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MILICIA

Áudio atribuído ao CV aponta suspeita que facção teria sido a autora de três homicídios em Nova Iguaçu: “É o CV. Está aberta a temporada para caçar milícia”. Mais três corpos foram achados na cidade

Áudio divulgado pelo programa Balanço Geral da TV Record mostra um suposto traficante do Comando Vermelho comentando sobre as três mortes ocorridas na madrugada de hoje, em Austin, Nova Iguaçu. Na gravação, o suspeito diz “Para ficar de exemplo e outra… é só o começo. Miliciano nunca mais… Cacuia, Rodilândia, Biquinha, Autolino, Linha Velha, Eurico Miranda… Cabô mano. Nunca mais. É o Comando Vermelho.. Tá aberta a temporada de caça a milícia. O repórter autor da matéria disse que chegou informações para ele de que bandidos da Favela Nova Holanda, no Complexo da Maré, teriam sido os autores e quel eles tinham como alvo um integrante da milícia. Nossa reportagem informou mais cedo que um dos mortos, Vitor da Paixão Aragão, o Vitinho da Biqueira, respondia a processo por homicídios de dois homens em 2019 que foram cometidos por milicianos no mesmo bairro e local da chacina de hoje, A violência não para por ai. Após as três mortes da madrugada, outros três corpos foram achados carbonizados dentro de um carro no bairro Adrianópolis. A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) foi acionada e investiga a morte de três pessoas, ainda não identificadas. A perícia foi feita no local e os agentes realizam diligências para identificar as vítimas e apurar os fatos. As investigações estão em andamento. De acordo com as primeiras informações, moradores acionaram as autoridades após perceberem o carro em chamas. Após o controle do incêndio, foram encontrados os cadáveres.

Um dos três homens mortos em chacina em Nova Iguaçu respondia processo por duplo homicídio cometido por milicianos no mesmo bairro e local

Um dos homens mortos em uma chacina ocorrida durante a madrugada em um bar no bairro de Austin, em Nova Iguaçu, Vítor da Paixão Aragão, o Vitinho da Biqueira, era rée em um processo de homicídio contra dois rapazes ocorridos em 2019 no mesmo bairro e mesmo local onde aconteceram os fatos agora. Iria inclusive a júri popular. Segundo os autos, na ocasião, teria ocorrido uma desavença entre as vítimas e integrantes da milícia do qual Vítor fazia parte.Na época, foram levantadas informações que as vítimas teriam sido mortas no local e levadas de carro pelos seus algozes, os quais teriam coagido os moradores a apagarem eventuais imagens captadas por câmeras de segurança da localidade As vítimas deste duplo homicídio, que eram amigos de inflância, foram encontradas mortas no Arco Metropolitano. Durante as investigações do fato, foi ouvido um PM morador de Austin, o qual afirmou existência de uma organização criminosa (milicia), no bairro de Austin, cujos integrantes, sempre fortemente armados, faziam cobranças de taxas de serviços referentes ao comércio de gás, dentre outras atividades, chegando a convidá-lo para que integrasse o grupo. Ele disse ainda que chegou a presenciar Vítor realizando cobranças. A esposa de uma das vítimas, Maicon, contou que o outro rapaz morto, Bruno, chamou o amigo para tentarem “desenrolar com milicianos nos sobre uma confusão anterior ocorrida em uma boate. Depois, soube por várias pessoas que Vítor e comparsas pegaram Bruno e Maiocn no interior de um bar, e sob ameaça de armas de fogo, colocarem as vítimas no interior de um automóvel, sendo elas encontradas mortas no Arco Metropolitano. A chacina Na madrugada desta sexta-feira (24), três homens foram mortos a tiros no Parque da Biquinha, em Austin, Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. De acordo com informações iniciais repassadas por testemunhas, homens fortemente armados, com fuzis e pistolas, chegaram ao local e abriram fogo contra dois homens. Durante a ação, Rafael, conhecido como “Babalu”, que estava nas proximidades, acabou sendo atingido pelos disparos. Ainda segundo relatos, a região ficou em pânico com a intensidade dos tiros durante a ocorrência. Até o momento, não há informações oficiais sobre a identidade das outras duas vítimas nem sobre a motivação do ataque. A Polícia Militar foi acionada e isolou a área para a realização da perícia. O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), que vai apurar autoria e circunstâncias do crime.

Vereador morto em Nova Iguaçu já havia sido detido em operação contra milícia e teve arma e R$ 35 mil apreendidos

O assassinato do vereador de Nova Iguaçu Germano Silva de Oliveira, conhecido como Maninho de Cabuçu, segue gerando desdobramentos e trazendo à tona episódios anteriores envolvendo o histórico do político. Levantamento feito por nossa reportagem identificou uma matéria publicada pelo jornal Extra em 22 de setembro de 2016, assinada pelo repórter Rafael Soares, que revela que Maninho — à época candidato a vereador — foi detido por agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco). Na ocasião, a especializada realizava uma operação para cumprir mandados de prisão contra suspeitos de integrar uma milícia que atuava na Baixada Fluminense. Segundo a reportagem, denúncias anônimas encaminhadas à Draco apontavam o então candidato como suposto integrante do grupo paramilitar. Durante a ação, policiais estiveram na residência de Maninho, onde apreenderam uma pistola com documentação irregular e cerca de R$ 35 mil em espécie. Ainda de acordo com o Extra, o delegado Alexandre Herdy, então titular da Draco, confirmou que o nome de Maninho apareceu nas denúncias recebidas pela especializada no contexto da investigação. O texto também destacava que Germano Silva de Oliveira ocupou cargo de confiança na Prefeitura de Nova Iguaçu entre 2013 e junho de 2016. Conforme registro no Diário Oficial de 1º de julho daquele ano, ele foi exonerado “a pedido” pelo então prefeito Nelson Bornier para disputar as eleições. Na administração municipal, exercia a função de assessor especial do prefeito. Apesar dos episódios, Maninho não chegou a se tornar réu no caso, e seu suposto envolvimento com milícia não foi comprovado oficialmente pelas investigações. Quatro anos depois, como já revelado anteriormente por nossa reportagem, o nome do político voltou a aparecer em outra operação policial voltada ao combate à milícia. Na ocasião, sua residência foi alvo de mandado de busca e apreensão. Informações divulgadas à época — também não comprovadas — indicavam que ele teria sido apontado como possível candidato apoiado pelo grupo paramilitar. A morte de Maninho de Cabuçu está sendo investigada pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF). Até o momento, não há indicação de que o homicídio tenha relação com as operações anteriores envolvendo investigações sobre milícia.

Vereador morto em Nova Iguaçu foi alvo de operação contra milícia há seis anos, mas nada foi comprovado

Morto na manhã desta quinta-feira após ser baleado no dia anterior, o vereador Germano Silva de Oliveira, o Maninho do Cabuçu, já havia sido alvo de uma operação da Polícia Civil contra a milícia que atuava na Baixada Fluminense. A ação ocorreu em 2020, quando agentes cumpriram mandados e realizaram buscas em endereços ligados a investigados — entre eles, a residência do parlamentar. Na época, reportagens (inclusive do G1) apontaram que Maninho teria sido citado como possível candidato com apoio do grupo criminoso. Posteriormente, no entanto, não houve confirmação oficial dessa informação, nem divulgação de desdobramentos que comprovassem a acusação. Aquela operação que Maninho fo alvo era para investigar o assassinato do vereador Domingos Cabral. O irmão do político, um PM, comandava uma milícia na região. Até o momento, também não há qualquer indicação de que o atentado que resultou na morte do vereador tenha relação com aquela investigação. ATAQUE A TIROS Maninho foi baleado na tarde de quarta-feira, nas proximidades do Posto Aliança, na Avenida Abílio Augusto Távora, em Nova Iguaçu. Segundo relatos, homens armados se aproximaram e efetuaram disparos. O vereador foi atingido nas costas. Policiais do 20º BPM prestaram socorro e o levaram para a UPA de Cabuçu. Ele chegou consciente e com estado considerado estável. Em seguida, foi transferido para o Hospital Geral de Nova Iguaçu, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã desta quinta-feira. CENÁRIO DA MILÍCIA NA REGIÃO A operação que citou o nome do vereador tinha como alvo a organização criminosa que, à época, era comandada por Wellington da Silva Braga, o Ecko, e tinha como um dos principais nomes Danilo Dias Lima, o Tandera. Atualmente, segundo investigações, o grupo que atua na região é associado à liderança de Juninho Varão. INVESTIGAÇÃO O caso está sendo investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Flumiensne que busca identificar os autores e esclarecer a motivação do crime. Até agora, não há informações oficiais sobre suspeitos ou possíveis ligações entre o homicídio e investigações anteriores. NOTA OFICIAL DA CÂMARA DE NOVA IGUAÇU A Câmara Municipal de Nova Iguaçu manifesta profundo pesar pelo falecimento do vereador Maninho de Cabuçu, ocorrido na madrugada desta quinta-feira, após ter sido vítima de um atentado na tarde de ontem, em Cabuçu. Neste momento de dor, nos solidarizamos com seus familiares, amigos e toda a população de Nova Iguaçu, especialmente da região de Cabuçu, onde o vereador construiu sua trajetória de dedicação à vida pública. Em razão dessa perda irreparável, o presidente da Câmara, Dr. Marcio Guerreiro, decretou luto oficial de 5 dias no município. Os vereadores reforçam a necessidade de rigorosa apuração dos fatos pelas autoridades competentes e esperam que os responsáveis por este ato de violência sejam identificados e presos o mais rápido possível. Casado e pai de três filhos, Maninho estava no segundo mandato de vereador. Que sua trajetória de trabalho e compromisso com a população seja lembrada e respeitada. Ao longo do dia iremos passar mais informações sobre o falecimento do vereador. O velório será no plenário da Casa, na parte da tarde de hoje.

Trama nascida na cadeia terminou em execução: Homem foi morto sob aval da cúpula da milícia, corpo desapareceu e vingança disparou onda de mortes em Santa Cruz

A reportagem teve acesso a documentos que mostram que uma trama iniciada dentro de um presídio terminou em um homicídio que teve autorização de um dos chefes da maior milícia do Rio de Janeiro e culminou com uma série de execuções posteriormente A vitima Jonathas Vidal da Silva, conhecida coomo Bodão, foi assassinada no dia 24 de outubro de 2024 na Avenida Cesário de Melo, em Santa Cruz. O corpo nunca apareceu. Segundo os autos, os autores teriam sido dois milciianos vulgos Zulu e Primavera (morto recentemente) com autorização de PL, um dos líderes do grupo paramilitar que atua na região. Os três vão a júri popular pelo homicídio. As investigações apontam que o crime foi praticado porque os autores acreditavam que a vítima estava transmitindo informações sobre os assasinos a um cirminoso vulgo Russo, que estava preso e desejava assumir o comando da Favela do Rodo, em Santa Cruz. Ou seja, os bandidos agiram por vigança e porque teriam se sentido traídos por Jonathan, Os autores sumiram com o cadáver de Jonathas. A vítima foi arrebatada após sair do supermercado Super Compras, situado em Santa Cruz, quando se dirigia para a residência, localizada na Favela do Rodo. Cerca de cinco minutos do arrebatamento, foi ouvido um disparo de projétil de disparo de arma de fogo, não tendo a vítima retornado a seu domicílio.Logo após o crime de homicídio, Zulu, Primavera e Parazinho portando fuzis e pistolas, tendo em poder os telefones celulares da vítima, ingressaram na residência desta e se apropriaram de documentos pessoais, bem como suas senhas bancárias e telefônicas. Curioso nesta história é que o irmão de Russo, vulgo Du Mal, que também estava preso à época, foi quem teria transmitido as informações para os assassinos,, que praticaram o crime para se vingar da suposta traição de Jonathas. A partir daí,, deu-se início a uma série de homicídios na Favela do Rodo, com notícia de corpos sendo ocultados no Rio Guandu de todos que mantinham contato com Russo. Mas a história não para por ai. Em depoimento, Russo revelou que teria sido obrigado, pago e aliciado pelos milicianos Juninho Varão, Sprint e Jiraya para prestar falsos relatos contra Felipe e Du Mal. Os três são rivais da milícia do PL. Jiraya foi assassinado na Baixada Fluminense este ano. Segundo ele, foi Sprint que ofereceu a proposta para ajudá-los com algumas falsas acusações contra os autores e para que que fosse para o lado deles e levantassem informações contra a rivalidade. A oferta, segundo ele, foi de de 600 reais. Eles deram quatro parcelas e Russo ficou na galeria deles por quatro meses; Russo contou que Sprint levou um celular para que ele falasse com Jiraya. Depois, Jiraya o botou para falar com Varão e ficaram os três conversando, A polícia contou que Russo e Zulu teriam brigado porque o primeiro ficou de receber do segundo um valor por um crime que ele foi cometer. Zulu não pagou porque houve perda de armamento. Russo, então, jurou vingança e ela seria obtida buscando informações de Zulu a partir de Jonathas, A polícia tinha informações de que a vítima era integrante da milícia do Rodo e fazia venda de terrenos do grupo, além de cobrar comerciantes. A viúva de Jonathas disse, no entanto, que ele era trabalhador, atuava com conserto de celular e fazia um curso na Microlins. Ela é sobrinha de Russo. Um outro policial disse que Russo pretendia assumir para si a área de atuação; em Santa Cruz e usava o celular do irmão para pedir informações sobre Zulu. O agente confirmou que, a partir da morte de Jonathas, Zulu teria cometido uma sequência de crimes de pessoas que estavam vinculadas ao Russo para enfraquecer a possibilidade da tentativa dele em tomar a região. Segundo o policial, foi uma série de execuções de qualquer pessoa que estivessem atreladas ao Russo. O policial disse que Dumal ao revelar a intenção do irmão de obter informações sobre Zulu teria sido agredido na cadeia e teve que ficar em isolamento.

TCP se expande sem comando central: estrutura descentralizada impulsiona avanço da facção pelo país

Investigações recentes escancaram o funcionamento do Terceiro Comando Puro (TCP), facção criminosa que deixou de ser apenas mais um grupo do narcotráfico fluminense para se consolidar como uma organização em expansão nacional, cada vez mais próxima do modelo de atuação das milícias. De acordo com documento obtido pela reportagem, o TCP herdou do antigo Terceiro Comando uma estrutura fragmentada, sem um comando central rígido. Na prática, cada comunidade dominada possui um “dono”, responsável por comandar as atividades criminosas de forma autônoma, sem interferência direta de outras lideranças. Essa descentralização, no entanto, não significa desorganização. Pelo contrário: os chefes locais se articulam para fortalecer seus negócios ilícitos, defender territórios, esconder criminosos e negociar armas e drogas, formando uma engrenagem criminosa eficiente e difícil de desarticular. As investigações identificam cinco grandes polos de poder no Rio de Janeiro que sustentam o avanço da facção: o Complexo da Maré, o Complexo do São Carlos, o Complexo de Israel, o Complexo do Dendê e o Complexo da Guacha, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense. Entre eles, o Complexo da Maré se destaca como principal base operacional do TCP. A região funciona como centro de distribuição de armas e drogas e como base para quadrilhas de roubo de cargas e veículos que atuam na capital. A disputa com o Comando Vermelho (CV) também se dá no campo simbólico. O TCP construiu uma identidade própria, adotando expressões como “Tudo 3”, “É a gente” e “Viva e deixe viver (V.D.V)”, numa tentativa de consolidar sua marca e ampliar sua influência. Outro aspecto que chama atenção é o uso de símbolos religiosos e a imposição de padrões de comportamento nas áreas dominadas. Há registros de intolerância a religiões de matriz africana e a utilização de referências ligadas ao universo evangélico. Em algumas comunidades, como no Complexo de Israel, a facção ostenta a bandeira de Israel, com a Estrela de Davi pintada em pontos estratégicos como símbolo de domínio territorial. A partir de 2020, o TCP passou a expandir suas atividades para além do tráfico de drogas, incorporando práticas típicas de milícia. A facção passou a extorquir comerciantes e moradores, além de explorar serviços básicos de forma coercitiva, como fornecimento de gás, água, energia, internet e TV clandestina. Também há indícios de corrupção de agentes públicos. Esse movimento ampliou significativamente as fontes de renda da organização e fortaleceu sua capacidade de expansão territorial, consolidando um modelo de exploração sistemática das comunidades. Esse avanço não ficou restrito ao Rio de Janeiro. Desde 2021, surgem evidências claras da expansão do TCP para outros estados, como Espírito Santo, Ceará e Minas Gerais. A expansão ocorre principalmente por meio de conexões diretas entre lideranças. Criminosos de outros estados mantêm contato com chefes de comunidades do Rio, sendo acolhidos nessas áreas como forma de garantir proteção, esconderijo e suporte logístico. Caso não houvesse anuência dos chefes cariocas, a presença desses criminosos não seria permitida, o que reforça a existência de articulação estruturada, ainda que sem comando central formal. Fora do Rio, o TCP passou a replicar sua rivalidade com o Comando Vermelho, criando novos polos de conflito e, em alguns casos, se aliando a organizações como o PCC para ampliar sua força. No Espírito Santo, esse processo é evidente. O TCP se consolidou a partir da absorção de grupos locais, como a Associação Família Capixaba e o grupo Irmãos Vera. A facção passou a atuar como fornecedora de drogas e armas, atraindo organizações menores e impondo sua estrutura. Com o tempo, essas células passaram a adotar integralmente a sigla TCP. Hoje, a presença da facção já se materializa no território. Em parceria com o PCC, o TCP passou a controlar o narcotráfico em diversos bairros da Grande Vitória. Em Vitória, a atuação foi identificada em áreas como Itararé, Cruzamento e Tabuazeiro. Em Vila Velha, o domínio se estende por regiões como Ibes, Boa Vista, Cristóvão Colombo, Aribiri, Ilha das Flores e Santa Rita. Na Serra, há registros de atuação em Nova Almeida, Jardim Carapina, Central Carapina e Parque das Gaivotas. Em Cariacica, o grupo atua em Mucuri, Morro do Quiabo e Morro dos Gama. Também há presença em Conceição da Barra. Esse avanço territorial evidencia a consolidação da facção fora do Rio e mostra que a expansão não é apenas pontual, mas estruturada. O cenário atual no Espírito Santo é de divisão clara entre dois blocos criminosos: de um lado, TCP e PCC; do outro, Comando Vermelho e Primeiro Comando de Vitória (PCV). Os impactos já aparecem nos indicadores de violência. Apenas entre janeiro e agosto de 2024, uma região de Vila Velha registrou 16 homicídios, sendo ao menos nove ligados ao tráfico, além de 32 tentativas de homicídio, das quais 21 relacionadas diretamente à disputa entre facções. A evolução do conflito também se reflete na disputa territorial. Após a prisão de lideranças locais, áreas antes controladas passaram a ser alvo de alianças e confrontos entre grupos rivais. A presença das facções é marcada por pichações e símbolos que indicam domínio, reforçando o clima de tensão nas comunidades. O TCP surgiu em 2002, a partir de uma dissidência do antigo Terceiro Comando, em meio a conflitos no sistema prisional fluminense. Desde então, expandiu sua atuação para diversas frentes criminosas, incluindo tráfico de drogas, comércio de armas, roubo de cargas e veículos e extorsão. Hoje, a facção reúne características que a colocam entre as principais ameaças à segurança pública: domínio territorial, uso de armamento pesado, enfrentamento ao Estado, expansão interestadual e adoção de práticas típicas de milícia. O avanço do TCP aponta para a consolidação de uma organização criminosa híbrida, que combina tráfico, controle territorial e exploração econômica, ampliando seu poder e o potencial de violência em diferentes regiões do país.

Homem morto na Abolição ontem disse a policiais que fazia parte da milícia quando foi preso em 2023

O homem que foi assassinado ontem no bairro da Abolição quando foi preso em 2023 admitiu aos policiais que fazia parte da milícia, segundo informações do Tribunal de Justiça; Antônio Sérgio Tosca Júnior havia sido preso em 20 de outubro de 2023 na Rua Honório, em Todos os Santos. Na ocasião, tinha uma pistola Glock calibre 9mm, com numeração numeração suprimida, municiada com um carregador estendido, com 30 munições, 2 carregadores sobressalentes municiados, totalizando 70 munições, bem como 06 granadas e uma munição, calibre 7,62. Além disso, estava com um veículo VW/Cross, de cor branca, produto de roubo e que tinha placa adulterada. Na ocasião, , policiais civis lotados na 19ª DP após obterem informações do setor de inteligência de que ocorreria um roubo na Rua Honório, nas proximidades do nº 377, Todos os Santos, dirigiram-se para o local indicado. Chegando lá, avistaram o veículo VW estacionado irregularmente na calçada. Realizada consulta ao Proderj, os agentes constataram que o veículo estava registrado em nome de H.F.D o qual se localizava em Minas Gerais. Em contato com o dono, este declarou que o veículo se encontrava em seu poder e que estava recebendo multas não reconhecidas, oriundas do Estado do Rio de Janeiro. Em dado instante, os agentes avistaram Antônio ingressando no carro e dando a partida, ocasião em que realizaram a abordagem. No momento da abordagem, o suspeito admitiu aos agentes que o veículo era clonado, que integrava milícia e que possuía armas de fogo em sua residência, local onde o automóvel estava estacionado. Um policial civil prestou depoimento na época e disse que Antõnio afirmou que pertencia a uma milícia na beira da Linha Amarela, provavelmente a que atua na comunidade do Guarda, em Del Castilho. Ouvida na época, a mulher de Antônio falou que desconhecia o envolvimento dele com grupo paramilitar. Antônio chegou a fazer parte do programa Segurança Presente do governo estadual , atuando no bairro do Centro e também foi paraquedista, tendo ficado oito anos no Exército. Ele foi morto na Avenida Dom Hélder Câmara. Segundo testemunhas, o homem estava dentro do carro quando acabou cercado por criminosos armados, que efetuaram os disparos. Ele perdeu o controle do veículo e colidiu com um estabelecimento comercial

Policial civil e falsos agentes formavam milícia para extorquir comerciantes em Búzios — detalhes de uma cobrança sob mira de réplica de fuzil vêm à tona

Uma operação criminosa com características típicas de milícia atuou livremente em Búzios, na Região dos Lagos, explorando comerciantes sob ameaça e com participação direta de um agente da lei. O caso, que começou a ser desvendado ainda em dezembro de 2025, ganha agora contornos muito mais graves com a revelação de novos detalhes da investigação. Os criminosos se passavam por policiais civis para extorquir empresários locais, utilizando armamento, distintivos e até viatura disfarçada para dar aparência de legalidade às ações. O grupo exigia dinheiro sob ameaça de apreensão de bens — uma prática clássica de milícias que atuam como um “Estado paralelo”. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu na manhã de 5 de dezembro de 2025. Um empresário do ramo de construção foi surpreendido ao ser informado de que uma suposta equipe da Polícia Civil estava em seu terreno, na Estrada de Tucuns, onde mantinha máquinas e caminhões. Ao chegar ao local, encontrou três homens dentro da propriedade. Um deles, identificado como policial civil, ostentava distintivo oficial e comandava a ação. Outro portava uma pistola na cintura. O terceiro permanecia no interior de um Renault Kwid. A abordagem foi violenta. O empresário foi rendido sob a mira de um fuzil — posteriormente identificado como uma réplica — em uma clara demonstração de intimidação. Em seguida, o suposto agente da lei passou a questionar a documentação dos veículos. Mesmo com os documentos apresentados, o grupo encontrou um pretexto: dois caminhões estavam com o licenciamento vencido. Foi o suficiente para a chantagem. A exigência veio de forma direta: R$ 10 mil para “resolver a situação”. Caso contrário, os veículos seriam apreendidos — e, segundo a ameaça, dificilmente recuperados. Pressionado e temendo prejuízos ainda maiores, o empresário iniciou os pagamentos via PIX. Foram transferidos R$ 4 mil — parte por ele, parte por familiares — enquanto tentava completar o valor exigido. A operação total só não foi concluída porque a transferência maior entrou em análise bancária. Mesmo assim, os criminosos não foram embora de imediato. Permaneceram nas proximidades aguardando o restante do dinheiro, deixando claro que a extorsão ainda estava em andamento. Foi nesse momento que o esquema começou a ruir. Por volta das 10h, a polícia recebeu denúncias de que homens estavam se passando por policiais civis em Búzios, utilizando um Renault Kwid branco para extorquir comerciantes. O monitoramento confirmou que o veículo circulava pela cidade desde cedo e seguia em direção a Cabo Frio. A interceptação aconteceu na Estrada Velha Cabo Frio/Búzios. Durante a abordagem, um dos suspeitos voltou a se apresentar como policial civil e afirmou estar armado. Ao desembarcar, outro integrante foi flagrado com uma pistola na cintura. A situação rapidamente escalou quando um dos criminosos tentou tomar a arma de um policial, entrando em confronto físico. Um disparo foi efetuado para conter a agressão, atingindo o suspeito. Na revista do veículo, veio a confirmação do nível de organização do grupo: Com o policial envolvido, foram apreendidos distintivo e carteira funcional da Polícia Civil, evidenciando que o esquema contava com suporte interno para dar credibilidade às ações criminosas. As anotações encontradas reforçam que não se tratava de um caso isolado. O grupo operava de forma estruturada entre Búzios e Cabo Frio, com alvos previamente definidos — um verdadeiro roteiro de extorsões. Um dos presos confessou ter recebido R$ 4 mil da vítima. Posteriormente, o empresário compareceu à delegacia e reconheceu, sem qualquer dúvida, tanto o veículo quanto os autores do crime. O caso, que inicialmente parecia mais um episódio pontual de falsos policiais, agora se revela como algo muito mais profundo: uma engrenagem criminosa com método, planejamento e participação de quem deveria combater o crime. E o mais grave: tudo isso começou a ser descoberto em dezembro — mas só agora a dimensão real do esquema vem à tona.

“EU PAGO TODO MUNDO”: CHEFÃO DO TCP FOI FLAGRADO EM ESCUTA DIZENDO CONTROLAR POLICIAIS EM CAXIAS

Uma interceptação telefônica obtida no âmbito de uma investigação policial revelou o nível de poder e ousadia atribuído ao traficante conhecido como Flamengo, apontado como um dos chefes do Terceiro Comando Puro (TCP) em Duque de Caxias. Na gravação, ele afirma, em tom explícito, que pagaria propina a policiais militares que atuam na região. “Eu tenho a porra do batalhão todo na minha mão. Os polícia da área eu conheço tudo, eu pago todo mundo. Tu acha que essa porra tem tráfico de drogas porque? Eu pago é todo mundo, porra”. A escuta foi realizada anos atrás, durante uma investigação sobre a atuação do TCP em condomínios residenciais da região, e é tratada pelas autoridades como um indício do possível nível de infiltração criminosa e controle territorial sustentado por corrupção e intimidação. Na mesma interceptação, Flamengo aparece fazendo ameaças diretas a um síndico de condomínio, exigindo o repasse de dinheiro ao grupo criminoso. “Ou tu dá a porra do nosso dinheiro nessa porra ou tu vai morrer fdp”. Segundo as investigações, os condomínios Volterra, Rotonda, Parma, Pádua e Bolzano eram anteriormente dominados por um miliciano conhecido como Baby. Esse cenário mudou no final de 2022, após uma operação que prendeu diversos integrantes da milícia. Com o enfraquecimento do grupo, traficantes ligados ao TCP, oriundos da comunidade do Barro 3 e sob liderança de Flamengo, teriam avançado sobre a região e assumido o controle. De acordo com a apuração, o grupo passou a atuar como uma espécie de “empresa do crime”. Além do tráfico de drogas, passou a controlar serviços dentro dos condomínios, como venda de gás, distribuição de água, fornecimento de internet, TV a cabo, iluminação e até a cobrança de taxas de condomínio. Parte desses valores, segundo a investigação, seria destinada à organização criminosa. Para manter o domínio, os criminosos teriam adotado práticas violentas e sistemáticas. Entre elas, roubos de carga, extorsões, tortura de moradores, expulsão de residentes e assassinatos de pessoas que contrariavam seus interesses. Ainda segundo os elementos reunidos, Flamengo teria consolidado seu poder expulsando síndicos, retirando moradores e eliminando desafetos. Pessoas de sua confiança teriam sido colocadas na administração dos condomínios, ampliando o controle financeiro da organização. O grupo também teria expandido sua atuação para os morros do Sossego e do Cacareco, reforçando o domínio territorial. A disputa pelo controle da região provocou confrontos entre traficantes e milicianos. Em setembro de 2023, episódios de violência resultaram na queima de ônibus e veículos, afetando diretamente a população local. Relatos de moradores que afirmaram ter sido vítimas de tortura foram levados às autoridades policiais, que já conduziam outras investigações sobre a organização criminosa. Após um trabalho considerado minucioso, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, com o objetivo de responsabilizar os envolvidos. Embora as acusações ainda dependam de julgamento, o material reunido descreve um cenário em que, segundo a investigação, o crime organizado não apenas atua na região, mas exerce controle direto sobre a rotina e a vida cotidiana dos moradores.

RELATO CHOCANTE: MILICIANO TERIA ESPANCADO A IRMÃ E LIBERADO MORTE — absolvição vira alvo do MP”

Um caso cercado por denúncias gravíssimas, falas chocantes e suspeita de atuação de milícia na Zona Oeste do Rio de Janeiro terminou, ao menos por enquanto, com a absolvição do acusado — decisão que agora está sendo contestada pelo Ministério Público, que vê indícios de intimidação e possível erro na análise das provas. O caso ocorreu no ano passasdo. De acordo com os autos, uma testemunha-chave — ex-namorado da vítima — descreveu uma sequência de violência extrema após o fim do relacionamento com a mulher. Segundo ele, após uma discussão em que a ex teria quebrado objetos dentro da residência, ele deixou o local e foi para a casa de um amigo. O que veio depois, segundo o relato, foi uma cena de terror. Minutos depois, a mulher teria chegado acompanhada do irmão e de outros três homens, que o depoente apontou como milicianos e que estariam armados. Assim que chegaram, o irmão teria feito uma ameaça direta e brutal: “Desce daí da residência que a gente vai te colocar na mala e levar” A testemunha afirmou que tentou se explicar, dizendo que não tinha culpa pela situação. Foi nesse momento, segundo ele, que o acusado teria voltado a violência contra a própria irmã. O depoimento descreve agressões com socos, chutes e golpes com arma de fogo — incluindo coronhadas na cabeça. Mesmo após a sequência de violência, o caso teria ficado ainda mais grave. Segundo a testemunha, o acusado colocou a irmã dentro de um carro e saiu do local. Desesperado, com medo de que ela fosse morta, ele decidiu seguir o veículo de motocicleta. Durante o trajeto, ele afirma ter visto a vítima cair do carro. E foi nesse momento que, segundo o depoimento, ouviu uma das frases mais chocantes do caso: “Agora, você pode até matar ela que eu não vou me meter” A testemunha contou que ainda tentou intervir e pediu que o acusado retornasse à casa para que a mulher pegasse seus pertences. Mas, segundo ele, a violência continuou. Ao chegar ao local, o acusado teria sacado novamente a arma e desferido mais coronhadas na irmã, que teria desmaiado. Em seguida, ele fugiu com os demais homens. O depoente afirmou que acionou o pai da vítima, que chamou o SAMU para socorrê-la. Também disse que os supostos comparsas eram conhecidos pelos apelidos de CL, Pimenta e Corolla. Apesar da gravidade das acusações, o caso sofreu uma reviravolta dentro da Justiça. Em juízo, a própria vítima negou completamente a versão apresentada pela testemunha. Ela afirmou que não houve agressões e que tudo não passou de uma discussão sob efeito de álcool. Segundo seu depoimento, ela foi até a residência apenas para buscar seus pertences após o término e foi ela mesma quem ligou para o irmão pedindo ajuda. Disse ainda que ele chegou sozinho, sem armas, e que não houve qualquer ameaça ou violência. A mulher declarou que o irmão não tem qualquer envolvimento com milícia, que não havia outras pessoas no local e que não presenciou nenhuma agressão. Ela também afirmou que passou mal devido à mistura de álcool, energético e problemas de ansiedade, o que teria motivado o acionamento do SAMU. Disse que não desmaiou por agressão, mas por mal-estar, e que foi levada diretamente ao hospital. A vítima ainda declarou que nunca ouviu falar de coronhadas, de tentativa de colocá-la em carro à força ou de qualquer episódio violento, e que desconhece por que essas informações apareceram nos depoimentos de terceiros. Também afirmou que não entendeu a prisão do irmão, já que, segundo ela, ele não cometeu qualquer irregularidade, e disse que a região não possui atuação de milícia. Diante das versões conflitantes, a Justiça decidiu absolver o acusado. Na sentença, o entendimento foi de que não houve comprovação suficiente da existência de organização criminosa nem da participação do réu em milícia. A decisão destacou que os relatos mais graves se basearam em declarações extrajudiciais que não foram confirmadas em juízo, além das contradições apresentadas no processo. Mas o caso está longe de terminar. O Ministério Público recorreu e sustenta que a absolvição ignorou elementos importantes. Segundo o MPRJ, diligências policiais já indicavam que o acusado seria conhecido na região por suposta atuação em milícia, informação que teria sido confirmada por moradores, pelo pai da vítima e inicialmente pelo próprio denunciante. O órgão vai além e faz um alerta central: em áreas com possível influência de milícia, mudanças de versão em juízo podem ocorrer sob pressão e precisam ser analisadas com extremo cuidado. Para o Ministério Público, os depoimentos iniciais, somados a outros elementos de prova, indicam atuação conjunta com homens armados, sendo desnecessária a comprovação completa da estrutura da organização criminosa para caracterização do crime. Diante disso, o MPRJ pede a reversão da absolvição. O caso agora será reavaliado por instâncias superiores e expõe um cenário delicado: de um lado, relatos de violência brutal e frases que chocam; do outro, uma mudança total de versão em juízo — em um contexto onde, segundo o próprio Ministério Público, o medo pode falar mais alto que a verdade.

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