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Rota suspeita: PMs passaram por 29 comércios em 3 horas sem câmera e entraram na mira de processo de expulsão

A Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu submeter ao Conselho de Disciplina — que pode culminar na expulsão — dois policiais do 15º BPM (Duque de Caxias) por uma conduta considerada altamente suspeita durante o serviço. O caso chama atenção por um dado incomum: no dia 7 de maio de 2025, a dupla passou por 29 estabelecimentos comerciais em poucas horas sem utilizar as câmeras corporais. Entre os locais visitados estão postos de gasolina, lojas de materiais de construção, empresas de produtos alimentícios, empresas de reciclagem, borracharias, depósitos de gás e até uma empresa de bombeamento de concreto. O próprio documento aponta que não ficou claro se houve extorsão. De acordo com a apuração interna, no período entre 8h e 11h, os policiais não realizaram nenhuma abordagem e tampouco efetuaram patrulhamento ostensivo preventivo, o que chamou atenção pela incompatibilidade com a atividade policial. O relatório destaca ainda a incompatibilidade da velocidade da viatura com um deslocamento típico de patrulhamento entre os diversos estabelecimentos visitados. O documento publicado no Boletim Interno da PMERJ também revela conversas consideradas suspeitas. Em uma empresa de reciclagem, um funcionário diz aos agentes: “Vou pegar o negócio de vocês”, recebendo como resposta: “Valeu, meu chefe, fica com Deus, abraço aí”. Em outra parada, também em uma empresa de reciclagem, os policiais chamam: “Ô Caio, bora Caio”. Já em uma loja de materiais de construção, foi registrada uma situação atípica: um caminhão estava parado na contramão de uma via de mão dupla e não houve qualquer advertência por parte dos PMs. Os policiais investigados alegaram que a denúncia seria fruto de um “Disque Vingança”. Segundo eles, ambos trabalham há mais de cinco anos no Setor Golf do 15º BPM e afirmam que sua atuação no patrulhamento causa “mal-estar a malfeitores e seus associados”, destacando ainda que a área de atuação inclui diversos comércios. As alegações, no entanto, não prosperaram. De acordo com o relatório, as imagens demonstram que a viatura, desde o início do serviço, foi utilizada para fins alheios à finalidade pública, contrariando as atribuições da corporação, que incluem evitar, impedir ou eliminar práticas que perturbem a ordem pública e preservar o interesse geral da segurança nas comunidades.

Trama nascida na cadeia terminou em execução: Homem foi morto sob aval da cúpula da milícia, corpo desapareceu e vingança disparou onda de mortes em Santa Cruz

A reportagem teve acesso a documentos que mostram que uma trama iniciada dentro de um presídio terminou em um homicídio que teve autorização de um dos chefes da maior milícia do Rio de Janeiro e culminou com uma série de execuções posteriormente A vitima Jonathas Vidal da Silva, conhecida coomo Bodão, foi assassinada no dia 24 de outubro de 2024 na Avenida Cesário de Melo, em Santa Cruz. O corpo nunca apareceu. Segundo os autos, os autores teriam sido dois milciianos vulgos Zulu e Primavera (morto recentemente) com autorização de PL, um dos líderes do grupo paramilitar que atua na região. Os três vão a júri popular pelo homicídio. As investigações apontam que o crime foi praticado porque os autores acreditavam que a vítima estava transmitindo informações sobre os assasinos a um cirminoso vulgo Russo, que estava preso e desejava assumir o comando da Favela do Rodo, em Santa Cruz. Ou seja, os bandidos agiram por vigança e porque teriam se sentido traídos por Jonathan, Os autores sumiram com o cadáver de Jonathas. A vítima foi arrebatada após sair do supermercado Super Compras, situado em Santa Cruz, quando se dirigia para a residência, localizada na Favela do Rodo. Cerca de cinco minutos do arrebatamento, foi ouvido um disparo de projétil de disparo de arma de fogo, não tendo a vítima retornado a seu domicílio.Logo após o crime de homicídio, Zulu, Primavera e Parazinho portando fuzis e pistolas, tendo em poder os telefones celulares da vítima, ingressaram na residência desta e se apropriaram de documentos pessoais, bem como suas senhas bancárias e telefônicas. Curioso nesta história é que o irmão de Russo, vulgo Du Mal, que também estava preso à época, foi quem teria transmitido as informações para os assassinos,, que praticaram o crime para se vingar da suposta traição de Jonathas. A partir daí,, deu-se início a uma série de homicídios na Favela do Rodo, com notícia de corpos sendo ocultados no Rio Guandu de todos que mantinham contato com Russo. Mas a história não para por ai. Em depoimento, Russo revelou que teria sido obrigado, pago e aliciado pelos milicianos Juninho Varão, Sprint e Jiraya para prestar falsos relatos contra Felipe e Du Mal. Os três são rivais da milícia do PL. Jiraya foi assassinado na Baixada Fluminense este ano. Segundo ele, foi Sprint que ofereceu a proposta para ajudá-los com algumas falsas acusações contra os autores e para que que fosse para o lado deles e levantassem informações contra a rivalidade. A oferta, segundo ele, foi de de 600 reais. Eles deram quatro parcelas e Russo ficou na galeria deles por quatro meses; Russo contou que Sprint levou um celular para que ele falasse com Jiraya. Depois, Jiraya o botou para falar com Varão e ficaram os três conversando, A polícia contou que Russo e Zulu teriam brigado porque o primeiro ficou de receber do segundo um valor por um crime que ele foi cometer. Zulu não pagou porque houve perda de armamento. Russo, então, jurou vingança e ela seria obtida buscando informações de Zulu a partir de Jonathas, A polícia tinha informações de que a vítima era integrante da milícia do Rodo e fazia venda de terrenos do grupo, além de cobrar comerciantes. A viúva de Jonathas disse, no entanto, que ele era trabalhador, atuava com conserto de celular e fazia um curso na Microlins. Ela é sobrinha de Russo. Um outro policial disse que Russo pretendia assumir para si a área de atuação; em Santa Cruz e usava o celular do irmão para pedir informações sobre Zulu. O agente confirmou que, a partir da morte de Jonathas, Zulu teria cometido uma sequência de crimes de pessoas que estavam vinculadas ao Russo para enfraquecer a possibilidade da tentativa dele em tomar a região. Segundo o policial, foi uma série de execuções de qualquer pessoa que estivessem atreladas ao Russo. O policial disse que Dumal ao revelar a intenção do irmão de obter informações sobre Zulu teria sido agredido na cadeia e teve que ficar em isolamento.

TCP se expande sem comando central: estrutura descentralizada impulsiona avanço da facção pelo país

Investigações recentes escancaram o funcionamento do Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa que deixou de ser apenas mais um grupo do narcotráfico fluminense para se consolidar como uma organização em expansão nacional, cada vez mais próxima do modelo de atuação das milícias. De acordo com documento obtido pela reportagem, o TCP herdou do antigo Terceiro Comando uma estrutura fragmentada, sem um comando central rígido. Na prática, cada comunidade dominada possui um “dono”, responsável por comandar as atividades criminosas de forma autônoma, sem interferência direta de outras lideranças. Essa descentralização, no entanto, não significa desorganização. Pelo contrário: os chefes locais se articulam para fortalecer seus negócios ilícitos, defender territórios, esconder criminosos e negociar armas e drogas, formando uma engrenagem criminosa eficiente e difícil de desarticular. As investigações identificam cinco grandes polos de poder no Rio de Janeiro que sustentam o avanço da facção: o Complexo da Maré, o Complexo do São Carlos, o Complexo de Israel, o Complexo do Dendê e o Complexo da Guacha, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Entre eles, o Complexo da Maré se destaca como principal base operacional do TCP. A região funciona como centro de distribuição de armas e drogas e como base para quadrilhas de roubo de cargas e veículos que atuam na capital. A disputa com o Comando Vermelho (CV) também se dá no campo simbólico. O TCP construiu uma identidade própria, adotando expressões como “Tudo 3”, “É a gente” e “Viva e deixe viver (V.D.V)”, numa tentativa de consolidar sua marca e ampliar sua influência. Outro aspecto que chama atenção é o uso de símbolos religiosos e a imposição de padrões de comportamento nas áreas dominadas. Há registros de intolerância a religiões de matriz africana e a utilização de referências ligadas ao universo evangélico. Em algumas comunidades, como no Complexo de Israel, a facção ostenta a bandeira de Israel, com a Estrela de Davi pintada em pontos estratégicos como símbolo de domínio territorial. A partir de 2020, o TCP passou a expandir suas atividades para além do tráfico de drogas, incorporando práticas típicas de milícia. A facção passou a extorquir comerciantes e moradores, além de explorar serviços básicos de forma coercitiva, como fornecimento de gás, água, energia, internet e TV clandestina. Também há indícios de corrupção de agentes públicos. Esse movimento ampliou significativamente as fontes de renda da organização e fortaleceu sua capacidade de expansão territorial, consolidando um modelo de exploração sistemática das comunidades. Esse avanço não ficou restrito ao Rio de Janeiro. Desde 2021, surgem evidências claras da expansão do TCP para outros estados, como Espírito Santo, Ceará e Minas Gerais. A expansão ocorre principalmente por meio de conexões diretas entre lideranças. Criminosos de outros estados mantêm contato com chefes de comunidades do Rio, sendo acolhidos nessas áreas como forma de garantir proteção, esconderijo e suporte logístico. Caso não houvesse anuência dos chefes cariocas, a presença desses criminosos não seria permitida, o que reforça a existência de articulação estruturada, ainda que sem comando central formal. Fora do Rio, o TCP passou a replicar sua rivalidade com o Comando Vermelho, criando novos polos de conflito e, em alguns casos, se aliando a organizações como o PCC para ampliar sua força. No Espírito Santo, esse processo é evidente. O TCP se consolidou a partir da absorção de grupos locais, como a Associação Família Capixaba e o grupo Irmãos Vera. A facção passou a atuar como fornecedora de drogas e armas, atraindo organizações menores e impondo sua estrutura. Com o tempo, essas células passaram a adotar integralmente a sigla TCP. Hoje, a presença da facção já se materializa no território. Em parceria com o PCC, o TCP passou a controlar o narcotráfico em diversos bairros da Grande Vitória. Em Vitória, a atuação foi identificada em áreas como Itararé, Cruzamento e Tabuazeiro. Em Vila Velha, o domínio se estende por regiões como Ibes, Boa Vista, Cristóvão Colombo, Aribiri, Ilha das Flores e Santa Rita. Na Serra, há registros de atuação em Nova Almeida, Jardim Carapina, Central Carapina e Parque das Gaivotas. Em Cariacica, o grupo atua em Mucuri, Morro do Quiabo e Morro dos Gama. Também há presença em Conceição da Barra. Esse avanço territorial evidencia a consolidação da facção fora do Rio e mostra que a expansão não é apenas pontual, mas estruturada. O cenário atual no Espírito Santo é de divisão clara entre dois blocos criminosos: de um lado, TCP e PCC; do outro, Comando Vermelho e Primeiro Comando de Vitória (PCV). Os impactos já aparecem nos indicadores de violência. Apenas entre janeiro e agosto de 2024, uma região de Vila Velha registrou 16 homicídios, sendo ao menos nove ligados ao tráfico, além de 32 tentativas de homicídio, das quais 21 relacionadas diretamente à disputa entre facções. A evolução do conflito também se reflete na disputa territorial. Após a prisão de lideranças locais, áreas antes controladas passaram a ser alvo de alianças e confrontos entre grupos rivais. A presença das facções é marcada por pichações e símbolos que indicam domínio, reforçando o clima de tensão nas comunidades. O TCP surgiu em 2002, a partir de uma dissidência do antigo Terceiro Comando, em meio a conflitos no sistema prisional fluminense. Desde então, expandiu sua atuação para diversas frentes criminosas, incluindo tráfico de drogas, comércio de armas, roubo de cargas e veículos e extorsão. Hoje, a facção reúne características que a colocam entre as principais ameaças à segurança pública: domínio territorial, uso de armamento pesado, enfrentamento ao Estado, expansão interestadual e adoção de práticas típicas de milícia. O avanço do TCP aponta para a consolidação de uma organização criminosa híbrida, que combina tráfico, controle territorial e exploração econômica, ampliando seu poder e o potencial de violência em diferentes regiões do país.

Facção de traficante alvo no Vidigal (CV) promoveu fuga em massa, atentado contra diretor e nova tentativa de resgate em presídio na Bahia

Alvo principal da polêmica operação no Morro do Vidigal, que deixou turistas presos na comunidade nesta segunda-feira, o traficante Ednaldo Pereira de Souza, o “Dada”, integra uma organização criminosa (Primeiro Comando de Eunápolis) com atuação violenta e contínua contra o sistema prisional da Bahia. A facção da qual faz parte foi responsável por uma fuga em massa no Conjunto Penal de Eunápolis em 2024, um atentado contra o diretor da unidade em 2025 e uma nova tentativa de resgate de comparsas em 2026. Dada sempre buscou dominar as unidades prisionais de Eunápolis e Teixeira de Freitas, além de expandir sua influência pelas cidades do sul do estado, utilizando a violência como ferramenta central de controle. Segundo investigações, crises e motins eram provocados dentro das unidades, enquanto homicídios eram ordenados contra qualquer um que contrariasse os interesses do grupo. Ele e o irmão, conhecido como “Rena”, são apontados como líderes de uma ampla cadeia criminosa que atua dentro e fora dos presídios. De acordo com apurações, tudo que acontecia precisava da autorização dos dois, garantindo que a estrutura funcionasse de forma lucrativa. Qualquer ação fora dessa hierarquia resultava em represália, com punições executadas por braços direitos posicionados em todos os pavilhões. Ambos respondem a pelo menos sete processos por homicídio, além de diversas acusações relacionadas ao tráfico de drogas. O histórico recente da facção evidencia o nível de organização e ousadia. Após a fuga de Dada e outros detentos do Conjunto Penal de Eunápolis em dezembro de 2024, o grupo seguiu tentando impor sua força. Na madrugada de 29 de janeiro de 2026, uma operação conjunta das polícias Civil e Militar impediu uma nova invasão à unidade prisional, que seria realizada por integrantes do Comando Vermelho com o objetivo de resgatar comparsas. O confronto terminou com oito criminosos mortos e um policial militar baleado. Antes disso, a escalada de violência já havia atingido diretamente a administração do presídio. Houve um atentado contra a vida do diretor do Conjunto Penal de Eunápolis, Jorge Magno Alves Pinto, e também contra o servidor estadual Emerson de Jesus Santos, ação atribuída a integrantes da facção PCE/CV, da qual Dada faz parte. Mesmo fora do sistema prisional, a atuação do traficante e de sua organização segue sendo tratada pelas autoridades como de alta periculosidade, diante do histórico de ataques coordenados, domínio interno de unidades prisionais e ações violentas articuladas para manter o controle do crime organizado.

Alvo no Vidigal (CV), traficante “Dada” controlava o crime na Bahia com mão de ferro. Investigações mostraram seu poder mesmo quando estava preso

O alvo da operação realizada nesta segunda-feira no Morro do Vidigal, na Zona Sul do Rio, era tratado pelas autoridades como um dos pilares do crime organizado no sul da Bahia. Segundo investigações da Polícia Civil baiana, Ednaldo Pereira de Souza, o “Dada”, construiu um histórico de poder e influência capaz de sustentar uma máquina criminosa violenta e altamente estruturada. Apontado como líder do Primeiro Comando de Eunápolis (PCE), ele é citado em relatórios do Departamento de Polícia do Interior (DEPIN) como peça central em uma guerra sangrenta contra o Bonde do Maluco (BDM), marcada por homicídios, ataques armados, incêndios e ameaças contra forças de segurança. As informações são baseadas em investigações locais, com análise de celulares apreendidos, relatórios de inteligência e depoimentos protegidos. Segundo a polícia, mesmo quando esteve preso, Dada continuava operando o crime com precisão, utilizando aparelhos celulares para ordenar execuções, coordenar o tráfico e orientar comparsas sobre como agir. De acordo com os investigadores, o controle exercido por ele era absoluto: Relatos colhidos pela Polícia Civil reforçam que o traficante mantinha uma rede ativa e disciplinada, com integrantes posicionados estrategicamente tanto dentro quanto fora das unidades prisionais. A dimensão desse poder ficou evidente em levantamentos policiais. Um relatório da 20ª COORPIN (Brumado) aponta que a movimentação de lideranças criminosas ligadas a esse núcleo coincidiu com um salto de até 700% nos crimes violentos letais na região — um reflexo direto da atuação dessas facções. As autoridades também são enfáticas ao apontar que o uso de celulares por lideranças como Dada é um dos principais fatores que sustentam o funcionamento dessas organizações, permitindo que o comando criminoso continue ativo mesmo em cenários de repressão. Agora, fora do sistema prisional e alvo de operação no Rio de Janeiro, o nome de Dada volta ao centro das atenções das forças de segurança. Para investigadores da Bahia, trata-se de um líder com histórico comprovado de articulação criminosa, capacidade de comando e influência direta sobre ações violentas. A fuga no Vidigal, diante desse histórico, não é apenas mais um episódio — é um sinal claro de que um dos principais articuladores do crime organizado baiano segue em circulação.

Escândalo na orla da zona sul: tráfico ficava com 60% de golpe da maquininha aplicado em turistas no Rio”

A reportagem teve acesso a detalhes de uma investigação que revela que o tráfico de drogas lucrava diretamente com o golpe da maquininha aplicado contra turistas nas praias da Zona Sul do Rio. Segundo os dados, integrantes do Comando Vermelho ficavam com 60% do dinheiro obtido nas fraudes, enquanto ambulantes responsáveis pelas abordagens ficavam com os outros 40%. O material mostra que o esquema operava principalmente nas areias de Copacabana e Ipanema, tendo como alvo preferencial turistas estrangeiros, escolhidos por terem menor familiaridade com a moeda brasileira e os costumes locais. De acordo com as investigações, os envolvidos se passavam por vendedores ambulantes e iniciavam a abordagem oferecendo produtos de baixo valor, como bebidas, cigarros e alimentos. Após convencer a vítima a pagar com cartão, começava o golpe. Com a maquininha em mãos, o criminoso alegava falhas de conexão para justificar múltiplas tentativas. Durante esse tempo, aproveitava momentos de distração para digitar valores muito acima do combinado, muitas vezes adicionando zeros ao preço real. Em outras situações, o visor da máquina era propositalmente encoberto. Já nos casos de pagamento por aproximação (NFC), o golpe se tornava ainda mais agressivo: o criminoso chegava a pegar o celular da vítima sob o pretexto de “ajustar o sinal”, realizando a cobrança sem que o turista percebesse. As apurações confirmam que os crimes eram praticados em grupo, com divisão de tarefas bem definida — abordagem, distração, cobrança, recebimento e repasse — o que facilitava tanto a execução quanto a fuga imediata após a fraude. Os números mostram a dimensão do esquema. Em uma amostra de 150 registros de ocorrência, entre janeiro e a primeira semana de setembro de 2025, os valores desviados variam de centenas a dezenas de milhares de reais por vítima. A investigação resultou em denúncia do Ministério Público contra sete pessoas. Para dificultar o rastreamento, os suspeitos utilizavam diversas maquininhas e contas bancárias em nome de terceiros. Logo após os golpes, os valores eram rapidamente transferidos via PIX, criando uma cadeia de repasses para ocultar os verdadeiros beneficiários. Um dos investigados revelou a existência de um “gerente” das fraudes — apontado como responsável por centralizar os valores e ligado ao tráfico. Segundo ele, esse homem atuaria na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana. De acordo com o depoimento, ambulantes interessados em participar do esquema precisavam procurá-lo. Era ele quem organizava a atuação e garantia a divisão dos lucros: 60% para o tráfico e 40% para os vendedores. O investigado também detalhou o domínio territorial da facção na Zona Sul, apontando a divisão das áreas: A investigação ainda indica uma estrutura criminosa mais ampla. Perfis públicos em redes sociais apontam a existência da chamada “Trem/Equipe do Havaí”, ligada ao Complexo Pavão-Pavãozinho-Cantagalo (PPG), sugerindo conexão direta com a facção e possível coordenação das fraudes. Para os investigadores, o caso revela uma engrenagem organizada, com participação direta do tráfico, divisão de funções e controle territorial — transformando golpes aplicados na areia da praia em uma fonte estruturada de renda para o crime organizado. r

Momentos dramáticos para escapar com vida: vítimas fogem sob tiros em Nova Iguaçu; Justiça decreta prisão de três por tentativa de execução”

A tentativa de execução que deixou quatro pessoas baleadas em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, no fim do ano passado, voltou com força nesta semana após a Justiça decretar a prisão preventiva de três suspeitos e revelar o que estava por trás do ataque: uma vingança que terminou em uma emboscada a tiros em plena rua. Os novos desdobramentos expõem, com riqueza de detalhes, os minutos de terror vividos pelas vítimas — que precisaram correr, invadir casas e pular muros enquanto eram perseguidas por disparos para não morrer. Na última sexta-feira (16), a Justiça determinou a prisão de três homens apontados como ligados ao tráfico do Complexo da Penha. Eles são acusados de participar do ataque ocorrido no dia 27 de dezembro de 2025, na Rua Olga Alves, nº 70, no bairro Engenho Pequeno. De acordo com a denúncia, os criminosos agiram com clara intenção de matar. Em um movimento coordenado, chegaram de carro, abriram as quatro portas ao mesmo tempo e desembarcaram já atirando, de forma repentina, em via pública e durante a noite — pegando as vítimas completamente desprevenidas. Os disparos atingiram quatro pessoas: Warley foi baleado três vezes — dois tiros na coxa esquerda e um na panturrilha. Pedro levou um tiro no braço direito. Tiago foi atingido duas vezes na região da virilha. Josemir sofreu ferimentos por estilhaços no tórax. O resultado morte não se consumou por circunstâncias alheias à vontade dos atiradores: as vítimas conseguiram fugir sob fogo e receberam atendimento médico rápido. A investigação aponta que o crime foi motivado por vingança — considerada motivo torpe. Tudo teria começado com uma briga anterior entre Josemir e Cauan, um dos acusados. Na ocasião, as outras vítimas teriam intervindo para separar a confusão. Segundo os autos, Paulo César e Washington, também denunciados, são amigos de Cauan e teriam participado diretamente da ação. Um quarto envolvido ainda não foi identificado. Os depoimentos revelam uma sequência de cenas de puro desespero. Pedro contou que, assim que os tiros começaram, correu sem olhar para trás e entrou na Rua Oba. No caminho, viu familiares de Tiago fugindo e tentando se abrigar dentro de casa. Em meio ao pânico, ele e Josemir invadiram o imóvel e, tentando escapar dos atiradores, pularam o muro que dava acesso a um terreno baldio. Sem parar, ainda atravessaram o local e pularam um segundo muro, que levava à Rua Nair Dias. Foi nesse momento que Pedro percebeu que havia sido baleado. Mesmo ferido, ele conseguiu uma motocicleta emprestada e, junto com Josemir, seguiu até o Hospital Geral de Nova Iguaçu. Pedro também relatou que acredita que o estopim da tentativa de homicídio tenha sido uma briga em uma festa, quando um amigo seu teria agredido Cauan após suspeitar que ele estaria se envolvendo com sua irmã. Cauan teria ido tirar satisfação — e o conflito evoluiu até o ataque armado. Uma testemunha afirmou que os três acusados fazem parte do tráfico de drogas do Complexo da Penha e vinham tentando expandir a atuação para a região, inclusive com a intenção de instalar um ponto de venda de drogas na Rua Professor Godoi, próximo ao Escadão, no Engenho Pequeno. Segundo essa testemunha, os acusados eram de sua convivência e mantinham uma boa relação com ele e seus amigos antes de ingressarem no tráfico. Depois disso, o comportamento mudou. Ela afirmou acreditar que os envolvidos são capazes de matar para “fazer o nome” no bairro e relatou que eles circulam frequentemente pela região em diferentes veículos, intimidando moradores. Josemir confirmou a versão da fuga e disse que só percebeu que também havia sido atingido quando já estava no hospital. Ele acrescentou que, após o crime, Cauan passou em frente ao seu local de trabalho acompanhado de outra pessoa em uma motocicleta, em atitude interpretada como intimidação. Warley também descreveu momentos de pânico absoluto. Ele contou que, ao ouvir os tiros, correu com Tiago para dentro da casa de Pedro, subiu as escadas às pressas e, em seguida, pulou o muro da varanda, conseguindo acessar a casa de uma prima de Tiago. Eles ficaram escondidos por minutos que pareceram intermináveis, até conseguirem sair e pedir ajuda. Um conhecido socorreu o grupo e os levou ao Hospital da Posse. Com a decretação das prisões, o caso ganha um novo peso: o que parecia mais um episódio de violência na Baixada agora se confirma como uma tentativa de execução premeditada, motivada por vingança — e da qual as vítimas só escaparam após uma fuga desesperada sob tiros. As investigações seguem para identificar o quarto envolvido.

Homem morto na Abolição ontem disse a policiais que fazia parte da milícia quando foi preso em 2023

O homem que foi assassinado ontem no bairro da Abolição quando foi preso em 2023 admitiu aos policiais que fazia parte da milícia, segundo informações do Tribunal de Justiça; Antônio Sérgio Tosca Júnior havia sido preso em 20 de outubro de 2023 na Rua Honório, em Todos os Santos. Na ocasião, tinha uma pistola Glock calibre 9mm, com numeração numeração suprimida, municiada com um carregador estendido, com 30 munições, 2 carregadores sobressalentes municiados, totalizando 70 munições, bem como 06 granadas e uma munição, calibre 7,62. Além disso, estava com um veículo VW/Cross, de cor branca, produto de roubo e que tinha placa adulterada. Na ocasião, , policiais civis lotados na 19ª DP após obterem informações do setor de inteligência de que ocorreria um roubo na Rua Honório, nas proximidades do nº 377, Todos os Santos, dirigiram-se para o local indicado. Chegando lá, avistaram o veículo VW estacionado irregularmente na calçada. Realizada consulta ao Proderj, os agentes constataram que o veículo estava registrado em nome de H.F.D o qual se localizava em Minas Gerais. Em contato com o dono, este declarou que o veículo se encontrava em seu poder e que estava recebendo multas não reconhecidas, oriundas do Estado do Rio de Janeiro. Em dado instante, os agentes avistaram Antônio ingressando no carro e dando a partida, ocasião em que realizaram a abordagem. No momento da abordagem, o suspeito admitiu aos agentes que o veículo era clonado, que integrava milícia e que possuía armas de fogo em sua residência, local onde o automóvel estava estacionado. Um policial civil prestou depoimento na época e disse que Antõnio afirmou que pertencia a uma milícia na beira da Linha Amarela, provavelmente a que atua na comunidade do Guarda, em Del Castilho. Ouvida na época, a mulher de Antônio falou que desconhecia o envolvimento dele com grupo paramilitar. Antônio chegou a fazer parte do programa Segurança Presente do governo estadual , atuando no bairro do Centro e também foi paraquedista, tendo ficado oito anos no Exército. Ele foi morto na Avenida Dom Hélder Câmara. Segundo testemunhas, o homem estava dentro do carro quando acabou cercado por criminosos armados, que efetuaram os disparos. Ele perdeu o controle do veículo e colidiu com um estabelecimento comercial

VAMOS EXPLODIR TUDO’: Justiça revela terror de jovem feita refém com granada na Ilha”

Sob ameaça de ser explodida dentro do próprio quarto, uma jovem viveu momentos de desespero ao ser mantida refém por traficantes armados no Morro do Barbante, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio. Segundo os autos do processo, a vítima chegou a pedir socorro enquanto os criminosos afirmavam estar com armamento pesado, incluindo fuzis, e ameaçavam “explodir tudo” caso fossem confrontados. A jovem foi mantida sob poder de quatro homens armados, dentro de um quarto, por cerca de meia hora. Durante esse período, conforme a documentação judicial, foi submetida a grave ameaça com armamento de alto poder letal, incluindo a possibilidade de detonação de uma granada no interior do cômodo. O episódio ocorreu no ano passado, durante uma operação do BOPE contra traficantes ligados ao Comando Vermelho na comunidade. Na ocasião, houve confronto armado, e parte dos suspeitos fugiu da ação policial. De acordo com o processo, durante a fuga, quatro homens invadiram a residência de um morador. Policiais que realizavam a perseguição entraram no imóvel e, ao se aproximarem de uma porta fechada, foram surpreendidos por ameaças diretas feitas pelos suspeitos. Do outro lado da porta, os acusados afirmavam estar fortemente armados com fuzis e explosivos e advertiam que, caso a entrada fosse forçada, detonariam o material — colocando em risco tanto os policiais quanto a jovem, mantida no local como refém. Diante da situação de alto risco, foi iniciada uma negociação que se estendeu por cerca de 30 minutos. Segundo os autos, os suspeitos condicionaram a rendição à garantia de que não sofreriam agressões. A decisão judicial destaca que a restrição da liberdade da vítima teve como único objetivo utilizá-la como escudo humano, uma vez que os acusados temiam ser atingidos pelos policiais do BOPE. A resolução do impasse contou com a atuação de uma moradora conhecida como “Tia Maria”, que intermediou a situação. Ela entrou no quarto, recolheu os armamentos e os entregou à equipe policial, permitindo o fim da ocorrência sem ferimentos à vítima. Após a rendição, os quatro homens foram presos e encaminhados à delegacia. Com eles, foram apreendidos: Ao final do processo, os quatro acusados foram condenados a 7 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão, além do pagamento de 1.362 dias-multa.

Policial civil e falsos agentes formavam milícia para extorquir comerciantes em Búzios — detalhes de uma cobrança sob mira de réplica de fuzil vêm à tona

Uma operação criminosa com características típicas de milícia atuou livremente em Búzios, na Região dos Lagos, explorando comerciantes sob ameaça e com participação direta de um agente da lei. O caso, que começou a ser desvendado ainda em dezembro de 2025, ganha agora contornos muito mais graves com a revelação de novos detalhes da investigação. Os criminosos se passavam por policiais civis para extorquir empresários locais, utilizando armamento, distintivos e até viatura disfarçada para dar aparência de legalidade às ações. O grupo exigia dinheiro sob ameaça de apreensão de bens — uma prática clássica de milícias que atuam como um “Estado paralelo”. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu na manhã de 5 de dezembro de 2025. Um empresário do ramo de construção foi surpreendido ao ser informado de que uma suposta equipe da Polícia Civil estava em seu terreno, na Estrada de Tucuns, onde mantinha máquinas e caminhões. Ao chegar ao local, encontrou três homens dentro da propriedade. Um deles, identificado como policial civil, ostentava distintivo oficial e comandava a ação. Outro portava uma pistola na cintura. O terceiro permanecia no interior de um Renault Kwid. A abordagem foi violenta. O empresário foi rendido sob a mira de um fuzil — posteriormente identificado como uma réplica — em uma clara demonstração de intimidação. Em seguida, o suposto agente da lei passou a questionar a documentação dos veículos. Mesmo com os documentos apresentados, o grupo encontrou um pretexto: dois caminhões estavam com o licenciamento vencido. Foi o suficiente para a chantagem. A exigência veio de forma direta: R$ 10 mil para “resolver a situação”. Caso contrário, os veículos seriam apreendidos — e, segundo a ameaça, dificilmente recuperados. Pressionado e temendo prejuízos ainda maiores, o empresário iniciou os pagamentos via PIX. Foram transferidos R$ 4 mil — parte por ele, parte por familiares — enquanto tentava completar o valor exigido. A operação total só não foi concluída porque a transferência maior entrou em análise bancária. Mesmo assim, os criminosos não foram embora de imediato. Permaneceram nas proximidades aguardando o restante do dinheiro, deixando claro que a extorsão ainda estava em andamento. Foi nesse momento que o esquema começou a ruir. Por volta das 10h, a polícia recebeu denúncias de que homens estavam se passando por policiais civis em Búzios, utilizando um Renault Kwid branco para extorquir comerciantes. O monitoramento confirmou que o veículo circulava pela cidade desde cedo e seguia em direção a Cabo Frio. A interceptação aconteceu na Estrada Velha Cabo Frio/Búzios. Durante a abordagem, um dos suspeitos voltou a se apresentar como policial civil e afirmou estar armado. Ao desembarcar, outro integrante foi flagrado com uma pistola na cintura. A situação rapidamente escalou quando um dos criminosos tentou tomar a arma de um policial, entrando em confronto físico. Um disparo foi efetuado para conter a agressão, atingindo o suspeito. Na revista do veículo, veio a confirmação do nível de organização do grupo: Com o policial envolvido, foram apreendidos distintivo e carteira funcional da Polícia Civil, evidenciando que o esquema contava com suporte interno para dar credibilidade às ações criminosas. As anotações encontradas reforçam que não se tratava de um caso isolado. O grupo operava de forma estruturada entre Búzios e Cabo Frio, com alvos previamente definidos — um verdadeiro roteiro de extorsões. Um dos presos confessou ter recebido R$ 4 mil da vítima. Posteriormente, o empresário compareceu à delegacia e reconheceu, sem qualquer dúvida, tanto o veículo quanto os autores do crime. O caso, que inicialmente parecia mais um episódio pontual de falsos policiais, agora se revela como algo muito mais profundo: uma engrenagem criminosa com método, planejamento e participação de quem deveria combater o crime. E o mais grave: tudo isso começou a ser descoberto em dezembro — mas só agora a dimensão real do esquema vem à tona.

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