Uma investigação conduzida pelo Ministério Público Federal (MPF), no âmbito de apuração sobre organização criminosa ligada à fabricação e comercialização clandestina de cigarros — grupo que teria como um dos principais nomes Deivyd Bruno Nogueira, conhecido como “Adilsinho” — aponta indícios da possível participação de um policial militar do BOPE em atividades relacionadas ao grupo. O agente encontra-se preso.
De acordo com elementos reunidos na investigação, o policial militar, embora ocupante de cargo público, teria atuado fora de suas atribuições institucionais, supostamente utilizando prerrogativas funcionais para atender a interesses privados de integrantes do grupo investigado. Segundo o MPF, essa atuação incluiria, em tese, o repasse de informações e adoção de condutas que poderiam dificultar ações de persecução penal.
Ainda conforme os autos, uma mulher apontada como integrante da organização teria passado a contar com serviço de escolta privada. As apurações indicam que o chefe da equipe de segurança seria o referido PM do BOPE, embora não haja registro de empresa de vigilância privada formalmente constituída em seu nome ou sob sua responsabilidade.
A investigação menciona que, a partir de dados obtidos por meio de quebra de sigilo telemático autorizada judicialmente, teriam sido identificados diálogos que sugerem a prestação do serviço de escolta à mulher e a membros de sua família. As conversas também fariam referência à forma de pagamento pelos serviços. Segundo o MPF, outros três policiais militares também seriam citados como integrantes da suposta equipe de segurança.
Os autos apontam ainda que o policial do BOPE teria, em outra ocasião, atuado na segurança de Matheus Haddad, conhecido como “Max”, policial militar que foi posteriormente morto em meio a disputas territoriais relacionadas, segundo as investigações, à produção clandestina de cigarros.
Outro ponto destacado na apuração refere-se à transferência de R$ 10 mil feita pela mulher investigada ao policial. Conforme o Ministério Público, o valor teria sido destinado à realização de uma varredura em aparelhos celulares, supostamente com o objetivo de evitar responsabilização criminal. A defesa dos investigados poderá se manifestar no curso do processo.
As investigações também registram diálogo em que o policial militar “Max” teria questionado o PM do BOPE sobre eventual conhecimento prévio de operação policial prevista para o dia seguinte. Em outra conversa, datada de 8 de setembro de 2022, a mulher investigada teria mencionado a “Max” a deflagração de uma operação que resultaria na prisão do então chefe da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, Allan Turnowski.
O caso segue sob análise da Justiça Federal, e todos os citados são considerados inocentes até eventual condenação transitada em julgado.