m meio à rotina de uma cidade conhecida pela tranquilidade, o condomínio Minha Casa Minha Vida, em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, teria se transformado em um dos principais pontos de atuação do Comando Vermelho no município, segundo relatos de policiais militares registrados em uma decisão judicial.
De acordo com os agentes ouvidos em juízo, o condomínio deixou de ser apenas um conjunto habitacional e passou a funcionar como uma espécie de QG da facção criminosa, com controle territorial e até expulsão de moradores.
Os policiais afirmaram que diversos apartamentos foram invadidos e passaram a ser utilizados como depósitos de drogas. Alguns imóveis teriam recebido grades, inclusive o apartamento onde Nayan foi localizado durante uma operação policial.
Segundo um dos PMs, no condomínio não haveria possibilidade de comercialização de drogas sem ligação com o Comando Vermelho. O controle exercido pelos criminosos, ainda conforme o depoimento, chegaria ao portão de saída do conjunto habitacional.
Foi nesse cenário que os policiais realizaram uma diligência no condomínio e acabaram chegando ao apartamento onde estava um suspeito.
Homem corre para dentro do apartamento ao perceber presença policial
Durante o patrulhamento, os agentes visualizaram um homem aparecer na janela de um dos apartamentos. Ao perceber a presença da polícia, ele correu para o interior do imóvel e entrou em um dos cômodos.
Os policiais fizeram contato com uma mulher que estava no apartamento. Ela informou que o homem era Nayan e que seria seu namorado. A entrada dos agentes no imóvel foi autorizada por ela.
Nayan acabou localizado e recebeu voz de prisão.
Os policiais já tinham informações anteriores sobre ele repassadas por outras guarnições. Segundo os depoimentos, havia conhecimento de seu possível envolvimento com homicídios e tráfico de drogas, além de sua ligação com o Comando Vermelho.
Cocaína, dinheiro e rádio comunicador encontrados no imóvel
Durante a busca no apartamento, os policiais encontraram 37,15 gramas de cocaína, acondicionadas em tubos do tipo eppendorf.
Também foram apreendidos dinheiro e um rádio comunicador.
Segundo o relato prestado em juízo, diversas notas estavam espalhadas atrás de um sofá. O celular de Nayan também foi encontrado, quebrado, dentro do banheiro.
A apreensão acabou sendo utilizada pela Justiça como um dos elementos para reconhecer a finalidade de tráfico da droga.
A sentença destacou que a materialidade do crime foi comprovada pelo auto de apreensão, pelo laudo pericial do material entorpecente e pelos depoimentos dos policiais responsáveis pela ocorrência.
Acusado disse que dinheiro era para pagar advogado
Durante o processo, o suspeito negou envolvimento com o tráfico e afirmou desconhecer a existência das drogas encontradas no apartamento.
Segundo sua versão, o dinheiro apreendido havia sido separado para o pagamento de um advogado. Ele também alegou que o imóvel era emprestado e que estava no local porque não tinha para onde ir.
A namorada apresentou versão semelhante em relação ao dinheiro e também negou a existência de drogas e do rádio comunicador no apartamento.
As versões, porém, não foram acolhidas pela Justiça.
A decisão considerou relevantes não apenas a quantidade e a forma de acondicionamento da cocaína, mas também o contexto da apreensão, o rádio comunicador, o dinheiro encontrado no imóvel e os relatos dos policiais sobre a atuação do Comando Vermelho no condomínio.