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Consórcio do tráfico (TCP)”: inquérito revela aliança com 36 criminosos entre São Carlos e Maré

Um inquérito que tramita sob sigilo na Justiça desde 2021 revelou a denúncia de 36 integrantes do tráfico de drogas ligados à facção Terceiro Comando Puro (TCP), expondo uma estrutura integrada de atuação entre os complexos do São Carlos e da Maré, no Rio de Janeiro. De acordo com os autos, os grupos mantinham um acordo estruturado de cooperação, que incluía o compartilhamento de homens armados para reforço de pontos de venda, fornecimento de entorpecentes, distribuição de material bélico e oferta de esconderijos para integrantes durante operações das forças de segurança. A investigação também identificou o uso de um mesmo responsável pela preparação química das drogas. A apuração aponta a existência de múltiplos núcleos criminosos interligados, com base no Complexo do São Carlos — que engloba, além do próprio morro, as comunidades da Mineira, Zinco, Querosene e a chamada “Boca da Laura”. Esta última é descrita como uma concentração de pontos de venda com acesso facilitado, localizada nas imediações das ruas Laura Araújo, Aníbal Benévolo e São Martinho, próximas ao Sambódromo e à estação de metrô da Praça Onze. Segundo a investigação, a engrenagem criminosa se sustenta não apenas pela atuação territorial, mas também por alianças firmadas com integrantes da mesma facção em outras regiões da cidade. Entre os denunciados estão nomes apontados como lideranças do São Carlos, como Coelho, Léo Empada, Menor Cheru e Limão, além de integrantes da Maré, como Menor P e Mangolé. O inquérito teve início após a expulsão de uma mulher de sua residência por traficantes do São Carlos, em represália ao fato de seu filho — também ligado ao tráfico — ter migrado para outra facção criminosa. Preso à época, o filho da vítima colaborou com as investigações e realizou o reconhecimento de diversos integrantes, com os quais afirmou ter convivido por anos. Em depoimento, ele não apenas identificou os envolvidos, como detalhou as funções exercidas por cada integrante dentro da organização criminosa. Os autos indicam que o tráfico na região operava de forma estruturada há mais de duas décadas, com cadeia organizada de fornecimento, distribuição e controle de pontos de venda. Durante a investigação, policiais localizaram aparelhos celulares nas celas onde estavam presos os traficantes Menor P e Coelho. Após a quebra de sigilo dos dispositivos, foi identificado um volume expressivo de conteúdo relacionado a atividades criminosas, incluindo indícios de comercialização de cocaína dentro do sistema prisional, com estrutura semelhante à de uma “boca de fumo”. Outro episódio descrito nos autos aponta que integrantes do grupo, em deslocamento em comboio, teriam atacado uma equipe da Polícia Rodoviária Federal, dando início a um intenso confronto armado. A investigação também mapeou detalhadamente a estrutura operacional do tráfico no São Carlos, identificando responsáveis por diferentes funções, como a gestão de pontos de venda — incluindo locais conhecidos como Volta, Bairro, Capela, Santos e Brinquedo —, além de seguranças armados, responsáveis pelo abastecimento de maconha e cocaína, integrantes envolvidos em roubos de carga e veículos e até mesmo o responsável pela contabilidade da organização. Também foi identificado o responsável pelo tráfico na Vila dos Pinheiros, no Complexo da Maré, apontado como executor de rivais da organização criminosa. Segundo os autos, a atuação do grupo é marcada por elevado grau de violência, com relatos de ameaças, expulsões de moradores e imposição de regras nas comunidades dominadas, onde a população convive sob constante risco de confrontos armados. Os fatos descritos no inquérito ainda serão analisados pela Justiça, sendo assegurados aos denunciados o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Confira a versão oficial do caso do tio que esfaqueou o sobrinho em um apartamento em Copacabana. Autor teve prisão preventiva decretada mas continua internado

Documentos oficiais obtidos pela reportagem revelam detalhes inéditos do caso que chocou Copacabana na última semana: a Justiça decretou a prisão preventiva de Anísio José Bueno, acusado de esfaquear o próprio sobrinho, manter duas mulheres sob ameaça dentro de um apartamento e mobilizar uma operação de negociação da Polícia Civil para conter a situação. De acordo com os autos, por volta das 13h40 do dia 10 de abril de 2026, policiais civis da 12ª DP (Copacabana), que trafegavam pela Rua Barata Ribeiro, na altura do número 363, foram alertados por gritos de socorro. Populares informaram que um homem havia esfaqueado o sobrinho e se recolhido ao apartamento 901. Diante da situação de flagrante, os agentes ingressaram no prédio com autorização do porteiro e seguiram até o imóvel. Ao chegarem ao local, encontraram duas mulheres sob restrição imposta pelo acusado. Parte da equipe se posicionou para evitar fuga, enquanto outro grupo iniciou procedimento de gerenciamento de crise, com negociação técnica e não confrontativa, visando preservar a integridade das vítimas, dos policiais e do próprio agressor. Após as tratativas, as mulheres foram liberadas sem ferimentos adicionais. Segundo relatos colhidos no local, Anísio teria tentado atingir uma das vítimas, sendo impedido pelo sobrinho, Vitor Hugo, que acabou ferido por um golpe de faca na região abdominal. Ainda conforme os autos, o próprio autor teria se autolesionado com a mesma arma branca. Com a liberação das reféns, as negociações prosseguiram até a rendição do acusado, que entregou a faca utilizada no crime, posteriormente apreendida. As vítimas receberam atendimento imediato no local, com apoio do Corpo de Bombeiros (CBMERJ), até a remoção de Vitor Hugo para atendimento hospitalar. Encerradas as primeiras providências, Anísio foi encaminhado sob escolta ao Hospital Municipal Miguel Couto. Já as vítimas e o material apreendido foram levados à 12ª DP para apreciação da autoridade policial. Posteriormente, o acusado foi conduzido à delegacia, onde foi autuado em flagrante. A Justiça já determinou sua prisão preventiva, e o caso deverá ter novos desdobramentos após a alta hospitalar do investigado.

CAXIAS: Levaram de casa, julgaram no ‘tribunal do tráfico’ e fizeram sumir: Justiça manda prender grupo após quase 3 anos”

Quase três anos após o desaparecimento de duas vítimas levadas à força de dentro de casa, a Justiça decretou a prisão preventiva de quatro suspeitos apontados como integrantes da quadrilha do traficante conhecido como “Flamengo”. Eles são investigados pelo sequestro, homicídio e ocultação dos corpos de Maurício Gaspar Mello de Sousa e Ademir Martins dos Santos, no condomínio Rotonda, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Entre os acusados, está uma mulher. Segundo os autos, no dia 9 de julho de 2023, os investigados teriam invadido a residência das vítimas e as retirado sob grave ameaça, com o uso de armas de fogo. Em seguida, Maurício e Ademir teriam sido levados para uma área dominada por organização criminosa, onde, conforme a investigação, foram submetidos a um chamado “tribunal do crime”, executados e tiveram os corpos ocultados — que até hoje não foram localizados. A decisão judicial destaca a existência de indícios considerados consistentes de autoria, baseados em reconhecimentos formais, depoimentos de testemunhas diretas e indiretas, além da descrição detalhada do modo de atuação da organização criminosa na região. O decreto de prisão também se fundamenta no risco concreto à ordem pública, diante da gravidade dos fatos e da atuação do grupo. Os autos ainda apontam um cenário de intimidação contínua na localidade. Testemunhas — moradores e ex-moradores — relataram ameaças, expulsões forçadas e um ambiente de coação sistemática, atribuído à atuação da organização criminosa que domina a região. Embora seja apontado como chefe do tráfico local, o criminoso conhecido como “Flamengo” não figura como réu neste processo específico. Denúncias sobre a atuação do grupo no condomínio Rotonda vêm sendo feitas há anos. A página “Reage Jaqueira”, na rede social X — a mesma que revelou anteriormente a suposta imposição de compra de farinha a comerciantes, tema que chegou a ser abordado pela TV Globo — também relata a existência de um sistema de exploração de moradores na região. De acordo com essas publicações, integrantes do grupo criminoso exerceriam controle direto sobre a rotina dos residentes, com cobrança de taxas, interferência na administração dos prédios sem processo eletivo e apropriação de valores relacionados ao fornecimento de gás. Uma das acusadas no processo, inclusive, é apontada como tendo assumido a função de síndica sem eleição. As investigações seguem em andamento. Os acusados responderão ao processo com garantia do contraditório e da ampla defesa.

GUERRA DO BICHO: Iggnácio foi acusado de mandar matar Rogério Andrade ao menos duas vezes em disputa marcada por atentados e mortes

A execução de Fernando Iggnácio reacendeu uma das disputas mais violentas do submundo do jogo ilegal no Rio: a guerra com seu rival Rogério de Andrade, marcada por atentados, mortes e acusações reiteradas de mando de execução entre os dois lados. Um dos pontos mais emblemáticos dessa rivalidade é que Iggnácio foi acusado de mandar matar Rogério Andrade pelo menos duas vezes, em episódios distintos ao longo dos anos. Primeira tentativa: arma falha e impede execução em hotel No dia 8 de outubro de 2001, no corredor do 15º andar de um apart-hotel na Barra da Tijuca, um homem tentou executar Rogério Andrade com disparos de arma de fogo. A arma, no entanto, falhou no momento do disparo, permitindo que Andrade reagisse. Houve luta corporal, o agressor foi desarmado e ainda tentou concluir o crime por estrangulamento, sem sucesso. Nesse caso, Fernando Iggnácio foi denunciado como suposto mandante da tentativa de homicídio, mas acabou impronunciado pela Justiça. Segunda acusação: atentado a bomba deixa morto e ferido A segunda vez em que Iggnácio foi acusado de mandar matar o rival envolve o atentado ocorrido em 8 de abril de 2010, também na Barra da Tijuca. Na ocasião, uma explosão matou Diogo Andrade, filho de Rogério, e deixou o próprio contraventor gravemente ferido. Iggnácio foi apontado como acusado de envolvimento no ataque, novamente dentro da lógica de tentativa de atingir o rival. Origem da guerra: disputa por território e dinheiro Segundo investigações, a rivalidade tem origem na divisão de negócios após a atuação do contraventor Castor de Andrade. Com o crescimento explosivo dos lucros das máquinas, Rogério teria passado a tentar expandir sua atuação sobre esse mercado, gerando conflito direto com Iggnácio. Foi o início de uma disputa violenta e contínua. Guerra deixou rastro de mortes e atuação armada A disputa pelo controle dos caça-níqueis evoluiu para um cenário de extrema violência, com dezenas de mortes ao longo dos anos, conforme apontam investigações. Os grupos são descritos como estruturas fortemente armadas, com atuação organizada e, em alguns casos, com apoio de agentes policiais, responsáveis por garantir segurança e viabilizar os negócios ilícitos. Acusações de mando nos dois lados Se por um lado Fernando Iggnácio foi acusado ao menos duas vezes de mandar matar Rogério Andrade, por outro, Rogério Andrade também é acusado de ser o mandante do assassinato de Iggnácio, caso que voltou ao centro do debate com os recentes desdobramentos judiciais. Conclusão A trajetória dos dois contraventores revela uma guerra prolongada pelo controle do jogo ilegal no Rio, marcada por tentativas de execução, atentados e acusações de mando de ambos os lados. O histórico reforça o nível de violência e organização dessa disputa, que segue produzindo desdobramentos até hoje.

PASSO A PASSO DA MORTE: a dinâmica real da emboscada que executou Fernando Iggnácio no Rio. Primeiro acusado foi condenado ontem

O assassinato do contraventor Fernando Iggnácio, cujo primeiro acusado foi condenado nesta semana — o ex-PM Rodrigo Silva das Neves, sentenciado a 32 anos e 9 meses de prisão — foi cometido por meio de uma emboscada cuidadosamente planejada e executada com extrema precisão. O crime ocorreu no dia 10 de novembro de 2020, por volta das 13h15, a partir de um terreno baldio localizado ao lado do estacionamento do heliporto da empresa Heli-Rio Táxi Aéreo, situado na Avenida das Américas, nº 13.750, no bairro Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. Emboscada montada com antecedência e camuflagem Os assassinos permaneceram em tocaia, escondidos de forma estratégica na extensa vegetação que ladeava o muro do heliporto, utilizando a camuflagem natural do local para não serem percebidos. A escolha do ponto da emboscada foi feita de maneira precisa, assim como o momento do ataque, calculado para atingir a vítima quando estivesse em situação de maior vulnerabilidade. Planejamento detalhado e divisão de tarefas No dia do crime, por volta das 09h, conforme previamente ajustado entre os envolvidos e seguindo ordens atribuídas a “Araújo” e ao contraventor Rogério de Andrade, a ação foi colocada em prática. Enquanto um dos quatro primeiros participantes permanecia no interior do veículo utilizado pelo grupo — um VW Fox Connect, cor branca —, os outros três invadiram o terreno baldio que fazia divisa com o heliporto da empresa Heli-Rio Táxi Aéreo. Eles estavam munidos de, pelo menos, duas armas de fogo de alta energia cinética, sendo fuzis PARA FAL e AK-47, ambos calibre 7,62 mm. Posição estratégica no muro e ataque a curta distância Após aguardarem por cerca de quatro horas, esperando o retorno de Fernando Iggnácio de Angra dos Reis em seu helicóptero, três dos executores posicionaram suas armas sobre o muro contíguo ao estacionamento do heliporto. Eles ficaram a uma distância aproximada de quatro metros do local onde estava estacionado o veículo da vítima, uma Land Rover/Range Rover, blindada, ano 2007, cor preta. Assim que Fernando Iggnácio se colocou ao lado do automóvel, pelo menos dois dos envolvidos efetuaram diversos disparos de arma de fogo. Disparos fatais e execução violenta A vítima foi atingida por três disparos, sendo que um deles alcançou a região da cabeça, entre o nariz e o olho esquerdo. Segundo consta no processo, o projétil penetrou a caixa craniana e explodiu em seu interior, causando a morte de forma imediata e espargindo massa encefálica.. Monitoramento da vítima foi essencial para o crime O crime contou ainda com a participação de outro integrante responsável pelo monitoramento da vítima. Ele repassava instruções a “Araújo”, apontado como responsável por contratar os executores, fornecendo informações que possibilitaram o êxito da empreitada criminosa. Nas conversas interceptadas, Fernando Iggnácio era identificado pela alcunha “Cabeludo”. A referência à vítima é reforçada por diálogos que mencionam características de um imóvel, como a existência de um “cais de ferro na cor verde nos fundos da casa do Cabeludo”, posteriormente identificado como sendo de propriedade da vítima. Condenação confirma emboscada e abre caminho para novos desdobramentos A condenação de Rodrigo Silva das Neves representa o primeiro desfecho judicial do caso e confirma a dinâmica de uma execução em emboscada, com planejamento prévio, divisão de tarefas e uso de armamento de guerra. Outros envolvidos seguem sendo investigados. Conclusão Os elementos reunidos no processo mostram que o assassinato de Fernando Iggnácio foi resultado de uma emboscada estruturada, com monitoramento prévio, escolha estratégica do local, posicionamento tático dos executores — inclusive sobre o muro, a poucos metros da vítima — e execução coordenada. A decisão da Justiça consolida essa versão e evidencia o nível de organização por trás do crime.

Presa suspeita de ser a mandante do crime, irmã de capoeirista teria dito que alvo era cunhado para viabilizar assassinato encomendado ao tráfico no Alemão (CV). Ela também se revoltou com o insucesso na primeira tentativa de matá-lo

A reportagem teve acesso a novos e contundentes detalhes da investigação sobre a execução do capoeirista Paulinho Sabiá, morto a tiros em fevereiro, no bairro de Icaraí, em Niterói. As informações constam em depoimentos prestados à polícia e integram a apuração oficial do caso. Logo no início da trama, segundo relato de um dos envolvidos, a própria irmã da vítima, Adriana Souza Possobom — presa sob suspeita de ser a mandante — teria tentado enganar os executores ao afirmar que Paulinho seria seu cunhado, e não irmão. Ainda de acordo com o depoimento, ela negociou diretamente com uma liderança do tráfico no Complexo do Alemão a execução do crime e teria se irritado ao saber que a primeira tentativa fracassou. Em depoimento, Juan Nunes dos Santos, preso por participação no homicídio, afirmou que Adriana esteve dias antes no Complexo do Alemão com o objetivo de contratar traficantes para cometer o assassinato. Segundo ele, Adriana se reuniu com um criminoso conhecido como “Raí”, apontado como liderança em uma área da comunidade. De acordo com Juan, Adriana acertou os termos diretamente com Raí, que, por sua vez, o recrutou para integrar a ação criminosa. O valor oferecido pela execução teria sido de R$ 50 mil. Ainda segundo o depoente, Adriana sustentou a versão de que a vítima seria irmão de seu marido — ou seja, seu cunhado — versão que foi inicialmente acreditada pelos executores. A investigação aponta que Adriana forneceu detalhes minuciosos sobre a rotina de Paulinho, incluindo foto, endereço e hábitos. Todo o contato operacional teria sido feito entre ela e Raí. Juan relatou que Raí acionou outros dois homens para participar do crime, conhecidos como Kaio e Lisboa — ambos oriundos de Minas Gerais, mas atuando no tráfico no Complexo do Alemão. No dia 16 de fevereiro, Adriana teria repassado novas informações sobre a localização da vítima. Kaio foi até o endereço em uma motocicleta de aplicativo com a missão de monitorar a saída de Paulinho do prédio. Em seguida, Juan e Lisboa chegaram ao local em uma motocicleta vermelha, posicionando-se em pontos estratégicos para acompanhar a movimentação. Ainda segundo o depoimento, Raí enviou uma mensagem via WhatsApp informando que Adriana havia dito que Paulinho sairia para caminhar na praia. A vítima e sua namorada foram então seguidas pela orla. No momento em que surgiu a oportunidade, Lisboa tentou efetuar os disparos, mas a arma falhou. Diante do insucesso, os suspeitos retornaram ao Complexo do Alemão. No dia seguinte, conforme relato de Juan, Adriana demonstrou revolta com o fracasso da ação, mas decidiu dar continuidade ao plano. Já no dia 18 de fevereiro, Adriana voltou a entrar em contato com Raí, informando que Paulinho iria a uma academia de luta no bairro de São Francisco. Ela teria repassado o endereço do local e as características do veículo utilizado pela vítima. Juan e Lisboa foram até o endereço, identificaram o carro e passaram a monitorar. Em determinado momento, viram Paulinho entrando no veículo pelo lado do passageiro, o que teria confirmado sua identidade. O carro foi seguido até Icaraí. Quando o veículo parou em um sinal de trânsito, Juan emparelhou a motocicleta, momento em que Lisboa efetuou os disparos. Após o ataque, a dupla fugiu em direção ao Rio de Janeiro. Juan afirmou ainda que Adriana teria orientado os executores a subtrair pertences da vítima para simular um assalto. No entanto, segundo ele, não houve tempo para a encenação, e os envolvidos optaram pela fuga imediata. Após o crime, os suspeitos teriam descoberto, por meio de pesquisas na internet, que Paulinho era, na verdade, irmão de Adriana e uma pessoa conhecida. Segundo Juan, a revelação gerou revolta entre os executores. Ele declarou que, após alguns dias, Adriana bloqueou os envolvidos no WhatsApp e não efetuou o pagamento prometido. Questionado sobre valores recebidos, afirmou que Raí teria recebido R$ 10 mil, sendo que o restante seria pago após a execução. Juan disse ainda que chegou a cogitar denunciar Adriana e apontou que a motivação do crime seria financeira, possivelmente relacionada a interesses da mandante em relação à vítima. Submetido a reconhecimento fotográfico, Juan afirmou ter identificado todos os envolvidos, incluindo Adriana, apontada por ele como mandante do crime e irmã da vítima. Ele também declarou possuir o contato telefônico de Adriana, cujo perfil no WhatsApp teria uma foto dela ao lado do irmão. Por fim, Juan relatou que as conversas armazenadas em seu celular foram apagadas, mas manifestou interesse em recuperá-las, com o objetivo de que sejam analisadas pelas autoridades e possam comprovar as mensagens atribuídas a Adriana nas tratativas com Raí. Ao ser presa, Adriana disse que só falaria na presença de seu advogado e não prestou depoimento na delegacia. Hoje, ela passou por audiência de custódia na Justiça, que decidiu que ela contnuar presa. Até o momento não se sabe se ela já se pronunciou sobre o caso. O processo está sob sigilo.,

Nem a guerra com a milícia impediu: CV ergueu grande estrutura criminosa no Catiri, aponta MP

Em meio à retomada da disputa armada entre traficantes e milicianos na Zona Oeste do Rio, novos desdobramentos de uma investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) revelam como o Comando Vermelho estruturou, nos bastidores, uma engrenagem complexa de tráfico e domínio territorial na comunidade do Catiri, em Bangu. Mesmo enfrentando há anos a resistência de grupos milicianos, a facção teria conseguido montar uma ampla estrutura criminosa na região, sob o comando dos traficantes conhecidos como Doca e Gadernal, segundo apontam os autos da investigação. A Promotoria denunciou, no ano passado, 27 suspeitos de participação no esquema. Entre eles estão os próprios Doca e Gadernal, além do ex-miliciano conhecido como RD, que, de acordo com os investigadores, passou a atuar como um dos principais braços armados do Comando Vermelho na Zona Oeste carioca. As apurações indicam que a atuação da facção no Catiri teria se intensificado a partir de 2023, envolvendo atividades como venda, distribuição, fornecimento e entrega de drogas, além da contabilidade da mercancia ilícita. O grupo também seria responsável pela gerência das chamadas “bocas de fumo” e pela manutenção de uma estrutura armada voltada à proteção do território, incluindo o monitoramento de policiais e milicianos. Para o Ministério Público, o Catiri passou a ser tratado como área estratégica pela facção, tanto pela logística do tráfico de drogas quanto pela circulação de armamento e pela comunicação com integrantes do sistema prisional. A violência associada à disputa pelo controle da região também aparece como ponto central da investigação. Segundo os autos, o território teria sido marcado por intensos tiroteios, homicídios e por uma crescente sensação de insegurança entre moradores. As ações atribuídas aos criminosos teriam imposto um cenário de grave comprometimento da ordem pública, impactando diretamente a rotina da população. Na tentativa de consolidar o domínio territorial, o Comando Vermelho teria criado um grupo específico, denominado “Bonde dos Crias do Catiri”, voltado a ações de invasão e ocupação. As investigações também revelaram o uso sistemático de grupos de WhatsApp como ferramenta de gestão criminosa. Foram identificados grupos que abrangiam diversas comunidades, como Catiri, Gardênia Azul, César Maia, Marcão, Juramento, Quitungo, Guaporé, Complexo do Alemão, CPX do 18 e Vila Kosmos. No caso do Catiri, dois grupos se destacam: “Trabalho eleição 2024” e “Tropa dos cria Catiri cv” (sic). De acordo com o Ministério Público, esses grupos funcionavam como verdadeiros centros de comando. Neles, Doca e Gadernal teriam emitido ordens sobre comercialização de drogas, escalas de plantão, definição de pontos de venda, monitoramento territorial, pontos de contenção, além de determinações envolvendo ataques a rivais, monitoramento de viaturas policiais e controle financeiro do tráfico. Em mensagens analisadas pelos investigadores, especialmente em um chat privado atribuído a Gadernal, foram encontradas imagens de cadernos com anotações manuscritas relacionadas à contabilidade do tráfico no Catiri. Para os promotores, o material se assemelha a uma espécie de “folha de pagamento” dos integrantes do grupo. Doca é apontado como uma das principais lideranças da estrutura criminosa, sendo descrito como chefe do tráfico em diversas comunidades do Rio e responsável por ordenar e financiar confrontos armados ligados à expansão do Comando Vermelho. Em um dos grupos analisados, o “Trabalho eleição 2024”, ele teria interagido ao menos 25 vezes, emitindo ordens sobre a instalação de novas bocas de fumo e monitorando a quantidade de armamento de grosso calibre. Também seria o responsável por articular a comunicação entre diferentes núcleos do tráfico e manter interlocução com milicianos. Já em um chat privado entre Gadernal e um suspeito identificado como Chel da Congo, teriam sido tratadas a contagem, distribuição e prestação de contas de armas, munições e drogas comercializadas na comunidade. Segundo a investigação, Gadernal chegou a determinar que o uso de fuzis fosse restrito ao período noturno. Ele também teria indicado que não entraria em confronto direto com a milícia naquele momento, priorizando ações contra forças policiais. Entre outras ordens, estaria o monitoramento da comunidade com uso de drones e a retirada de câmeras de segurança. Chel da Congo aparece como peça-chave na engrenagem criminosa, atuando como gerente e coordenando as bocas de fumo em processo de instalação. O ex-miliciano RD é descrito como homem de confiança de Doca. O grupo sob sua liderança, chamado “Equipe RD”, teria como objetivo atuar em invasões a territórios dominados por milicianos na Zona Oeste, incluindo regiões como Vargem Grande, Guaratiba e Santa Cruz. Ainda segundo os autos, a equipe seria responsável por ataques armados e execuções de rivais. Outro integrante citado é o suspeito conhecido como “4 Vulgo”, “4 Letra” ou “Ratinho”, que atuaria como soldado, repassando informações sobre a presença de viaturas policiais e sobre rivais capturados ou mortos. A investigação também aponta o envolvimento de Léo Barrão, descrito como responsável por gerenciar pontos de venda de drogas em Manguinhos e Vila Kennedy. Ele teria definido escalas de atuação nas bocas de fumo do Catiri e monitorado a movimentação de milicianos. Também seria responsável pela expansão do Comando Vermelho em Teresópolis e pelo fornecimento de armas e drogas para outras comunidades. Léo Barrão foi preso em 4 de abril de 2025, durante a “Operação Contenção”. Um outro suspeito, ainda não identificado, teria atuado na divulgação de fotos, vídeos e áudios relacionados à segurança da comunidade, informando sobre a presença policial e exaltando a facção. Ele também monitoraria milicianos, identificando veículos e armamentos. Já o criminoso conhecido como Tiricinha teria sido flagrado tentando adquirir fardamentos de natureza militar e roupas semelhantes às da Polícia Civil, enviando imagens para integrantes de maior hierarquia. Outro investigado, chamado Nego Velho, teria determinado que as vendas de drogas nas bocas de fumo fossem realizadas exclusivamente em dinheiro. Lázaro aparece em conversas tratando da abertura de novos pontos de venda, indicando a comercialização direta para usuários. O suspeito conhecido como Botafogo teria orientado os comparsas a manter sigilo nas comunicações, utilizando recursos como mensagens de visualização única, além de repassar instruções sobre formas de pagamento e rotas de atuação. Entre os nomes de destaque também está Mãozinha, conhecido como Mão de Gancho ou

Tortura até a morte: Justiça decreta prisão de traficantes da ADA por assassinato de filha de major da PM. LEIA DETALHES DO CRIME

A Justiça decretou a prisão preventiva de seis traficantes ligados à facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), apontados como responsáveis por uma sessão de tortura que terminou na morte de uma jovem em Realengo, na Zona Oeste do Rio.. A vítima era filha de um major da PMERJ. De acordo com a decisão judicial, o crime teria sido motivado por um suposto desvio de dinheiro da própria quadrilha — um episódio que expõe a violência interna do tráfico. A vítima, Naysa Kayllany Costa Borges Nogueira, foi brutalmente agredida e não resistiu aos ferimentos. Apesar da gravidade do caso, os chefes da organização criminosa, conhecidos como Índio e Celsinho da Vila Vintém, não tiveram a prisão decretada neste momento. Segundo a Justiça, embora existam indícios, ainda não foram apresentados elementos suficientes que comprovem a participação direta deles nas agressões. Tortura como punição Segundo as investigações, Naysa trabalhava em um ferro-velho localizado na comunidade da Light. No dia 3 de janeiro de 2026, ela chamou uma amiga para ajudá-la no turno da noite. Ao fim do expediente, mulheres apontadas como integrantes do tráfico teriam ido até o local para recolher o dinheiro arrecadado. Ao perceberem que parte do valor estaria faltando, iniciaram uma sequência de violência. Naysa e a amiga foram levadas para a parte alta da comunidade, onde, conforme consta nos autos, passaram por momentos de terror: foram ameaçadas, intimidadas e agredidas com pedaços de madeira, fios, além de chutes, socos e joelhadas. Confissão sob violência e nova vítima Ainda segundo o processo, após ser violentamente agredida, Naysa teria admitido que parte do dinheiro estaria em sua residência. Sob pressão, ela entrou em contato com a companheira, pedindo que levasse o valor até o local. Ao chegar, a namorada também foi rendida e levada ao alto do morro, onde, de acordo com os depoimentos, igualmente sofreu tortura. Libertação e morte Após a sequência de agressões, as três vítimas foram liberadas. Naysa, no entanto, já estava em estado crítico. Ela foi levada à UPA de Magalhães Bastos, mas não resistiu. Reconhecimento e provas Dias depois, uma das sobreviventes procurou a polícia e detalhou a dinâmica do crime, reconhecendo inicialmente dois suspeitos por meio de álbum fotográfico. Com base nas informações prestadas, policiais foram até a comunidade da Light e localizaram, em um bar apontado como cenário das agressões, objetos que teriam sido usados na tortura, como pedaços de madeira e fios. Em novos depoimentos, as vítimas ampliaram o reconhecimento dos envolvidos, chegando a identificar ao menos seis suspeitos. Tentativa de álibi não convence Um dos acusados tentou apresentar imagens de câmeras de segurança para sustentar um álibi. No entanto, segundo a decisão judicial, os registros não cobrem todo o período em que o crime teria ocorrido. De acordo com a análise, há lacunas nas imagens, e o intervalo permite a possibilidade de participação do suspeito nas agressões. Por isso, a versão apresentada pela defesa não foi suficiente para afastar os indícios. Chefes fora — por enquanto Apesar de serem citados na investigação, Índio e Celsinho da Vila Vintém não foram reconhecidos pelas vítimas como participantes diretos da tortura. A Justiça entendeu que, neste momento, não há elementos concretos para justificar a prisão preventiva dos dois. Violência interna do tráfico O caso revela mais um episódio de violência extrema dentro das próprias estruturas do tráfico, onde suspeitas de desvio de dinheiro podem resultar em punições brutais. As investigações seguem em andamento.

Bomba: homem de confiança do CV e assessor de ex-deputado preso foi executado em ação atribuída à própria facção

Um assassinato com características de execução, envolvendo uma figura com trânsito direto no Comando Vermelho (CV) e ligação com a política, segue cercado de pontos pouco explorados. Trata-se da morte de Élder de Lima Landim, conhecido como “Dom”, ocorrida em 23 de maio de 2025, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. De acordo com informações constantes em registros do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a principal linha de investigação aponta que os próprios traficantes da Gardênia Azul, reduto da facção em Jacarepaguá, teriam sido os autores do crime. A motivação, até o momento, não foi oficialmente esclarecida. Dom era apontado como homem de confiança de um dos chefes do tráfico na comunidade, conhecido como “BMW”. Além disso, também exerceu função como assessor do então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o “TH Joias”, que acabou preso e posteriormente cassado sob acusações de envolvimento com o Comando Vermelho. Segundo as apurações, Dom também atuava diretamente em estruturas paralelas de poder na comunidade, incluindo a gestão de imóveis sob domínio da facção por meio da associação de moradores local — um indicativo do nível de influência que exercia dentro da organização criminosa. Dupla execução dentro de veículo No dia do crime, Dom foi morto ao lado do companheiro, Thales Fernando Richard March. Ambos estavam em um veículo Mitsubishi Pajero, de cor preta, quando foram surpreendidos. De acordo com a investigação, os atiradores estavam no interior do carro e efetuaram disparos contra as vítimas, que ocupavam os bancos dianteiros, evidenciando uma ação coordenada e direcionada. Após os assassinatos, os criminosos fugiram a pé pela Avenida das Américas. Na altura do número 16.325, ainda segundo os autos, eles teriam cometido outro crime: o roubo de uma motocicleta, mediante grave ameaça com uso de armas de fogo de uso restrito. Testemunhas relataram que os assaltantes apontaram pistolas calibre 9mm contra a vítima e outros motociclistas que estavam nas proximidades de uma unidade da rede Domino’s, antes de fugirem em direção à Gardênia Azul. Caso avança na Justiça A Justiça do Rio já decidiu que um dos acusados pelo duplo homicídio será submetido a júri popular, o que indica que há indícios considerados suficientes de autoria e materialidade. O caso, no entanto, ainda levanta questionamentos relevantes, principalmente pelo perfil da vítima: um homem com atuação direta em uma das principais facções criminosas do estado e com ligação comprovada a um agente político posteriormente afastado por suspeitas semelhantes.

PM parte para expulsão de agentes suspeitos de atuar na segurança do bicheiro Rogério Andrade

A Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu submeter ao Conselho de Disciplina — instância que pode resultar na expulsão da corporação — o subtenente inativo Machado e o sargento reformado Carneiro, apontados em investigação por suposto envolvimento com a estrutura de segurança do bicheiro Rogério Andrade. A medida ocorre no contexto de uma apuração que resultou na denúncia de diversos policiais militares da ativa, ex-policiais e outros agentes ligados ao esquema de proteção do contraventor. Segundo os elementos reunidos no inquérito, a segurança pessoal de Rogério Andrade operava com estrutura estável, organizada e hierarquizada. O grupo seria integrado por diversos agentes subordinados ao ex-subtenente Pinheiro, apontado como responsável direto pela segurança pessoal, e ao sargento reformado Araújo, indicado como chefe-geral do esquema. Durante as investigações, foi apreendida uma planilha que detalha a dimensão da estrutura: ao todo, 36 integrantes compunham o núcleo de segurança, com custo mensal estimado em R$ 207.600,00. Os vencimentos pagos aos policiais variavam entre R$ 5.600,00 e R$ 7.600,00, o que, de acordo com a apuração, evidencia a continuidade e a estabilidade da atuação do grupo armado. Outro ponto relevante destacado nos autos foi o afastamento do sigilo de dados telemáticos do aparelho celular apreendido com o ex-cabo Nelsinho. A análise revelou intensa atividade no grupo de WhatsApp denominado “Vampiros”, formado por integrantes da segurança do turno da noite. O grupo contava com 14 participantes e registrou 14.456 mensagens trocadas entre 30 de outubro de 2019 e 10 de maio de 2022. As conversas tratavam de escalas, pagamentos, orientações operacionais e informes internos relacionados à prestação de serviços ao bicheiro e a seus familiares. No caso do subtenente Machado, as investigações indicam que ele não apenas integrava o núcleo de segurança da organização criminosa, como também ocupava posição de destaque, sendo apontado como um dos líderes da equipe e integrante da cúpula do aparato de proteção. Em relação ao sargento reformado Carneiro, a denúncia aponta que ele mantinha vínculo direto com o ex-cabo Nelsinho, figurando nominalmente em listas de seguranças pessoais da organização e em diversas escalas de serviço compartilhadas no grupo “Vampiros” entre os dias 5 de fevereiro de 2020 e 5 de maio de 2022. Ainda segundo a acusação, foi imputado a Carneiro o crime de corrupção ativa, por supostamente atuar, em diversas ocasiões, em conjunto com o bicheiro na oferta e promessa de vantagens indevidas a policiais militares. O objetivo, de acordo com a denúncia, seria obter informações sigilosas, retardar ou omitir atos funcionais e favorecer os interesses da organização criminosa diante de grupos rivais. O Ministério Público ressalta que os acusados detinham elevado grau de confiança dentro da estrutura, integrando os níveis mais altos do esquema de segurança montado para assegurar o pleno funcionamento das atividades ilícitas atribuídas à quadrilha. A instauração do Conselho de Disciplina não representa, por si só, condenação, mas pode culminar na exclusão definitiva dos envolvidos dos quadros da Polícia Militar, caso as acusações sejam confirmadas ao longo do processo administrativo.

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