Segundo denúncia do Ministério Público Militar, o tenente-coronel Alexandre de Almeida, chefe do Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados da 1a Região Militar, bem como o tenente-coronel César Augusto Pereira de Mattos, que servia no Batalhão de Manutenção e Suprimento de Armamento, foram responsáveis pela subtração e desvio de dezenas de armas encaminhadas pelas Polícias Civil e Federal, para fins de destruição, bem como de armas entregues por ocasião do Estatuto do Desarmamento e/ou armas devolvidas para fins de retorno à cadeia de suprimento da Força Terrestre.
Na época do crime (2018), milhares de armas foram entregues ao Batalhão de Manutenção eSuprimento de Armamento, para fins de destruição, muitas delas sem especificação de origem, decorrente do Acordo de Cooperação Técnica assinado entre o Comandante do Exército e a Presidente do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça, em 21 de outubro de 2017, que permitiu a destruição de armas de fogo e munições apreendidas que estavam sob a guarda do Poder Judiciário (acauteladas em fóruns e delegacias de polícia) e que fossem consideradas desnecessárias pelos juízes para a continuidade e instrução dos processos, com fundamento na Resolução n° 134 do Conselho Nacional de Justiça.1
Assim, milhares de armas foram entregues pela Polícia Federal e pela Polícia Civil ao Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados da 1a Região Militar e encaminhadas ao Batalhão de Manutenção e Suprimento de Armamento, para fins de destruição.
A investigação demonstrou que parte das armas entregues para fins de destruição, foram desviadas no próprio ao Serviço de Fiscalização de Produtos Controlados da 1a Região Militar, pelo tenente- coronel Alexandre de Almeida, outras foram desviadas pelo Tenente-Coronel César Augusto Pereira de Mattos,quando este servia no Batalhão de Manutenção e Suprimento de Armamento.
As diligências demonstraram que muitas das armas foram desviadas após ingressarem no patrimônio sob administração militar, para fins de destruição, entre elas pistolas, revólveres, carabinas, espingardas e garruchas. .
Diversas destas armas foram trasnferidas para o nome de um colecionador, que é primo de um militar também envolvido no esquema.