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Após prisão de membro do CV do RN em Macaé, investigação revela estrutura da facção no estado nordestino com grupos de whatsapp, “decretos” e alianças armadas

A prisão de um integrante do Comando Vermelho em Macaé nesta semana jogou luz sobre a estrutura que a facção mantém no Rio Grande do Norte. Uma decisão da UJUDOCRIM, obtida pela reportagem, detalha como funciona a organização criminosa no estado, incluindo liderança regional, grupos de WhatsApp usados para coordenação interna, controle financeiro, alianças armadas e disputas territoriais violentas. Segundo a investigação da Delegacia Especializada de Repressão a Facções Criminosas (DEFAC), o CV no RN opera com divisão de funções, hierarquia definida e comunicação permanente entre integrantes por aplicativos de mensagem. Entre os grupos identificados pela polícia estão “SINTONIA GERAL CV.RL-RN” e “FUTEBOL BREJINHO”, apontados como espaços usados para articulação da facção, transmissão de ordens, alinhamento de ações criminosas e disciplinamento interno. A investigação aponta que havia integrantes responsáveis pela expansão territorial do grupo, administração das comunicações, arrecadação financeira e organização das ações armadas contra facções rivais. Um dos investigados é descrito como principal liderança do CV em Brejinho, no interior potiguar. Segundo os autos, ele administrava o grupo “SINTONIA GERAL CV.RL-RN” e seria responsável por coordenar o crescimento da facção na região. Na casa dele foram apreendidos revólver calibre 38, munições e material tático. As autoridades também identificaram integrantes ligados diretamente ao setor financeiro da organização. Relatórios do COAF apontaram movimentações bancárias consideradas suspeitas, incluindo transferências incompatíveis com a renda declarada dos investigados. Outro ponto destacado na decisão é o uso de “decretos” internos, prática comum entre facções criminosas. Um dos denunciados teria sido marcado para morrer pela facção rival Sindicato do Crime (SDC) após migrar para o Comando Vermelho, reforçando o cenário de guerra entre grupos criminosos no estado. As investigações mostram ainda que o CV mantém atuação organizada em áreas das zonas Norte e Oeste de Natal, onde integrantes da facção seriam responsáveis por ataques armados, ameaças e homicídios ligados à disputa territorial. Um dos investigados usava redes sociais para divulgar conteúdo criminoso, incluindo referências a assassinatos, ameaças contra rivais e exaltação de ataques promovidos pela facção. A decisão também aponta a existência de alianças criminosas firmadas pelo Comando Vermelho no Rio Grande do Norte. Um dos denunciados aparece ligado à facção “Cangaço”, numa articulação que, segundo os investigadores, fortaleceu o poder bélico e operacional do grupo. Além da estrutura nas ruas, o CV também mantinha integrantes considerados estratégicos dentro do sistema penitenciário. Parte dos denunciados já estava presa em penitenciárias do estado, mas continuava sendo apontada como participante ativa da organização criminosa. O Judiciário manteve a prisão preventiva dos investigados e autorizou o compartilhamento das provas com a DEFAC, DEICOR e forças integradas de segurança pública, permitindo o aprofundamento de novas investigações sobre a atuação do Comando Vermelho no estado. A prisão Em uma ação cirúrgica, policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco) prenderam, nesta quarta-feira (20/05), uma liderança de alta periculosidade do Comando Vermelho do Rio Grande do Norte. O narcotraficante vulgo Professsor foi localizado em um imóvel em Macaé após troca de informações e trabalho integrado de inteligência com a Polícia Civil potiguar. De acordo com as investigações, o homem exercia função estratégica dentro da estrutura da facção criminosa e era apontado como um dos responsáveis pelo braço armado utilizado nas invasões de territórios dominados pelo “Sindicato do Crime”, grupo rival que atua no Rio Grande do Norte. A disputa desencadeou uma intensa guerra entre facções no estado, marcada por homicídios, ataques armados, execuções e confrontos violentos pelo controle do tráfico de drogas. O criminoso é investigado por diversos homicídios relacionados à escalada da violência e era considerado pelas forças de segurança um alvo de altíssima periculosidade devido à sua atuação operacional dentro da organização criminosa. Segundo as apurações, ele participava diretamente do recrutamento de integrantes para atuar na guerra entre facções, além de ser responsável pela guarda e manutenção do armamento utilizado pelo grupo. Contra o traficante havia mandados de prisão por organização criminosa armada, além de diversas anotações criminais por tráfico de drogas, receptação, roubo e posse de entorpecentes, evidenciando seu envolvimento contínuo com a criminalidade organizada e ações violentas atribuídas ao Comando Vermelho. Após intenso trabalho de inteligência e monitoramento entre as duas instituições, os agentes da Draco localizaram e prenderam o criminoso sem dar chance de fuga.

VERGONHOSO: Justiça liberou para indulto do Dia das Mães homem que matou o patrão e baleou um PM e ele não retornou para a prisão

Rogério Honorato Ramos é um ex-porteiro que ficou conhecido após assassinar seu chefe e balear um subtenente da Polícia Militar (proprietário da empresa de segurança em que trabalhava) em abril de 2014, na cidade do Rio de Janeiro. O crime ocorreu em um escritório em Bonsucesso. Rogério, que prestava serviço no Hospital Quinta DOr, foi chamado ao local para esclarecer sua suposta participação em um assalto à cantina da unidade de saúde. Após ser confrontado pelo supervisor Leonardo Martins da Costa, o porteiro sacou uma pistola calibre .40, matou o chefe com tiros na cabeça e na barriga, e feriu o dono da empresa com um disparo no pescoço. Após o ataque, ele fugiu. Quase cinquenta dias depois, em maio de 2014, ele foi preso em Xerém, Duque de Caxias (Baixada Fluminense), em um carro roubado na companhia de seu irmão, portando também duas bombas de fabricação caseira. O criminoso recebeu o benefício na modalidade de Visita Periódica ao Lar (VPL), referente ao Indulto dos Dia das Mães, quando teriaque voltar na quinta-feira (14/05/2026), e não voltou mais a sua unidade prisional, sendo considerado um Evadido do Sistema Penitenciário, desde então. Ele cumpria uma pena de 44 anos de reclusão, pelo crime de Homicídio Qualificado, com Pena Cumprida Até Data Atual: 13a10m20d, com Pena Remanescente a ser cumprida de 30a2m10d.

Bastidores da guerra no Rio: denúncias revelaram que CV mandou fechar comércio em Anchieta e bloquear avenida no Maracanã depois de megaoperação na Penha e Alemão. “Suspeitos gritaram para fechar mercado”

Denúncias apresentadas pelo Ministério Público à Justiça revelam que integrantes do Comando Vermelho receberam ordens para espalhar ações de intimidação em bairros distantes dos complexos da Penha e do Alemão após a megaoperação “Contenção”, realizada pelas polícias Civil e Militar em outubro de 2025. Os autos mostram que criminosos ligados à facção teriam sido mobilizados para ameaçar comerciantes, provocar pânico e bloquear vias importantes da cidade como forma de represália à ofensiva policial. Um dos episódios aconteceu em Anchieta, na Zona Norte do Rio. Segundo a denúncia, policiais civis monitoravam informações sobre possíveis saques e ordens para fechamento de comércios quando seguiram até o Mercado Rio Sul, na Estrada Marechal Alencastro, em Anchieta. No local, os agentes flagraram dois suspeitos entrando no estabelecimento e começando a gritar para que o mercado encerrasse as atividades. De acordo com os relatos enviados à Justiça, funcionários foram abordados em tom intimidatório e ficaram com medo de represálias. Ao perceberem a presença da polícia, os suspeitos tentaram disfarçar e se passar por clientes, mas acabaram presos em flagrante. Ainda segundo o Ministério Público, um dos detidos carregava um telefone celular com selos contendo as inscrições “CV” e “maconha” presos à capa do aparelho. Em depoimento, os acusados afirmaram que estavam cumprindo ordens do tráfico local. Entretanto, como testemunhas ficaram com medo de depôr , a Justiça entendeu que não havia provas suficientes e absolveu os suspeitos As investigações também mostram que a reação do Comando Vermelho à operação se espalhou por outras regiões da cidade. Outro denunciado foi preso após incendiar pneus e bloquear a Avenida Rei Pelé, na altura da estação Maracanã. Segundo os autos, o próprio suspeito admitiu que a interdição da via ocorreu por determinação do Comando Vermelho. O bloqueio afetou o trânsito e paralisou o transporte público durante parte do dia. O Ministério Público sustenta que as ações foram coordenadas pela facção para intimidar a população e demonstrar força após a operação policial nos complexos da Penha e do Alemão.

PM foi preso acusado de executar amante da ex-mulher: veja detalhes exclusivos da investigação e dos bastidores do crime

m policial militar foi preso nesta sexta-feira acusado de executar friamente um vigilante e comerciante em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. A investigação da Delegacia de Homicídios da Capital aponta que o crime teria sido motivado por ciúmes e vingança após o agente descobrir o relacionamento da vítima com sua ex-companheira. O caso, que chocou moradores da região pela brutalidade e pela forma calculada da execução, ganhou novos contornos após a Polícia Civil reunir imagens, depoimentos, cruzamento de dados e rastreamento da motocicleta usada no assassinato. Segundo as investigações, Jonathan foi morto a tiros no dia 25 de fevereiro de 2026, por volta das 14h08, no momento em que fechava o brechó onde trabalhava, em Campo Grande. O atirador chegou sozinho em uma motocicleta branca, usando roupas escuras, capacete preto e balaclava. Sem dar qualquer chance de reação, abriu fogo contra a vítima em plena luz do dia e fugiu logo em seguida. Inicialmente, testemunhas chegaram a relatar a presença de dois criminosos na moto. Mas o avanço da investigação desmontou essa versão. Uma testemunha ocular, dono de uma oficina de motos em frente ao local do crime, afirmou ter visto claramente apenas um homem efetuando os disparos. O detalhe considerado crucial pela polícia foi a identificação da motocicleta: uma Yamaha NMAX branca. O mecânico afirmou ter certeza absoluta do modelo por trabalhar há anos no ramo de motocicletas. A partir daí, investigadores chegaram ao policial militar, que possuía exatamente uma moto com as mesmas características. TRAIÇÃO, CIÚMES E MONITORAMENTO De acordo com a investigação, Jonathan mantinha um relacionamento amoroso com A. ex-companheira do PM. O caso extraconjugal teria começado ainda quando ela era casada com o policial. Familiares da vítima contaram que Jonathan e A. viviam o relacionamento de forma discreta, mas o policial já sabia da traição há meses e não aceitava o fim da relação. A ex-mulher de Jonathan revelou em depoimento que o vigilante chegou a publicar uma foto ao lado de A. nos “status” do WhatsApp poucos dias antes do crime. Segundo ela, Jonathan jamais comentou estar sendo ameaçado, mas todos tinham receio da reação do policial por ele ser agente da ativa da PM. Já A. confirmou aos investigadores que o PM monitorava constantemente o relacionamento dela com Jonathan e chegou a obrigá-la a enviar uma mensagem simulando o fim do romance. A mulher também relatou um episódio considerado decisivo pela polícia: cerca de uma hora antes do assassinato, Jonathan avisou que o policial havia acabado de passar de moto em frente ao seu brechó. Minutos depois, ele seria morto. IMAGENS, HORÁRIOS E RASTREAMENTO DA MOTO As imagens obtidas pela Delegacia de Homicídios foram fundamentais para embasar o pedido de prisão. Câmeras do condomínio onde o PM mora registraram o momento em que ele saiu pilotando sua Yamaha NMAX branca às 13h06 — cerca de uma hora antes do homicídio. Já às 15h04, pouco menos de uma hora após o assassinato, ele retornou ao condomínio carregando um capacete idêntico ao utilizado pelo atirador. Além disso, o sistema CIVITAS, da Prefeitura do Rio, identificou a motocicleta do policial circulando a apenas 1,7 km do local do crime minutos após a execução. A polícia também afirma que as roupas usadas pelo PM em imagens anteriores coincidiam com as vestes do assassino registradas por câmeras da região. Para os investigadores, o conjunto probatório mostra uma movimentação precisa e planejada. EXECUÇÃO CALCULADA E SUSPEITA DE OCULTAÇÃO DE PROVAS Outro ponto que chamou atenção da polícia foi o comportamento da ex-companheira do PM após o crime. A mulher admitiu ter apagado mensagens trocadas tanto com Jonathan quanto com o policial. Dias depois da execução, o PM também alterou suas redes sociais, fechando o perfil e removendo referências à mulher, apesar de manter o status de “casado”. Os investigadores interpretaram as mudanças como tentativa de dificultar as apurações. A Polícia Civil ainda destacou que o militar possui treinamento tático, acesso a armamento e conhecimento operacional, fatores que aumentariam o risco para as investigações caso permanecesse solto. JUSTIÇA AUTORIZOU A PRISÃO Diante do avanço das apurações, a Delegacia de Homicídios representou pela prisão temporária do policial por homicídio qualificado. A polícia sustenta que o crime foi cometido por motivo torpe — vingança motivada por ciúmes e traição — e mediante recurso que impossibilitou qualquer defesa da vítima, surpreendida enquanto fechava o estabelecimento. Os investigadores também apontam que a prisão era necessária para evitar interferências nas diligências ainda em andamento. Com isso, a Justiça autorizou a prisão temporária do PM por 30 dias. O caso segue sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital.

Agente infiltrado”: STF revela que Daniel Vorcaro teria policial federal da ativa operando esquema clandestino dentro da PF do Rio. Ele recebia a propina via Pix

Documento do Supremo Tribunal Federal detalha como um policial federal da ativa teria atuado dentro da própria corporação em favor da estrutura clandestina ligada a Daniel Vorcaro, realizando consultas sigilosas, acessando sistemas internos da Polícia Federal, monitorando alvos e abastecendo integrantes da organização com informações reservadas. O agente Anderson Wander da Silva Lima, lotado na DEAIN/DREX/SR/PF/RJ, é apontado pela investigação como a “longa manus” de Marilson Roseno dentro da Polícia Federal. Agente federal aposentado, Marilson era o líder operacional de Vorcaro. Segundo a representação, ele realizava ou articulava consultas indevidas em sistemas internos da corporação, repassando a Marilson dados reservados que, posteriormente, seriam utilizados em favor de Daniel Vorcaro, Felipe Mourão e demais integrantes do grupo criminoso. A autoridade policial afirma que Anderson recebia contrapartidas financeiras pelas atividades ilícitas e que, por continuar na ativa, possuía acesso privilegiado, atual e funcional aos bancos de dados oficiais da Polícia Federal, sendo justamente por isso constantemente acionado por Marilson. A investigação aponta que, ao menos desde agosto de 2023, Anderson vinha realizando pesquisas em bases internas da PF e transmitindo os resultados a Marilson, que redistribuía as informações ao núcleo central da organização. Segundo a Polícia Federal, não se trata de episódio isolado. A representação descreve um padrão contínuo e estável de exploração criminosa do acesso institucional da corporação em benefício dos interesses do grupo ligado a Daniel Vorcaro. O primeiro episódio concreto citado ocorreu em 05 de agosto de 2023. Na data, Marilson encaminhou a Anderson a fotografia do passaporte de R.A.M. e perguntou se a pessoa havia deixado o país e, em caso positivo, qual teria sido o destino. A investigação relata que um colega de Anderson se recusou a realizar a consulta ilegal. Diante disso, o agente teria classificado o servidor como “babaquinha demais”. Ainda no mesmo dia, Anderson enviou áudio a Marilson afirmando que “a gente tem que ver se aquela outra meta lá avança”, pedindo que não fosse abandonado e solicitando ajuda. Em resposta, Marilson afirmou que “a situação de terça-feira” já representaria avanço nos pleitos de Anderson por novas demandas. Posteriormente, durante o plantão de sua equipe, Anderson encaminhou áudios com as informações solicitadas, gravados por um terceiro ainda não identificado, além de enviar imagem de tela de sistema interno da Polícia Federal contendo dados de entrada e saída do país relacionados a R.A.M. Segundo a autoridade policial, os diálogos revelam que Anderson tinha plena consciência da ilegalidade das consultas e atuava deliberadamente para viabilizar e entregar conteúdo reservado ao grupo criminoso, inclusive mobilizando terceiros dentro da estrutura policial. As conversas interceptadas também revelariam o recebimento de vantagens e recompensas pelas informações sigilosas fornecidas. Em 08 de agosto de 2023, Marilson pediu a Anderson que gravasse um áudio para um terceiro dizendo: “depois vê aí o que consegue fazer pela gente”. O agente atendeu ao pedido e acrescentou espontaneamente a frase: “moral se paga com moral”, além de pedir “fortalecimento”. No dia seguinte, Marilson solicitou a chave Pix de Anderson para enviar “um presente pra filhota que passou no vestibular”. Em 11 de agosto de 2023, Anderson respondeu agradecendo e afirmou que a jovem “adorou o presente”. Para a Polícia Federal, o episódio demonstra uma contrapartida patrimonial concreta vinculada à disponibilidade funcional do policial para realizar consultas e obter dados sigilosos. Em 20 de setembro de 2023, Anderson voltou a conversar com Marilson e afirmou estar “fedendo”, que precisava de alguma “coisinha boa” e gostaria de fazer “uns trabalhinhos”. Marilson respondeu dizendo que, no mês seguinte, talvez fosse ao Rio de Janeiro e teria “um negócio” em que precisaria do apoio “de vocês aí”, classificando a situação como “muito interessante”. Segundo a representação, o diálogo demonstra que Anderson não era mero executor ocasional de consultas clandestinas, mas alguém integrado a um circuito contínuo de demandas futuras e expectativa de remuneração. A Polícia Federal afirma que havia uma relação permanente entre Anderson e Marilson baseada no atendimento sucessivo de solicitações sigilosas em troca de vantagens materiais. Em 09 de outubro de 2023, Marilson formulou nova solicitação ao policial, novamente atendida. No dia seguinte, 10 de outubro de 2023, Marilson enviou foto do visto americano de determinada pessoa e pediu que Anderson verificasse, com urgência, se o alvo ainda estava no Chile. Segundo a investigação, a demanda foi atendida. Em 11 de outubro de 2023, os questionamentos continuaram. A autoridade policial destaca que Anderson utilizava expressões como “a gente” e “conforme nós prevíamos”, o que, segundo a investigação, evidencia sua inserção em grupo articulado de agentes com acesso a dados internos da Polícia Federal, operando de forma colaborativa. Outro trecho considerado extremamente grave pela investigação ocorreu em 15 de fevereiro de 2024. Na ocasião, Marilson pediu que Anderson verificasse, com urgência, se determinado inquérito policial tratava de crime financeiro envolvendo Daniel Vorcaro, solicitando tudo o que pudesse ser enviado sobre o procedimento. A representação afirma que Anderson repassou a demanda a outros três colegas da Polícia Federal, enviando posteriormente capturas de tela das respostas recebidas. Em seguida, Marilson esclareceu que não precisava do acesso integral ao processo sigiloso, mas apenas de uma versão “sucinta” do inquérito. Já em 23 de fevereiro de 2024, nova solicitação foi feita por Marilson, agora relacionada a outro procedimento associado a uma intimação dirigida a Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Segundo a Polícia Federal, Anderson atendeu parcialmente à demanda. Os investigadores sustentam que o agente era acionado não apenas para consultas cadastrais simples, mas também para sondar investigações sigilosas de interesse direto do núcleo Vorcaro, inclusive mobilizando sua rede de contatos dentro da corporação. A investigação menciona ainda nova demanda em 30 de julho de 2024, novamente relacionada à situação migratória de determinada pessoa. Já em 30 de outubro de 2024, Marilson acionou Anderson para “dar um pulão” em um DJ que, segundo a mensagem, teria “rede de pedofilia da internet” e teria “mexido com a filha de um cara, filho de um… com o CEO do banco aí”. Na sequência, foram enviados os dados de R.F.S. Para a Polícia Federal,

“Ela bateu o fogão na cabeça da minha irmã”: relato de menino de 4 anos expõe morte brutal de garota de 12 anos na Baixada

O depoimento de uma criança de apenas 4 anos revelou detalhes assustadores sobre a morte da menina Myrella Freire Venceslau, de 12 anos, encontrada sem vida nos fundos de casa, enrolada em um lençol e coberta por folhas de bananeira, em Vilar dos Teles, São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Segundo a investigação da Polícia Civil, o menino — irmão da vítima — contou a familiares que “a tia Bianca brigou com Mirella e bateu com o fogão na cabeça dela”. O relato, considerado espontâneo pelos investigadores, revelou como a adolescente teria sido assassinada dentro da residência após uma discussão. A principal suspeita é Bianca Martins da Silva Oliveira, companheira da mãe da vítima, que teve a prisão temporária decretada pela Justiça por homicídio doloso. O laudo de necropsia apontou que Myrella morreu em consequência de traumatismo craniano grave, com lesão no encéfalo e hemorragia intracraniana provocados por forte impacto na cabeça. versão inicial falava em homem desconhecido Logo após o crime, Bianca apresentou à polícia uma versão completamente diferente da que passou a surgir ao longo das investigações. Ela afirmou que havia saído cedo para uma entrevista de emprego e que, ao retornar perto do meio-dia, encontrou o portão trancado e a casa revirada. Disse ainda que precisou pular o muro para entrar na residência. Segundo Bianca, o menino de 4 anos contou naquele momento que um suposto homem desconhecido teria aparecido na casa. A criança teria descrito o suspeito como “muito negro”, usando blusa vermelha e short preto e azul, além de afirmar que “o tio” o colocou para dormir. A mãe da menina, Vitória, inicialmente confirmou a versão apresentada pela companheira. As duas passaram a procurar Myrella até encontrarem o corpo da adolescente nos fundos do imóvel. Mas a narrativa começou a desmoronar poucas horas depois. adolescente contradisse versão da suspeita Uma adolescente identificada apenas como J., citada pela própria mãe da vítima, foi ouvida na delegacia e apresentou informações que passaram a contradizer diretamente o depoimento de Bianca. Segundo os investigadores, J. esteve na residência às 11h26 — horário confirmado pelo histórico de chamadas telefônicas — e encontrou Bianca dentro da casa ao lado de Myrella e do menino. O detalhe chamou atenção porque Bianca havia afirmado que só retornou ao imóvel perto das 12h. A adolescente relatou ainda que Bianca pediu para que ela não contasse à mãe da vítima que estava na residência naquele horário. Pouco depois, veio a revelação considerada mais impactante do caso: o menino de 4 anos contou a J. que havia ocorrido uma briga entre Bianca e Myrella e que a suspeita teria batido com um fogão na cabeça da irmã dele. O relato passou a ser tratado como peça central da investigação. mensagens antes da morte aumentaram suspeitas As suspeitas contra Bianca aumentaram após a polícia analisar conversas trocadas entre ela e Vitória em um aplicativo de mensagens. Segundo os investigadores, o relacionamento das duas estava chegando ao fim justamente na manhã do crime. Nas mensagens, Bianca se despedia da companheira em tom emocional e demonstrava preocupação incomum com Myrella. Em um dos trechos, escreveu: “Só cuidado nesses intervalos que Myrella vai na rua, porque pode acontecer muita coisa.” Em outra mensagem, afirmou: “Dona 7 já falou, nego preto já avisou em sonhos. Depois o que resta vai ser chorar.” Para os investigadores, as mensagens levantaram suspeitas de que Bianca poderia estar tentando criar previamente uma narrativa envolvendo um suposto criminoso desconhecido. Outro detalhe chamou atenção da polícia: às 11h17, Bianca enviou mensagem dizendo que estava dentro de um ônibus. Porém, segundo o depoimento de J., ela ainda estava dentro da residência minutos depois. tia afirma que menina tinha medo da madrasta A tia da vítima, Emanuela, contou à polícia que Myrella demonstrava medo constante da convivência com Bianca e frequentemente reclamava das brigas dentro de casa. Segundo a familiar, a adolescente dizia que a madrasta afirmava que ela atrapalhava o relacionamento com Vitória. Emanuela revelou ainda que Myrella chegou a pedir para morar em sua casa por não querer mais conviver com Bianca. “Ela tremia quando falava dela”, relatou em depoimento. Ainda segundo a tia, Myrella também tinha medo de deixar o irmão pequeno sozinho na residência. Familiares afirmaram que o relacionamento entre Bianca e Vitória era marcado por discussões constantes e episódios de manipulação emocional. justiça vê risco de interferência na investigação Na decisão que autorizou a prisão temporária de Bianca por cinco dias, a Justiça destacou a existência de fortes indícios de autoria e apontou risco concreto de interferência nas investigações caso ela permanecesse em liberdade. O principal temor é em relação ao depoimento especial do menino de 4 anos, tratado como a única testemunha ocular do crime. Segundo a decisão, há suspeitas de que a criança tenha sido inicialmente orientada a mencionar o suposto homem de blusa vermelha para afastar as suspeitas da investigada. A Justiça também ressaltou a necessidade de proteger a adolescente J., considerada peça-chave para o esclarecimento do caso. Bianca Martins da Silva Oliveira segue presa temporariamente enquanto a Polícia Civil aprofunda as investigações sobre a morte de Myrella Freire Venceslau.

Investigação revela que PMs do 39º BPM recebiam R$ 100 semanais via PIX em esquema de propina em Belford Roxo. CONFIRA DIÁLOGOS

A investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro revelou que o esquema de corrupção instalado no 39º BPM (Belford Roxo) possuía uma dinâmica fixa e organizada para distribuição da propina entre policiais militares do Setor Alfa. O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ) denunciou à Justiça 11 policiais militares pela prática reiterada do crime de corrupção em Belford Roxo. Um mandado de prisão foi cumprido nesta terça-feira (12/05), com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Corregedoria da Polícia Militar, contra o cabo Michel Maia Rodrigues. O Juízo da Auditoria da Justiça Militar também determinou o afastamento das atividades e a suspensão do porte de arma de todos os denunciados. Segundo a denúncia, Michel Maia Rodrigues atuava como intermediário entre comerciantes e os PMs envolvidos no esquema, sendo responsável por recolher e redistribuir os valores pagos por empresários em troca de proteção e policiamento privilegiado. De acordo com o MPRJ, a investigação revelou que os PMs recebiam de Michel a quantia exata de R$ 100,00 (cem reais), por meio de transferências via PIX, em sextas-feiras previamente determinadas. Identificou-se, assim, um padrão de funcionamento do grupo, uma vez que todos os pagamentos eram realizados às sextas-feiras e cada policial possuía uma semana específica para receber as transferências, havendo um sistema interno de revezamento para a realização desses repasses. Em outras palavras, segundo a investigação, em troca da segurança privada proporcionada pela milícia local em favor do estabelecimento comercial, Simone, ou pessoas por ela designadas, com a anuência de seus superiores, repassava semanalmente valores a título de propina, geralmente em espécie, a Michel. Este, por sua vez, encaminhava os pagamentos aos demais policiais militares, em regra por meio de transferências via PIX, sempre às sextas-feiras, ao policial militar escalado para o serviço naquela semana. A própria divisão dos valores foi mencionada em conversas interceptadas pelos investigadores. Em diálogo com o miliciano conhecido como “Dudu”, Michel afirma que o proprietário do posto desejava que ele continuasse administrando os pagamentos: “O proprietário do estabelecimento desejaria que eu permanecesse ‘administrando’ os valores pagos a título de propina entre o posto de combustíveis e os policiais militares corruptos, mencionando, inclusive, a divisão dos valores na forma de ‘100 para vtr e 100 para mim’.” As investigações também revelaram uma relação estreita entre Michel e o gestor do posto de gasolina, identificado pelo apelido de “André Boquinha”. Segundo o MPRJ, os diálogos entre ambos começaram no dia 25 de setembro de 2021, quando Michel se identifica para Boquinha chamando-o de “Chefe”. Logo em seguida, no mesmo dia, André realiza duas ligações de áudio via WhatsApp para o policial militar. Já em 27 de setembro de 2021, após uma ligação não atendida de Boquinha, Michel encaminhou nova mensagem contendo uma imagem da fachada do posto de combustíveis. Na sequência, ocorreram duas ligações telefônicas entre os interlocutores. Pouco tempo depois, Michel enviou novas mensagens afirmando que seu interlocutor iria falar “com quem de direito” e, em seguida, comunicou: “Já tá resolvido”“Ninguém vai mais lá não” Na mesma troca de mensagens, Michel esclareceu tratar-se da “resposta da milícia”. Segundo o Ministério Público, as comunicações demonstram que Michel atuou como interlocutor junto a integrantes da milícia para interceder em favor do posto de combustíveis, reforçando sua posição de articulador da rede de proteção ilícita conferida ao estabelecimento. As mensagens também revelam que Michel prestava satisfações a Boquinha, evidenciando sua atuação como aliado da milícia local. Esse vínculo entre Michel e integrantes da milícia também foi identificado em conversas mantidas entre o policial e o indivíduo conhecido como “Dudu”, apontado como miliciano atuante na Comunidade da Igrejinha, em Belford Roxo. Nos diálogos analisados, verifica-se que “Dudu”, juntamente com outros milicianos da localidade, estaria comparecendo ao posto de combustíveis para realizar cobranças relacionadas à denominada “taxa de segurança”, situação que teria gerado reclamações por parte de Boquinha e de um homem identificado como “Samuquinha”. Em conversa travada no dia 30 de setembro de 2021, Michel relatou que entrou em contato com Dudu para orientá-lo a não comparecer mais ao posto, já que Samuquinha estaria insatisfeito com as visitas. Em mensagens de áudio trocadas entre Michel e Dudu, o PM afirma: “Fala aí, Dudu, tranquilo, mano? Boa tarde. Dudu, vou te fazer um pedido aí, pra ver se você pode me ajudar. Os amigos aí, daí de cima, da Igrejinha, tá indo lá no posto do Samuqinha, né. Pô, aquele posto lá a sociedade do Samuqinha e do Boquinha. Aí pediu né pra viatura que tá de frente do setor falar com os caras aí, entendeu, porque lá a briga é pra cima. Eles não querem nada, envolvimento com o pessoal daí de cima. Eu falei que conheço a rapaziada e ia dar um alô pra evitar qualquer problema com eles lá. Irmão, tem deputado envolvido, aí os caras têm um ego maior, entendeu? Eles não querem, melhor deixar pra lá, beleza? (…) Se tu puder fazer esse favor ai pra gente aí cara, te agradeço. (…) Esquecer aquele posto lá. (…) Ajuda a gente nessa aí. O que precisar da gente aqui estamos à disposição também.” Em outro áudio, Michel detalha a localização do estabelecimento: “Esse posto, ele é em frente ao Shopping, né, ali em frente à antiga MAP, ali próximo ali à Loja Americana.” Após receber retorno positivo do miliciano, Michel agradece: “Valeu, meu camarada. Brigado aí, Dudu. Se precisar da gente aí é só chamar, beleza, irmão? Estamos juntos aí.” Segundo a investigação, após essas mensagens, Michel repassou a Boquinha a resposta obtida junto aos milicianos: “Já tá resolvido”“Ninguém vai mais lá não” Outro elemento apontado pelo MPRJ como indicativo da confiança entre Boquinha e Michel ocorreu em 7 de junho de 2022. Na ocasião, Boquinha entrou em contato com Michel para pedir um favor inicialmente tratado por ligação via WhatsApp. Após a chamada, encaminhou ao policial uma anotação contendo dados bancários e o CPF de um homem identificado como “Arley”.

Um dos homens que estava no carro em que empresário foi morto por PMs na Pavuna já tinha sido preso com radinho e revelou na ocasião que era informante do TCP

Um dos três rapazes que estavam com o empresário Daniel Patrício Souza de Oliveira no momento em que ele foi morto por PMs na Pavuna, em abril deste ano, já havia sido preso anteriormente na própria comunidade e chegou a afirmar aos policiais que atuava como informante da facção Terceiro Comando Puro (TCP). O caso aconteceu em 2022. Segundo os autos obtidos pela reportagem, policiais militares faziam patrulhamento na região quando desconfiaram do suspeito, que pilotava uma motocicleta em atitude considerada suspeita. Os agentes deram ordem de parada e realizaram uma revista pessoal. Durante a abordagem, os PMs encontraram com ele um radiotransmissor — equipamento frequentemente utilizado por criminosos para monitorar movimentações policiais — além de uma pequena quantidade de cocaína, acondicionada em uma embalagem plástica. Na ocasião, o rapaz alegou que a droga seria para consumo próprio e afirmou que estaria colaborando como informante do TCP. Ainda de acordo com os documentos da Justiça, ele acabou condenado a nove meses de prisão. A sentença destacou que o acusado já possuía outras passagens pela polícia, incluindo um processo criminal em andamento e uma condenação definitiva por roubo majorado. O nome do rapaz voltou a aparecer em outro episódio no ano passado. Ele foi encontrado ao lado de outros dois homens em uma barraca localizada em área dominada pelo TCP, onde houve apreensão de cocaína. Apesar disso, acabou absolvido no processo. A revelação ganha peso porque o homem estava no carro com Daniel Patrício no momento da ação policial que terminou com a morte do empresário e gerou enorme repercussão. O caso segue cercado de questionamentos e investigações. Até o momento, porém, não há qualquer informação oficial que relacione o histórico do ocupante do veículo ao assassinato do empresário. As circunstâncias da ação policial continuam sendo apuradas. Os PMs envolvidos no caso foram denunciados ao Tribunal do Júri por homicídio doloso.

Deputado preso ontem pela PF foi acusado de saquear cofres de empresa pública de habitação de Campos (RJ)

Preso ontem pela Polícia Federal suspeito de fraudes na Secretaria Estadual de Educação, o deputado estadual Thiago Rangel comandava também um esquema a um esquema de lavagem de dinheiro, por meio da inserção dos recursos desviados, numa rede de postos de combustíveis administrada pelo próprio parlamentar que contava com a participação de “laranjas” próximos, Segundo a Polícia Federal, Rangel também responde a processo acusado de saquear os cofres da Empresa Pública de Habitação do Município de Campos dos Goytacazes, durante os anos de 2021 e 2022, período em que exerceu influência política junto à Prefeitura de Campos dos Goytacazes, indicando para a direção da empresa pública o seu “braço direito”, Fábio Porbauix . Naquela época, o então vereador Thiago Rangel era aliado do prefeito, Wladimir Garotinho e oposição ao vereador Marquinho Bacellar, irmão de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj. Na direção da empresa, Fábio iabilizou a manipulação de diversos procedimentos de aquisição de bens e serviços, a maioria por meio do expediente da dispensa de licitação, direcionando os contratos para empresas fechadas com a organização criminosa. Na verdade, emprestadas para a organização criminosa, que assumia a execução do serviço parcialmente entregue e desviava os recursos públicos oriundos do pagamento dos contratos, para contas de terceiros (laranjas) ou deempresas em nome de terceiros (Rede de Postos de Combustíveis de Rangel A Polícia Federal aponta, também, que na referida investigação denominada “Operação Postos de Mídias”, revelaram-se elementos suficientes do surgimento de novo esquema criminoso, no âmbito do Governo do Rio de Janeiro, em virtude de o antes vereador Thiago Rangel tornou-se Deputado Estadual pelo estado do Riopassando exercer influência política no estado, possivelmente com o ex-Deputado Estadual Rodrigo Bacellar, que seria o verdadeiro responsável pelo esquema criminoso, do qualRangel aderiu e passou a gerir parte dele. O esquema consistiria no direcionamento de obras dereformas em Escolas Públicas Estaduais do Norte Fluminense – região de influência política tanto de Bacellar como de Rangel – para empresas pré-ajustadas com os integrantes da Organização Criminosa, viabilizando o posterior repasse de recursos públicos desviado para os membros da quadrilha. Acredita-se que o esquema criminoso seja mais amplo e tenha sido estruturado em todo o Estado do Rio de Janeiro, com base no apoio político dado a Bacellar. Entretanto, no bojo da Operação Postos de Mídias, apenas parte do esquema fora revelado, sendo a presente peça limitada, dessa forma, à Diretoria Regional Noroeste, da Secretria de Educação. VIOLÊNCIA A investigação chama atenção para diálogos entre Rangel e Fabio que tramam ataques violentos contra F.A.R que fazia críticas a atuação de Thiago como vereador. Rangel disse que “vou dar jeito nele”, e pede a Fábio para descobrir o endereço de Felipe. Mais adiante, envia mensagem dizendo que vai mandar “uma surpresa” para ele, bem como que “depois de 12 tiros no portão o recado está dado”. Em outro diálogo, datado de 02/01/2022, Thiago e Fábio arquitetaram um ataque a pessoa não identificada. Vê-se que a conversa se iniciou com oencaminhamento de imagem por Rabgek que, apagada, não foi passível de recuperação. Entretanto, as mensagens trocadas deixam clara a intenção violenta dosinterlocutores. FÁBIO – 21:58:40h: Vai se enforcar sozinho!FÁBIO – 21:58:50h: Ta chegando a hora dele!FÁBIO – 21:58:59h: Temos que ter sabedoria!THIAGO RANGEL – 21:59:43h: “bati palma para ele aqui,botei a mãozinha batendo palma, para o filho da putaestressar logo”FÁBIO – 22:00:01h: “posso falar para você? Não valea pena não. Vale a pena não, a gente tem que arrancar acabeça dele sem dar direito para ele, entendeu? De pensarno que aconteceu. Vale a pena não, deixa ele. Vamoscortar, vai ser igual Lorena, entendeu?THIAGO RANGEL – 22:00:47h: Safado!FÁBIO – 22:01:07h: Isso ai!FÁBIO – 22:01:07h: Rapaz…FÁBIO – 22:01:07h: Ele vai arrumar uma merda paraele mesmo se fuder!FÁBIO – 22:01:07h: Vai por mimTHIAGO RANGEL – 22:01:44h: Vamos avaliar omelhor momento e tirar.FÁBIO – 22:01:45h: E já sei comoFÁBIO – 22:01:56h: “Rapaz, eu já sei como que agente vai resolver o problema. Ele vai para a EMABH de carro, só que ele vai por dentro porque ele não temhabilitação e ele não pode dirigir por fora. Vamos esquematizar, entendeu? Um bote. Ninguém vai matar ele, vai fazer nada. Ele vai tomar um bote, tá? E esse bote omoleque vai bater na cara dele, vai dar tiro no carro dele, o caralho. Ele vai querer parar de ir, aí você vai dizer para ele, rapaz agora tem como não. Eu quis deixar você em casa e você não quis, agora não tem como não. E aí ele vai ter que pedir para sair”FÁBIO – 22:03:15h: “Ele vai ter que abandonar o emprego, entendeu? Não vai ser a gente que vai mandar ele embora não”THIAGO RANGEL – 22:03:35h: Vamos resolver isso logo!THIAGO RANGEL – 22:03:48h: Estou sem paciência com esse merda!FÁBIO – 22:04:13h: “Você já num falou para ele ficar em casa? Ele não quis. Ele não quis. Ele vai tomar um varada dessa e vai ficar com medo de ir. Nessa de ele ficar com medo, ele vai querer pedir a você para ficar em casa. Não, agora tem como não, eu tentei deixar você em casa, você não quis, agora você tem que ir.”THIAGO RANGEL – 22:05:20h: “Beleza, vamos arquitetar, orquestrar tudo aí. Porque esse cara aí, tá impossível de suportar ele, e eu não vou procurar ele nãocara, barbearia, procurar caralho nenhum, vou arrebentar esse filho da puta”.

Braço do TCP e alvo de guerra com a ADA em Campos: quem é Júnior do Beco, o traficante ligado a deputado preso pela PF

Antes de surgir nas investigações que levaram à prisão do deputado estadual Thiago Rangel, o nome de Júnior do Beco já era sinônimo de violência e domínio do tráfico no interior do Rio de Janeiro. A imprensa do Rio noticiou com destaque nesta terça-feira que Rangel, preso pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne, teria oferecido vagas na Secretaria Estadual de Educação ao traficante — mas sem detalhar quem é, de fato, o criminoso por trás desse elo explosivo. Levantamentos mostram que Júnior do Beco já era uma figura conhecida pelas forças de segurança desde os anos 2000, especialmente em Guarus, em Campos dos Goytacazes. Entre criminosos que atuavam do Rio até o interior, ele era apontado como o maior braço do Terceiro Comando Puro (TCP) na região. Ele foi flagrado em uma conversa com um comparsa em que disseram que era preciso tomar uma providência contra a opressão da facção rival Amigos dos Amigos (ADA). Na interceptação, afirmaram que “teriam que manchar o chão de sangue” e que iriam manejar armas vindas de outras localidades dominadas pelo TCP, especialmente Tira Gosto e Portelinha, para reforçar o confronto. Policiais relataram, na época, que Juninho do Beco e seu irmão, conhecido como “Cavalinho”, bagunçavam a região. A maioria dos homicídios em áreas como Custodópolis e Baixada do Rotary era atribuída a eles, consolidando um cenário de medo constante. É esse o criminoso que, segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, mantinha relação íntima com o deputado Thiago Rangel. A decisão que fundamentou a prisão revela que Júnior do Beco teria recebido do parlamentar a oferta de duas vagas de trabalho como auxiliar de serviços gerais, para indicações próprias, aparentemente em órgãos públicos ligados à área de educação. Rangel foi orientado a procurar o traficante ou enviar seu número de telefone para que ele próprio entrasse em contato e definisse quem seriam as pessoas inseridas em uma planilha de contratações. Em seguida, Thiago Rangel encaminhou o contato salvo como “Junior Beco” e pediu a um conhecido que falasse com ele em seu nome, informando que possuía oito vagas de ASG (auxiliar de serviços gerais) disponíveis na educação. Dessas oito, ao menos duas seriam destinadas ao traficante, que já havia feito a solicitação. Uma das pessoas indicadas, segundo os autos, foi a própria irmã de Júnior do Beco. A Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal, tem como objetivo desarticular uma quadrilha voltada para fraudes em procedimentos de compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma no âmbito da Secretaria Estadual de Educação. As investigações apontam para um possível esquema de direcionamento de contratações realizadas por escolas estaduais, beneficiando empresas previamente selecionadas e ligadas ao grupo criminoso. O que emerge desse cenário é uma conexão alarmante entre crime organizado e estruturas públicas, revelando indícios de que interesses de facções podem ter ultrapassado as fronteiras do tráfico e alcançado o interior da máquina do Estado.

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