Um relatório da Justiça sobre o caso do homicídio do miliciano Marquinho Catiri em novembro de 2022 que decretou a prisão temporária do contraventor Adilsinho apontado como mandante, traz um trecho de um diálogo em que um integrante da quadrilha teria dito que os mandados de prisão em face do ‘Patrão )Adilsinho)’ caíram em razão de pagamento de “milhões”, além de dizer que “até sua filha ao ver os noticiários sabe quem que foi” e que ele (o patrão) estaria com crédito para “matar mais uns 30”.
Segundo os autos, há clara demonstração que os integrantes do grupo criminoso entendem que a ausência de efetiva resposta estatal funcionaria como aval para continuidade dos homicídios.
O documento cita que no homicídio de Catiri do qual Adilsinho era apontado como mandante foram usadas as mesmas armas do atentado contra Luiz Henrique de Souza Waddington, filho de Luiz Cabral Waddington Neto, ocorrido no Centro da cidade.
O relatório informa ainda os nomes de outras supostas vítimas do bando como os desaparecimentos de Anderson Reis dos Santos e Alexandro dos Santos Marques, bem como sobre os homicídios de Fabrício Alves Martins, Fábio Alamar Leite e Bruno Kilier da Conceição Fernandes.
Há informação ainda sobre José Ricardo Gomes Simões, um dos envovlidos na morte de Catiri, em que ele possuiria magens que indicam o comércio ilícito de cigarros, uma imagem de um controle de drone, datada de 18/11/2022, a qual exibia na tela imagem aérea do local do crime, e imagem da entrada da comunidade onde ocorreram os fatos
As investigações citam outros integrantes da venda de cigarros, com diversos diálogos que indicam o que acontece quando se comercializa cigarros de fontes diferentes, com menção ao homicídio de duas pessoas e sequestro e desaparecimento de outras duas. Em uma das conversas, um investigado Daniel Maia frisa a importância de se manter firme com o comércio de apenas um provedor, bem como a tentativa de monopólio em diversas regiões.
O documento informa que Adilsinho exerce grande influência e posição de liderança em grupo criminoso responsável por diversos homicídios na comarca do Rio de Janeiro e região metropolitana, o que naturalmente dificulta a localização de testemunhas.
Há, ainda, dificuldade em arrecadar provas documentais, pois, com o desenvolvimento tecnológico, há várias plataformas que possibilitam que os comandos sejam repassados aos subordinados sem “deixar rastro”, que menciona a utilização de aplicativos de troca de mensagens criptografadas, com autodestruição programada.
Encontra delineada a relação entre os até então denunciados pela morte de Catiri, George Garcia de Souza Alcovias, José Ricardo Gomes Simões e Rafael do Nascimento Dutra, o Sem Alma, com o indiciado Adilsinho por vários documentos juntados aos autos, dos quais merecem destaque: – Registro de Sem Alma na lista de visitantes e funcionários do imóvel do investigado, cadastrado como ‘segurança’, conforme relação fornecida pelo condomínio e juntada aos autos;
FONTE: TJ-RJ