Quase dois anos depois, a bomba estourou: a Auditoria da Justiça Militar aceitou a denúncia contra dois PMs acusados de manipular câmeras corporais em uma operação que terminou em morte, em Itaboraí. O caso ganha novos contornos com detalhes que levantam suspeitas graves sobre o que realmente aconteceu naquela ação.
Segundo os autos, os policiais teriam sabotado as próprias câmeras para impedir o registro completo da ocorrência. O episódio aconteceu em 24 de agosto de 2024, na Rua Pedro Ferreira Pinto, no bairro Esperança, durante uma operação do 35º BPM na comunidade da Reta Velha.
De acordo com a denúncia, um dos agentes simplesmente retirou a câmera do lugar e passou a apoiá-la em diferentes superfícies, além de bloquear a lente com o próprio corpo e até com a arma. O resultado: imagens comprometidas e partes cruciais da ação fora de registro.
O outro PM não ficou atrás. Ele teria movimentado a câmera de forma excessiva e irregular, retirando o equipamento várias vezes da posição correta e também obstruindo a captação com a arma — um comportamento que, na prática, inviabilizou a documentação fiel da ocorrência que terminou com morte por intervenção policial.
A suspeita é de que houve uma tentativa deliberada de esconder o que aconteceu durante a operação. Por isso, foi aberto um inquérito da Polícia Militar para apurar possível desobediência a normas internas que regulam o uso obrigatório das câmeras corporais.
A investigação se baseou justamente no que restou das imagens e em depoimentos colhidos, que apontam indícios dos crimes atribuídos aos agentes. Os relatórios revelam diálogos e trechos que reforçam a linha de apuração.
Para a Justiça Militar, há sinais claros de que os policiais agiram no exercício da função, mas violando deveres básicos do cargo, atingindo diretamente o interesse da administração pública. Os dois acusados têm a patente de 3º sargento.
Agora, o caso entra em uma nova fase — e pode revelar o que ficou sem registro durante a operação.