O traficante Peixão comandou pessoalmente um ”tribunal’ que resultou na morte de um barbeir que teria supostamente afrontado um de seus comparsas.
No dia 27 de janeiro de 2022, por volta de 01h, no interior da Comunidade de Vigário Geral, , indivíduos mataram Gabriel Batista de Souza.
Consta dos autos que a vítima trabalhava em uma barbearia situada na Cidade Alta, dominada pela facção criminosa autodenominada Terceiro Comando Puro (TCP) quando, em determinado dia, um comparsa de Peixão de nome Yuri se dirigiu a tal estabelecimento para ser atendido e, valendo-se de sua notoriedade na localidade, uma vez que ocupava o posto de “gerente” da boca de fumo, manifestou querer ser atendido antes dos demais clientes que ali se encontravam aguardando.
Diante da pretensão manifestada por Yuri a vítima Gabriel lhe disse que ele deveria aguardar na fila sua vez para atendimento, o que causou a insatisfação de tal denunciado, tendo ele deixado o local jurando a vítima de morte.
Assim, no dia 26/01/2022, próximo da meia noite, após deixar seu irmãonas proximidades da Padaria do Flamengo, na localidade conhecida como “Pé Sujo”, Cidade Alta/Cordovil, enquanto conduzia sua motocicleta, a vítima foi abordada por Yuri juntamente com o criminoso identificado apenas como “Farinha
Tais criminosos forçaram a vítima a ingressar no interior de um veículo e a levaram para a Comunidade de Vigário Geral, onde ficava Peixão
Lá chegando, a vítima foi submetida ao denominado “tribunal do tráfico”, comandado pelo Peixão ocasião em que foi decretada a sua morte de forma cruel.
Há informações dando conta que à época dos fatos o denunciado Yuri exercia grande influência sobre Peixão e que Yuri conhecia bem a localidade Cidade Alta, por ser antigo morador da região, razão pela qual compareceu, juntamente com “Farinha”, para levar seu desafeto à liderança criminosa da facção que ali domina, sabendo do iminente decreto de morte.
O crime foi cometido por motivo fútil, em razão de o denunciado Yuri ter se sentido afrontado pela vítima em sua liderança na localidade, uma vez que a vítima se recusou a privilegiá-lo no atendimento da barbearia.
O crime foi cometido, ainda, de modo que impossibilitou a defesa da vítima, uma vez que esta foi surpreendida por seus algozes em superioridade numérica e conduzida a local em que demais traficantes armados a aguardavam.
Após o homicídio, indivíduos ainda não identificados, , ocultaram o cadáver da vítima, evando-o para local ainda desconhecido.
Consta nos autos informações no sentido de que após executar a vítima, os criminosos, a mando dos denunciados, esquartejaram o corpo da vítima e teriam despojado os restos mortais em um valão situado em Vigário Geral, local conhecido como sendo utilizado pelos traficantes para essa finalidade.
Peixão é considerado o dono do morro exercendo a liderança maior dentro da estrutura.
criminosa, estabelecendo os objetivos da organização e investindo de poderes os seus comandados.
É responsável pela organização de ataques e execuções, e ainda controlando o comércio de drogas, a distribuição de armas de fogo entre os seus comandados, a realização de roubos de cargas, extorsões e lavagem de dinheiro, bem como pelas decisões do tráfico atinentes aos seus alvos, que são deliberadamente escolhidos para servirem de exemplo ao restante da comunidade, tudo com a intenção de demonstrar a dominância e poderio da organização, de modo a incutir medo na população.
FONTE: TJ-RJ