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investigação

Traficantes do CV invadiram casa para roubar armas e executaram ex-PM em meio à guerra com milícia na Zona Sudoeste. Justiça decretou a prisão de 11, entre eles Doca, Gadernal e BMW

A Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva de 11 suspeitos ligados à facção Comando Vermelho, investigados pelo homicídio de um ex-policial militar com suposta ligação com a milícia. O crime ocorreu em março de 2023, na região de Curicica, em Jacarepaguá, Zona Oeste da capital. De acordo com os autos do processo, os investigados — conhecidos pelos apelidos Doca, Gadernal, BMW, Preto Fosco, Mandela, GL/Glauber, Pedrinho (ou Gaspar), Surfistinha, DJ/Russinho, Juarez e Janderson — teriam atuado de forma coordenada na ação criminosa. As investigações apontam que o grupo teria invadido a residência da vítima após obter informações de que o ex-PM mantinha armas de fogo no local. O objetivo inicial seria subtrair esse armamento. Na ação, segundo os autos, a vítima foi intimidada, rendida e colocada sob domínio dos criminosos. Ainda conforme os relatos reunidos no inquérito, a vítima teria reconhecido um dos suspeitos, identificado como Glauber. A partir disso, ele teria determinado que o ex-PM fosse levado para a localidade conhecida como “AP da Cidade de Deus”, onde a execução teria sido definida. O inquérito também indica que Juarez, vizinho da vítima, teria facilitado a entrada dos criminosos no imóvel. Já outros investigados, como Preto Fosco, Janderson e Russinho, teriam mantido a vítima sob custódia enquanto aguardavam a autorização para o assassinato. Segundo a investigação, os apontados como lideranças da facção na região, Doca e Gadernal, teriam autorizado a execução após uma suposta chamada de vídeo realizada por Glauber, na qual teria relatado o reconhecimento por parte da vítima. A denúncia, baseada nos elementos reunidos no Inquérito Policial nº 901-00250/2023, sustenta que o crime está inserido em um contexto mais amplo de disputa territorial em Jacarepaguá, envolvendo o avanço do tráfico de drogas em áreas anteriormente dominadas por grupos paramilitares. As acusações ainda serão analisadas no decorrer do processo, garantindo-se aos investigados o direito ao contraditório e à ampla defesa.

ARRAIAL: Criança de um ano foi internada com marcas de tortura. Mãe e padrasto foram presos

Uma criança de 1 ano e 2 meses foi socorrida com múltiplas lesões no Hospital Geral de Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio, na tarde de domingo (5), e o caso resultou na prisão em flagrante da mãe e do padrasto por suspeita de tortura. Segundo a Polícia Civil, os profissionais de saúde acionaram os agentes ao identificarem que os ferimentos apresentados pela criança eram incompatíveis com a versão dada pelos responsáveis. O casal alegou que o menor teria sido atacado por um animal filhote, mas, conforme avaliação médica, as lesões indicavam agressões físicas. Diante da suspeita, os envolvidos foram levados para a Delegacia de Polícia Civil de Cabo Frio. Após a realização de exames periciais, foi constatado que as lesões tinham origem em ação contundente de natureza humana, o que levou à prisão em flagrante do casal com base na Lei de Tortura. Após receber atendimento médico e ter alta hospitalar, a criança foi encaminhada para os procedimentos legais e entregue ao pai. O que diz a políciaSegundo a polícia, as agressões contra a criança aconteceram na Sexta‑Feira Santa (3), mas o menor não foi levado para atendimento médico naquele momento. A situação só veio à tona após outros familiares, incluindo o pai, perceberem que a criança continuava sentindo dores, o que levou à busca por ajuda. As investigações apontam que a vítima permaneceu sofrendo por dias, sem receber os cuidados necessários, o que caracterizou a continuidade dos maus-tratos até o domingo. Ainda de acordo com a polícia, a mãe teria conhecido o suspeito há cerca de três meses por meio de um aplicativo de relacionamento e passou a morar com ele após aproximadamente dois meses. Há cerca de um mês, ela teria deixado o filho sozinho com o homem enquanto ia trabalhar. A Polícia Civil informou que o caso segue sob investigação.

16 mortos e nenhum avanço: investigação de operação no Alemão (CV) em 2022 está parada há mais de um ano”

A defesa de uma moradora do Complexo do Alemão denunciou à Justiça que as investigações sobre a morte de seu marido — e de outras vítimas de uma operação policial realizada em julho de 2022 — estão paralisadas há mais de um ano. De acordo com os advogados, o inquérito 901-00648/2022 não registra avanços desde o dia 14 de outubro de 2026, apesar de ainda haver prazo aberto para cumprimento de diligências e elaboração do relatório final. A operação deixou 16 mortos. Segundo a defesa, até o momento foram colhidos apenas os depoimentos de familiares das vítimas, além da realização de exames de necropsia e análises de vestimentas. Para os advogados, as medidas são insuficientes diante da gravidade do caso. O marido da autora da ação, Diego, de 29 anos, foi morto com um tiro de fuzil nas costas durante a operação. A defesa sustenta que ele não tinha qualquer envolvimento com o tráfico de drogas e trabalhava como autônomo, realizando fretes para mercados e auxiliando em obras, carregando materiais de construção e entulho, sendo responsável pelo sustento da família. Os advogados afirmam ainda que não há indicação de que Diego tenha oferecido resistência à abordagem policial no momento em que foi atingido. Na ação, a defesa também cita o caso de outra vítima da operação, Letícia Marinho Sales, de 50 anos. Segundo os autos, ela havia passado a noite na casa do namorado, no Alemão, após ajudar uma pastora a organizar um evento na comunidade. Ao deixar o local, Letícia foi surpreendida por um tiroteio. De acordo com o relato, dois veículos estavam parados lado a lado em um sinal de trânsito próximo a um cabo da Polícia Militar. O agente afirmou ter visto uma pessoa armada colocando um corpo para fora de um dos carros e, acreditando se tratar de um traficante, efetuou 12 disparos de fuzil. Um dos tiros atingiu o retrovisor de um veículo que não era o alvo e acabou acertando Letícia na região torácica. Ela não resistiu aos ferimentos. Para a defesa, os episódios reforçam a necessidade de aprofundamento das investigações e responsabilização dos agentes envolvidos, diante das circunstâncias das mortes registradas na operação.

Conversas interceptadas levantam suspeitas que traficantes da Cidade de Deus (CV) possam estar envolvidos no roubo na casa de Poze do Rodo

Após informar em uma matéria que milicianos poderiam estar envolvidos no assalto à casa do cantor MC Poze do Rodo, o jornalista Bruno Assunção idivulgou em nova publicação que existe agora uma suspeita forte contra traficantes da Cidade de Deus Segundo o jornalista, a Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga a possível participação do filho de um chefe do tráfico da Cidade de Deus no roubo . Interceptações numa troca de mensagens obtidas pelo repórter revelam diálogos entre traficantes que mencionam diretamente o suposto envolvimento do jovem no crime. Em uma das conversas, registrada por volta das 2h da madrugada, um dos criminosos afirma: “já deu maior K.O., filho do Sam que pegou ele”, indicando que o filho do traficante conhecido como Sam teria participação direta na ação. Horas depois, em nova mensagem enviada às 10h28 desta quinta-feira, outro integrante do grupo relata: “já morreram dois hoje”, sugerindo possíveis desdobramentos violentos relacionados ao caso. As investigações seguem em andamento para esclarecer a participação dos envolvidos e a motivação do crime.

Membro da família Avelino, alvo de operação do MP hoje, vai a júri popular por morte de empresário que teve o corpo colocado em carro em chamas

A Justiça do Rio decidiu no último dia 2 de março levar a júri popular Fernandinho Avelino, membro da família suspeita de diversos homicídios no interior fluminesne nas últimas décadas. Fernandinho é acusado do assassinato de um empresário em 12 de janeiro de 2024. A vítima foi Thiago Amorim Navarro Os dados obtidos com a quebra de sigilo demonstram que, dois dias antes do crime, existem dois registros de ligações telefônicas entre os terminais utilizados pela vítima Thiago e Fernandinho sendo que no dia dos fatos há uma ligação telefônica entre os doistendo a vítima, provavelmente, avisado a Avelino que estava se deslocando para sua residência, No dia do homicídio, Thiago recebeu uma ligação telefônica e os dados de seu aparelho comprovam que ele estava na estrada (BR-393 nas proximidades do distrito de Andrade Pinto) e se deslocava até Vassouras para encontrar-se com Fernando. Apurou-se que Thiago chegou à residência de Fernando por volta de 11h, Uma testemunha narrou que Thiago lhe disse que vindo buscar com Fernando uma declaração, pois em 2021, ele havia dado um cheque para o acusado no valor de R$3.000,00, mas que como não houve fundos ele pagou Fernando posteriormente o total do cheque, mas precisava do mesmo para dar baixa no banco, porém como Fernando não tinha mais o cheque ficou de assinar uma declaração do mesmo para Thiago Narrou que por volta de 12h06min foi a última vez que falou com Thiago que este disse que após resolver as coisas com Fernando, ia passar no correio e depois ele iria a cidade de Juiz de Fora pegar seu carro que tinha ficado pronto e entregaria o que estava com ele (…)” A investigação revelou que os dados telefônicos de Fernando indicaram o seu deslocamento sentido Massambará e, posteriormente, para o local do crime. O relatório destacou que o Azimute do telefone de Fernando se altera em direção ao local do encontro do cadáver de Thiago, onde ele permaneceu até as 13h30min. Assim, pelos dados obtidos com a quebra de sigilo, resta inequívoco que o indiciado Fernando Avelino efetivamente esteve no local do crime (ao menos da destruição de cadáver), e que, em seguida, voltou à sua residência e desativou o aparelho da vítima Thiago. E mais, pela lógica da trama, ficou clara a participação de terceira pessoa no evento, já que o corpo da vítima se encontrava no interior de seu próprio veículo, ambos em chamas. Logo, certo é que a presença de outro elemento se fez necessária para retirar o indiciado Fernando do local do crime por meio de outro transporte. A família Avelino é alvo hoje de uma operação do Ministério Público Estadual do Rio A Promotoria obteve na Justiça mandados de busca e apreensão cumpridos nesta quarta-feira (01/04) contra 21 pessoas ligadas aos clãs da Família Avelino, investigada pela prática de diversos crimes. Entre os alvos estão integrantes da família, cinco policiais militares, um advogado e suspeitos de atuar como pistoleiros do grupo. A ação é realizada com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil (SSINTE). Estão sendo cumpridos mandados em 29 endereços ligados aos investigados, nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Pará, com o apoio dos GAECOs locais. No Rio, os agentes cumprem mandados na Capital e nos municípios de Paty do Alferes, Vassouras, Paraíba do Sul e Três Rios. As investigações são conduzidas em Procedimento Investigatório Criminal (PIC) próprio do GAECO/MPRJ e demonstram a existência de conduta criminosa sistemática e reiterada por parte dos integrantes do clã, com forte influência em diversos municípios do Sul Fluminense e características de milícia privada. Isso inclui a prática de assassinatos já denunciados pelo Ministério Público, suspeitas de dezenas de outras execuções, múltiplas tentativas de homicídio, controle territorial, corrupção de agentes públicos, estrutura hierárquica com clara divisão de funções, obstrução sistemática da Justiça, entre outros. Com histórico de violência e poder que remonta à década de 1930, com quatro gerações documentadas praticando homicídios, as apurações mostram que a família e seus associados empregam uma série de mecanismos para escapar da persecução penal, incluindo intimidação de testemunhas, ameaças extensivas a familiares e eliminação de adversários. O objetivo é criar um clima de medo que resguarde a chamada “lei do silêncio”. Atento ao histórico de criminalidade violenta, à intimidação de autoridades e às obstruções sistemáticas, o GAECO/MPRJ passou a concentrar todas as investigações criminais contra o clã. A família Avelino é temida no interior e por vezes usavam o nome do clã para praticar extorsões. Em 2022, um homem foi procurado por um elemento que dizia ser o marido de “uma mulher chamada Vanessa” e que o acusou de haver subtraído a quantia de R$ da “suposta esposa”. O suspeito passou a intimidar a vítima, dizendo ser da família “Avelino” e afirmando que iria matar o rapaz, caso ele não pagasse ao menos metade do valor. Amedrontado, a vítima se dirigiu a um endereço indicado e entregou para o elemento um automóvel FORD Fiesta, u aparelho de telefonia celular, um tanquinho de lavar roupas e a quantia de R$ 3.000 sendo ainda obrigado a assinar para o suspeito um recibo com mais valores. Não satisfeito, o elemento passou a ligar novamente para a vítima exigindo mais dinheiro, sendo certo que passou a perseguir a vítima, se fazendo presentes nos lugares que o alvo costumava frequentar Na delegacia, o suspeito afirmou que teria feito empréstimos à vítima buscando justificar a movimentação de dinheiro de um para o outro

Milícia pode estar envolvida em assalto à casa de MC Poze do Rodo

Segundo informações divulgadas pelo jornalista Bruno Assunção,, existe a suspeita de que milicianos estejam envolvidos do assalto do cantor MC Poze do Rodo.ovorrido em sua residência, localizada em um condomínio de luxo no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ainda segundo o relato, os assaltantes afirmaram agir a mando de chefes do tráfico de drogas, numa tentativa de colocar o foco do roubo em cima das facções TCP e CV. O artista afirmou que foi mantido refém e agredido pelos criminosos durante a ação. Segundo o cantor, cerca de oito homens participaram do crime. Quatro deles, armados com fuzis e pistolas, invadiram o imóvel por uma área de mata nos fundos do condomínio por volta das 2h30, enquanto outros comparsas reviravam a casa. Poze estava com amigos no momento da invasão e disse que foi amarrado e agredido com socos e chutes. Os criminosos levaram aproximadamente R$ 15 mil em espécie, além de celulares, roupas, perfumes, relógios e joias. O prejuízo total é estimado em cerca de R$ 2 milhões. De acordo com levantamento, parte das joias roubadas integrava um lote de cordões apreendido pela Polícia Civil em novembro de 2024 e devolvido por decisão judicial meses depois. O caso foi registrado na 42ª DP (Recreio) como roubo a residência. A Polícia Civil informou que realizou perícia no local e segue com diligências, incluindo a análise de imagens de câmeras de segurança, para identificar os envolvidos e esclarecer as circunstâncias do crime.

“Empresa de comunicação multimídia” de Juninho Varão movimentou pouco mais de R$ 6 milhões em um ano mesmo com seu pequeno capital declarado

Investigação da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou que a quadrilha do milciiano Juninho Varão usava duas empresas de fachada, sendo uma delas provedor de internet para dissimular a real origem e o destino dos recursos obtidos, a fim de lhes conferir uma aparência lícita. Segundo a apuração, Varão figurava como sócio de uma das empresas junto ao cadastro na JUCERJA. A empresa atua no setor de serviços de comunicação multimídia e, no período compreendido entre julho de 2022 e julho de 2023, movimentou o total de R$ 6.091.559,00, montante aparentemente incompatível com seu pequeno capital social registrado e faturamento declarado. O procurador da empresa foi beneficiário de uma transação bancária efetuada pela firma no valor de R$ 440.972,00, sem justificativa lícita aparente. Além disso, foram observadas transações pelas duas empresas, sendo que a segunda firma tinha como titular a esposa e a sogra do tal procurador. A segunda empresa não possui nenhum funcionário cadastrado, tem capital social modesto e apresenta como endereço, um local residencial, sem qualquer aparência de atividade empresarial. No entanto, em apenas sete meses (entre janeiro e agosto de 2023), movimentou R$ 1.172.918,00. Ainda segundo a investigação, a quadrilha de Varão ratica, em tese, diversas atividades ilícitas, tais como, exploração de serviços de gás, água e internet, comercialização de gelo, agiotagem, operação de vans, cobrança de taxas condominiais ilícitas e gestão de aterros clandestinos.

Mesmo com provas e confissão informal, suspeitos de milícia escapam de ação penal no RJ

A Polícia Civil reuniu uma série de elementos que indicariam o envolvimento de dois homens com a milícia que atua no Morro do Pau Branco, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Apesar disso, a Justiça rejeitou a denúncia por entender que não havia lastro probatório mínimo para o prosseguimento da ação penal pelo crime de associação criminosa. De acordo com os autos, as investigações tiveram início em 2023, quando agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) foram ao Hospital Municipal Adão Pereira Nunes, em Duque de Caxias, após denúncia anônima informar que um miliciano identificado como Matheus havia dado entrada na unidade após um acidente de moto. No local, os policiais encontraram o suspeito, que confirmou o acidente e informou estar com um aparelho celular pertencente a um amigo, identificado como Kauan. Com autorização do próprio Matheus, os agentes acessaram o conteúdo do telefone e encontraram mensagens, fotos e vídeos que, segundo a investigação, indicariam a atuação de ambos em uma milícia armada. Em depoimento, Matheus afirmou que Kauan integrava há mais de dois anos a milícia local, participando de rondas armadas ao lado de outros integrantes, sob o comando de um homem conhecido como “Jason”. Ele também admitiu manter relação próxima com o corréu e atuação conjunta no grupo criminoso. Ainda segundo a investigação, o material extraído do celular demonstraria a inserção de Matheus na estrutura da organização, com acesso a comunicações internas. O histórico criminal dos dois também foi considerado: ambos foram presos em flagrante em ocasiões distintas ao longo de 2023 por crimes como porte ilegal de arma de fogo, roubo qualificado e participação em organização criminosa. Kauan, por sua vez, seria apontado como integrante da linha de frente da milícia, atuando em rondas ostensivas com uso de armas de fogo, incluindo pistolas e fuzis, além de veículos e disfarces como capuzes, com o objetivo de manter o controle territorial da região. Apesar dos indícios reunidos — incluindo relatos policiais, conteúdo extraído de celular e uma confissão informal —, a Justiça entendeu que as provas apresentadas não eram suficientes para justificar a abertura de ação penal pelo crime de associação à milícia. Na decisão, o magistrado destacou que as supostas confissões não foram formalizadas durante a lavratura do auto de prisão em flagrante, ocasião em que os acusados optaram por permanecer em silêncio. Também ressaltou que os policiais não presenciaram diretamente a prática dos crimes e que não há testemunhas identificadas nos autos. O juiz ainda considerou necessária a produção de provas adicionais, como a quebra de sigilo telefônico, para comprovar de forma mais robusta a eventual associação dos investigados a uma organização criminosa. Segundo a decisão, a própria existência e estrutura da milícia mencionada ainda careciam de melhor delimitação. Diante disso, a denúncia foi rejeitada em outubro, sob o entendimento de que as investigações ainda estavam em estágio inicial. A decisão foi mantida em dezembro, e os autos foram devolvidos ao Ministério Público para aprofundamento das apurações.

Escândalo na Baixada: policial civil é suspeito de fornecer arma e interferir para favorecer milícia do filho

Investigações divulgadas pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) apontam que um policial civil lotado na Delegacia de Paracambi é suspeito de atuar em favor de uma milícia que operava em Queimados, na Baixada Fluminense, da qual seu próprio filho faria parte. O miliciano foi preso no ano passado. De acordo com os autos, o agente era frequentemente procurado por integrantes do grupo para resolver “problemas” em delegacias. Em um dos episódios citados, após a prisão em flagrante do chefe da quadrilha, conhecido como “João da Jacutinga”, o policial teria sido acionado para “desenrolar” a situação, com o objetivo de interceder e impedir ou dificultar a formalização do auto de prisão. A investigação também revelou que uma das armas apreendidas com os milicianos — uma espingarda calibre 12 — estava registrada em nome do policial civil, o que reforça as suspeitas de vínculo com a organização criminosa. Segundo o processo, tanto o agente quanto seu filho já haviam sido citados em denúncias anônimas encaminhadas ao Disque-Denúncia como integrantes da milícia de Queimados. Embora esse tipo de informação, isoladamente, não constitua prova, a Justiça destaca que os relatos convergem com outros elementos reunidos ao longo da apuração. Entre esses elementos estão mensagens trocadas entre pai e filho, que indicariam compartilhamento de informações sobre a atuação do grupo, além de discussões sobre reportagens que os mencionavam como integrantes da milícia. Os diálogos também demonstrariam preocupação com ameaças vindas de outros membros da organização, o que, segundo a análise judicial, aponta para uma relação que vai além do vínculo familiar, indicando alinhamento de interesses. Para a Justiça, há indícios de que o policial civil teria utilizado sua função pública em benefício da milícia, tanto ao supostamente fornecer armamento de sua propriedade quanto ao tentar interferir em procedimentos policiais para favorecer comparsas. As investigações apontam ainda que a milícia atuante em Queimados era estruturada de forma hierarquizada e voltada à prática de extorsões contra comerciantes e mototaxistas da região. O grupo utilizava como fachada a empresa “Mibius Segurança Privada” e realizava cobranças de “taxas” por meio de transferências via PIX, a partir de linhas telefônicas vinculadas à suposta empresa.

EXCLUSIVO: Traição e guerra: miliciano negociou Catiri com o Comando Vermelho e explodiu disputa sangrenta em Bangu. Há briga também com o TCP

Uma investigação da Polícia Civil aponta que a disputa pelo controle da comunidade do Catiri, em Bangu, foi intensificada após a negociação da área por um miliciano com o traficante conhecido como Doca, apontado como integrante do Comando Vermelho. O caso é apurado no inquérito nº 034-02388/2025, instaurado na 34ª DP (Bangu), que investiga a investida da facção para expansão territorial nas comunidades do Catiri e da Carobinha, em Campo Grande, além dos confrontos com grupos milicianos historicamente atuantes na região. De acordo com a investigação, o Catiri era tradicionalmente dominado pela milícia liderada por “Marquinho Catiri”, morto em 2022. Durante sua atuação, ele concentrava o controle de diversos serviços ilícitos, como TV a cabo clandestina, internet, exploração do solo urbano, fornecimento de gás, entre outros. No setor de transporte alternativo, teria imposto a exploração de vans e kombis a um operador conhecido como “Gordinho”, mediante pagamento mensal. Após a morte de Marquinho, o controle da região teria sido assumido por “Montanha”, que manteve os acordos previamente estabelecidos. Posteriormente, surge no cenário o criminoso conhecido como “Pirulito”, descrito como homem de confiança do antigo líder, que, após deixar o sistema prisional, teria tomado o controle do Catiri ao romper com Montanha. A disputa entre os dois pelo domínio territorial levou Montanha a buscar alianças com outras lideranças milicianas, sem sucesso. Segundo informações de inteligência, nesse contexto, Pirulito teria negociado a região com Doca, liderança do Comando Vermelho oriunda do Complexo da Penha, com apoio de outro criminoso conhecido como “Pezão”. O relatório final da investigação indica ainda que antigos aliados de Montanha — entre eles Gordinho, Pirulito e um ex-policial civil conhecido como “Pulgão” — romperam com a milícia e passaram a atuar em conjunto com o Comando Vermelho, sob a liderança de Doca, com o objetivo de retomar e monopolizar o transporte alternativo no Catiri. A disputa pelo território foi marcada por episódios de violência. Um dos casos citados é o homicídio de Anderson da Cunha Figueiredo, ocorrido no estacionamento do Bangu Shopping. Segundo o relatório, ele seria ligado à milícia e sua morte estaria relacionada à tentativa de assumir o controle do transporte de vans, contrariando interesses de Gordinho. Atualmente, Montanha e outro apontado como líder da milícia local, conhecido como “Gaspar”, tiveram pedido de prisão temporária à Justiça. Há um processo que tramita sob sigilo por organização criminosa. Pirulito também figura entre os alvos das investigações. Gaspar chegou a ser preso no ano passado, mas acabou sendo solto e posteriormente absolvido. Na ocasião, policiais apreenderam um fuzil dentro de um veículo, porém não foi possível comprovar judicialmente que ele estava no carro, já que teria fugido junto com um comparsa ao perceber a chegada dos agentes. Nas redes sociais, circularam recentemente informações — ainda não confirmadas oficialmente — de que, a mando de Montanha, Gaspar teria executado três pessoas no Catiri, conhecidas como “Canudo”, “Bibi” e “TH”, sob a acusação de desvio de dinheiro da organização criminosa. Também houve boatos sobre a suposta morte de Gaspar, o que não foi confirmado. A região do Catiri vive há anos um cenário de conflitos armados entre milicianos e o Comando Vermelho. Mais recentemente, segundo relatos, também houve rompimento com traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP), que anteriormente mantinham aliança com o grupo paramilitar. Ainda de acordo com informações divulgadas em redes sociais, um traficante conhecido como “Sabão”, ligado ao TCP, teria exigido que Gaspar deixasse comunidades como Coreia e Rebú, alegando insatisfação com sua gestão no Catiri. Há também relatos de que Gaspar estaria escondido na Vila Aliança, de onde continuaria a dar ordens. Após as mortes das três pessoas mencionadas, publicações indicam que um grupo formado por milicianos e traficantes da Vila Aliança teria ido até o Catiri e entrado em confronto armado com aliados de Montanha, na localidade conhecida como Chico Mendes. O motivo seria a discordância em relação às execuções, diante da falta de certeza sobre as acusações que teriam motivado os crimes. A investigação segue em andamento e busca esclarecer a dinâmica das alianças, rupturas e episódios de violência ligados à disputa pelo controle territorial e econômico na região.

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