Segundo o estudo da Geni/UIFF, O Leste Fluminense é o território da hegemonia quase absoluta do Comando Vermelho: em 2024, o grupo responde por mais de 98% da área sob controle e influência na região, que concentra praticamente metade de toda a extensão territorial dominada pelo CV no Grande Rio.
A Baixada Fluminense, por sua vez, se converteu, especialmente nos últimos seis anos, em área de disputa acirrada: o CV se mantém como principal força, mas as milícias cresceram 1.608% em controle territorial e mais de 1.200% em população dominada desde 2007, ao mesmo tempo em que o TCP ampliou significativamente sua presença, muitas vezes ocupando espaços deixados pelo ADA em retração.
Na capital, o quadro é mais complexo e expressivo da “cidade partida” que organiza o imaginário sobre o Rio de Janeiro. Em 2024, 31,6% da superfície urbanizada do município e 42,4% da população estavam sob controle ou influência de grupos armados, com 22,5% da área e 36,3% dos moradores submetidos a controle efetivo.
A hegemonia miliciana se concentra sobretudo na Zona Oeste, região que responde por 65% do território urbanizado da cidade e 49% de seus habitantes. Nessa zona, quase 90% da área dominada e cerca de 80% da população submetida a grupos armados estão sob o comando de milícias.
A partir de 2020, porém, o relatório identifica um recuo gradual: entre 2020 e 2024, as milícias perderam parte do território e da população que controlavam na Zona Oeste, abrindo espaço para avanços do CV, do TCP e de pequenos remanescentes do ADA.
No Centro e na Zona Sul, o vetor dominante é o Comando Vermelho, em boa medida a partir da conquista de áreas historicamente associadas ao ADA. A perda da Rocinha e do Vidigal, na Zona Sul, por exemplo, aparece na série como ponto de inflexão para o declínio dos Amigos dos Amigos e a recomposição do mapa sob liderança do CV. Já na Zona Norte, a história é de disputa e crescente complexidade: por muitos anos, milícias e CV alternaram posições na hegemonia territorial, com leve vantagem do CV em termos populacionais. Nos últimos anos, o TCP entra na equação com força, tornando a região um dos espaços mais disputados da cidade.