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Author name: Mario Hugo Monken

Sou redator com 25 anos de experiência em investigação policial, formado em Jornalismo. Ao longo da carreira, desenvolvi um olhar apurado para apurar e contar histórias complexas, com foco em detalhes e precisão. Minha paixão pela investigação e pela escrita me permite desvendar narrativas profundas, oferecendo ao leitor informações relevantes e impactantes sobre o universo da segurança pública.

Mario Hugo Monken

Justiça decreta prisão de Isaias do Borel suspeito de mandar matar traficante que pretendia pular do CV para o TCP. Vítima teria sido esquartejada e teve o corpo jogado para porcos comerem, segundo denúncia

A Justiça do Rio decretou a prisão preventiva de Isaias do Borel, apontado pelas investigações como um dos mais antigos líderes do Comando Vermelho (CV) na Zona Norte da cidade, acusado de mandar executar um integrante da própria facção que estaria tentando trocar de lado e se juntar ao grupo rival Terceiro Comando Puro (TCP). Segundo o Ministério Público, a vítima foi torturada, assassinada, esquartejada e teve os restos mortais entregues a porcos para serem devorados. A ordem de prisão também foi expedida contra o traficante conhecido por “Rafael”, apontado como subordinado de Isaias e um dos responsáveis por colocar a execução em prática. De acordo com as investigações, a vítima integrava o Comando Vermelho, mas passou a ser considerada traidora após surgirem informações de que pretendia abandonar a facção e migrar para o TCP. A suposta mudança de lado teria resultado em uma sentença de morte aplicada em um dos chamados “tribunais do tráfico”, mecanismo utilizado por organizações criminosas para punir integrantes considerados desleais. Segundo a denúncia do Ministério Público, após tomarem conhecimento da suposta traição, criminosos ligados ao Borel decidiram executar o rapaz. A acusação sustenta que a ordem partiu de Isaias do Borel e foi cumprida por seus subordinados. As investigações apontam que uma das principais testemunhas do caso foi a companheira da vítima, que relatou às autoridades toda a sequência de acontecimentos envolvendo o desaparecimento do namorado. O depoimento, considerado detalhado e consistente pelos investigadores, ajudou a embasar a identificação dos suspeitos, juntamente com registros de ocorrência, reconhecimentos e outros elementos reunidos durante a apuração. A decisão judicial destaca a extrema brutalidade do crime. Conforme os elementos reunidos no inquérito, a vítima teria sido submetida a sessões de tortura antes de ser assassinada. Após a execução, o corpo foi esquartejado e os restos mortais teriam sido entregues a porcos, numa tentativa de destruir evidências e dificultar a localização do cadáver. A prisão de Isaias ocorre em um momento de forte tensão no Maciço da Tijuca, região que há meses vive uma guerra entre facções criminosas. O Comando Vermelho vem tentando expandir sua influência em áreas estratégicas da região, cenário que tem provocado confrontos armados, operações policiais e deixado moradores em constante clima de insegurança. Apontado pelas investigações como uma das lideranças históricas do CV no Borel, Isaias é considerado uma figura de peso dentro da estrutura da facção na Tijuca, uma das regiões mais disputadas por grupos criminosos na capital fluminense. Ao decretar as prisões preventivas, a Justiça destacou que há indícios de que o assassinato foi praticado no contexto de um “tribunal do tráfico” e ressaltou a gravidade concreta dos fatos. O magistrado também apontou o risco de reiteração criminosa e a possibilidade de intimidação de testemunhas caso os acusados permaneçam em liberdade. Na decisão, o juiz enfatizou que o modo como o crime foi executado — com tortura, esquartejamento e destruição dos restos mortais — demonstra elevado grau de violência e periculosidade dos investigados. Os mandados de prisão já foram expedidos. Caso não sejam localizados pelas forças de segurança, Isaias do Borel e Rafael passarão a ser considerados foragidos da Justiça. A decretação da prisão de Isaias ocorre em meio a uma das mais violentas disputas territoriais do Rio de Janeiro. Nos últimos meses, o Maciço da Tijuca tem sido palco de uma guerra envolvendo traficantes do Comando Vermelho, que tentam avançar sobre comunidades estratégicas da região, incluindo a Casa Branca e a Chácara do Céu, áreas dominadas por facções rivais.

Investigação revela que traficante morto pelo BOPE controlava entrada, transbordo e venda de cargas roubadas em Manguinhos (CV). Veja quem é quem na quadrilha

A reportagem teve acesso ao conteúdo de uma investigação da Polícia Civil do Rio que aponta que o traficante Maurinho Macaé, morto hoje em uma operação do BOPE no Complexo de Manguinhos, na Zona Norte carioca, era o responsável por gerir as incursões de roubos de carga que acontecem na comunidade. Ele tinha 60 anotações criminais, em sua maioria pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de arma de fogo. Segundo o documento, Maurinho foi apontado por um detento do Presídio Ary Franco) como detentor de uma posição de destaque no organograma do Comando Vermelho na localidade. Foi ele” quem encomendou ao preso roubo de um caminhão Kia Bongo, entregando-lhe um revólver cal. 357 e prometendo recompensa. Maurinho também foi formalmente reconhecido pelos policiais militares lotados na UPP de Manguinhos, como o traficante armado que fugiu da viatura conduzida por eles no dia 25 de novembro de 2024, na Rua Leopoldo Bulhões. Um outro PM reconheceu formalmente Maurinho como o homem que chefiou o transbordo de uma carga de óleo lubrificante, roubada no dia 11 de junho de 2025, conforme RO 918-00323/2025. Mais dois PMs disseram que Maurinho era o gerente do tráfico de drogas do Complexo de Manguinhos. O documento que tivemos acesso revela que o Complexo de Manguinhos é uma região do Rio de Janeiro que engloba as comunidades de Manguinhos, Varginha, Arará e Mandela, sendo certo que toda essa área é dominada pela facção criminosa Comando Vermelho (CV) e chefiada por Nome, vulgo “Choque”, atualmente preso. O local é margeado pela Endereçomostra como um ponto estratégico para o transbordo de cargas roubadas. Os criminosos costumam abordar motoristas de caminhão na Av. Brasil com motocicletas e, mediante grave ameaça, obrigá-los a dirigir o veículo com a carga até o interior das comunidades, onde ocorre o transbordo. No ano de 2024 o Complexo de Manguinhos foi um dos principais destinos de cargas roubadas na capital fluminense, sendo palco de centenas de roubos. Apenas no mês de setembro, os índices apontaram quase 20 roubos, conforme gráfico extraído do ISPGEO: No dia 10 de outubro de 2024 um motorista abordado por roubadores na Endereçoaté o interior do Complexo de Manguinhos, onde se deu início ao transbordo da carga. Quando a carga já se encontrava na posse dos criminosos, a Polícia Militar manejou uma operação para resgatar o motorista que, àquela altura, tinha a sua liberdade cerceada pelos roubadores, logrando libertá-lo, bem como apreender o caminhão e recuperar toda a carga roubada. A vítima apenas o criminoso, vulgo “GB”, como um dos participantes do roubo. Ele. Nome, foi morto nesse ano durante operação policial no Complexo de Manguinhos, fato investigado no IP 901- 00027/2025. As investigações voltaram-se, então, à malta responsável pelos roubos de carga cujo transbordo é direcionado ao Complexo de Manguinhos, de forma que se identificou a atuação de uma associação criminosa armada voltada tanto para o emprego de violência e grave ameaça para subtração da carga, mas principalmente para a disponibilização de uma infraestrutura logística e bélica a viabilizar a prática de roubos e o transbordo da carga em territórios dominados pelo Comando Vermelho. Assim, identificou-se que os integrantes do Comando Vermelho que atuam no Complexo de Manguinhos passaram a fornecer “serviços de logística” para o roubo e o transbordo de carga roubada para aqueles indivíduos que pretendessem subtrair (executar o roubo) a carga. Dessa forma, os personagens aqui denunciados se valem da hegemonia territorial do Comando Vermelho para disponibilizar um ambiente propício à consumação dos crimes de roubo que ocorrem naquela região. As investigações mostraram que a associação criminosa armada emprega homens armados e barricadas para fazer a segurança das entradas das comunidades que compõem o Complexo de Manguinhos, impedindo que agentes de segurança tentem reaver a carga roubada. Da mesma forma, os denunciados possuem um esquema de logística próprio, determinando a melhor localidade para o descarregamento e empregando um pessoal próprio para realizar o transbordo da carga, normalmente usuários de entorpecentes. Verificou-se que as cargas que são efetivamente subtraídas são vendidas para receptadores por metade do preço da nota fiscal. Esse valor é dividido entre os integrantes da Facção Criminosa que garante proteção e logística aos roubadores e os próprios executores do roubo, cada um recebendo 50%.Os denunciados integram a facção criminosa autodenominada Comando Vermelho, que exerce o domínio territorial do Complexo de Manguinhos. Cada um cumpre uma função de importância no núcleo associativo, viabilizando toda a estrutura logística para o roubo da carga, desde o fornecimento de armamento, o acesso de cargas roubadas à Comunidade, o transbordo e posterior revenda. A fim de robustecer o acervo probatório, a d. autoridade policial compareceu em unidades prisionais para colher depoimentos de custodiados que foram presos em flagrante por roubo de carga na circunscrição da 21a DP, que abrange o Complexo de Manguinhos, diligência que trouxe conhecimento significativo sobre a posição de destaque ocupada por cada integrante do núcleo associativo. Além disso, alguns policiais militares lotados no setor de inteligência da Unidade de Polícia Pacificadora de Manguinhos – 15a UPP, trouxeram diversas informações relevantes sobre os denunciados, conhecidos pelos agentes que patrulham aquela região diariamente, explicando em seus depoimentos a atuação de cada um e realizando reconhecimentos formais. Vítimas de outros roubos de carga ocorridos na localidade conseguiram identificar alguns dos denunciados, enriquecendo o acervo probatório ao descrever a atuação de cada um durante a interceptação e o transbordo da carga subtraída. Imagens das redes sociais, em cotejo com o reconhecimento formal feito em sede policial e com laudos de perícia morfológica, permitiram confirmar a qualificação de outros denunciados e, principalmente, estabelecer o vínculo associativo entre eles. Além de Maurinho, o bandido conhecido como Jogador , é quem opera o roubo de cargas na Comunidade do Mandela. Uma testemunha revelou que “nenhuma carga entra no Mandela sem a permissão do responsável, , além de reconhecer que Jogador circula pela Comunidade do Mandela portando pistolas e escoltado por seguranças armados com fuzis e ostentando coletes balísticos. O denunciado possui anotações criminais por roubo

Investigação revela império de um dos alvos da operação no São Carlos (TCP): mansão, carros de luxo, controle da internet e bloqueio de R$ 347 milhões.

Pegando como gancho a operação que teve como alvo integrantes do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo de São Carlos nesta semana, revelamos r detalhes sobre o que as autoridades descrevem como um verdadeiro império criminoso comandado por Rafael Carlos da Silva Ferreira, o Parazão, apontado como uma das principais lideranças da facção no Rio de Janeiro. Segundo a investigação, Parazão não era apenas mais um traficante da organização. Os documentos afirmam que ele recebeu de Anderson Rosa Mendonça, o Coelho, apontado como um dos chefes históricos do TCP, o controle do Morro da Mineira, uma das comunidades que integram o Complexo de São Carlos, na região central do Rio. De acordo com a apuração, Coelho teria dado a Parazão “carta branca” para administrar a Mineira da forma que desejasse, consolidando sua posição como uma das figuras mais influentes da facção. Mesmo preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, Coelho continuaria acompanhando assuntos relacionados à administração da região, segundo diálogos interceptados durante as investigações. Domínio sobre a Mineira e ligação entre Rio e Minas As investigações apontam que Parazão construiu uma estrutura que ultrapassava as fronteiras do Rio de Janeiro. Além de ser identificado como o “frente” do TCP na Mineira, ele também é apontado como líder da organização criminosa conhecida como Sala VIP, com atuação no aglomerado Cabana do Pai Tomás, em Belo Horizonte. Para os investigadores, a estrutura funcionava como uma verdadeira empresa criminosa, com operadores financeiros, responsáveis por movimentação de dinheiro, transporte de drogas, logística e controle territorial. Mansão, carros de luxo e vida de alto padrão A investigação também descreve um padrão de vida incompatível com a renda formal dos envolvidos. Segundo os investigadores, recursos atribuídos a Parazão teriam sido utilizados para aquisição de um imóvel de alto padrão no bairro Paraíso, em Belo Horizonte, além da compra de veículos de luxo utilizados por pessoas ligadas ao grupo. Os documentos apontam que o imóvel teria sido adquirido por intermédio de pessoas próximas ao traficante e pago com recursos oriundos das atividades criminosas atribuídas à organização. Entre os veículos citados na investigação aparecem uma Mitsubishi ASX, avaliada em cerca de R$ 70 mil, uma Mitsubishi Outlander, uma Toyota Hilux SRX avaliada em aproximadamente R$ 185 mil, além de um Volkswagen Nivus, Honda Civic, Toyota Corolla e outros automóveis que acabaram atingidos pelas medidas judiciais. Segundo os investigadores, parte desses bens estaria registrada em nome de terceiros para dificultar a identificação dos verdadeiros proprietários. A investigação também aponta gastos elevados com imóveis, veículos, despesas pessoais e movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada pelos envolvidos. Controle da internet nas comunidades Outro ponto que chamou atenção das autoridades foi o suposto controle exercido por Parazão sobre o mercado de internet em áreas dominadas pelo grupo. Segundo diálogos interceptados, ele recebia mensalmente cerca de R$ 50 mil provenientes do chamado “negócio da internet”. As investigações indicam que empresas concorrentes teriam dificuldades para atuar em determinadas comunidades sem autorização da organização criminosa. Mensagens analisadas pelos investigadores mostram integrantes discutindo se determinados provedores poderiam ou não instalar serviços nas regiões controladas pelo grupo. Rede milionária de lavagem de dinheiro A investigação aponta a existência de uma complexa rede financeira utilizada para movimentar recursos atribuídos à organização. Relatórios de inteligência financeira identificaram pessoas ligadas ao grupo movimentando milhões de reais em contas bancárias apesar de possuírem rendas formais baixas ou incompatíveis com os valores transacionados. Um dos operadores financeiros citados teria movimentado mais de R$ 4,8 milhões em suas contas. Outro investigado aparece associado a transações que ultrapassariam R$ 12 milhões. Há ainda registros de movimentações superiores a R$ 8,6 milhões realizadas por investigados que declaravam renda mensal pouco acima de mil reais. Segundo as autoridades, a estrutura utilizava empresas, contas de terceiros e sucessivas transferências para ocultar a origem dos recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro. Empresas sob suspeita Os investigadores também identificaram empresas que teriam sido utilizadas para movimentar recursos relacionados ao grupo criminoso. Entre elas aparecem provedores de internet, empresas de transporte, importação, exportação e outros negócios que passaram a ser monitorados pelas autoridades. Uma das empresas citadas na investigação movimentou mais de R$ 52 milhões em aproximadamente um ano. Outra teria registrado cerca de R$ 22 milhões em operações consideradas incompatíveis com o faturamento declarado. Para os investigadores, parte dessas empresas funcionaria como mecanismo para ocultação e circulação de dinheiro da organização criminosa. Drogas, armas e rota entre estados As investigações também apontam que integrantes do grupo atuavam no transporte de drogas entre Minas Gerais e Rio de Janeiro para abastecer áreas dominadas pela facção. Os investigadores encontraram registros de negociações envolvendo cocaína, crack, maconha, drogas sintéticas e armas de fogo. Também foram localizadas imagens de fuzis, carregamentos de entorpecentes e referências diretas ao TCP e à chamada Sala VIP. As apurações identificaram ainda deslocamentos frequentes de integrantes do grupo para regiões próximas à fronteira com o Paraguai, área historicamente associada às rotas de entrada de drogas no Brasil. Bloqueio de R$ 347 milhões Diante do conjunto de provas reunidas durante a investigação, a Justiça determinou o bloqueio de contas bancárias, aplicações financeiras, empresas, veículos e outros bens ligados aos investigados. O valor das medidas patrimoniais chega a R$ 347,6 milhões. Além dos bloqueios financeiros, a decisão também determinou restrições sobre diversos veículos apontados como ligados à estrutura investigada. Para as autoridades, os elementos reunidos demonstram que Parazão não exercia apenas o comando armado do Morro da Mineira, mas estaria no centro de uma organização que combinava tráfico de drogas, controle econômico de territórios, exploração de serviços em comunidades e uma sofisticada engrenagem de movimentação financeira capaz de movimentar centenas de milhões de reais. As investigações prosseguem para identificar a extensão total do patrimônio supostamente acumulado pelo grupo e a participação de outros integrantes da organização criminosa.

Veja detalhes da fuga de Adilsinho com ajuda de PM preso ao seu lado este ano em Cabo Frio; comerciantes de cigarros da quadrilha são investigados por milícia e homicídios e foram beneficiados por depósitos feitos por empresa de contraventor

A investigação que apura a estrutura criminosa atribuída a Adilson Oliveira Coutinho Filho, o “Adilsinho”, vem revelando conexões que vão muito além do comércio ilegal de cigarros. Entre os fatos que mais chamaram atenção das autoridades está a atuação de um policial militar apontado como integrante do núcleo de segurança do grupo e acusado de ter ajudado o criminoso a escapar de uma operação policial antes de ser encontrado ao seu lado meses depois. Segundo o Ministério Público Federal, o policial militar Diego D’Arribada Rebello de Lima desempenhou papel decisivo durante uma tentativa frustrada de captura de Adilsinho no condomínio Reserva do Itanhangá, na Zona Oeste do Rio. As investigações indicam que agentes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) monitoravam a presença do criminoso no local quando a operação foi desencadeada. Apesar do cerco policial, Adilsinho conseguiu fugir. De acordo com a acusação, Diego foi identificado circulando pela região em uma Mitsubishi Outlander prata e posteriormente teria sido visto armado no condomínio vizinho Greenwood. A apuração aponta que o policial e Adilsinho atravessaram o muro que separa os dois condomínios para escapar da ação policial. Ainda segundo os investigadores, Diego teria utilizado sua condição funcional para intimidar funcionários da segurança privada do condomínio, chegando a apresentar sua carteira de policial militar para facilitar a fuga. A evasão teria sido concluída quando os dois alcançaram uma caminhonete que os aguardava nas proximidades. Meses depois, em fevereiro de 2026, o mesmo policial voltou a aparecer no centro das investigações. Durante uma operação realizada em Cabo Frio, agentes da FICCO encontraram Diego dentro de uma residência ao lado de Adilsinho. Segundo o Ministério Público Federal, ele estava armado com uma pistola Glock calibre .40 municiada. Para os investigadores, a sequência dos fatos reforça a suspeita de que o PM não prestava auxílio eventual ao criminoso, mas integrava de forma permanente a estrutura responsável por sua proteção e segurança. Com base nesses elementos, o Ministério Público Federal denunciou Diego D’Arribada Rebello de Lima por suposta participação na organização criminosa investigada na Operação Libertatis. Na denúncia, os procuradores sustentam que ele atuava no núcleo armado da estrutura atribuída a Adilsinho, exercendo funções de segurança, apoio logístico e ocultação do paradeiro do contraventor. Além da condenação criminal, o MPF pediu à Justiça Federal a perda do cargo de policial militar e a interdição para o exercício de função pública pelo prazo de oito anos após o cumprimento da eventual pena, caso haja condenação. Ligações com investigados por milícia e homicídios As investigações também revelaram que a estrutura financeira atribuída a Adilsinho mantinha relações com personagens conhecidos das forças de segurança por envolvimento em apurações sobre milícias na Baixada Fluminense. Um dos nomes citados é o de Siri, apontado pelos investigadores como comerciante de cigarros contrafeitos e investigado há anos por supostas ligações com grupos paramilitares em Duque de Caxias. Segundo a apuração, Siri foi preso em 2019 durante uma operação da Core e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil enquanto participava de uma partida de futebol ao lado de outros suspeitos ligados à milícia. Na ocasião, diversas armas de fogo foram apreendidas. Mesmo após o episódio, seu nome continuou aparecendo em documentos relacionados à ADILOC, empresa apontada pela Polícia Federal como parte da engrenagem financeira da organização criminosa atribuída a Adilsinho. Além disso, Siri também aparece em investigações relacionadas à tentativa de homicídio contra um policial militar e por suposta participação em milícia privada. Outro personagem mencionado é PQD, que segundo a investigação também recebeu notas fiscais emitidas pela ADILOC e aparece vinculado a operações que somariam quase R$ 400 mil em mercadorias. O histórico atribuído a PQD chamou atenção dos investigadores porque ele responde a processos relacionados a homicídios atribuídos à atuação de milicianos na Baixada Fluminense. Nos autos citados pela Polícia Federal, ele aparece ao lado de policiais militares acusados de participação nos assassinatos, incluindo integrantes conhecidos pelos apelidos de “Cara de Pedra”. Notas fiscais sob suspeita Segundo a Polícia Federal, mensagens obtidas durante a investigação indicam que integrantes da estrutura administrativa ligada à empresa determinavam a emissão de notas fiscais em nome de pessoas vinculadas ao esquema. A suspeita é que parte desses documentos não correspondesse a operações comerciais reais e fosse utilizada para dar aparência de legalidade à circulação de mercadorias e recursos oriundos das atividades criminosas. Na avaliação dos investigadores, o mecanismo teria sido empregado para ocultar movimentações financeiras, dificultar o rastreamento dos recursos e fortalecer a estrutura econômica da organização. Investigação continua A Polícia Federal e o Ministério Público sustentam que os elementos reunidos apontam para uma organização criminosa com atuação diversificada, envolvendo comércio ilegal de cigarros, operadores financeiros, pessoas investigadas por milícia e indivíduos ligados a crimes violentos. As investigações seguem em andamento e novas medidas não estão descartadas.

Saiba detalhes sobre a atuação da facção baiana ligada ao CV alvo de operação ontem pela Polícia Civil do RJ

Uma investigação conduzida pelas autoridades da Bahia revelou a existência de uma sofisticada organização criminosa ligada ao Comando Vermelho que atuava principalmente no Complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador, e que teria movimentado cerca de R$ 99 milhões por meio de um esquema de lavagem de dinheiro destinado a ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas e de outras atividades criminosas. O bando foi alvo de operação ontem pela Polícia Ciivl no Rio. Seus integrantes estariam escondidos em comunidades da Zona Sudoeste carioca. Considerado um dos principais redutos do Comando Vermelho na capital baiana, o Complexo do Nordeste de Amaralina há anos figura entre as áreas de maior interesse das forças de segurança devido à forte presença da facção. Segundo as investigações, o grupo possuía uma estrutura altamente organizada, com divisão de funções e mecanismos financeiros sofisticados para dificultar a ação das autoridades. No topo da organização estaria o traficante conhecido como “Surfista”, apontado como uma das principais lideranças da facção na região. De acordo com o Ministério Público da Bahia, ele exercia funções de comando, coordenando atividades criminosas e gerenciando o fluxo financeiro da organização. As apurações tiveram início após a identificação de movimentações financeiras consideradas suspeitas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A partir daí, foram realizadas análises bancárias, fiscais e patrimoniais que permitiram aos investigadores reconstruir a engrenagem financeira da organização. Os relatórios apontam que a facção utilizava métodos típicos de lavagem de dinheiro para esconder a origem dos recursos obtidos com o tráfico. Entre as práticas identificadas estão o fracionamento de depósitos em pequenas quantias para evitar mecanismos de controle do sistema financeiro, a pulverização de recursos entre diversas contas bancárias e a rápida transferência de valores entre diferentes titulares. Segundo a investigação, o dinheiro proveniente das atividades criminosas era inicialmente inserido no sistema financeiro por meio de contas registradas em nome de terceiros. Em seguida, os valores passavam por uma série de transferências sucessivas destinadas a dificultar o rastreamento da origem ilícita dos recursos. A análise dos extratos bancários revelou mais de 12 mil operações financeiras interligadas, evidenciando, segundo os investigadores, um esquema profissionalizado e estruturado para movimentação de dinheiro do crime organizado. As autoridades também identificaram o uso de empresas sem atividade econômica compatível com os valores movimentados. Algumas delas eram classificadas como inaptas perante a Receita Federal, mas continuavam sendo utilizadas para dar aparência de legalidade às transações realizadas pela organização criminosa. De acordo com os investigadores, a estrutura da facção era dividida em diferentes núcleos. O núcleo diretivo seria responsável pelas decisões estratégicas e pelo comando das atividades criminosas. Já o núcleo operacional-financeiro executava as movimentações bancárias e administrava a circulação dos recursos ilícitos. Havia ainda um núcleo de apoio patrimonial e familiar, composto por pessoas encarregadas de disponibilizar contas bancárias, empresas e estruturas utilizadas para ocultação de bens e valores. As investigações apontam que diversos integrantes exerciam funções específicas dentro do esquema, atuando como intermediários financeiros e operadores responsáveis pela fragmentação e dispersão dos recursos movimentados pela facção. Outro elemento que reforçou as suspeitas foi a identificação de vínculos entre os investigados e pessoas já investigadas ou processadas por tráfico de drogas. Para as autoridades, esses elementos demonstram a conexão direta entre a atividade de tráfico e o sistema de lavagem de dinheiro utilizado para esconder os lucros obtidos pela organização. Segundo o Ministério Público, os indícios reunidos mostram que não se tratava de movimentações isoladas ou esporádicas, mas de um esquema permanente e coordenado, estruturado para sustentar financeiramente as atividades da facção criminosa. Operação chegou ao Rio de Janeiro Foi justamente para atingir integrantes dessa organização que policiais civis da Bahia e do Rio de Janeiro deflagraram, nesta quinta-feira (11), a segunda fase da Operação Maré Vermelha. A investigação apontou que alguns dos alvos passaram a utilizar comunidades da Zona Oeste do Rio de Janeiro, especialmente em regiões de Jacarepaguá, Rio das Pedras e arredores da Gardênia Azul, como refúgio para escapar da pressão das forças de segurança baianas. Mesmo fora da Bahia, os investigados continuariam participando de atividades ligadas ao tráfico de drogas, tráfico de armas e à movimentação financeira da facção. Com apoio de agentes da 32ª DP (Taquara), equipes cumpriram mandados de prisão e de busca e apreensão contra integrantes da organização criminosa. O objetivo da ofensiva é localizar foragidos, reunir novas provas e enfraquecer a estrutura financeira e logística de uma das principais ramificações do Comando Vermelho em atuação na Bahia.

Quem são os frentes do TCP no Complexo de São Carlos alvos de operação da Polícia Civil; denúncias de extorsão contra comerciantes e moradores anunciadas como novidade pela imprensa carioca se arrastam há anos

pontados como os principais responsáveis pelo comando do Terceiro Comando Puro (TCP) no Complexo de São Carlos, os traficantes conhecidos pelos apelidos de “Parazão”, “Empada” e “Cheru” estão no centro de uma investigação que revela uma estrutura criminosa muito mais ampla do que o tráfico de drogas. Subordinados diretamente ao traficante “Coelho”, apontado pela polícia como chefe da facção na comunidade mesmo estando preso, os três são acusados de administrar um esquema que há anos acumula denúncias de extorsão contra comerciantes, expulsão de moradores de suas casas, sequestros para transferências via Pix, roubos e lavagem de dinheiro. Formado pelos morros do São Carlos, Mineira, Zinco e Querosene, o Complexo de São Carlos é considerado uma das principais fortalezas do TCP na capital fluminense. Segundo as investigações, os chamados “frentes” da facção dividem entre si áreas estratégicas da comunidade e seriam responsáveis pela gestão das atividades criminosas que movimentam milhões de reais para a organização. As acusações envolvendo o grupo não são recentes. Há anos comerciantes da região denunciam a imposição de taxas ilegais cobradas pela facção para permitir o funcionamento de estabelecimentos comerciais. De acordo com a Polícia Civil, quem se recusava a pagar os valores exigidos corria o risco de sofrer ameaças, represálias e até ser impedido de trabalhar. As investigações apontam ainda que o TCP expandiu sua influência para setores que nada têm a ver com o tráfico de drogas. A facção passou a exercer controle sobre serviços como internet, gás e outras atividades econômicas dentro das comunidades dominadas, criando uma fonte permanente de arrecadação e aumentando seu poder sobre a população local. Outro ponto considerado gravíssimo pelos investigadores envolve a expulsão de moradores de seus próprios imóveis. Segundo a apuração, famílias eram ameaçadas por criminosos armados e obrigadas a abandonar suas residências. Após a saída forçada, os imóveis passavam a ser ocupados por integrantes da organização ou por pessoas ligadas ao grupo, fortalecendo o patrimônio da facção e ampliando seu domínio territorial. A atuação criminosa também se estendia para fora dos limites da comunidade. Nas regiões do Estácio, Cidade Nova e arredores, criminosos ligados ao Complexo de São Carlos são apontados como responsáveis por roubos de veículos, celulares e cargas. Entre os crimes investigados está uma modalidade que tem se tornado cada vez mais frequente no Rio de Janeiro: os sequestros para transferências bancárias via Pix. Segundo a Polícia Civil, vítimas eram abordadas nas ruas e levadas para dentro da comunidade, onde permaneciam sob ameaça de traficantes armados até realizarem transferências para contas controladas pela organização criminosa. Em alguns casos, os criminosos esvaziavam completamente as contas bancárias antes de libertar as vítimas. De acordo com os investigadores, traficantes do Complexo de São Carlos figuram entre os principais responsáveis pelos roubos de cargas e veículos registrados na área da 6ª DP e em regiões vizinhas, utilizando parte desses recursos para financiar as atividades da facção. As apurações também identificaram um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro utilizado para ocultar os lucros obtidos com o tráfico, as extorsões, os roubos e os sequestros. Empresas de fachada e pessoas utilizadas como laranjas teriam sido empregadas para movimentar recursos ilícitos e reinseri-los na economia formal sem levantar suspeitas. Mas um dos aspectos que mais chamou a atenção dos investigadores foi a descoberta de uma estrutura específica destinada ao comércio ilegal de armas de fogo. Segundo a Polícia Civil, integrantes da organização não atuavam apenas como operadores financeiros ou administradores do patrimônio da facção. Parte do grupo exercia funções ligadas à negociação, intermediação e aquisição clandestina de armamentos destinados ao fortalecimento do arsenal do TCP. As investigações apontam que essa rede era responsável por abastecer comunidades dominadas pela facção, garantindo a chegada de armas utilizadas para sustentar o controle territorial exercido pelo grupo criminoso. Para os investigadores, o esquema de armamentos era peça fundamental para manter o poder da organização, permitindo a imposição de taxas ilegais, a intimidação de comerciantes, a expulsão de moradores de imóveis e a prática de outros crimes sob a proteção de criminosos fortemente armados. A suspeita é que alguns dos investigados funcionassem como elo entre fornecedores de armamento e lideranças da facção, fortalecendo o aparato bélico utilizado pelo TCP tanto na defesa de seus pontos de venda de drogas quanto em disputas territoriais e ações criminosas realizadas fora das comunidades. Operação desta sexta-feira Foi justamente para atingir essa engrenagem financeira, patrimonial e operacional que policiais civis da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) deflagraram nesta sexta-feira (12) uma operação interestadual contra integrantes do Terceiro Comando Puro ligados ao Complexo de São Carlos. A ação mobilizou equipes do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo para o cumprimento de mandados de busca e apreensão contra investigados apontados como integrantes da estrutura criminosa. A ofensiva conta com apoio de agentes do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), Departamento-Geral de Polícia da Capital (DGPC), Departamento-Geral de Polícia da Baixada (DGPB) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core). Com base nas provas reunidas ao longo da investigação, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 60 milhões, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens que, segundo os investigadores, teriam sido adquiridos com recursos provenientes das atividades criminosas. De acordo com a Polícia Civil, o objetivo da operação é desarticular a estrutura financeira da facção, atingir o patrimônio acumulado pelo grupo, enfraquecer o esquema de lavagem de dinheiro e desmontar a rede utilizada para abastecer o TCP com armamentos. As investigações continuam e novas diligências não estão descartadas. A expectativa dos investigadores é que a ofensiva represente um duro golpe contra uma das principais bases operacionais do Terceiro Comando Puro na Região Central do Rio, onde, segundo a polícia, o tráfico de drogas convive há anos com extorsões, sequestros para Pix, invasões de imóveis, roubos e um sofisticado esquema de movimentação de dinheiro e armas. V

Devido a discussão por videogame, mulher induziu criança a ir a boca de fumo em São Gonçalo acusar falsamente rapaz de estupro. Traficantes o agrediram até a morte

Uma criança de 14 anos foi instruída a ir a uma boca de fumo na comunidade Nova Grécia, em São Gonçalo, acusar um rapaz chamado Patrick de tê-la estuprado e que batia nos seus pais e irmãos. A falsa acusação arquitetada por terceiros acabou levando traficantes locais a capturá-lo e submetê-lo a inúmeras agressões físicas que culminaram no seu óbito. Segundo a investigação, uma das autoras da acusação tinha desavenças com a vítima por causa de uma disputa material mesquinha (a cobrança da devolução de um videogame) e acabou simulando uma grave ofensa sexual para instrumentalizar o braço armado do tráfico de drogas e obter a morte da vítima Um mototaxista levou rapaz até o ponto de venda de drogas e Patrick foi de bom grado acreditando ser uma situação que conseguiria resolver.Os bandidos então levaram Patrick que estava sendo acusado de estuprar uma bebê de quatro anos, uma menina de quatro anos e uma adolescente de 14 anos. Testemunhas foram a procura do rapaz. Uma delas foi impedida de subir para a boca de fumo. Elas passaram pelas comunidades da Favelinha e Mangueirinha. Uma destas testemunhas conversou novamente com o mototaxista que levou Patrick até os traficantes e ele lhe disse que o jovem não mais voltaria pois estava amarrado pelos pés e pelas mãos. O declarante retornou á Nova Grècia e soube que os traficantes conversaram com o chefe da boca que liberou a entrada de uma pessoa próxima a Patrick para verificar o corpo mas o rapaz ainda estava vivo. Os bandidos obrigaram essa pessoa a bater mais em Patrick com pedaço de madeira mas esta se recusou e o rapaz foi agredido ainda mais . Segundo os relatos, haviam seis homens com camisa amarrada no rosto. Eles gritaram que Patrick havia estuprado um bebê de quatro meses, uma menina de 04 anos e uma menina de 14 anos;. Um dos suspeitos estava muito alterado e gritando. “Você gostaria que fosse sua filha que tivesse sido estuprada” Os familiares de Patrick desceram com ele e o levaram ao hospital onde ele faleceum Uma testemunha relatou que a criança que acusou Patrick foi até a sua casa informando que estava assustada e que o rapaz apenas havia brincado com ela de colocar o pé na frente e que não tinha feito nada com ela. Falou que em 23 de fevereiro de 2026, apareceram dois homens em sua casa ameaçar sua família mas a situação depois ficou resolvida, O enterro de Patrick ocorreu no domingo de carnaval. Na quarta-feira de cinzas, a testemunha conversou com o mototaxista que levou Patrick até a boca de fumo e este lhe disse que arrependeu do feito, A Justiça decretou a prisão preventiva deste mototaxista (vulgo Calabresa( e de uma mulher (conhecida como CR) que teria induzido a criança a fazer acusações contra Patrick,

Já paguei lá na Delegacia”: oito anos depois, suposto esquema de propina do gatonet envolvendo policiais civis de duas unidades e PMs explode na Justiça

Depois de oito anos da ocorrência dos fatos, um suposto esquema de corrupção envolvendo policiais civis de duas delegacias, PMs e responsáveis por instalação de TV a cabo clandestina na Zona Norte da cidade virou alvo da Justiça A 2ª Vara Criminal de Madureira abriu processo no ano passado contra os supostos pagadores de propina identificados pelos vulgos de Russo, Tiquinho e Porco e três policiais. Foi determinado o encaminhamento de ofício à Corregedoria-Geral da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, com cópia integral dos autos, para ciência e adoção das providências cabíveis, de modo que em sede administrativa poderão ser deferidas as medidas pleiteadas aqui, e sendo assim, indefiro neste momento as referidas medidas. A denúncia do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro revela que, segundo as investigações, os agentes da lei teriam recebido propinas mensais para não fiscalizar nem reprimir a exploração ilegal de serviços de internet, televisão por assinatura e telecomunicações, conhecidos popularmente como “gatonet”, em áreas da Zona Norte do Rio. De acordo com a acusação, os pagamentos eram realizados por integrantes do grupo responsável pela operação clandestina, identificados pelos apelidos de “Russo”, “Tiquinho” ou “Dr.”, “Porco”, além de outros envolvidos conhecidos como “Gordinho”, “Palitinho” e “Rato”. Propinas mensais dentro da 30ª DP Segundo a denúncia, entre abril e novembro de 2017, um policial civil lotado na 30ª DP (Marechal Hermes), em conjunto com outro agente identificado como “Rocha”, teria solicitado e recebido pagamentos mensais em dinheiro. O Ministério Público afirma que os valores eram entregues regularmente por integrantes do esquema de gatonet para garantir que as atividades ilegais continuassem funcionando sem repressão policial. A acusação sustenta que os policiais, em troca das vantagens indevidas, deixaram deliberadamente de investigar e combater o serviço clandestino operado pelo grupo. Conversas interceptadas detalham pagamentos A denúncia cita uma série de mensagens extraídas de celulares apreendidos que, segundo os investigadores, comprovam a rotina dos repasses. Em uma conversa entre “Russo” e “Tiquinho Dr”, este último pergunta se o comparsa iria até Marechal Hermes — uma referência à sede da 30ª DP — e pede que sua parte fosse entregue. Já em diálogos entre “Russo” e “Porco”, os investigadores identificaram diversas referências diretas aos pagamentos. Em uma das mensagens, um dos envolvidos afirma: “Então, me espera aí. Me espera aí, que eu tô pegando aqui. Quer dizer, já falou com o TIQUINHO já? Vai levar o do TIQUINHO? Vai fazer o que?” Em outro trecho, a conversa continua: “Marca um 10 aí, que eu tô só esperando pra levar o do TIQUINHO aqui. 10 minutinhos, que a gente já leva logo o do TIQUINHO.” Pouco depois, aparece uma referência explícita à delegacia: “Já passei lá na Delegacia, pô. Já paguei lá já. Falta só pegar 300 reais contigo aí que o TIQUINHO mandou.” Outra mensagem reforça a dinâmica dos repasses: “Pô, se tu quiser me esperar aí no Extra ali, naquele posto de gasolina ali, eu levo lá pra tu. Tu que sabe. Se quiser deixar aí o dinheiro aí no barbeiro… Espera aí, cara. Tô chegando. 4 hora tu tá em casa. Quando eu tiver chegando, aí tu vai lá pra Delegacia e já dá logo, que eu tenho que te devolver 100 reais pra tu dar pro TIQUINHO.” Para os promotores, as conversas demonstram a movimentação de dinheiro destinada ao pagamento de propinas e a preocupação dos envolvidos com a distribuição dos valores. Esquema também alcançaria delegacia especializada A denúncia afirma ainda que o grupo mantinha um segundo canal de pagamento de propinas na Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), especializada justamente em investigar crimes relacionados a serviços públicos e concessões. Segundo o Ministério Público, até junho de 2018, “Russo”, “Tiquinho” e “Rato” teriam oferecido mensalmente quantias que variavam entre milhares de reais a policiais identificados como “Beto” e “Viana”. O objetivo seria o mesmo: impedir investigações e operações contra a rede clandestina de telecomunicações. As investigações apontam que os próprios integrantes do esquema passaram a desconfiar da forma como o dinheiro estava sendo distribuído. Mensagens encontradas pelos investigadores mostram “Russo” e “Tiquinho” reclamando de divergências nas informações repassadas pelos intermediários e levantando suspeitas de que parte dos valores poderia não estar chegando aos destinatários. Diante das desconfianças, os envolvidos decidiram interromper temporariamente os pagamentos realizados por intermédio de um homem identificado como Reynaldo, até que a situação fosse esclarecida. Acusação também envolve policial militar da inteligência A denúncia do MPRJ também descreve pagamentos destinados a um policial militar que atuava na Agência de Inteligência (P2) do 9º BPM. Segundo a acusação, entre abril e novembro de 2017, “Russo”, “Tiquinho” e “Porco” teriam oferecido vantagens indevidas ao policial para que ele deixasse de agir contra a exploração clandestina do gatonet. As mensagens reproduzidas na denúncia fazem referência direta aos pagamentos. Em uma delas, um dos investigados diz: “Já passei lá na Delegacia, pô. Já paguei lá já. Falta só pegar 300 reais contigo aí que o TIQUINHO mandou.” A resposta menciona outro destino para o dinheiro: “Ué, tu pagou lá já? Então eu pago lá a P2 pra tu. Tem os 400 lá da P2 né? Eu pago a P2 pra tu lá, então.” Em seguida, surge uma referência ao policial citado na investigação: “MEIRELES me ligou aqui. Falou que vai chegar 2 horas, aí tu dá o meu a ele aí. Só que o TIQUINHO falou pra mim pegar 300 reais contigo aí, mas não deve tá nem contigo, então?” A resposta foi: “Tá não. Tá com meu chefe. Ainda não peguei o dinheiro não. Vou pra lá e vou pegar com ele daqui a pouquinho.” Pouco depois, nova mensagem indica contato direto: “Já me chamou aqui. Já me chamou aqui já. Tá numa operação na Serrinha. E aí, qual vai ser?” Ministério Público vê rede de proteção para o gatonet Na denúncia, o Ministério Público sustenta que os pagamentos de propina tinham como finalidade garantir uma espécie de blindagem para a rede clandestina de gatonet operada pelos acusados. Segundo os promotores,

Farinha de trigo vira novo filão do crime: investigação revela que maior milícia da Baixada Fluminense já monopolizava produto muito antes das recentes operações policiais

As recentes ações das forças de segurança contra esquemas de venda ilegal de farinha de trigo explorados por milicianos e traficantes no estado do Rio de Janeiro jogaram luz sobre um negócio que movimenta milhões de reais longe dos holofotes. Mas documentos judiciais mostram que esse mercado clandestino já era explorado por grupos criminosos há pelo menos um ano. Um processo que tramita na 1ª Vara Criminal Especializada em Organizações Criminosas revela que integrantes da chamada “Milícia do Varão”, que atua em Seropédica, já controlavam a comercialização de farinha de trigo desde 2025, obrigando comerciantes a comprar o produto exclusivamente de fornecedores ligados ao grupo criminoso. A milícia do Varão ´é o maior grupo paramilitar da Baixada Fluminense sendo comandada por Gilson Ingrácio de Souza Júnior, o Juninho Varão,. A descoberta reforça a suspeita das autoridades de que o domínio sobre produtos básicos de consumo se tornou uma das principais fontes de arrecadação das organizações criminosas, ao lado da extorsão, da venda irregular de gás, água e internet. Monopólio criminoso Segundo a denúncia do Ministério Público, a milícia impunha um verdadeiro monopólio econômico na região do Jardim Maracanã, em Seropédica. Os comerciantes não tinham liberdade para escolher fornecedores. De acordo com as investigações, eram obrigados a adquirir farinha de trigo, gás, água, carvão e materiais elétricos de empresas e pessoas ligadas ao grupo criminoso. A organização também cobrava taxas periódicas dos estabelecimentos da região. Para os investigadores, o esquema funcionava como uma espécie de “imposto paralelo” imposto pela milícia sobre a economia local. Cobrança de taxas e domínio territorial De acordo com a denúncia, três milicianos atuavam de forma organizada dentro da estrutura criminosa. Pablo seria responsável por recolher os valores arrecadados e repassá-los para integrantes de escalões superiores da milícia. Mateus realizaria as cobranças diretamente nos estabelecimentos comerciais e receberia pagamento semanal para desempenhar essa função. Já Thiago seria o motorista utilizado pelo grupo durante as incursões para arrecadação de dinheiro e cobranças de comerciantes. As investigações apontam que os criminosos percorriam os estabelecimentos utilizando um Volkswagen Fox preto para recolher valores referentes à chamada “taxa de segurança”. Somente no dia da prisão dos acusados, segundo o Ministério Público, cerca de R$ 1 mil teriam sido arrecadados dos comerciantes da região. Farinha de trigo entra na mira das autoridades O caso ganha relevância justamente em um momento em que as autoridades intensificam operações contra esquemas semelhantes envolvendo a comercialização de farinha de trigo. Nos últimos meses, investigações passaram a apontar que milicianos e traficantes vêm ampliando sua atuação para além das atividades criminosas tradicionais, buscando controlar setores inteiros da economia em comunidades e bairros sob sua influência. A farinha de trigo passou a chamar a atenção dos investigadores por se tratar de um produto amplamente utilizado por padarias, pizzarias, confeitarias e pequenos comerciantes, garantindo fluxo constante de arrecadação para grupos criminosos. Prisões mantidas pela Justiça Os três acusados tiveram as prisões mantidas durante o andamento do processo. Segundo o Ministério Público, eles integrariam uma organização paramilitar conhecida como “Milícia do Varão”, apontada como responsável por extorsões sistemáticas e pelo controle econômico de diversos serviços e produtos na região. A denúncia foi recebida pela Justiça e os acusados respondem por constituição de milícia privada e extorsão. O caso é mais uma evidência de uma tendência observada pelas forças de segurança: organizações criminosas cada vez menos dependentes apenas do tráfico de drogas e cada vez mais interessadas em controlar mercados inteiros de produtos essenciais, transformando itens comuns do dia a dia, como a farinha de trigo, em instrumentos de poder e lucro para o crime organizado. Base operacional A DRACO tem a informação de que Condomínio Jardim Guandu, no Município de Nova Iguaçu, é a base operacional da milícia  com registros reiterados de atuação armada, controle territorial e imposição de domínio à população local,.

Milícia aterroriza agentes de segurança em Campo Grande e tenta impor ordens a policiais que moram no local. Um quase foi morto, aponta denúncia

Uma denúncia recebida pela Justiça revela um cenário alarmante em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio. Segundo o Ministério Público, milicianos que atuam na região não estariam apenas extorquindo moradores e comerciantes, mas também pressionando integrantes das forças de segurança pública para atender interesses da organização criminosa. De acordo com a acusação, policiais e outros agentes seriam obrigados a utilizar sua influência junto aos órgãos públicos aos quais pertencem para favorecer o grupo criminoso. Quando as exigências não são atendidas, os milicianos recorreriam à violência, incluindo tentativas de homicídio. A denúncia afirma que o grupo domina áreas de Campo Grande e regiões vizinhas por meio do medo, impondo cobranças semanais a moradores e comerciantes e mantendo uma estrutura criminosa capaz de intimidar até mesmo servidores ligados à segurança pública. A gravidade da situação levou a Justiça a decretar a prisão preventiva de Maycon Lucas Miranda Lara, Luis Claudio Ribeiro Monteiro e Patrick Gonçalves de Souza, acusados de integrar a organização miliciana. Segundo o Ministério Público, a atuação do grupo vai além das extorsões. Os promotores sustentam que os criminosos exercem influência sobre moradores e agentes públicos, utilizando ameaças e violência para garantir que seus interesses sejam atendidos. O caso que levou à denúncia ocorreu em março deste ano e teria como vítima um policial penal. Tentativa de execução após recusa Segundo as investigações, o policial penal S.O.C teria sido alvo de uma tentativa de assassinato após se recusar a atender uma exigência do grupo criminoso. De acordo com a denúncia, os milicianos queriam que o agente facilitasse a devolução de uma motocicleta apreendida pela polícia. Diante da negativa, os acusados teriam decidido executá-lo. No dia 24 de março, na esquina da Estrada do Cabuçu com a Rua Ataliba Dutra, os criminosos teriam efetuado diversos disparos contra a vítima. O policial foi atingido por três tiros no abdômen, mas conseguiu fugir e recebeu atendimento médico que impediu sua morte. Por conta do crime, dois suspeitos passaram a responder por tentativa de homicídio qualificado e constituição de milícia privada. A denúncia foi recebida pela Justiça, que também decretou a prisão preventiva dos investigados. Durante as investigações foram apreendidas armas, carregadores e munições de diferentes calibres, incluindo pistolas .380, .40 e 9 milímetros. Os elementos reunidos pela Polícia Civil e pelo Ministério Público serviram de base para a denúncia e para o pedido de prisão dos acusados. Agora, com a denúncia recebida pela Justiça, os três investigados passarão a responder formalmente pelos crimes atribuídos pelo Ministério Público, enquanto o processo segue para a fase de instrução criminal. Para o Ministério Público, o atentado foi uma demonstração de força da organização criminosa e um recado para aqueles que se recusam a colaborar com seus interesses.

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