No Complexo da Pedreira, na Zona Norte do Rio, traficantes do TCP teriam assumido o controle direto de condomínios residenciais inteiros, impondo regras próprias, cobrando taxas obrigatórias e administrando serviços básicos como se fossem o próprio Estado.
Moradores das localidades do Bairro 13 e Quitanda relatam que a facção passou a controlar a gestão dos mais de mil apartamentos por meio de uma suposta associação de moradores, apontada como fachada para a arrecadação ilegal. A cobrança varia entre R$ 50 e R$ 250 por unidade. Quem é ligado aos criminosos não paga. Quem não é, segundo relatos, não tem escolha.
A cobrança é tratada como obrigatória. A recusa pode significar pressão, intimidação e medo. Na prática, dizem moradores, o tráfico substituiu o poder público e passou a ditar as regras dentro dos condomínios.
Mas a exploração não para na “taxa condominial”. A facção também teria transformado serviços essenciais em fonte de lucro.
O botijão de gás chega a custar R$ 140 em alguns pontos de Costa Barros — R$ 40 acima do valor praticado em outros bairros. Já o “gatonet”, serviço clandestino de TV e internet, sai por R$ 100 mensais no plano mais barato e alcançaria cerca de 70% das casas da região.
Relatos indicam ainda que a venda de produtos básicos, a imposição de monopólios e a extorsão vêm se tornando tão ou mais lucrativas que o próprio tráfico de drogas. O controle territorial agora é também econômico: quem domina a área, domina o bolso do morador.
A 39ª DP (Pavuna) investiga e monitora de forma contínua a ação de grupos criminosos na região, utilizando métodos de inteligência e estratégia para capturar todos os envolvidos. Vale ressaltar que as investigações sobre o crime citado seguem em andamento na unidade.
A instituição orienta, ainda, que todos os casos sejam registrados para que possam ser investigados de forma individual e para que os autores sejam identificados e responsabilizados criminalmente. As denúncias também podem ser feitas por meio do Disque Denúncia. O anonimato é garantido.
As informações são do jornalista Bruno Assunção