outro caso, ocorrido em 2023, a defesa de um homem preso por tráfico solicitou as imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos. Os agentes alegaram ter entregue os equipamentos na unidade, e o juiz determinou o envio das mídias pela Ouvidoria da PMERJ. Mesmo após reiteradas solicitações — incluindo ofício expedido em fevereiro de 2024 e até determinação de busca e apreensão — a resposta só veio posteriormente pela Corregedoria da corporação: o conteúdo havia sido apagado automaticamente após o prazo de 60 dias de armazenamento. Ainda assim, o réu foi condenado e não obteve revisão criminal, evidenciando como a falta das imagens não tem sido suficiente para reverter decisões judiciais. Denúncias prejudicadas pela ausência de câmeras Em Volta Redonda, no Sul Fluminense, a falta de câmeras corporais impactou diretamente a apuração de uma denúncia grave. Policiais afirmaram ter prendido dois homens armados após perseguição. Os acusados, porém, deram versões completamente diferentes, alegando que não estavam envolvidos com o crime e que teriam sido vítimas de abordagem arbitrária e até de tentativa de extorsão por parte dos agentes. Sem imagens que comprovassem o que de fato ocorreu, a Justiça determinou o envio do caso à Corregedoria da PMERJ e ao Ministério Público para investigação das condutas dos policiais. Prazo curto compromete provas Outro episódio semelhante envolveu um acusado de tráfico cuja defesa solicitou as imagens das câmeras corporais durante o processo. O pedido foi aceito pela Justiça, mas o batalhão informou que o material já havia sido apagado, novamente em razão do limite de armazenamento de 60 dias. A recorrência desse tipo de resposta levanta questionamentos sobre a eficiência do sistema de guarda das evidências digitais e sobre a responsabilidade da corporação em preservar provas relevantes. Problemas de cadastro e acesso às imagens Em Itaboraí, durante a prisão de um suspeito com drogas, os policiais também não utilizavam câmeras corporais. Ao serem cobradas pela Justiça, as imagens não foram apresentadas. Em resposta oficial, a PMERJ informou que não foi possível atender ao pedido, citando laudo técnico da empresa responsável pela gestão das imagens, indicando inconsistências no vínculo das câmeras aos policiais envolvidos na ocorrência. O episódio evidencia falhas administrativas no controle e na rastreabilidade dos equipamentos. Gravações incompletas Há ainda casos em que as câmeras funcionam parcialmente. Em uma ocorrência na Favela Nova Brasília, em Niterói, envolvendo apreensão de armas e drogas após troca de tiros, a Justiça solicitou as imagens da operação. No entanto, apenas áudios foram registrados, sem qualquer registro visual da ação. Diante disso, o próprio Judiciário reconheceu que a ausência de imagens impede a verificação concreta da dinâmica dos fatos, abrindo margem para dúvidas sobre as versões apresentadas. O conjunto desses casos revela que o problema vai além da conduta individual de policiais e expõe fragilidades internas da PMERJ na gestão das câmeras corporais. Entre falta de equipamentos, falhas técnicas, prazos curtos de armazenamento e dificuldades no fornecimento das imagens à Justiça, o sistema que deveria garantir transparência ainda apresenta lacunas que podem impactar diretamente investigações e julgamentos.

Mesmo com provas e confissão informal, suspeitos de milícia escapam de ação penal no RJ

A Polícia Civil reuniu uma série de elementos que indicariam o envolvimento de dois homens com a milícia que atua no Morro do Pau Branco, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Apesar disso, a Justiça rejeitou a denúncia por entender que não havia lastro probatório mínimo para o prosseguimento da ação penal pelo crime de associação criminosa. De acordo com os autos, as investigações tiveram início em 2023, quando agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) foram ao Hospital Municipal Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, após denúncia anônima informar que um miliciano identificado como Matheus havia dado entrada na unidade após um acidente de moto. No local, os policiais encontraram o suspeito, que confirmou o acidente e informou estar com um aparelho celular pertencente a um amigo, identificado como Kauan. Com autorização do próprio Matheus, os agentes acessaram o conteúdo do telefone e encontraram mensagens, fotos e vídeos que, segundo a investigação, indicariam a atuação de ambos em uma milícia armada. Em depoimento, Matheus afirmou que Kauan integrava há mais de dois anos a milícia local, participando de rondas armadas ao lado de outros integrantes, sob o comando de um homem conhecido como “Jason”. Ele também admitiu manter relação próxima com o corréu e atuação conjunta no grupo criminoso. Ainda segundo a investigação, o material extraído do celular demonstraria a inserção de Matheus na estrutura da organização, com acesso a comunicações internas. O histórico criminal dos dois também foi considerado: ambos foram presos em flagrante em ocasiões distintas ao longo de 2023 por crimes como porte ilegal de arma de fogo, roubo qualificado e participação em organização criminosa. Kauan, por sua vez, seria apontado como integrante da linha de frente da milícia, atuando em rondas ostensivas com uso de armas de fogo, incluindo pistolas e fuzis, além de veículos e disfarces como capuzes, com o objetivo de manter o controle territorial da região. Apesar dos indícios reunidos — incluindo relatos policiais, conteúdo extraído de celular e uma confissão informal —, a Justiça entendeu que as provas apresentadas não eram suficientes para justificar a abertura de ação penal pelo crime de associação à milícia. Na decisão, o magistrado destacou que as supostas confissões não foram formalizadas durante a lavratura do auto de prisão em flagrante, ocasião em que os acusados optaram por permanecer em silêncio. Também ressaltou que os policiais não presenciaram diretamente a prática dos crimes e que não há testemunhas identificadas nos autos. O juiz ainda considerou necessária a produção de provas adicionais, como a quebra de sigilo telefônico, para comprovar de forma mais robusta a eventual associação dos investigados a uma organização criminosa. Segundo a decisão, a própria existência e estrutura da milícia mencionada ainda careciam de melhor delimitação. Diante disso, a denúncia foi rejeitada em outubro, sob o entendimento de que as investigações ainda estavam em estágio inicial. A decisão foi mantida em dezembro, e os autos foram devolvidos ao Ministério Público para aprofundamento das apurações.

Império do tráfico na Lapa: chefes comandam território com festas, dinheiro, intimidação referências explícitas. “Vou explodir a viatura”, “Eu amo o Abelha”

A reportagem teve acesso a detalhes aprofundados da investigação que embasou uma recente operação policial contra o tráfico de drogas na Lapa, região central do Rio de Janeiro, que resultou na prisão de 17 suspeitos. De acordo com o material apurado, o traficante conhecido como Abelha foi destituído da chamada “presidência do Conselho do Comando Vermelho”, além de ter perdido a administração financeira da “caixinha” da facção, bem como parte de sua influência territorial. Ainda assim, ele permanece como chefe do tráfico na Lapa, área que durante anos foi administrada por seu filho, Pablo Rodrigues Rabello, morto em 2019 em confronto com a polícia no Complexo da Penha. Apesar de a Prefeitura do Rio ter removido um grafite em homenagem a Pablo, localizado em frente à Escadaria Selarón, a investigação aponta que a região ainda concentra diversas ilustrações e referências ao criminoso, além de inscrições relacionadas à chamada “Tropa do Mel” espalhadas por muros de imóveis da localidade. Segundo os autos, Abelha é apontado como responsável por patrocinar eventos realizados na região, incluindo festas amplamente divulgadas nas redes sociais. Em datas comemorativas, como o Dia das Crianças, são promovidas ações com distribuição de brinquedos, aluguel de brinquedos infláveis e realização de eventos com a presença de DJs e MCs de funk, com conteúdo que faz alusão direta a lideranças do tráfico. Em uma dessas ocasiões, um cantor chegou a declarar: “Eu não gosto do Abelha, eu amo o Abelha”, enquanto o ambiente contava com decoração em homenagem ao próprio criminoso e ao seu filho, incluindo um painel com a imagem de um zangão musculoso e a inscrição “Tropa do Mel”. Em frente ao painel, havia um bolo com a fotografia do traficante. Há cerca de dois anos, a Polícia Militar impediu a montagem de um palco e a realização de apresentações musicais em um desses eventos. Ainda assim, a festa ocorreu sem a presença de artistas, mantendo homenagens por meio de alegorias, painéis e bolo temático com referências aos criminosos. Interceptações telefônicas revelaram reações de integrantes do grupo diante da atuação policial. Em uma das conversas, um traficante conhecido como “Magrinho” ameaçou atacar uma viatura caso o evento fosse interrompido, afirmando: “Já bati pro amigo aqui, irmãozão, se esse bagulho aí, a boca não tiver vendendo aí, vai dar caô. Não vai ter festa não! Vou explodir o vidro da viatura! Nem pra nós, nem pra eles, acabou! Quer fazer bagulho botar viatura aqui na rua, meu irmão! Quer fazer presepada?! Aí faz flyer, faz não sei o quê, anuncia pra todo mundo, tá achando que os cana não sabe que essa porra é festa da boca de fumo!”. A fala reforça que os eventos seriam promovidos e financiados pelo tráfico com o objetivo de impulsionar a venda de drogas. As investigações indicam que, mesmo foragido e escondido na Rocinha — onde possui mandado de prisão em aberto —, Abelha mantém o controle da atividade criminosa de forma discreta, sem contato direto com a base operacional. Essa função caberia a subordinados como “Piu”, também conhecido como “Português”. Ainda segundo os investigadores, a liderança de Abelha se manifesta também pela presença frequente de familiares na região, incluindo sua filha, que aparece em postagens nas redes sociais ao lado de diversos integrantes do grupo, além de outros parentes próximos. Testemunhas relataram que pontos de venda de drogas, especialmente na Travessa Mosqueira, pertencem a Abelha e Piu. Segundo depoimentos, familiares do traficante, incluindo sua filha e companheira, são vistos com frequência no local, onde comparecem para recolher valores provenientes da atividade ilícita. Ainda conforme relatos, Abelha já não é visto com frequência na região, ao contrário de Piu, que estaria presente semanalmente, chegando ao local em um veículo Hyundai Creta azul e permanecendo no interior do carro enquanto subordinados se dirigem até ele, tratando-o como “paizão”. A investigação também aponta que Abelha exerce influência em outras regiões, como Cabo Frio, na Região dos Lagos. Em uma conversa interceptada com um traficante conhecido como “DJ Mulher”, este solicita autorização para atuar na localidade, referindo-se a Abelha como “pai” ou “senhor”. Relatos indicam ainda que, com frequência semanal, a filha de Abelha recolhe dinheiro na Lapa junto a uma gerente local, prática que também seria adotada por sua companheira. A polícia identificou ainda um terminal telefônico supostamente utilizado pelo criminoso, cujo perfil em aplicativo de mensagens exibia a foto de uma criança apontada como sua neta. Abelha possui 128 anotações criminais desde 1995, incluindo registros por homicídio, roubo, tráfico de drogas e associação para o tráfico. Apesar disso, a maioria dos procedimentos não resultou em condenação. Outro nome de destaque na investigação é Piu, apontado como uma das principais lideranças do tráfico na Lapa. Com histórico criminal iniciado em 1998, ele possui diversas anotações e já foi preso em 2021, quando chegou a figurar na lista de criminosos que poderiam ser transferidos para presídios federais, transferência que não se concretizou por decisão do Tribunal de Justiça do Rio. À época, ele já era considerado foragido há seis anos e possuía três mandados de prisão em aberto. Segundo a polícia, Piu atua diretamente na operação do tráfico, sendo responsável por negociações e distribuição de armas e drogas para diversas comunidades dominadas pela facção. Subordinados se referem a ele como “chefe” ou “amigo”, prestando contas regularmente. Há indícios de que ele se esconda nas comunidades do Fallet e Fogueteiro, consideradas bases operacionais do grupo. Em conversas interceptadas, há referências a eventos organizados para celebrar o aniversário de Piu, divulgados em redes sociais como “aniversário do Paizão” ou “Festa do Português”, com atrações de funk e distribuição gratuita de bebidas. Publicações faziam uso de emojis e símbolos que remetem diretamente ao apelido do criminoso. Diálogos também indicam repasses financeiros à família de Piu, como em um trecho em que um subordinado afirma: “Aquele dinheiro lá ele adiantou a família do chefe, pegou a visão?!”. Em outra conversa, o traficante “Magrinho” menciona que, em caso de conflitos, sua conduta seria compreendida pelo “patrão”, reforçando a posição de liderança

Traficante do Ceará presa no Rio ontem atuava em cidade considerada com maior índice de mortes violentas no Brasil

A traficante do Ceará que foi presa ontem no Rio atuava em um município daquele estado que vive em estado de guerra, situação em que grupos criminosos dominam a cidade há longos anos, disseminando violência e terror com a prática de crimes brutais contra vida, com único objetivo de impor o medo na população daquela cidade, sendo tal situação, inclusive, matéria nos jornais retratando a cidade como o de maior taxa média de mortes violentas Conforme dito, São João do Jaguaribe foi considerada a cidade brasileira com maior índice de mortes violentas no Brasil, cidade essa que vem diminuindo consideravelmente sua população em razão da violência, pois o município passou de 7.902 habitantes para 5.855, fato esse que chama atenção quando em outras regiões a população cresce, porém naquela diminui. Há no município uma disputa por território de venda de drogas e extorsões entre os grupos liderados pelo traficante Mingau contra a quadrllha de Micael O bando de Mingau foi responsável pelo homicídio de uma mulher chamadda Jaqueline no dia 15 de novembro de 2022. A vítima fazia parte do seu bando sendo inclusive pretendda por Mingau mas acabou virando companheira de seu irmão, morto em confronto.Jaqueline convivia com o bando de Mingau, morando dentro do matagal, escondidos, como verdadeiros cangaceiros, sobrevivendo com dinheiro proveniente de extorsões a comerciantes, donos de “tanques de camarões” de toda região do Vale Jaguaribe. Era ela quem cozinhava, lavava roupas e fazia todos os afazeres domésticos para o bando, que a época estava embrenhado no matagal, no Sítio Mocos, zona rural de São João do Jaguaribe. Sua morte foi motivada por causa de vingança. Dias antes do crime, Mingau havia determinado que um comparsa que fosse até uma mulher pegar uma mochila cheia de dinheiro (cem mil reais fruto de uma extorsão praticada contra o dono de um frigorífico na cidade de São João do Jaguaribe), sendo que o objeto não chegou ao seu destino . Por conta disso, os bandidos passaram a desconfiar que Jacqueline, sua mãe e outros estivessem envolvidos com o sumiço daquele objeto, uma vez que Jaqueline havia ligado para um homem informando que Mingau “ia esbagaçar a cabeça da pessoa que estivesse com essa mochila”.A mulher presa ontem é esposa de Mingau. Ela foi capturada na Taquara, na Zona Sudoeste. De acordo com as investigações, a criminosa é apontada como sendo a responsável por diversas ordens diretas de ataques a rivais, roubos e extorsões a moradores e empresários do Vale do Jaguaribe, no Ceará. Ainda de acordo com o apurado, ela continuava a dar ordens para os integrantes da quadrilha diretamente do Rio de Janeiro. Na ação desta terça, os agentes realizaram diligências e conseguiram localizar a criminosa no bairro da Taquara. Contra ela, foi cumprido um mandado de prisão preventiva pelos crimes de organização criminosa, homicídio e tráfico de drogas.

Suspeita ferida em operação que matou Jiló dos Prazeres tentou enganar policiais, foi presa e vai responder por homicídio

No dia da operação policial que terminou com a morte do traficante Jiló dos Prazeres, uma mulher suspeita de ligação com o tráfico foi baleada durante a troca de tiros. Ela ainda tentou se passar por moradora da região, mas acabou presa e teve a prisão preventiva decretada posteriormente. Ela vai responder por homicídio qualificado, De acordo com o auto de ocorrência, na manhã do dia 18 de março de 2026, por volta das 5h30, policiais militares do BOPE realizavam uma operação nas comunidades do Fallet/Fogueteiro, após informações de que um policial havia sido ferido por disparo de arma de fogo. Ainda segundo o registro, ao desembarcarem do blindado 51-0020 na Comunidade dos Prazeres, na altura da quadra poliesportiva da Rua Gomes Lopes, a equipe Bravo avançou em direção a uma área de mata, onde encontrou cerca de dez homens fortemente armados. Os suspeitos teriam iniciado disparos com fuzis e pistolas contra os agentes. Houve intenso confronto, que só cessou quando um dos suspeitos, identificado como Cláudio Augusto dos Santos, conhecido como “Jiló”, foi baleado. Ele chegou a ser socorrido ao Hospital Municipal Souza Aguiar, mas não resistiu aos ferimentos. Com o suspeito, os policiais apreenderam uma pistola Glock calibre .45, dois carregadores, grande quantidade de entorpecentes, além de três rádios comunicadores e cinco aparelhos celulares. Na sequência da ação, os agentes localizaram uma mulher ferida na perna. Segundo o auto, ela teria tentado se passar por moradora de uma residência próxima, chegando inclusive a trocar de roupa para dificultar a identificação. A suspeita foi socorrida e encaminhada ao Hospital Souza Aguiar, onde ficou internada sob custódia (BAM nº 333067), sendo autuada em flagrante. O registro ainda aponta que o local do confronto não foi preservado devido à necessidade de socorro imediato aos feridos e por se tratar de área considerada de alto risco, sujeita a novos ataques de integrantes da facção criminosa Comando Vermelho. De acordo com o processo, o caso é considerado de elevada gravidade, indicando que a custodiada estaria associada a outros indivíduos não identificados para a prática de tráfico de drogas. O auto de apreensão detalha que foram recolhidos aproximadamente 2,2 kg de maconha, 500 gramas de cocaína, 1,2 kg de cloreto de metileno, 39 gramas de metanfetamina e 540 gramas de haxixe. As circunstâncias da prisão, bem como a quantidade e a forma de acondicionamento das drogas, reforçam os indícios de que o material seria destinado à comercialização.

Mulher morreu após companheiro atear fogo nela em Nova Iguaçu

Uma jmulher que se chamava Evelyn Carol foi brutalmente assainada na madrugada desta segunda-feira, em Rodilândia, em Nova iguaçu. Informações revelam que o companheiro discutiu com ela, a agrediu e colocou fogo na vítima que morreu trancada dentro de um quarto na residência. Um relacionamento de 12 anos que resultou em dois filhos. Evelyn tinha outros três. O.autor do crime estaria sob efeito de álcool e foi levado para a delegacia. O clima é de medo e revolta na região.

Polícia não deixou preso homem que estava com as chaves dos ônibus que foram usados como barricadas em protesto contra mortes de traficantes no Morro dos Prazeres (CV). Outros três que foram flagrados colocando fogo em objetos e foram presos também foram colocados em liberdade

A Justiça mandou soltar três presos suspeitos de participarem de protestos pelas mortes de sete traficantes durante a semana passada no Morro dos Prazeres, no Rio Comprido. Um quarto envolvido, que foi encontrado com as chaves dos ônibus que foram usados como barricadas foi liberado pela delegacia. Segundo os autos, no dia 18 de março de 2026, por volta das 9h40min, policiais militares foram acionados para verificar denúncia de que indivíduos estariam colocando fogo em ônibus, pneus e barricadas em via pública. Ao chegarem ao local indicado, os agentes se depararam com três motocicletas e três indivíduos que estariam colocando fogo em objetos para interditar a rua. No momento da chegada da equipe, os três indivíduos teriam empreendido fuga com as motos, que estavam com as placas encobertas. Os policiais realizaram acompanhamento e tiveram êxito em realizar a abordagem, identificando os suspeitos cada um pilotando uma motocicleta com a placa adulterada ou encoberta por fita isolante ou saco plástico. Durante a abordagem, os policiais informaram ter feito uso de spray de pimenta e, posteriormente, de algemas para preservar a segurança e integridade física dos envolvidos no local. A Justiça argumentou que, no tocante ao delito de incêndio – que, em tese, poderia incrementar o juízo de periculosidade, especialmente por supostamente ter sido praticado com a finalidade de dificultar a atuação policial na localidade -, observa-se que tal imputação não veio acompanhada de mínimos elementos externos de corroboração. Não houve apreensão de quaisquer instrumentos típicos para a prática de tal conduta, tampouco foram juntados registros fotográficos, laudos ou qualquer outro meio que indique a ocorrência do crime. A fragilidade da imputação, ao menos por ora, é reforçada pelo fato de que a própria autoridade policial promoveu a liberação do indivíduo que, emtese, estaria diretamente vinculado à prática do incêndio, por se encontrar na posse das chaves dos veículos supostamente utilizados como barricadas, justamente pela ausência de elementos objetivos que o vinculassem à conduta

Após homicídios, inclusive de um PM, traficantes distribuem cestas básicas para ganhar apoio em comunidade de Jacarepaguá”

Após a prática de homicídios, traficantes que atuam na comunidade Asa Branca, em Jacarepaguá, passaram a distribuir cestas básicas a moradores, como forma de angariar apoio local. A informação consta em documentos do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ). O grupo é suspeito de envolvimento nas mortes do policial militar Adelmo da Silva Guerini e de Alex Sandro Fonseca da Silva, ocorridas no ano passado. Apontado pela Justiça como mandante dos crimes, Ewerton da Fonseca Ramos foi preso nesta semana. Outros três suspeitos de participação nos homicídios também tiveram a prisão decretada e são considerados foragidos. De acordo com as investigações, Ewerton exercia funções ligadas à intimidação de moradores, extorsão e controle territorial na comunidade. Depoimentos de duas testemunhas, corroborados por denúncias anônimas e por imagens obtidas durante a apuração, indicam a participação dos investigados em práticas de extorsão e ameaças, além de sua possível ligação direta com os crimes contra a vida em investigação. Os relatos apontam ainda que, entre os dias 16 e 22 de outubro de 2025, teriam ocorrido cobranças de taxas de “segurança”, monitoramento de estabelecimentos comerciais e intimidação de comerciantes na região.

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