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Veja qual foi os motivos que levaram os investigadores a levantarem hipótese de tiro que matou empresário não tenha partido de PMs e sim de traficantes

Um documento da Justiça disponível no site do TJ-RJ revela que a investigação sobre a morte do empresário Daniel Patrício em abril na Pavuna passou a ser marcada por uma forte controvérsia sobre a dinâmica do disparo que resultou na morte da vítima, com a abertura de uma linha investigativa alternativa indicando a possibilidade de que o tiro fatal tenha sido efetuado por suspeitos ligados ao tráfico de drogas, e não pelos policiais militares envolvidos na ocorrência. A discussão surgiu a partir de elementos técnicos apresentados no curso do inquérito policial, especialmente após manifestação do perito criminal identificado como “Abrantes”, que apontou a necessidade de uma reavaliação da dinâmica do local do crime. Segundo a interpretação técnica mencionada nos autos, haveria inconsistências na trajetória do projétil e na posição dos envolvidos, o que justificaria a realização de diligências complementares. Entre os pontos analisados está a condição do projétil recolhido, com referência a sinais de oxidação e características de degradação, elementos utilizados como indicativos de que seria necessária uma perícia complementar mais aprofundada para reconstrução da cena. A partir dessa análise, surgiu a hipótese de que o disparo que atingiu a vítima poderia não ter partido da guarnição policial, mas sim de indivíduos posicionados no final da via, supostamente ligados ao tráfico de drogas que atuava na região. Com base nessa linha interpretativa, a autoridade policial responsável pela investigação determinou a realização de novas diligências e chegou a programar uma reprodução simulada dos fatos (RSF), com o objetivo de testar a hipótese alternativa de dinâmica do crime e esclarecer a trajetória do disparo. A iniciativa, no entanto, gerou forte divergência institucional. O Ministério Público se manifestou contrariamente à condução da reprodução simulada naquele momento, afirmando que não havia necessidade da diligência diante da existência de provas audiovisuais, incluindo imagens de câmeras corporais dos policiais envolvidos. O órgão também destacou que a ação penal já estava judicializada, o que exigiria que qualquer nova prova fosse previamente submetida ao Juízo. Além disso, o MP contestou a própria base da nova linha investigativa, afirmando que a hipótese de disparo por terceiros não estaria sustentada por elementos objetivos suficientes nos autos, e que as conclusões preliminares da investigação contrariavam o conjunto probatório já produzido, incluindo declarações dos próprios réus e registros audiovisuais. A Assistência de Acusação também aderiu às críticas, apontando que a autoridade policial estaria conduzindo diligências de forma autônoma mesmo após determinação judicial de remessa do inquérito, além de sustentar que haveria descumprimento de ordens do Juízo e tentativa de manutenção de investigação paralela após a judicialização do caso. Diante do conflito entre as versões e da condução das diligências sem autorização judicial, o Juízo de primeira instância determinou o cancelamento da reprodução simulada dos fatos, além de adotar medidas cautelares mais severas. Entre essas medidas, foi determinado o afastamento cautelar do delegado responsável pela investigação, Robinson Gomes Pereira, bem como do perito mencionado no caso, sob o fundamento de que a condução de diligências paralelas e a adoção de nova linha investigativa sem controle judicial comprometeriam a regularidade do processo e a imparcialidade da instrução probatória. A decisão também determinou comunicação à Corregedoria da Polícia Civil para apuração de eventual descumprimento de decisões judiciais e ordenou a restrição das diligências no inquérito, limitando a atuação policial ao que havia sido produzido até a judicialização da ação penal. O Juízo ressaltou ainda que a reprodução simulada dos fatos não está definitivamente afastada, podendo ser requerida novamente pelas partes em momento processual adequado, desde que de forma formal e sob supervisão judicial. O caso segue em tramitação, com forte divergência entre Ministério Público, defesa e autoridade policial, especialmente quanto à origem do disparo fatal — se decorrente da ação da guarnição policial ou de terceiros armados supostamente ligados ao tráfico de drogas que atuavam na região.

Granada, sangue e um vulto armado: policiais da Core revelam bastidores da operação do Jacarezinho (CV). Confronto terminou com 28 mortos

Antes mesmo do sol nascer completamente sobre o Jacarezinho, o som dos helicópteros já cobria a comunidade. Eram pouco mais de cinco horas da manhã quando o barulho das aeronaves se misturou ao estampido dos tiros. O que viria nas horas seguintes entraria para a história como uma das operações mais letais já realizadas pela polícia no Rio de Janeiro que terminou com 28 mortos. Cinco anos depois, os bastidores daquela manhã de 6 de maio de 2021 voltaram a ser reconstruídos em detalhes na Justiça. Os policiais civis Douglas Siqueira e Anderson Silveira Pereira, ambos da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), prestaram depoimentos minuciosos sobre a sequência de acontecimentos que terminou na morte de Omar dentro de uma residência da comunidade. Os dois irão a júri popular pela morte de um suspeito. As declarações descrevem uma operação em clima de guerra, com tiroteios ininterruptos, policiais feridos, um agente morto, disparos partindo de diferentes direções e a tensão permanente de entrar em vielas estreitas sem saber de onde viria o próximo ataque. “Tinha tiro por toda a favela” Comissário da Polícia Civil e integrante da Core há 13 anos, Anderson Silveira Pereira contou que participou de mais de mil operações semelhantes, mas classificou o Jacarezinho como um dos ambientes mais hostis que já enfrentou. Segundo ele, os confrontos aconteciam praticamente em todos os setores da comunidade. — Estava tendo tiroteio a todo momento por toda a favela. Parava um pouco e começava de novo. Era intenso — relatou. Em determinado momento, as equipes receberam a notícia de que um policial havia sido baleado. Somente depois souberam que o colega havia morrido. Mesmo assim, segundo Anderson, não houve qualquer movimento de vingança. — Não surgiu nos grupos nenhuma conversa de retaliação. Ficamos sabendo da morte dele quando já estávamos socorrendo outro ferido. Os policiais avançavam em progressão tática, cobrindo uns aos outros. O cenário era considerado extremamente perigoso. O terreno acidentado, os becos estreitos e a possibilidade de disparos vindos de lajes faziam com que cada deslocamento fosse feito lentamente. O rastro de sangue Em determinado momento da operação, Anderson encontrou a equipe comandada por Douglas Siqueira. Os dois seguiam por um dos becos quando perceberam marcas de sangue espalhadas pelo chão. As gotas se estendiam pela viela e continuavam escada acima. — Pensamos: “Tem algum baleado que entrou aqui” — relatou Anderson. Ao chegarem diante de uma porta preta, Douglas entrou primeiro. Uma mulher apareceu. Segundo os policiais, ela confirmou que havia uma pessoa baleada dentro do imóvel. Os agentes retiraram os moradores e iniciaram uma entrada tática. Douglas seguia à frente. Anderson vinha logo atrás, praticamente ombro a ombro, mas ligeiramente recuado, a uma distância de cerca de um braço. O espaço era apertado. — Era tudo muito pequeno. Um barraco. A cozinha já ficava colada no quarto — descreveu. O instante decisivo Segundo Anderson, eles ainda não haviam conseguido visualizar ninguém. A única pista era o sangue. Douglas avançou em direção a um dos quartos enquanto Anderson permanecia na posição de cobertura, voltado para a cozinha. Foi então que ouviu um barulho. Só mais tarde identificaria aquele som como sendo o de uma granada. — Quando ouvi, virei automaticamente. Segundo o policial, naquele instante viu a granada rolando na direção dos agentes. E viu também um vulto. — Só vi um vulto segurando uma arma. Era Omar. Anderson contou que não tinha visão completa do cômodo porque Douglas estava na sua frente. — Vi apenas o vulto e o disparo. Segundo ele, tudo aconteceu em frações de segundo. Douglas atirou uma única vez. Omar caiu. “Ele ainda se debatia” Os policiais afirmam que Omar ainda estava vivo. Segundo Anderson, ele continuava gesticulando. A pistola teria caído no chão e estava ao alcance da mão do suspeito. Os agentes então recolheram a arma. Mais tarde, segundo eles, verificaram que a pistola possuía um kit rajada. Ao mesmo tempo, chamaram o esquadrão antibombas para recolher o explosivo. Mesmo em meio ao confronto externo, os policiais decidiram socorrer Omar imediatamente. — Era melhor levar até o blindado do que esperar o socorro chegar. Sem maca e sem espaço para manobras, os agentes improvisaram. Pegaram um lençol ou cobertor e suspenderam o ferido. As escadas estreitas dificultavam a remoção. — Era da forma que dava. Não arrastamos pelo chão. Segundo Anderson, a descida foi lenta porque o tiroteio continuava. — Parava um pouco e voltava. A progressão até o blindado foi difícil. O caveirão estava do lado de fora, já que era impossível sua entrada na viela. “Jacarezinho foi a única favela onde tomei tiro” Ao longo do depoimento, Anderson afirmou que perdeu dois amigos em operações no Jacarezinho e revelou que aquela foi a única comunidade em que acabou atingido por disparos ao longo da carreira. — É uma das piores. Ele contou que já participou de mais de mil operações e continua lotado na Core. A outra versão Dentro da residência, porém, os moradores contam uma história completamente diferente. Segundo eles, Omar havia chegado cerca de meia hora antes. Ferido no pé, sangrando muito, sem camisa e vestindo apenas uma bermuda tactel, ele pedia ajuda. O sangue espalhou-se pela escada, pela sala e pelo quarto da criança. Moradores dizem que ele recebeu um pano para estancar o ferimento e se deitou em uma cama. Ninguém afirma ter visto arma. Ninguém afirma ter visto granada. Todos descrevem um homem desesperado e debilitado. “Cadê a arma?” Os moradores relatam que ouviram os passos dos policiais subindo a escada. Flávia, dona da casa, teria descido para avisar: — Tem um menino baleado aqui, mas tem criança em casa. Segundo ela, o policial passou por ela e entrou. Seu marido gritou: — Morador, estou com criança! A resposta teria sido: — Sai, sai. Na sequência, testemunhas afirmam ter ouvido o policial gritar: — Cadê a arma? Cadê a arma? E logo depois veio um único disparo. Os moradores afirmam que não ouviram resposta. Nenhum deles diz ter visto Omar armado. Corpos espalhados pela

Ex-milicianos que pularam para o CV foram mortos em tiroteio com a PM em Rio das Pedras

Policiais do 18°.BPM prenderam quatro criminosos e apreenderam um adolescente durante ação na comunidade Rio das Pedras. Na ação, foram arrecadados dois fuzis, duas pistolas, munições e granadas caseiras. Três dos presos ficaram feridos e foram socorridos mas não resistiram. Segundo relatos, os três mortos estariam no grupo de quase 20 milicianos que teriam pulado para o Comando Vermelho São eles Farol, Duduzinho e Solteiro.

Defesa consegue na Justiça apurar histórico criminal de empresário morto por PMs na Pavuna

A estratégia da defesa dos policiais militares acusados de matar o empresário Daniel Patrício na Pavuna em abril por disparos de arma de fogo de grosso calibre passou a incluir um novo eixo de investigação: o pedido para que seja apurado se a vítima fatal possuía histórico criminal ou alguma investigação em andamento. O pedido foi acolhido parcialmente pela Justiça, que determinou a expedição de ofício à Polícia Rodoviária Federal (PRF) para que informe se existe ou já existiu qualquer procedimento investigativo envolvendo o civil morto na ocorrência. A medida abre uma nova frente dentro da instrução do processo e pode trazer novos elementos para a análise do caso. A reportagem já divulgou aqui meses anteriores que Daniel respondia a um processo por danos morais no Tribunal de Justiça do Paraná — cujo conteúdo não foi disponibilizado pelo órgão. Além disso, no ano passado, ele chegou a ser investigado por suspeita de descaminho, após tentar entrar no Brasil com mercadorias estrangeiras sem a devida declaração. O caso teve origem em uma representação fiscal da Delegacia da Receita Federal em Curitiba, após a apreensão de produtos em Foz do Iguaçu, em 15 de abril de 2025. O valor dos tributos envolvidos — cerca de R$ 6 mil — ficou abaixo do mínimo exigido para caracterizar crime de descaminho. Por isso, a Justiça considerou a conduta de baixo potencial ofensivo e arquivou o caso. Não houve prisão em flagrante, apenas a apreensão das mercadorias. Até o momento, não há qualquer evidência de que essas pendências tenham relação com a morte do empresário. CORPO DA DECISÃO E CONTEXTO PROCESSUAL:A decisão foi proferida no âmbito da resposta à acusação apresentada pelas defesas dos policiais, que também levantaram uma série de preliminares e pedidos de nulidade do processo. Entre os principais argumentos defensivos estavam alegações de irregularidade na lavratura do auto de prisão em flagrante, suposta incompetência da autoridade que formalizou o procedimento e pedido de rejeição da denúncia por inépcia. Todos esses pontos foram rejeitados pelo magistrado. Segundo o juiz, o flagrante foi lavrado por autoridade que aparentava ter jurisdição no momento dos fatos, com base nas informações preliminares disponíveis, incluindo versões iniciais apresentadas pelos próprios envolvidos. Posteriormente, com o avanço da análise das provas, o caso foi encaminhado ao Juízo competente e teve a prisão convertida em preventiva. A decisão também reforça que a denúncia apresentada pelo Ministério Público atende aos requisitos do artigo 41 do Código de Processo Penal, contendo a descrição dos fatos, a qualificação dos acusados, a classificação jurídica e o rol de testemunhas. O magistrado destacou ainda que, nesta fase processual, não se exige prova plena de autoria, mas apenas indícios suficientes para o recebimento da ação penal, cabendo a produção de provas completas durante a instrução. DILIGÊNCIAS E PRODUÇÃO DE PROVAS:Além do ponto envolvendo a vítima, o juiz também analisou uma série de requerimentos feitos pelas defesas, incluindo pedidos de acesso a imagens de câmeras operacionais portáteis (COPs), identificação de policiais que participaram da ocorrência, além de informações sobre eventual uso de drones durante a ação. Parte desses pedidos foi deferida, com determinação para que a Polícia Militar forneça a identificação de todos os integrantes das guarnições que estiveram no local dos fatos, além de esclarecimentos sobre possível uso de drones institucionais. Também foi mantida a determinação de perícia em veículo ligado à ocorrência, além da espera por laudos periciais ainda pendentes, como exame de armas de fogo, projéteis e análise técnica de imagens. O juiz ainda solicitou manifestação do Instituto de Criminalística para avaliar a possibilidade de reconstrução tridimensional da cena com base nas imagens disponíveis. POSIÇÃO SOBRE REPRODUÇÃO SIMULADA E OUTRAS PROVAS:O pedido de reprodução simulada dos fatos foi negado neste momento, sob o entendimento de que a medida depende da oitiva das testemunhas e da formação de um conjunto probatório mais completo. A diligência poderá ser reavaliada posteriormente, conforme evolução da instrução processual. PRISÃO MANTIDA:Por fim, o magistrado manteve a prisão preventiva dos policiais militares, afirmando que há indícios suficientes de autoria e que a gravidade concreta dos fatos justifica a custódia cautelar para garantia da ordem pública. Segundo a decisão, os elementos reunidos até o momento indicam a realização de múltiplos disparos contra um civil, o que, na visão do juízo, reforça a necessidade de manutenção da medida extrema enquanto o processo segue em instrução.

Ex-miliciano expulso que foi para o CV é acusado de homicídio e de planejar morte de PM na Zona Oeste do Rio

Um homem apontado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro como ex-integrante de milícia, expulso do grupo após conflitos internos e posteriormente ligado ao Comando Vermelho (CV), é investigado por envolvimento em um homicídio e por suposto planejamento da morte de um policial militar na Zona Oeste do Rio. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios e motivou pedido de quebra de sigilo telefônico e telemático, incluindo dados de geolocalização por Estações Rádio Base (ERBs), para reconstrução da dinâmica do crime. Segundo a representação enviada à Justiça, o homicídio ocorreu no dia 22/03/2026, no interior de uma residência e oficina localizada no bairro de Cosmos, Zona Oeste do Rio de Janeiro. A vítima, identificada como Cláudio Marcelo, foi executada por disparos de arma de fogo. A dinâmica inicial apurada aponta que um veículo Fiat Argo de cor cinza-chumbo chegou ao local, momento em que ao menos três indivíduos participaram da ação criminosa. Um dos ocupantes desembarcou e efetuou os disparos, enquanto os demais deram apoio na fuga, que ocorreu com o atirador entrando no banco traseiro do veículo. As diligências e depoimentos colhidos pela investigação indicam como principal suspeito o nacional identificado como Gustavo, que teria histórico de atuação em milícia na região. De acordo com os autos, Gustavo teria sido expulso do bairro por integrantes da organização criminosa local após desavenças financeiras e envolvimento em golpes contra moradores. Após esse rompimento, ele teria passado a se aproximar da facção criminosa Comando Vermelho (CV), passando a circular armado com fuzis e a atuar em incursões e extorsões na região. Ainda segundo testemunhas ouvidas, no período dos fatos, o investigado teria retornado ao bairro com o objetivo inicial de executar um policial militar com quem mantinha desavenças antigas. O alvo principal, no entanto, não foi localizado. Na sequência, a vítima Cláudio Marcelo teria sido identificada como estando sozinha no local do crime, após publicar em status de aplicativo de mensagens que se encontrava em casa. Diante disso, o investigado teria se dirigido ao endereço e consumado o homicídio. A autoria é reforçada, segundo a investigação, por elementos adicionais, incluindo uma suposta confissão informal registrada em áudio de visualização única enviado à testemunha Edson. No conteúdo, o investigado teria dito: “Viu o que eu fiz com o seu amigo, eu quero o dinheiro”. A investigação também aponta que o caso não se limita ao homicídio, mas integra um contexto mais amplo de atuação criminosa envolvendo disputas locais, histórico de expulsão de grupos paramilitares e posterior associação com facção criminosa. No pedido judicial, a Polícia Civil afirma que a apuração precisa agora ser complementada por prova técnica, especialmente para confirmar a presença do investigado e de eventuais comparsas na cena do crime, bem como delimitar o perímetro percorrido pelo grupo antes, durante e após a execução. Por isso, foi solicitada a quebra do sigilo de dados telefônicos e telemáticos do número atribuído ao investigado, com a obtenção de dados cadastrais, histórico de chamadas, IMEI, IMSI e registros de ERB. O pedido abrange o período das 06h00 às 23h59 do dia 22/03/2026, intervalo considerado suficiente para cobrir a fase de preparação, execução e fuga do crime. Segundo a representação, a medida é necessária diante da volatilidade dos dados telemáticos e do risco de perda de informações junto às operadoras, além do fato de o investigado permanecer foragido e supostamente vinculado a grupo criminoso armado. A Polícia Civil destaca ainda que o conjunto de elementos reunidos — incluindo depoimentos, histórico de conflitos, informações de investigação e o áudio atribuído ao investigado — indica a necessidade de aprofundamento técnico da apuração. O pedido foi fundamentado no artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal, na Lei nº 9.296/1996 e na Lei nº 12.830/2013, além de entendimento consolidado dos tribunais superiores sobre a utilização de dados de ERB como meio de prova em crimes graves. O caso segue em análise pela Justiça do Rio de Janeiro.

Antes de operação de hoje, investigação já tinha mapeado cúpula e pedido prisão de chefes da narcomilícia no Catiri

A operação deflagrada nesta quinta-feira pela Draco contra a narcomilícia que domina o Catiri, em Bangu, ganhou destaque na imprensa carioca. A maioria dos veículos, no entanto, limitou-se a reproduzir as informações divulgadas pela Polícia Civil. Os documentos da investigação revelam que as autoridades já haviam identificado a cúpula da organização criminosa e solicitado a prisão dos principais líderes do grupo. Entre os alvos apontados como chefes da estrutura estão criminosos conhecidos pelos apelidos de Montanha, Gordinho da Van e da Kombi, Pirulito, Gaspar, Mariola e Gil. Segundo as investigações, eles integram uma organização altamente estruturada, responsável pelo controle armado do Catiri, Jardim Bangu e Cancela Preta. As apurações mostram que a região vive um cenário de guerra permanente, marcado pela atuação simultânea de milicianos e integrantes do Comando Vermelho, além da migração de antigos membros da milícia para a facção. O conflito desencadeou ataques armados, execuções, retaliações, incêndios de veículos e disputas pelo controle territorial. Morto em 2022, Marquinho Catiri mandou ali na região. Com a morte dele, houve uma cisão dentro da própria milícia entre o “Montanha” e o “Pirulito”, só que o “Pirulito” estava preso e quando foi solto começou essa briga, essa disputa com o “Montanha”, e”Gordinho. Os investigadores identificaram um verdadeiro regime de domínio imposto pela organização criminosa. A quadrilha mantém estrutura hierarquizada, divisão de funções e elevada capacidade bélica. Cada integrante possui atribuições específicas nos núcleos operacional, armado e financeiro, responsáveis por administrar recursos ilícitos, coordenar homens armados e controlar pontos estratégicos da região. A investigação teve início após denúncias de extorsão contra uma empresa terceirizada responsável por obras públicas de infraestrutura e saneamento. De acordo com a Draco, os criminosos passaram a exigir pagamentos para permitir a continuidade dos serviços e garantir a permanência dos trabalhadores nas áreas sob seu domínio. Mas o esquema não se limitava às obras públicas. Os investigadores descobriram um sistema permanente de exploração econômica do território. Comerciantes, moradores e diversos setores produtivos eram obrigados a pagar taxas impostas pela organização para continuar funcionando. Seguindo o caminho do dinheiro, a Polícia Civil descobriu uma sofisticada rede de lavagem de capitais que movimentou mais de R$ 25 milhões. A investigação revelou movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados, além do uso de contas de passagem, transferências fragmentadas e circulação acelerada de recursos entre pessoas físicas e jurídicas utilizadas para ocultar a origem ilícita do dinheiro. As diligências permitiram mapear toda a engrenagem financeira da organização. Empresas formalmente constituídas e contas em nome de terceiros eram utilizadas para conferir aparência de legalidade aos recursos provenientes das extorsões e demais atividades criminosas. Outro ponto que chamou atenção dos investigadores foi a existência de uma rede de apoio que contaria com a participação de um policial militar. Segundo a investigação, ele seria responsável por auxiliar na movimentação financeira do grupo e prestar serviços de segurança privada para integrantes da cúpula da narcomilícia. Além das prisões, a operação desta quinta-feira mobilizou equipes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC), Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB) e da Corregedoria da PM. Ao todo, foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão na capital, Baixada Fluminense e interior do estado. A ofensiva também inclui o bloqueio judicial de contas bancárias, bens e ativos vinculados aos investigados, numa tentativa de atingir o principal pilar de sustentação da organização: o dinheiro. O objetivo é asfixiar financeiramente a quadrilha e interromper o fluxo de recursos utilizado para manter o domínio territorial e financiar a guerra que há anos transforma o Catiri, Jardim Bangu e Cancela Preta em um dos principais focos de violência da Zona Oeste.

Agora esse apartamento é nosso’: traficantes chamaram o ’01’ da Vila Cruzeiro (CV) para tomar imóvel de PM aposentado no Conjunto IPASE. Policial processa o Estado

Um policial militar aposentado está processando o Estado do Rio de Janeiro após perder um apartamento localizado no Conjunto IPASE, em Vila Kosmos, na Zona Norte da capital. Na ação, ele relata que traficantes ligados ao Comando Vermelho tomaram o imóvel após uma operação criminosa que envolveu ameaças de morte, homens armados com fuzis e a participação de uma liderança da Vila Cruzeiro. Segundo o processo, o apartamento havia sido herdado dos pais do policial e era utilizado por ele quando estava no Rio de Janeiro. Como atualmente passava boa parte do tempo na Região dos Lagos, as chaves do imóvel estavam sob os cuidados de um amigo de confiança. Foi justamente esse homem que acabou sendo alvo dos criminosos. De acordo com o relato apresentado à Justiça, no dia 11 de março de 2024, por volta das 15h, traficantes conhecidos pelos apelidos de Rogerinho, Bidu e Chapadinho, acompanhados de outros integrantes da facção, cercaram o amigo do policial na entrada do Conjunto IPASE. Armados, os criminosos exigiram a entrega imediata das chaves do apartamento. Sem qualquer possibilidade de resistência e sob a mira de armas de fogo, o homem foi obrigado a obedecer. Mas a ação não parou por aí. Ainda segundo a ação judicial, os traficantes decidiram acionar uma liderança da facção para comparecer pessoalmente ao local. Rogerinho, Bidu e Chapadinho fizeram uma ligação para o criminoso conhecido como “Zero Um” da Vila Cruzeiro. Pouco tempo depois, o traficante chegou ao Conjunto IPASE pilotando uma motocicleta. Conforme o relato constante no processo, ele estava acompanhado de diversos homens que chegaram em outras motos, todos fortemente armados com fuzis e pistolas. O amigo do policial foi novamente cercado e submetido a um interrogatório pelos criminosos. Os traficantes queriam saber qual era sua relação com o proprietário do imóvel. Ao descobrirem que ele era amigo de um policial militar, passaram a ameaçá-lo de morte. Sem qualquer chance de reação diante da superioridade numérica e do armamento exibido pelo grupo, o homem permaneceu em silêncio enquanto era intimidado pelos criminosos. Foi então que recebeu a informação que mudaria completamente a situação do imóvel. Segundo o relato anexado ao processo, os traficantes informaram que, a partir daquele momento, o apartamento não pertencia mais ao policial militar e passava a ser controlado pela facção criminosa. O amigo da vítima deixou o local sob ameaça e, por medo de represálias, demorou semanas para comunicar o ocorrido ao proprietário. Quando finalmente conseguiu contato com o policial, relatou que o apartamento já havia sido invadido pelos criminosos. Segundo a ação, após assumirem o controle do imóvel, os traficantes retiraram móveis, eletrodomésticos, documentos pessoais e documentos relacionados à propriedade. Entre os itens que teriam desaparecido estavam documentos considerados importantes para comprovar a aquisição do imóvel e a compra da parte pertencente ao irmão do policial. O processo afirma ainda que o Conjunto IPASE passou a sofrer forte influência de traficantes oriundos do Complexo da Penha, que teriam expulsado moradores, comerciantes e até agentes de segurança pública da região. O policial afirma que registrou ocorrência e buscou ajuda das autoridades, mas que nunca conseguiu recuperar o apartamento. Desde então, diz viver afastado do imóvel por receio de ser reconhecido pelos criminosos e sofrer represálias. Por causa da perda do imóvel e dos bens que estavam em seu interior, o militar aposentado ingressou com uma ação indenizatória contra o Estado do Rio de Janeiro, pedindo reparação por danos materiais e morais. Ele sustenta que, mesmo após comunicar a invasão do apartamento por traficantes armados, não obteve uma solução capaz de garantir a retomada da propriedade.

Veja detalhes da fuga de Adilsinho com ajuda de PM preso ao seu lado este ano em Cabo Frio; comerciantes de cigarros da quadrilha são investigados por milícia e homicídios e foram beneficiados por depósitos feitos por empresa de contraventor

A investigação que apura a estrutura criminosa atribuída a Adilson Oliveira Coutinho Filho, o “Adilsinho”, vem revelando conexões que vão muito além do comércio ilegal de cigarros. Entre os fatos que mais chamaram atenção das autoridades está a atuação de um policial militar apontado como integrante do núcleo de segurança do grupo e acusado de ter ajudado o criminoso a escapar de uma operação policial antes de ser encontrado ao seu lado meses depois. Segundo o Ministério Público Federal, o policial militar Diego D’Arribada Rebello de Lima desempenhou papel decisivo durante uma tentativa frustrada de captura de Adilsinho no condomínio Reserva do Itanhangá, na Zona Oeste do Rio. As investigações indicam que agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) monitoravam a presença do criminoso no local quando a operação foi desencadeada. Apesar do cerco policial, Adilsinho conseguiu fugir. De acordo com a acusação, Diego foi identificado circulando pela região em uma Mitsubishi Outlander prata e posteriormente teria sido visto armado no condomínio vizinho Greenwood. A apuração aponta que o policial e Adilsinho atravessaram o muro que separa os dois condomínios para escapar da ação policial. Ainda segundo os investigadores, Diego teria utilizado sua condição funcional para intimidar funcionários da segurança privada do condomínio, chegando a apresentar sua carteira de policial militar para facilitar a fuga. A evasão teria sido concluída quando os dois alcançaram uma caminhonete que os aguardava nas proximidades. Meses depois, em fevereiro de 2026, o mesmo policial voltou a aparecer no centro das investigações. Durante uma operação realizada em Cabo Frio, agentes da FICCO encontraram Diego dentro de uma residência ao lado de Adilsinho. Segundo o Ministério Público Federal, ele estava armado com uma pistola Glock calibre .40 municiada. Para os investigadores, a sequência dos fatos reforça a suspeita de que o PM não prestava auxílio eventual ao criminoso, mas integrava de forma permanente a estrutura responsável por sua proteção e segurança. Com base nesses elementos, o Ministério Público Federal denunciou Diego D’Arribada Rebello de Lima por suposta participação na organização criminosa investigada na Operação Libertatis. Na denúncia, os procuradores sustentam que ele atuava no núcleo armado da estrutura atribuída a Adilsinho, exercendo funções de segurança, apoio logístico e ocultação do paradeiro do contraventor. Além da condenação criminal, o MPF pediu à Justiça Federal a perda do cargo de policial militar e a interdição para o exercício de função pública pelo prazo de oito anos após o cumprimento da eventual pena, caso haja condenação. Ligações com investigados por milícia e homicídios As investigações também revelaram que a estrutura financeira atribuída a Adilsinho mantinha relações com personagens conhecidos das forças de segurança por envolvimento em apurações sobre milícias na Baixada Fluminense. Um dos nomes citados é o de Siri, apontado pelos investigadores como comerciante de cigarros contrafeitos e investigado há anos por supostas ligações com grupos paramilitares em Duque de Caxias. Segundo a apuração, Siri foi preso em 2019 durante uma operação da Core e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil enquanto participava de uma partida de futebol ao lado de outros suspeitos ligados à milícia. Na ocasião, diversas armas de fogo foram apreendidas. Mesmo após o episódio, seu nome continuou aparecendo em documentos relacionados à ADILOC, empresa apontada pela Polícia Federal como parte da engrenagem financeira da organização criminosa atribuída a Adilsinho. Além disso, Siri também aparece em investigações relacionadas à tentativa de homicídio contra um policial militar e por suposta participação em milícia privada. Outro personagem mencionado é PQD, que segundo a investigação também recebeu notas fiscais emitidas pela ADILOC e aparece vinculado a operações que somariam quase R$ 400 mil em mercadorias. O histórico atribuído a PQD chamou atenção dos investigadores porque ele responde a processos relacionados a homicídios atribuídos à atuação de milicianos na Baixada Fluminense. Nos autos citados pela Polícia Federal, ele aparece ao lado de policiais militares acusados de participação nos assassinatos, incluindo integrantes conhecidos pelos apelidos de “Cara de Pedra”. Notas fiscais sob suspeita Segundo a Polícia Federal, mensagens obtidas durante a investigação indicam que integrantes da estrutura administrativa ligada à empresa determinavam a emissão de notas fiscais em nome de pessoas vinculadas ao esquema. A suspeita é que parte desses documentos não correspondesse a operações comerciais reais e fosse utilizada para dar aparência de legalidade à circulação de mercadorias e recursos oriundos das atividades criminosas. Na avaliação dos investigadores, o mecanismo teria sido empregado para ocultar movimentações financeiras, dificultar o rastreamento dos recursos e fortalecer a estrutura econômica da organização. Investigação continua A Polícia Federal e o Ministério Público sustentam que os elementos reunidos apontam para uma organização criminosa com atuação diversificada, envolvendo comércio ilegal de cigarros, operadores financeiros, pessoas investigadas por milícia e indivíduos ligados a crimes violentos. As investigações seguem em andamento e novas medidas não estão descartadas.

PMs suspeitos de atacar bocas de fumo em Itaboraí e São Gonçalo para roubar armas e drogas e até matar traficantes poderão ser expulsos da corporação

A Polícia Militar decidiu submeter a conselho de disciplina, que pode resultar na expulsão de seus quadros, de dois PMs suspeitos em ações ilícitas voltadas à prática de crimes em pontos de comercialização de entorpecentes, popularmente denominados “bocas de fumo”,situados nos municípios de Itaboraí e São Gonçalo/RJ, Os agentes integravam um grupo intitulado “Fantasmas”, ocasião em que atacavam traficantes para subtrair, supostamente, valores indevidos, drogas e armas. Segundo o boletim interno da PMERJ, os dois policiais, no dia 16 Mai 24, investiram contra um local de venda de entorpecentes situado no bairro Jardim Itambi, município de Itaboraí/RJ. D Durante o ato criminoso, o sargento Palhares, um dos investigados, foi alvejado por disparo de arma de fogo, sendo prontamente socorrido pelo outro policial, também envovlido. O relatólrio diz que causa estranheza o fato de que, na mesma data, Palhares deu entrada no Hospital Estadual Alberto Torres, apresentando ferimento provocado por projétil de arma de fogo, tendo alegado ter sido vítima de tentativa de roubo, seguida de tentativa de homicídio.Em 18 de maio do mesmo ano, houve nova ação atribuída ao grupo denominado ―fantasmas‖, a qual resultou no homicídio de Leandro S. D., indivíduo que, em tese, atuaria em ponto de venda de entorpecentes situado no Beco do Adão, bairro Apolo, no município de Itaboraí/RJ.Consta que os autores teriam utilizado uma motocicleta para a prática delituosa, sendo as investigações conduzidas por meio do IP no 951-00279/2024. Na madrugada do dia 19 Jun 24, o bando teria agido novamente, investindo contra um ponto de venda de entorpecentes na Comunidade do Galão, município de São Gonçalo/RJ. Durante a ação, foram utilizados um Fiat Siena, um Fiat Fiorino e, novamente, o veículo Mercedes-Benz O ataque resultou em confronto armado entre traficantes e o grupo denominado ―Fantasmas‖. Chama atenção que, na mesma data, por volta das 02h00min, o sargento Polycarpo, um dos acusados, tenha dado entrada no Hospital Estadual Alberto Torres, apresentando ferimento provocado por projétil de arma de fogo, relatando ter sido vítima de tentativa de roubo seguida de tentativa de homicídio no bairro Santa Luzia, também em São Gonçalo/RJ. As informações indicam que o socorro foi realizado por Palhares , que teriautilizado o veículo Mercedes-Benz, também foi apontado nas investigações como empregado na ação criminosa contra o ponto de venda de entorpecentes situado na Comunidade do Galão. Na tarde de 02 Jul 24, o grupo denominado ―fantasmas‖ teria realizado nova empreitada criminosa contra pontos de venda de entorpecentes situados nas comunidades Guindia e Cebolo, no bairro Arsenal, município de São Gonçalo/RJ, ocasião em que ocorreu novo confronto armado, do qual resultou a morte de um homem chamado Leonardo., As apurações referentes ao episódio encontram-se em andamento, no âmbito do IP no 951-00304/2024. O documento relata que Palhares contou ter sido novamente, vítima de tentativa de roubo, seguida de tentativa de homicídio, conforme consta do Registro de Ocorrência n.o 075-03505/2024, págs. 183/184v, do Apenso. No curso das apurações, constatou-se que o veículo por ele utilizado tratava-se de um Mer-cedes-Benz, mesmo empregado para prestar socorro a Polycarpo namadrugada de 19 Jul 24, bem como apontado como um dos automóveis utilizados na prática de ações crimi-nosas. Em tempo, cabe registrar que o veículo Mercedes-Benz , à época das investigações, encontrava-se com comunicação de venda datada de 18 Fev 23, O documento aponta que se encontra acostada aos Autos (ref.: págs. 29 e 103) mídia contendo imagens de ação atribuída ao grupo ―fantasmas‖, ocorrida em 13 Set 24, na Comunidade do Buraco Quente, município de São Gonçalo/RJ, as quais indicam a suposta participação de Polycarpo e um homem não identificado. Nas imagens, é possível observar dois supostos traficantes de entorpecentes sentados em uma calçada, quando são abordados por dois homens — o primeiro portando arma em punho, trajando camisa, bermuda e tênis; e o segundo utilizando calça e casaco com capuz.Polycarpo seria o indi-víduo que veste camisa, bermuda e tênis, portando a arma em punho. No dia 14 Out 24, Polycarpo compareceu à sede da Corregedoria da PM para prestar esclarecimentos acerca dos fatos ora sob investigação, tendo suas imagens captadas pelo circuito interno de câmeras, o que deu origem ao material posteriormente analisado e comparado às imagens do vídeo da ação ocorrida na comunidade do Buraco Quente. Na prova técnica acostada aos Autos, elaborada pelo Centro de Criminalística da PMERJconcluiu-se que o resultado do exame sustenta, de forma consistente, a hipótese de que as imagens analisadas pertencem ao mesmo indivíduo, qual seja, o sargento Polycarpo. Palhares possui passagens pelo 7o BPM e pelo 35o BPM, Unidades cuja área de atuação abrange os municípios de São Gonçalo e Itaboraí, circunstância que reforça a hipótese de ter se valido de conhecimentos prévios — como a localização de pontos de venda de entorpecentes — para a prática dos ilícitos descritos na exordial. Ante as investigações conduzidas, identificou-se que um grupo autodenominado ―fantasmas‖, do qual faziam parte os Investigados, bem como indivíduos ainda não identificados, atuava, realizando ações violentas contra pontos de venda de drogas como objetivo de subtrair quantias indevidas, além de outros materiais em posse de traficantes. Logo se concluiu que Palhares e Polycarpo possivlemente particpavam de confrontos armados e supostos roubos, bem como em práticas recorrentes de atribuir ferimentos oriundos dessas ações ilícitas a falsas tentativas de roubo, utilizando-se, inclusive, de armamento acautelado da PMERJ. Os fatos foram amplamente divulgados nos meios de comunicação em geral, repercutindonegativamente para a imagem da Corporação.

PM foi expulso da corporação suspeito de transportar armas para a milícia do Catiri

Um policial militar foi expulso da corporação suspeito de conduzir um carro com várias armas que seriam destinadas à milícia do Catiri, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, O caso ocorreu em 30 de julho do ano passado. Na ocasIão, integrantes da DRACO da PCERJ e da PRF faiziam uma operação para monitorar veículos utilizados em comboio associado aos paramilitares da localidade. As informações colhidas levaram à identificação e interceptação do automóvel conduzido pelo acusado, resultando nas apreensões de diversas armas de fogo, munições e carregadores de arma. O PM, no entanto, negou ter ciência dos fatos que lhe são imputados, inclusive disse que desconhecia que haveria armas no carro, narrativa considerada pouco verossímil, sem A investigação revelou que o veículo conduzido pelo militar integrou um comboio de aproximadamente sete automóveis, que circularam na comunidade do Catiri, em Bangu, durante o fim de semana que antecedeu a prisão, portando farta quanti- dade de armamento e munição e com forte indício de vinculação a grupo miliciano atuante na região. Imagens captadas por drone, compartilhadas com órgãos de segurança, identificaram o Corolla Cross branco conduzido pelo acusado como um dos veículos do comboio. A ação teria motivado, inclusive, confronto com grupo rival vinculado ao tráfico de entorpecentes, resultando, inclusive, em ao menos um civil ferido. Segundo o boletim interno da PMERJ, a expressiva quantidade e a variedade do material bélico apreendido no interior do veículo clonado e produto de crime anterior, as bem como a contraditória e inverossímil história trazida pela defesa, sevidenciam uma situação que claramente não se coaduna com a tese de desconhecimento alegada pelo PM. O agente foi autuado em flagrante delito pela suposta prática dos crimes de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito sendo condenadod pela Justiça à pena de 09 (nove)anos e 01 (um) mês de reclusão e 38 (trinta e oito) dias-multa, em regime fechado.;sendo ainda decretada a perda do cargo público de policial militar. qual agravou a pena acima para 11 (onze) anos e 07 (sete) meses de reclusão e 46 (quarenta e seis) dias- O PM alegou que, alguns meses antes do acontecimento em frente ao Shopping Nova América, teve a atenção voltada a um carro modelo Civic. Parado de forma suspeita. O polciial decidiu abordar o motorista do auto e, ao questioná-lo em razão do horário, o mesmo disse que travalhava com compra e venda de carro.Após a consulta no Portal e revista ao veículor, o PM entender como aconteciam as vendas de veículo, e o mesmo respondeu que, após as vendas, fazia a entrega dos carros em locais públicos, por medo de ser assaltado. Nesse momento, ofereceu-se para, sempre que fosse realizada uma transação com veículos,participar como um ―segurança‖. Continuando, deixou seu contato telefônico para, em havendo interesse, entrasse em contato. Alguns meses depois, o homem entrou em contato consigo, tendo solicitado que entregasse um veículo que havia vendido. Logo, cobrou a quantia de R$350,00, porém, como vendedor não poderia comparecer, o serviço foi fechado em R$500,00, já que, teria de pegar um Uber para re- tornar. Após consultar a placa do veículo e conferir que não havia restrição, o PM pegou o carro e foi fazer a devolução, que seria realizada no bairro de Bangu, no posto da cancela preta e, chegando ao local, ligaria para a pessoa que receberia o carro. O policial informou ainda que pegou o carro entre as 10h e 11h, foi para a Ilha do Governa-dor resolver uma questão particular, tendo logo após, se dirigido ao ponto de encontro a fim de entregar o veículo, porém, enquanto trafegava pela Avenida Brasil, altura do quartel do Corpo de Bombeiros, veio a ser abordado por 2 viaturas da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Sem demora, desembarcou do veículo, identifi-cou-se como policial, tendo então se iniciado o procedimento de abordagem, momento em que foi indagado acerca de seu destino, tendo respondido que se dirigia à localidade da Cancela Preta, em Bangu, informando ainda que o veículo não lhe pertencia, e que o motivo do deslocamento seria entregar o carro no local citado. Porém, o agente da PRF o refutou, afirmando que seu destino seria a comunidade do Catiri,tendo-lhe dado voz de prisão e o algemado, informando ainda que o veículo que conduzia era clonado, acusando-o ainda de ser integrante da milícia do Catiri. Em seguida, foi colocado no interior da viatura da PRF e conduzido à delegacia. Durante o deslocamento, escutou o agente PRF em chamada telefônica com um terceiro, e, quando chegaram a uma localidade situada entre o Hospital Geral de Bonsucesso e o restaurante Habib ́s, viu uma viatura da Polícia Civil,  onde, após este fazer sinal de ―ok‖ aos agentes da PRF, incorporou ao comboio de viaturas e seguiram para a delegacia. Ao chegarem na delegacia, situada na ―Cidade da Polícia‖, quando interrogado, foi questio-nado acerca da milícia do Catiri, tendo negado e que sua missão era somente entregar o carro que conduzia. Após isso, soube da existência de diversas armas que teriam sido encontradas no interior do veículo, e, por desconhecer a origem, não assinou documento apresentado pelo delegado. Prosseguindo, respondeu diversos questionamentos onde reiterou a dinâmica narrada acima, tendo também relatado que inspecionou o carro superficialmente, verificando se algum objeto foi esquecido em seu interior e que, não se aprofundou, pois o veículo era do ano de 2025, em estado de zero km, por isso não achou necessário inspecioná-lo de forma rigorosa. Ressalta que não desconfiou do nacional, que o con- tratou para essa missão, pois o mesmo não possuía ficha criminal, bem como estava bem vestido e falava português culto, logo, entende que errou e não deveria ter confiado no vendedor, tendo finalizadseu depoimento narrando acerca de detalhes dos procedimentos da abordagem que sofreu dos agentes da PRF.

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