Em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira, a Polícia Civil do Espírito Santo divulgou trechos de diálogos que, segundo os investigadores, levantam suspeitas sobre uma possível relação do jogador do Vasco David com pessoas envolvidas em uma investigação sobre tráfico de drogas, armas e uma tentativa de homicídio no Espírito Santo.
Em uma das conversas apresentadas pela polícia, David teria recebido informações sobre uma vítima de tentativa de homicídio e reagido com a frase:
“MERECEU TOMAR UNS TIROS MESMO.”
Em outro diálogo divulgado durante a coletiva, após receber a foto de uma pistola, o jogador teria respondido:
“TEM QUE MATAR UM PARA VER DE QUAL É.”
A polícia também apresentou uma terceira conversa relacionada à negociação de um Fiat Argo. De acordo com o delegado responsável pela investigação, outros investigados teriam procurado David para conseguir dinheiro emprestado e, com isso, trocar o veículo.
Segundo a investigação, o Fiat Argo teria sido utilizado em uma tentativa de homicídio e estaria “queimado” — expressão usada no meio criminoso para indicar que um veículo teria ficado comprometido ou identificado após ser empregado em uma ação criminosa.
O conteúdo das conversas, de acordo com o delegado, levantou a hipótese de que David pudesse ter alguma relação com o financiamento do tráfico de drogas no bairro Serra Dourada III, área apontada como de atuação do Comando Vermelho (CV), na Serra, no Espírito Santo.
Em depoimento, o atacante admitiu conhecer pessoas que estão entre os alvos da investigação, mas negou qualquer envolvimento com o tráfico de drogas ou com armas.
O empresário de David, André Cury, também negou qualquer ligação do jogador com o crime organizado.
A investigação corre sob segredo de Justiça. Até o momento, David é investigado e não foi preso.
A operação que deu origem à investigação foi deflagrada na última segunda-feira. A quadrilha é investigada por envolvimento com o tráfico de drogas e armas, além de possíveis vínculos com uma facção criminosa.
As autoridades apuram a atuação do grupo, que teria ramificações em diferentes estados. Segundo as investigações, também estão sendo analisados possíveis envolvimentos de atletas profissionais e empresários com a organização criminosa.