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MILICIA

NOVA IGUAÇU: Rapaz foi morto por traficantes do CV porque postou em rede social foto com time de futebol da milícia. Desesperada, mãe foi at´pe a boca de fumo pedir notícias do filho

A Justiça do Rio decretou em abril a prisão de mais dois envolvidos no assassinato de um rapaz em setembro de 2025 no bairro de Austin, em Nova Iguaçu. O rapaz foi morto porque publicou em rede social foto usando o uniforme de um time de futebol considerado rival (da milícia) pelos autores do crime, que são ligados ao Comando Vermelho. O asassinato teve contornos ainda mais dramáticos porque a mãe da vítima foi até a boca de fumo para saber da notícia do filho;Um outro suspeito, vulgo Buzico, já teve a prisão decretada em fevereiro. Narra a denúncia que “entre os dias 21 de setembro de 2025 – quando a vítima foi retirada de sua residência situada na Rua Bilu, nº 03, Bairro Vila Guimarães, Austin, Nova Iguaçu/RJ – e o dia 24 de setembro de 2025, data em que seu corpo foi localizado na Estrada do Tinguazinho, s/n, Tinguazinho, Nova Iguaçu, os criminosos efetuaram disparos de arma de fogo contra a vítima Matheus Ribeiro dos Santos, que veio a óbito; O crime foi cometido por motivo torpe, consistente na imposição violenta de domínio territorial pela facção criminosa Comando Vermelho tendo a vítima sido executada em razão da publicação, em rede social, de fotografia na qual vestia uniforme de time de futebol cujos integrantes teriam suposto vínculo com uma organização criminosa rival daquela integrada pelos autores O homicídio foi cometido mediante recurso que dificultou a defesa da vítima, a qual foi retirada de sua residência pelos denunciados e por seus comparsas, integrantes da facção criminosa Comando Vermelho, e conduzida, sob coação, para o interior de área dominada pelo grupo armado, onde foi executada com múltiplos disparos de arma de fogo após permanecer sob o domínio dos acusados, sem qualquer possibilidade de reação ou fuga, em ambiente integralmente controlado pelos criminosos.” A mãe de Matheus foi chamada no dia 21 de setembro por dois amigos do seu filho para avisar que Buzico teria levado Matheus.Ela disse que Buzico é morador da região, e que o conhece desde que ele” nasceu; Que o filho e o bandido já tiveram problemas em um jogo de futebol no campo do zenit, em Austin. Desde então “Buzico” vinha ameaçando Matheus. A mae ao correr até a esquina de sua rua ainda conseguiu ver três motos em uma moto estava um indivíduo não identificado pilotando e Buzico na garupa e Matheus no meio. Viu ainda mais outros dois indivíduos um em cada moto, sendo uma delas a do filho. Ela não conseguiu alcançar as motos por estar a pé e foi até a comunidade São Simão, sabendo que “Buzico” é integrante do tráfico desta comunidade, dominada pela facção criminosa “comando vermelho”; Ao chegar na favela, um traficante falou para a declarante ir na “boca do flamengo onde ela viu Buzico. Ele veio em sua direção com uma moto, modelo honda PCX e arma em punho; Buzico” ficou rodeando a declarante com a moto e ela perguntando onde estava seu filho; O bandido respondeu que não tinha pego Matheus.A mãe retrucou. “Você pegou o meu filho, que eu vi”; “Buzico” respondeu “Foi eu que matei ele?”, “Pode me empurrar mais um homicídio, o do “Nando” foi eu que matei mesmo, (Fazendo referência ao homicídio do procedimento 861-00979/2024) mas pode ir lá e depois aguenta as consequências” e subiu a rampa; A mãe perguntou quem era o responsável e um dos indivíduos se identificou; Que a declarante pediu para que entregassem o seu filho e o traficante disse que ia ver o que poderia fazer, e pegou uma moto e subiu a ladeira; Quando o traficante saiu já era 02hrs da manhã e voltou depois de uma hora e meia falando para a declarante ir embora que o filho dela estava morto:A mulher pediu para que pelo menos entregassem o corpo de Matheus e o traficante Que o informou que não poderia fazer mais nada e que já tinha falado de mais;. A mãe do rapaz morto foi para casa por volta das 05hrs30min. No entanto, mpaciente com a situação foi novamente à comunidade São Simão.Ao chegar na boca, haviam dez pessoas e a cunhada dela que a acompahava perguntou a um traficante sobre Matheus e o bandido respondeu que não queria saber e que não para envolver o nome dele; A mãe recebeu uma ligação anônima que informou a declarante que não era só “Buzico” que estaria envolvido na morte de seu filho e que um traficante chamado Matheus também estaria e que a motivação seria que a vítima teria postado uma foto em que estaria usando uniforme de um time de várzea da região em que alguns integrantes do time seriam milicianos. A moto que Matheus usava era de trabalho e pertencia ao patrão dele, que disse que, no dia do fato, pelo aplicativo da seguradora da moto, constava que a localização do veículo estaria na comunidade São Simão; A tia de Matheus falou que implorou a um traficante para que entregasse o sobrinho. “Por favor Matheusn é meu sobrinho, me ajuda”. O bandido respopndeu. “Sai de perto de mim, não fala meu nome aqui não”.Perguntada o que sabia do homicídio, respondeu que pelo fato da declarante ter um comércio na região, todos comentam que Buzico e um traficante chamado Matheus e seriam os autores do homicídio em tela. Falou inclusive que Buzico já teria ameaçado o sobrinho de morte anteriormente; Sobre a motivação, a declarante respondeu que seria pelo fato de Matheys ter tirado fotografia com um time de futebol que possuem milicianos que jogam nesse time. O patrão de Matneus afirmou que Buzico e comparsa estavam “tacando” terror na comunidade e que a vítima era trabalhador e não possuía envolvimento com a milícia; Contou inclusive que quatro dias antes do homicídio, Matheus lhe relatou que Buzico teria ido até ele e perguntou se o mesmo estava na “mancada” e mandou o mesmo abrir o olho;

Favela no Recreio onde casal foi executado estaria sob influência de três grupos criminosos e disputa violenta por território

A comunidade do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes — onde um casal foi assassinado na tarde de ontem — vive sob a influência direta de três grupos criminosos, em um cenário de disputa, tensão constante e medo entre moradores. As vítimas foram Ygor e Ariane, que estava grávida. Segundo relatos, o casal havia ido até a comunidade buscar uma encomenda para o chá de bebê, quando acabou sendo executado. De acordo com informações divulgadas pela página Milícia RJ News, o território estaria atualmente dividido: o Comando Vermelho (CV) domina uma pequena área no Pontal, enquanto o Terceiro Comando Puro (TCP) controla a maior parte da favela. Já milicianos atuam na cobrança de comerciantes, explorando economicamente a região. Ouvida por veículos de imprensa do Rio, a família afirmou acreditar que o casal foi morto por engano. Segundo publicações da mídia, Ygor — morador de Vargem Grande, área sob influência do TCP e da milícia — teria sido confundido com um paramilitar por traficantes do CV, hipótese que pode ter motivado a execução. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital. Na reportagem publicada ontem por nosso site, um morador já havia relatado o agravamento da situação na comunidade. Segundo ele, após um suposto rompimento entre milícia e TCP, a violência teria disparado no Terreirão, com registro de diversas mortes.. O cenário que se desenha é o de uma área fragmentada entre diferentes forças criminosas, onde a disputa por território e poder tem ampliado o risco para quem vive ali — e onde, como indica o caso do casal, até uma ida para buscar itens de um chá de bebê pode terminar em morte.

Sangue na ficha: ‘Marquinho Sem Cérebro’ e o histórico de homicídios na Zona Oeste do Rio

Apontado como chefe de uma nova cúpula do jogo do bicho no Rio de Janeiro, Marquinho Sem Cérebro respondeu a processos acusados de homicídios na Zona Oeste carioca motivados por disputas na contravenção e também milícia. Em 2011, a Justiça instaurou ação contra ele pelo homicídio de Antôio Marcos Duarte Barros cometido em Senador Camará. Os autos revelaram que Marquinho seria miliciano atuante na Zona Oeste e com vínculo a Fernando Ignácio, conhecido cotraventor. Sobre o crime, foi apurado que a vítima tinha um depósito de gás clandestino e este, era forçado a comprar gás para a revenda com o miliciano. Uma testemunha na época contou que a vítima teria comprado durante algum tempo botijões de Sem Cérebro, mas como passou a ter prejuízo na revenda do produto em função dos preços abusivos cobrados pelo miliciano, deixou de comprar os botijões com o mesmo, motivo pelo qual passou a ser ameaçado. informou ainda que na´epoca, Marquinoh era visto com freqüência em um carro preto, sempre acompanhado de três homens fortemente armados, fazendo ronda nas regiões conhecidas como “Quarenta e oito” (mesma região em que a vítima residia), “Bicho Solto”, “Sossego”, “Sapo”, entre outras, as quais todas localizadas entre Bangu e Senador Camará. A esstemunha afirmou que Sem Cérebro era conhecido rapidamente pela quantidade de gás que ele estava distribuindo para todo mundo. Segundo a declarante, o modo de agir deke era impor às pessoas colocarem o gás dele para venda no local, impondo condições para as pessoas trabalharem com gás. Outras testemunhas afirmara que o então miliciano também era apontado como o autgor do homicídio Sergio Luiz Baptista, tratando-se do mesmo modus operandi. Um policial contou na ocaisião que, na região de Bangu, existia milícia e o que o criminoso estaria indiciado em vários inquéritos que tramitavam na Delegacia de Homicídios que apuraram mortes ligadas ao comércio de gás, podendo afirmar que todas as pessoas que residiam na localidade próxima aos homicídios possuíam nítido pavor em prestar declarações sobre estes crimes e, por tal motivo, conseguiam, quando muito, depoimentos de familiares de vítimas. Frisou que, mesmo nestes casos (depoimentos de familiares de vítimas), o pavor era visível. Um delegado declarou ter presenciado o sentimento de extremo temor nutrido pelos moradores da localidade em relação ao acusado, podendo afirmar que Sem Cérebro, juntamente com seus comparsas, querem monopolizar o comércio de gás na localidade. A Justiça decidiu levar Sem Cérebro a júri popular por esse crime mas o julgamento não foi realizado até hoje., Em novembro do ano passado, Sem Cérebro foi condenado em um processo de homicído tentado de 2007 No dia 08 de setembro de 2006, por volta das 16h e 40min, na Rua Tocariva, em frente ao número 146, Padre Miguel, Marquinho e comparsas efetuaram disparos de arma de fogo contra a vítima ‘Mima`. que sobreviveu porque foi atingida em região não letal, mais precisamente numa de suas pernas. O crime foi praticado para assegurar a execução de outro crime, qual seja a exploração de máquinas contrabandeadas. Na época, o contrraventor Fernando Iggnácio foi apontado como mentor intelectual do crime em questão e chefe da quadrilha que compõe, dando as ordens aos seus subalternos. Certo é, ainda, que os projéteis disparados contra a vítima Mirna, desviaram-se da direção desejada, atingiram também o adolescente Marcos Tiago Antonio Domingos. que veio a óbito. Sem Cérebro também chegou a responder processo pelo homicídio de Gilmar Simão cometido no Tanque, em Jacarepaguá, em 10 de outubro de 2006. Ele e Fernando Iggnácio foram absolvidos.

DO GÁS AO JOGO DO BICHO: o rastro de terror de “Marquinho Sem Cérebro”, alvo de operação do MP que mira nova cúpula da contravenção no Rio

Alvo de uma operação do Ministério Público do Rio nesta quinta-feira (30), suspeito de integrar e liderar uma nova cúpula da contravenção no estado, Marcos Paulo Moreira da Silva, conhecido como “Marquinho Sem Cérebro”, não surgiu agora no radar das autoridades. Seu histórico é antigo — e marcado por episódios de violência, coerção e domínio territorial. Antes de ser apontado como peça-chave no esquema do jogo do bicho em Bangu, Marquinho já havia comandado uma milícia na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Segundo relatório da Justiça da década passada, ele e seus comparsas coagiam revendedores de gás na comunidade do Sandá, em Bangu, impondo restrições e limitando a venda do produto a comerciantes da própria região. O objetivo era claro: controlar completamente o comércio de gás na localidade. De acordo com os registros, Marquinho chegou a procurar pessoalmente um homem identificado como Arnaldo Flores, exigindo que ele deixasse a área de interesse da organização criminosa. A vítima inicialmente resistiu, mas acabou cedendo às ameaças, recolhendo seus pertences e abandonando a região.Mesmo assim, acabou sendo assassinado posteriormente. As ações do grupo não pararam por aí. Marquinho e seus aliados montaram ou adquiriram depósitos de gás em Bangu, consolidando o domínio sobre o setor. Após tomar o depósito de gás de um homem identificado como Armando, localizado no Sandá, toda a família dele passou a ser ameaçada. O recado, segundo os relatos, era direto: o criminoso havia chegado para dominar a região e quem ficasse em seu caminho, morreria. Na prática, a intimidação era constante. Marquinho e um policial militar apontado como seu sócio circulavam pelas ruas abordando vendedores e pessoas ligadas à família Flores, determinando que todos avisassem Armando e seus familiares para interromper imediatamente a venda de gás e fechar os depósitos. As ameaças, de acordo com os relatos, chegavam a ser feitas até por policiais militares que patrulhavam a área, ampliando o clima de medo entre os moradores e comerciantes. Mesmo após a prisão de Marquinho, o esquema de pressão teria continuado. O policial militar apontado como seu sócio, na tentativa de manter o monopólio da comercialização de gás, seguiu abordando vendedores, questionando — em tom de ameaça — os preços praticados. GUERRA NA CONTRAVENÇÃO Anos antes desses episódios, Marquinho já atuava em outro cenário igualmente violento: a disputa entre bicheiros. Com a prisão do contraventor Rogério de Andrade, seu rival Fernando Iggnácio passou a ordenar uma série de ataques aos pontos controlados pelo concorrente. E, segundo investigações, Marquinho Sem Cérebro, que era chefe de segurança de Iggnácio, participou diretamente dessas ações. A ordem era clara: destruir máquinas caça-níqueis e desestruturar a quadrilha rival, abrindo caminho para o domínio dos territórios na Zona Oeste. Em outro trecho das investigações, Marquinho chegou a ser flagrado combinando com o próprio Iggnácio o pagamento de propina a policiais civis, incluindo um delegado, para forjar flagrantes de porte de arma contra integrantes de grupos rivais — possivelmente policiais militares. A OPERAÇÃO DE HOJE Todo esse histórico ajuda a explicar por que Marquinho voltou ao centro das atenções. Nesta quinta-feira (30), o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MPRJ), em conjunto com a Coordenadoria de Segurança e Inteligência do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (CSI/MPRJ), cumpre 18 mandados de busca e apreensão contra uma nova cúpula do jogo do bicho em Bangu. A investigação é própria do Ministério Público. De acordo com o GAECO, o grupo criminoso seria liderado por Marquinho Sem Cérebro, que já está preso. A ação conta com o apoio da Coordenadoria de Inteligência da Investigação (CI2/MPRJ), do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE) da Polícia Civil e do 14º BPM (Bangu). Os mandados, expedidos pela 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, têm como objetivo apreender documentos e materiais ligados a uma série de crimes, como: Segundo as investigações, Marquinho ascendeu dentro da chamada máfia da contravenção, principalmente na exploração de máquinas caça-níqueis, após a morte do bicheiro Fernando Iggnácio. Desde então, o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) conduzido pelo GAECO aponta a prática de múltiplos crimes pelo grupo, incluindo diversos homicídios registrados em Bangu a partir de 2021. Os mandados estão sendo cumpridos em Bangu, Senador Camará, Realengo, Recreio dos Bandeirantes e Marechal Hermes.

Relato expõe terror após ruptura entre milícia e TCP no Terreirão, onde guerra voltou a matar casal — mulher grávida — no Recreio

A comunidade do Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes, voltou a ser palco de violência extrema na tarde de hoje, com a morte de um casal que foi até o local buscar uma encomenda para um chá de bebê e acabou surpreendido por um suposto tiroteio entre facções rivais. A mulher estava grávida. O alvo dos disparos, segundo relatos, seriam milicianos. O homem morto seria ligado a um grupo paramilitar. A região, no entanto, já carrega um histórico de confrontos violentos entre grupos criminosos, que ao longo dos anos deixaram um rastro de mortes. O Ministério Público colheu o depoimento de um morador do Terreirão que revelou que há uma disputa territorial antiga entre milícia e tráfico. Segundo ele, diferentes milícias atuavam na área e, por um período, mantinham aliança com traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP). Esse acordo, porém, foi rompido. Cada grupo seguiu por conta própria — e a partir daí, a guerra começou. O morador relatou que vivenciou de perto essa violência: perdeu amigos, foi baleado na perna, no braço e no peito, e disse que sua mãe e seu irmão também foram atingidos em meio aos confrontos. Ele afirmou ainda que traficantes passaram a matar pessoas sem qualquer envolvimento com o crime. Segundo o relato, “a facção é covarde e só mata trabalhador”. De acordo com o depoimento, três inocentes que trabalhavam como barbeiros teriam sido executados. Em outro episódio, duas pessoas foram mortas e uma terceira baleada — e o próprio morador disse ter chegado ao local e visto os corpos. Ele também contou que um primo foi assassinado e outro, que não tinha envolvimento com o crime — sendo apenas usuário — acabou baleado. Segundo o morador, todas essas mortes têm relação direta com a quebra do acordo entre o TCP e a milícia, embora o Comando Vermelho também tenha presença na comunidade. Um inquérito de 2024 apontou que o TCP atuava tanto no Terreirão quanto na região do Posto 12, no Recreio, onde há registros de uma intensa guerra contra o Comando Vermelho, com diversas mortes contabilizadas.

CV recorre à milícia: prints revelam pedido de ajuda para invadir áreas do PL e do TCP e ampliar domínio na Zona Oeste do Rio

Novos prints de conversas divulgados pela Polícia Civil e publicados pela BandNews FM em redes sociais escancaram uma aliança perigosa entre o miliciano André Boto e o traficante Gadernal, apontado como um dos chefes do Comando Vermelho, em meio à disputa por territórios na Zona Oeste do Rio. Em um dos trechos mais reveladores, Gadernal pede apoio direto para avançar sobre áreas dominadas pela milícia do PL, sucessora do grupo de Zinho, e também por facção rival: “Aí homem me deixa forte para montar esse base para mim atacar Antares e 48. Carobinha estou com meus homens parados”. Antares, em Santa Cruz, e Carobinha, em Campo Grande, são redutos da milícia do PL, enquanto o 48, em Bangu, é área controlada pelo Terceiro Comando Puro (TCP). A resposta de Boto evidencia o alinhamento imediato entre os dois: “Vou agitar isso para você. Amanhã vou desenrolar com o amigo lá. Ali é uma reta só”. Em outro momento, o tom violento da conversa fica ainda mais explícito, quando Boto fala sobre um rival direto da milícia do PL:“Pegar o Zulu lá e quebrar 80% das pernas dele”. Zulu é apontado como integrante da milícia do PL, o que reforça o nível de conflito interno e disputa por poder nas regiões dominadas por grupos paramilitares. Os dois também discutem possíveis invasões em outras áreas. Boto chega a oferecer suporte para uma ofensiva na Vila Sapê, em Curicica:“Se minha área fosse perto você já estaria lá, Vila Sapê é o maior favelão”. Na sequência, ele sugere outro ponto estratégico:“O Catiri é o ideal mesmo”.Gadernal responde demonstrando facilidade de acesso a outra região:“O Boqueirão eu consigo, posso entrar a hora que quiser”. O diálogo também revela pressão de outros grupos armados na região. Ao comentar sobre o Catiri, Boto afirma:“Os crias da Vila Kennedy não saem de cima”.Gadernal responde indicando movimentação de aliados:“Eles vão vir para o Alemão e Penha, mas confia. Quando eu entrar você vai estar acompanhando. Vou precisar da sua ajuda”. Em um dos trechos mais graves, o traficante revela uma estratégia para tomada de território: usar o nome de milicianos para “limpar” a área e depois entregar ao tráfico. Boto responde sem hesitar:“Isso é mole”. Os diálogos também citam Rio das Pedras, em Jacarepaguá, outro alvo do Comando Vermelho:“Lá só tem bunda rachada”, diz Boto.“Eles estão esculachando vários moradores”, responde Gadernal.“Eles sempre fazem isso. O dono de lá é um bunda rachada. Cuzão de primeira”, completa o miliciano. Por fim, os dois mencionam o histórico de violência no Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes. Gadernal afirma:“Teve um mês que teve 40 homicídios”.Boto relembra um confronto envolvendo o grupo do miliciano Tandera, da Baixada Fluminense, que terminou com cinco mortos e seis feridos. Para investigadores, os prints reforçam um cenário alarmante: a aproximação entre milicianos e traficantes para coordenar ataques, expandir domínio territorial e intensificar a violência em comunidades da Zona Oeste do Rio.

PRINT EXPLOSIVO REVELA DIÁLOGO ENTRE MILICIANO E CHEFÃO DO CV DURANTE OPERAÇÃO NO RIO

Um print de conversa divulgado pelo programa Balanço Geral escancarou uma conexão direta entre milícia e tráfico no Rio de Janeiro — e acabou passando quase despercebido no meio da cobertura. A mensagem mostra o miliciano André Boto, que controla áreas em Curicica, na Zona Oeste, em contato com Carlos Costa Neves, o “Gardenal”, apontado como um dos principais líderes do Comando Vermelho. No diálogo, Boto questiona se os complexos da Penha e do Alemão seriam a mesma região. Gardenal responde detalhando o domínio das facções: afirma que a Penha é controlada por Marcinho VP e Doca, enquanto o Alemão estaria sob influência de Marcinho VP e Pezão. A conversa vai além. Os criminosos também discutem possíveis invasões a áreas dominadas por milicianos, citando regiões como Carobinha, em Campo Grande; 48 e Catiri, em Bangu; e o Terreirão, no Recreio dos Bandeirantes — indicando articulações diretas sobre disputas territoriais entre grupos rivais. O material foi revelado pela polícia durante uma operação deflagrada nesta quarta-feira pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que mira o coração financeiro do Comando Vermelho — responsável por movimentar e esconder milhões do tráfico de drogas. Agentes cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados em Jacarepaguá e na Barra da Tijuca. Entre os alvos estão nomes de peso da facção: Márcia Gama, companheira de Marcinho VP; o filho dela, o rapper Oruam, considerado foragido; além de lideranças como Sam, da Cidade de Deus; Pezão, do Alemão; Abelha, da Lapa; e Doca, da Penha. As investigações, conduzidas ao longo de cerca de um ano, revelaram um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro operado pela facção. Segundo os agentes, valores provenientes do tráfico eram repassados a operadores financeiros que fragmentavam o dinheiro em contas de terceiros, pagavam despesas, adquiriam bens e ocultavam patrimônio para dificultar o rastreamento. A análise de dispositivos eletrônicos apreendidos e o cruzamento de dados telemáticos e financeiros mostraram movimentações incompatíveis com a renda declarada dos investigados — evidência clara da origem ilícita dos recursos. Os diálogos interceptados reforçam ainda que, mesmo preso há anos, Marcinho VP segue como figura central no comando da organização criminosa. A ação faz parte da “Operação Contenção”, ofensiva do Governo do Estado para frear o avanço do Comando Vermelho. Até agora, segundo dados oficiais, mais de 300 criminosos foram presos, 136 mortos em confrontos, cerca de 470 armas apreendidas — sendo 190 fuzis — e mais de 51 mil munições recolhidas. As investigações continuam para identificar outros envolvidos, empresas usadas na lavagem de dinheiro e beneficiários indiretos do esquema.

DRACO DIZ QUE COMERCIANTES DAS ZONAS NORTE E OESTE DO RIO SÃO FORÇADOS PELA MILÍCIA A COMPARECER A LOCAIS PARA COMPRAR FARINHA DE TRIGO SOB MIRA DE FUZIS

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas recebeu, no dia 18 de abril, uma denúncia que expõe um esquema grave de exploração econômica com características típicas de atuação miliciana nas zonas Norte e Oeste do Rio de Janeiro. De acordo com o documento obtido pela reportagem, as informações chegaram por meio de um canal institucional de denúncias anônimas e apontam que comerciantes estariam sendo coagidos a comparecer a locais previamente determinados, em datas específicas, para a retirada compulsória de mercadorias. Segundo o relato, os pontos de entrega são controlados por homens fortemente armados, portando fuzis e pistolas, que exercem vigilância ostensiva sobre a movimentação. A presença constante dos criminosos cria um ambiente de intimidação absoluta, anulando qualquer possibilidade de resistência por parte das vítimas. Ainda conforme a denúncia, os comerciantes vêm sendo obrigados, mediante grave ameaça, a adquirir insumos alimentícios — principalmente farinha de trigo — de fornecedores previamente indicados pelo grupo criminoso. A imposição ocorre em condições consideradas abusivas, com exigência de compra em quantidades superiores à demanda real, preços inflacionados e produtos de qualidade inferior. Quem se recusa a cumprir as ordens, segundo o documento, fica sujeito a retaliações que vão desde o fechamento do estabelecimento até ameaças à integridade física. Na prática, o esquema descrito aponta para a substituição do livre mercado por um monopólio criminoso, imposto mediante o uso da força. A dinâmica da operação também revela um nível de organização voltado a dificultar a ação das autoridades. Os comerciantes são convocados em datas variáveis, sem padrão fixo, e direcionados a locais fechados, sem qualquer identificação externa e inacessíveis ao público em geral. A estratégia, segundo os investigadores, reforça o caráter clandestino da atividade e indica planejamento estruturado. A denúncia se diferencia de informes anteriores recebidos pela polícia por apresentar elementos concretos de tempo, modo e local, incluindo a indicação de datas específicas para retirada das mercadorias e a presença ostensiva de homens armados nos pontos de entrega, o que confere maior precisão e possibilidade de verificação às informações. Diante desse cenário, a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro entendeu que há indícios de atividade criminosa em plena execução, com impacto direto sobre a ordem pública e a livre iniciativa. Levantamento preliminar do setor de inteligência identificou que os endereços mencionados na denúncia correspondem a empresas formalmente constituídas. Entre os locais citados estão uma distribuidora de alimentos em Madureira, um galpão na Estrada dos Gouveias, em Santa Cruz, e uma empresa do mesmo ramo em Campo Grande. Segundo a análise, há indícios de um entrelaçamento societário entre essas empresas, com compartilhamento de sócios, endereços e atividades, o que pode indicar a existência de uma estrutura empresarial utilizada para dar aparência de legalidade ao esquema. Diante dos elementos levantados, a Polícia Civil representou à Justiça pela expedição de mandados de busca e apreensão nas sedes das empresas e também nos endereços residenciais de sócios e administradores. A avaliação é de que documentos, registros informais, dispositivos eletrônicos e valores em espécie possam estar sendo mantidos fora dos estabelecimentos comerciais como forma de dificultar a investigação. A urgência da medida é reforçada por uma informação considerada crucial: comerciantes teriam sido convocados a comparecer ainda no mesmo fim de semana em que a denúncia foi feita, a um endereço em Madureira, para retirada das mercadorias impostas. Segundo o documento, o local estaria sendo guarnecido por diversos homens armados, caracterizando, na avaliação dos investigadores, um cenário de prática criminosa em curso ou prestes a se consumar. A polícia alerta que a demora na adoção de medidas pode resultar no perecimento de provas, seja pela rápida circulação das mercadorias, seja pela possibilidade de ocultação ou destruição de documentos e dispositivos eletrônicos, além de permitir a continuidade do esquema em larga escala.

Alvo de atiradores que mataram três pessoas em Nova Iguaçu, miliciano morto era um dos responsáveis por pagar propinas a PMs

A chacina de três mortos ocorrida durante a semana em Austin, em Nova Iguaçu, continua trazendo desdobramentos sobre o histórico da criminalidade no local. Segundo investigações do início desta década, o principal alvo dos atiradores, Vitor da Paixão Aragão, o Vitinho da Biqueira, tinha como uma da suas principais atribuições dentro da milícia que agia na região pagar propinas a PMs. A quadrilha realizava o pagamento de arrego aos agentes lotados no DPO de Austin’, regularmente, para que esses deixassem de repreender as ações delituosas do grupo, de acordo com a investigação. Em uma escuta telefônica feita à época, Vitinho informou a um policial que precisava “desenrolar uma meta” com ele e um colega de farda. Segundo as investigações, o pagamento da propina era subsidiado por quantias em dinheiro arrecadadas pela organização criminosa, proveniente de taxa recolhida junto aos mototaxistas da região, para que estes pudessem circular livremente pela localidade. A investigação revelou que naquela época chegou a haver um racha na quadrilha com o chefe do grupo, Marquinho Alemão, ordenando a morte de Vitinho ao saber que ele estaria ameaçando matá-lo. Vitinho chegou a se tornar um dos líderes da milícia com a prisão de Alemão. Vitinho dava ordens aos seus comandados, notadamente aqueles que realizavam o recolhimento de”taxa”de comerciantes e mototaxistas da localidade, bem como organizava e participava de empreitadas criminosas juntamente com outros milicianos. Ele também era considerado um dos matadores da milícia sendo acusado de dois homicídios cujos corpos das vitimas foram deixados no Arco Metropolitano, conforme nossa reportagem divulgou durante a semana. A investigação revelou que fazia parte também desta milícia um indivíduo conhecido como Nem Corolla, que foi assassinado em novembro do ano passado junto de outras duas pessoas em um bar em Nova Iguaçu, A chacina ocorrida essa semana em Austin deixou duas pessoas sem qualquer envolvimento com o crime mortas, entre elas o comerciante Rafael Babalu, dono do bar onde ocorreram os homicídios.

Bastidores de uma das guerras mais sangrentas do Rio que uniu duas facções e um ex-policial civil contra milicianos

Uma das guerras mais violentas e duradouras do Rio de Janeiro segue em curso na Zona Oeste, envolvendo traficantes, milicianos, contraventores e até um ex-policial civil que teria migrado para o crime organizado. O conflito, que permanece ativo até os dias atuais, é marcado por homicídios, ataques armados e intimidação sistemática de moradores, usados como instrumentos de domínio territorial. As investigações apontam que a disputa pelo controle de áreas como Catiri, Vila Kennedy e Jardim Bangu vai muito além do tráfico de drogas. O que está em jogo é o domínio de regiões estratégicas, inclusive pela proximidade com o Complexo Penitenciário de Gericinó, facilitando a comunicação com lideranças criminosas presas e fortalecendo a atuação das facções. Além disso, essas áreas garantem acesso a uma rede altamente lucrativa de atividades ilegais, como transporte alternativo (vans), fornecimento de gás e internet clandestina — negócios que intensificam ainda mais a disputa entre grupos criminosos. VIOLÊNCIA, HOMICÍDIOS E INTIMIDAÇÃO DE MORADORES Segundo os autos, o controle territorial é imposto por meio de violência extrema. Criminosos utilizam armamento pesado, promovem ataques coordenados e recorrem a práticas de intimidação coletiva, submetendo moradores ao medo constante. Homicídios e tentativas de assassinato são utilizados como forma de demonstrar poder, eliminar rivais e consolidar o domínio das comunidades, transformando a região em um cenário permanente de guerra. PULGÃO: EX-POLICIAL NO CENTRO DO CONFLITO No centro desse cenário está o ex-inspetor da Polícia Civil conhecido como “Pulgão”, apontado como integrante do Comando Vermelho (CV) e ligado à chamada “tropa do RD”. De acordo com as investigações, após deixar a prisão em 2024, ele passou a atuar diretamente nas ações da facção. Em junho de 2025, voltou a ser preso acusado de associação criminosa e envolvimento em diversos ataques armados contra milicianos, incluindo tentativas de homicídio. Além da atuação violenta, Pulgão também é apontado como responsável por fortalecer o controle econômico da facção, explorando serviços ilegais como transporte alternativo, internet clandestina e fornecimento de gás. GUERRA CONTRA MILÍCIA, JOGO DO BICHO E O ALVO “MONTANHA” O conflito não se limita ao tráfico de drogas. As investigações revelam disputas diretas com milicianos e também com grupos ligados ao jogo do bicho. Nesse contexto, o miliciano conhecido como “Montanha” aparece como um dos principais alvos. Segundo os autos, ele foi alvo de uma tentativa de execução, evidenciando o nível de confronto entre as organizações criminosas. PENHA, CV E ADA: ALIANÇA QUE POTENCIALIZOU A GUERRA Outro fator determinante para a escalada da violência foi a participação de criminosos do Complexo da Penha, reduto histórico do Comando Vermelho, nas ações na Zona Oeste. Além disso, investigações apontam uma aliança estratégica entre o CV e a facção Amigos dos Amigos (ADA) — grupos historicamente rivais, mas que passaram a atuar juntos para retomar territórios dominados por milicianos. Essa união foi fundamental para ataques como o ocorrido em 17 de outubro de 2024, durante a invasão à comunidade do Catiri. ATAQUE EM ANTARES E EXPANSÃO TERRITORIAL A escalada da violência ficou evidente em episódios como o de 3 de janeiro de 2025, quando criminosos fortemente armados invadiram a região de Antares e abriram fogo contra seguranças ligados à milícia. As investigações também apontam movimentações para expansão em áreas como Santa Cruz e Campo Grande, ampliando ainda mais o alcance da guerra. A “TROPA DO RD” E O CONTROLE DOS NEGÓCIOS O traficante RD é apontado como um dos principais articuladores da ofensiva. Sua tropa atua tanto nos confrontos armados quanto na estruturação do domínio territorial. O objetivo vai além do tráfico: controlar atividades altamente lucrativas, como transporte alternativo, fornecimento de gás e internet clandestina, ampliando o poder financeiro da facção e intensificando o conflito. GUERRA SEM FIM Apesar de prisões e operações policiais, os documentos indicam que a organização criminosa segue ativa, com atuação contínua para expandir e consolidar seu domínio. A guerra pelo controle do Catiri, Vila Kennedy e regiões vizinhas permanece em curso até os dias atuais — marcada por homicídios, ataques, alianças improváveis, disputa com milícias e contraventores, e o uso constante da intimidação como ferramenta de poder.

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