Documento do Supremo Tribunal Federal (STF) revela que um operador do jogo do bicho apontado como integrante do núcleo criminoso conhecido como “A Turma” teria atuado como responsável por ameaças presenciais e intimidações contra desafetos do ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, no Estado do Rio de Janeiro.
Segundo a investigação, Manoel Mendes Rodrigues exerceria papel de liderança de um braço local da organização criminosa, formado por operadores do jogo do bicho, milicianos e policiais, usado para executar ações de pressão física, monitoramento e constrangimento direto de alvos considerados problemas para os interesses da família Vorcaro.
A Polícia Federal afirma que Manoel funcionava como elo entre o comando central da organização e a força local empregada para intimidação presencial.
O documento aponta que uma das ações mais graves atribuídas ao grupo ocorreu em Angra dos Reis, em junho de 2024.
Segundo os autos, após determinação de Daniel Vorcaro, integrantes do núcleo “A Turma” teriam se deslocado até a Marina Bracuhy para ameaçar L.F.W., então comandante de uma embarcação utilizada pelo empresário.
Na sequência, o grupo também teria ido até um hotel para intimidar L.G., ex-chefe de cozinha ligado ao círculo do empresário.
A investigação descreve uma verdadeira operação de monitoramento contra os dois alvos.
De acordo com a cronologia levantada pela Polícia Federal, Daniel Vorcaro teria encaminhado documentos pessoais de L.F.W. para Felipe Mourão, conhecido como “Sicário”, ordenando que fosse feito “levantamento de tudo” e afirmando que “teriam que ir pra cima”.
O documento afirma ainda que houve determinação para levantamento de dados pessoais e familiares não apenas de L.F.W., mas também de L.G.
Em resposta, Felipe Mourão teria encaminhado áudios informando que os levantamentos já estavam em andamento.
Em uma das conversas citadas nos autos, integrantes do grupo discutem qual seria a ordem exata: acompanhamento, monitoramento ou abordagem direta das vítimas.
Para os investigadores, os diálogos mostram que o braço carioca da organização atuava mediante ordens concretas vindas do núcleo central do esquema.
Segundo o parecer do Ministério Público Federal, as próprias vítimas relataram episódios de terror envolvendo grupos armados.
L.F.W. afirmou ter sido ameaçado de morte por cerca de sete homens e declarou que um dos integrantes se apresentou como “Manoel”, amigo de Daniel Vorcaro e ligado ao jogo do bicho.
Já L.G. descreveu abordagem semelhante, envolvendo Felipe Mourão e outro homem identificado como “Manoel” ou “Emanuel”.
Uma testemunha ligada à embarcação Solar I também relatou ter sido abordada por um grupo de seis a sete homens que procuravam por L.F.W.
Para os investigadores, os relatos colocam Manoel diretamente no centro das ações presenciais de intimidação.
A investigação afirma que sua atuação seria particularmente grave porque revelaria a existência de um braço territorializado da organização no Rio de Janeiro, com potencial uso de força privada ou paramilitar para atender interesses da família Vorcaro.
Segundo o documento, Manoel seria responsável por disponibilizar mão de obra intimidatória e presença física no estado, funcionando como instrumento de coerção da organização criminosa.
Os autos também apontam que, durante as ações em Angra dos Reis, integrantes do grupo realizaram levantamentos de dados pessoais e familiares das vítimas, monitoramentos e discussões sobre acompanhamento telefônico.
Em um dos trechos citados no documento, investigadores afirmam que os integrantes chegaram a cogitar agir “na mesma língua” dos alvos, expressão interpretada pela Polícia Federal como indicativo de possível escalada de intimidação.
Para a investigação, a presença de Manoel tinha justamente a função de conferir credibilidade às ameaças e causar medo nas vítimas.
O STF aponta que os elementos reunidos até agora indicam que Manoel Mendes Rodrigues teria atuado como executor presencial e articulador territorial do núcleo “A Turma”, liderando um braço local da organização no Rio de Janeiro e mobilizando grupos de quatro a seis pessoas para ações de ameaça e pressão física.
Segundo a investigação, ele também manteria comunicação constante com Felipe Mourão e outros integrantes do esquema, utilizando sua influência no submundo do jogo do bicho como instrumento de coerção em favor da organização investigada.
O caso segue sob investigação no Supremo Tribunal Federal.