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Dias antes da morte de menino em Costa Barros, Justiça havia decretado prisão de traficante dono de festa da onde teria partido o tiro e de toda a cúpula do crime na Pedreira (TCP)

Em meio as suspeitas de que a bala que matou o menino Bento Costa Petillo Benze, de 12 anos, no Morro da Quitanda, em Costa Barros, tenha partido de uma festa, em comemoração ao aniversário do chefe do tráfico de drogas da região, Douglas Oliveira dos Santos, vulgo “Pudim ou Palmeiras, a Justiça decretou no último dia 27 a prisão deste bandido e de outros cinco bandidos que integram a linha de frente do tráfico no Complexo da Pedreira pelo crime de organização criminosa. O documento revela também a hierarquia do crime no Complexo da Pedreira. A investigação aponta a liderança de Raro (preso) apontado como “dono” da área e responsável por ordens e gestão da organização; a atuação de Coelho como braço armado e segundo na hierarquia; a função de “frente” exercidas por Morcego ou Cego e Menor D, com atuação operacional nas comunidades; a liderança de Neném em grupo armado próprio e de Pudim apontado como responsável pela comunidade da Quitanda. O inquérito policial apontou a existência de organização criminosa estruturada, com divisão de tarefas e hierarquia definida, voltada à prática de diversos crimes graves Sobre a morte de Bento, o tiro atingiu o peito do menino enquanto ele brincava na quadra do condomínio, localizado na Rua Capitão Gouveia.Bento estava na companhia do irmão, de 13 anos, que presenciou o momento em que ele foi baleado. A comunidade fica a 2 quilômetros de onde o garoto foi atingido.

Antes da tortura de duas mulheres em São Gonçalo, defesa de um dos mandantes alegou que bandido não era de alta periculosidade para ficar preso em Bangu 1

Antes de ser apontado pela Polícia Civil como um dos envolvidos na tortura de duas mulheres submetidas a um “tribunal do tráfico” na comunidade do Risca-Faca, em São Gonçalo, um dos investigados, vulgo Mumu, sustentava na Justiça que não possuía perfil de alta periculosidade para permanecer em Bangu 1, uma das unidades prisionais mais rígidas do estado. Em uma petição apresentada após sua prisão em outro processo, a defesa questionou a transferência do acusado para a Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, conhecida como Bangu 1. Segundo os advogados, ele foi o único entre sete denunciados encaminhado para a unidade de segurança máxima, apesar de, segundo a tese defensiva, não se enquadrar nos critérios normalmente utilizados para esse tipo de custódia. Os advogados também alegaram que a transferência teria ocorrido sem fundamentação adequada e relataram dificuldades enfrentadas pelo preso dentro da unidade, incluindo a falta de acesso ao banho de sol durante parte do período em que permaneceu custodiado, argumento utilizado para pedir sua remoção para um presídio comum. Meses depois, porém, o nome do suspeito voltou a aparecer em uma investigação relacionada a um dos episódios mais violentos registrados recentemente na região de São Gonçalo. Segundo a Polícia Civil, ele está entre os integrantes do Comando Vermelho investigados por participação nas agressões praticadas contra duas mulheres em 18 de maio deste ano, no interior da comunidade do Risca-Faca. De acordo com as investigações, as vítimas foram levadas ao chamado “tribunal do tráfico”, mecanismo de punição ilegal utilizado por facções criminosas. Elas teriam sido espancadas, humilhadas e obrigadas a se submeter a uma série de castigos impostos pelos traficantes. As mulheres tiveram os cabelos raspados e foram forçadas a caminhar pelas ruas da comunidade pedindo desculpas aos criminosos diante de moradores da região. As cenas foram registradas pelos próprios traficantes e posteriormente divulgadas nas redes sociais. Para os investigadores, a exposição das imagens teve o objetivo de intimidar a população local, reforçar o controle territorial da facção e demonstrar o poder exercido pelo grupo criminoso. Após a repercussão do caso, a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP) iniciou uma investigação que envolveu análise de vídeos, coleta de depoimentos, cruzamento de informações e diligências de inteligência. Segundo a Polícia Civil, o conjunto de provas reunido aponta a participação direta de integrantes da organização criminosa. As investigações também indicam que as ordens para a prática das torturas teriam partido de lideranças da facção com histórico de atuação no tráfico de drogas. Nesta terça-feira (2), agentes da DRE-CAP, com apoio do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), realizaram uma operação na comunidade para cumprir mandados de busca e apreensão contra os investigados. Três pessoas foram presas. As investigações prosseguem para identificar todos os participantes das agressões e aprofundar a apuração sobre a atuação da facção na comunidade do Risca-Faca. O caso chama atenção porque, enquanto a defesa sustentava anteriormente que o investigado não apresentava características que justificassem sua permanência em uma unidade destinada a presos considerados de alta periculosidade, as apurações mais recentes o colocam entre os alvos de uma investigação envolvendo um episódio de extrema violência atribuído ao chamado tribunal do tráfico. Mumu era apontado como chefe do tráfico no Morro do Estado, em Niterói. Ele fo preso ano passado (Durante a ação, os policiais apreenderam um grande arsenal: dois fuzis Colt AR-15 calibre 5,56 mm, uma pistola Glock calibre 9 mm, 91 munições calibre 5,56 mm, nove munições calibre 9 mm, três munições calibre 45 mm, além de carregadores, 885 trouxinhas de maconha, duas capas de colete, um cinto tático e R$ 200 em dinheiro. Dois veículos, um Chevrolet Onix e um Chevrolet Prisma, ambos brancos, também foram apreendidos. Segundo a polícia, ‘Mumu’ possui duas anotações criminais por tráfico de drogas e uma por homicídi

Muito além do esconderijo: captura de chefe do Bonde do Maluco na Vila Aliança expõe parceria entre TCP e facção do Nordeste para armas, drogas e logística criminosa”

A prisão de Iago Santiago dos Santos, conhecido pelos apelidos de “Carioca” ou “Sábio”, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção Bonde do Maluco (BDM), de Pernambuco e Bahia, lança luz sobre uma relação cada vez mais ampla entre grupos criminosos de diferentes estados e o Terceiro Comando Puro (TCP), uma das maiores facções do Rio de Janeiro. Capturado nesta quarta-feira por agentes da Polícia Civil em uma operação com apoio do Projeto Captura, coordenado pelo Ministério da Justiça, Iago estava escondido na comunidade Vila Aliança, na Zona Oeste do Rio. Segundo as investigações, ele desembolsava cerca de R$ 3 mil por semana para permanecer protegido na região sob influência do TCP. O pagamento, segundo fontes da investigação, não representa apenas uma espécie de “aluguel” para permanecer na comunidade, mas evidencia uma estrutura criminosa que ultrapassa fronteiras estaduais e demonstra o grau de cooperação entre facções que atuam em diferentes regiões do país. Aliança criminosa vai além do refúgio Embora o caso tenha chamado atenção pelo valor pago para permanecer escondido no Rio, documentos de investigações apontam que a relação entre o BDM e o TCP é muito mais profunda do que a simples concessão de abrigo a foragidos. Segundo relatórios produzidos por autoridades que investigam a organização criminosa baiana, o BDM mantém articulação direta com facções do Sudeste, especialmente o TCP fluminense. A parceria envolveria não apenas a circulação de criminosos entre estados, mas também apoio logístico, operacional e intercâmbio de integrantes. As apurações indicam que a organização criminosa baiana utiliza essas conexões para obter acesso a carregamentos de drogas e armamentos de alto poder de fogo, além de contar com suporte para deslocamento e ocultação de integrantes procurados pela Justiça. Nesse cenário, o Rio de Janeiro se transformou em um dos principais destinos para criminosos de outros estados que buscam proteção em territórios controlados por facções armadas. Guerra entre facções e série de homicídios Iago possuía três mandados de prisão por homicídio expedidos pelos estados da Bahia e Pernambuco. Ele também é investigado por envolvimento em mais de 13 assassinatos relacionados à disputa entre grupos criminosos nas cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA). As investigações apontam ainda sua participação no fornecimento de armas, veículos e apoio logístico para ações criminosas. A captura do suspeito ocorre em meio ao avanço das operações voltadas à localização de criminosos que deixam seus estados de origem e passam a utilizar comunidades do Rio como esconderijos estratégicos. Estrutura semelhante à de organizações mafiosas Relatórios de inteligência descrevem o BDM como uma das maiores organizações criminosas da Bahia, com presença em diversas regiões do estado e uma estrutura considerada sofisticada pelas autoridades. Segundo as investigações, a facção exerce domínio territorial sobre comunidades vulneráveis, impondo controle sobre moradores e explorando atividades ilícitas que vão além do tráfico de drogas. Entre elas estariam extorsões, cobrança de taxas de comerciantes, exploração de serviços clandestinos de transporte, fornecimento irregular de energia elétrica e redes ilegais de internet e televisão. As autoridades também destacam o uso recorrente da violência para consolidar poder nas áreas dominadas, incluindo torturas, espancamentos e homicídios, além da utilização de armamentos de uso restrito. Rio segue atraindo criminosos de outros estados A prisão de Iago reforça uma realidade já identificada por órgãos de segurança: facções de diferentes estados vêm fortalecendo alianças para garantir rotas de tráfico, proteção de integrantes e expansão de suas atividades criminosas. O fato de um líder do BDM estar escondido em território controlado pelo TCP, pagando valores semanais para permanecer na comunidade, é apontado por investigadores como mais um indício da integração crescente entre organizações criminosas que atuam em diferentes regiões do país, tornando o combate a essas estruturas um desafio cada vez mais complexo para as forças de segurança.

“Testemunhas detalham atuação de grupo de extermínio ligado ao TCP: execuções, ‘botes’ e mortes sob encomenda” para milícia, tráfico e contravenção

Recentemente, nossa reportagem publicou uma matéria informando que traficantes do Terceiro Comando Puro foram contratados para cometer um assassinato para pessoas ligadas ao bicheiro Rogério Andrade. Depoimentos prestados à Justiça e documentos de investigações da Delegacia de Homicídios revelam detalhes da atuação do grupo de extermínio formado por esses traficantes que, segundo investigadores, realizava assassinatos sob encomenda para diferentes setores do crime organizado no Rio de Janeiro. No centro das investigações aparecem Jhonathan Borges dos Reis, conhecido como “Esquilo”, já morto, e Caio Siqueira Ribeiro, o “Caio Piloto”, apontados por policiais civis como uma dupla especializada em execuções. Segundo os relatos reunidos nos processos, eles não estariam vinculados exclusivamente a uma única organização criminosa. Pelo contrário: a dupla teria prestado serviços para milicianos, traficantes e até integrantes da contravenção, funcionando como verdadeiros pistoleiros de aluguel. “Matavam para quem contratasse” Um dos trechos mais impactantes dos depoimentos foi dado pelo delegado Leandro Teixeira Costa, que atuou nas investigações. Segundo ele, as apurações apontaram que a dupla construiu uma reputação de extrema violência na Zona Oeste. “Eles começaram a se envolver com o crime e começaram a matar por aluguel, indiscriminadamente. Matavam para a milícia, matavam para o tráfico, quem contratasse eles matavam”, afirmou o delegado em juízo. A declaração reforça a suspeita de que o grupo não possuía fidelidade a uma única facção ou estrutura criminosa, atuando conforme os interesses de quem estivesse disposto a pagar pelas execuções. Execuções em série De acordo com os investigadores, diversas equipes da Delegacia de Homicídios chegaram ao nome da dupla durante apurações distintas. O modus operandi era praticamente sempre o mesmo. As vítimas eram surpreendidas por uma motocicleta. Caio conduzia o veículo e Esquilo ocupava a garupa. Quando se aproximavam do alvo, os disparos eram efetuados rapidamente e os criminosos fugiam logo em seguida. O apelido “Caio Piloto”, segundo os próprios investigadores, surgiu justamente porque ele seria o responsável por conduzir motos e carros utilizados nas execuções. “Sempre que o Esquilo estava, o Caio estava junto pilotando”, relatou o delegado responsável pelas investigações. Morte de policiais entrou no radar da DH A gravidade das suspeitas aumentou quando os nomes da dupla passaram a aparecer em investigações relacionadas ao assassinato de agentes de segurança. Segundo depoimentos prestados à Justiça, Esquilo tornou-se alvo prioritário após ser apontado como envolvido em crimes contra policiais. Um dos investigadores afirmou que uma operação da Delegacia de Homicídios voltada para casos envolvendo agentes de segurança foi desencadeada justamente após a morte de policiais. “O que gerou a prisão dele foi a morte de um policial militar e de um policial penal”, declarou o delegado Leandro Costa durante audiência. As investigações também apontavam que, após os assassinatos, armas das vítimas teriam sido levadas pelos criminosos. Ligação com a contravenção Além da atuação para milicianos e traficantes, os investigadores também citaram envolvimento da dupla em crimes relacionados à contravenção. Um policial civil afirmou em juízo que Esquilo era tratado nas investigações como um matador profissional. “Era um matador até de aluguel, de contrato. Inclusive está envolvido em homicídio ligado à contravenção do jogo do bicho”, declarou. A afirmação reforça uma das principais linhas investigativas da Delegacia de Homicídios: a de que a dupla teria se transformado em uma espécie de braço armado utilizado por diferentes grupos criminosos. Do apoio à milícia à aproximação com facção As investigações indicam que a trajetória criminosa da dupla teria passado por diferentes fases. Inicialmente, segundo os policiais, os suspeitos circulavam em áreas dominadas por milicianos na região de Guaratiba, Vargem Grande e adjacências. Posteriormente, passaram a atuar em conflitos ligados ao tráfico de drogas. Segundo os investigadores, no fim da trajetória criminosa ambos já estavam diretamente ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP). Os depoimentos apontam que os dois chegaram a residir na comunidade da Vila do João, no Complexo da Maré, de onde saíam para realizar execuções e ações ligadas à expansão territorial da facção na Zona Oeste. Testemunha descreveu dupla como “matadores” Uma testemunha ouvida em outra investigação também atribuiu à dupla a prática de diversos homicídios. Segundo o depoimento, Esquilo e Caio eram conhecidos na região por realizar assassinatos sob encomenda. O relato afirma que: Esquilo seria o executor;Caio atuaria como motorista e pilotoExecuções ligadas aos chamados “botes” As investigações revelam que parte dos homicídios atribuídos à dupla estaria relacionada aos chamados “botes”, expressão utilizada no mundo do crime para designar furtos, roubos, desvios de dinheiro, drogas ou mercadorias pertencentes a traficantes e milicianos. Segundo os autos, a execução de Helivelton Ragazzi Marcelino, conhecido como “Pitico”, teria sido motivada justamente por um conflito desse tipo. De acordo com testemunhas e investigadores, Pitico teria criado problemas para uma “estica” — ponto de venda de drogas ligado a Esquilo — provocando prejuízos aos interesses do grupo criminoso. Um dos depoimentos afirma que a vítima teria dado um “bote” em um dos homens que trabalhavam para Esquilo na comercialização de entorpecentes. A reação teria sido imediata. Pouco depois, Pitico foi executado a tiros em Barra de Guaratiba. Outro homicídio teria ocorrido após adulteração de drogas Os autos também mencionam o assassinato de um homem identificado como Felipe. Segundo relato prestado por uma testemunha à Polícia Civil, Felipe teria sido morto após supostamente adulterar cargas de cocaína pertencentes ao grupo criminoso. O depoimento aponta que ele teria aberto pacotes da droga e alterado seu conteúdo, causando prejuízo financeiro aos traficantes. A suposta traição teria resultado em uma sentença de morte. Investigadores afirmam que testemunhas atribuíram a execução à dupla formada por Esquilo e Caio. Um histórico marcado por mortes Embora cada caso possua investigação própria, os depoimentos reunidos pela Justiça apontam para um padrão que se repetia constantemente: assassinatos realizados em motocicletas, ataques rápidos, vítimas ligadas a disputas do crime organizado e motivações frequentemente relacionadas a dívidas, traições, “botes” ou conflitos entre grupos criminosos. Para os investigadores que atuaram nos inquéritos, o histórico atribuído à dupla revela uma estrutura que ultrapassava as disputas locais e operava como um verdadeiro grupo de extermínio a serviço de diferentes interesses

PMs são denunciados por estrangular homem até desmaiar dentro de delegacia no RJ

A Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro decidiu receber a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra dois policiais militares acusados de submeter um homem a uma série de agressões e abusos de autoridade que teriam culminado em um estrangulamento dentro de uma delegacia, fazendo a vítima perder a consciência e cair no chão. Os denunciados são um terceiro-sargento e um cabo que agora passam a responder formalmente ao processo criminal após o magistrado entender que existem indícios suficientes de autoria e materialidade para a abertura da ação penal. Segundo a denúncia do Ministério Público, os fatos ocorreram em 27 de março de 2025, em Bom Jesus do Itabapoana, no Noroeste Fluminense. De acordo com a investigação, os policiais abordaram M.J.O.H que transitava em uma bicicleta vermelha pelo bairro Parque das Águas. A revista pessoal não teria encontrado qualquer material ilícito e também não havia mandado de prisão contra ele. Mesmo assim, segundo a acusação, os agentes teriam obrigado o homem a acompanhá-los até a 144ª Delegacia de Polícia, onde os episódios mais graves teriam ocorrido. A denúncia afirma que, após ser constatado que não existia qualquer mandado de prisão contra m, um dos policiais exigiu que fosse feita uma fotografia do seu rosto. A vítima teria se recusado. Foi então que, segundo o Ministério Público, o sargento puxou M pela camisa e o levou para uma área mais reservada da delegacia. Ainda conforme a denúncia, o policial passou a pressionar o pescoço da vítima contra uma parede para forçá-la a aceitar o registro fotográfico. Quando Marlon pediu que o agente soltasse seu pescoço, o cabo teria segurado seus braços enquanto o sargento continuava a esganadura. A acusação sustenta que o estrangulamento foi tão intenso que a vítima acabou perdendo a consciência. “O estrangulamento persistiu até que M perdesse a consciência, caindo ao solo e batendo com a cabeça no chão”, descreve a denúncia. O Ministério Público afirma que as acusações são amparadas por análises de imagens, vídeos e demais elementos reunidos durante o Inquérito Policial Militar. Como se não bastasse o episódio do estrangulamento, a denúncia relata que, pouco antes de liberar a vítima, o sargento ainda teria desferido um tapa em seu rosto. A agressão teria provocado um ferimento na boca de Marlon, registrado por fotografias e outros elementos periciais anexados aos autos. Na decisão, o juiz Thales Nogueira Cavalcanti Venancio Braga, da Auditoria da Justiça Militar do Estado do Rio de Janeiro, destacou que a denúncia atende aos requisitos legais e que os elementos reunidos durante a investigação fornecem base suficiente para a instauração da ação penal. O magistrado ressaltou que a acusação está apoiada em depoimentos, registros audiovisuais e demais provas produzidas durante o Inquérito Policial Militar. Diante disso, determinou o recebimento da denúncia e a citação dos policiais para apresentarem defesa. Os dois PMs são acusados de crimes militares relacionados a constrangimento ilegal praticado com abuso de autoridade e violência, enquanto o sargento também responderá por acusação de lesão corporal em razão do tapa que teria atingido a vítima. Com o recebimento da denúncia, o processo entra agora na fase de instrução, quando serão analisadas as provas, ouvidas testemunhas e apresentadas as versões da defesa e da acusação. O episódio chama atenção pela gravidade das acusações, já que a suposta violência não teria ocorrido durante uma troca de tiros ou uma prisão em flagrante, mas dentro de uma unidade policial e contra uma pessoa que, segundo a própria investigação, não possuía mandado de prisão e não portava material ilícito no momento da abordagem. A denúncia descreve uma sequência de atos que vão desde a condução forçada à delegacia até um alegado estrangulamento que teria feito a vítima desmaiar, fatos que agora serão analisados pela Justiça Militar do Rio de Janeiro.

Investigação aponta rede com mais de 20 empresas de diferentes setores usada para movimentar recursos da quadrilha de Rabicó (CV). Jornal que fez circular R$ 58 milhões em um ano e clínica estética na França são citados

A denúncia do Ministério Público revela a dimensão empresarial atribuída à organização criminosa ligada ao traficante conhecido como Rabicó do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.  Segundo a investigação, o grupo teria utilizado mais de 20 empresas espalhadas por diversos segmentos econômicos para movimentar milhões de reais e ocultar a origem dos recursos sob suspeita. O que mais chama atenção é a variedade dos negócios citados nos autos. Entre as empresas mencionadas aparecem companhias dos setores de reciclagem de sucata, comércio de metais, transportes, logística, reboque de veículos, energia solar, informática, cursos preparatórios, importação, comércio de alimentos, varejo online, armarinho, pagamentos,  assessoria empresarial, intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, comunicação (jornal), comércio de mercadorias em geral não especializado”, alimentos (Lanchonetes, casas de chá, de sucos e similares_além até mesmo de uma sorveteria localizada na Ilha de Itaóca, em São Gonçalo., e suprimentos para processamento de dados, comercio varejista, plastificação, corretagem de automóvel, distribuição de correspondência, malote, administração de veículos automotores, correspondentes bancários, mala direta, escritório virtual, serviços de assessoria administrativa, informações cadastrai, serviços de salas de internet. A investigação cita ainda clínicas de serviços estéticos, sendo uma delas supostamente localizada na França e  outra no  Complexo do Salgueiro vinculadas a esposa de um dos membros da quadrilha de Rabicó.  As empresas eram de fachada e usadas, notadamente, com o propósito de ocultar, dissimular e reinserir recursos ilícitos no sistema financeiro formal.  Chama atenção também a ausência de estrutura operacional (funcionários registrados e infraestrutura física) e compatível com os vultosos valores movimentados pelas firmas, reforçando a tese de que tais empresas não exercem atividade econômica legítima Uma delas, por exemplo, movimentou cerca de R$ 32 milhões no intervalo de um ano. O jornal fez circular R$ 58 milhões, Tinha empresa, inclusive, localizada fora do RJ. Foram descobertas firmas no Paraná e em São Paulo.  O núcleo empresarial, portanto, não apenas servia como meio de ocultação da origem dos recursos, mas também como rota de dispersão e pulverização dos valores, beneficiando diretamente os integrantes da organização criminosa, inclusive seus líderes e operadores financeiros

Menor de 15 anos foi atingido por explosivos jogados por drone em favela da Zona Norte do Rio

Um adolescente de 15 anos ficou ferido após ser atingido por explosivos lançados por um drone na noite desta sexta-feira (29), no Morro da Caixa d’Água, na Zona Norte do Rio de Janeiro. De acordo com relatos de moradores ouvidos pelo repórter Bruno Assunção, o equipamento teria lançado ao menos dois artefatos explosivos na direção do jovem. A principal suspeita é de que ele tenha sido confundido com um soldado de uma facção rival durante uma ação de monitoramento realizada por criminosos. A região é vizinha às comunidades do Quitungo e Guaporé, que há mais de uma semana vêm sendo palco de sucessivas tentativas de invasão promovidas por traficantes ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP), oriundos do Complexo de Israel. O adolescente foi socorrido e encaminhado para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. Segundo informações apuradas, ele permanece internado e apresenta quadro de saúde estável. Diante da escalada da violência na região, parentes da vítima, moradores e amigos organizaram uma manifestação para este sábado (30). O grupo pretende cobrar o fim dos confrontos entre facções criminosas e uma resposta das forças de segurança diante da situação que tem colocado em risco a vida de moradores inocentes.

Rabicó (CV) usava mulheres da família, empresas de reciclagem e frota de veículos para esconder fortuna milionári em São Gonçalo

O esquema financeiro montado pelo traficante Antônio Ilário Ferreira, o “Rabicó”, ia muito além do simples uso de empresas de fachada para ocultar dinheiro do tráfico. As investigações da Polícia Civil e do Ministério Público revelam uma estrutura criminosa altamente profissionalizada, sustentada por familiares, operadores financeiros, contas bancárias de terceiros, veículos registrados em nome de pessoas próximas e empresas do ramo de reciclagem usadas para dar aparência de legalidade a milhões de reais movimentados pelo Comando Vermelho em São Gonçalo. Embora a operação deflagrada nesta semana tenha chamado atenção pela prisão da companheira do traficante, Raquel, os documentos mostram que o principal alvo das autoridades é desmontar uma engrenagem financeira sofisticada que, segundo os investigadores, vinha sendo estruturada há anos para blindar o patrimônio da facção. Núcleo familiar era usado para esconder patrimônio do traficante As investigações apontam que Rabicó utilizava pessoas do próprio círculo familiar para dificultar o rastreamento de bens e valores obtidos com o tráfico de drogas, roubos, extorsões e outras atividades criminosas. A companheira do traficante, Raquel, aparece inserida justamente nesse contexto de ocultação patrimonial. Segundo os autos, familiares e pessoas próximas atuavam como interpostas pessoas — os chamados “laranjas” — registrando veículos, movimentando contas bancárias e mantendo bens formalmente desvinculados do nome do chefe do tráfico. Os investigadores afirmam que veículos utilizados pela estrutura criminosa apareciam registrados em nomes de parentes e pessoas ligadas ao núcleo familiar, estratégia considerada fundamental para impedir bloqueios patrimoniais e dificultar a identificação da origem dos recursos. Esses automóveis, segundo as apurações, não serviam apenas para uso pessoal. Eles eram utilizados em deslocamentos operacionais da facção, transporte de dinheiro, apoio logístico e circulação de integrantes do grupo criminoso entre áreas dominadas pelo Comando Vermelho. As autoridades identificaram ainda incompatibilidade entre o patrimônio mantido pelos familiares e a renda oficialmente declarada por eles. Esquema de lavagem girava milhões através de operador conhecido como “Tec” O principal responsável pela movimentação financeira da organização seria Alex Sandro Ferreira de Araújo, conhecido como “Tec” ou “Tek”, apontado como homem de confiança de Rabicó e peça central do núcleo financeiro do grupo. Relatórios de inteligência financeira do COAF revelaram que Tec movimentou R$ 72.932.144,00 entre agosto de 2020 e setembro de 2024. Segundo as investigações, foram identificados: Os investigadores apontam que o padrão é típico de organizações criminosas especializadas em lavagem de capitais. Depósitos fracionados eram usados para escapar da fiscalização As autoridades identificaram ainda o uso do método conhecido como “smurfing”, prática comum em esquemas de lavagem de dinheiro. O sistema consistia em dividir grandes quantias em depósitos menores realizados em caixas eletrônicos espalhados por diferentes cidades do Estado do Rio de Janeiro. O objetivo era evitar movimentações únicas de alto valor que pudessem gerar alertas automáticos nos órgãos de controle financeiro. Além disso, as investigações revelaram o uso de chamadas “contas de passagem”, utilizadas apenas para receber e repassar rapidamente os valores ilícitos. Segundo o Ministério Público, muitas dessas contas pertenciam a moradores de áreas controladas pelo Comando Vermelho no Complexo do Salgueiro e em outras comunidades da região. Os relatórios apontam que diversos titulares dessas contas não possuíam renda compatível com os valores movimentados. Alguns eram cadastrados em programas assistenciais do governo e, ainda assim, apareciam vinculados a movimentações financeiras consideradas milionárias. Empresas de reciclagem eram usadas para dar aparência legal ao dinheiro do tráfico Outro braço importante da estrutura era o núcleo empresarial, composto por empresas ligadas ao ramo de reciclagem. Segundo o Ministério Público, Rabicó já utilizava esse tipo de atividade para ocultar patrimônio desde 2008, quando foi preso anteriormente. Agora, as investigações apontam que o modelo foi ampliado e profissionalizado. As empresas analisadas apresentavam características consideradas típicas de fachada: Os investigadores afirmam que essas empresas eram utilizadas para inserir o dinheiro do tráfico na economia formal, mascarando a origem ilícita dos recursos. Estrutura financeira sustentava o poder do CV em São Gonçalo As autoridades sustentam que o esquema financeiro montado por Rabicó era essencial para manter o funcionamento do Comando Vermelho no Complexo do Salgueiro e em outras áreas de São Gonçalo. Segundo os investigadores, o dinheiro lavado através da estrutura era usado para financiar compra de armas, logística da facção, pagamento de criminosos, manutenção de pontos de tráfico e expansão territorial do grupo. Os documentos apontam ainda que a organização criminosa possuía divisão clara de funções entre operadores financeiros, familiares, empresários ligados ao esquema e integrantes armados da facção. Embora a operação desta semana tenha sido divulgada principalmente pela prisão da companheira de Rabicó, os autos mostram que as autoridades enxergam a estrutura financeira da facção como um dos pilares mais importantes do poder criminoso exercido pelo grupo na região.

Alvo de operação de hoje que prendeu sua mulher, Rabicó expandiu seus domínios em São Gonçalo e tinha esquema de envio de armas diretamente da fronteira com o Paraguai

Uma investigação da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio revelou detalhes de um esquema interestadual de envio de armas para traficantes do Comando Vermelho em São Gonçalo, envolvendo fornecedores ligados à fronteira com o Paraguai e integrantes da facção que atuam no Complexo do Salgueiro e no Jardim Catarina. Segundo documentos obtidos pela reportagem, o traficante Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó” ou “Coroa”, apontado como uma das principais lideranças do CV na região, mantinha contato com fornecedores responsáveis pelo abastecimento de armamentos destinados à facção. As investigações apontam que parte das armas chegava ao Rio de Janeiro a partir de Foz do Iguaçu, no Paraná, área considerada estratégica para o tráfico internacional de armamentos vindos do Paraguai. Outro fornecedor citado nos autos é um homem identificado pelo vulgo “Imperador”, apontado como um dos responsáveis pelo fornecimento bélico da organização criminosa. Arsenal pesado abastecia comunidades dominadas pelo CV A estrutura investigada abasteceria traficantes que atuavam no Complexo do Salgueiro e também no Jardim Catarina, para onde o grupo criminoso expandiu suas operações nos últimos anos. De acordo com o Ministério Público, integrantes da facção eram frequentemente vistos circulando com armamento pesado nas comunidades controladas pelo grupo. Em uma das operações realizadas anteriormente no Salgueiro, agentes apreenderam munições de calibre 5.56, pistolas e carregadores de fuzil, reforçando as suspeitas sobre a existência de uma rota permanente de abastecimento de armas para o Comando Vermelho em São Gonçalo. Rabicó ampliou domínio do CV após deixar a prisão As investigações mostram que Rabicó reassumiu o comando do tráfico no Complexo do Salgueiro após deixar a prisão, em novembro de 2019. A partir daí, segundo os investigadores, o criminoso ampliou os domínios da facção para o Jardim Catarina, uma das maiores comunidades de São Gonçalo. Além do tráfico de drogas, o grupo é acusado de participação em roubos de carga, extorsões contra comerciantes e moradores e venda de cargas roubadas. A denúncia aponta ainda que a quadrilha possuía divisão de tarefas bem definida. Rafael Teixeira Guimarães Peixoto, o “Funil”, seria um dos principais homens de confiança de Rabicó e responsável pelo recebimento de drogas, armas e munições que chegavam às áreas controladas pela facção. Já Luan Lourenço Laube, conhecido como “Bola”, atuaria no transporte de drogas entre comunidades dominadas pelo CV. Jhonny Ribeiro da Silva é apontado como participante da movimentação de drogas e de confrontos armados entre facções rivais. Leonardo Riccio de Almeida Barros, o “Léo da Providência”, teria função de segurança pessoal de Rabicó e atuação armada nas bocas de fumo. Operação desta sexta teve mulher de Rabicó presa A nova ofensiva da Polícia Civil realizada nesta sexta-feira teve como alvo a estrutura criminosa ligada ao traficante. Durante a operação, a companheira de Rabicó foi presa pelos agentes. O caso tramita na Vara Criminal Especializada em Organizações Criminosas, após a Justiça reconhecer que o grupo atuava de forma estruturada e armada em diferentes regiões de São Gonçalo. A investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Capital (DRE-CAP) revelou uma sofisticada estrutura criminosa voltada à ocultação, dissimulação e lavagem de recursos ilícitos provenientes do tráfico de drogas, principalmente no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo. Segundo os levantamentos da especializada, o esquema movimentou mais de R$ 453 milhões. As ações ocorrem simultaneamente em diversos municípios do estado do Rio de Janeiro, como a capital, São Gonçalo, Duque de Caxias, Itaboraí, Iguaba Grande, Armação dos Búzios e São João de Meriti. Também são cumpridos mandados em outros estados, incluindo cidades de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão. A operação é resultado de aproximadamente um ano e quatro meses de investigação da DRE-CAP, que identificou uma estrutura criminosa com atuação interestadual voltada à lavagem de dinheiro para a facção. Os mandados de prisão, busca e apreensão e as medidas patrimoniais foram deferidos pela 1ª Vara Criminal Especializada em Combate ao Crime Organizado, após denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Durante as investigações, os agentes captaram diálogos envolvendo Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, apontado como uma das lideranças do Comando Vermelho, e o principal operador financeiro da facção. Segundo a apuração, ele era responsável pela lavagem de dinheiro, gerenciamento de empresas de fachada, movimentações bancárias e utilização de terceiros para ocultar patrimônio e valores ilícitos. As diligências apontaram que o investigado atuava como verdadeiro gestor financeiro da organização criminosa. O esquema utilizava empresas de reciclagem e ferros-velhos, contas bancárias de passagem, depósitos fracionados em espécie, emissão de notas fiscais falsas e intensa movimentação financeira entre empresas ligadas ao grupo para conferir aparência de legalidade aos recursos oriundos do tráfico. A investigação identificou ainda que empresas do ramo de reciclagem e comércio de sucatas transferiam milhões de reais diretamente para contas do investigado e de empresas controladas por ele, funcionando como engrenagens de financiamento do narcotráfico. A DRE-CAP também apurou indícios de receptação qualificada, aquisição de materiais de origem suspeita e pulverização de recursos em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento dos valores. Durante a apuração, equipes da DRE realizaram monitoramentos que identificaram áreas utilizadas para a queima clandestina de cabos de cobre e estabelecimentos vinculados ao operador financeiro, reforçando os indícios de integração das atividades ilícitas à cadeia de lavagem de dinheiro da facção. Os valores movimentados pelo esquema foram identificados a partir de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF/COAF), análises bancárias, afastamentos de sigilos fiscal, telefônico e telemático, além de cruzamentos de dados financeiros e patrimoniais realizados ao longo da investigação. O MPRJ enunciou e obteve 55 mandados de prisão preventiva contra integrantes da quadrilha de Rabicó. s.A denúncia do GAECO/MPRJ relata que, sob a liderança do denunciado Antônio Ilário Ferreira, conhecido como “Rabicó”, o Comando Vermelho consolidou no Complexo do Salgueiro um quartel-general fora da capital fluminense, abrangendo as comunidades localizadas nos bairros do Porto do Rosa, Itaúna, Fazenda dos Mineiros, Palmeiras, Itaóca, Praia da Luz, Jardim São Lourenço e Recanto das Acácias.Ainda De acordo com a denúncia, “Rabicó” estruturou, com o auxílio dos demais denunciados, uma

Traficante que foi batizado pelo CV no RJ e se tornou chefe da facção no interior de SP comanda envio de armas para bandidos cariocas. Esquema conta com CAC e loja de armas

Uma investigação do GAECO de Piracicaba revelou a existência de um esquema instalado no interior de São Paulo voltado ao fornecimento de armas para traficantes do Rio de Janeiro, especialmente integrantes do Comando Vermelho (CV). No centro da apuração aparece Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como “Léo Bode”, apontado como articulador do armamento destinado à facção carioca. Segundo o Ministério Público, Léo Bode foi “batizado” pelo Comando Vermelho no RJ e hoje exerce papel de liderança da facção em áreas do interior paulista, sendo apontado ainda como responsável por ordenar execuções e ataques contra rivais ligados ao PCC em Rio Claro. A investigação teve origem após a Operação Contenção, deflagrada em maio de 2025, que levou à prisão de um comerciante de armas suspeito de abastecer o CV. A partir daí, promotores passaram a rastrear uma estrutura empresarial usada para dar aparência de legalidade ao comércio clandestino de armamentos. Loja de armas e viagens constantes ao Rio De acordo com o procedimento investigatório, uma empresa do ramo esportivo sediada em Americana, no interior paulista, passou a ser monitorada após suspeitas de que estaria sendo utilizada como fachada para negociações ilegais de armas. Os investigadores identificaram viagens frequentes ao Rio de Janeiro realizadas em veículos registrados em nome da empresa. Os deslocamentos coincidiam, segundo o GAECO, com a continuidade das atividades criminosas mesmo após a prisão do principal investigado na Operação Contenção. Levantamentos feitos por radares inteligentes mostraram que os veículos circularam repetidamente pela Região Metropolitana do Rio, área de influência do Comando Vermelho. Conversas revelam contatos diretos com criminosos do Rio A quebra telemática autorizada pela Justiça aprofundou as suspeitas. A análise de mensagens de WhatsApp revelou contatos permanentes com pessoas ligadas ao crime organizado fluminense, inclusive utilizando números internacionais associados a comunidades dominadas pela facção. Os investigadores afirmam que criminosos com maior estrutura costumam utilizar linhas estrangeiras para dificultar o rastreamento policial. Um dos números identificados possuía prefixo colombiano e, segundo o relatório, era usado em comunidades do Rio controladas pelo CV. CAC é apontado como peça do esquema Outro ponto considerado grave pelos investigadores envolve a participação de um CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador) no esquema. Um homem conhecido como “Galego”, preso em Rio Claro com drogas e armas, mantinha em seu acervo um fuzil calibre 7.62 e pistolas 9mm que não foram localizadas durante as buscas, levantando a suspeita de que os armamentos já estivessem em circulação nas mãos da facção. Ainda segundo o Ministério Público, armas registradas em nome de Léo Bode foram encontradas na residência do suspeito. Parte da documentação de tráfego desses armamentos teria sido assinada pelo pai de um dos investigados presos anteriormente por envolvimento no abastecimento do Comando Vermelho. Facção carioca expandindo influência em São Paulo Os documentos do GAECO indicam que Léo Bode atua como elo entre criminosos paulistas e o Comando Vermelho do Rio de Janeiro, fortalecendo uma rota interestadual de armas e drogas. A investigação aponta que ele passou a comandar ações violentas em Rio Claro após ser incorporado à facção carioca, promovendo ataques contra integrantes do PCC e ampliando a influência do CV em cidades do interior paulista. Agora, o Ministério Público busca aprofundar a análise dos celulares apreendidos e rastrear o destino final das armas encontradas em um fundo falso de uma loja investigada no esquema.

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