Generic selectors
Exact matches only
Search in title
Search in content
Post Type Selectors

PMERJ

Um dos homens que estava no carro em que empresário foi morto por PMs na Pavuna já tinha sido preso com radinho e revelou na ocasião que era informante do TCP

Um dos três rapazes que estavam com o empresário Daniel Patrício Souza de Oliveira no momento em que ele foi morto por PMs na Pavuna, em abril deste ano, já havia sido preso anteriormente na própria comunidade e chegou a afirmar aos policiais que atuava como informante da facção Terceiro Comando Puro (TCP). O caso aconteceu em 2022. Segundo os autos obtidos pela reportagem, policiais militares faziam patrulhamento na região quando desconfiaram do suspeito, que pilotava uma motocicleta em atitude considerada suspeita. Os agentes deram ordem de parada e realizaram uma revista pessoal. Durante a abordagem, os PMs encontraram com ele um radiotransmissor — equipamento frequentemente utilizado por criminosos para monitorar movimentações policiais — além de uma pequena quantidade de cocaína, acondicionada em uma embalagem plástica. Na ocasião, o rapaz alegou que a droga seria para consumo próprio e afirmou que estaria colaborando como informante do TCP. Ainda de acordo com os documentos da Justiça, ele acabou condenado a nove meses de prisão. A sentença destacou que o acusado já possuía outras passagens pela polícia, incluindo um processo criminal em andamento e uma condenação definitiva por roubo majorado. O nome do rapaz voltou a aparecer em outro episódio no ano passado. Ele foi encontrado ao lado de outros dois homens em uma barraca localizada em área dominada pelo TCP, onde houve apreensão de cocaína. Apesar disso, acabou absolvido no processo. A revelação ganha peso porque o homem estava no carro com Daniel Patrício no momento da ação policial que terminou com a morte do empresário e gerou enorme repercussão. O caso segue cercado de questionamentos e investigações. Até o momento, porém, não há qualquer informação oficial que relacione o histórico do ocupante do veículo ao assassinato do empresário. As circunstâncias da ação policial continuam sendo apuradas. Os PMs envolvidos no caso foram denunciados ao Tribunal do Júri por homicídio doloso.

Só depois de sete anos, MP denuncia PMs por receber propina de milicianos para liberar carro irregular na Muzema

Depois de sete anos, o Ministério Público do Rio de Janeiro decidiu denunciar três policiais militares suspeitos de receber propina de integrantes da milícia que atuava na Muzema e em Rio das Pedras para liberar um veículo com irregularidades durante uma abordagem. A denúncia foi apresentada por promotores do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP) e tem como base provas técnicas obtidas a partir de interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça no âmbito da operação “Os Intocáveis”, que investigou a atuação de organizações criminosas na Zona Oeste do Rio. De acordo com o Ministério Público, o caso aconteceu no dia 1º de fevereiro de 2019, durante uma operação de trânsito realizada por policiais militares do APTRAN do 18º BPM, em Rio das Pedras. Na ocasião, um veículo com irregularidades foi abordado pelos agentes, que chegaram a determinar sua apreensão e acionaram um reboque. No entanto, o motorista, conhecido como “Valdir do frete”, acionou integrantes ligados à milícia que dominava a região na época para evitar que o carro fosse levado. Ainda segundo a investigação, a partir desse contato, houve uma articulação entre os criminosos e os policiais militares, que resultou no pagamento de vantagem indevida para que o veículo fosse liberado. O Ministério Público aponta que os três policiais denunciados agiram em conjunto, de forma consciente, para receber a propina e deixar de cumprir o dever legal de apreender o automóvel. As provas reunidas indicam que, após negociações intermediadas por terceiros ligados ao grupo criminoso, o carro acabou sendo liberado, mesmo com as irregularidades constatadas inicialmente pelos próprios agentes. A investigação destaca ainda que o material utilizado para embasar a denúncia é majoritariamente técnico, baseado em interceptações telefônicas e cruzamento de dados, considerado mais robusto em casos envolvendo organizações criminosas, onde a prova testemunhal costuma ser limitada. Os três policiais foram denunciados pelo crime de corrupção passiva. Na denúncia, o Ministério Público também pede à Justiça a suspensão do exercício da função pública dos agentes no policiamento ostensivo, permitindo apenas atuação em funções administrativas, como forma de evitar a repetição de condutas semelhantes durante o andamento do processo. O caso remonta ao período em que a milícia ainda exercia forte controle territorial sobre a Muzema e regiões vizinhas, influenciando diretamente ações cotidianas — inclusive abordagens policiais. Agora, com a apresentação da denúncia, caberá à Justiça decidir se aceita a acusação e transforma o caso em ação penal.

VIOLÊNCIA POLICIAL NA TIJUCA: Justiça age após quase um ano: PMs têm função pública suspensa por tapa, tiro em jovem por discussão banal e mentira na delegacia para incriminar vítima

Quase um ano depois do episódio, a resposta veio — e com peso: a Auditoria da Justiça Militar decidiu suspender a função pública de dois policiais militares envolvidos em um caso de extrema violência na Tijuca, na Zona Norte do Rio. O caso envolve um jovem que estava de bicicleta, levou um tapa no rosto e acabou baleado por um dos agentes durante uma discussão. Os policiais também são acusados de mentir na delegacia, ao afirmarem que a vítima teria oferecido resistência — o que, segundo as investigações, não aconteceu. Segundo os autos, no dia 09 de junho de 2025, por volta das 08h50min, na Avenida Maracanã, um dos PMs deu um tapa no rosto de G.S.F e, em seguida, efetuou um disparo de arma de fogo que atingiu a região inguinal da vítima. Por conta disso, o rapaz ficou afastado de suas ocupações habituais por mais de 30 dias. Na ocasião, o policial militar estava em patrulhamento de rotina quando, com a motocicleta da PMERJ, acessou a calçada da via, passando ao lado da vítima, que trafegava de bicicleta no local. Diante do protesto do rapaz em razão da manobra realizada pelo militar, o PM decidiu abordá-lo. Após uma discussão, desferiu um tapa no rosto da vítima e, logo em seguida, efetuou o disparo que resultou na lesão grave. Mas o caso não parou na violência da abordagem. No mesmo dia 09 de junho de 2025, entre 17h05min e 17h09min, no interior da 19ª DP, localizada na Rua General Espírito Santo Cardoso, os dois policiais militares, com o objetivo de assegurar a impunidade do crime de lesão grave, teriam, segundo a investigação, abusado do poder ao provocar a instauração de inquérito policial contra a própria vítima. Eles imputaram a G.S.F o crime de resistência, mesmo sabendo que ele era inocente. Após acionarem o Corpo de Bombeiros, que conduziu o rapaz ao Hospital Municipal Souza Aguiar para atendimento médico, os agentes se dirigiram à delegacia, onde relataram falsamente à autoridade policial que a vítima teria resistido às ordens emanadas, dando origem ao inquérito nº 019-06115/2025. A apuração aponta que essa versão foi forjada. Com a decisão da Justiça, os PMs envolvidos estão com a função pública suspensa e, até a sentença definitiva ou eventual decisão em contrário, não podem exercer atividade policial. Um caso que começa com um tapa, evolui para um tiro e termina sob a suspeita de uma tentativa de transformar a vítima em acusada — agora com a resposta da Justiça Militar.

Denúncia aceita: PMs são acusados de “cegar” câmeras em operação com morte em Itaboraí

Quase dois anos depois, a bomba estourou: a Auditoria da Justiça Militar aceitou a denúncia contra dois PMs acusados de manipular câmeras corporais em uma operação que terminou em morte, em Itaboraí. O caso ganha novos contornos com detalhes que levantam suspeitas graves sobre o que realmente aconteceu naquela ação. Segundo os autos, os policiais teriam sabotado as próprias câmeras para impedir o registro completo da ocorrência. O episódio aconteceu em 24 de agosto de 2024, na Rua Pedro Ferreira Pinto, no bairro Esperança, durante uma operação do 35º BPM na comunidade da Reta Velha. De acordo com a denúncia, um dos agentes simplesmente retirou a câmera do lugar e passou a apoiá-la em diferentes superfícies, além de bloquear a lente com o próprio corpo e até com a arma. O resultado: imagens comprometidas e partes cruciais da ação fora de registro. O outro PM não ficou atrás. Ele teria movimentado a câmera de forma excessiva e irregular, retirando o equipamento várias vezes da posição correta e também obstruindo a captação com a arma — um comportamento que, na prática, inviabilizou a documentação fiel da ocorrência que terminou com morte por intervenção policial. A suspeita é de que houve uma tentativa deliberada de esconder o que aconteceu durante a operação. Por isso, foi aberto um inquérito da Polícia Militar para apurar possível desobediência a normas internas que regulam o uso obrigatório das câmeras corporais. A investigação se baseou justamente no que restou das imagens e em depoimentos colhidos, que apontam indícios dos crimes atribuídos aos agentes. Os relatórios revelam diálogos e trechos que reforçam a linha de apuração. Para a Justiça Militar, há sinais claros de que os policiais agiram no exercício da função, mas violando deveres básicos do cargo, atingindo diretamente o interesse da administração pública. Os dois acusados têm a patente de 3º sargento. Agora, o caso entra em uma nova fase — e pode revelar o que ficou sem registro durante a operação.

PMs São Expulsos por Ligação com Milícia Sanguinária, Venda de Armas e Sequestro na Zona Oeste do Rio

Dois policiais militares foram expulsos da corporação após serem apontados como integrantes de uma milícia violenta comandada pelo ex-PM conhecido como “Batata”, acusado de liderar uma organização criminosa envolvida em execuções, comércio ilegal de armas e domínio armado de territórios na Zona Oeste do Rio. Um dos agentes é acusado de vender armas de fogo de forma clandestina e de participar do sequestro de uma vítima identificada como A.S. Já o outro também é suspeito de atuar no esquema ilegal de armamentos. Além de “Batata”, a quadrilha contava com criminosos conhecidos como Rodriguinho, “2P” ou “Papai”, André Boto, Diony e Vitinho — todos apontados como peças-chave no funcionamento da organização. Segundo as investigações do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, o grupo atuava como uma verdadeira máquina criminosa, praticando homicídios sob encomenda, corrupção e comércio ilegal de armas de uso restrito. As apurações revelaram que os próprios PMs tinham funções definidas dentro da organização. Mensagens obtidas pelos investigadores mostram que, entre outubro e novembro de 2021, o sargento Chagas negociava armas, munições e acessórios proibidos sem qualquer autorização legal. Já o sargento Da Silva, conhecido como “Bruno Estilo”, aparece como comprador recorrente desse arsenal clandestino em diferentes datas de 2021, sempre por meio de aplicativos de mensagem. Os crimes envolvem armamento de uso restrito, incluindo munições e equipamentos proibidos, movimentados de forma ilegal dentro da própria estrutura da milícia. A violência do grupo vai além do comércio de armas. Em agosto de 2021, Da Silva é acusado de sequestrar e manter uma pessoa em cárcere privado, reforçando o padrão de atuação brutal da quadrilha. As investigações também ligam o policial a um homicídio executado com extrema violência em Realengo. De acordo com os autos, no dia 4 de outubro de 2021, ele, ao lado de comparsas, abriu fogo contra um homem conhecido como “Alemão”, utilizando fuzil 7.62 e pistola 9mm, em plena luz do dia. A execução, segundo o Ministério Público, foi encomendada e paga pelo chefe da milícia, “Batata”, como parte de uma disputa por território criminoso. O ataque ocorreu em área urbana movimentada, colocando em risco a vida de inúmeras pessoas. O GAECO deflagrou uma operação em maio de 2025 para cumprir mandados de prisão preventiva contra os envolvidos. Os dois policiais chegaram a ser presos e ficaram detidos em unidade prisional da própria PM. O sargento Da Silva nega as acusações e afirma que o caso se baseia apenas em provas digitais, que estariam sendo contestadas pela defesa. Já Chagas também nega envolvimento e diz não conhecer as pessoas que o citaram nas investigações. Apesar das negativas, o Ministério Público denunciou os dois pelos crimes.

Empresário Morto por PMs no Rio Tinha Pendências na Justiça — Mas Nada Indica Relação com a Execução

A família do empresário Daniel Patrício Santos de Oliveira, morto durante uma ação de PMs na Pavuna, na semana passada, planejava deixar o Rio de Janeiro e se mudar para Foz do Iguaçu (PR), onde ele enfrentava pendências judiciais. Daniel respondia a um processo por danos morais no Tribunal de Justiça do Paraná — cujo conteúdo não foi disponibilizado pelo órgão. Além disso, no ano passado, ele chegou a ser investigado por suspeita de descaminho, após tentar entrar no Brasil com mercadorias estrangeiras sem a devida declaração. O caso teve origem em uma representação fiscal da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, após a apreensão de produtos em Foz do Iguaçu, em 15 de abril de 2025. O valor dos tributos envolvidos — cerca de R$ 6 mil — ficou abaixo do mínimo exigido para caracterizar crime de descaminho. Por isso, a Justiça considerou a conduta de baixo potencial ofensivo e arquivou o caso. Não houve prisão em flagrante, apenas a apreensão das mercadorias. Até o momento, não há qualquer evidência de que essas pendências tenham relação com a morte do empresário. A linha de investigação, na verdade, aponta para outro ponto considerado crucial: por que Daniel estava sendo monitorado pelos policiais horas antes de ser morto. Imagens de câmeras corporais mostram os PMs em contato com um informante, que relatava em tempo real os passos do empresário naquela noite — indicando que ele era acompanhado de perto antes da abordagem. Os vídeos também não sustentam a versão apresentada pelos agentes de que Daniel teria jogado o carro contra a equipe para justificar uma reação em legítima defesa. Os policiais foram presos por homicídio doloso, e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) concentra agora as apurações justamente na real motivação do crime — especialmente no motivo pelo qual o empresário passou a ser monitorado pelos agentes antes da ação que terminou em morte. “O GAESP/MPRJ também segue acompanhando o andamento das investigações conduzidas pela Corregedoria da Polícia Militar e pela Delegacia de Homicídios da Capital para esclarecer as circunstâncias da ação policial, identificar eventuais irregularidades em relação aos protocolos operacionais e apurar a responsabilidade de todos os envolvidos, inclusive os que não estavam presentes na cena do crime”, diz a nota. A família disse que o carro do empresário foi atingido por 23 tiros. Ele morreu baleado na cabeça.

Escândalos na PM: baleados teriam sido ameaçados de ficar sem socorro para confessar crime. Em outro caso, agentes invadiram casa de morador sem consentimento e o agrediram com socos e mata leão

Uma denúncia explosiva recebida pela Auditoria da Justiça Militar expõe acusações gravíssimas contra policiais militares no Rio de Janeiro: dois PMs são suspeitos de ameaçar homens baleados, condicionando o socorro médico à confissão de crime e à entrega de uma arma que, segundo os próprios autos, pode nunca ter existido. O caso aconteceu em 13 de junho de 2023, na Rua Salgueiro, no bairro Vilar dos Teles, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. De acordo com a denúncia, equipes do Grupamento de Ações Táticas (GAT) realizavam uma operação na comunidade Vila Ruth quando houve um confronto armado. Após o tiroteio, dois homens foram encontrados caídos, feridos, em uma laje, já rendidos e sob custódia policial. Um deles apresentava um ferimento de raspão nas costas; o outro havia sido atingido na região escapular. É nesse momento que, segundo os autos, a ocorrência ganha contornos ainda mais graves. Um dos policiais teria se aproveitado da vulnerabilidade de uma das vítimas — ferida, sangrando e em estado de desespero — para fazer uma ameaça direta: sem confissão de porte ilegal de arma e sem indicação da localização do suposto armamento descartado na fuga, não haveria socorro. A denúncia aponta que o homem foi submetido a intenso sofrimento psicológico sob a pressão de morrer sem atendimento médico. Horas depois, já na 64ª Delegacia de Polícia, o mesmo policial — acompanhado de outro agente — teria reforçado a ilegalidade. Ambos são acusados de prestar depoimentos falsos, afirmando que os feridos estavam com drogas, radiotransmissor e uma pistola no momento da abordagem. A investigação, no entanto, sustenta o oposto: os homens não portavam qualquer desses materiais. Apesar da gravidade das acusações, não há até o momento qualquer punição judicial aplicada aos policiais envolvidos. Outro caso: invasão de domicílio e agressão em Petrópolis Em outro episódio que também acendeu alerta na Justiça Militar, três policiais militares foram denunciados por invadir a casa de um morador em Petrópolis, na Região Serrana, sem mandado judicial e sem consentimento. O caso ocorreu em 5 de julho de 2024, na comunidade do Neylor. Segundo os autos, os agentes entraram à força na residência de um homem identificado como T.F.F., ignorando sua negativa expressa. Dentro da casa, ele teria sido brutalmente agredido com socos no rosto e um golpe conhecido como “mata-leão”, sofrendo lesões corporais. Desta vez, há um elemento ainda mais contundente: a ação foi registrada pelas câmeras corporais dos próprios policiais, o que reforçou a aceitação da denúncia pela Justiça. Mesmo assim, até agora, também não houve qualquer punição judicial contra os envolvidos. Os dois casos, agora sob análise da Justiça Militar, escancaram denúncias de abuso de poder, violência e possível manipulação de provas por agentes do Estado — acusações que, se confirmadas, atingem diretamente a credibilidade das forças de segurança.

7 PMs suspeitos de ligação com Índio do Lixão podem ser expulsos: relatório revela o que cada um fazia para ajudar o CV

A Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu submeter ao Conselho de Disciplina — que pode levar à expulsão — sete agentes apontados em investigação da Polícia Federal como cooptados pelo Comando Vermelho. O caso tem como figura central o traficante conhecido como “Índio do Lixão”, descrito na própria decisão como peça-chave da facção e responsável pelo tráfico internacional de armas e drogas. A investigação revelou a existência de um núcleo estável e coordenado de policiais militares que atuava diretamente na segurança particular e no braço logístico da liderança criminosa, utilizando a função pública para favorecer e prestar suporte a “Índio”. A decisão esclarece que a atuação desse grupo veio à tona após a deflagração da Operação Zargun, quando surgiram novos elementos demonstrando a participação dos militares na engrenagem criminosa investigada. Segundo a Polícia Federal, o grupo funcionava como uma verdadeira rede de apoio integral à organização criminosa, desviando a função pública para assegurar proteção física a traficantes, garantir o êxito de deslocamentos, realizar transporte de valores e viabilizar operações logísticas da facção. O documento chega a registrar que os policiais atuavam como uma espécie de “empresa de terceirização de riscos” para o Comando Vermelho, não apenas monitorando acessos, mas também realizando transporte de valores e oferecendo suporte armado. Em 11 de março, a Polícia Federal cumpriu medidas cautelares deferidas pelo Supremo Tribunal Federal, executando 07 mandados de prisão preventiva e 07 mandados de busca e apreensão contra os policiais militares investigados. A decisão judicial registra diálogos encontrados no aparelho celular do cabo PM Costa. Em 6 de junho de 2024, ele informa ao PM Ormond que “Índio” desejava a formação de duas equipes de segurança, sendo uma montada por “Costa” e outra pela equipe de “Libertador”, para atuação direta em seu favor. Consta ainda que, em 11 de julho de 2024, “Costa” encaminhou a “Ormond” um áudio de um indivíduo não identificado solicitando seguranças para um influenciador, a pedido de “Índio”. A autoridade policial ressalta que a relação entre o traficante, o então deputado estadual TH Joias e o influenciador já havia sido exposta no âmbito da Operação Zargun, inclusive após terem aparecido juntos em vídeos divulgados durante o chamado “baile da escolinha”, evento promovido pelo Comando Vermelho no Complexo do Alemão. A decisão também menciona que, em 19 de agosto de 2025, antes da deflagração da operação, “Costa” enviou mensagem a “Ormond” solicitando segurança para o “amigo Índio” na Freguesia, bairro para o qual a liderança criminosa havia se mudado após deixar o Complexo do Alemão, onde viria a ser preso. O PM Ormond também é suspeito de ter negociado, em tese, a venda ilegal de uma pistola Taurus e carregadores calibre .45 para “Índio”. Nas mensagens apreendidas, há referência expressa à negociação de carregadores de pistola Taurus 845, calibre .45, que, segundo a autoridade policial, teria sido concluída com sucesso, reforçando sua atuação não apenas na segurança, mas também no fornecimento de armamento à organização criminosa. O PM Cavalcante também aparece nos diálogos, ao enviar mensagem ao colega Costa buscando notícias de “Índio”. Durante a conversa, afirmou que o traficante teria “coração bom”, mas seria muito ingênuo, acrescentando que ele sequer parecia “band” — abreviação de “bandido”. Segundo a autoridade policial, isso demonstra que o agente tinha plena ciência do envolvimento de “Índio” com atividades criminosas, inserindo-o no núcleo de policiais que, em tese, atuavam conscientemente em sua proteção. O PM Nascimento teria sido recrutado por Costa para uma missão a mando de “Índio”. No dia seguinte, afirmou em mensagem que “tinha dado bom ontem”. Em 23 de julho de 2024, Nascimento enviou a Costa um print de conversa mantida diretamente com o traficante, na qual solicitava um empréstimo de R$ 1.500, elemento interpretado pela investigação como indicativo de vínculo de confiança e promiscuidade entre agente público e liderança criminosa. Já o PM Menezes foi informado por Costa, em 27 de março de 2025, sobre um serviço de segurança às 16h, no qual ele e “Tobias” estariam escalados para atuar em favor de “Índio”. O ponto de encontro seria o chamado “posto azul”, identificado como o posto Redmil, na Estrada Adhemar Bebiano, nº 3482, Engenho da Rainha. Segundo a decisão, o local fica em uma das entradas do Complexo do Alemão e já havia sido citado em informações de Polícia Judiciária como ponto de encontro utilizado em atividades ilícitas do grupo, inclusive em deslocamentos de “Índio” para fora da comunidade. Há ainda registros de diálogos entre Costa e Menezes nos dias 13 e 15 de abril, indicando que o policial continuava atuando na segurança do traficante nessas datas. O PM Carvalho também foi flagrado em conversas com Costa, com elementos que indicam sua atuação na segurança de “Índio” em diversas ocasiões ao longo de 2024 e 2025. Consta ainda que, em 2025, quando ainda integrava a equipe responsável pela segurança do traficante, Costa informou a Carvalho que havia acertado a segurança de “Índio” para todos os dias da semana, com diálogos datados de 20 de agosto de 2025, pouco antes da operação que resultou na prisão de ambos. Por fim, a decisão aponta que “Índio” depositava confiança especial no policial Pereira. Em 16 de abril de 2024, ao recrutar agentes para uma determinada empreitada, solicitou especificamente a presença do PM, o que, em tese, evidencia o grau de confiança e proximidade entre o traficante e o agente público.

Rota suspeita: PMs passaram por 29 comércios em 3 horas sem câmera e entraram na mira de processo de expulsão

A Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu submeter ao Conselho de Disciplina — que pode culminar na expulsão — dois policiais do 15º BPM (Duque de Caxias) por uma conduta considerada altamente suspeita durante o serviço. O caso chama atenção por um dado incomum: no dia 7 de maio de 2025, a dupla passou por 29 estabelecimentos comerciais em poucas horas sem utilizar as câmeras corporais. Entre os locais visitados estão postos de gasolina, lojas de materiais de construção, empresas de produtos alimentícios, empresas de reciclagem, borracharias, depósitos de gás e até uma empresa de bombeamento de concreto. O próprio documento aponta que não ficou claro se houve extorsão. De acordo com a apuração interna, no período entre 8h e 11h, os policiais não realizaram nenhuma abordagem e tampouco efetuaram patrulhamento ostensivo preventivo, o que chamou atenção pela incompatibilidade com a atividade policial. O relatório destaca ainda a incompatibilidade da velocidade da viatura com um deslocamento típico de patrulhamento entre os diversos estabelecimentos visitados. O documento publicado no Boletim Interno da PMERJ também revela conversas consideradas suspeitas. Em uma empresa de reciclagem, um funcionário diz aos agentes: “Vou pegar o negócio de vocês”, recebendo como resposta: “Valeu, meu chefe, fica com Deus, abraço aí”. Em outra parada, também em uma empresa de reciclagem, os policiais chamam: “Ô Caio, bora Caio”. Já em uma loja de materiais de construção, foi registrada uma situação atípica: um caminhão estava parado na contramão de uma via de mão dupla e não houve qualquer advertência por parte dos PMs. Os policiais investigados alegaram que a denúncia seria fruto de um “Disque Vingança”. Segundo eles, ambos trabalham há mais de cinco anos no Setor Golf do 15º BPM e afirmam que sua atuação no patrulhamento causa “mal-estar a malfeitores e seus associados”, destacando ainda que a área de atuação inclui diversos comércios. As alegações, no entanto, não prosperaram. De acordo com o relatório, as imagens demonstram que a viatura, desde o início do serviço, foi utilizada para fins alheios à finalidade pública, contrariando as atribuições da corporação, que incluem evitar, impedir ou eliminar práticas que perturbem a ordem pública e preservar o interesse geral da segurança nas comunidades.

CÂMERA VIRADA PARA CIMA: denúncia detalha nova forma de ocultação em ação de PMs na Maré

A denúncia contra 10 policiais militares acusados de invadir 13 casas no Complexo da Maré detalha duas formas de suposta ocultação durante a operação: segundo os autos, agentes teriam direcionado câmeras corporais para cima — ou para o lado oposto da equipe — e, em outros momentos, coberto as lentes, gerando imagens de “tela preta”. O caso, antecipado pela reportagem e posteriormente repercutido por outros veículos, aponta que os policiais são acusados de abuso de poder e violação de dever funcional, além de não cumprirem a missão que lhes foi atribuída pela Apol do 22º BPM. De acordo com o processo, os agentes também teriam desobedecido ordem superior relacionada à Instrução Normativa nº 0168, que estabelece os procedimentos para uso da Câmera Operacional Portátil (COP), conforme previsto no boletim da PM nº 182, de 30 de setembro de 2022. Segundo a denúncia, durante a ocorrência, os policiais teriam obstruído indevidamente os equipamentos, comprometendo o registro das imagens. Os autos descrevem que, em ao menos um caso, um dos PMs voltou a lente da câmera para cima ou para direção oposta à guarnição, impedindo que a ação fosse devidamente registrada. Já em outras situações, policiais cobriram as lentes das COPs, fazendo com que os equipamentos registrassem apenas imagens de “tela preta”. De acordo com a acusação, as práticas teriam sido adotadas com o objetivo de impedir a captação das ações realizadas durante a operação. Para o Ministério Público, as condutas indicam tentativa de ocultação deliberada da atuação policial, em desacordo com as normas que regulamentam o uso das câmeras corporais. O processo segue em tramitação, e a reportagem não localizou a defesa dos policiais citados.

CATEGORIA:

copyright © 2025 Fatos Policiais. todos os direitos reservados

Rolar para cima