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CAXIAS: Levaram de casa, julgaram no ‘tribunal do tráfico’ e fizeram sumir: Justiça manda prender grupo após quase 3 anos”

Quase três anos após o desaparecimento de duas vítimas levadas à força de dentro de casa, a Justiça decretou a prisão preventiva de quatro suspeitos apontados como integrantes da quadrilha do traficante conhecido como “Flamengo”. Eles são investigados pelo sequestro, homicídio e ocultação dos corpos de Maurício Gaspar Mello de Sousa e Ademir Martins dos Santos, no condomínio Rotonda, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Entre os acusados, está uma mulher. Segundo os autos, no dia 9 de julho de 2023, os investigados teriam invadido a residência das vítimas e as retirado sob grave ameaça, com o uso de armas de fogo. Em seguida, Maurício e Ademir teriam sido levados para uma área dominada por organização criminosa, onde, conforme a investigação, foram submetidos a um chamado “tribunal do crime”, executados e tiveram os corpos ocultados — que até hoje não foram localizados. A decisão judicial destaca a existência de indícios considerados consistentes de autoria, baseados em reconhecimentos formais, depoimentos de testemunhas diretas e indiretas, além da descrição detalhada do modo de atuação da organização criminosa na região. O decreto de prisão também se fundamenta no risco concreto à ordem pública, diante da gravidade dos fatos e da atuação do grupo. Os autos ainda apontam um cenário de intimidação contínua na localidade. Testemunhas — moradores e ex-moradores — relataram ameaças, expulsões forçadas e um ambiente de coação sistemática, atribuído à atuação da organização criminosa que domina a região. Embora seja apontado como chefe do tráfico local, o criminoso conhecido como “Flamengo” não figura como réu neste processo específico. Denúncias sobre a atuação do grupo no condomínio Rotonda vêm sendo feitas há anos. A página “Reage Jaqueira”, na rede social X — a mesma que revelou anteriormente a suposta imposição de compra de farinha a comerciantes, tema que chegou a ser abordado pela TV Globo — também relata a existência de um sistema de exploração de moradores na região. De acordo com essas publicações, integrantes do grupo criminoso exerceriam controle direto sobre a rotina dos residentes, com cobrança de taxas, interferência na administração dos prédios sem processo eletivo e apropriação de valores relacionados ao fornecimento de gás. Uma das acusadas no processo, inclusive, é apontada como tendo assumido a função de síndica sem eleição. As investigações seguem em andamento. Os acusados responderão ao processo com garantia do contraditório e da ampla defesa.

GUERRA DO BICHO: Iggnácio foi acusado de mandar matar Rogério Andrade ao menos duas vezes em disputa marcada por atentados e mortes

A execução de Fernando Iggnácio reacendeu uma das disputas mais violentas do submundo do jogo ilegal no Rio: a guerra com seu rival Rogério de Andrade, marcada por atentados, mortes e acusações reiteradas de mando de execução entre os dois lados. Um dos pontos mais emblemáticos dessa rivalidade é que Iggnácio foi acusado de mandar matar Rogério Andrade pelo menos duas vezes, em episódios distintos ao longo dos anos. Primeira tentativa: arma falha e impede execução em hotel No dia 8 de outubro de 2001, no corredor do 15º andar de um apart-hotel na Barra da Tijuca, um homem tentou executar Rogério Andrade com disparos de arma de fogo. A arma, no entanto, falhou no momento do disparo, permitindo que Andrade reagisse. Houve luta corporal, o agressor foi desarmado e ainda tentou concluir o crime por estrangulamento, sem sucesso. Nesse caso, Fernando Iggnácio foi denunciado como suposto mandante da tentativa de homicídio, mas acabou impronunciado pela Justiça. Segunda acusação: atentado a bomba deixa morto e ferido A segunda vez em que Iggnácio foi acusado de mandar matar o rival envolve o atentado ocorrido em 8 de abril de 2010, também na Barra da Tijuca. Na ocasião, uma explosão matou Diogo Andrade, filho de Rogério, e deixou o próprio contraventor gravemente ferido. Iggnácio foi apontado como acusado de envolvimento no ataque, novamente dentro da lógica de tentativa de atingir o rival. Origem da guerra: disputa por território e dinheiro Segundo investigações, a rivalidade tem origem na divisão de negócios após a atuação do contraventor Castor de Andrade. Com o crescimento explosivo dos lucros das máquinas, Rogério teria passado a tentar expandir sua atuação sobre esse mercado, gerando conflito direto com Iggnácio. Foi o início de uma disputa violenta e contínua. Guerra deixou rastro de mortes e atuação armada A disputa pelo controle dos caça-níqueis evoluiu para um cenário de extrema violência, com dezenas de mortes ao longo dos anos, conforme apontam investigações. Os grupos são descritos como estruturas fortemente armadas, com atuação organizada e, em alguns casos, com apoio de agentes policiais, responsáveis por garantir segurança e viabilizar os negócios ilícitos. Acusações de mando nos dois lados Se por um lado Fernando Iggnácio foi acusado ao menos duas vezes de mandar matar Rogério Andrade, por outro, Rogério Andrade também é acusado de ser o mandante do assassinato de Iggnácio, caso que voltou ao centro do debate com os recentes desdobramentos judiciais. Conclusão A trajetória dos dois contraventores revela uma guerra prolongada pelo controle do jogo ilegal no Rio, marcada por tentativas de execução, atentados e acusações de mando de ambos os lados. O histórico reforça o nível de violência e organização dessa disputa, que segue produzindo desdobramentos até hoje.

Jovem foi sequestrado em Paracambi e está desaparecido desde quarta-feira

Um jovem identificado como Kaik Alberto, de 18 anos, foi sequestrado na última quarta-feira (8), no bairro BNH, em Paracambi. Segundo informações de familiares, Kaik havia saído de casa para jogar bola quando foi surpreendido por um veículo Fiat Argo branco, ocupado por quatro homens. Os suspeitos teriam abordado o jovem e o colocado à força dentro do carro. Desde então, Kaik não foi mais visto e não há informações sobre seu paradeiro. O caso tem gerado grande preocupação e mobilizado familiares e amigos, que seguem em busca de qualquer pista que possa levar ao jovem. O pai de Kaik tem percorrido a região tentando obter informações, mas até o momento, sem sucesso. A família faz um apelo à população: qualquer informação que possa ajudar a localizar Kaik Alberto pode ser repassada pelo telefone 📞 (21) 96674-9452. O desaparecimento segue cercado de mistério e aumenta a angústia de todos que aguardam por notícias.

Presa suspeita de ser a mandante do crime, irmã de capoeirista teria dito que alvo era cunhado para viabilizar assassinato encomendado ao tráfico no Alemão (CV). Ela também se revoltou com o insucesso na primeira tentativa de matá-lo

A reportagem teve acesso a novos e contundentes detalhes da investigação sobre a execução do capoeirista Paulinho Sabiá, morto a tiros em fevereiro, no bairro de Icaraí, em Niterói. As informações constam em depoimentos prestados à polícia e integram a apuração oficial do caso. Logo no início da trama, segundo relato de um dos envolvidos, a própria irmã da vítima, Adriana Souza Possobom — presa sob suspeita de ser a mandante — teria tentado enganar os executores ao afirmar que Paulinho seria seu cunhado, e não irmão. Ainda de acordo com o depoimento, ela negociou diretamente com uma liderança do tráfico no Complexo do Alemão a execução do crime e teria se irritado ao saber que a primeira tentativa fracassou. Em depoimento, Juan Nunes dos Santos, preso por participação no homicídio, afirmou que Adriana esteve dias antes no Complexo do Alemão com o objetivo de contratar traficantes para cometer o assassinato. Segundo ele, Adriana se reuniu com um criminoso conhecido como “Raí”, apontado como liderança em uma área da comunidade. De acordo com Juan, Adriana acertou os termos diretamente com Raí, que, por sua vez, o recrutou para integrar a ação criminosa. O valor oferecido pela execução teria sido de R$ 50 mil. Ainda segundo o depoente, Adriana sustentou a versão de que a vítima seria irmão de seu marido — ou seja, seu cunhado — versão que foi inicialmente acreditada pelos executores. A investigação aponta que Adriana forneceu detalhes minuciosos sobre a rotina de Paulinho, incluindo foto, endereço e hábitos. Todo o contato operacional teria sido feito entre ela e Raí. Juan relatou que Raí acionou outros dois homens para participar do crime, conhecidos como Kaio e Lisboa — ambos oriundos de Minas Gerais, mas atuando no tráfico no Complexo do Alemão. No dia 16 de fevereiro, Adriana teria repassado novas informações sobre a localização da vítima. Kaio foi até o endereço em uma motocicleta de aplicativo com a missão de monitorar a saída de Paulinho do prédio. Em seguida, Juan e Lisboa chegaram ao local em uma motocicleta vermelha, posicionando-se em pontos estratégicos para acompanhar a movimentação. Ainda segundo o depoimento, Raí enviou uma mensagem via WhatsApp informando que Adriana havia dito que Paulinho sairia para caminhar na praia. A vítima e sua namorada foram então seguidas pela orla. No momento em que surgiu a oportunidade, Lisboa tentou efetuar os disparos, mas a arma falhou. Diante do insucesso, os suspeitos retornaram ao Complexo do Alemão. No dia seguinte, conforme relato de Juan, Adriana demonstrou revolta com o fracasso da ação, mas decidiu dar continuidade ao plano. Já no dia 18 de fevereiro, Adriana voltou a entrar em contato com Raí, informando que Paulinho iria a uma academia de luta no bairro de São Francisco. Ela teria repassado o endereço do local e as características do veículo utilizado pela vítima. Juan e Lisboa foram até o endereço, identificaram o carro e passaram a monitorar. Em determinado momento, viram Paulinho entrando no veículo pelo lado do passageiro, o que teria confirmado sua identidade. O carro foi seguido até Icaraí. Quando o veículo parou em um sinal de trânsito, Juan emparelhou a motocicleta, momento em que Lisboa efetuou os disparos. Após o ataque, a dupla fugiu em direção ao Rio de Janeiro. Juan afirmou ainda que Adriana teria orientado os executores a subtrair pertences da vítima para simular um assalto. No entanto, segundo ele, não houve tempo para a encenação, e os envolvidos optaram pela fuga imediata. Após o crime, os suspeitos teriam descoberto, por meio de pesquisas na internet, que Paulinho era, na verdade, irmão de Adriana e uma pessoa conhecida. Segundo Juan, a revelação gerou revolta entre os executores. Ele declarou que, após alguns dias, Adriana bloqueou os envolvidos no WhatsApp e não efetuou o pagamento prometido. Questionado sobre valores recebidos, afirmou que Raí teria recebido R$ 10 mil, sendo que o restante seria pago após a execução. Juan disse ainda que chegou a cogitar denunciar Adriana e apontou que a motivação do crime seria financeira, possivelmente relacionada a interesses da mandante em relação à vítima. Submetido a reconhecimento fotográfico, Juan afirmou ter identificado todos os envolvidos, incluindo Adriana, apontada por ele como mandante do crime e irmã da vítima. Ele também declarou possuir o contato telefônico de Adriana, cujo perfil no WhatsApp teria uma foto dela ao lado do irmão. Por fim, Juan relatou que as conversas armazenadas em seu celular foram apagadas, mas manifestou interesse em recuperá-las, com o objetivo de que sejam analisadas pelas autoridades e possam comprovar as mensagens atribuídas a Adriana nas tratativas com Raí. Ao ser presa, Adriana disse que só falaria na presença de seu advogado e não prestou depoimento na delegacia. Hoje, ela passou por audiência de custódia na Justiça, que decidiu que ela contnuar presa. Até o momento não se sabe se ela já se pronunciou sobre o caso. O processo está sob sigilo.,

Nem a guerra com a milícia impediu: CV ergueu grande estrutura criminosa no Catiri, aponta MP

Em meio à retomada da disputa armada entre traficantes e milicianos na Zona Oeste do Rio, novos desdobramentos de uma investigação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) revelam como o Comando Vermelho estruturou, nos bastidores, uma engrenagem complexa de tráfico e domínio territorial na comunidade do Catiri, em Bangu. Mesmo enfrentando há anos a resistência de grupos milicianos, a facção teria conseguido montar uma ampla estrutura criminosa na região, sob o comando dos traficantes conhecidos como Doca e Gadernal, segundo apontam os autos da investigação. A Promotoria denunciou, no ano passado, 27 suspeitos de participação no esquema. Entre eles estão os próprios Doca e Gadernal, além do ex-miliciano conhecido como RD, que, de acordo com os investigadores, passou a atuar como um dos principais braços armados do Comando Vermelho na Zona Oeste carioca. As apurações indicam que a atuação da facção no Catiri teria se intensificado a partir de 2023, envolvendo atividades como venda, distribuição, fornecimento e entrega de drogas, além da contabilidade da mercancia ilícita. O grupo também seria responsável pela gerência das chamadas “bocas de fumo” e pela manutenção de uma estrutura armada voltada à proteção do território, incluindo o monitoramento de policiais e milicianos. Para o Ministério Público, o Catiri passou a ser tratado como área estratégica pela facção, tanto pela logística do tráfico de drogas quanto pela circulação de armamento e pela comunicação com integrantes do sistema prisional. A violência associada à disputa pelo controle da região também aparece como ponto central da investigação. Segundo os autos, o território teria sido marcado por intensos tiroteios, homicídios e por uma crescente sensação de insegurança entre moradores. As ações atribuídas aos criminosos teriam imposto um cenário de grave comprometimento da ordem pública, impactando diretamente a rotina da população. Na tentativa de consolidar o domínio territorial, o Comando Vermelho teria criado um grupo específico, denominado “Bonde dos Crias do Catiri”, voltado a ações de invasão e ocupação. As investigações também revelaram o uso sistemático de grupos de WhatsApp como ferramenta de gestão criminosa. Foram identificados grupos que abrangiam diversas comunidades, como Catiri, Gardênia Azul, César Maia, Marcão, Juramento, Quitungo, Guaporé, Complexo do Alemão, CPX do 18 e Vila Kosmos. No caso do Catiri, dois grupos se destacam: “Trabalho eleição 2024” e “Tropa dos cria Catiri cv” (sic). De acordo com o Ministério Público, esses grupos funcionavam como verdadeiros centros de comando. Neles, Doca e Gadernal teriam emitido ordens sobre comercialização de drogas, escalas de plantão, definição de pontos de venda, monitoramento territorial, pontos de contenção, além de determinações envolvendo ataques a rivais, monitoramento de viaturas policiais e controle financeiro do tráfico. Em mensagens analisadas pelos investigadores, especialmente em um chat privado atribuído a Gadernal, foram encontradas imagens de cadernos com anotações manuscritas relacionadas à contabilidade do tráfico no Catiri. Para os promotores, o material se assemelha a uma espécie de “folha de pagamento” dos integrantes do grupo. Doca é apontado como uma das principais lideranças da estrutura criminosa, sendo descrito como chefe do tráfico em diversas comunidades do Rio e responsável por ordenar e financiar confrontos armados ligados à expansão do Comando Vermelho. Em um dos grupos analisados, o “Trabalho eleição 2024”, ele teria interagido ao menos 25 vezes, emitindo ordens sobre a instalação de novas bocas de fumo e monitorando a quantidade de armamento de grosso calibre. Também seria o responsável por articular a comunicação entre diferentes núcleos do tráfico e manter interlocução com milicianos. Já em um chat privado entre Gadernal e um suspeito identificado como Chel da Congo, teriam sido tratadas a contagem, distribuição e prestação de contas de armas, munições e drogas comercializadas na comunidade. Segundo a investigação, Gadernal chegou a determinar que o uso de fuzis fosse restrito ao período noturno. Ele também teria indicado que não entraria em confronto direto com a milícia naquele momento, priorizando ações contra forças policiais. Entre outras ordens, estaria o monitoramento da comunidade com uso de drones e a retirada de câmeras de segurança. Chel da Congo aparece como peça-chave na engrenagem criminosa, atuando como gerente e coordenando as bocas de fumo em processo de instalação. O ex-miliciano RD é descrito como homem de confiança de Doca. O grupo sob sua liderança, chamado “Equipe RD”, teria como objetivo atuar em invasões a territórios dominados por milicianos na Zona Oeste, incluindo regiões como Vargem Grande, Guaratiba e Santa Cruz. Ainda segundo os autos, a equipe seria responsável por ataques armados e execuções de rivais. Outro integrante citado é o suspeito conhecido como “4 Vulgo”, “4 Letra” ou “Ratinho”, que atuaria como soldado, repassando informações sobre a presença de viaturas policiais e sobre rivais capturados ou mortos. A investigação também aponta o envolvimento de Léo Barrão, descrito como responsável por gerenciar pontos de venda de drogas em Manguinhos e Vila Kennedy. Ele teria definido escalas de atuação nas bocas de fumo do Catiri e monitorado a movimentação de milicianos. Também seria responsável pela expansão do Comando Vermelho em Teresópolis e pelo fornecimento de armas e drogas para outras comunidades. Léo Barrão foi preso em 4 de abril de 2025, durante a “Operação Contenção”. Um outro suspeito, ainda não identificado, teria atuado na divulgação de fotos, vídeos e áudios relacionados à segurança da comunidade, informando sobre a presença policial e exaltando a facção. Ele também monitoraria milicianos, identificando veículos e armamentos. Já o criminoso conhecido como Tiricinha teria sido flagrado tentando adquirir fardamentos de natureza militar e roupas semelhantes às da Polícia Civil, enviando imagens para integrantes de maior hierarquia. Outro investigado, chamado Nego Velho, teria determinado que as vendas de drogas nas bocas de fumo fossem realizadas exclusivamente em dinheiro. Lázaro aparece em conversas tratando da abertura de novos pontos de venda, indicando a comercialização direta para usuários. O suspeito conhecido como Botafogo teria orientado os comparsas a manter sigilo nas comunicações, utilizando recursos como mensagens de visualização única, além de repassar instruções sobre formas de pagamento e rotas de atuação. Entre os nomes de destaque também está Mãozinha, conhecido como Mão de Gancho ou

Tortura até a morte: Justiça decreta prisão de traficantes da ADA por assassinato de filha de major da PM. LEIA DETALHES DO CRIME

A Justiça decretou a prisão preventiva de seis traficantes ligados à facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), apontados como responsáveis por uma sessão de tortura que terminou na morte de uma jovem em Realengo, na Zona Oeste do Rio.. A vítima era filha de um major da PMERJ. De acordo com a decisão judicial, o crime teria sido motivado por um suposto desvio de dinheiro da própria quadrilha — um episódio que expõe a violência interna do tráfico. A vítima, Naysa Kayllany Costa Borges Nogueira, foi brutalmente agredida e não resistiu aos ferimentos. Apesar da gravidade do caso, os chefes da organização criminosa, conhecidos como Índio e Celsinho da Vila Vintém, não tiveram a prisão decretada neste momento. Segundo a Justiça, embora existam indícios, ainda não foram apresentados elementos suficientes que comprovem a participação direta deles nas agressões. Tortura como punição Segundo as investigações, Naysa trabalhava em um ferro-velho localizado na comunidade da Light. No dia 3 de janeiro de 2026, ela chamou uma amiga para ajudá-la no turno da noite. Ao fim do expediente, mulheres apontadas como integrantes do tráfico teriam ido até o local para recolher o dinheiro arrecadado. Ao perceberem que parte do valor estaria faltando, iniciaram uma sequência de violência. Naysa e a amiga foram levadas para a parte alta da comunidade, onde, conforme consta nos autos, passaram por momentos de terror: foram ameaçadas, intimidadas e agredidas com pedaços de madeira, fios, além de chutes, socos e joelhadas. Confissão sob violência e nova vítima Ainda segundo o processo, após ser violentamente agredida, Naysa teria admitido que parte do dinheiro estaria em sua residência. Sob pressão, ela entrou em contato com a companheira, pedindo que levasse o valor até o local. Ao chegar, a namorada também foi rendida e levada ao alto do morro, onde, de acordo com os depoimentos, igualmente sofreu tortura. Libertação e morte Após a sequência de agressões, as três vítimas foram liberadas. Naysa, no entanto, já estava em estado crítico. Ela foi levada à UPA de Magalhães Bastos, mas não resistiu. Reconhecimento e provas Dias depois, uma das sobreviventes procurou a polícia e detalhou a dinâmica do crime, reconhecendo inicialmente dois suspeitos por meio de álbum fotográfico. Com base nas informações prestadas, policiais foram até a comunidade da Light e localizaram, em um bar apontado como cenário das agressões, objetos que teriam sido usados na tortura, como pedaços de madeira e fios. Em novos depoimentos, as vítimas ampliaram o reconhecimento dos envolvidos, chegando a identificar ao menos seis suspeitos. Tentativa de álibi não convence Um dos acusados tentou apresentar imagens de câmeras de segurança para sustentar um álibi. No entanto, segundo a decisão judicial, os registros não cobrem todo o período em que o crime teria ocorrido. De acordo com a análise, há lacunas nas imagens, e o intervalo permite a possibilidade de participação do suspeito nas agressões. Por isso, a versão apresentada pela defesa não foi suficiente para afastar os indícios. Chefes fora — por enquanto Apesar de serem citados na investigação, Índio e Celsinho da Vila Vintém não foram reconhecidos pelas vítimas como participantes diretos da tortura. A Justiça entendeu que, neste momento, não há elementos concretos para justificar a prisão preventiva dos dois. Violência interna do tráfico O caso revela mais um episódio de violência extrema dentro das próprias estruturas do tráfico, onde suspeitas de desvio de dinheiro podem resultar em punições brutais. As investigações seguem em andamento.

Bomba: homem de confiança do CV e assessor de ex-deputado preso foi executado em ação atribuída à própria facção

Um assassinato com características de execução, envolvendo uma figura com trânsito direto no Comando Vermelho (CV) e ligação com a política, segue cercado de pontos pouco explorados. Trata-se da morte de Élder de Lima Landim, conhecido como “Dom”, ocorrida em 23 de maio de 2025, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste do Rio. De acordo com informações constantes em registros do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a principal linha de investigação aponta que os próprios traficantes da Gardênia Azul, reduto da facção em Jacarepaguá, teriam sido os autores do crime. A motivação, até o momento, não foi oficialmente esclarecida. Dom era apontado como homem de confiança de um dos chefes do tráfico na comunidade, conhecido como “BMW”. Além disso, também exerceu função como assessor do então deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o “TH Joias”, que acabou preso e posteriormente cassado sob acusações de envolvimento com o Comando Vermelho. Segundo as apurações, Dom também atuava diretamente em estruturas paralelas de poder na comunidade, incluindo a gestão de imóveis sob domínio da facção por meio da associação de moradores local — um indicativo do nível de influência que exercia dentro da organização criminosa. Dupla execução dentro de veículo No dia do crime, Dom foi morto ao lado do companheiro, Thales Fernando Richard March. Ambos estavam em um veículo Mitsubishi Pajero, de cor preta, quando foram surpreendidos. De acordo com a investigação, os atiradores estavam no interior do carro e efetuaram disparos contra as vítimas, que ocupavam os bancos dianteiros, evidenciando uma ação coordenada e direcionada. Após os assassinatos, os criminosos fugiram a pé pela Avenida das Américas. Na altura do número 16.325, ainda segundo os autos, eles teriam cometido outro crime: o roubo de uma motocicleta, mediante grave ameaça com uso de armas de fogo de uso restrito. Testemunhas relataram que os assaltantes apontaram pistolas calibre 9mm contra a vítima e outros motociclistas que estavam nas proximidades de uma unidade da rede Domino’s, antes de fugirem em direção à Gardênia Azul. Caso avança na Justiça A Justiça do Rio já decidiu que um dos acusados pelo duplo homicídio será submetido a júri popular, o que indica que há indícios considerados suficientes de autoria e materialidade. O caso, no entanto, ainda levanta questionamentos relevantes, principalmente pelo perfil da vítima: um homem com atuação direta em uma das principais facções criminosas do estado e com ligação comprovada a um agente político posteriormente afastado por suspeitas semelhantes.

Moradora da Penha (CV) disse que teve casa destruída por PMs durante megaoperação, sofreu abalo muito grande e perdeu o bebê. Ela agora processa o Estado

Uma  moradora do Complexo da Penha entrou na Justiça contra o governo do Rio exigindo uma indenização por danos morais e materiais.  Ela alega que teve sua casa invadida e destruída por PMs durante a megaoperacão no dia 28 de outubro, sofrendo abalo emocional que a levou a perder o filho que estava esperando  Segundo a defesa, Cmvários policiais entraram na casa da demandante e causaram uma total destruição. Os policiais com abuso de autoridade invadiram a residência da autora, destruíram móveis, eletrodomésticos e abalaram a estrutura do imóvel quebrando paredes. Nesse ato, a casa foi severamente danificada e a autora, que se encontrava gestante (05 meses), foi submetida a forte estresse emocional, que, cumulados com o choque da destruição de seu lar, causaram o aborto, conforme prontuário médico de atendimento hospitalar no dia 02 de novembro de 2025. Cabe ressaltar, que o quadro de saúde da autora foi severamente abalo devido ao ocorrido, chegando ao ponto de ser internada e perder o seu bebê, pois a mesma estava grávida (05 meses de gestação). A operação  transformou a região em uma zona de guerra, ocorrendo 122 óbitos entre suspeitos e policiais, e a destruição de varias residências, dentre elas a residência da autora.

Seis anos depois, PM abre processo que pode expulsar acusados de tortura brutal em Angra. SAIBA DETALHE POR DETALHE

Após mais de seis anos dos fatos, a Polícia Militar do Rio de Janeiro decidiu submeter ao Conselho de Disciplina cinco policiais militares investigados por suposta prática de tortura em Angra dos Reis. O procedimento administrativo pode resultar na expulsão dos agentes dos quadros da corporação. De acordo com os autos, os episódios teriam ocorrido na madrugada de 19 de setembro de 2019, por volta das 1h50, no Conjunto Habitacional Parque Mambucaba, conhecido como “Predinhos”. Na ocasião, segundo a acusação, os militares teriam constrangido um homem mediante o uso de violência física com o objetivo de obter informações sobre a localização de drogas e valores relacionados ao tráfico. Ainda conforme a denúncia, as agressões teriam incluído socos, pontapés, golpes com pedaços de madeira contendo pregos, utilização de fios e aplicação de spray de pimenta, causando sofrimento físico e psicológico à vítima. Dias depois, segundo os elementos do processo, os mesmos policiais teriam agredido outra pessoa que havia acompanhado a primeira vítima até a 5ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) para formalizar denúncia contra os agentes. De acordo com o relato, essa segunda vítima teria sido submetida a tapas, chutes, socos e ameaças de morte, com a finalidade de assegurar a impunidade das condutas anteriores. A acusação também aponta a prática de tortura-castigo, que teria incluído agressões como apertar o pescoço da vítima, jogar água gelada e proferir ameaças, supostamente em razão de desentendimentos prévios com um dos policiais. No mesmo contexto, um dos agentes é acusado de ter subtraído um aparelho celular Motorola Moto G5, a quantia de R$ 50,00, além de chaves de veículo e de residência da vítima, após abordá-la, algemá-la e reduzi-la à impossibilidade de resistência. Na sequência, ainda segundo os autos, a vítima teria sido colocada algemada em uma viatura policial e levada à 166ª DP. No local, um dos policiais teria feito novas ameaças, afirmando que poderia imputar falsamente crimes como ameaça e associação ao tráfico, além de intimidá-la com a possibilidade de morte caso retornasse à região. Os autos também indicam que, já na unidade policial, os agentes teriam tentado intermediar contato com um suposto traficante conhecido como “BX”, a partir de ligação realizada com o celular da própria vítima, que estava sob posse de um dos policiais. A vítima foi liberada horas depois. A instauração do Conselho de Disciplina não implica condenação automática, mas representa um avanço no âmbito administrativo da corporação e pode culminar na exclusão dos policiais, caso as acusações sejam confirmadas ao longo do processo, assegurados o contraditório e a ampla defesa.

Bomba na PM: três policiais podem ser expulsos após duas acusações explosivas — roubo de iPhones e cobrança de R$ 15 mil para liberar ônibus

A Polícia Militar decidiu submeter três policiais ao Conselho de Disciplina, procedimento que pode resultar na expulsão dos agentes da corporação, após o surgimento de duas acusações graves envolvendo abordagens a ônibus de turismo no Arco Metropolitano, na Baixada Fluminense. De acordo com os autos, o primeiro caso remonta a março do ano passado, quando os policiais, então em serviço no DPO de Jardim Primavera, abordaram um ônibus que transportava mercadorias adquiridas em São Paulo com destino a Campos dos Goytacazes. Segundo as investigações, após revista no veículo, os agentes teriam alegado a ausência de notas fiscais para justificar a apreensão dos produtos. No entanto, conforme a acusação, parte da carga não foi devidamente registrada, incluindo 11 aparelhos celulares da marca iPhone, que teriam sido subtraídos pelos policiais. Ainda de acordo com o procedimento, há relatos de que os passageiros foram colocados em condição de impossibilidade de reação durante a ação, o que agrava a natureza das acusações. Durante as diligências posteriores, materiais foram localizados na posse de um dos investigados. Os itens foram apreendidos e permanecem custodiados na 8ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), devidamente lacrados, aguardando destinação conforme decisão judicial. Segunda acusação: cobrança em dinheiro para liberação de ônibus Os mesmos policiais também são alvo de uma segunda acusação, relacionada a um episódio ocorrido em 17 de novembro de 2025, também no Arco Metropolitano, na altura de Saracuruna, em Duque de Caxias. De acordo com o relato das vítimas, o grupo viajava em um ônibus de excursão quando foi abordado por uma viatura policial. Durante a fiscalização, os agentes teriam realizado uma revista no bagageiro, com relatos de danos a mercadorias transportadas. Ainda segundo os denunciantes, ao constatarem a ausência de notas fiscais, os policiais teriam exigido o pagamento de R$ 15 mil em espécie para liberar o veículo e permitir a continuidade da viagem. Processo pode levar à expulsão As duas ocorrências passaram a ser analisadas conjuntamente no âmbito administrativo, e a instauração do Conselho de Disciplina indica que a corporação identificou indícios considerados relevantes para a abertura do procedimento. O processo não implica culpa automática, e os policiais terão direito à ampla defesa e ao contraditório. Ao final, o colegiado poderá recomendar sanções que vão desde advertências até a exclusão definitiva dos quadros da Polícia Militar. O caso segue em apuração.

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