Apontado pela Polícia Federal como o principal elo entre o ex-deputado estadual TH Joias e lideranças do Comando Vermelho, o traficante conhecido como Índio do Lixão declarou no sistema prisional fluminense que não pertence a nenhuma facção criminosa e que, por ter um suposto perfil “neutro”, poderia conviver em qualquer unidade prisional.
A alegação contrasta com o que consta nos registros que embasaram sua classificação no sistema penitenciário. Índio é apontado como integrante de uma estrutura criminosa ligada ao tráfico e é classificado administrativamente como de alto grau de periculosidade.
O histórico também é extenso: são cinco anotações criminais pelos crimes de roubo; tráfico e associação para o tráfico de drogas; comércio ilegal de arma de fogo de uso restrito; organização criminosa; associação criminosa e porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Além disso, ele figura como autor em 16 ocorrências policiais registradas no sistema ROWEB da Polícia Civil.
A trajetória prisional de Índio também passou pelo sistema penitenciário federal. Ele chegou a ser levado para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, mas, alegando problemas de saúde, obteve autorização para retornar ao sistema prisional do Rio de Janeiro.
De volta ao estado, foi encaminhado inicialmente para Bangu 1, unidade de segurança máxima. Posteriormente, porém, acabou transferido para outro estabelecimento prisional tendo como um dos fundamentos justamente o suposto perfil de “neutralidade”.
A situação chama atenção porque a transferência ocorreu apesar dos indícios apontados pelas autoridades de que ele mantinha relações com uma facção criminosa, da classificação administrativa de alta periculosidade e da acusação de integrar associação criminosa voltada especificamente para o tráfico de drogas.
Dez “quedas” em cerca de um ano
No sistema prisional fluminense, Índio também vem relatando uma série de problemas de saúde. Segundo os registros, ele afirma ter sofrido aproximadamente dez “quedas” em um período de cerca de um ano.
Em todas as ocasiões, recebeu atendimento médico e foi medicado.
Outras queixas apresentadas pelo preso, como pressão alta, refluxo e ansiedade, também foram objeto de atendimento especializado. Há registros de acompanhamento nas áreas psicológica, psiquiátrica, ortopédica e odontológica.
Os exames laboratoriais e de imagem solicitados pelos profissionais que o acompanham vêm sendo realizados. Também houve encaminhamento para a realização de cirurgia.
Índio afirma ainda enfrentar dificuldades para executar atividades básicas do cotidiano, como comer, vestir-se e tomar banho, especialmente desde o início do encarceramento, em setembro e outubro de 2025.
O caso reúne, portanto, dois elementos que aparecem de forma recorrente nos registros prisionais: de um lado, o preso sustenta ter perfil neutro e não pertencer a nenhuma facção; de outro, documentos citam vínculos com integrantes de organização criminosa, alta periculosidade, extensa ficha criminal e 16 ocorrências policiais.
Investgigação
Índio do Lixão mediava a compras de armas com TH Joias — incluindo fuzis — e coordena o o tráfico interestadual de drogas e entorpecentes.
Relatórios da PF revelaram que o traficante contava com uma espécie de esquema de segurança particular composto por policiais militares para escoltas e apoio logístic
TH Joias tinha planos inclusive de eleger Índio vereador em Caxias.