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Author name: Mario Hugo Monken

Sou redator com 25 anos de experiência em investigação policial, formado em Jornalismo. Ao longo da carreira, desenvolvi um olhar apurado para apurar e contar histórias complexas, com foco em detalhes e precisão. Minha paixão pela investigação e pela escrita me permite desvendar narrativas profundas, oferecendo ao leitor informações relevantes e impactantes sobre o universo da segurança pública.

Mario Hugo Monken

PM morto após entrar em área do TCP deixou rastro de crise conjugal, suposta ameaça e uma pergunta sem resposta: por que foi na Maré?

Morto no ano passado no Complexo da Maré, o policial militar Gabriel Guimarães Sá Izaú passou as últimas horas de vida envolvido em uma sequência de acontecimentos que ainda deixa perguntas sem resposta para a investigação. Na noite anterior à sua morte, ele estava com a amante. . Na manhã seguinte, voltou à casa dela bastante agitado, com um arranhão no rosto, e contou que havia acabado de ter uma briga séria com a esposa. Segundo a amante, Gabriel afirmou que a mulher o havia ameaçado com uma faca e, naquele momento, chegou a perguntar se poderia morar com ela. Pouco depois, o policial deixou novamente a residência. Horas mais tarde, seria encontrado morto depois de entrar na Vila do João, em Duque de Caxias, área dominada por uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas. O que levou Gabriel até a comunidade, porém, permanece como um dos principais mistérios do caso. Familiares e pessoas próximas afirmaram à polícia que ele não frequentava favelas, evitava passar por regiões próximas a comunidades e não tinha, segundo os depoimentos, amigos ou parentes conhecidos na Vila do João. A investigação resultou na denúncia do Ministério Público contra Nei da Conceição Cruz, o Facão, Marcelo Santos das Dores, o Menor P, Alexandre Ramos Nascimento, o Pescador e Michel de Souza Malveira, o Bill ou Mangolé, acusados de homicídio qualificado. A Justiça recebeu a denúncia e apontou a existência de prova da materialidade e de indícios suficientes de autoria. Na mesma decisão, o juiz destacou que, segundo os autos, Gabriel teria sido morto após um confronto violento em território dominado pela organização criminosa e que, depois do assassinato, terceiros ainda não identificados teriam retirado o corpo do local da morte e o levado para outra região, supostamente a mando dos denunciados, com o objetivo de dificultar a elucidação do crime. Mas os depoimentos reunidos na investigação mostram que, antes de chegar à comunidade, Gabriel também enfrentava uma grave crise na vida pessoal. PM passou a noite com amante e voltou agitado pela manhã A amante do PM contou à polícia que mantinha um relacionamento amoroso com Gabriel desde fevereiro de 2024. Quando os dois se conheceram, segundo ela, o policial afirmou ser divorciado. Em outubro daquele ano, porém, ela descobriu que ele continuava casado. A mulher afirmou que, ao descobrir a situação, procurou a esposa do PM , que confirmou o casamento com Gabriel. Caroline então tentou terminar o relacionamento, mas disse que o policial não aceitou e passou a persegui-la. Por causa disso, ela registrou uma ocorrência contra ele por stalking. Posteriormente, segundo amante, Gabriel voltou a procurá-la dizendo que havia se separado e que estava morando na casa da mãe. Ela então aceitou reatar o relacionamento. Na noite de 19 de julho de 2025, véspera da morte, os dois foram juntos à Rua Olegário Maciel, na Barra da Tijuca, e depois seguiram para a casa da amante, onde dormiram. Na manhã do dia 20, Gabriel saiu da residência por volta das 8h. Cerca de meia hora depois, retornou inesperadamente. Foi quando a amante percebeu que ele estava bastante agitado e apresentava um arranhão na região do rosto. Segundo o depoimento, ela perguntou o que havia acontecido. Gabriel teria respondido que havia tido uma briga séria com a esposa e que ela o havia ameaçado com uma faca. Naquele momento, ainda segundo a amante, Gabriel perguntou se poderia morar com ela. A resposta foi negativa. a amante disse que havia acabado de descobrir que Gabriel continuava se relacionando com a esposa Depois da conversa, Gabriel a abraçou e saiu da residência sem dizer para onde iria. No dia seguinte, Caroline soube da morte do policial por meio de um amigo que também trabalhava no 17º BPM. Esposa diz que mandou Gabriel pegar as coisas e ir embora O depoimento da esposa apresenta outra parte da sequência que antecedeu a morte. Ela contou que conheceu Gabriel em 2010 e que os dois estavam juntos desde então. O casal tinha um filho de sete anos. Segundo Irlande, ela descobriu que o marido mantinha um relacionamento extraconjugal desde o início de 2024 depois de encontrar uma cópia de um registro de ocorrência no qual Gabriel aparecia como autor de stalking contra a amante Após descobrir a traição, Irlande afirmou que soube que o marido continuava mantendo o relacionamento com outra mulher. Apesar da crise, ela relatou que Gabriel era uma pessoa alegre e calma, não apresentava comportamento agressivo e dizia que gostaria de ter outro filho com ela. Na manhã de 20 de julho, dia da morte, Gabriel chegou à residência do casal por volta das 9h30, aparentando não ter dormido durante a noite. A esposa afirmou que, naquele momento, disse a ele: “Você pega as suas coisas e vai embora.” Gabriel teria tentado conversar, mas ela afirmou que não queria conversar naquele momento. A esposa então telefonou para o sogro pedindo que ele fosse até a residência. Pai encontrou o filho pouco antes da saída Abel contou que chegou à casa do casal logo depois e permaneceu no local aproximadamente até as 11h. Ele afirmou que não presenciou nenhuma discussão entre Gabriel e a esposa, mas foi informado por ela de que o relacionamento havia chegado ao fim. Quando deixou a residência, segundo o pai, Gabriel disse que iria “dar uma saída”. O pai aguardou aproximadamente cinco minutos e também deixou o imóvel, mas já não encontrou mais o filho. Depois disso, Gabriel não fez mais contato com familiares. Segundo a esposa o desaparecimento temporário chamou atenção porque não era comum o policial ficar tanto tempo sem manter contato com a família. Mãe diz que filho evitava comunidades A mãe de Gabriel, descreveu o filho como uma pessoa sorridente, equilibrada e “super calma”. Segundo ela, Gabriel era saudável, gostava de atividades físicas e não fazia uso de drogas ilícitas nem de medicamentos. A mãe também afirmou que ele tinha poucos amigos próximos que ela conhecia. Entre eles estavam uma pessoa chamada Marcelo, que trabalhava como

‘Deduraram’ paraplégico ao tráfico: filho revela execução de pai na Chacrinha por ser suposto X9 da milícia e aponta Tiriça entre envolvidos

O traficante Tiriça, que foi nomeado pelo chefe do Comando Vermelho, vulgo Doca, como o interventor da facção na guerra em Cordovil, teve a prisão preventiva decretada este ano suspeito de um homicídio cometido na comunidade da Chacrinha, na Praça Seca, em 2023. Corpo nunca foi encontrado Mário Luiz Gomes Trindade tinha 60 anos, era paraplégico e se deslocava com auxílio de muletas. O filho dele contou à polícia que Mário era usuário de cocaína e que, quando se mudou para a Chacrinha, a comunidade estava em guerra. Pouco depois, a facção criminosa Comando Vermelho se estabeleceu no local. Segundo o filho, Mário havia “desenrolado” com os traficantes sobre o passado dele com a milícia. O idoso teria explicado que já havia feito parte do grupo paramilitar que atuava na região, mas que havia deixado a organização e não participava mais de nenhuma atividade ilícita. O filho afirmou que, mesmo após essa conversa, soube que alguém da comunidade havia “dedurado” Mário para o tráfico, dizendo que ele estaria passando informações para a milícia. De acordo com o depoimento, Mário acabou morto no domingo, dia 9 de julho de 2023. Naquele dia, segundo o filho, estava ocorrendo um evento de bate-bola na favela, na localidade conhecida como Campo de 11. Ele acredita que os traficantes tenham aproveitado a realização do evento para pegar seu pai, por causa dos comentários de que o idoso estaria passando informações para a milícia. O filho contou ainda que soube de comentários na comunidade de que os traficantes haviam matado diversas pessoas durante o mês de julho. Segundo ele, os envolvidos na morte de Mário seriam GTA, Weltinho, Sussé, Tiriça, Menino Rei e Mbappé. O filho afirmou que Menino Rei e Mbappé teriam vindo do Complexo da Penha para reforçar a Chacrinha e seriam gerentes do tráfico na região. Perguntado novamente sobre o motivo pelo qual os traficantes teriam matado seu pai, o declarante afirmou acreditar que o crime poderia estar relacionado ao seu próprio envolvimento anterior com a milícia ou a alguma questão relacionada à dependência química de Mário. Uma testemunha revelou que Mário havia, na época, discutido com uma mulher de um bar próximo e, devido a isso, teria levado uma “trava” dos traficantes da comunidade. Segundo a testemunha, um dos filhos de Mário já havia sido preso por envolvimento com a milícia que atuava na Chacrinha. O idoso teria “dado o papo” aos traficantes de que tinha um filho envolvido com o grupo paramilitar, mas que ele havia deixado a milícia. Ainda de acordo com o relato, os traficantes teriam dito que estava tudo tranquilo, que Mário era “família” e que não iriam mexer com ele. A testemunha disse que perdeu contato com Mário no dia 10 de julho de 2023, quando tentou falar com ele pelo WhatsApp e por ligação normal, mas o telefone já estava desligado. Ela esteve na comunidade procurando por Mário e, após perguntar a conhecidos, soube que os traficantes do local haviam matado o idoso e levado o corpo “lá pra cima”. Questionada sobre o motivo que teria levado os traficantes a atentarem contra a vida de Mário, a testemunha afirmou não saber se foi pelo envolvimento do filho dele com a milícia ou por causa da discussão que o idoso havia tido com uma mulher na comunidade. Conversando com conhecidos na comunidade, soube ainda que os traficantes já haviam matado e ocultado os corpos de diversas pessoas desde que tomaram a favela. A testemunha disse que, na época, o responsável pela frente da favela da Chacrinha era o traficante conhecido como GTA e que o criminoso estaria diretamente ligado à morte de Mário. Segundo ela, a ordem para matar o idoso teria partido de GTA. Mário teria dito ainda que havia escutado na favela que o “papo” era matar qualquer pessoa que tivesse contato com milicianos. Testemunha relata expulsões, mortes e casas tomadas pelo tráfico Uma mulher afirmou que, em 2023, foi expulsa da comunidade e teve sua casa invadida e seus bens furtados por traficantes do Comando Vermelho que dominam a região até os dias de hoje. Na ocasião, compareceu à 28ª DP e reconheceu, por meio de mosaico de fotografias, todos os traficantes do Comando Vermelho que atuariam no local e que, segundo ela, subjugavam os moradores. Ela disse que, quando os traficantes chegaram à comunidade, tomaram diversas casas e colocaram os moradores para fora. As residências tomadas, segundo a testemunha, eram entregues aos próprios parentes dos traficantes. Esses criminosos também teriam matado diversos moradores que poderiam ter ou manter qualquer tipo de relação com os milicianos que anteriormente dominavam a comunidade e que foram expulsos da localidade. Sobre Mário, a mulher afirmou que ele tinha três filhos envolvidos com a milícia. Disse ainda que o idoso teria sido morto por GTA, Da Serra e Thiago. Apesar de ter sido expulsa, ela afirmou que tem irmãos e muitos familiares morando na Chacrinha até hoje e, por isso, continua tendo acesso a informações sobre tudo o que acontece na comunidade. Sua mãe ainda frequenta a Chacrinha, mas os traficantes não sabem que ela mora com a testemunha fora dali, em outra comunidade dominada pelo Terceiro Comando Puro. Ela afirmou que sempre alerta a mãe para que tenha cuidado. A testemunha contou ainda que uma jovem chamada Monalisa e outras duas pessoas teriam sido levadas pelos traficantes para serem mortas, entre elas um rapaz homossexual. Relatou também o caso de uma mulher que havia se relacionado com um miliciano. Segundo ela, os traficantes chegaram a pensar que a mulher também havia sido morta, mas ela conseguiu escapar. O miliciano com quem ela havia se relacionado, porém, foi morto pelos criminosos. A testemunha disse ainda que, após a invasão, cada traficante teria ficado responsável por uma vila. Mbappé e Sussué também tiveram as prisões decretadas.

Delegado expulso da Polícia Civil do RJ é suspeito de tentar transferir multas de trânsito para terceiros em esquema investigado pela Justiça

Um novo episódio envolvendo o ex-delegado da Polícia Civil do RJ Maurício Demétrio veio à tona a partir de depoimentos colhidos em investigação que apura supostas irregularidades praticadas pelo policial civil. Segundo o relato de um comerciante do ramo de automóveis, o então delegado teria solicitado ajuda para retirar infrações de trânsito do prontuário de um veículo e transferi-las para outras pessoas que aceitassem assumir a responsabilidade pelas multas. De acordo com o depoimento, o comerciante, proprietário de uma loja que atua na compra e venda de veículos, conheceu Demétrio em 2019, durante a negociação de uma Land Rover Evoque blindada e usada. A partir desse contato, segundo ele, os dois passaram a manter comunicação por mensagens de celular. O depoente afirmou que reconheceu os diálogos apresentados durante a investigação e confirmou que as conversas ocorreram entre ele e o delegado. Segundo o relato, em determinado momento, Maurício Demétrio teria pedido que ele “operacionalizasse” a transferência de infrações de trânsito para o prontuário de outra pessoa. O veículo envolvido seria uma Toyota Hilux, ano 2009, de cor preta, pertencente a Carlos Henrique. Conforme o depoimento, o delegado teria oferecido pagamento para pessoas que aceitassem assumir as multas como se fossem os verdadeiros condutores responsáveis pelas infrações. A proposta, segundo o comerciante, envolvia o pagamento por cada multa transferida. O dinheiro deveria ser repassado às pessoas que aceitassem receber os pontos em seus prontuários. O comerciante afirmou que procurou integrantes da própria família — incluindo sogra, filha, genro e esposa — que teriam concordado em assumir as infrações. Segundo ele, os documentos de notificação já chegavam assinados pelo proprietário do veículo, cabendo ao comerciante preencher os dados das pessoas indicadas como supostos condutores. Após o preenchimento, toda a documentação teria sido enviada ao Detran por meio do aplicativo oficial do órgão. No depoimento, o comerciante afirmou que não chegou a receber os valores prometidos pelo delegado e que o acordo não teria sido integralmente cumprido. Ele declarou ainda que, no momento em que realizou os procedimentos, não tinha conhecimento de que a conduta poderia configurar crime, tendo compreendido a suposta ilegalidade somente posteriormente, após orientação jurídica. O depoente assumiu responsabilidade pelos atos praticados, mas afirmou desconhecer se o proprietário do veículo tinha ciência da suposta irregularidade ou das tratativas feitas com o delegado. O caso passou a integrar o conjunto de acusações investigadas contra Maurício Demétrio, que já foi alvo de outras apurações envolvendo sua atuação como delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro. Demétrio foi preso há cinco anos durante uma operação que investigava um suposto esquema de cobrança de propina para permitir a comercialização de roupas falsificadas na Rua Teresa, em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. Embora tenha sido absolvido recentemente da acusação de obstrução de Justiça, Demétrio permanece preso em razão de outros processos ainda em andamento. Ele responde a acusações que envolvem crimes como organização criminosa, concussão, corrupção e lavagem de dinheiro. Antes de ser exonerado do cargo em 2024, l seu transporte para audiências presenciais era realizado pela instituição, mediante escolta que lhe garantia maior segurança e o mantinha afastado dos demais detentos. Depois disso, l perdeu a escolta oferecida pela instituição para os momentos em que era necessário deixar o presídio. Atualmente seuransporte para audiências é realizado pela SEAP, mediante requisição do Juízo. A defesa alega, durante sua carreira, Maurício foi um delegado combativo, tendo sido responsável pela prisão de centenas de pessoas. Assim, revela-se altamente perigosa a participação do requerente em audiências presenciais, pois há grande probabilidade de ele encontrar alguém cuja prisão decorreu de investigações por ele presididas . Diante disso, o ex-delegado vem solicitando, em todos os processos de que é parte, autorização para participar das audiências por videoconferência, diretamente do Complexo de Gericinó.

HISTÓRIA ANTIGA MAS NUNCA CONTADA: O papo foi dado, nóis vai cobrar’: policial penal que apreendia drogas no presídio encontrou ameaça do Comando Vermelho no carro dentro do Complexo de Gericinó e se aposentou por invalidez”

Uma história pouco conhecida, mas de enorme impacto, veio à tona em uma ação movida na Justiça por uma policial penal aposentada contra o Estado do Rio de Janeiro e o Rioprevidência. Na ação, a servidora sustenta que desenvolveu incapacidade permanente para o trabalho após sofrer uma ameaça de morte atribuída a integrantes do Comando Vermelho dentro do Complexo Penitenciário de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, e busca o reconhecimento de que sua aposentadoria decorreu de doença ocupacional, o que lhe garantiria proventos integrais. Segundo o processo, a policial ingressou na carreira em 2010 e, à época dos fatos, atuava na Penitenciária Moniz Sodré, unidade destinada a presos ligados ao Comando Vermelho. Lotada no setor de revista de visitantes, ela era responsável por impedir a entrada de drogas, armas e outros materiais ilícitos no presídio, realizando cerca de 250 revistas por plantão. A ação relata que, durante 2016, a servidora participou de diversas apreensões de drogas e conduções de visitantes à delegacia, após flagrantes de tentativas de introdução de entorpecentes na unidade prisional. O trabalho rigoroso teria desagradado integrantes da facção criminosa. Um dos episódios descritos ocorreu quando uma visitante de um detento do pavilhão B foi submetida a uma revista após o detector de metais apresentar repetidos sinais. Como não havia efetivo suficiente para operar o equipamento de escaneamento corporal, a mulher foi informada de que poderia aceitar a revista manual ou desistir da visita. Ela concordou com o procedimento e nada de irregular foi encontrado. Posteriormente, porém, colegas de trabalho informaram à policial que a visitante havia reclamado da abordagem aos integrantes da facção, acusando-a de supostos abusos e afirmando que o chamado “coletivo” do Comando Vermelho estaria revoltado com sua atuação. Embora a servidora reconheça que essas informações tenham chegado por intermédio de colegas, a ação sustenta que elas não poderiam ser tratadas como meros comentários diante do ambiente de violência vivido diariamente dentro do sistema prisional e do histórico de apreensões realizadas por ela. Dias depois, a ameaça se concretizou. Na tarde de 16 de novembro de 2016, ao deixar o plantão e caminhar até seu carro, estacionado ainda dentro do Complexo de Gericinó, a policial encontrou um papel preso ao retrovisor esquerdo do veículo. Ao abrir o bilhete, leu a seguinte mensagem: “O PAPO FOI DADO – NOIS VAI COBRA – TU TEM FAMILHA.” A ameaça fazia referência direta à família da servidora, que havia se tornado mãe no ano anterior, ampliando o temor de que não apenas ela, mas também seus familiares pudessem ser alvo da organização criminosa. O caso foi imediatamente comunicado à direção da Penitenciária Moniz Sodré. A administração determinou o encaminhamento da policial à autoridade policial, sendo registrado, no dia seguinte, o Termo Circunstanciado nº 034-14078/2016. O documento, segundo a ação, apreendeu o bilhete e relacionou a ameaça ao exercício das funções da servidora no setor de revista de visitantes e às constantes apreensões de drogas realizadas por ela, ressaltando ainda que a unidade era destinada a internos vinculados ao Comando Vermelho. Na ação judicial, a policial afirma que os episódios vividos no exercício da função culminaram no desenvolvimento de um quadro incapacitante que levou à sua aposentadoria por invalidez permanente, concedida em outubro de 2018. O benefício, entretanto, foi calculado com proventos proporcionais ao tempo de contribuição. Agora, ela pede que a Justiça reconheça que a invalidez decorreu diretamente das atividades exercidas como policial penal e do trauma provocado pelas ameaças sofridas em razão do combate ao crime organizado dentro do sistema penitenciário. Caso o pedido seja acolhido, a servidora terá direito à revisão da aposentadoria, com pagamento de proventos integrais e das diferenças salariais retroativas.

Relembre como foi o ataque a policiais civis que rendeu uma condenação de 87 anos de prisão a traficante do bando de Peixão (TCP). Bandidos fizeram reféns mas se entregaram: “”Vamos sair de boa, chefe, não atira não!

Armado com um fuzil de guerra, João Átila da Silva Botelho, conhecido como “J”, integrou o grupo de traficantes que transformou uma operação da Polícia Civil no Complexo de Israel, em 2023, em um cenário de guerra. Segundo o processo, os criminosos receberam os agentes a tiros, atingiram uma viatura da corporação, invadiram uma residência para escapar do cerco policial e fizeram o morador Leonardo e sua filha, Thalita, reféns até se renderem. Três anos depois, o Tribunal do Júri condenou João Átila por 13 tentativas de homicídio qualificado, além dos crimes de cárcere privado, cárcere privado qualificado e associação para o tráfico de drogas com emprego de arma de fogo. Conforme a denúncia e as decisões judiciais, policiais civis realizavam uma operação no Complexo de Israel quando foram surpreendidos por uma intensa sequência de disparos efetuados por traficantes que atuavam na comunidade. O confronto foi imediato e, segundo o magistrado que analisou o caso, os criminosos agiram com manifesta intenção de matar os agentes. Um dos disparos atingiu uma viatura da Polícia Civil e perfurou o encosto de um dos bancos do veículo, circunstância utilizada pela Justiça para demonstrar a extrema gravidade da ação. Após o intenso tiroteio, os policiais conseguiram identificar uma casa onde parte dos criminosos havia se escondido. Ao entrarem no imóvel, os traficantes renderam o morador Leonardo e sua filha, Thalita, mantendo ambos como reféns enquanto tentavam impedir o avanço das equipes policiais. A residência foi cercada e os policiais iniciaram uma negociação para libertar as vítimas e obter a rendição dos criminosos. Durante as tratativas, um dos integrantes do grupo saiu desarmado e caminhou em direção aos agentes dizendo: “Vamos sair de boa, chefe, não atira não!”. Após a rendição do primeiro suspeito, os demais traficantes também deixaram o imóvel e se entregaram. As prisões revelaram o poder de fogo da quadrilha. João Átila da Silva Botelho estava armado com um fuzil M16 modelo LA15. William dos Santos Silvestre portava um fuzil M16 modelo SAR223C, da fabricante Sarsilmaz. Rodrigo Jesus, conhecido como “Boxeador”, carregava um fuzil G3 calibre 7,62×51 milímetros e quatro granadas de mão ofensivas, capazes de produzir estilhaços. Filipe Querino Alves, o “PR”, estava com um fuzil FAL calibre 7,62×51, de fabricação argentina. Rafael Santos da Costa, o “Bomba”, portava um fuzil G3 calibre 7,62×51 da marca Federal Arms, com a numeração raspada. Samuel Rocha Ferreira, o “Samuca”, carregava um fuzil AR-10 calibre 7,62×51 e duas granadas ofensivas. Já Cauã de Carvalho Rodrigues estava armado com um fuzil AR-15 calibre 5,56×45 milímetros. Na audiência de custódia, o juiz homologou as prisões em flagrante e as converteu em preventivas. Na decisão, destacou a extrema periculosidade dos acusados, ressaltando que todos integravam o grupo que efetuou diversos disparos contra policiais civis com intenção de matar, utilizava armamento de guerra e granadas e ainda fez dois moradores reféns para tentar escapar da ação policial. O magistrado também afirmou que os elementos do processo demonstravam o forte vínculo dos presos com a organização criminosa responsável pelo tráfico de drogas na região, o que tornava necessária a manutenção das prisões para garantia da ordem pública e para evitar a continuidade das atividades da facção. Segundo a decisão, medidas cautelares diversas da prisão seriam insuficientes diante da gravidade concreta dos fatos. Os pedidos de prisão domiciliar formulados pelas defesas foram rejeitados por falta de comprovação dos requisitos legais. O caso foi levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, que julgou parcialmente procedente a denúncia do Ministério Público. João Átila da Silva Botelho foi condenado a 87 anos de prisão por 13 tentativas de homicídio qualificado, pelos crimes de cárcere privado e cárcere privado qualificado, em razão do sequestro dos moradores durante a fuga, além de associação para o tráfico de drogas com a causa de aumento pelo emprego de arma de fogo. Após a leitura da sentença, a defesa manifestou interesse em recorrer da decisão por meio de apelação.

Mataram um trabalhador inocente e ainda comemoraram: Justiça decreta prisão de seis traficantes do Chapadão (CV)

A Justiça do Rio recebeu a denúncia do Ministério Público e decretou a prisão preventiva de seis traficantes do Comando Vermelho (CV) acusados de participar da execução do barbeiro Fábio Oliveira Fortes, de 26 anos, que, segundo a investigação e os depoimentos de familiares, não possuía qualquer envolvimento com a criminalidade. O trabalhador foi assassinado no dia 1º de maio de 2025, durante um ataque promovido por criminosos do Complexo do Chapadão contra uma área de divisa com o Complexo da Pedreira, palco da guerra entre o CV e o Terceiro Comando Puro (TCP). Segundo uma das testemunhas, integrantes do Comando Vermelho chegaram a comemorar o assassinato nas redes sociais, publicando a mensagem: “Baqueamos a barbearia e matamos um menino lá”. A testemunha afirmou que não conseguiu preservar a postagem, mas relatou seu conteúdo durante o inquérito policial. Entre os denunciados está Luiz Fernando Nascimento Ferreira, conhecido como “Nando Bacalhau”, chefão do Chapadão e preso há vários anos. Outro investigado é um traficante conhecido pelo vulgo “WL”. Ao todo, seis integrantes da facção tiveram a prisão preventiva decretada e responderão por homicídio qualificado, por motivo torpe, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e para assegurar outro crime, além de organização criminosa. De acordo com a denúncia, Fábio era barbeiro, morava havia mais de dez anos na Estrada do Camboatá, em Costa Barros, e mantinha uma barbearia em frente à vila onde residia. Familiares foram unânimes ao afirmar que ele era trabalhador, não usava drogas, nunca havia sido preso, não possuía dívidas, não tinha inimigos e jamais integrou qualquer facção criminosa. Na manhã do crime, Fábio estava em frente à barbearia acompanhado de um homem identificado como Kraive, quando um veículo ocupado por criminosos se aproximou. Os ocupantes gritaram “Polícia!”, estratégia usada para surpreender as vítimas, e abriram fogo contra os dois. Kraive conseguiu fugir, mas Fábio foi atingido por diversos disparos. Moradores o socorreram para a UPA de Costa Barros e, posteriormente, ele foi transferido para o Hospital Municipal Souza Aguiar, onde morreu. Os depoimentos apontam que o verdadeiro alvo da ação seria Kraive, que já havia sido preso por roubo no fim de 2024, ou ainda integrantes do TCP que costumam circular pela região. As investigações também indicam que Fábio pode ter sido confundido pelos criminosos por trabalhar em uma área frequentada por moradores e por pessoas ligadas à facção rival. Familiares afirmaram ainda que sua barbearia atendia clientes de toda a comunidade, inclusive traficantes do TCP, sem que isso significasse qualquer participação na organização criminosa. Testemunhas explicaram que o local do homicídio fica em uma região estratégica, na divisa entre os territórios controlados pelo Comando Vermelho, no Complexo do Chapadão, e pelo Terceiro Comando Puro, no Complexo da Pedreira. Segundo os relatos, traficantes do CV realizam constantes invasões, conhecidas como “baques”, para tentar ampliar o domínio territorial e executar rivais. Também foi informado que criminosos costumam utilizar veículos e gritar “polícia” para surpreender as vítimas antes dos ataques. “A irmã contou à Polícia Civil que estava trabalhando quando recebeu uma ligação informando que o irmão havia sido baleado em frente à barbearia. Segundo ela, vizinhos socorreram Fábio até a UPA de Costa Barros e, posteriormente, ele foi transferido para o Hospital Souza Aguiar, onde morreu. Ela afirmou que o irmão nunca teve envolvimento com a criminalidade, trabalhava como barbeiro havia cerca de oito anos, não era usuário de drogas, nunca havia sido preso e não possuía qualquer ligação com facções. Em novo depoimento, acrescentou que acredita que os criminosos procuravam outro homem, identificado como Kraive, e relatou ter tomado conhecimento de uma postagem atribuída ao Comando Vermelho dizendo: “Baqueamos a barbearia e matamos um menino lá” Na decisão que recebeu a denúncia, o magistrado destacou que o crime possui extrema gravidade, ressaltando que há indícios de que os denunciados possuem estreita ligação com a organização criminosa que controla o tráfico de drogas no Complexo do Chapadão, inclusive ocupando posições de liderança. O juiz enfatizou que a vítima teve a vida ceifada simplesmente por exercer seu trabalho em uma localidade disputada por facções rivais, circunstância que demonstra a necessidade da prisão preventiva para garantia da ordem pública. Também ressaltou que a medida é necessária para proteger as testemunhas, especialmente os familiares de Fábio, cujos depoimentos serão fundamentais durante a instrução do processo. Com isso, a Justiça decretou a prisão preventiva dos seis denunciados e determinou a expedição de mandados de prisão com validade de 20 anos.

Filha de Piruinha comandava rede milionária de jogos de azar, usava laranjas para lavar dinheiro e expandia esquema para novas comunidades como a Rocinha (CV), aponta investigação

A Justiça do Rio de Janeiro decretou a prisão preventiva de Monalliza Neves Escafura, apontada pelo Ministério Público como a principal líder do clã Escafura após a morte de seu pai, José Caruzzo Escafura, o “Piruinha”, um dos últimos integrantes da chamada “velha cúpula” do jogo do bicho no estado. Ela está sendo acusada de lavagem de dinheiro. A denúncia descreve uma organização criminosa altamente estruturada, responsável por administrar dezenas de pontos clandestinos de jogos de azar, movimentar mais de meio milhão de reais por meio de laranjas, expandir a atividade para novas comunidades e manter um rígido controle financeiro sobre toda a operação. Segundo a investigação, Monalliza assumiu definitivamente o comando da organização após o falecimento de Piruinha, em 22 de janeiro de 2025. Antes disso, já atuava subordinada ao pai, participando diretamente da administração dos negócios ilícitos do clã. Com a morte do contraventor, passou a comandar de forma autônoma os pontos clandestinos de exploração de jogos de azar e todas as demais atividades criminosas da organização. Contabilidade clandestina movimentou mais de meio milhão de reais Um dos principais elementos da investigação foi a perícia realizada em um tablet Samsung SM-P615 e em um iPhone 14 Pro Max apreendidos com Monalliza. Nos aparelhos, os investigadores encontraram planilhas de contabilidade paralela, listas de pontos clandestinos, recibos de apostas, material promocional das atividades ilegais e comprovantes bancários que demonstram uma movimentação financeira superior a R$ 500 mil proveniente da exploração dos jogos de azar. Segundo o Ministério Público, a ocultação da origem desse dinheiro era feita por meio de uma sofisticada estrutura de lavagem de capitais, utilizando diversas pessoas interpostas. Entre os laranjas utilizados pela organização, a investigação destaca a companheira de Monalliza, Thamires apontada como uma das principais intermediárias para o recebimento de depósitos e movimentação dos recursos ilícitos. Chefe utilizava codinomes para comandar a quadrilha Os diálogos extraídos dos aparelhos eletrônicos revelam que Monalliza comandava pessoalmente todas as operações da organização. Segundo a denúncia, ela utilizava o pseudônimo “MariaTereza” e também o nome de usuário “José” para transmitir ordens aos subordinados, cobrar resultados financeiros, negociar prazos para repasses de dinheiro e acompanhar diariamente o funcionamento dos pontos clandestinos. As conversas demonstram que nenhuma decisão importante era tomada sem sua autorização. Gerente recolhia dinheiro, pagava funcionários e prestava contas diretamente à chefe Apontado como um dos homens de maior confiança de Monalliza, Renato exercia a função de gerente operacional da organização criminosa. Entre outubro de 2023 e março de 2024, ele era responsável por administrar integralmente os pontos clandestinos explorados pelo grupo, recolher diariamente os valores obtidos com os jogos ilegais, controlar o pagamento dos funcionários, supervisionar a rotina dos estabelecimentos e solucionar problemas operacionais. As mensagens analisadas mostram que Renato também comunicava à chefe dificuldades provocadas por ações policiais e obras próximas aos pontos clandestinos, além de organizar a logística dos repasses financeiros. Segundo o Ministério Público, centenas de milhares de reais foram encaminhados para Monalliza, normalmente em espécie ou por depósitos realizados em contas de laranjas indicados pela líder da organização, principalmente em nome de Thamires. Os investigadores destacam ainda que Renato demonstrava absoluta naturalidade ao tratar da atividade criminosa, discutindo cobranças financeiras aos operadores dos pontos, logística de entrega de dinheiro e mecanismos utilizados para ocultar os recursos, evidenciando que o crime havia se tornado seu principal meio de vida. Organização abriu novo cassino clandestino na Rocinha Outro núcleo da organização era comandado por Luiz Fernando responsável pela expansão dos pontos clandestinos. De acordo com a denúncia, entre maio e junho de 2024 ele recebeu ordens diretas de Monalliza para implantar um novo ponto de exploração de jogos de azar na Rocinha. O trabalho envolveu praticamente toda a estruturação do empreendimento ilegal. Segundo as investigações, Luiz Fernando assumiu o imóvel alugado, contratou eletricista, supervisionou toda a reforma, providenciou a instalação das máquinas caça-níqueis e equipamentos de bingo, adquiriu móveis, recrutou funcionários e ainda buscou clientes para o novo estabelecimento. Toda a operação foi financiada com recursos enviados por Monalliza por intermédio de terceiros, incluindo sua companheira, Thamires. As conversas interceptadas mostram que a própria chefe decidia quais equipamentos seriam instalados, quais materiais deveriam ser comprados e acompanhava o andamento da implantação do novo ponto clandestino. Grupo cobrava taxa mensal de R$ 2 mil para explorar máquinas Outro integrante identificado pela investigação foi outro Luiz Fernando que exercia funções de cobrador e intermediador da organização. Segundo o Ministério Público, ele era encarregado de negociar a abertura de novos pontos clandestinos em áreas vizinhas às dominadas pelo grupo, adquirir imóveis comerciais para utilização da quadrilha, fiscalizar o funcionamento dos estabelecimentos ilegais e cobrar uma taxa mensal de R$ 2 mil dos responsáveis pela exploração de cada ponto de jogo. As mensagens mostram que todas essas atividades eram executadas sob ordens diretas de Monalliza, que também determinava a expansão da atividade criminosa para territórios fronteiriços aos já controlados pelo clã. Organização espalhava pontos clandestinos por diversas comunidades A denúncia afirma que a estrutura criminosa comandada por Monalliza mantinha pontos clandestinos de jogos de azar em diversas regiões da capital fluminense. Entre os locais citados estão Vidigal, Rocinha, Piedade, Méier, Lins, Engenho de Dentro, Madureira, Cascadura, Quintino, Vaz Lobo, Parada de Lucas e Vigário Geral. Para os investigadores, a presença simultânea em tantas comunidades demonstra a dimensão da organização criminosa e sua capacidade operacional para administrar diversos estabelecimentos clandestinos ao mesmo tempo. Monalliza permaneceu foragida por dois anos Outro ponto destacado na denúncia é que Monalliza permaneceu foragida da Justiça por aproximadamente dois anos após a deflagração da Operação Louvre, realizada em 24 de maio de 2022. Ela somente foi presa em 19 de junho de 2024, em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido em outra ação penal, na qual responde por crimes de extorsão e lavagem de dinheiro. Mesmo após ser investigada e presa anteriormente, o Ministério Público sustenta que ela não interrompeu as atividades criminosas e continuou administrando a organização. Justiça aponta risco de continuidade das atividades criminosas Ao pedir as prisões preventivas, o Ministério

Investigação revela negociação de fuzis por R$ 120 mil para abastecer traficantes da Nova Holanda; operação prendeu integrante da quadrilha no RS

A prisão de um integrante da organização criminosa especializada no fornecimento de armamentos para traficantes do Comando Vermelho da Favela da Rocinha, realizada nesta quarta-feira (05), em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, expôs novos detalhes da investigação conduzida pela Polícia Civil do Rio de Janeiro. O documento que embasou a denúncia criminal revela uma estrutura altamente organizada, responsável por adquirir, financiar, transportar e distribuir armamentos de guerra destinados a comunidades dominadas pela facção, além de apontar uma negociação de R$ 120 mil para a compra de fuzis calibre 7,62 que seriam entregues ao tráfico na Nova Holanda, no Complexo da Maré. A captura ocorreu durante uma ação da Delegacia de Capturas e Polícia Interestadual (Polinter), com apoio da Polícia Civil gaúcha. Segundo as investigações, o preso exercia papel estratégico nos núcleos financeiro e logístico da organização, sendo responsável por organizar pagamentos, custear o transporte das armas e acompanhar toda a operação até a chegada do carregamento ao Rio de Janeiro. As investigações começaram após uma apreensão feita pela Polícia Rodoviária Federal, em abril de 2024, na Rodovia Presidente Dutra, em Seropédica. Na ocasião, Felipe de Souza dos Santos foi preso em flagrante enquanto transportava, em uma Volkswagen Saveiro, um carregamento composto por dois fuzis, uma espingarda, carregadores e munições. As apurações apontaram que o arsenal havia saído do Rio Grande do Sul e seria entregue a traficantes do Comando Vermelho na Rocinha. Com o aprofundamento das diligências, os investigadores identificaram uma organização criminosa com divisão de tarefas entre seus integrantes. Segundo a denúncia apresentada à 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, Alexandre Albara era o responsável por adquirir, ocultar e manter sob sua posse o material bélico no Rio Grande do Sul até que fosse transportado para o Rio de Janeiro. Além disso, ele também responde por integrar organização criminosa armada. Já Deividsson Nunes Gonçalves exercia a coordenação logística e financeira da quadrilha. Conforme o documento, ele organizava os pagamentos, monitorava em tempo real o trajeto do carregamento, alertava o motorista sobre a presença de policiais rodoviários e efetuava pagamentos para remunerar Felipe pelo transporte das armas. Renato de Souza Ferreira era apontado como o responsável pelo financiamento da operação criminosa. De acordo com a investigação, ele realizava repasses financeiros, inclusive por meio de transferências via PIX, para custear o deslocamento do armamento do Sul do país até o Rio de Janeiro. O transporte propriamente dito ficava a cargo de Felipe de Souza dos Santos, preso em flagrante pela PRF durante a apreensão em Seropédica. Segundo a denúncia, ele era o encarregado de conduzir os carregamentos de armamentos entre os estados, utilizando uma Volkswagen Saveiro para esconder o material bélico. Um dos trechos que mais chama a atenção na investigação envolve Marcelo Ferreira Lima, apontado como integrante da associação voltada ao tráfico de drogas na Nova Holanda, no Complexo da Maré. Conforme o documento, ele era o responsável pela aquisição de armamentos para o grupo criminoso instalado na comunidade. A denúncia revela que, entre o início de 2024 e abril daquele ano, Marcelo negociou diretamente com Felipe a compra de fuzis calibre 7,62 pelo valor de R$ 120 mil. O armamento seria destinado a reforçar o arsenal do Comando Vermelho na Nova Holanda, aumentando o poder de fogo da facção na disputa territorial. Todos os denunciados respondem por organização criminosa armada e comércio ilegal de armas de fogo. A Polícia Civil destaca que as investigações continuam para localizar e prender os demais integrantes da quadrilha, que já foram identificados e indiciados, e que atuava de forma estruturada na aquisição, financiamento, transporte e distribuição de armamentos de alto poder destrutivo para traficantes do Comando Vermelho em diferentes comunidades do Rio de Janeiro. Outras informações: https://www.instagram.com/p/Dbq9tG8Bem_/

Preso ontem acusado de homicídio, fundador do TCP mantinha influência na facção apesar de dizerem que tinha largado o crime, aponta investigações

A investigações da Polícia Civil apontam que, mesmo após passar cerca de 20 anos preso, o traficante Nei da Conceição Cruz, o Facão, conhecido como Facão, jamais deixou de exercer influência sobre o Terceiro Comando Puro (TCP). Segundo doucumentos obtidos pela reportagem, mesmo quando estava preso, ele continuava determinando ataques e execuções, comandando o comércio de drogas, distribuindo armas de fogo para seus subordinados e ordenando roubos de carga, extorsões e esquemas de lavagem de dinheiro por meio dos chamados “frentes” das comunidades do Complexo da Maré. Facão foi preso na noite de terça-feira (4), quando passava pelo pedágio da Ponte Rio-Niterói, dirigindo um Toyota Corolla. A abordagem foi realizada por agentes da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), que cumpriram um mandado de prisão preventiva expedido pela 4ª Vara Criminal da Capital. Considerado um dos fundadores do Terceiro Comando Puro (TCP), o criminoso é investigado pelo assassinato do sargento da Polícia Militar Gabriel Guimarães Sá Izaú, de 41 anos, morto em 21 de julho do ano passado, no Complexo da Maré. Lotado no Batalhão de Choque (BPChq), o policial foi encontrado com diversas marcas de tiros. A perícia no veículo onde o corpo foi localizado foi realizada pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). As investigações concluíram que a execução ocorreu na comunidade da Vila do João, no Complexo da Maré, cerca de 15 quilômetros do local onde o cadáver foi encontrado. De acordo com a Polícia Civil, Facão também foi um dos principais responsáveis por uma das mais violentas disputas pelo controle dos pontos de venda de drogas já registradas no Complexo da Maré, conforme registros de ocorrência da 21ª Delegacia de Polícia. As investigações ainda revelam que ele continuava administrando e influenciando as atividades criminosas em comunidades ligadas ao TCP, como o Muquiço e o Complexo de Senador Camará. Essa atuação, segundo os investigadores, foi confirmada em depoimentos de integrantes da própria organização criminosa. Apesar desse histórico, Facão chegou a ser tratado publicamente como um ex-chefe do tráfico que teria abandonado a criminalidade. Solto em 2023, após cumprir cerca de 20 anos de prisão, ele passou a atuar em projetos de reintegração social ligados ao AfroReggae e trabalhou na área de produção audiovisual, sendo apresentado como um exemplo de ressocialização. Na organização, trabalhou ao lado de ex-líderes de facções rivais, incluindo antigos integrantes do Comando Vermelho (CV) e da Amigos dos Amigos (ADA). O grupo utilizava as experiências vividas no mundo do crime para dar maior realismo técnico e narrativo a produções audiovisuais. No entanto, as investigações da Delegacia de Homicídios da Capital apontam um cenário completamente diferente. Segundo a polícia, enquanto mantinha a imagem pública de ressocializado, Facão seguia exercendo influência sobre a estrutura do TCP e participando das decisões estratégicas da facção criminosa, inclusive na determinação de homicídios e na administração de atividades ilícitas nas comunidades dominadas pelo grupo.

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