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operação policial

Tijuca em guerra: facções se enfrentam nas redes e vídeos mostram balas traçantes no céu

A disputa entre facções criminosas que transformou a Tijuca, na Zona Norte do Rio, em cenário de guerra neste fim de semana ganhou mais um capítulo — agora escancarado nas redes sociais e acompanhado em tempo real por moradores aterrorizados. Relatos indicam que traficantes do Comando Vermelho (CV), que atuam no Morro do Borel, lançaram uma ofensiva para tentar invadir os morros do Cruz, Casa Branca e Chácara do Céu, áreas sob domínio do Terceiro Comando Puro (TCP). A região, considerada estratégica, virou alvo de uma disputa violenta por território. Nas redes, o TCP negou qualquer avanço rival e reforçando a permanência na área. “Nada mudou na Casa Branca. Só TCP na pista, doido para matar comando”, escreveu o grupo. Os integrantes do CV, no entanto, chegaram a anunciar a suposta tomada da Chácara do Céu. “TCP aqui nunca mais. Nós que tá permanecendo”, diz a postagem, em tom de provocação e afirmação de controle. A resposta do TCP veio logo depois, também pela internet, negando qualquer avanço rival e reforçando a permanência na área. “Nada mudou na Casa Branca. Só TCP na pista, doido para matar comando”, escreveu o grupo. Enquanto isso, vídeos compartilhados por moradores mostram o céu da Tijuca riscado por balas traçantes durante a madrugada, evidenciando a intensidade dos confrontos e o risco para quem vive na região. Diante da escalada da violência, equipes do BOPE foram acionadas e reforçaram o policiamento com o uso de veículo blindado, o caveirão. A presença policial tenta conter o avanço dos criminosos, mas o clima segue de tensão e medo entre os moradores.

Oruam recebeu dinheiro dos traficantes Doca e Pezão para viagens e festas, diz MP

Filho do traficsnte Marcinho VP, chefe máxima do Comando Vermelhio, o rapprr Oruam recebeu dinheiro de traficantes como Doca e Pezão para despesas pessoais, viagens, festas e investimento A informação consta em denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) contra VP, o cantor , sua mãe, Marcia Gama Nepomuceno, e outras nove pessoas por crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil realizou uma operação na quarta-feira (29/04) para cumprir mandados de prisão e busca e apreensão contra os denunciados.A 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada descreve a atuação do grupo no “branqueamento” de dinheiro proveniente do tráfico de drogas em comunidades cariocas. Também demonstra que Marcinho VP ainda exerce relevante influência hierárquica na facção criminosa Comando Vermelho, coordenando recursos financeiros e estratégias para a expansão da organização criminosa, mesmo estando preso há mais de 20 anos. De acordo com a denúncia, a gestora financeira do grupo é Marcia Nepomuceno. As investigações apontam que ela recebia regularmente dinheiro em espécie de outros traficantes do Comando Vermelho, entre eles Edgar Alves de Andrade, o Doca; Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha; e Luciano Martiniano, vulgo Pezão. Para ocultar o patrimônio, ainda segundo a denúncia, Marcia Nepomuceno adquiriu e administrava estabelecimentos comerciais, imóveis e fazendas. .A denúncia estruturou a organização criminosa em quatro núcleos: o de liderança encarcerada (Marcinho VP), que exerce controle direto sobre a movimentação de recursos e decisões estratégicas; o núcleo familiar (Marcia, Oruam e Lucas Nepomuceno), responsável por intermediar a execução das ordens e a gestão de ativos; o núcleo de suporte operacional (Carlos Alexandre Martins da Silva, Luiz Paulo Silva de Souza, vulgo Magrão, e Jeferson Lima Assis), que presta suporte à lavagem de dinheiro e atua como “testa de ferro” para a dissimulação patrimonial; e o núcleo de liderança operacional (Doca, Abelha, Pezão, Eduardo Fernandes de Oliveira, vulgo 2D, e Ederson José Gonçalves Leite, o Sam), atuante nas comunidades na execução das práticas criminosas, entre elas o tráfico de drogas, sendo seus integrantes responsáveis por receber valores dessas atividades e repassar parte deles ao núcleo familiar.

DO GÁS AO JOGO DO BICHO: o rastro de terror de “Marquinho Sem Cérebro”, alvo de operação do MP que mira nova cúpula da contravenção no Rio

Alvo de uma operação do Ministério Público do Rio nesta quinta-feira (30), suspeito de integrar e liderar uma nova cúpula da contravenção no estado, Marcos Paulo Moreira da Silva, conhecido como “Marquinho Sem Cérebro”, não surgiu agora no radar das autoridades. Seu histórico é antigo — e marcado por episódios de violência, coerção e domínio territorial. Antes de ser apontado como peça-chave no esquema do jogo do bicho em Bangu, Marquinho já havia comandado uma milícia na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo relatório da Justiça da década passada, ele e seus comparsas coagiam revendedores de gás na comunidade do Sandá, em Bangu, impondo restrições e limitando a venda do produto a comerciantes da própria região. O objetivo era claro: controlar completamente o comércio de gás na localidade. De acordo com os registros, Marquinho chegou a procurar pessoalmente um homem identificado como Arnaldo Flores, exigindo que ele deixasse a área de interesse da organização criminosa. A vítima inicialmente resistiu, mas acabou cedendo às ameaças, recolhendo seus pertences e abandonando a região.Mesmo assim, acabou sendo assassinado posteriormente. As ações do grupo não pararam por aí. Marquinho e seus aliados montaram ou adquiriram depósitos de gás em Bangu, consolidando o domínio sobre o setor. Após tomar o depósito de gás de um homem identificado como Armando, localizado no Sandá, toda a família dele passou a ser ameaçada. O recado, segundo os relatos, era direto: o criminoso havia chegado para dominar a região e quem ficasse em seu caminho, morreria. Na prática, a intimidação era constante. Marquinho e um policial militar apontado como seu sócio circulavam pelas ruas abordando vendedores e pessoas ligadas à família Flores, determinando que todos avisassem Armando e seus familiares para interromper imediatamente a venda de gás e fechar os depósitos. As ameaças, de acordo com os relatos, chegavam a ser feitas até por policiais militares que patrulhavam a área, ampliando o clima de medo entre os moradores e comerciantes. Mesmo após a prisão de Marquinho, o esquema de pressão teria continuado. O policial militar apontado como seu sócio, na tentativa de manter o monopólio da comercialização de gás, seguiu abordando vendedores, questionando — em tom de ameaça — os preços praticados. GUERRA NA CONTRAVENÇÃO Anos antes desses episódios, Marquinho já atuava em outro cenário igualmente violento: a disputa entre bicheiros. Com a prisão do contraventor Rogério de Andrade, seu rival Fernando Iggnácio passou a ordenar uma série de ataques aos pontos controlados pelo concorrente. E, segundo investigações, Marquinho Sem Cérebro, que era chefe de segurança de Iggnácio, participou diretamente dessas ações. A ordem era clara: destruir máquinas caça-níqueis e desestruturar a quadrilha rival, abrindo caminho para o domínio dos territórios na Zona Oeste. Em outro trecho das investigações, Marquinho chegou a ser flagrado combinando com o próprio Iggnácio o pagamento de propina a policiais civis, incluindo um delegado, para forjar flagrantes de porte de arma contra integrantes de grupos rivais — possivelmente policiais militares. A OPERAÇÃO DE HOJE Todo esse histórico ajuda a explicar por que Marquinho voltou ao centro das atenções. Nesta quinta-feira (30), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), em conjunto com a Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CSI/MPRJ), cumpre 18 mandados de busca e apreensão contra uma nova cúpula do jogo do bicho em Bangu. A investigação é própria do Ministério Público. De acordo com o GAECO, o grupo criminoso seria liderado por Marquinho Sem Cérebro, que já está preso. A ação conta com o apoio da Coordenadoria de Inteligência da Investigação (CI2/MPRJ), do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) da Polícia Civil e do 14º BPM (Bangu). Os mandados, expedidos pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, têm como objetivo apreender documentos e materiais ligados a uma série de crimes, como: Segundo as investigações, Marquinho ascendeu dentro da chamada máfia da contravenção, principalmente na exploração de máquinas caça-níqueis, após a morte do bicheiro Fernando Iggnácio. Desde então, o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) conduzido pelo GAECO aponta a prática de múltiplos crimes pelo grupo, incluindo diversos homicídios registrados em Bangu a partir de 2021. Os mandados estão sendo cumpridos em Bangu, Senador Camará, Realengo, Recreio dos Bandeirantes e Marechal Hermes.

PRINT EXPLOSIVO REVELA DIÁLOGO ENTRE MILICIANO E CHEFÃO DO CV DURANTE OPERAÇÃO NO RIO

Um print de conversa divulgado pelo programa Balanço Geral escancarou uma conexão direta entre milícia e tráfico no Rio de Janeiro — e acabou passando quase despercebido no meio da cobertura. A mensagem mostra o miliciano André Boto, que controla áreas em Curicica, na Zona Oeste, em contato com Carlos Costa Neves, o “Gardenal”, apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho. No diálogo, Boto questiona se os complexos da Penha e do Alemão seriam a mesma região. Gardenal responde detalhando o domínio das facções: afirma que a Penha é controlada por Marcinho VP e Doca, enquanto o Alemão estaria sob influência de Marcinho VP e Pezão. A conversa vai além. Os criminosos também discutem possíveis invasões a áreas dominadas por milicianos, citando regiões como Carobinha, em Campo Grande; 48 e Catiri, em Bangu; e o Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes — indicando articulações diretas sobre disputas territoriais entre grupos rivais. O material foi revelado pela polícia durante uma operação deflagrada nesta quarta-feira pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que mira o coração financeiro do Comando Vermelho — responsável por movimentar e esconder milhões do tráfico de drogas. Agentes cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca. Entre os alvos estão nomes de peso da facção: Márcia Gama, companheira de Marcinho VP; o filho dela, o rapper Oruam, considerado foragido; além de lideranças como Sam, da Cidade de Deus; Pezão, do Alemão; Abelha, da Lapa; e Doca, da Penha. As investigações, conduzidas ao longo de cerca de um ano, revelaram um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro operado pela facção. Segundo os agentes, valores provenientes do tráfico eram repassados a operadores financeiros que fragmentavam o dinheiro em contas de terceiros, pagavam despesas, adquiriam bens e ocultavam patrimônio para dificultar o rastreamento. A análise de dispositivos eletrônicos apreendidos e o cruzamento de dados telemáticos e financeiros mostraram movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados — evidência clara da origem ilícita dos recursos. Os diálogos interceptados reforçam ainda que, mesmo preso há anos, Marcinho VP segue como figura central no comando da organização criminosa. A ação faz parte da “Operação Contenção”, ofensiva do Governo do Estado para frear o avanço do Comando Vermelho. Até agora, segundo dados oficiais, mais de 300 criminosos foram presos, 136 mortos em confrontos, cerca de 470 armas apreendidas — sendo 190 fuzis — e mais de 51 mil munições recolhidas. As investigações continuam para identificar outros envolvidos, empresas usadas na lavagem de dinheiro e beneficiários indiretos do esquema.

Empresário Morto por PMs no Rio Tinha Pendências na Justiça — Mas Nada Indica Relação com a Execução

A família do empresário Daniel Patrício Santos de Oliveira, morto durante uma ação de PMs na Pavuna, na semana passada, planejava deixar o Rio de Janeiro e se mudar para Foz do Iguaçu (PR), onde ele enfrentava pendências judiciais. Daniel respondia a um processo por danos morais no Tribunal de Justiça do Paraná — cujo conteúdo não foi disponibilizado pelo órgão. Além disso, no ano passado, ele chegou a ser investigado por suspeita de descaminho, após tentar entrar no Brasil com mercadorias estrangeiras sem a devida declaração. O caso teve origem em uma representação fiscal da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, após a apreensão de produtos em Foz do Iguaçu, em 15 de abril de 2025. O valor dos tributos envolvidos — cerca de R$ 6 mil — ficou abaixo do mínimo exigido para caracterizar crime de descaminho. Por isso, a Justiça considerou a conduta de baixo potencial ofensivo e arquivou o caso. Não houve prisão em flagrante, apenas a apreensão das mercadorias. Até o momento, não há qualquer evidência de que essas pendências tenham relação com a morte do empresário. A linha de investigação, na verdade, aponta para outro ponto considerado crucial: por que Daniel estava sendo monitorado pelos policiais horas antes de ser morto. Imagens de câmeras corporais mostram os PMs em contato com um informante, que relatava em tempo real os passos do empresário naquela noite — indicando que ele era acompanhado de perto antes da abordagem. Os vídeos também não sustentam a versão apresentada pelos agentes de que Daniel teria jogado o carro contra a equipe para justificar uma reação em legítima defesa. Os policiais foram presos por homicídio doloso, e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) concentra agora as apurações justamente na real motivação do crime — especialmente no motivo pelo qual o empresário passou a ser monitorado pelos agentes antes da ação que terminou em morte. “O GAESP/MPRJ também segue acompanhando o andamento das investigações conduzidas pela Corregedoria da Polícia Militar e pela Delegacia de Homicídios da Capital para esclarecer as circunstâncias da ação policial, identificar eventuais irregularidades em relação aos protocolos operacionais e apurar a responsabilidade de todos os envolvidos, inclusive os que não estavam presentes na cena do crime”, diz a nota. A família disse que o carro do empresário foi atingido por 23 tiros. Ele morreu baleado na cabeça.

Escândalos na PM: baleados teriam sido ameaçados de ficar sem socorro para confessar crime. Em outro caso, agentes invadiram casa de morador sem consentimento e o agrediram com socos e mata leão

Uma denúncia explosiva recebida pela Auditoria da Justiça Militar expõe acusações gravíssimas contra policiais militares no Rio de Janeiro: dois PMs são suspeitos de ameaçar homens baleados, condicionando o socorro médico à confissão de crime e à entrega de uma arma que, segundo os próprios autos, pode nunca ter existido. O caso aconteceu em 13 de junho de 2023, na Rua Salgueiro, no bairro Vilar dos Teles, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. De acordo com a denúncia, equipes do Grupamento de Ações Táticas (GAT) realizavam uma operação na comunidade Vila Ruth quando houve um confronto armado. Após o tiroteio, dois homens foram encontrados caídos, feridos, em uma laje, já rendidos e sob custódia policial. Um deles apresentava um ferimento de raspão nas costas; o outro havia sido atingido na região escapular. É nesse momento que, segundo os autos, a ocorrência ganha contornos ainda mais graves. Um dos policiais teria se aproveitado da vulnerabilidade de uma das vítimas — ferida, sangrando e em estado de desespero — para fazer uma ameaça direta: sem confissão de porte ilegal de arma e sem indicação da localização do suposto armamento descartado na fuga, não haveria socorro. A denúncia aponta que o homem foi submetido a intenso sofrimento psicológico sob a pressão de morrer sem atendimento médico. Horas depois, já na 64ª Delegacia de Polícia, o mesmo policial — acompanhado de outro agente — teria reforçado a ilegalidade. Ambos são acusados de prestar depoimentos falsos, afirmando que os feridos estavam com drogas, radiotransmissor e uma pistola no momento da abordagem. A investigação, no entanto, sustenta o oposto: os homens não portavam qualquer desses materiais. Apesar da gravidade das acusações, não há até o momento qualquer punição judicial aplicada aos policiais envolvidos. Outro caso: invasão de domicílio e agressão em Petrópolis Em outro episódio que também acendeu alerta na Justiça Militar, três policiais militares foram denunciados por invadir a casa de um morador em Petrópolis, na Região Serrana, sem mandado judicial e sem consentimento. O caso ocorreu em 5 de julho de 2024, na comunidade do Neylor. Segundo os autos, os agentes entraram à força na residência de um homem identificado como T.F.F., ignorando sua negativa expressa. Dentro da casa, ele teria sido brutalmente agredido com socos no rosto e um golpe conhecido como “mata-leão”, sofrendo lesões corporais. Desta vez, há um elemento ainda mais contundente: a ação foi registrada pelas câmeras corporais dos próprios policiais, o que reforçou a aceitação da denúncia pela Justiça. Mesmo assim, até agora, também não houve qualquer punição judicial contra os envolvidos. Os dois casos, agora sob análise da Justiça Militar, escancaram denúncias de abuso de poder, violência e possível manipulação de provas por agentes do Estado — acusações que, se confirmadas, atingem diretamente a credibilidade das forças de segurança.

DESCULPA REVOLTANTE: Pais presos por tortura de bebê de 50 dias dizem que carrinho que fechou sozinho com criança dentro causou lesões; médicos apontam sinais de violência extrema

A investigação sobre o caso do bebê de apenas 50 dias internado em estado gravíssimo na Baixada Fluminense ganhou um novo e revoltante capítulo: os pais presos suspeitos de tortura e estupro afirmaram segundo testemunhas que as graves lesões teriam sido causadas porque o carrinho onde a criança estava “fechou com ela dentro”. Segundo a assistente social responsável por ouvir o casal, os dois também disseram ter ficado surpresos com o estado da criança, o que levantou ainda mais suspeitas diante da gravidade dos ferimentos. A justificativa foi apresentada em depoimento, mesmo com os próprios investigados reconhecendo que se trata de um carrinho leve — versão considerada incompatível com a extensão das lesões. A reportagem teve acesso ao inquérito, que aponta um quadro extremo de violência. A bebê foi transferida do Hospital Geral de Nova Iguaçu para a UTI neonatal após apresentar politrauma e convulsões. De acordo com a médica pediatra e neonatologista responsável pelo atendimento, a criança apresentava hemorragia intracraniana, identificada em tomografia, além de lesões cerebrais antigas e recentes, em diferentes estágios evolutivos — quadro altamente sugestivo da chamada Síndrome do Bebê Sacudido. A médica também relatou que exames de corpo inteiro identificaram fraturas antigas em três arcos das costelas, já em processo de cicatrização, indicando episódios anteriores de agressão. Em avaliação oftalmológica especializada, foram constatadas múltiplas hemorragias retinianas, outro indicativo típico de violência. O caso se torna ainda mais grave com a suspeita de abuso sexual. Segundo a equipe médica, durante procedimento de troca de sonda, foi verificado que a criança apresentava ânus extremamente dilatado, com sangramento e vermelhidão intensa, condição absolutamente incompatível com a fisiologia de um bebê e sugestiva de violência. Ainda de acordo com a médica, a bebê segue em estado extremamente grave, sob ventilação mecânica, sedação contínua e uso de medicações, com risco concreto de morte. Outro ponto destacado pela profissional foi o comportamento dos pais, que não procuraram a equipe médica para obter informações sobre o estado da filha nem demonstraram reação emocional compatível com a gravidade do quadro durante todo o período de internação. A assistente social também relatou que o casal negou qualquer agressão física e apresentou apenas a versão do carrinho como explicação para todas as lesões. O inquérito aponta ainda que a bebê permanecia praticamente todo o tempo sob os cuidados diretos da mãe, sem contato frequente com terceiros, convivendo basicamente apenas com os próprios pais — fator que, segundo os investigadores, torna o caso ainda mais grave e reforça que as agressões ocorreriam dentro do ambiente familiar. O pai da criança possui condenação anterior por tortura-castigo contra outra filha, o que agrava ainda mais a suspeita sobre o histórico de violência. Para a polícia, não há qualquer explicação plausível para o conjunto de lesões. Os exames indicam agressões repetidas ao longo do tempo, evidenciadas pelos diferentes estágios de cicatrização. Diante da gravidade do caso, a Justiça decretou a prisão temporária do casal. As investigações seguem para apurar todos os detalhes, incluindo a possível prática de estupro de vulnerável.

POLICIAL PENAL PRESO HOJE NOS EUA AVISAVA LÍDERES DO TRÁFICO SOBRE AÇÕES DA POLÍCIA. LEIA TRECHOS

O policial penal Luciano de Lima Fagundes Pinheiro, conhecido como “Bonitão”, preso nesta semana nos Estados Unidos, já havia sido condenado no Brasil por um esquema gravíssimo de vazamento de informações sigilosas diretamente para chefões do tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Ele respondeu a processo iniciado em 2013 e acabou condenado em 2017 a 14 anos de reclusão em regime fechado, acusado de se aproveitar da própria função pública — e também de pessoas de seu círculo de relacionamento — para obter e repassar dados estratégicos sobre ações policiais e do sistema penitenciário a criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP), com atuação no Complexo da Maré, Serrinha, Vila Aliança, Dendê e Rocinha — à época ainda dominada pela facção Amigos dos Amigos (ADA). As transcrições reunidas no processo são contundentes e mostram que esse verdadeiro “setor da quadrilha” recebia pagamentos semanais para coletar informações privilegiadas junto a órgãos de segurança e ao sistema prisional, repassando tudo aos traficantes. O esquema era ainda mais sofisticado: em acordo com criminosos, os envolvidos também ofereciam informações a outros policiais, como a localização de armas e drogas, numa estratégia para ganhar confiança e ampliar o acesso a dados sigilosos. A partir daí, alimentavam continuamente a facção com informações que fortaleciam suas operações ilegais. Para a Justiça, ficou evidenciado que os integrantes atuavam de forma associada, com o objetivo claro de violar sigilo profissional e vender informações estratégicas ao crime organizado, auxiliando diretamente os interesses das facções. Interceptações telefônicas escancararam o nível de envolvimento de Bonitão com os principais nomes do tráfico: No dia 27 de dezembro de 2013, Luciano informou ao traficante Menor P, então um dos chefões da Maré, sobre a existência de um informante policial atuando na comunidade, que estaria utilizando um dispositivo de filmagem. Em 24 de fevereiro de 2014, após ser alertado por um comparsa sobre uma operação policial no Morro do Dendê, Bonitão avisou Fernandinho Guarabu, líder do tráfico na região, sobre a presença de dois informantes da polícia que acompanhariam o efetivo na ação. Já no dia 7 de março de 2014, ele voltou a agir ao informar Menor P sobre uma operação do BOPE em comunidades da Nova Holanda, áreas sob controle do Comando Vermelho. Segundo a Polícia Federal, a prisão de Bonitão nos Estados Unidos ocorreu porque ele voltou a se envolver em um núcleo criminoso voltado à negociação de vantagens indevidas e venda de influência, desta vez para favorecer os interesses de um traficante internacional de drogas. A captura foi realizada por agentes da Drug Enforcement Administration (DEA), a agência federal antidrogas do Departamento de Justiça dos EUA, após uma troca de informações com policiais federais do Rio de Janeiro. O caso expõe uma engrenagem profunda de corrupção e infiltração dentro do sistema de segurança, mostrando como um agente público condenado por ajudar facções no passado voltou a aparecer no centro de um esquema com ramificações internacionais.

7 PMs suspeitos de ligação com Índio do Lixão podem ser expulsos: relatório revela o que cada um fazia para ajudar o CV

A Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu submeter ao Conselho de Disciplina — que pode levar à expulsão — sete agentes apontados em investigação da Polícia Federal como cooptados pelo Comando Vermelho. O caso tem como figura central o traficante conhecido como “Índio do Lixão”, descrito na própria decisão como peça-chave da facção e responsável pelo tráfico internacional de armas e drogas. A investigação revelou a existência de um núcleo estável e coordenado de policiais militares que atuava diretamente na segurança particular e no braço logístico da liderança criminosa, utilizando a função pública para favorecer e prestar suporte a “Índio”. A decisão esclarece que a atuação desse grupo veio à tona após a deflagração da Operação Zargun, quando surgiram novos elementos demonstrando a participação dos militares na engrenagem criminosa investigada. Segundo a Polícia Federal, o grupo funcionava como uma verdadeira rede de apoio integral à organização criminosa, desviando a função pública para assegurar proteção física a traficantes, garantir o êxito de deslocamentos, realizar transporte de valores e viabilizar operações logísticas da facção. O documento chega a registrar que os policiais atuavam como uma espécie de “empresa de terceirização de riscos” para o Comando Vermelho, não apenas monitorando acessos, mas também realizando transporte de valores e oferecendo suporte armado. Em 11 de março, a Polícia Federal cumpriu medidas cautelares deferidas pelo Supremo Tribunal Federal, executando 07 mandados de prisão preventiva e 07 mandados de busca e apreensão contra os policiais militares investigados. A decisão judicial registra diálogos encontrados no aparelho celular do cabo PM Costa. Em 6 de junho de 2024, ele informa ao PM Ormond que “Índio” desejava a formação de duas equipes de segurança, sendo uma montada por “Costa” e outra pela equipe de “Libertador”, para atuação direta em seu favor. Consta ainda que, em 11 de julho de 2024, “Costa” encaminhou a “Ormond” um áudio de um indivíduo não identificado solicitando seguranças para um influenciador, a pedido de “Índio”. A autoridade policial ressalta que a relação entre o traficante, o então deputado estadual TH Joias e o influenciador já havia sido exposta no âmbito da Operação Zargun, inclusive após terem aparecido juntos em vídeos divulgados durante o chamado “baile da escolinha”, evento promovido pelo Comando Vermelho no Complexo do Alemão. A decisão também menciona que, em 19 de agosto de 2025, antes da deflagração da operação, “Costa” enviou mensagem a “Ormond” solicitando segurança para o “amigo Índio” na Freguesia, bairro para o qual a liderança criminosa havia se mudado após deixar o Complexo do Alemão, onde viria a ser preso. O PM Ormond também é suspeito de ter negociado, em tese, a venda ilegal de uma pistola Taurus e carregadores calibre .45 para “Índio”. Nas mensagens apreendidas, há referência expressa à negociação de carregadores de pistola Taurus 845, calibre .45, que, segundo a autoridade policial, teria sido concluída com sucesso, reforçando sua atuação não apenas na segurança, mas também no fornecimento de armamento à organização criminosa. O PM Cavalcante também aparece nos diálogos, ao enviar mensagem ao colega Costa buscando notícias de “Índio”. Durante a conversa, afirmou que o traficante teria “coração bom”, mas seria muito ingênuo, acrescentando que ele sequer parecia “band” — abreviação de “bandido”. Segundo a autoridade policial, isso demonstra que o agente tinha plena ciência do envolvimento de “Índio” com atividades criminosas, inserindo-o no núcleo de policiais que, em tese, atuavam conscientemente em sua proteção. O PM Nascimento teria sido recrutado por Costa para uma missão a mando de “Índio”. No dia seguinte, afirmou em mensagem que “tinha dado bom ontem”. Em 23 de julho de 2024, Nascimento enviou a Costa um print de conversa mantida diretamente com o traficante, na qual solicitava um empréstimo de R$ 1.500, elemento interpretado pela investigação como indicativo de vínculo de confiança e promiscuidade entre agente público e liderança criminosa. Já o PM Menezes foi informado por Costa, em 27 de março de 2025, sobre um serviço de segurança às 16h, no qual ele e “Tobias” estariam escalados para atuar em favor de “Índio”. O ponto de encontro seria o chamado “posto azul”, identificado como o posto Redmil, na Estrada Adhemar Bebiano, nº 3482, Engenho da Rainha. Segundo a decisão, o local fica em uma das entradas do Complexo do Alemão e já havia sido citado em informações de Polícia Judiciária como ponto de encontro utilizado em atividades ilícitas do grupo, inclusive em deslocamentos de “Índio” para fora da comunidade. Há ainda registros de diálogos entre Costa e Menezes nos dias 13 e 15 de abril, indicando que o policial continuava atuando na segurança do traficante nessas datas. O PM Carvalho também foi flagrado em conversas com Costa, com elementos que indicam sua atuação na segurança de “Índio” em diversas ocasiões ao longo de 2024 e 2025. Consta ainda que, em 2025, quando ainda integrava a equipe responsável pela segurança do traficante, Costa informou a Carvalho que havia acertado a segurança de “Índio” para todos os dias da semana, com diálogos datados de 20 de agosto de 2025, pouco antes da operação que resultou na prisão de ambos. Por fim, a decisão aponta que “Índio” depositava confiança especial no policial Pereira. Em 16 de abril de 2024, ao recrutar agentes para uma determinada empreitada, solicitou especificamente a presença do PM, o que, em tese, evidencia o grau de confiança e proximidade entre o traficante e o agente público.

Justiça vê esquema ativo e risco de fuga e explica por que MC Poze e MC Ryan continuam presos

A Justiça Federal de São Paulo decidiu manter presos os funkeiros MC Poze do Rodo e MC Ryan na semana passada por entender que há indícios claros de que os investigados vinham repetindo práticas criminosas. Segundo a decisão, isso ficou evidente pela movimentação contínua de dinheiro ilegal, com valores altos circulando, algo que já vinha sendo apontado desde o início da investigação, além da estrutura organizada montada pelo grupo, o que também já teria sido demonstrado em procedimentos anteriores que confirmaram esse tipo de atuação. A Justiça ainda destacou que alguns investigados continuam soltos e que outros dois estão fora do país, em locais desconhecidos. Os funkeiros foram presos sob suspeita de envolvimento em uma associação criminosa estruturada, voltada à movimentação de grandes quantias em dinheiro vivo, transferências bancárias e também operações com criptoativos, tanto no Brasil quanto no exterior, com o objetivo de lavar dinheiro e viabilizar o tráfico internacional de drogas. De acordo com a decisão, os diálogos já analisados e outras análises que ainda estão em andamento devem mostrar a real capacidade dos investigados de continuar atuando mesmo de fora, o que pesa diretamente contra a soltura. Para a Justiça, colocar os envolvidos em liberdade agora poderia atrapalhar as diligências em curso, facilitar a fuga, permitir que os crimes continuem acontecendo e ainda comprometer a produção de provas. Outro ponto destacado é a gravidade concreta das condutas e o tamanho da estrutura montada pelo grupo. Segundo a decisão, a organização funcionava com vários núcleos, incluindo logística para manuseio, conferência, transporte e entrega de valores, além de áreas de comunicação, financeiro, lavagem de patrimônio, contratação de “laranjas” e uso de empresas de fachada. A Justiça também chamou atenção para a existência de uma estrutura de comando bem definida e para o fato de que as movimentações financeiras tinham alcance internacional, o que aumenta ainda mais a gravidade do caso. Diante de tudo isso, a conclusão foi direta: a prisão temporária dos investigados é considerada absolutamente necessária neste momento e não pode ser substituída por outras medidas mais leves. Segundo o entendimento da Justiça, a soltura representaria um risco grave à ordem pública, às investigações e à aplicação da lei penal.

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