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Mulher morreu baleada em tiroteio em Quintino

Uma moradora morreu baleada durante confronto entre criminosos e PMs em Quintino. Isabel Santos de Souza foi atingida por uma bala perdida quando estava na calçada da Rua Clarimundo de Melo. Na tarde deste domingo, a vítima estava na calçada da Rua Clarimundo de Melo, esquina com a Rua João Barbalho, quando foi atingida. Isabel cheg0u a ser socorrida com vida e levada ao Hospital Salgado Filho, mas não resistiu aos feriment0s e morreu. Segundo testemunhas, ela aguardava a chegada de um carro de aplicativo quando foi alvejada.

PM foi preso acusado de executar amante da ex-mulher: veja detalhes exclusivos da investigação e dos bastidores do crime

m policial militar foi preso nesta sexta-feira acusado de executar friamente um vigilante e comerciante em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. A investigação da Delegacia de Homicídios da Capital aponta que o crime teria sido motivado por ciúmes e vingança após o agente descobrir o relacionamento da vítima com sua ex-companheira. O caso, que chocou moradores da região pela brutalidade e pela forma calculada da execução, ganhou novos contornos após a Polícia Civil reunir imagens, depoimentos, cruzamento de dados e rastreamento da motocicleta usada no assassinato. Segundo as investigações, Jonathan foi morto a tiros no dia 25 de fevereiro de 2026, por volta das 14h08, no momento em que fechava o brechó onde trabalhava, em Campo Grande. O atirador chegou sozinho em uma motocicleta branca, usando roupas escuras, capacete preto e balaclava. Sem dar qualquer chance de reação, abriu fogo contra a vítima em plena luz do dia e fugiu logo em seguida. Inicialmente, testemunhas chegaram a relatar a presença de dois criminosos na moto. Mas o avanço da investigação desmontou essa versão. Uma testemunha ocular, dono de uma oficina de motos em frente ao local do crime, afirmou ter visto claramente apenas um homem efetuando os disparos. O detalhe considerado crucial pela polícia foi a identificação da motocicleta: uma Yamaha NMAX branca. O mecânico afirmou ter certeza absoluta do modelo por trabalhar há anos no ramo de motocicletas. A partir daí, investigadores chegaram ao policial militar, que possuía exatamente uma moto com as mesmas características. TRAIÇÃO, CIÚMES E MONITORAMENTO De acordo com a investigação, Jonathan mantinha um relacionamento amoroso com A. ex-companheira do PM. O caso extraconjugal teria começado ainda quando ela era casada com o policial. Familiares da vítima contaram que Jonathan e A. viviam o relacionamento de forma discreta, mas o policial já sabia da traição há meses e não aceitava o fim da relação. A ex-mulher de Jonathan revelou em depoimento que o vigilante chegou a publicar uma foto ao lado de A. nos “status” do WhatsApp poucos dias antes do crime. Segundo ela, Jonathan jamais comentou estar sendo ameaçado, mas todos tinham receio da reação do policial por ele ser agente da ativa da PM. Já A. confirmou aos investigadores que o PM monitorava constantemente o relacionamento dela com Jonathan e chegou a obrigá-la a enviar uma mensagem simulando o fim do romance. A mulher também relatou um episódio considerado decisivo pela polícia: cerca de uma hora antes do assassinato, Jonathan avisou que o policial havia acabado de passar de moto em frente ao seu brechó. Minutos depois, ele seria morto. IMAGENS, HORÁRIOS E RASTREAMENTO DA MOTO As imagens obtidas pela Delegacia de Homicídios foram fundamentais para embasar o pedido de prisão. Câmeras do condomínio onde o PM mora registraram o momento em que ele saiu pilotando sua Yamaha NMAX branca às 13h06 — cerca de uma hora antes do homicídio. Já às 15h04, pouco menos de uma hora após o assassinato, ele retornou ao condomínio carregando um capacete idêntico ao utilizado pelo atirador. Além disso, o sistema CIVITAS, da Prefeitura do Rio, identificou a motocicleta do policial circulando a apenas 1,7 km do local do crime minutos após a execução. A polícia também afirma que as roupas usadas pelo PM em imagens anteriores coincidiam com as vestes do assassino registradas por câmeras da região. Para os investigadores, o conjunto probatório mostra uma movimentação precisa e planejada. EXECUÇÃO CALCULADA E SUSPEITA DE OCULTAÇÃO DE PROVAS Outro ponto que chamou atenção da polícia foi o comportamento da ex-companheira do PM após o crime. A mulher admitiu ter apagado mensagens trocadas tanto com Jonathan quanto com o policial. Dias depois da execução, o PM também alterou suas redes sociais, fechando o perfil e removendo referências à mulher, apesar de manter o status de “casado”. Os investigadores interpretaram as mudanças como tentativa de dificultar as apurações. A Polícia Civil ainda destacou que o militar possui treinamento tático, acesso a armamento e conhecimento operacional, fatores que aumentariam o risco para as investigações caso permanecesse solto. JUSTIÇA AUTORIZOU A PRISÃO Diante do avanço das apurações, a Delegacia de Homicídios representou pela prisão temporária do policial por homicídio qualificado. A polícia sustenta que o crime foi cometido por motivo torpe — vingança motivada por ciúmes e traição — e mediante recurso que impossibilitou qualquer defesa da vítima, surpreendida enquanto fechava o estabelecimento. Os investigadores também apontam que a prisão era necessária para evitar interferências nas diligências ainda em andamento. Com isso, a Justiça autorizou a prisão temporária do PM por 30 dias. O caso segue sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital.

Justiça afasta PMs da Patamo acusados de roubar até R$ 4 mil de bar e ameaçar vítimas para esconder imagens em Rio das Ostras

Depois de quase três anos, a Justiça Militar decidiu afastar da atividade fim, quatro PMs acusados de roubar entre R$ 2.000 e R$ 4.000 de um estabelecimento comercial em Rio das Ostras. Segundo os autos, no dia 30 de maio de 2023, por volta das 22h30min, no interior do estabelecimento comercial localizado no bairro Nova Cidade, os agentes em serviço¹, subtraíram quantia monetária não especificada, cujo montante girava em torno de R$ 2.000,00 e R$ 4.000,00 em espécie, para si, depois de haverem reduzido à impossibilidade de resistência as vítimas (duas mulheres e um homem). Dois PMs praticaram o roubo e outros dois permaneceram do lado de fora do estabelecimento fazendo a segurança do perímetro, além de terem se beneficiado do produto do crime. Na ocasião, os PMs estavam em serviço de Patamo, quando receberam ao local acima citado, onde abordaram um adolescente, que estava no interior do bar, sentado em uma mesa em frente ao balcão, contando dinheiro. Após a abordagem ao menor, um dos PMs realizou uma varredura no local, passando pela área interna central, cozinha e banheiro, quando, ao se aproximar do balcão, subtraiu a quantia monetária não especificada do caixa do estabelecimento, que girava em torno de R$ 2.000,00 e R$ 4.000,00. Logo após a subtração da quantia acima mencionada, ao observar a presença de câmeras de segurança no local, inclusive voltadas ao balcão, o PM avisou, em tom ameaçador às vítimas que não vazassem as imagens do bar. Durante a revista ao local e subtração do dinheiro, um segundo PM estava na área interna central do bar, portando ostensivamente sua arma de fogo, ao passo que os outros dois estavam na área externa, fazendo a segurança do perímetro. Em seguida, os PMs procederam à 128ª DP, conduziram o menor perante a autoridade policial e apresentaram a quantia de R$ 22,00 e, no dia seguinte, complementaram com o valor de R$ 839,00², sendo a totalidade do dinheiro atribuída ao adolescente. A Justiça Militar determinou medidas cautelares contra os policiaisProibição de manter contato, por qualquer meio, com a vítima e com quaisquer testemunhas arroladas nos autos, mantendo distância mínima de 500 metros da vítima e das testemunhas. Afastamento da atividade-fim de policiamento ostensivo, devendo ser removido para atividade administrativa.

TORTURA POLICIAL: Depois de mais de três anos, Justiça afasta PMs acusados de torturar homem com pauladas para descobrir esconderijo de drogas em Jacarepaguá

Depois de mais de três anos, a Justiça Militar decidiu suspender a função pública de três PMs suspeitos de cometer atos de tortura para obter informação sobre localização de drogas. Segundo os autos, no dia 27 de dezembro de 2022, por volta das 17h30min, na rua XIV de dezembro, no interior da comunidade Asa Branca, no bairro de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, os agentes deram pauladas nas pernas e nos braços em M.J.V. G, causando-lhe sofrimento físico, com o intuito de obter informação sobre a localização de drogas. Na ocasião, os PMs estavam escalados no serviço de Patamo, quando, ao realizarem campana policial, por volta das 17h30min, visualizaram a vítima e procederam a sua abordagem. Com a aproximação dos militares, o alvo fugiu tendo sido capturado. Com isso, um dos PMs, Pimentel desferiu pauladas nos braços e pernas de M enquanto que os outros agentes permaneceram ao seu lado de modo encorajador, fazendo a varredura do local em busca de drogas. A apuração preliminar se deu por por meio de depoimento da vítima, os quais geraram os relatórios acostados ao inquérito que apontam imagens e diálogos que trazem indícios mínimos dos delitos imputados na denúncia. Com a decisão da Justiça, os PMs, até a sentença definitiva ou ordem de contracautela, não podem escalados na atividade policial (atividade-fim), devendo permanecer na atividade administrativa

Braço-Direito de Fernandinho Beira-Mar tem prisão decretada acusado de mandar espancar e matar PM que entrou por engano em comunidade da zona norte do Rio

A Justiça decretou recentemente a prisão preventiva do traficante Anderson Sant´Anna da Silva, o Gão, apontado como braço-direito de Fernndinho Beira-Mar, por um homicídio cometido na comunidade do Faz Quem Quer, em Rocha Miranda, no ano passado. O crime ocorreu em 22 de março de 2025. A vítima, o PM Everton Pitombeira, teria sido alvejada e espancada por integrantes do tráfico local ao adentrar a comunidade e se deparar com as barricadas de contenção do ponto de venda de drogas conhecido como “Ponto da pV”, localizado na Rua Paulo Viana. O PM entrou por engano no local após seguir orientação do GPS. Um traficante foi ouvido e detalhou”não só a pirâmide de hierarquia e domínio estabelecida entre os integrantes do tráfico local, no qual também atuava, mas também a autoria e a dinâmica do Em seu depoimento, o suspeito reconheceu o traficante Fininho, como sendo aquele que executou a vítima, por meio de diversos disparos de arma de fogo, tendo, ainda, desferido chutes em sua cabeça mesmo após executada, Disse que um traficante conhecido como Wndell como sendo o segurança da boca de fumo da “PV”, sendo o responsável por efetuar diversos disparos de arma de fogo em direção ao carro da vítima. Além de “Finnho, o suspeito ” apontou, também, Gão omo sendo o “dono da comunidade “, a quem competiria a autorização de todas as decisões da localidade,. Gão responde a outros processos judiciais por tráfico de drogas, associação ao tráfico e homicídio, sendo apontado como braço direito de Fernandinho Beira Mar em várias comunidades sob o domínio do Comando Vermelho Segundo os autos, ele teria sido o responsável pelas ordens para colocação das barricadas o mais próximo possível das ruas principais, com o objetivo de promover o avanço de seus “domínios”, dinâmica essa que teria resultado no óbito da vítima. O depoente afirmou ainda que o bandido vulgo MD como sendo o “vapor” da localidade conhecida por “PV”, onde ocorreu o crime, sendo aquele que corre sem camisa, portando uma pistola, logo após o policial militar ser executado, Ele prestaria subordinação ao falecido Luiz Victor Costa Silva de Souza, o VT, e servindo ao Gão tido como patrão da comunidade. Aliado a isso, as investigações indicam que ele seria o indivíduo que, nos registros estaria correndo para o interior da comunidade em fuga do local do fato, portando uma arma de fogo (pistola), trajando bermuda e sem camisa. Além de Gão, Wendell e MD tambem tiveram as prisões preventivas decretadas. Foi determinada a expedição dos mandados de prisão que têm o prazo de 20 (vinte) anos para serem cumpridos.

Três anos depois, Justiça manda prender acusados de executar PM na Avenida Brasil, mas deixa supostos mandantes de fora do processo

Depois de mais de três anos de um dos ataques mais violentos registrados na Avenida Brasil, na altura da Penha, a Justiça finalmente decidiu agir contra parte dos envolvidos na ação criminosa que terminou com a morte do policial militar Victor Hugo Lustoza Barros e deixou outro agente sob ataque de tiros de fuzil. Apesar do avanço no caso, a decisão judicial acabou deixando de fora justamente os apontados chefões do tráfico da Nova Holanda, citados pelo Ministério Público como líderes da organização criminosa. A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio descreve uma madrugada de terror ocorrida em 16 de abril de 2023, quando criminosos envolvidos numa tentativa de roubo à empresa JADLOG abriram fogo contra policiais militares na Avenida Brasil. Segundo as investigações, os criminosos estavam fortemente armados e utilizaram até fuzis calibre 5,56 durante o confronto. Victor Hugo acabou atingido pelos disparos e morreu no local. O policial Marcelo Juvenal Araújo, que estava junto da vítima fatal, também teria sido alvo dos tiros, mas sobreviveu. De acordo com a denúncia, os criminosos fugiam após a tentativa de assalto quando encontraram uma viatura da PM estacionada. Foi nesse momento que os ataques começaram. O laudo pericial apontou marcas de tiros na viatura policial, reforçando a violência da emboscada. A investigação identificou o veículo utilizado pelos criminosos, um Honda WR-V prata, além de reunir depoimentos e laudos que apontaram a participação de integrantes ligados ao tráfico da Nova Holanda, no Complexo da Maré. Entre os denunciados estavam Luiz Carlos Gonçalves, conhecido como “LC”, e Rodrigo da Silva Caetano, o “Motoboy”, apontados como líderes do tráfico de drogas na comunidade e acusados pelo Ministério Público de autorizar ações criminosas da quadrilha. Segundo a denúncia, ambos exerciam papel de comando dentro da organização criminosa e teriam ligação direta com a estrutura usada nos roubos e ataques armados. No entanto, apesar das acusações, a Justiça rejeitou a denúncia contra os dois traficantes. Na decisão, o magistrado afirmou que o Ministério Público não conseguiu apresentar elementos suficientes que demonstrassem, de forma concreta, que os dois chefões determinaram especificamente o ataque que terminou na morte do policial militar. O juiz destacou que ocupar posição de liderança no tráfico não seria suficiente, por si só, para responsabilizá-los diretamente pelo crime. Com isso, LC e Motoboy ficaram fora da ação penal neste momento e também escaparam dos pedidos de prisão preventiva. Por outro lado, a Justiça aceitou a denúncia contra Lucas Wandel Meireles do Nascimento, Alexandre Araujo da Costa e João Pereira de Araújo Júnior, o “Russo”. Segundo as investigações, Lucas estaria dentro do carro usado pelos criminosos e teria efetuado disparos de fuzil contra os policiais. Alexandre foi apontado como integrante da quadrilha responsável pela tentativa de assalto à transportadora. Já Russo teria papel estratégico dentro da organização criminosa, sendo responsável pelo fornecimento de armas, logística e escolha dos alvos das ações criminosas. A decisão judicial também decretou a prisão preventiva dos três acusados, citando a gravidade extrema do caso, o uso de armamento de guerra, o risco de fuga e a atuação da organização criminosa na comunidade da Nova Holanda. O magistrado ressaltou ainda que o ataque contra policiais fardados em serviço representou um grave abalo à segurança pública. Enquanto isso, outros nomes citados no procedimento tiveram o caso arquivado devido às mortes dos investigados. Mesmo após anos de investigação, o caso segue cercado de questionamentos, principalmente pelo fato de os apontados líderes da facção terem ficado de fora da denúncia aceita pela Justiça, apesar de serem citados pelo próprio Ministério Público como responsáveis pela estrutura criminosa que comandava os ataques armados e roubos na região. Vitor stava na corporação desde 2011 e deixou uma filha.

Denúncia Aponta 79 Casos de Corrupção e Série de Transações Bancárias Entre PMs em Belford Roxo

A investigação sobre PMs suspeitos de cobrar propina para oferecer segurança privada a comerciantes de Belford Roxo identificou ao menos 79 condutas de corrupção passiva atribuídas aos envolvidos no esquema criminoso. Segundo a denúncia, os policiais militares desviavam deliberadamente o exercício regular da função pública para atender interesses privados, oferecendo uma espécie de policiamento direcionado a comerciantes que realizavam pagamentos semanais de propina. As investigações apontam que, entre 10 de outubro de 2021 e 26 de abril de 2024, foram realizadas 45 transferências bancárias via PIX feitas pelo PM Michel Maia Rodrigues em favor de outros policiais envolvidos no esquema. Ainda conforme os autos, 72 operações correspondiam a repasses previamente ajustados no valor de R$ 100, totalizando R$ 7.200,11 movimentados no esquema investigado. De acordo com a denúncia, um dos acordos firmados com um posto de combustíveis previa o pagamento semanal de R$ 100 destinados à viatura e outros R$ 100 diretamente ao PM Michel Maia Rodrigues, apontado como articulador do esquema. Além das movimentações entre os próprios policiais, a apuração identificou transferências para contas de terceiros apontados como “laranjas”, em benefício de três pessoas, além de pagamentos em espécie efetuados para integrantes do grupo. Ainda segundo a investigação, os PMs direcionavam o patrulhamento ostensivo para os estabelecimentos ligados aos chamados “padrinhos” do esquema. Os policiais deveriam comparecer rapidamente sempre que acionados e priorizar os pontos vinculados aos comerciantes que efetuavam os pagamentos ilícitos. A denúncia descreve que Michel Maia orientava colegas de farda sobre a forma de atuação necessária para manter a aparência de patrulhamento regular na região e evitar suspeitas sobre o esquema criminoso. Segundo os autos, o policial reforçava constantemente a necessidade de permanência ostensiva das viaturas nos estabelecimentos para evitar o rompimento do acordo ilegal firmado com os comerciantes. Em uma das situações descritas na denúncia, um policial chegou a enviar uma fotografia para comprovar presença em um posto de combustíveis ligado ao esquema. Em outra ocasião, Michel Maia teria pressionado colegas para que fossem vistos no local, demonstrando preocupação com a manutenção do acerto criminoso. A investigação aponta ainda que Michel chegou a designar o policial Marcelo para atender uma ocorrência de estelionato registrada justamente em um dos estabelecimentos vinculados ao esquema investigado. Outro PM investigado prestava contas diretamente a Michel Maia por meio do envio de fotografias da fachada do posto de combustíveis, comprovando as ocasiões em que efetivamente comparecia ao local. O caso é mais um desdobramento da Operação Patrinus que, em agosto de 2025, resultou na prisão de 10 policiais militares acusados de extorquir comerciantes em Belford Roxo. Na ocasião, o GAESP/MPRJ destacou que o esquema representava uma “subversão da lógica da segurança pública”, uma vez que policiais militares utilizavam viaturas, armas e a estrutura do Estado para cobrar valores de comerciantes em troca do serviço que deveriam prestar gratuitamente à população. As investigações identificaram ainda que Michel Maia atuava como articulador e intermediário do esquema, além de manter ligação com uma milícia que atua na região. Segundo a denúncia, os pagamentos das propinas eram realizados todas as sextas-feiras diretamente a Michel Maia, responsável por redistribuir os valores ao policial escalado para atuar no esquema naquela semana.

Investigação revela que PMs do 39º BPM recebiam R$ 100 semanais via PIX em esquema de propina em Belford Roxo. CONFIRA DIÁLOGOS

A investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro revelou que o esquema de corrupção instalado no 39º BPM (Belford Roxo) possuía uma dinâmica fixa e organizada para distribuição da propina entre policiais militares do Setor Alfa. O Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAESP/MPRJ) denunciou à Justiça 11 policiais militares pela prática reiterada do crime de corrupção em Belford Roxo. Um mandado de prisão foi cumprido nesta terça-feira (12/05), com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Corregedoria da Polícia Militar, contra o cabo Michel Maia Rodrigues. O Juízo da Auditoria da Justiça Militar também determinou o afastamento das atividades e a suspensão do porte de arma de todos os denunciados. Segundo a denúncia, Michel Maia Rodrigues atuava como intermediário entre comerciantes e os PMs envolvidos no esquema, sendo responsável por recolher e redistribuir os valores pagos por empresários em troca de proteção e policiamento privilegiado. De acordo com o MPRJ, a investigação revelou que os PMs recebiam de Michel a quantia exata de R$ 100,00 (cem reais), por meio de transferências via PIX, em sextas-feiras previamente determinadas. Identificou-se, assim, um padrão de funcionamento do grupo, uma vez que todos os pagamentos eram realizados às sextas-feiras e cada policial possuía uma semana específica para receber as transferências, havendo um sistema interno de revezamento para a realização desses repasses. Em outras palavras, segundo a investigação, em troca da segurança privada proporcionada pela milícia local em favor do estabelecimento comercial, Simone, ou pessoas por ela designadas, com a anuência de seus superiores, repassava semanalmente valores a título de propina, geralmente em espécie, a Michel. Este, por sua vez, encaminhava os pagamentos aos demais policiais militares, em regra por meio de transferências via PIX, sempre às sextas-feiras, ao policial militar escalado para o serviço naquela semana. A própria divisão dos valores foi mencionada em conversas interceptadas pelos investigadores. Em diálogo com o miliciano conhecido como “Dudu”, Michel afirma que o proprietário do posto desejava que ele continuasse administrando os pagamentos: “O proprietário do estabelecimento desejaria que eu permanecesse ‘administrando’ os valores pagos a título de propina entre o posto de combustíveis e os policiais militares corruptos, mencionando, inclusive, a divisão dos valores na forma de ‘100 para vtr e 100 para mim’.” As investigações também revelaram uma relação estreita entre Michel e o gestor do posto de gasolina, identificado pelo apelido de “André Boquinha”. Segundo o MPRJ, os diálogos entre ambos começaram no dia 25 de setembro de 2021, quando Michel se identifica para Boquinha chamando-o de “Chefe”. Logo em seguida, no mesmo dia, André realiza duas ligações de áudio via WhatsApp para o policial militar. Já em 27 de setembro de 2021, após uma ligação não atendida de Boquinha, Michel encaminhou nova mensagem contendo uma imagem da fachada do posto de combustíveis. Na sequência, ocorreram duas ligações telefônicas entre os interlocutores. Pouco tempo depois, Michel enviou novas mensagens afirmando que seu interlocutor iria falar “com quem de direito” e, em seguida, comunicou: “Já tá resolvido”“Ninguém vai mais lá não” Na mesma troca de mensagens, Michel esclareceu tratar-se da “resposta da milícia”. Segundo o Ministério Público, as comunicações demonstram que Michel atuou como interlocutor junto a integrantes da milícia para interceder em favor do posto de combustíveis, reforçando sua posição de articulador da rede de proteção ilícita conferida ao estabelecimento. As mensagens também revelam que Michel prestava satisfações a Boquinha, evidenciando sua atuação como aliado da milícia local. Esse vínculo entre Michel e integrantes da milícia também foi identificado em conversas mantidas entre o policial e o indivíduo conhecido como “Dudu”, apontado como miliciano atuante na Comunidade da Igrejinha, em Belford Roxo. Nos diálogos analisados, verifica-se que “Dudu”, juntamente com outros milicianos da localidade, estaria comparecendo ao posto de combustíveis para realizar cobranças relacionadas à denominada “taxa de segurança”, situação que teria gerado reclamações por parte de Boquinha e de um homem identificado como “Samuquinha”. Em conversa travada no dia 30 de setembro de 2021, Michel relatou que entrou em contato com Dudu para orientá-lo a não comparecer mais ao posto, já que Samuquinha estaria insatisfeito com as visitas. Em mensagens de áudio trocadas entre Michel e Dudu, o PM afirma: “Fala aí, Dudu, tranquilo, mano? Boa tarde. Dudu, vou te fazer um pedido aí, pra ver se você pode me ajudar. Os amigos aí, daí de cima, da Igrejinha, tá indo lá no posto do Samuqinha, né. Pô, aquele posto lá a sociedade do Samuqinha e do Boquinha. Aí pediu né pra viatura que tá de frente do setor falar com os caras aí, entendeu, porque lá a briga é pra cima. Eles não querem nada, envolvimento com o pessoal daí de cima. Eu falei que conheço a rapaziada e ia dar um alô pra evitar qualquer problema com eles lá. Irmão, tem deputado envolvido, aí os caras têm um ego maior, entendeu? Eles não querem, melhor deixar pra lá, beleza? (…) Se tu puder fazer esse favor ai pra gente aí cara, te agradeço. (…) Esquecer aquele posto lá. (…) Ajuda a gente nessa aí. O que precisar da gente aqui estamos à disposição também.” Em outro áudio, Michel detalha a localização do estabelecimento: “Esse posto, ele é em frente ao Shopping, né, ali em frente à antiga MAP, ali próximo ali à Loja Americana.” Após receber retorno positivo do miliciano, Michel agradece: “Valeu, meu camarada. Brigado aí, Dudu. Se precisar da gente aí é só chamar, beleza, irmão? Estamos juntos aí.” Segundo a investigação, após essas mensagens, Michel repassou a Boquinha a resposta obtida junto aos milicianos: “Já tá resolvido”“Ninguém vai mais lá não” Outro elemento apontado pelo MPRJ como indicativo da confiança entre Boquinha e Michel ocorreu em 7 de junho de 2022. Na ocasião, Boquinha entrou em contato com Michel para pedir um favor inicialmente tratado por ligação via WhatsApp. Após a chamada, encaminhou ao policial uma anotação contendo dados bancários e o CPF de um homem identificado como “Arley”.

Bomba na Justiça Militar: PMs viram réus por suposto desvio de armas de operação enquanto câmeras corporais ficaram “apagadas”

Uma denúncia explosiva recebida pela Justiça Militar do Rio revelou acusações gravíssimas contra cinco policiais militares do 15º BPM (Duque de Caxias), suspeitos de desviar armas apreendidas durante uma operação na comunidade da Fumacinha, na Baixada Fluminense. O caso chama atenção não apenas pela acusação de peculato envolvendo armamento recolhido em serviço, mas também pela demora para que a ação penal fosse efetivamente aberta: os fatos ocorreram em dezembro de 2023 e somente agora, em 2026, a denúncia foi recebida oficialmente. Segundo o Ministério Público, os PMs teriam se apropriado de duas armas de fogo que haviam sido apreendidas após uma troca de tiros com criminosos. A investigação aponta ainda possíveis tentativas de dificultar a apuração por meio do uso irregular das câmeras corporais da corporação. acusação envolve sumiço de armas após confronto De acordo com a denúncia, os policiais estavam em serviço pelo GAT I quando participaram de uma ação na Estrada Velha do Pilar, na comunidade da Fumacinha, em Duque de Caxias, no dia 6 de dezembro de 2023. Após uma troca de tiros, quatro suspeitos foram presos e, segundo o próprio registro da ocorrência, três armas teriam sido arrecadadas pelos PMs. No entanto, apenas uma delas acabou sendo oficialmente apresentada na 60ª DP. A arma apresentada foi uma pistola HS-9 calibre 9 mm. Já as outras duas desapareceram. As investigações do IPM apontam que imagens das câmeras corporais flagraram momentos em que os armamentos aparecem nas mãos dos policiais. Um laudo pericial confirmou que uma das armas ocultadas seria compatível com pistolas dos modelos 92, 99, 100 ou 11, calibres 9 mm ou .40. Em um trecho destacado pela investigação, um dos PMs afirma de maneira “peremptória” que a equipe havia recolhido três armas na ocorrência — informação que confronta diretamente o material oficialmente entregue na delegacia. câmeras corporais viraram peça-chave no caso Outro ponto considerado extremamente grave pela investigação foi a suposta manipulação das câmeras corporais utilizadas pelos policiais. Segundo o Ministério Público, quatro dos cinco acusados desligaram, retiraram ou deixaram as COPs em locais inadequados durante a operação e também já na delegacia. Em alguns momentos, os equipamentos gravaram apenas “tela preta” ou imagens estáticas. A denúncia descreve situações em que câmeras teriam sido deixadas dentro da viatura, em coletes largados na delegacia ou até em local não identificado. Os promotores sustentam que os policiais descumpriram normas internas da PM sobre o uso obrigatório e contínuo das câmeras operacionais portáteis durante ações policiais. As imagens das COPs, inclusive, foram fundamentais para que a própria investigação identificasse indícios do suposto desvio das armas. crime pode levar a até 15 anos de prisão Os PMs respondem por peculato militar, crime previsto no artigo 303 do Código Penal Militar, cuja pena pode chegar a 15 anos de prisão. Parte dos acusados também vai responder por recusa de obediência, devido às irregularidades apontadas no uso das câmeras corporais. Na decisão, a Justiça Militar entendeu que existem indícios suficientes de autoria e materialidade para abertura da ação penal. O magistrado destacou que os relatórios produzidos a partir das gravações das câmeras corporais fornecem lastro mínimo para prosseguimento do processo. demora para abertura da ação chama atenção Um dos aspectos que mais chama atenção no caso é o intervalo entre os fatos investigados e o recebimento formal da denúncia. A operação ocorreu em dezembro de 2023, o Inquérito Policial Militar foi instaurado em 2024 e apenas em 2026 a Justiça Militar decidiu abrir oficialmente a ação penal contra os agentes. O caso agora será analisado pelo Conselho Permanente de Justiça da PMERJ, órgão responsável por julgar crimes militares envolvendo policiais da corporação. Os acusados serão citados para apresentar defesa por escrito antes do avanço da instrução criminal.

PM teve a prisão decretada acusado de ameaçar matar funcionário de bar em Niterói que se recusou a lhe dar comida de graça. Detalhe: policial estava fardado na hora

Um policial militar está com a prisão preventiva decretada suspeito de ameaçar matar o funcionário de um bar porque ele se recusou a dar a ele de graça um caldo de mocotó. Detalhe: ele estava de serviço na hora do fato. O caso ocorreu no último dia 20 de abril em um estabelecimento no bairro de Santa Rosa, em Niterói. Segundo os autos, na ocasião, o PM estava de serviço quando em companhia de um colega de farda foi até o boteco No interior do bar, o policial exigiu que o atendente lhe fornecesse um caldo de mocotó sem que fosse cobrado o valor da refeição, sendo o pedido negado pela vítima. Diante da negativa, o agente se exaltou, dizendo que queria o caldo de mocotó de graça, momento em que deu um tapa na mão da vítima e disse: “eu sou policial! Quer que eu te prenda agora?”, e, posteriormente, afirmou que iria recolher as mesas do bar e que mataria a vítima. Ao observar os fatos, o responsável pelo estabelecimento, realizou a entrega do caldo de mocotó ao PM. Segundo o juízo da Auditoria Militar, a conduta investigada – extorsão de civis, revela, em tese, gravíssima violação aos deveres funcionais militares e potencial afronta aos princípios da legalidade e da moralidade, o que configura risco concreto à ordem pública militar. Com efeito, a manutenção do investigado em liberdade representa risco concreto à instrução criminal, uma vez que poderá interferir com provas testemunhais essenciais à elucidação dos fatos,

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